Relatórios

Boas-vindas ao SPX Patriot, saída de Indie e Bogari e ajustes nas carteiras

Escrito por Rodrigo Xavier em FUNDOS

16 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • Como funciona a nossa lista de fundos aprovados e os motivos que nos fizeram recomendar resgate dos fundos Indie Ações, Bogari Value e Bogari Value Q;

  • A tese de investimentos em fundos que nos fez trazer o SPX Patriot para as recomendações da Finclass;

  • Os ajustes efetuados nas carteiras de valorização por fundos mediante nossa revisão da alocação em fundos long biased e a entrada do SPX Patriot.

Fala, pessoal!

Há exatamente um ano assumi oficialmente a área de fundos aqui na Finclass. Junto com essa nova responsabilidade, tomamos uma decisão interna importante: a nossa lista de aprovados não deveria ser extensa.

Na Finclass estamos inseridos em uma plataforma de carteiras completas, por isso, sentimos a necessidade de recomendar peças mais alinhadas a esse propósito, priorizando fundos com consistência relevante em relação aos seus referenciais e que de fato façam sentido dentro de uma carteira bem diversificada.

Nos últimos meses venho caminhando firme nessa direção, com muito estudo, dedicação e transparência em cada alteração realizada.

Este relatório dá continuidade a essa missão, que já está muito próxima de ser concluída. Vamos à leitura?

Primeiro, vamos entender a nossa lista de fundos aprovados

A nossa lista de fundos aprovados contempla as estratégias que passaram pelo nosso processo de análise e que podem, a qualquer momento, integrar as carteiras recomendadas da Finclass. Ou seja, os fundos presentes nas carteiras recomendadas da Finclass não são a totalidade de fundos aprovados pelo nosso time.

Essa estrutura é necessária porque fundos de investimento estão sujeitos a períodos de fechamento para novos aportes, visto que, por vezes, o fundo fecha por entender que atingiu o volume máximo que tem capacidade de gerir sem comprometer sua estratégia e performance. Ter um conjunto mais amplo de fundos aprovados nos permite lidar com essas situações de forma ágil e responsável.

Na prática, isso garante que, caso um fundo da carteira base deixe de aceitar novas aplicações, possamos realizar substituições por alternativas de qualidade equivalente, previamente analisadas e acompanhadas. Afinal, uma carteira recomendada precisa ser passível de implementação a qualquer momento.

Além disso, esse formato amplia o leque de escolhas para o investidor mais entusiasta de fundos, que pode ajustar sua carteira de acordo com suas preferências específicas.

Vale destacar também que a presença ou ausência de um fundo na carteira base não está condicionada exclusivamente ao seu status de aberto ou fechado. Fundos que estavam indisponíveis e voltam a captar podem ser reinseridos, assim como ajustes podem ocorrer mesmo entre fundos abertos, sempre que julgarmos que a mudança contribui para um melhor equilíbrio da carteira ou para um potencial de retorno mais atrativo.

Essa introdução foi feita pois nenhum dos dois fundos retirados hoje estava na carteira base da Finclass, logo, é provável que muitos dos investidores da Finclass não tenham valores alocados neles.

Retirada do Indie Ações da nossa lista de aprovados

Recentemente fizemos um bate papo com o time da Indie, coletando informações importantes sobre o momento da casa enquanto time de gestão, processos, visão de cenário econômico e resultados.

Aspectos qualitativos

Em conversa com Henrique Jacob, um dos gestores da casa há 11 anos, ele destacou que o patrimônio sob gestão da Indie está em aproximadamente R$ 600 milhões, incluindo um FIDC de R$ 120 milhões em parceria com a Merx e R$ 50 milhões em uma estratégia mais focada em alocação global.

No seu auge, a gestora chegou a gerir R$ 3 bilhões, o que demonstra redução significativa de receita e a necessidade de ajustes para se acomodar a um novo contexto.

A saída de João Nerasti também foi um dos pontos centrais da conversa, uma vez que ele era um dos gestores mais influentes da casa. Ele deixou a Indie após captar recursos para iniciar uma nova operação fora, mas os sócios fundadores Daniel e Felipe permanecem normalmente.

A equipe foi reduzida, hoje são 10 pessoas, houve cortes principalmente nas áreas de backoffice e comercial. O time de análise, que já teve cinco integrantes focados, está reduzido a três. Apesar disso, os gestores afirmaram que os processos foram ajustados para manter o trabalho em dupla nas análises setoriais e absorver o aumento de demanda sobre quem ficou.

Houve perda de profundidade em algumas análises devido à redução do time, isso foi admitido por Jacob.

Também houve uma reflexão importante sobre os erros de 2021 e 2022. A equipe reconheceu que passou a “respeitar mais o mercado”, adotando uma postura mais pulverizada e menos concentrada nas posições.

Entre os erros citados, destacaram-se a ausência de bancos em um período de juros altos e provisões baixas, além de escolhas setoriais problemáticas como Smart Fit e Hapvida. No caso da Hapvida, o impacto foi nocivo à cota, embora os gestores tenham ressaltado que o setor de saúde parecia atrativo na época.

Olhando para a frente, a visão é de que o cenário político brasileiro continuará volátil, especialmente por causa das eleições, mas o Brasil ainda pode se destacar em termos de fluxo e liquidez. A equipe acredita que o país não seria um dos mais prejudicados por um eventual agravamento de conflitos externos, apesar da incerteza elevada.

No geral, vemos pontos de mudanças importantes, sendo a maioria delas de certa forma mais críticas em nossa opinião.

O quantitativo também pesou

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Até 8/6/26

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Até 8/6/26

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Até 8/6/26

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Até 8/6/26

O fundo já teve bons momentos no passado, mas faz muito tempo que não performa bem.

Um ponto que chama a atenção é que a questão da concentração citada na seção qualitativa faz o fundo marcar baixas razoavelmente mais relevantes que o índice, isso foi algo que pressionou o resultado de curto e médio prazo.

Em janelas de 7 anos, um período que julgamos razoável para estar acima do Ibovespa, já faz um certo tempo que o fundo não o supera.

Nós seguramos a recomendação aguardando uma recuperação enquanto os aspectos qualitativos ainda se mantinham mais sólidos. No entanto, mais recentemente houve uma perda de consistência nessa parte também, além das dificuldades na performance, que já vinha se deteriorando há mais tempo.

Diante desse contexto, nossa decisão é retirar o fundo da nossa lista de aprovados, até aproveitando o momento pró-redução da lista de aprovados para dar foco nos fundos de maior convicção.

Retirada do Bogari Value e Bogari Value Q da nossa lista de aprovados

Assim como no caso da Indie, também tivemos um papo com a equipe da Bogari, uma casa muito respeitada por nós e pelo mercado. 

Aspectos qualitativos

A conversa reforçou nossa percepção de que a gestora atravessou um período difícil de resgates, mas que se estabilizou mais recentemente.

O patrimônio sob gestão está próximo de R$ 900 milhões, bem abaixo dos níveis históricos, mas a estrutura permanece sólida. Os principais sócios continuam à frente do negócio, com a única mudança mais relevante sendo a saída de Felipe de Luca no ano passado, em um processo descrito como natural para ambas as partes.

A cultura da casa segue baseada em alinhamento de interesses, parceria de longo prazo e disciplina de custos, permitindo que a equipe atravesse momentos adversos como empresa sem comprometer a qualidade da gestão.

O time destacou que a Bogari é o grande projeto de vida dos principais sócios.

A equipe permanece praticamente inalterada, contando atualmente com 12 profissionais, dos quais oito atuam diretamente na análise e gestão dos investimentos, número que deve aumentar com a contratação de um estagiário. Neste momento, 7 pessoas são sócias do negócio.

A gestora destacou que seu principal ativo são as pessoas, mantendo uma filosofia de desenvolver talentos internamente e preservar relacionamentos de longo prazo. O patrimônio dos sócios permanece fortemente investido nos fundos, reforçando o alinhamento com os cotistas e a visão do negócio como um projeto de vida de longo prazo.

Em relação ao portfólio, a equipe segue otimista com as oportunidades da bolsa brasileira, embora reconheça que o mercado esteja em compasso de espera diante das eleições.

Entre as principais posições, destacaram o setor elétrico, especialmente Energisa, vista como uma empresa de baixo risco e elevada eficiência operacional, beneficiada pela exposição a regiões de maior crescimento econômico. O caixa está ao redor de 13%, mas a tendência é de redução gradual conforme novas oportunidades sejam identificadas.

De modo geral, os aspectos qualitativos não nos preocuparam, se não estivesse na nossa mira reduzir a lista de recomendados é possível que Bogari ficasse

O quantitativo também pesou

As rentabilidades históricas e oscilações das cotas do Bogari Value e do Bogari Value Q são extremamente parecidas, por isso, optamos por deixar apenas o fundo mais antigo para facilitar a compreensão dos dados. Veja os resultados:

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Até 8/6/26

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Até 8/6/26

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Até 8/6/26

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Até 8/6/26

Ao observar os números, avaliamos que o caso do Bogari é menos problemático que o da Indie. O fundo mantém um histórico superior ao Ibovespa desde o início e entregou um retorno atrativo no ano passado, ainda que não muito fora da curva quando comparado ao referencial.

No entanto, permanecer abaixo do Ibovespa por uma janela tão longa quanto sete anos, combinado com quedas relevantes ao longo do caminho, nos leva a crer que existem outros times de gestão capazes de apresentar maior consistência de retorno ajustado ao risco para a nossa proposta de recomendados.

Vale mencionar que essa avaliação também leva em conta o perfil do nosso assinante médio, que em geral tem menos tolerância a períodos prolongados de underperformance, mesmo que o histórico de longo prazo do time ainda seja positivo.

A casa está consistente no aspecto qualitativo, mas somando as performances aquém do esperado dos últimos anos com a nossa proposta de enxugar a lista de aprovados e torná-la mais alinhada ao contexto de carteiras completas, a decisão foi pela retirada do fundo da lista.

O SPX Patriot é a nossa nova recomendação

Já vínhamos “namorando” o fundo pois ele se destaca há bastante tempo em nossas prospecções.

Comandado pelo brilhante Léo Linhares, o SPX Patriot combina excelência na qualidade de gestão com ótimos resultados e consistência. 

Eventos recentes da SPX

No mês passado, a SPX passou por mudanças relevantes na vertical de Multimercados. Os sócios Marcelo Castro e Marcella Libardoni deixaram a gestora por desalinhamento com a visão dos principais sócios sobre o futuro da casa, o que motivou uma reorganização na área de multimercados. Como parte dessa reestruturação, a operação do escritório de Londres foi encerrada.

Bruno Pandolfi, um dos fundadores da SPX e responsável pelo book de moedas, assume maior protagonismo e passa a exercer uma espécie de coordenação central sobre os demais gestores da classe. Esse foi, inclusive, o principal ponto de desalinhamento com Marcelo Castro. A estrutura ficou menos aberta e mais controlada, com maior ênfase à meritocracia por resultado nos books.

Rogério Xavier mantém um book próprio, porém com menor peso relativo para o conjunto. Os demais gestores seguem com autonomia sobre suas estratégias individuais.

A casa ressalta que não está migrando para um modelo totalmente centralizado, mantendo seus processos de investimento em cada book.

O time da SPX nos garantiu que as mudanças são restritas à área de multimercados e não afetam em nada as verticais de crédito, ações, imobiliário ou private equity. Esse ponto é especialmente relevante, pois nos deixa tranquilos para recomendar o SPX Patriot neste momento.

Não é um tema deste relatório, mas se tiver interesse em saber um pouco mais sobre as mudanças nos Multimercados da SPX e os motivos pelos quais mantivemos nas recomendações, sugiro a leitura desta postagem na comunidade (clique aqui).

Aspectos gerais do fundo

Falar do Falcon sem citar Leonardo Linhares seria impossível. Ele é extremamente respeitado por todo o mercado, inclusive pelos concorrentes, considerado como um gestor totalmente fora da curva na gestão de ações.

É comum ouvir frases como "o nosso fundo está bem, mas pegar o Léo é complicado" ou "admiramos muito o trabalho que fazem no Patriot e Falcon".

Apesar de integrar uma das maiores gestoras do mercado, a equipe do Léo opera de forma independente, com gestão e análise totalmente segregadas das demais estratégias da SPX, ainda que haja comitês de investimento com participação de múltiplos núcleos da casa para ampliação do leque de informações e conteúdo de análise.

> O que é o Patriot e como se diferencia do Falcon

O SPX Falcon, já recomendado por aqui, é o long biased do Léo e time, combinando posições compradas, vendidas e ajustes pontuais de estrutura. O Patriot é, na prática, a parte comprada em ações do Falcon, ou seja, a seleção de ações do time sem proteções, alavancagem ou posições vendidas.

Historicamente a carteira do Patriot é composta por 15 a 25 ações, gira em torno de 90% comprada e mantém o restante em caixa. Aloca bem pontualmente em América Latina por meio de ETFs, o que contribui para que o fundo seja mais descorrelacionado dos seus pares na indústria, junto com a gestão altamente flexível da equipe.

Vale mencionar que dois terços do retorno histórico do Falcon advêm da parte comprada em ações, o que reforça a qualidade e relevância da estratégia que o Patriot representa.

Na prática, o Patriot compartilha o mesmo time e ideias do Falcon, então nos sentimos bastante tranquilos em relação a ele.

> Processo de investimento

O processo parte de uma análise fundamentalista micro extremamente detalhada, o que no mercado chamamos de bottom-up. O time de pesquisa, liderado por Bruno Silveira, começa os trabalhos entregando todas as projeções detalhadas para a equipe de gestão, que ajusta as combinações e define o portfólio da forma mais bem ajustada possível, sendo essa parte liderada pelo Léo Linhares.

O micro é o ponto de partida e tem maior relevância no todo, mas o macro ajuda a definir timing, tamanho de posição e alternância entre velocidade dos trades e exposição setorial.

> Equipe e estrutura

O time opera com especialistas alocados por setores, com acompanhamento detalhado das empresas e seus segmentos, sempre com foco no controle de risco.

O ambiente colaborativo, com interação saudável e compartilhamento de conhecimento, é apontado pelo próprio time como o principal trunfo para os bons resultados. São 18 pessoas ao todo na operação de ações, sendo 6 sócios, sem histórico de turnover. A equipe está no Rio de Janeiro e João Torres atua como segundo gestor e braço direito do Léo.

Recentemente reli o livro “Desbravando a Gestão de Portfólios”, de David Swensen. O autor, que é uma referência absoluta para alocadores de fundos, destaca muito que resultados consistentes são conquistados com equipes coesas, com cultura colaborativa e alinhamento de incentivos ao longo do tempo. É exatamente esse tipo de dinâmica que identificamos no Patriot, com o incremento de ter alguém brilhante como o Léo no centro das ações.

A dinâmica de comitês também merece destaque: os diários tratam das principais notícias e promovem trocas ágeis de ideias; o semanal revisa posições, avalia a carteira como um todo e discute cenários estratégicos; e os pontuais são convocados quando necessário para abordar temas específicos indicados por analistas ou gestores.

> Capacity

O time estima que a estratégia ainda pode captar pelo menos R$ 1 bilhão adicional sem prejuízo ao desempenho, o que representa um espaço relevante de crescimento.

O SPX Patriot se destaca no grupo de fundos que monitoramos

Não é de hoje que estamos cogitando a entrada do Patriot nas nossas recomendações, uma vez que sempre se destacou nos aspectos quantitativos e integrou com destaque o nosso grupo de fundos monitorados.

Veja quais filtros aplicamos para definir quais fundos de ações monitoramos:

  • Apenas fundos da classe de ações disponíveis a investidores de varejo;
  • Apenas fundos que atuem de forma livre no mercado de ações local. Ou seja, saem fundos temáticos, como os focados em setores específicos, small caps, passivos, com viés de alocação global, entre outros;
  • Apenas fundos acessíveis em plataformas confiáveis. Um diferencial importante é estar disponível na XP, BTG e em alguns bancos de grande porte, pois sabemos que isso cobre a maior parte da nossa base de assinantes, mas obviamente que é desejável estar em múltiplas plataformas;
  • Sem nenhuma ocorrência mais grave de performance nos últimos anos;

Não retiramos do peer group, mas é um diferencial para fins de recomendação estar aberto para captação, para que a opção colocada na Finclass seja acessível no momento da recomendação.

Observação: atualmente temos cerca de 100 fundos no monitoramento.

Métricas quantitativas

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Até 8/6/26

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Até 8/6/26

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Até 8/6/26

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Até 8/6/26

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Até 8/6/26

Se olhamos o resultado desde o início, temos quase 2,5 vezes o Ibovespa. Foi um retorno de 512,8% contra 206,6% do referencial.

Nas janelas móveis, temos ótima consistência. Em sete anos, o fundo nunca perdeu para o Ibovespa, mesmo passando por períodos mais desafiadores em sua estrutura e no mercado.

Se a ótica for mais curto-prazista, vemos o fundo superar o referencial em 74% das vezes nas janelas de um ano, o que é extremamente elevado para a classe e se traduz em excelência com consistência.

Pegando um período extremamente complexo para a indústria como o pós-pandemia, vemos que desde 2021 o fundo supera o Ibovespa no retorno de ano fechado. Exceção a este ano, uma vez que as condições geopolíticas prejudicaram um pouco, mas ainda há tempo de buscar a reversão, pois a diferença é pequena.

Do ponto de vista de risco, os níveis de quedas pontuais são compatíveis com os do índice, o que nos tranquiliza em relação ao todo.

Os aspectos quantitativos do fundo são excelentes, assim como os qualitativos.

Comparando com os pares, o fundo é top de linha desde a sua criação e continua muito consistente. Como podemos ver nos últimos cinco anos, o Patriot se destaca bastante, e isso também se reflete em outras janelas temporais observadas.

Vejamos agora uma comparação objetiva do Patriot contra alguns pares na indústria nos últimos 5 anos, para ver como se comporta e se merece estar na “seleção” dos melhores da indústria, os quais integram a nossa lista de aprovados.

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Em 5 anos até 8/6/26

Fica evidente que além de obter um histórico muito bom, também soube “surfar” o complexo período pós-pandemia.

Salvo raros momentos de sua história, sempre obteve bons desempenhos em janelas de curto, médio e longo prazo, portanto, dado o seu alto  nível de consistência, o SPX Patriot agora passa a ser uma recomendação da Finclass.

Informações essenciais do fundo

Nome: SPX Patriot

CNPJ: 15.334.585/0001-53

Taxa de administração: 2% ao ano

Taxa de performance: 20% do que exceder ao IBX

Tributação: 15% na fonte sobre o ganho nominal (no resgate)

Aplicação mínima: R$ 5 mil

Aplicação adicional: R$ 5 mil

Prazo de resgate: 30 dias corridos + 2 dias úteis para liquidação na conta

Público-alvo: investidores em geral

Onde encontrar: Banco Inter, BTG Digital, C6 Bank, Daycoval, Genial, Guide, Itaú e XP 

Ajustes nas carteiras de fundos

O relatório de hoje também marca uma mudança na proposta dos fundos de ações nas carteiras, mas antes de apresentar as alterações, vamos explicar algumas situações.

Quanto alocar em fundos long biased na alocação de ações?

Um fundo long bias (ou long biased) é, acima de tudo, uma estratégia versátil.

A categoria possui um viés estruturalmente comprado (long) em ações, mas também pode montar posições vendidas, que se beneficiam da queda dos preços. Isso permite que a equipe de gestão busque ganhos tanto em mercados de alta quanto em movimentos de baixa, além de proteger parcialmente a carteira em períodos de maior volatilidade.

Em certos casos, uma parcela menor do patrimônio pode ser direcionada a outros mercados, como juros, moedas, commodities e outros.

Na prática, a maior parte dos fundos long bias oferece uma experiência mais “suave” dentro do universo de ações. A proposta costuma ser cair menos do que o mercado nos momentos de baixa, ainda que isso possa significar acompanhar de forma mais moderada os movimentos fortes de alta.

Esse equilíbrio entre perdas mais controladas e ganhos potencialmente mais graduais pode funcionar muito bem no longo prazo, desde que o gestor execute bem a estratégia e o ambiente de mercado seja favorável.

Por outro lado, essa flexibilidade também pode afastar o fundo da exposição mais “pura” a ações brasileiras que buscamos em parte da carteira, o que exige monitoramento constante.

Nossos estudos indicam que a alocação em long bias dentro da parcela de ações pode variar entre 0% e 50%, dependendo das estratégias disponíveis e das condições de mercado, referência essa que nos manteremos enquadrados como veremos adiante.

Regra de bolso sobre não passar de 10% num único fundo

Em uma carteira de fundos bem estruturada, limitar a exposição a um único fundo a, no máximo, 10% do patrimônio ajuda a reduzir riscos específicos. Mesmo gestores de alta qualidade podem enfrentar períodos difíceis, mudanças na equipe ou desafios operacionais, e uma concentração excessiva aumenta a dependência desses fatores.

Além disso, a diversificação entre diferentes gestores e estratégias tende a tornar a carteira mais resiliente ao longo do tempo. Como é difícil prever quais fundos terão o melhor desempenho nos próximos anos, distribuir o capital entre várias boas opções costuma ser uma abordagem mais prudente do que apostar excessivamente em um único fundo.

As novas propostas para a carteira

Feito o preâmbulo inicial, vamos a nova proposta:

> Carteira de valorização por fundos até R$ 50 mil:

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> Carteira de valorização por fundos de R$ 50 mil até R$ 200 mil:

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> Carteira de valorização por fundos de R$ 200 mil até R$ 1 milhão:

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> Carteira de valorização por fundos acima de R$ 1 milhão:

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Alguns pontos podem ser observados, então vamos a eles:

> O peso dos fundos long biased

Mediante nossa percepção de mercado e disponibilidade de peças aderentes ao que queremos para a carteira, nossa decisão foi manter 3% na categoria, o que significa 20% do total de ações.

Exceção à regra ocorre na carteira para quem tem até R$ 50 mil, onde o peso aumenta para 33,3% por uma questão de respeito à regra de bolso de não exceder 10% alocado em um mesmo fundo.

> Retiramos o Dahlia Total Return da carteira base

O fundo foi retirado da carteira base, mas continua normalmente sendo uma recomendação da Finclass, portanto permanece em nossa lista de fundos aprovados.

O fundo tem como benchmark oficial o IPCA + Yield da B, referencial que supera com alguma consistência nos últimos anos. Porém, apresenta maior dificuldade para superar o Ibovespa vis-à-vis a forma como conduz a carteira, o que nos fez considerar que pode fazer menos sentido na carteira base do que outros fundos. Por isso, fizemos essa movimentação.

> O Forpus assume um espaço dedicado aos long biased

Os gestores dizem se enxergar como long only, mas o fundo tem muita aptidão para montar posições compradas e vendidas também, lembrando bastante um long biased. O long biased mais "clássico" usa posições vendidas mais para defender o portfólio do que para geração de alfa, já o Forpus tenta potencializar retornos por meio das posições vendidas também, daí vem o debate.

No geral, a casa roda com volatilidade superior à dos fundos long biased que gostamos, mas no âmbito de uma carteira diversificada, a característica essencial de transitar entre comprado e vendido exerce sua influência a nosso favor. Por isso, decidimos colocá-lo no lugar do Dahlia e ajustá-lo pontualmente aos pesos dedicados ao long biased na proposta.

> Incluímos o SPX Patriot

Mediante todos os pontos citados no decorrer do relatório, entendemos que o fundo pode ser um agregador de alfa e diversificação para o portfólio. Por isso, ele entra com o mesmo peso dos outros fundos long only, que são o Ibiuna Equities e o Real Investor. 

> Ibiuna Equities e Real Investor diminuem 1%

Nas carteiras para patrimônios acima de R$ 50 mil, os fundos diminuem 1% para acomodar a entrada do SPX Patriot e os demais arranjos da carteira nos pesos correlatos entre long biased e long only.

Não se trata de perda de convicção nos fundos; o movimento visou apenas acomodar melhor todo o restante. 

Ficamos por aqui

Este relatório buscou melhor alinhar nossa proposta de fundos de ações com o futuro e com o perfil médio dos nossos assinantes, tanto nas recomendações de compra e resgate quanto nos ajustes pontuais da carteira.

Como diria Benjamim Franklin, uma das figuras mais influentes do século XVIII, “Para cada minuto gasto organizando, uma hora é ganha”.

Caso tenha alguma dúvida, sinta-se à vontade para compartilhá-la em nossa comunidade ou nas lives semanais. Estamos por aqui.

Um grande abraço e bons investimentos!

Rodrigo Xavier

Sobre os analistas

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.