Você sabia que o primeiro veículo movido a motor foi o Benz-Patent Motorwagen?
O modelo em questão foi patenteado em 29 de janeiro de 1886 pelo engenheiro alemão Karl Benz. O motor desse carro possuía “incríveis” 0,75 cavalo de força e atingia a velocidade máxima de 19 km/h.
Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o primeiro automóvel da história não foi o modelo T da Ford, mas foi ele que popularizou os veículos ao redor do mundo. Para se ter uma ideia, em 1920, o Ford T representava mais de 50% dos carros vendidos no mundo todo.
O Ford T (o modelo da foto abaixo) tornou os veículos mais acessíveis, primeiro para o público norte-americano, e depois, para o resto do mundo.
Fonte: Revista Carro
O valor inicial do Ford T era de US$ 850, que, corrigido pela inflação, custaria hoje cerca de US$ 26 mil.
Convenhamos que US$ 26 mil não é um valor exorbitante para um veículo se considerarmos o mercado consumidor atual nos Estados Unidos. Com esse valor, você seria capaz, por exemplo, de adquirir um Honda Civic novo em folha nos EUA, que está longe de ser um carro de entrada ou de ser uma oportunidade acessível a quem deseja ter seu próprio veículo.
Fonte: Car News USA
Henry Ford, fundador da Ford Motor Company, sabia que havia uma oportunidade de expandir seus negócios caso essa acessibilidade se concretizasse e queria transformar o Ford T em um modelo ainda mais fácil de ser adquirido.
Aprimorando técnicas de produção (foi ele o criador da famosa linha de produção em massa) e economizando custos, em 1927 o modelo T da Ford chegou a ser comercializado por apenas US$ 290 – algo em torno de US$ 4.900 atualmente.
Isso é acessível?
Atualmente, o veículo 0km mais barato nos EUA custa aproximadamente US$ 15 mil.
Ou seja, o Ford T cumpriu a missão de tornar os veículos mais acessíveis para o mundo todo.
E é com uma missão semelhante que estamos escrevendo este relatório, pois hoje vamos ajudar você a ter acesso a um dos melhores indicadores não somente da renda fixa, como do mercado brasileiro inteiro, o IMA-B 5, com o fundo BTG Pactual Inflation.
IMA-B 5: uma breve explicação
Antes de seguir, é importante sempre ressaltar que o IMA-B 5 é um índice que representa uma cesta dos títulos públicos indexados à inflação de curto prazo, ou melhor, que vencem em até cinco anos.
“Gui, isso significa que ele tem uma data de vencimento?”
Não. Mas para entender sua dinâmica, vou simular como a composição do IMA-B 5 muda conforme o tempo passa.
No fim de 2022, a carteira do IMA-B 5 era composta mais ou menos pelos seguintes títulos:
Fonte: ANBIMA
O percentual de cada um dos ativos é determinado com base na quantidade de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional. Por exemplo, de sua dívida indexada à inflação que vence em cinco anos, o Tesouro IPCA+ 2023 representa 26,95% do total, e assim sucessivamente.
Agora, vamos supor que estamos em 15 de junho de 2023, data de vencimento do Tesouro IPCA+ 2023. Como fica a composição do mesmo índice a partir desse ponto?
Bom, como o Tesouro IPCA+ 2023 chegou ao vencimento nessa simulação, ele não faz mais parte da dívida pública brasileira, logo sai da formação do índice. Então, os pesos de cada um dos títulos são calculados novamente, chegando a uma composição parecida com essa:
Fonte: Spiti
Passado mais algum tempo do período demonstrado na tabela acima, especificamente em agosto de 2023, um título indexado à inflação precisaria entrar na composição do IMA-B 5 para fazer jus ao que o índice se propõe (cinco anos). Assim, é necessário realizar o que chamamos de rebalanceamento, com a adição do Tesouro IPCA+ 2028.
Fonte: Spiti
Para concluir este tópico, veja que, conforme o tempo passa, a carteira do IMA-B 5 também vai sofrendo mudanças em sua composição, mas é importante salientar que, apesar de observarmos as mudanças nas datas de vencimento, o comportamento dos títulos públicos ali dentro é sempre muito semelhante, ou seja, um título IPCA+ que vence em três anos vai se comportar da mesma maneira hoje ou daqui a 10 anos.
Feita essa explicação sobre a composição do IMA-B 5, precisamos lembrar que, na data de publicação deste relatório, temos apenas uma opção que consideramos boa, disponível, atrelada ao índice e altamente acessível.
Além do fundo que estamos recomendando hoje, existe uma outra boa opção ligada ao IMA-B 5, o Western Asset IMA-B5 Ativo FI Renda Fixa, mas cujo investimento mínimo é de R$ 1 mil. Isso pode impossibilitar que alguém com menos recursos tenha acesso, e é por isso que fomos atrás de uma alternativa mais acessível, assim como Henry Ford fez ao desenvolver o seu modelo T. A diferença aqui é que, em vez de fazer você gastar, estamos buscando colocar dinheiro no seu bolso.
“Gui, e o ETF B5P211? Por que não recomendam esse ativo, cuja taxa de administração é mais baixa?”
Esse fundo passivo listado em Bolsa acompanha o retorno do IMA-B 5, mas recentemente vimos relatos de pessoas que estão com dificuldades para acessá-lo ou que estão se deparando com taxas abusivas em sua aquisição. Por esses motivos, buscamos outra opção tão acessível quanto e com o mesmo nível (ou maior) de eficiência.
O fundo recomendado
Após uma longa pesquisa, encontramos um fundo de investimento que vai fazer parte dos nossos ativos recomendados. Ele passou com mérito pelos critérios de acessibilidade, performance e relação risco versus retorno. O nome completo dele é:
Fonte: BTG Pactual
O fundo em questão pode ser encontrado na plataforma do BTG Digital com o seguinte nome:
Fonte: BTG Digital
Mas não se preocupe, pois se trata do mesmo fundo. É apenas uma simplificação na plataforma para que fique mais acessível e fácil de ser encontrado no aplicativo.
Pré-requisitos
Vamos dissecar alguns pré-requisitos e critérios importantes de avaliação que fizeram com que recomendássemos o fundo:
- Aplicação mínima
Esse é o fundo com a menor aplicação mínima possível. Para acessá-lo, basta você ter R$ 0,01. Isso mesmo, ele aceita aplicação de qualquer valor e ainda oferece a você liquidez diária, ou seja, pode resgatar os seus recursos quando bem entender.
- Tempo de criação
Consideramos que um fundo precisa ter mais de dois anos de existência. Esse pré-requisito se dá pelo fato de que as análises do fundo e de sua equipe precisam ser realizadas em vários ciclos econômicos (positivos ou negativos) e como eles atravessaram principalmente períodos desafiadores.
Escolher um fundo com prazo menor do que esse é aposta, e não análise.
Agora vamos aos critérios de análise mais relevantes.
Critérios
- Retorno
Primeiro, vamos olhar o retorno desde a criação do fundo:
Fonte: Quantum AxisLinha azul: BTG Inflation; Linha cinza: IMA-B5
Observando o retorno do fundo em relação ao seu principal benchmark, veremos que até o fim de 2020, ou seja, por 12 anos, ele se manteve com rentabilidade muito próxima à do seu principal índice de referência. Após esse período, houve um desempenho pouco pior do que o IMA-B 5, mas sabemos que essa performance foi causada pela elevação muito forte dos juros de curto e longo prazos no Brasil, que tendem a prejudicar fundos que buscam superar seus referenciais – casos do Western Asset IMA-B 5 e do BTG Pactual Inflation.
Acreditamos que, em termos de performance, essa janela será recuperada com a recente indicação do nosso Banco Central de que o fim do ciclo de alta está muito próximo, o que tende a trazer um certo “sossego” para o mercado de renda fixa.
- Janelas móveis
Vamos analisar também o retorno do BTG Inflation em janelas móveis, isto é, o retorno acumulado em períodos de 36 meses ao longo dos últimos anos. A comparação do retorno do fundo será feita tanto com o CDI, principal índice da renda fixa, quanto com o próprio IMA-B 5, seu referencial de fato.
Fonte: Quantum Axis
Observe que o BTG Inflation, representado pela linha azul no gráfico, sempre teve desempenho parecido com o fundo da Western, e também com o próprio benchmark, ficando abaixo de maneira significativa apenas nos últimos meses.
O destaque em vermelho nos mostra que ele é um fundo que possui um pouco mais de risco, ou seja, oscilação de preço diária.
A janela de três anos de retorno acumulada se destaca tanto de forma positiva, no caso do retorno máximo, quanto destaque negativo, no aspecto do retorno mínimo. Isto é, em janelas de 36 meses, é o que apresenta tanto o retorno máximo quanto o mínimo.
- Relação risco vs retorno
O Índice de Sharpe é um indicador que mostra quanto de retorno um ativo entrega em relação ao risco que possui. Um índice acima de 0,50 é considerado muito bom, principalmente se observado de maneira consistente.
Abaixo você pode ver o Sharpe do BTG Inflation ao longo do tempo, além da média geral do período:
Quantum Axis e Spiti
A média desde o seu início está próxima a 0,70, um nível considerado muito bom.
Taxas de administração e performance
A taxa de administração do fundo é de 0,40%, o que é relativamente baixa se comparada com outras opções do mercado – ponto positivo.
Além disso, ele não possui taxa de performance, ou seja, não cobra qualquer percentual de retorno que exceder o benchmark (no caso, o IMA-B 5), o que também é positivo em termos de economia de custos.
Conclusão
O BTG Pactual Inflation é uma excelente opção de fundo que segue o IMA-B 5 e uma alternativa viável para sua carteira de até R$ 10 mil.
Apesar de não ser a recomendação de fundo mais eficiente possível para se expor ao IMA-B 5, atende ao objetivo que buscamos para as carteiras de menor valor, apresenta retorno consistente ao longo dos anos, e mesmo com uma volatilidade mais elevada, sua relação risco versus retorno, expressa pelo Índice de Sharpe, ainda é bem atrativa.
Em comparação a outras opções disponíveis no mercado, o fundo BTG Pactual Inflation cumpre bem o papel de ser uma porta de entrada para o IMA-B 5, assim como o Ford T foi para sua época em relação aos automóveis. Ainda que o modelo fosse levemente inferior ao mais caro, cumpria de maneira primordial sua função, de ser um carro muito acessível à população – e hoje o modelo criado por Henry Ford é considerado um ícone.
Abraços,
Gui Cadonhotto e Filipe Colus