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Carteira alternativa da série Renda Total: uma opção para quem busca pagamentos de proventos todo mês

Escrito por Guilherme Cadonhotto, Fillipe Colus, Luciana Seabra em RENDA TOTAL

6 min de leitura

Em empresas de engenharia, quando se analisa um projeto de investimento, é comum utilizar um método bem visual para ajudar a entender entradas e saídas de dinheiro: o fluxo de caixa.

Isso garante uma ajuda muito valiosa não apenas na organização das finanças, mas também para que pessoas que não têm background em finanças possam entender o que entra e o que sai de dinheiro em um projeto.

Esse conceito, além de ser muito utilizado pelas empresas do setor, vai nos ajudar a entender o propósito da carteira alternativa que vamos recomendar no relatório de hoje.

A ideia de sugerir uma carteira alternativa é justamente para suprir uma demanda que temos recebidos de muitos assinantes. Entendemos que nem todos possuem o objetivo de construir patrimônio, algumas pessoas hoje estão buscando o conforto e a previsibilidade do pagamento de proventos mensais. Então, com essa carteira, a nossa série se torna mais inclusiva ainda, acomodando a necessidade de mais pessoas.

O novo fluxo

Para que você já tenha uma noção inicial, fizemos uma imagem para exemplificar e aplicar um pouco desse conceito na carteira atual do Renda Total. Veja só:

Fonte: Spiti
Fonte: Spiti

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A seta marrom mostra o momento em que você investe, ou seja, aloca nas recomendações da carteira de Renda Total, e as setinhas verdes representam o pagamento de dividendos ao longo do tempo.

Como mencionamos, vamos propor uma carteira alternativa na série, cujo objetivo é proporcionar um pagamento de dividendos de forma regular.

Mas o que isso quer dizer na prática?

Repare na imagem acima que o tamanho das setas verdes, representando o montante de pagamento de dividendos, varia ao longo do tempo. Ele não é uniforme, justamente por conta das ações, que pagam juros sobre capital próprio e dividendos de forma irregular ou esporádica, e dos títulos públicos, que pagam cupom de juros semestrais (ou seja, com espaçamento grande de tempo).

Agora perceba qual é a meta do fluxo de pagamento de dividendos que queremos atingir com a nossa carteira alternativa:

Fonte: Spiti
Fonte: Spiti

Fonte: Spiti

Viu como as setinhas verdes, que representam o pagamento de dividendos, ficaram mais uniformes e com tamanho mais parecido? De forma resumida, esse é o objetivo da carteira alternativa: fornecer uma opção com foco em pagamentos mensais com valores mais estáveis.

É importante lembrar que não existe almoço grátis. Para atingir essa previsibilidade do pagamento de dividendos, você terá que deixar de lado uma parcela de ganhos de capital, e essa vai ser a maior diferença entre as duas carteiras.

O primeiro ponto que você deve considerar é o seu objetivo: qual dos dois é mais importante para você, ganhos recorrentes ou de capital? Já trabalhamos esses conceitos em alguns relatórios, tais como:

  • Duas ferramentas que vão te ajudar a se planejar para viver de renda
  • Gestão de proventos Renda Total: um breve guia

E principalmente sobre os diferentes tipos de ganhos que uma carteira pode receber. A atual carteira do Renda Total tem como objetivo selecionar ativos que pagam bons dividendos e que se valorizem ao longo do tempo.

Se você deseja investir para receber apenas uma renda passiva que cubra certas despesas mensais, ou se você já se aposentou, tem uma condição financeira mais confortável e quer aproveitar seu merecido descanso com grande estilo apenas recebendo dividendos mensais, a carteira alternativa é uma opção a se considerar.

No entanto, a única pessoa capaz de definir tal objetivo é você, não assessores nem gerentes do seu banco ou corretora, e muito menos nós.

Assim, o que vamos propor neste relatório é uma carteira alternativa àquela que recomendamos atualmente na série. E, para isso, vamos tomar como base as recomendações de ativos já feitas na série, apenas fazendo ajustes de acordo com o novo propósito.

Da mesma forma, se o seu foco é o acúmulo de capital ou se não se importa tanto em receber o pagamento de dividendos de forma regular, a recomendação é que mantenha a carteira original da série Renda Total.

Antes de seguir, precisamos salientar que a carteira original continuará sendo a nossa referência, tanto para rentabilidade quanto para pagamento de dividendos.

Como bem mencionamos, esta não vai ser a nossa carteira principal e, portanto, não vamos trazer o acompanhamento contínuo de rentabilidade dela. No entanto, como nós recomendamos os mesmos ativos, mas em percentuais diferentes para as duas carteiras, você encontra os relatórios de todos os ativos na aba de recomendados para uma análise detalhada da nossa tese de investimento individual de cada ativo.

Quais as diferenças de alocação entre as carteiras?

Atualmente, na série Renda Total, temos uma seleção de ações, fundos imobiliários e títulos públicos que escolhemos a dedo. A carteira procura trazer ativos de qualidade que proporcionam um bom pagamento de dividendos sem deixar de lado uma potencial valorização no médio e longo prazos em termos de ganhos de capital.

No entanto, pensando em uma carteira cujo foco é a regularidade no pagamento de dividendos, deve-se selecionar um percentual mais adequado para que haja essa renda recorrente, no caso, um aumento na parcela de fundos de investimentos imobiliários e uma exposição menor em ações e títulos públicos.

Ou seja, reforçamos que não vamos trazer novas recomendações, mas fazer uma exposição adequada em cada setor pensando nessa carteira com um fluxo mais harmonioso de dividendos.

A carteira original

Agora vamos falar de números. Veja a divisão da carteira original de Renda Total e o valor dos dividendos anualizados para cada uma das classes de ativos:

Fonte: Spiti
Fonte: Spiti

Fonte: Spiti

Fonte: Spiti
Fonte: Spiti

Fonte: Spiti

A carteira original concentra 40% em ativos com pagamentos mensais (FIIS). Ainda assim, 60% dos dividendos a receber são pagos semestralmente ou de forma esporádica (no caso das ações), e isso interfere no fluxo de caixa.

Veja na imagem a seguir a divisão da nova carteira, que traz maior exposição em fundos imobiliários (que pagam dividendos mensais) e menor participação de ações e títulos públicos.

Fonte: Spiti
Fonte: Spiti

Fonte: Spiti

Dessa forma, o pagamento de dividendos será feito de forma recorrente, ou seja, mais constante e previsível. Por outro lado, é importante mencionar que a carteira alternativa não tem como ponto principal a possibilidade de ganhos de capital no médio e longo prazos, que é maior na carteira original da série.

Assim, para que você entenda como será o pagamento de dividendos, fizemos uma simulação com as duas carteiras com um investimento inicial de R$ 100 mil em cada uma delas:

Fonte: Spiti
Fonte: Spiti

Fonte: Spiti

Essa simulação usa as taxas de dividendos anualizados mais recentes das recomendações da carteira original da série e da carteira alternativa. As diferenças mais relevantes entre elas são o pagamento de dividendos mensais e o aumento de dividendos total. Por outro lado, como mencionamos, a carteira alternativa deixa de lado um pouco do seu potencial original de ganhos de capital.

As principais diferenças entre as carteiras

Ações

A principal diferença entre as carteiras em relação a ações é o percentual total, uma vez que na carteira alternativa, voltada para o pagamento de dividendos, o foco é o pagamento mensal. Assim, a parcela recomendada de ações na carteira alternativa é de 25% (era 30% na original). A segunda diferença é que vamos aumentar a exposição em algumas ações que são boas pagadoras de dividendos.

Por isso, Minerva (BEEF3), Banco do Brasil (BBAS3) e B3 (B3SA3) não vão entrar nessa carteira alternativa, uma vez que entendemos que o maior ganho potencial para essas alocações é de capital no médio e longo prazos.

FIIs

Esta é a categoria com a maior diferença entre as duas carteiras. Pensando na carteira focada em dividendos, primeiramente não teremos XPIN11 na alternativa por conta do retorno que tem apresentado.

Outro ponto é que não teremos exposição em fundos que investe em shopping centers, pois esses ativos apresentam um componente associado com a retomada da economia e, como consequência, o pagamento de dividendos fica reduzido.

Fora isso, quando comparado com a carteira original, o percentual de cada fundo imobiliário vai ser o dobro para atingir os 60% de exposição total que recomendamos nessa carteira alternativa.

Títulos públicos e crédito privado

Com o intuito de melhorar o fluxo de caixa, a principal diferença entre as carteiras quanto aos títulos públicos e crédito privado está nos ativos indexados à inflação e prefixados com pagamento de juros semestrais. Esse percentual reduzido nessa classe de ativos visa ceder espaço na carteira para alocar mais em ativos que pagam dividendos mensais.

Dessa forma, a tabela a seguir reúne as informações com os percentuais que propomos para uma carteira com um fluxo de caixa mais balanceado:

Divisão percentual para a carteira alternativa da série Renda Total

Fonte: Spiti
Fonte: Spiti
Fonte: Spiti
Fonte: Spiti

Fonte: Spiti

Duas observações importantes antes de fecharmos o relatório. Primeiro, não recomendamos ter ambas as carteiras no seu portfólio. Identifique qual se encaixa melhor nos seus objetivos financeiros atuais e siga o percentual indicado, seja na original, seja na alternativa.

Segundo, caso você já possua a carteira original e deseje migrar para a carteira alternativa, identifique os percentuais que você já possui hoje e vá fazendo as alterações na velocidade que se sentir confortável – não há necessidade de pressa neste momento. Como referência, você pode ir realizando as alterações na ordem de 2,5% por ativo a cada dia. Mas, novamente, esse número é apenas para sua referência, não existe uma regra quando o assunto é alteração de carteira.

Conclusão

Hoje recomendamos uma opção diferente na série Renda Total, uma carteira alternativa. Essa recomendação visa gerar uma carteira com pagamento de dividendos mensais.

Seu objetivo é fornecer um pagamento regular de dividendos com um foco maior no recebimento de proventos em detrimento do ganho de capital no médio e longo prazos que a carteira original de Renda Total possui.

Um abraço,

Gui Cadonhotto e Filipe Colus

Sobre os analistas

Guilherme Cadonhotto

Sócio

Além de estrategista-chefe da Finclass, Guilherme Cadonhotto é reconhecido como uma das principais autoridades brasileiras em renda fixa, ensinando seus assinantes e seguidores como conseguir, investindo em renda fixa, rendimentos tão grandes (ou até maiores) que os das ações.

Fillipe Colus

É especialista em renda fixa da Spiti, bacharel em Engenharia Mecânica e especialista em Finanças. Auxiliou mais de 15 empresas com recomendações financeiras e operacionais em dois anos de consultoria estratégia e trabalhou na KPMG, ao lado de executivos e diretores de empresas líderes de segmentos, bem como no mercado público, auxiliando órgãos federais. Acredita que conhecimento bom deve ser repassado de uma forma simples e direta. Por isso, adora falar de finanças para quebrar tabus, e faz isso até nas horas vagas.

Luciana Seabra

Fundadora

Fundadora da Spiti, uma das maiores casas de análise do Brasil, Luciana Seabra é reconhecida por sua abordagem clara e acessível para explicar assuntos complexos relacionados ao mundo financeiro para o público em geral.