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Chainlink (LINK): conheça as próximas atualizações do ativo e as estratégias para se manter no topo do setor de oráculos

Escrito por Thales Inada em ALTERNATIVOS

7 min de leitura

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Você sabia que a Chainlink (LINK), o terceiro maior ativo da nossa Carteira do Futuro, é “apenas” o 20º maior criptoativo do mundo?

Ela tem essa relevância na série por ser uma das pioneiras no setor em que atua, o de oráculos. Assim, conseguiu realizar parcerias com as maiores empresas do mercado cripto e até mesmo de grandes companhias fora desse universo para o fornecimento dos dados.

Além disso, muitos projetos que surgiram não tinham opção de escolha e, assim, precisaram se ligar à LINK para obter dados do mundo real.

A LINK desde sua criação praticamente monopolizou o setor de oráculos, mas será que ainda segue sendo a líder absoluta desse segmento? 

Além disso, o ativo está passando por atualizações. O que elas trarão de mudanças e qual o objetivo disso? Vou trazer as respostas ao longo do relatório de hoje.

Uma breve revisão da LINK

Caso você ainda não tenha lido o relatório de recomendação da LINK, recomendo que o faça antes de seguir com este, pois possui informações relevantes que não serão abordadas aqui. De qualquer forma, trago uma breve revisão do ativo.

A Chainlink pertence ao setor de oráculos. Se você conhece um pouco de mitologia grega, sabe que eles eram seres sagrados que tinham respostas para todos os questionamentos da vida. E é justamente a tarefa desse tipo de projeto: levar diversas informações do mundo real para o universo digital da blockchain.

Um dos principais exemplos disso é a cotação dos ativos, já que a blockchain não registra o preço de negociação. Afinal, o que importa para ele é apenas quem está enviando o ativo e quem o recebeu. Por isso, os projetos precisam perguntar para os oráculos constantemente o último valor negociado para utilizar a cotação na sua plataforma.

A grande sacada do projeto foi descentralizar as fontes de informação a fim de evitar que o dado fosse manipulado. No exemplo anterior, a cotação dos ativos pode ser coletada por mais de dez exchanges, que inclusive podem usar a média dos valores para isso. Portanto, mesmo que alguma delas tente alterar esse valor, no final das contas não fará muito efeito. E essa cotação dos ativos é fundamental, por exemplo, para o mercado de finanças descentralizadas (DeFi)

Outra estratégia fundamental da LINK foi se adaptar às outras blockchains além da Ethereum, o que a torna mais flexível. Apesar de a Ethereum ser atualmente o segundo maior criptoativo do mundo, no longo prazo não há qualquer certeza de qual ativo realmente vai prevalecer no futuro. Porém, essa descentralização de dependência torna a LINK quase “imortal”.

E, recentemente, houve o anúncio de algumas atualizações bem importantes para o ativo, que vamos abordar a partir de agora. 

Atualização da rede

Um dado importante a ser analisado quando se fala de atualização de um ativo certamente é o nível de atividade dos programadores: quando um processo como esse está por vir, é provável que se tenha aumentos no número de programadores e na sua atividade.

Para ter uma ideia da frequência de atuação, ordenei os projetos pelo seu nível de atividade dos desenvolvedores nos últimos 30 dias, indicado na tabela abaixo.

Projetos por ordem de desenvolvimento nos últimos 30 dias

Fonte: Santiment

Como podemos ver, a LINK está em 13º lugar nesse critério, uma classificação respeitável, e que acredito que vá subir nos próximos meses.

Pelo fato de a LINK ser a líder no seu setor, é muito importante que consiga manter um alto ritmo a fim de que seus concorrentes não consigam alcançar o seu desenvolvimento.

Revisão dos concorrentes

A LINK foi a pioneira no modelo e assim já conseguiu fazer parcerias com grandes empresas tanto do mundo cripto quanto do universo “real”. Claro que nada impede que esses parceiros também façam acordos com outros projetos do setor, mas não acho que seja interessante, pois, ao darem exclusividade à LINK, podem ter maior poder de negociação de benefícios com o maior oráculo do mercado. Assim, um lado ajuda o outro.

Ranking de oráculos

Fonte: Coinmarketcap

Como podemos ver no ranking de oráculos, a LINK tem atualmente 22 vezes mais capitalização do que a segunda colocada, UMA, que é atualmente o 148º criptoativo nesse critério e talvez o concorrente com maior potencial. Ela mistura os conceitos de comunidade e DAO ao projeto, mas certamente ainda está muito distante da LINK.

Não podemos nos esquecer dos oráculos que foram criados para projetos específicos desenvolvidos pelo próprio time interno de alguns projetos, como a WINK, para a blockchain da TRON, e o oráculo da MAKER, criado especificamente para uso próprio, já que, no começo de 2017, a LINK ainda não era tão confiável quanto é hoje e conquistou seu espaço somente a partir de 2019.

Fatia de mercado dos oráculos

Fonte: DeFiLlama

Veja no gráfico acima que MAKER e WINK possuem uma fatia relevante do setor de oráculos, mas a primeira fornece dados apenas para dois projetos, o seu próprio e outro chamado KEEP. Enquanto isso, a segunda provê dados somente para a rede da TRON.

Enquanto isso, a LINK, possui 203 projetos que dependem diretamente dos seus dados em diversas blockchains, conforme comentado no item anterior. Isso torna a LINK um projeto extremamente antifrágil, pois não depende apenas de uma blockchain ou de poucos projetos para que se mantenha segura e sustentável.

Fonte: Chain.link

Redes suportadas e usabilidade

Como comentei inicialmente, hoje em dia a LINK não depende somente da rede da Ethereum, já sendo compatível com diversas outras blockchains, como BNB Chain, Polygon, Avalanche, Fatom, Solana e Arbitrum. Todos esses projetos possuem ótimas reputações no mundo cripto.

A informação mais solicitada, como citei anteriormente, é o preço de negociação dos ativos. Esse é um dado necessário para diversas usabilidades, como uma simples troca de ativos em uma DEX, definir o valor financeiro depositado em um pool de liquidez, calcular quanto é possível disponibilizar para empréstimo e verificar a garantia necessária.

Mas também há diversas outras funções, como mitigar o risco em staking, estabilizar o valor de uma stablecoin, preço de negociação das coleções de NFTs (tokens não fungíveis), transferência de tokens sintéticos e até mesmo para o mercado de derivativos.

Na verdade, como o mercado cripto ainda está só começando, é certo que teremos muitas outras aplicações que ainda não vemos hoje, como otimizar apostas esportivas, já que seria necessário coletar o placar de um jogo e enviar para o blockchain, a fim de executar os pagamentos automaticamente.

As novidades

Na semana passada, o cofundador da LINK, Sergey Nazarov, anunciou no evento de criptoativos SmartCon, em Nova York, as próximas etapas do projeto.

A etapa atual está acontecendo em duas frentes simultaneamente: BUILD e SCALE. 

Na BUILD, o foco são dados mais básicos, como clima, tempo, geração de números aleatórios, comunicação entre blockchains, entre outros. 

Com isso, visam atender projetos em sua fase inicial que não precisam desenvolver suas necessidades básicas do zero, acelerando assim sua entrada no mercado. A ideia é capturar projetos desde seus inícios e aumentar o ecossistema.

Nessa etapa, os projetos que se cadastrarem terão alguns benefícios exclusivos, como acesso prioritário a alguns serviços, maior segurança, suporte técnico especializado, dados personalizáveis e maior qualidade nos dados. Já se inscreveram para o BUILD os projetos Truflation, Space & Time e Bitscrunch. No total, já são mais de 1.500 dApps que participam do ecossistema da LINK.

Fonte: Chain.Link

Já a atualização nomeada SCALE tem o objetivo de diminuir o custo da rede. Para consulta dos dados da rede, a taxa atualmente gira entre 3% a 5%, mas deve cair para quase zero após essa etapa. O baixo custo deve aumentar mais ainda a adoção do projeto no futuro.

Por enquanto, quatro projetos já foram escolhidos para começar nessa nova frente, um que já utilizava os serviços da LINK, chamado Avalanche, e mais três novos no ecossistema, Metis, Moonbeam e Moonriver. Eles vão dividir os custos de desenvolvimento em troca do benefício da rede, como uma maior frequência de consultas dos dados.

Precisamos lembrar também que o usuário final que utiliza essas plataformas paga para os projetos pelo uso de seus serviços, que só são possíveis graças ao serviço LINK, e por isso vale a pena para os projetos pagarem tal serviço.

Inclusive, Nazarov comparou o sistema de serviço de dados ao da Amazon (AWS), mas em uma versão descentralizada, focada na Web 3.

Ecossistema LINK

Fonte: Chain.Link

As recentes atualizações visam preparar o projeto para o próximo grande passo, o lançamento do staking do ativo, que está estimado para dezembro deste ano. Por meio dele, a LINK quer compensar a diminuição das taxas no futuro, passando assim a deter ativos na rede, cujo objetivo principal é aumentar a segurança da rede.

Ainda segundo Nazarov, o Valor Total Bloqueado (TVL) nos projetos de DeFi caiu devido ao valor de mercado, mas o volume de negociações continua relativamente alto. De acordo com ele, a LINK já colaborou com mais de US$ 6 trilhões em transações no mundo cripto.

Conclusão

O planejamento com foco no longo prazo e uma visão estratégica do futuro certamente são diferenciais valiosos de qualquer projeto, ainda mais em um mercado totalmente disruptivo como o de criptoativos, no qual o código aberto dos projetos permite facilmente o surgimento de um concorrente. E a Chainlink certamente possui um ótimo time e uma comunidade extremamente engajada para colaborar com o seu crescimento.

E nessa etapa de atualização chamada BUILD, a LINK visa acelerar o desenvolvimento dos novos projetos, possibilitando sua entrada rápida no mercado. Ao mesmo tempo, evita que esses projetos novos possam fazer parcerias com os concorrentes.

Já a SCALE tem como foco diminuir a complexidade operacional por meio dos nós da rede, ao mesmo tempo que valoriza bastante seus participantes ao baixar suas taxas e, consequentemente, atrair novos projetos.

Por fim, o staking tem o objetivo de aumentar a segurança da rede. Esse é um grande diferencial, pois não é fácil um projeto pequeno criar toda uma estrutura extremamente segura desde a sua origem, e a LINK ajuda muito nessa etapa.

De fato, a LINK segue sendo a líder absoluta no seu setor, e diria que, por enquanto, praticamente não tem concorrentes. Além disso, presta um serviço indispensável para o mercado. Por esses motivos, certamente merece ser o terceiro maior ativo da Carteira do Futuro.

Forte abraço,

Thales

Sobre os analistas

Thales Inada

Especialista em Criptoativos

Especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Finclass. Engenheiro, com MBA em investimentos e Asset Allocation. Iniciou no mercado de criptoativos em 2017, com passagem por importantes exchanges como Binance (a maior do mundo), Mercado Bitcoin (a maior da América Latina) e XDEX, a antiga exchange da XP Inc. Agora, deixou as instituições para ficar do lado de investidoras e investidores, com missão de democratizar o universo dos criptoativos e investimentos alternativos por meio de uma linguagem simples e direta, a fim de tornar esse mercado visionário acessível a todas as pessoas.