Um resumo dos últimos dados econômicos;
Como montar uma carteira de renda fixa em 2026 e troca do FIXA11 pelo IRFM11 na carteira de valorização
Escrito por Eduardo Perez em RENDA FIXA
Neste relatório, você encontrará:
Quais ativos vamos usar para montar uma carteira de renda fixa;
Um comentário sobre AREA11 e os novos ETFs do Nubank
Lista de bancos Aprovados e Reprovados
Lista de ETFs aprovados
Troca do ETF FIXA11 pelo IRFM11 na carteira de valorização
O relatório deste mês foi muito solicitado pelos assinantes e é com muita satisfação que eu trago finalmente o tema de “Como montar uma carteira de renda fixa em 2026” e já aproveito para inaugurarmos a lista de ETFs de renda fixa aprovados ao final do relatório.
A ideia é trazer uma sugestão de percentual de alocação em uma carteira focada em renda fixa com o menor risco de crédito possível e variando indexadores e vencimentos pesando em dois perfis: conservador e arrojado.
Um ponto que eu quero destacar aqui é você tem total liberdade de alterar esses percentuais conforme seu gosto e claro, você não precisa se prender aos títulos usados aqui. Fique a vontade para buscar oportunidades em ativos menos conservadores que você conheça e goste.
Boa leitura!
1. Resumo dos dados econômicos
O Copom cortou a Selic para 14,00% em agosto, o quarto corte consecutivo desde março, em decisão unânime. O comunicado veio cauteloso, citando "elevada incerteza". No cenário internacional, a trégua entre EUA e Irã foi rompida em 8 de julho, pressionando o petróleo.
Do lado da inflação, o IPCA de junho subiu 0,16% (acumulado de 12 meses em 4,64%), e o IPCA-15 de julho subiu apenas 0,06% (12 meses em 4,52%), uma surpresa baixista. O Boletim Focus revisou a projeção de Selic para o fim de 2026 para a faixa de 13,75% a 14%. O PIB do primeiro trimestre cresceu 1,1%. Já o Boletim Macrofiscal de julho manteve a projeção de crescimento em 2,3%, mas revisou o IPCA de 4,5% para 5,1%.
A NTN-B está negociando a IPCA+8,30% (2032) e IPCA+8,07% (2035), um juro real historicamente elevado.
2. Introdução: montando uma carteira de renda fixa em 2026
O tema deste relatório tem sido pedido por vários assinantes recorrentemente:
"Edu, como montar uma carteira exclusiva de renda fixa? Ajuda a gente."
Vocês pediram, e a gente trouxe.
Aqui vamos falar bastante sobre como montar uma carteira de maneira replicável em qualquer corretora, qual é o racional por trás da decisão de cada escolha e trazer alguns ativos que, inclusive, não fazem parte da carteira recomendada da Finclass, mas são "aprovados" pela Finclass do ponto de vista de ETFs de renda fixa.
E os pedidos de elaboração de uma carteira em um ano eleitoral e com um patamar de juros elevado vêm no momento perfeito.
Ano de eleição no Brasil tem uma cara conhecida: o governo gasta mais, todo mundo fica de olho no que vem depois das urnas, e essa mistura de incerteza com gasto público costuma manter os juros lá em cima por mais tempo do que a gente gostaria.
A Selic já cedeu bastante desde o topo do ciclo, mas ainda está entre as mais altas do mundo, e 2026 sendo ano eleitoral ajuda a explicar por que o Banco Central prefere ir com mais cautela nos próximos cortes.
Isso não muda o que vamos recomendar aqui, mas explica por que continua fazendo sentido espalhar a carteira entre pós-fixado, prefixado e IPCA+, em vez de colocar tudo numa aposta só de "os juros vão só cair a partir daqui".
3. Passo 1: entender as classes diferentes da renda fixa
Você já deve ter nos ouvido falar sobre a importância da alocação, como você divide sua carteira entre diferentes classes de ativos: renda fixa, ações, fundos imobiliários, e assim por diante. Só que quando a maior parte da sua carteira está em renda fixa, o jogo de alocação continua, só que dentro dela. Em vez de pensar nas classes de ativos maiores, você passa a pensar nas classes de renda fixa, que dividimos assim:
● Pós-fixados
● Prefixados de curto prazo
● Prefixados de médio prazo
● Indexados à inflação de curto prazo
● Indexados à inflação de médio e longo prazo
Cada um desses ativos tende a se comportar de um jeito diferente dependendo do cenário econômico que estamos atravessando. Vamos direto ao ponto: quando cada um se beneficia, e quando cada um sofre.
Pós-fixados
São o porto seguro dos investimentos, com baixíssimo risco de oscilação. Os índices que melhor os representam são o CDI e a Selic. Quanto maiores essas taxas, maior a rentabilidade diária de quem tem sua remuneração atrelada a elas.
Isso significa que eles ganham destaque conforme a Selic sobe, e a remuneração deles sobe junto, pouco a pouco. O inverso também é verdadeiro: quando a Selic (e o CDI) começa a cair, a rentabilidade desses ativos continua positiva, mas ela desacelera, dia após dia.
Prefixados de curto prazo
São impactados principalmente pela perspectiva de Selic para os próximos dois anos.
Se a Selic e o CDI subirem mais do que esperado no momento da aplicação, esses ativos tendem a apresentar rentabilidades inferiores aos pós-fixados, mas como são de curto prazo, isso não é tão considerável.
Do outro lado, quando as expectativas de juros para os próximos meses e anos estão em queda, esses ativos se beneficiam, entregando rentabilidade acima do CDI.
Por ser um ativo de curto prazo, não espere mudança de patamar financeiro no curto prazo, aqui o lema é "devagar e sempre".
Prefixados de médio prazo
Podem até ser impactados pela perspectiva de Selic nos próximos meses e anos, mas esse não é o fator mais relevante no comportamento do preço.
O que mais pesa aqui são os juros de prazo mais longo do país, afetados por fatores como perspectiva fiscal, estabilidade política e cenário macroeconômico global. Juntos, esses fatores impactam muito mais o preço desses ativos do que apenas perspectiva de Selic dos próximos meses.
Esses fatores podem seguir caminhos diferentes ao longo do tempo: o cenário fiscal brasileiro pode estar indo bem, mas o cenário internacional jogar contra, e o resultado líquido acaba não sendo tão positivo.
Mas ele se torna interessante em momentos de curva de juros estressada em todos os vencimentos e também vale como diversificação entre indexadores e prazos, que é uma característica de uma carteira saudável.
Indexados à inflação de curto prazo
Esses ativos têm composição híbrida: uma parte pós-fixada, atrelada ao IPCA, e uma parte prefixada, a taxa que vem depois do sinal de "+" na promessa de rentabilidade.
O índice que melhor representa essa classe é o IMA-B 5, um dos mais consistentes do mercado brasileiro.
Esse ativo se beneficia quando a perspectiva de juros futuros está caindo, mas também ganha quando a inflação de curto prazo surpreende as projeções para cima, diferente do prefixado de curto prazo, que se beneficia justamente quando a inflação surpreende para baixo.
Essa é a razão da sua consistência: o "amortecedor" contra surpresas inflacionárias faz com que esse ativo entregue performance sólida com risco relativamente baixo. Pra sofrer um impacto negativo relevante, precisa de uma combinação incomum: alta na expectativa de juros junto com inflação estável ou em queda, algo que raramente acontece ao mesmo tempo.
Indexados à inflação de médio e longo prazo
Têm comportamento parecido com o do prefixado de médio prazo e também são afetados pelas perspectivas fiscal, política e econômica do país e do exterior, só que aqui a expectativa de inflação de longo prazo entra na conta de um jeito particular.
Quando a expectativa de inflação de longo prazo sobe, as expectativas de juros necessários para desacelerar a inflação acabam subindo, isso tem impacto negativo no preço desse ativo antes do seu vencimento.
O aumento da expectativa de inflação normalmente está associado a uma piora do cenário fiscal, o que jogaria contra o preço, mas o componente de inflação, conforme o tempo vai passando, acaba atenuando esse impacto negativo que viria da parcela prefixada.
É por isso que, no longo prazo, os indexados à inflação tendem a ser mais eficientes do que os prefixados de prazo equivalente.
4. Antes das carteiras: coisas que valem seu tempo
Como escolher o CDB, LCI e LCA
Você vai ver que nas listas vão aparecer CDBs, LCIs e LCAs, mas muita gente pode ficar com dúvida de como escolher na corretora que usa.
A régua aqui é simples, em duas etapas.
Primeiro, confira se o banco que está oferecendo o produto está na nossa lista de bancos aprovados pela Finclass, a lista segue no final deste relatório.
Segundo, encontre o banco aprovado na sua corretora ou banco e compare a taxa oferecida com a curva de juros da ANBIMA usando este link (anbima.com.br/informacoes/est-termo/CZ.asp), lembrando que essa curva é de títulos públicos, ou seja, risco soberano.
Como os CDBs/LCIs/LCAs carregam risco de crédito bancário, o banco precisa te pagar mais do que a curva da ANBIMA no mesmo prazo, sendo essa taxa acima da curva como seu prêmio por aceitar o risco do banco no lugar do risco do governo. Se o banco estiver pagando igual ou menos que a curva pública, não há vantagem nenhuma em trocar de risco.
E mais um detalhe importante: para LCIs e LCAs, por serem isentos de Imposto de Renda, sempre compare a "Taxa Equivalente" que aparece na sua plataforma de investimentos para fazermos uma comparação justa com títulos públicos já que eles são tributados, ok?
Então para usar a curva certa, você olha o indexador do seu produto: a coluna no site da Anbima chamada "ETTJ IPCA" traz o juro real de mercado, ou seja, as taxas exigidas em títulos públicos indexados à inflação, é o parâmetro certo pra comparar com CDB/LCI/LCA indexados ao IPCA.
Já a coluna "ETTJ Pré" é o equivalente pros produtos prefixados.
Fonte: Anbima
Os vértices da tabela são os prazos e eles vêm expressos em dias úteis, então lembre que 1 ano ali equivale a 252 dias úteis, não 365 dias corridos, e encontre o prazo que combina com o vencimento do seu CDB.
E um detalhe que ajuda a enxergar os ETFs de título público com outros olhos: quando um deles parece "caro" numa primeira olhada, lembre que a comparação justa não é contra zero como em Fundos DI, é contra a taxa de custódia do próprio Tesouro Direto (0,20% ao ano).
Às vezes o ETF sai mais barato que isso, o que é um ponto a favor dele que quase nunca aparece nas comparações por aí.
O que realmente garante liquidez num ETF: o formador de mercado
Quando a gente foi montar essas carteiras, o primeiro instinto foi olhar volume negociado (ADTV) de cada ETF e escolher os mais líquidos. Parece óbvio, né? Só que esse critério sozinho engana.
Achamos ETFs com volume histórico decente que, na prática, não têm ninguém garantindo comprar ou vender a qualquer momento, o que significa spread largo bem na hora que você mais precisa negociar. E achamos o oposto: ETFs mais novos, com pouco volume acumulado ainda, mas com formador de mercado contratado, uma instituição que assume o compromisso de manter ofertas de compra e venda o tempo todo, segurando as pontas do preço mesmo em dia fraco de negociação.
Foi esse detalhe que definiu boa parte das escolhas deste relatório. Sempre que dois ETFs concorriam pela mesma fatia da carteira, o critério final não foi "qual tem mais volume", foi "qual tem a menor taxa entre os que têm formador de mercado confirmado". Sem essa segunda parte, a taxa baixa não vale nada, porque de nada serve pagar pouco de administração se você não consegue comprar ou vender sua cota num preço justo quando precisar.
GPCA11: o disclaimer necessário
O GPCA11 vai aparecer recomendado em algumas fatias das carteiras, e antes de qualquer coisa, você precisa saber: ele é gerido pela Grão, que é do mesmo grupo (Grupo Primo) que a Finclass.
É importante contar isso de cara.
Agora, o motivo real da escolha: ele tem a menor taxa entre os concorrentes (0,10% ao ano, a metade do próximo mais barato), tem instituição contratada garantindo liquidez na negociação, e o próprio material do índice promete manter a tributação lá no fundo da tabela (15% de IR), independente de quando você resgatar.
Ele passou pelo mesmo teste que aplicamos em qualquer outro ETF concorrente, e venceu.
Mas você merece saber da relação antes de confiar na recomendação.
Pós-fixado: a liquidez diária não é um detalhe, é a essência
Nas duas carteiras, a fatia pós-fixada funciona como o seu "cantinho da tranquilidade" para os conservadores e como "caixa estratégico" para os arrojados.
Essa é a parte que você quer poder mover rápido se o cenário mudar e com pouco risco.
Por isso, toda recomendação de CDB pra essa fatia exige liquidez diária, sem exceção.
Um CDB com taxa mais bonita, mas sem esse resgate rápido te prende exatamente na hora que você mais ia querer flexibilidade.
Vale a troca? Nem sempre, mas sendo bem sincero com você, assinante, vou manter as coisas simples e dizer que, se você não se sente confortável analisando um banco, a melhor ideia é seguir com a liquidez diária e a lista de bancos aprovados.
5. A carteira conservadora: simplicidade e previsibilidade em primeiro lugar
Essa carteira é pra quem quer dormir tranquilo.
A prioridade aqui não é maximizar retorno, é entregar previsibilidade, com pouca sensibilidade a marcação a mercado e instrumentos fáceis de entender:
Metade da carteira em pós-fixado: é a decisão mais importante desse perfil. Metade do dinheiro rendendo Selic ou pouco a mais no CDI, com produtos de bancos sólidos e confiáveis ou do Tesouro, sem reinventar a roda, galera, sem depender de acertar nenhum cenário.
IPCA+ curto prazo: é a segunda maior fatia, e você pode achar estranho não ter um produto do Tesouro aqui, mas isso acontece por um motivo prático: hoje não existe Tesouro IPCA+ com vencimento curto o suficiente disponível na prateleira. O mais curto que dá pra comprar hoje é o 2032. Essa exposição a títulos indexados ao IPCA de curto prazo vem via GPCA11 (ETF que segue o índice Teva Tesouro IPCA 2 Anos, indexado ao IPCA, com duration-alvo de 2 anos) ou CDBs/LCIs/LCAs indexados à inflação, e aqui tem uma dica boa para você: se você optar pelos produtos bancários, os isentos como LCI e LCA costumam ter uma taxa equivalente interessante para prazos mais curtos que 2 anos.
IPCA+ longo prazo: entra com peso menor, via Tesouro Direto ou PACG11 (ETF indexado ao IPCA que replica o índice IMA-B, com duration em torno de 6 anos), capturando o juro real elevado de hoje com mais tempo de casamento até o vencimento.
Prefixado curto prazo: completa a carteira com uma fatia pequena, via Tesouro Direto ou IRFM11 (ETF prefixado que replica o índice IRF-M P2, com duration em torno de 2 anos), aproveitando o ciclo de corte da Selic sem grande exposição de duration.
Prefixado médio e longo prazo ficam de fora do conservador, e o motivo é este: se você é conservador e quer realmente dormir tranquilo de noite, os prefixados de médio e longo prazo vão funcionar como cafeína antes de dormir pela volatilidade do preço. Aqui é importante ressaltar que com essa alocação total você já vai ter um retorno bem bacana com menos risco.
6. A carteira arrojada: mais movimento, mais capturas ao longo da curva
Aqui a lógica muda: menos caixa, mais peças trabalhando em diferentes pontos da curva de juros real e nominal, pra capturar o que cada fase do ciclo de corte e do juro real elevado tem a oferecer:
Prefixado curto: captura o ciclo de juros na ponta mais curta da curva, via IRFM11 (já apresentado na carteira conservadora: prefixado, índice IRF-M P2, duration ~2 anos) ou Tesouro Direto. É onde o corte da Selic tende a se refletir mais rápido no preço.
Prefixado médio: busca capturar as expectativas de mercado para vencimentos um pouco mais longos, via Tesouro Prefixado 2032 ou CDB prefixado de banco aprovado, uma aposta um pouco mais paciente sobre a trajetória dos juros.
A fatia de IPCA+ soma 40% da carteira, dividida em três vencimentos que reagem a fatores diferentes da curva real (nível, inclinação, curvatura), então espalhar entre os três é uma forma de não depender de acertar só um pedaço da curva.
Vale um adendo importante: esse peso entre os três vencimentos não precisa ser fixo. Ele pode e deve ser ajustado conforme o formato da curva no momento.
Se a curva estiver pagando mais no curto prazo, faz sentido concentrar ali. Se as taxas mais altas estiverem no longo prazo, vale rebalancear ao longo do tempo pra capturar esse prêmio.
IPCA+ curto: usa o GPCA11 (IPCA, índice Teva Tesouro IPCA 2 Anos, duration ~2 anos) ou CDB/LCI/LCA indexado à inflação de bancos aprovados.
IPCA+ médio: usa o Tesouro IPCA+ 2032 direto ou o PACG11 (IPCA, índice IMA-B, duration ~6 anos), o mesmo par de instrumentos já usado na fatia de IPCA+ longo prazo do conservador, aqui com peso próprio dentro da estrutura de três vértices da arrojada.
IPCA+ longo: usa o Tesouro IPCA+ 2050 direto ou o PACB11 (ETF indexado ao IPCA que replica o índice Teva ITBR IPCA Ultra Longo CE, uma cesta com as 3 NTN-Bs mais longas em negociação no mercado, buscando convexidade: ganha mais na queda de juros e perde menos na alta. Duration modificada em torno de 12,8 anos, taxa de 0,19% a.a. e cerca de 2 anos de histórico de mercado). O Tesouro pode ser levado até o vencimento ou usado para uma aposta de queda dos juros, com ganho na marcação a mercado, enquanto o PACB11, por não ter prazo de vencimento por ser um ETF e renovar sempre a cesta para os títulos mais longos disponíveis, mantém essa exposição de forma contínua.
Casos de atenção: o que ficou de fora e o motivo
Nem todo ETF bom entra na carteira, e nem todo ETF que ficou fora é ruim. Essa seção existe pra você entender esses dois lados.
Os ETFs novos do Nubank
A Nu Asset lançou recentemente uma família de três ETFs de renda fixa soberana: NB0211 (IPCA, duration-alvo de 2 anos), NB0511 (IPCA, duration-alvo de 5 anos) e NB1011 (IPCA, duration-alvo de 10 anos).
Os três têm formador de mercado contratado e confirmado (BTG Pactual), então a estrutura de negociação é sólida.
Eles brigaram cabeça a cabeça com os ETFs que escolhemos e perderam por pouco, cada um por um motivo diferente.
O NB0211 competiu direto com o GPCA11 na fatia curta, e perdeu por taxa (0,19% contra 0,10%).
O NB0511 e o NB1011 competiram, respectivamente, com o PACG11 e o PACB11, e perderam principalmente por tempo de mercado: os três ETFs do Nubank nasceram em julho deste ano, então ainda não têm histórico suficiente pra avaliar aderência ao índice com confiança, frente a concorrentes com cerca de 2 anos de operação.
Fica no radar pro próximo relatório, à medida que forem acumulando história.
AREA11
Esse ETF investe em NTN-Bs (títulos públicos indexados ao IPCA), com uma proposta diferente da maioria: ele é o primeiro ETF de títulos públicos do mercado brasileiro com distribuição mensal de renda, algo inédito nesse tipo de produto.
A seleção dos títulos segue critérios de liquidez (só entram NTN-Bs com volume mínimo de R$ 300 milhões negociados no mês anterior ao rebalanceamento) e um controle estatístico que limita a influência de títulos com comportamento fora do padrão.
É gerido pelo BTG Pactual, com formador de mercado contratado e confirmado (BTG Pactual CTVM), e índice desenvolvido pela Teva Indices.
A ideia é boa, honestamente, mas a taxa de administração de 0,30% a.a. é mais alta que a dos concorrentes escolhidos pra função equivalente nas nossas carteiras, e isso comeu boa parte da vantagem competitiva.
Ficou de fora por esse motivo específico, o conceito do produto não é o problema.
Sentiu falta dos ETFs pós-fixados?
Os ETFs 100% pós-fixados que replicam o Tesouro Selic (tipo LFTS11 e companhia) têm um detalhe tributário e regulatório.
Não interessa o vencimento dos títulos que eles carregam, a Receita Federal já bateu o martelo que o prazo médio de repactuação desses fundos é sempre 1 dia, porque a Selic pode ser reajustada diariamente por natureza.
E isso trava a tributação lá no topo da tabela: 25% de Imposto de Renda, pra sempre, pior que qualquer CDB (que começa em 22,5% e só melhora com o tempo).
O LFTS11 já viveu isso na prática: cobrava 15%, teve a metodologia questionada, e em 2024 a Receita confirmou os 25%. Quem confiou só na tributação anunciada levou um susto no bolso.
E aqui chegamos ao motivo de não termos outros ETFs de renda fixa pós-fixada como o LFTB11.
Um fundo poderia, em teoria, misturar uma NTN-B de vencimento bem longo na carteira só pra tentar puxar o prazo médio pra cima e escapar dessa alíquota alta.
O problema é que, se ele fizer isso, aos nossos olhos ele deixa de ser um ETF de Selic (o que ele promete ser) pra virar um ETF "sabor Selic", só pra ganhar um desconto de imposto.
Imagina você querer paz e tranquilidade, ao menos da parte pós-fixada da sua carteira, e perceber que justamente em um momento de tensão de mercado, seu ETF se desvalorizou?
É trocar o motivo de existir do produto por uma vantagem fiscal, e a gente não recomenda esse tipo de desvio de função. Por isso, pós-fixado aqui é sempre CDB de liquidez diária e cobertura do FGC ou Tesouro Selic direto, sem exceção, nos dois perfis.
7. Bancos aprovados e reprovados
Atualização: Entrada do Banco C6, que foi promovido a S2 porém no sistema do BCB ainda está pendente de ajuste.
Fonte: Fitch, Moody’s, S&P e BCB
8. ETFs aprovados
9. Troca do FIXA11 por IRFM11 na carteira de valorização
Fizemos um pequeno ajuste nos ETFs recomendados trocando o FIXA11 pelo IRFM11 na carteira de valorização. Essa troca representa a troca de um ETF que segue a curva pré de 3 anos e com taxa global de 0,30%, no caso o FIXA11 gerido pelo BB Asset Management, por um ETF gerido pela Itaú Asset que tem prazo médio acima de 2 anos, se mantendo próximo à essa marca, com taxa de 0,20%, formador de mercado contratado e negociado com o ticker IRFM11.
Ficamos por aqui
Vimos alguns parâmetros e conceitos obrigatórios antes de começarmos a olhar a carteira exclusiva de renda fixa para os perfis conservadores e arrojados.
Aprendemos a comparar as taxas de títulos públicos no site da Anbima para basearmos as aplicações em produtos bancários.
Entendemos um pouco mais sobre as diferenças tributárias, regulamentárias e conceituais dos principais ETFs que podem ser usados hoje para que os investidores tenham uma boa exposição diversificada de prazos e indexadores com risco de crédito relativamente baixo.
Montamos 2 carteiras altamente replicáveis independente da corretora que você use.
Atualizamos a base de bancos aprovados e reprovados.
Atualizamos a base de ETFs de renda fixa aprovados.
Atualizamos as opções de ETFs prefixados da carteira de valorização com a troca do FIXA11 pelo IRFM11
Um grande abraço e bons investimentos!
Eduardo Perez | CNPI 7393
Sobre os analistas
Eduardo Perez
Especialista em Renda Fixa
Eduardo Perez é analista CNPI-P, com certificações CGA e CGE da Anbima, e especialista em renda fixa na Finclass. Formado em Economia e Gestão Financeira, construiu sua trajetória no mercado financeiro passando por diferentes áreas, desde o atendimento ao cliente na Easynvest até o research de renda fixa e análise macroeconômica no Nubank, onde também contribuiu com recomendações e conteúdos para o portal InvestNews. Posteriormente, atuou na mesa de operações de renda fixa, integrando a equipe de gestão do book proprietário. Acredita que o mercado de capitais brasileiro ainda tem um amplo espaço para crescimento e amadurecimento, especialmente do ponto de vista do investidor pessoa física, e vê a educação financeira como o principal caminho para transformar esse potencial em decisões de investimento mais conscientes e eficientes.