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Chainlink (LINK): uma atualização do ecossistema e como o ativo está transformando o sistema financeiro

Escrito por Thales Inada, Rodrigo Xavier em ALTERNATIVOS

7 min de leitura

Será que ainda veremos o universo cripto virar o jogo e fazer com que o mercado financeiro tradicional dependa dos criptoativos? 

Acredite, essa transição já pode ter começado.

Para o sistema financeiro atual poder oferecer produtos cripto, é preciso coletar as informações de algum lugar, por exemplo, de uma exchange. Acontece que, se for utilizada apenas uma fonte de cada dado, há o risco de esta ser adulterada ou atacada, podendo impactar todo processo que dependa daquele dado. 

Por isso, o ideal é haver várias fontes que forneçam uma mesma informação, sendo possível fazer uma média do dado. Assim, mesmo que uma ou outra fonte seja adulterada, a informação ainda mantém sua usabilidade. Além disso, em casos extremos, se alguma empresa fornecer um dado que esteja muito fora dos demais, ela pode ser removida do sistema e até mesmo punida financeiramente pela irregularidade.

É basicamente isso que a Chainlink faz. Ela possui milhares de parceiros para fornecimento de dados e compila essas informações. Desse modo, consegue gerar dados extremamente confiáveis. Caso você ainda não tenha lido o relatório de recomendação da LINK, sugiro que o faça antes de seguir por aqui.

Dito isso, hoje vamos ver as últimas novidades sobre o ativo e quais são seus planos futuros.

Dados gerais da LINK

Atualmente, a Chainlink é o 22º maior criptoativo do mercado, com uma capitalização de US$ 3,3 bilhões. Certamente, trata-se de um ativo que não deveria estar abaixo do Bitcoin Cash (BTC) e muito menos da Shiba Inu (SHIB). O projeto tem aproximadamente metade da capitalização da MATIC e da DOT, ativos com forte potencial.

Ranking de criptoativos

Fonte: CoinMarketCap
Fonte: CoinMarketCap

Seu token, LINK, já chegou a ser negociado por US$ 53 e há duas semanas pode ter marcado o fundo do seu ciclo em US$ 6,50. Isso significa uma correção de aproximadamente 90% em relação a sua máxima histórica (ATH - All Time High).

Histórico LINK

Fonte: TradingView
Fonte: TradingView

Desde junho do ano passado, o ativo passou por uma longa e nítida congestão. Há duas semanas, tivemos uma rápida tentativa de retomar a correção, que, por enquanto, pode estar sendo frustrada, o que é capaz de fazer o token reagir com força.

Um dado que chama bastante atenção na Chainlink é a atividade dos programadores, que até pouco tempo estava na sua máxima histórica.

Atividade dos desenvolvedores desde 2018

Fonte: Santiment
Fonte: Santiment

O projeto se manteve altamente ativo durante todo o ano de 2022, período no qual tivemos o mercado em baixa contínua — lembrando que a máxima histórica do BTC foi em novembro de 2021.

O inverno cripto é um balizador de quais projetos realmente estão levando a sério o mercado, pois muitos são abandonados nesses períodos mais difíceis.  

Ranking de projetos por atividade dos desenvolvedores

Fonte: CoinMarketCap
Fonte: CoinMarketCap

Com esse último mês, período da sua máxima eficiência, o ativo conquistou o quarto lugar como projeto mais atualizado. Só para esclarecer, nos casos do primeiro e segundo colocados, KSM e DOT, estes são basicamente o mesmo projeto, sendo a Kusama a rede de teste da Polkadot, por isso considerei o quarto lugar para LINK, e não quinto como está indicado na imagem acima.

Uma das atualizações mais importantes da Chainlink foi o começo do staking do ativo, iniciado em dezembro de 2022. O pool de LINK foi preenchido em apenas três dias e demonstrou o interesse do mercado pelo token no longo prazo.

Fonte: Chainlink
Fonte: Chainlink

Inicialmente, foi oferecida uma capacidade de 5% do total em circulação na época, equivalente a 25 milhões de tokens. Como essa capacidade foi preenchida, no momento não é possível realizar staking no ativo.

Mas o projeto já divulgou que tem planos de disponibilizar espaço para até 75 milhões de tokens ao longo do tempo.

O staking de LINK é uma parte estratégica do projeto, em que é possível ter certa flexibilidade e liquidez imediata para proporcionar uma estabilidade do ecossistema com um todo. Quando esses ativos são utilizados pelo ecossistema de alguma forma, é pago um benefício aos investidores por deixarem o token à disposição no pool, e assim é gerado o rendimento do staking.

Fonte: Chainlink
Fonte: Chainlink

Por enquanto, para o mercado em baixa, o montante disponível na estratégia é o suficiente. Por isso não há necessidade de um pool maior, que poderia diminuir o rendimento, atualmente já relativamente baixo, por volta de 4,75%. 

A próxima etapa do staking de LINK está programada para ocorrer até o final deste ano, já pensando em uma possível aquecida do mercado em 2024, quando será disponibilizado espaço para mais 25 milhões de tokens serem colocados em staking. Todo o processo dos 75 milhões de ativos deve ser finalizado até o final de 2024, mas não podemos descartar a possibilidade de atrasos.

Outra funcionalidade, que ganhou bastante destaque depois do colapso da FTX, na época a segunda maior exchange do mundo, foi a conhecida “prova de reserva” (PoR).

Esquema da prova de reserva (PoR) das instituições por meio de dApps

Fonte: Messari. Prova de reserva por meio de dados ou por ativos envelopados.
Fonte: Messari. Prova de reserva por meio de dados ou por ativos envelopados.

A Chainlink diz ter o mecanismo mais robusto e confiável de todo o mercado cripto para a prova de reserva dos usuários. Todo o processo é baseado em dados on-chain, ou seja, totalmente descentralizados e impossíveis de serem falsificados. 

A ideia é que por meio de simples aplicativos descentralizados os usuários consigam consultar seus saldos a qualquer momento. Essa funcionalidade pode ser requerida por reguladores no futuro, ou utilizada como um diferencial competitivo de alguma plataforma que visa ao máximo de transparência.

O setor de oráculos

Esse setor é um dos poucos do mercado cripto que não tem uma concorrência acirrada. A LINK, desde o início, sempre foi a líder isolada, sendo 20 vezes maior em capitalização do que a atual segunda colocada, a BAND.

Ranking dos projetos de oráculos

Fonte: CoinMarketCap
Fonte: CoinMarketCap

Porém, quando consideramos o valor financeiro investido em cada rede, o cenário muda um pouco, pois podemos acrescentar projetos que utilizam um oráculo próprio, como é o caso da Chronicle e o da WINKLink.

Market share por TVS (Total Value Secured, ou Valor Total Garantido)

Fonte: DefiLlama
Fonte: DefiLlama

A diferença é que a Chronicle é focada em NFTs e só ela utiliza sua fonte de dados. Enquanto isso, a LINK é extremamente flexível e disponibiliza esses dados para qualquer projeto do mercado, podendo, claro, cobrar pelo serviço.

Por isso, mesmo em relação ao valor total garantido (TVS - Total Value Secured), o concorrente mais próximo é o Pyth, muito abaixo da Chainlink, que segue sendo a líder absoluta do setor.

Novos parceiros e estratégia

Na última atualização, já tivemos um grande passo para o projeto, que foi se tornar compatível com outras grandes blockchains do mercado, como BNB, Polygon, Avalanche, Fantom e Solana.

Essa estratégia o torna mais versátil, pois passa a não depender exclusivamente da rede da Ethereum. Por isso, nos últimos meses, tivemos uma evolução muito grande nas demais blockchains.

Número de parceiros por setor

Fonte: Chainlink
Fonte: Chainlink

De longe, o setor que mais demanda dados é o de finanças descentralizadas (DeFi), com 689 projetos conectados à Chainlink. Em seguida, vem a aplicação em NFTs, atualmente com 518 projetos. Depois, temos o mercado de games, com 277 projetos. Nesse ranking de setores, podemos considerar projetos de todas as blockchains.

Apesar da maior aplicação na sua rede de origem ser a Ethereum, com 1.070 projetos, a Polygon e a BNB Chain também evoluíram bastante, com cerca de 300 projetos cada, disponíveis há pouco mais de meio ano.

Número de parceiros por blockchain

Fonte: Chainlink
Fonte: Chainlink

Por último, podemos reparar como o ritmo de adoção em 2022 não foi tão desacelerado apesar do mercado em baixa, ficando só um pouco atrás de 2021, ano em que tivemos a maior alta do ciclo.

Agora, saindo um pouco do mercado cripto, também tivemos algumas surpresas relacionadas ao mercado financeiro tradicional.

No final do ano passado, vimos a adoção da Chainlink pelo Swift. Caso você não conheça, trata-se da maior rede de liquidação de pagamentos internacionais do mundo.

A parceria inicial foi feita com 12 grandes instituições financeiras espalhadas pelo globo, como Depository Trust and Clearing Corporation, Australia and New Zeland Banking Group, BNP Paribas, BNY Mellon, Citi, Clearstream, Euroclear e Lloyds Banking Group.

Para o Swift efetuar alguma transação de cripto pelo mundo, ela não pode usar como referência o preço do ativo em um único país, pois cada país possui seu preço local. Por isso a solução da LINK é tão interessante, pois ela pode conciliar o preço do ativo pelo mundo e consegue ser a referência de valor para esse tipo de transação. 

Outro passo importante, que veio logo em seguida, foi a aceitação diretamente até mesmo dos bancos tradicionais e fintechs, sem a intermediação do Swift. De forma geral, a ideia é bem semelhante ao que temos no Swift, mas os bancos podem, por exemplo, utilizar o preço do ativo para desenvolver seus produtos próprios.

Chainlink entre o mercado cripto e mercado financeiro tradicional

Fonte: Chainlink
Fonte: Chainlink

Não se preocupe em entender no detalhe o esquema acima. Podemos dividi-lo basicamente em três colunas: na primeira, os bancos e instituições financeiras tradicionais; na segunda, a Chainlink; e, na terceira, os projetos cripto baseados em blockchains.

A Chainlink faz o trabalho de traduzir os dados de cada mercado e fornecê-los de forma compatível aos outros. No final do infográfico, também temos as CBDCs (moedas digitais de bancos centrais), ou seja, até mesmo os governos podem passar a depender da Chainlink, pois, afinal de contas, poucos projetos cripto topariam fazer parcerias com BCs.

Mas, Thales, então a Chainlink está ajudando os bancos e os governos?

De certo modo, podemos dizer que sim. Por outro ponto de vista, também é possível considerarmos que eles estão começando a ficar dependentes do mercado cripto. Além disso, vão precisar pagar para utilizar o sistema, e por isso até financiar o seu desenvolvimento. 

Quanto mais o tempo passar e os bancos ou governos não conseguirem criar sua própria solução — que, por sinal, deve levar anos —, estes vão ficar presos aos serviços prestados pela Chainlink.

Conclusão

A Chainlink está pavimentando um novo modelo de confiança da sociedade, muito diferente do dinheiro atual, que também é baseado na “confiança” da população nos governantes. 

O projeto consegue descentralizar a opinião sobre uma informação, encontrando o consenso entre os participantes. Deste modo, a decisão não depende apenas de uma fonte e, consequentemente, fica muito mais difícil de dados serem manipulados — ou seja, muito diferente do que um governo ou banco central pode fazer. 

Com dados extremamente confiáveis, sem uma autoridade pública ou grande empresa de tecnologia por trás, a Chainlink está criando a principal fonte de informação para a Web3.

O projeto está sendo a principal ponte da transformação do sistema financeiro tradicional para um novo modelo totalmente digital, e com certeza vai se beneficiar muito disso.

Forte abraço,

Thales

Sobre os analistas

Thales Inada

Especialista em Criptoativos

Especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Finclass. Engenheiro, com MBA em investimentos e Asset Allocation. Iniciou no mercado de criptoativos em 2017, com passagem por importantes exchanges como Binance (a maior do mundo), Mercado Bitcoin (a maior da América Latina) e XDEX, a antiga exchange da XP Inc. Agora, deixou as instituições para ficar do lado de investidoras e investidores, com missão de democratizar o universo dos criptoativos e investimentos alternativos por meio de uma linguagem simples e direta, a fim de tornar esse mercado visionário acessível a todas as pessoas.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.