Como o fundo se encaixa nas carteiras da Finclass;
CDII11 entra na lista de fundos aprovados
Escrito por Rodrigo Xavier, Matheus Nascimento, Eduardo Perez em FUNDOS
Neste relatório, você encontrará:
O que é o CDII11 e como ele funciona na prática;
Um pouco sobre a Sparta e o que diferencia a gestão deles dentro da classe de FI Infra;
Critério de compra para o fundo que tem o CDI como principal indexador.
Este relatório poderia ter sido publicado em conjunto com a análise elaborada pelo time de Renda Fixa, uma vez que o CDII11 é um FI-Infra e os fundos dessa categoria fazem parte da cobertura compartilhada entre as equipes de Renda Fixa e Fundos.
No entanto, considerando a percepção de timing do time de Renda Fixa em relação à alocação da carteira de renda, optamos por publicar inicialmente a análise na cobertura de Renda Fixa e, posteriormente, trazer o ativo para a lista de fundos aprovados.
É muito raro fazermos dessa forma, mas foi a maneira que encontramos para solucionar o dilema da melhor maneira.
Enquanto os aspectos gerais do fundo já foram apresentados no relatório de Renda Fixa, complementamos aqui com alguns pontos adicionais importantes.
Para quem ainda não leu o relatório elaborado pelo Eduardo Perez, recomendamos a leitura antes de prosseguir, ela traz o detalhamento sobre o motivo da entrada do fundo e a justificativa técnica da recomendação. O link está disponível clicando aqui.
Posicionamento nas carteiras recomendadas
Antes de falar sobre a Sparta e o CDII11, um ponto importante de clareza: o CDII11 não entra nas carteiras de valorização neste momento. Ele foi recomendado apenas na Carteira de Renda há alguns dias, dentro da classe de Renda Fixa, substituindo o JURO11.
O JURO11 é muito parecido com o nosso novo aprovado, como detalharemos a seguir, mas CDII11 tem o CDI como indexador, e isso fez diferença na prática.
O movimento que fazemos agora é complementar: incluímos o CDII11 formalmente na lista de fundos aprovados pela área de fundos, o que consolida a cobertura do ativo por ambos os times. Para quem já seguiu a recomendação de renda fixa, não há nenhuma ação adicional necessária. Para quem ainda não havia alocado, este relatório pode trazer ainda mais clareza sobre seu funcionamento geral.
O estilo de gestão da Sparta
A equipe de gestão tem uma característica específica, gira entre 10% e 20% da carteira no mês, buscando capturar ganhos de marcação a mercado além do carrego dos ativos.
Isso confere ao fundo um perfil mais dinâmico do que a maioria dos FI Infra do mercado, que adotam uma abordagem menos ativa de giro na carteira.
Sobre o CDII11 em específico, ele pode converter sua exposição de IPCA para CDI via swap, o que o diferencia da maior parte dos fundos de infraestrutura, que costumam estar atrelados a outros indexadores, como o IPCA+.
Lançado em fevereiro de 2023, o CDII11 chegou a R$ 2,8 bilhões de patrimônio líquido e 71.317 cotistas até o fechamento de maio de 2026. A administração fica com o BTG Pactual SF S.A. DTVM e o formador de mercado é o Banco Fator, o que garante liquidez razoável no secundário.
Características do CDII11
Fonte: Sparta - Relatório Mensal do CDII11, mai/2026.
A Sparta publica mensalmente o seu relatório gerencial, que costuma estar bem completo, com diversas informações sobre o fundo e a carteira investida.
Para mais informações, busque pela seção de “Relatórios Mensais”, disponível no site do fundo (link).
Equipe e processo de gestão
A Sparta tem mais de 30 anos de existência e chegou ao mercado de crédito privado de forma gradual. Hoje, são R$ 23 bilhões sob gestão, com 15 anos de atuação focada em crédito privado e três fundos listados ligados à infraestrutura.
A equipe que toca o CDII11 no dia a dia é formada por Felipe Vidal, que lidera a gestão como Diretor, junto com Artur Nehmi, Marcio Takaya e Caio Palma. A área de análise tem 9 analistas.
De acordo com a equipe da Sparta, o research é todo interno, fontes externas entram como complemento, mas a análise de fato é feita pela própria equipe, com metodologia própria.
Cada emissor passa por uma avaliação completa, com governança, modelo de negócio, geração de caixa, endividamento, garantias, e sai desse processo com um relatório e um rating interno. Nada disso é compartilhado com terceiros.
Na prática, quando um ativo entra no radar, analistas e gestores avaliam juntos o emissor e a operação. Se ainda não houver limite aprovado para aquele emissor, o caso vai para o comitê, que define o limite antes de qualquer alocação. Depois de aprovado, a equipe monitora continuamente, levando as atualizações de volta ao Comitê com regularidade.
Indexador
Como mencionamos anteriormente, a maioria dos FI Infra do mercado entrega retorno atrelado ao IPCA. O CDII11 segue outro caminho: a Sparta realiza operações de swap que trocam a exposição em IPCA + pelo CDI.
O resultado prático é um fundo que se comporta como renda fixa pós-fixada, mas com a isenção fiscal e o spread de crédito que só as debêntures de infraestrutura oferecem.
Além disso, a volatilidade da carteira é exclusiva do spread de crédito e que ele não se comporta como um ativo puramente percentual do CDI).
Para o cotista, isso tem uma implicação direta: quando os juros reais sobem, e isso aconteceu com frequência em 2025 e 2026, os fundos IPCA sofrem marcação negativa na cota patrimonial. O CDII11, por estar hedgeado para CDI, tem muito mais estabilidade nesses momentos. A contrapartida é que, num ciclo de fechamento forte das NTN-Bs, ele captura menos ganho de cota do que os fundos IPCA com duration longa.
Hoje, o carrego da carteira está em CDI + 0,7% a.a., com duration do spread de 4,3 anos e caixa de 12%. O fundo tem 344 debêntures em portfólio, sem nenhuma posição acima de 2,5% do PL.
A similaridade com o JURO11 e por que isso importa
Os dois fundos são geridos pela mesma equipe, seguem o mesmo processo de análise de crédito e, de acordo com a equipe da Sparta, têm política de fair allocation, ou seja, as oportunidades buscam ser distribuídas entre eles de forma proporcional.
A diferença estrutural acaba sendo onde o JURO11 carrega as debêntures indexadas ao IPCA+, enquanto o CDII11 aplica um swap sobre essa exposição para converter o retorno para CDI.
Uma dúvida natural é sobre a diferença no número de ativos: o CDII11 tem 344 posições em carteira, enquanto o JURO11 tem cerca de 236. A própria RI da Sparta esclareceu o ponto: cada fundo faz suas ofertas em janelas diferentes. O CDII11 captou R$ 1,5 bilhão em dezembro, a última captação do JURO11 foi em 2024. Com mais caixa novo para alocar, o CDII11 acabou entrando em mais emissores nesse período, daí a diferença no número de posições. É uma carteira em momentos distintos de alocação do caixa captado.
A expectativa da gestora é que, ao longo do tempo, haja cerca de 70% de overlap entre as posições dos dois fundos.
Na prática, quem já estava confortável com o JURO11 está essencialmente confortável com o CDII11. A única decisão nova é sobre qual indexador faz mais sentido para o momento e para o objetivo da carteira. Para a Carteira de Renda, num ambiente de Selic ainda elevada, a resposta está no CDI.
Dados quantitativos do CDII11
Desde o início (17/02/2023) até a data de referência em 29/05/2026, o CDII11 acumulou 62,3% de retorno total, equivalente a 137% do CDI no período.
Veja abaixo algumas métricas importantes:
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
Os gráficos acima são calculados com base na cota negociada em bolsa considerando o dividendo reinvestido, refletindo a experiência real do investidor no fundo.
Perceba que a trajetória do CDII11 não é suave, pois existem momentos de quedas mais acentuadas e períodos de maior dificuldade para superar o CDI.
Isso ocorre porque, a partir do momento em que as cotas passam a ser negociadas em bolsa, as forças de oferta e demanda podem tornar os preços mais erráticos no curto e médio prazo. Ainda assim, eles tendem a convergir para seus valores justos ao longo do tempo.
É importante entender que o fundo possui potencial para, em períodos de maior normalidade, entregar retornos acima do seu referencial. Além disso, nas "voltas" do mercado, pode alcançar resultados bastante interessantes. No entanto, é fundamental compreender sua dinâmica e conviver com a volatilidade inerente a esse processo.
Diante desse contexto, não nos sentimos confortáveis em incluí-lo nas Carteiras de Valorização, dentro da classe de Renda Fixa Pós, pois isso extrapolaria, em certa medida, os limites de volatilidade que julgamos adequados para a estratégia.
Já no contexto da Carteira de Renda, temos maior flexibilidade e utilizamos o fundo inclusive para contribuir com uma distribuição de rendimentos mais estável, conforme destacado pelo Eduardo no relatório de recomendação.
Apesar dos solavancos, seguimos confiantes nos processos de gestão da casa e em suas perspectivas para o futuro. Por isso, mantemos nossa recomendação do fundo.
Distribuição de rendimento
O CDII11 distribui rendimentos mensalmente. A política atual, ajustada pela Sparta no início de 2026, estabelece como piso R$ 1,00 por cota, num nível que a gestora considera adequado para preservar o equilíbrio patrimonial do fundo em um ambiente de maior volatilidade nos spreads de crédito.
Nos últimos 12 meses (junho/2025 a maio/2026), o dividend yield anualizado ficou em 17,6%. O valor distribuído em maio/26 foi de R$ 1,00/cota (92% do CDI do período), uma queda em relação aos meses anteriores, quando o fundo distribuía acima de R$ 1,14/cota e 110% do CDI.
A Sparta comunicou o ajuste com transparência, inclusive via live, explicando que a redução reflete o ambiente de spreads mais comprimidos e a necessidade de preservar o colchão patrimonial.
Fonte: Sparta - Relatório Mensal do CDII11, mai/2026.
Composição da carteira
Uma das coisas que chama atenção no CDII11 quando você abre o relatório gerencial é o tamanho da lista de ativos: são 344 debêntures em carteira. A maior posição individual, Claro (BCPSA5), rating AAA, representa 2,5% do PL. Isso significa que um eventual evento de crédito em um emissor específico tem impacto limitado e administrável para o cotista.
A carteira está concentrada nos setores com maior volume de projetos de infraestrutura no Brasil: geração de energia (23% do PL), distribuição de energia (12%) e rodovias (8%), com exposição relevante também em saneamento (8%), telecom (7%) e transmissão de energia (6%).
O caixa de 12% é mantido para aproveitar oportunidades de compra.
Fonte: Sparta, Relatório Mensal de Gestão CDII11, mai/2026.
Leitura da casa sobre cenário atual e posicionamento
Em 18/06/2026, em busca de uma leitura mais direta sobre o cenário atual e o posicionamento do fundo, marcamos uma conversa com a equipe da Sparta, além do que já estava no último relatório mensal.
A mensagem da gestora foi clara: o mercado de debêntures incentivadas passou por um ciclo de fechamento de spreads intenso em 2023 e 2024, impulsionado pela demanda crescente de investidores pessoas físicas e pelo fechamento dos fundos exclusivos, que perderam o benefício fiscal e migraram diretamente para os incentivados.
O pico desse movimento foi setembro de 2025, quando a possibilidade de tributação desses fundos fez todo mundo correr para se alocar, e o CDII11 entregou 2,20% no mês, reflexo direto do fechamento dos spreads naquele período.
De lá para cá, o cenário virou. Com o mercado mais cauteloso em relação ao crédito privado após eventos como o caso Raízen e GPA, boa parte dos investidores recuou.
Os fundos abertos passaram a captar menos e a sofrer resgates, o que forçou vendas e abriu os spreads de volta. A Sparta vê esse movimento como parte de um ciclo que ainda não terminou, na visão deles, pode haver mais oscilação nos prêmios ao longo de 2026, com spreads abrindo um pouco num mês, estabilizando em outro, eventualmente fechando.
É exatamente nesse ambiente que a gestão ativa faz mais diferença: aproveitar as distorções do secundário, onde dois papéis de risco similar negociam em patamares diferentes por razões técnicas e não fundamentais.
Sobre a política de distribuição, a equipe da Sparta foi direta: o piso de R$ 1,00/cota por mês foi uma decisão voltada para o perfil do cotista do CDII11, alguém que busca previsibilidade de renda. A gestora sinalizou que, se as condições melhorarem, a distribuição volta a subir. E, caso seja necessário, existe a possibilidade de fazer uma amortização marginal para manter o pagamento sem comprometer o patrimônio, algo que, na avaliação deles, não levaria a cota patrimonial a um patamar preocupante.
Por fim, a equipe foi enfática sobre o momento de entrada: a cota de mercado estava há bastante tempo sem negociar nesse nível de desconto. E, para eles, o risco-retorno está favorável para quem ainda não está alocado.
Critério de compra pelo p/vp
Uma pergunta que sempre recebemos é como avaliar o melhor momento de entrar num fundo de infra listado em Bolsa.
A dúvida é extremamente importante, afinal ninguém quer comprar uma moeda de R$ 1 por R$ 20, não é mesmo?
Os FI-Infra listados têm uma dinâmica diferente se comparados aos demais fundos que recomendamos.
Existem dois preços para você prestar atenção. Um é o da cota patrimonial, que é atualizada diariamente com base no valor dos ativos em carteira, e outro da cota de mercado, que oscila de acordo com a oferta e demanda em Bolsa, ou seja, conforme o apetite de quem investe.
As duas cotas tendem a andar coladas. No entanto, existem momentos em que o preço de mercado ultrapassa o valor da cota patrimonial, assim como a cota de mercado pode ficar abaixo da patrimonial.
Exatamente por conta dessa dinâmica, é preciso se atentar para não pagar mais do que o ativo realmente vale.
Uma forma de avaliar essa relação é olhar o indicador preço sobre valor patrimonial (P/VP), que mede a relação entre a cota de mercado e a cota patrimonial.
O ideal, como já explicamos em relatórios anteriores, é esse indicador estar abaixo de 1 para investir, o que indica um preço de mercado menor do que a cota patrimonial.
Analisando friamente, esse seria o caminho para não pagar mais do que o ativo realmente vale. Porém, por conta dos benefícios que os fundos de infraestrutura listados trazem, entendemos que vale a pena investir mesmo com o indicador acima de 1.
Em nossa visão, a gestão profissional e ativa de uma carteira diversificada, acesso a emissões que não estão disponíveis a investidores pessoas físicas e a isenção do Imposto de Renda nos rendimentos e nos ganhos de capital mais que compensam esse pequeno prêmio.
Após estudos realizados pelo nosso time, estabelecemos que, para um P/VP de até 1,035, é possível manter os aportes no CDII11, considerando a qualidade da sua carteira, seu benchmark oficial (CDI), o padrão histórico de volatilidade da cota de mercado e a conjuntura econômica atual.
Talvez você se pergunte se essa tolerância não deveria ser um pouco menor, já que esse limite é semelhante ao adotado para o JURO11, que tem o IMA-B5 como referencial, um índice naturalmente mais volátil do que o CDI.
No entanto, o JURO11 e o CDII11 apresentam comportamentos históricos muito semelhantes tanto em relação ao P/VP — negociando entre 0,98 e 1,03 na maior parte do tempo — quanto à volatilidade das cotas em bolsa, próxima de 10%.
Além disso, suas carteiras de investimentos são bastante parecidas, o que nos deixa confortáveis em adotar o mesmo limite de P/VP de 1,035 para o CDII11.
Conclusão
O CDII11 é um FI Infra maduro, com patrimônio relevante, gestão ativa e um perfil de retorno bem definido, com isenção de IR para pessoas físicas. E com isso, formalizamos aqui a adição do CDII11 à lista de aprovados.
Seguimos monitorando a evolução dos spreads, a consistência das distribuições e o P/VP do fundo mês a mês. Qualquer mudança relevante nesses pontos será comunicada para vocês.
Um grande abraço e bons investimentos!
Rodrigo Xavier, Matheus Miloni e Eduardo Perez
Sobre os analistas
Rodrigo Xavier
Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.
Matheus Nascimento
Analista CNPI
É analista CNPI e integra a equipe de Fundos de Investimento da Finclass. Formado em Gestão Empresarial, construiu sua trajetória no mercado financeiro com foco em análise e acompanhamento de estratégias de investimento. Acredita que o acesso à informação de qualidade é um dos principais diferenciais para o investidor pessoa física e, por isso, busca contribuir com análises claras e responsáveis, auxiliando cada investidor a tomar decisões mais conscientes e alinhadas aos seus objetivos.
Eduardo Perez
Especialista em Renda Fixa
Eduardo Perez é analista CNPI-P, com certificações CGA e CGE da Anbima, e especialista em renda fixa na Finclass. Formado em Economia e Gestão Financeira, construiu sua trajetória no mercado financeiro passando por diferentes áreas, desde o atendimento ao cliente na Easynvest até o research de renda fixa e análise macroeconômica no Nubank, onde também contribuiu com recomendações e conteúdos para o portal InvestNews. Posteriormente, atuou na mesa de operações de renda fixa, integrando a equipe de gestão do book proprietário. Acredita que o mercado de capitais brasileiro ainda tem um amplo espaço para crescimento e amadurecimento, especialmente do ponto de vista do investidor pessoa física, e vê a educação financeira como o principal caminho para transformar esse potencial em decisões de investimento mais conscientes e eficientes.