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ChainLink (LINK): a ponte entre o mundo real e o blockchain

Escrito por Thales Inada em ALTERNATIVOS

10 min de leitura

Você já ouviu falar de oráculos?

Caso você se interesse por mitologia, seres divinos, tarô ou algo semelhante, provavelmente você já ouviu falar deles. Se você é da área de tecnologia, é provável que tenha se lembrado da empresa de gerenciamento de banco de dados – a Oracle, ou oráculo em inglês.

No caso, estou me referindo ao primeiro conceito, ou seja, aos seres sagrados com uma profunda sabedoria e que tinham respostas para absolutamente tudo. Entre os mais conhecidos, podemos citar Delfos da Grécia, dedicado ao deus Apolo, e os oráculos de Zeus. Eles eram procurados por pessoas que precisavam de respostas para as mais variadas dúvidas.

E esse é exatamente o objetivo da ChainLink (LINK): ser um oráculo digital, ou seja, uma "ferramenta"que traga respostas, que no caso seriam dados coletados, da vida real, para os smart contracts – no caso, de forma extremamente confiável e descentralizada.

Para você ter uma ideia da importância da LINK, cerca de 80% dos smart contracts precisam de dados do mundo real para funcionar.

Como ela fará essa ponte entre os dois mundos? É o que vamos descobrir hoje.

Antes, uma observação...

A ChainLink é um token, ou seja, não possui um blockchain próprio. Ela é um dos grandes projetos hospedados no blockchain da Ethereum, produzido a partir do modelo ERC 20, um dos mais utilizados da rede.

O que importa é que podemos considerá-lo um blockchain extremamente confiável e estável. Por outro lado, também devemos lembrar que solicitar uma resposta para a LINK pode sair um pouco caro, principalmente em momentos de grande número de transações da rede Ethereum. Mas, com o tempo, devemos poder utilizá-la em outros blockchains simultaneamente.

Fundadores

A ChainLink iniciou sua jornada em 2014 com a fundação da Smartcontract.com pelos desenvolvedores Sergey Nazarov e Steve Elis, mas suas operações tiveram início apenas em 2017.

Apesar de não terem trabalhado em instituições de renome, eles já atuam há bastante tempo nas suas áreas e possuem excelentes conselheiros (advisors) como Tom Gonser, fundador da DocuSign, plataforma de assinaturas que ficou bem popular durante a pandemia da Covid-19, e também Evan Cheng, que já passou pela Apple, Google, Intel e atualmente está desenvolvendo a cripto do Facebook. Portanto, é um time mais do que aprovado!

Distribuição no lançamento e situação atual

O ICO (Inicial Coin Offering, equivalente à oferta pública inicial da Bolsa, ou IPO) da ChainLink ocorreu em setembro de 2017. Na ocasião, levantou US$ 32 milhões, que geraram 1 bilhão de tokens LINK.

Em junho de 2019, tivemos a instalação da ChainLink no blockchain da Ethereum. Foi nesse momento que ela realmente começou a funcionar, e muitas parcerias foram feitas logo em seguida, que serão analisadas posteriormente neste relatório.

A distribuição inicial ficou da seguinte forma:

• 35% vendidas no lançamento;• 30% destinadas para os desenvolvedores;• 35% guardadas para futuros incentivos da rede.

Todos os tokens já foram criados e isso pode proporcionar algum nível de escassez para o mercado, mas, claro, nada comparado ao Bitcoin (BTC), por exemplo.

Por outro lado, também existe o risco de manipulação do mercado devido à concentração entre seus criadores, pois nada os impede de despejar esse total de 65% de moedas no mercado. É tudo uma questão de confiança no time.

Como funcionam os oráculos?

Para funcionar, a LINK precisa de duas infraestruturas, uma no blockchain e outra fora da cadeia, no mundo real, de onde tira os dados. Depois de processá-los, também pode exportar os resultados.

Ponte entre o mundo real e o blockchain

Fonte: chain.link

Os clientes da rede pagam em LINK para terem acesso à informação. Toda resposta solicitada terá uma taxa que será repassada para os geradores de dados.

A partir daqui é que tem início a descentralização, pois ela utiliza vários nós (fornecedores de informação) pelo mundo, o que minimiza o risco de falha do sistema. Assim, mesmo que um nó caia, os outros conseguem manter a rede funcionando com segurança.

Principais geradores de dados atualmente

    Fonte: chain.link

Entre os nomes citados, podemos destacar Brave, Binance, Kraken, Houbi e CoinGecko como os mais consolidados do mercado atualmente. Mas, além desses nós do mercado de cripto, também podemos destacar Google, Intel e o sistema de remessa internacional Swift. Veja a lista completa aqui.

A partir disso, você pode se perguntar: como ter certeza de que esses dados são realmente reais? Não poderia haver uma manipulação da informação para se beneficiar?

Para evitar fraudes, temos diversas soluções aplicadas simultaneamente:

  1. Quem quiser ser validador da rede precisa colocar suas próprias LINK em jogo como garantia de que fornecerão dados verdadeiros para a rede. Assim, quem fornecer mais LINK para a rede, na prática está dizendo que sua informação é a mais correta possível. Aquelas pessoas que tentarem burlar o sistema com dados falsos perdem suas moedas depositadas na rede.
  2. Além disso, antes de transmitirem a informação para o blockchain, os oráculos precisam entrar em consenso e emitir uma resposta final. Aqui é a hora em que, se algum deles sair da linha, sofrerá penalização e rejeição dos dados.
  3. Para diminuir mais ainda o risco de fraude, os oráculos são divididos em dois níveis de validadores, os de maior e menor confiabilidade. Em caso de dúvida, caso haja informações distintas a fim de tentar corromper a rede, serão consultados somente os oráculos de maior confiabilidade. Além disso, quem denunciar uma fraude recebe uma super-recompensa em LINK.
  4. Apesar do mercado ser a favor de um código aberto, em que todos os usuários conseguem saber o que a rede realmente faz, a LINK possui uma parte do seu código secreta, justamente no modelo de coleta de dados. Assim os atacantes não sabem exatamente como a rede faz a seleção desses dados, o que dificulta demais um ataque da rede.

E aí? Com tais explicações, a rede parece suficientemente segura para você?

Como investidores conseguem lucrar com esse sistema?

PoS (Proof of stake)

No relatório sobre ADA (que você pode ler aqui), comentei sobre o staking. O fato é que ainda não temos uma prova de participação (Proof of Stake, ou PoS) de verdade na LINK. Atualmente, ela funciona de forma diferente da ADA, em que você simplesmente deixa suas criptos depositadas por meio de um smart contract.

Neste caso, você escolhe em qual validador quer depositar suas LINK, ou seja, faz o staking baseado nele, e assim receberá uma participação das validações executadas exclusivamente por ele.

Além da referência de quanto investidores depositaram, a importância do validador também é baseada na quantidade de LINK que ele mesmo colocou em jogo na rede. Esses dois fatores definem o nível de confiabilidade, portanto, quanto maior a somatória de staking, mais segura é a informação.

Aplicações e projetos que já utilizam a LINK

Aqui trarei alguns exemplos que vão mostrar as funções do projeto de forma mais prática.

Conforme comentamos inicialmente, cerca de 80% dos projetos precisam de dados do mundo real para serem analisados no blockchain.

A LINK atende às necessidades de todos os processos que precisam coletar dados do mundo real, seja um sistema na nuvem, seja na Internet das Coisas, pagamentos, entre outros. Podemos, por exemplo, enviar o resultado de uma partida de futebol para um app de apostas esportivas – atualmente já são mais de 500 clientes.

Um dos seus focos está baseado nos protocolos de Finanças Descentralizadas (DeFi), sobre os quais comentaremos com mais detalhes nos próximos relatórios. Mas, para situar você desde já no assunto, vamos imaginar que precisamos levar as cotações das exchanges (mundo real) para os smart contracts. Tais cotações são necessárias para determinar os juros, os preços dos contratos, valores etc.

Nesse mercado, a LINK tem fortes clientes entre os maiores da categoria, como AAVE, Yearn Finance, Celsius, que ocupam respectivamente os 31º, 71º e 81º lugares no ranking de capitalização das criptos, ou seja, já consolidados e em um mercado em pleno crescimento.

Mas também podemos citar outros projetos de setores diversos como Dot (8º), Theta (18º), Matic (44º), Ziliqua (57º), entre outros nomes relevantes.

Quanto mais projetos de sucesso, maior o número de usuários do sistema como um todo. Isso requer maior número de informações fornecidas, a fim de gerar mais taxas (lucro) para os fornecedores de dados e, consequentemente, atrair cada vez mais melhores oráculos para o ecossistema. Surge, assim, a possibilidade de melhores aplicações e de retomada do ciclo por atrair mais usuários.

Desenvolvimento

Ainda sobre o relatório de ADA, citei que ela possui uma equipe de 400 programadores, o que a coloca atualmente no terceiro lugar em relação a atualizações de projeto. A LINK está em décimo, com um time muito bom de apenas 70 programadores, mas a empresa como um todo já conta com mais de 200 funcionários.

Ranking de desenvolvimento

O time da LINK é extremamente qualificado e reconhecido no mercado como um dos melhores do mundo.

No gráfico abaixo, temos o registro do número de atualizações do código nos últimos anos. Perceba o aumento considerável que aconteceu neste ano:

santiment.net

Concorrentes

Aqui, quero destacar um aspecto muito importante: escolhi a LINK não apenas por ela ser a maior de sua categoria, mas também porque ela é de longe a maior entre todas, o que a coloca na situação de não ter concorrentes de peso. Veja na tabela abaixo:

Top 10 Projetos Oracle

Fonte: Cryptoslate.com

Uma das principais características a ser observada nesse setor é que o projeto seja um protocolo agnóstico, ou seja, que não dependa somente da Ethereum e que possa ser aplicado em qualquer outro blockchain. No caso, a LINK está aprovada nesse critério.

Levando em conta esse quesito, vale mencionar a Band Protocol (BAND), atualmente a 162ª maior em capitalização em todo o mercado de criptoativos. Isso porque ela já possui um time experiente e um grande grupo de oráculos, o que a torna cada vez mais influente e referência do mercado.

Porém, dificilmente um concorrente de menor porte dará melhores condições do que a LINK, o que diminui demais a chance de outros nomes conseguirem alcançá-la. Assim, devido à baixa classificação de BAND, por enquanto ficaremos somente com a recomendação de hoje nessa categoria.

Comunidade

Além de um maior número de projetos aumentar as possibilidades de aplicações em outros setores, isso permite a criação de novas soluções, o que, por consequência, expande também o número de usuários. Atualmente, a LINK possui cerca de 268 mil seguidores no Twitter – número proporcional à sua classificação no ranking dos criptoativos.

Aqui também devemos observar os maiores detentores de LINK do mercado e, para isso, analisamos as dez maiores carteiras:

Maiores carteiras de LINK

Fonte:https://bscscan.com/

Ainda dentro do tema, as principais carteiras (wallets) atualmente são Ledger, Trust e Metamask. Mas o staking no validador não pode ser feito diretamente por elas, e sim pelo site linkpool.io.

Já no gráfico abaixo temos os preços (sinalizados pela linha preta) e em verde, o número de carteiras com algum saldo de LINK. Podemos ver que, conforme ela se valorizou, o número de carteiras aumentou na mesma proporção e quase não sofreu interferência nas correções dos preços.

Fonte: Intotheblock.com

Isso pode ser um sinal de que as pessoas realmente estão pensando no longo prazo e fazendo HODL dela.

O futuro da ChainLink

Pensar no futuro não é tão simples quanto parece, ainda mais entender essas soluções inovadoras que nunca existiram anteriormente.

A LINK não se acomodou frente ao alto custo da rede da Ethereum e iniciou sua evolução na escalabilidade (aumento no número de transações). Mas ficou claro que, no fundo, ela seguiu a estratégia da Ethereum.

Da mesma forma que ETH, a ChainLink conseguiu um forte ecossistema de parceiros, com alta relevância no mercado, para depois buscar escalabilidade e tornar seu crescimento viável. Agora, vai focar nos projetos que deram certo e integrar de forma mais definitiva o protocolo. Assim, teremos o início da ChainLink 2.0.

A primeira etapa (nomeada de DECO) foca na privacidade, tanto do cliente, pois o oráculo não sabe quem está solicitando a informação, quanto dos próprios oráculos, que também têm respaldo da privacidade de dados.

A segunda etapa pretende solucionar as taxas de transações com um processamento de dados fora do blockchain da Ethereum (OCR, ou Off Chain Reporting).

E como isso funciona atualmente? Todos os oráculos precisam pagar em LINK para transmitirem as informações para a ChainLink – por exemplo, diversas exchanges enviam a cotação do BTC.

Mas como estão utilizando o blockchain da Ethereum (que, por sinal, está congestionado), as múltiplas taxas de transmissão desses dados acabam tornando todo o processo bem custoso.

E qual foi a solução encontrada?

Cada oráculo vai emitir as informações por fora da Ethereum. Elas então serão agrupadas na ChainLink, que realiza somente uma transação no blockchain. Assim, a taxa é paga apenas uma vez, o que reduz o custo de operação e aumenta a velocidade de processamento.

Ambas as atualizações já estão sendo implementadas e testadas em algumas áreas já neste ano e, em breve, devemos vê-las em toda a rede.

Além disso, a escalabilidade da Ethereum 2.0 certamente vai favorecer a LINK, e vários outros projetos também poderão se beneficiar da evolução do ecossistema.

Conclusão

A Wikipédia é um exemplo do que podemos considerar o início dos dados descentralizados, pois qualquer um pode acrescentar informações lá. Claro que nem todas as informações disponíveis no site ainda são totalmente confiáveis, mas estamos próximos de chegar a esse patamar. Na LINK, temos todo o processo de validação das informações, o que a deixa extremamente confiável.

Para isso, ela possui alguns dos melhores fornecedores de informação do mercado de cripto atualmente, que dificilmente sairão dela para ir para outra rede. Afinal, é muito provável que ela sempre será o oráculo que pagará mais por ser a mais requisitada.

A desvantagem desse projeto é que os tokens ainda estão muito concentrados entre seus desenvolvedores. Como citei anteriormente, além dos 30% iniciais, também devemos considerar que 35% ainda estão parados para incentivar o PoS no futuro. Dessa forma, precisamos aguardar para saber qual será a estratégia adotada.

Além de um projeto extremamente promissor, é uma camada fundamental para o ecossistema e, principalmente, para o de Finanças Descentralizadas (DeFi), um setor em plena expansão. Essa usabilidade certamente vai valorizar muito a LINK, mas, além dela, muitas outras soluções podem surgir com o passar do tempo.

Conforme comentei, a LINK será a única da categoria dos oráculos por ser a líder absoluta. Portanto, recomendo a alocação de 3% da carteira nesse projeto.

Antes de encerrar, como sempre, gostaria de saber a sua opinião sobre o modelo de relatório da Carteira do Futuro. Basta me enviar um e-mail para cripto@invistaspiti.com.br, para que possamos evoluir juntos cada vez mais!

Forte abraço,

Thales Inada

Sobre os analistas

Thales Inada

Especialista em Criptoativos

Especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Finclass. Engenheiro, com MBA em investimentos e Asset Allocation. Iniciou no mercado de criptoativos em 2017, com passagem por importantes exchanges como Binance (a maior do mundo), Mercado Bitcoin (a maior da América Latina) e XDEX, a antiga exchange da XP Inc. Agora, deixou as instituições para ficar do lado de investidoras e investidores, com missão de democratizar o universo dos criptoativos e investimentos alternativos por meio de uma linguagem simples e direta, a fim de tornar esse mercado visionário acessível a todas as pessoas.