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Como os criptoativos estão revolucionando o mercado tradicional

Escrito por Thales Inada, Rodrigo Xavier em ALTERNATIVOS

13 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • Atualização do cenário macro. As probabilidades de corte de juros nos EUA seguem relativamente estáveis, com grandes chances de o primeiro corte do ano acontecer em junho, após a mudança de presidência do Fed. 

  • Principais aplicações RWA. Stablecoins, meios de pagamento, tokenização de ativos financeiros desde a renda fixa até o mercado de ações e diversas aplicações gerais como tokens de time de futebol, direitos musicais, patentes, entre outros. 

  • O mercado de RWAs. Todas essas aplicações se enquadram no setor de Real World Assets (RWA), os “Ativos do Mundo Real”, qualquer ativo financeiro tradicional que passa a ser representado por um ativo digital. 

  • Conclusão. O mercado financeiro pode estar passando pela maior revolução da sua história. A digitalização dos ativos proporciona diversas vantagens, como otimização da custódia, maior eficiência operacional, negociação 24h por dia, transações entre investidores do mundo todo e até mesmo distribuição automática de dividendos.

Muito mais do que um novo mercado, os criptoativos estão revolucionando o sistema financeiro que conhecemos hoje, desde as aplicações mais simples, como meios de pagamento, até as mais complexas, como o mercado de ações.  

Então, se você ainda não tem ideia do impacto desse novo modelo, precisa se atualizar o mais rápido possível. 

Não estou falando apenas de novos ativos para investir, como o BTC e o ETH, ou até mesmo do surgimento do mercado mais agressivo de todos. E, sim, da implementação de uma nova tecnologia no sistema financeiro, o blockchain. 

As aplicações ainda são muito novas, então para sermos mais eficientes, vou abordar algumas soluções que já estão sendo colocadas em prática e podem estar prestes a revolucionar o mercado financeiro atual!

Cenário macro

Mesmo com o presidente do Fed, Jerome Powell, sendo pressionado por Trump a cortar os juros, o cenário parece relativamente estável, sem expectativa de diminuição da taxa nas próximas reuniões. 

Por outro lado, o mandato de Powell vai até maio deste ano. Ou seja, a partir da reunião de junho, assume o novo nome, que por sinal será definido por Trump. Por isso, a partir deste momento, temos maiores chances do corte acontecer conforme as probabilidades da Bolsa de Chicago (CME), com cerca de 59,4% de chance do próximo corte acontecer em junho. 

Expectativa dos cortes de juros nos EUA

 

Fonte: CME (25/01/2026)

 

O mercado financeiro especula Kevin Warsh, ex-diretor do Banco Central, como forte candidato ao cargo. Outro nome que cotado é Kevin Hasset, mas Trump já disse que não gostaria que ele deixasse o cargo de diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca.  

De qualquer forma, a expectativa de dois cortes este ano ainda está mantida, sendo o segundo com maiores chances de acontecer na última reunião do Fomc no ano, em dezembro.

Principais aplicações

 

Para facilitarmos o entendimento dessas novas ideias que estão sendo aplicadas no sistema financeiro tradicional, tentei seguir uma evolução na complexidade das aplicações, recomendo que siga a sequência de leitura deste relatório. 

Para isso, vamos partir do conceito mais básico de todos, que são as stablecoins, seguir para os meios de pagamento, evoluir para a renda fixa digital, passar para a complexidade do mercado de renda variável e finalizar com aplicações gerais mais abstratas.

●    Stablecoins

 

As stablecoins são ativos de valor estável lastreados principalmente em dólares, em que cada moeda emitida sempre vale aproximadamente US$ 1,00. Elas não se valorizam.

Só para você ter noção da importância do setor no mercado cripto, das sete maiores criptomoedas do mundo, atualmente, duas são stablecoins. A USDT, da Tether, em terceiro lugar, e a USDC, da Circle, em sétimo.

 

Fonte: CoinMarketCap

 

Inclusive, reparem, na última coluna, que o Tether é o criptoativo mais negociado no mundo, até mais do que o BTC. Isso acontece porque ele é pareado em praticamente qualquer outro criptoativo.

Além disso, desde 2024, o Tether já tinha se tornado o sétimo maior comprador de títulos do governo dos EUA. O equivalente ao Reino Unido, e até mesmo acima do Canadá, de Taiwan, México, entre outros países relevantes.

Fonte: CoinDesk

 

Esses títulos são um exemplo de ativos reais, que servem de lastro para a emissão das novas moedas que entram em circulação. Conforme o report da Tether, cerca de 80%  do lastro são títulos do Tesouro dos EUA. Também há aproximadamente 7% de metais preciosos e, curiosamente, 5,4% de BTC.

Fonte: Tether

 

O lastro do ativo melhorou bastante nos últimos, com títulos de prazo mais curto e de melhor qualidade.

Entretanto, a transparência do USDC, da Circle, e a qualidade dos seus ativos são incomparáveis.

Além disso, a USDC  também deu muita prioridade a se adaptar às regulamentações ao redor do mundo, obteve licença de transmissão de dinheiro nos Estados Unidos e está em conformidade com a regulamentação da União Europeia, a MiCA. Também está em conformidade em Singapura, Emirados Árabes Unidos, Canadá, entre outros.

Por tudo isso, em questão de segurança jurídica, regulatória, podemos dizer que a USDC é, sim, a melhor opção.

Porém, o lado negativo é que a stablecoin tem menor volume de negociação, ou seja, liquidez reduzida, está presente em menos exchanges e possui menos pares de negociação do que o USDT, o que restringe sua usabilidade.

Agora, pegando uma visão mais ampla do setor e somando todos os projetos de stablecoins atualmente, esse setor já é um mercado de US$ 300 bilhões.

 

 

E olha que até 2024 ainda tínhamos um crescimento relativamente limitado. O setor destravou seu valor depois da aprovação do Genius Act, em 2025, que “oficializou a aceitação das stablecoins” por meio da regulação do mercado, o que aumenta sua credibilidade, a segurança dos investidores e favorece sua adoção.

Uma das grandes sacadas do setor é proteger os investidores em momentos de volatilidade e de incerteza do mercado, pois, trocando seus ativos voláteis por stablecoins, é possível manter o patrimônio em momentos mais pontuais e estratégicos.

Outra funcionalidade que deve ganhar muita força em um futuro próximo é a sua utilização como meio de pagamentos, que veremos a seguir.

 

●    Meios de pagamento

Até hoje, as pessoas, ainda me perguntam:  

“Thales, eu consigo utilizar as criptos como forma de pagamento no dia a dia?” 

E eu já te adianto que sim! Inclusive, se você tem um comércio, é possível que você tenha recebido cripto e nem ficou sabendo. 

Com uma stablecoin na sua carteira do celular, ou em um cartão de pagamento cripto, você sabe exatamente qual saldo tem disponível para gastar e não fica exposto à oscilação dos criptoativos, que como sabemos pode girar na casa de 10% a 20% em questão de uma semana. 

Para você ter uma referência do crescimento do setor, as stablecoins ultrapassaram a VISA em volume financeiro de transações em 2024. Mas claro que aqui não estamos considerando somente meios de pagamento com stablecoins, e sim o volume financeiro total transacionado  

Por volta de 2018, começaram a surgir os primeiros cartões de criptoativos com bandeira VISA, sendo um dos pioneiros o cartão Crypto.com, até hoje no mercado, conhecido por patrocinar diversos eventos esportivos ao redor do mundo.

 

Fonte: Crypto.com

 

Hoje em dia, já existem diversos outros cartões — citando os mais conhecidos atualmente, temos o cartão da KAST e o do ETHERFI.

 

https://www.kast.xyz/

 

https://www.ether.fi/cash

 

O produto também já tem bastante adesão pelas diversas exchanges, como Binance, OKX, Rippio e Bybit. 

Você consegue carregar esses cartões com qualquer criptoativo, e os utiliza como débito em conta. Podemos considerá-los como uma espécie de carteira cripto para o dia a dia. Mas, atenção, só coloque neles o que você realmente pretende utilizar no curto prazo. 

Por isso, você pode sim carregar seu cartão cripto com um ativo volátil, como o ETH. Porque, no final das contas, o lojista recebe em moeda local, seja real, dólar ou euro. Ele nem ao menos fica sabendo que você pagou em cripto, muito menos qual ativo você utilizou. Porém a desvantagem é que ao utilizar um ativo volátil você fica sujeito a sua oscilação de preço.

Como são cartões parceiros de bandeiras consolidadas como VISA e Mastercard, é possível dizer que, teoricamente, você consegue utilizá-los em praticamente qualquer maquininha de cartão ao redor do mundo. Mas, cuidado, pois existe uma chance significativa de você não conseguir, então não fique dependendo 100% deles em uma viagem, tenha outra forma de pagamento tão boa quanto.

As stablecoins ainda enfrentam muita pressão regulatória ao redor do mundo, o que é um pouco preocupante. Entretanto, hoje em dia, certamente os riscos já são bem menores, principalmente devido à exigência de um lastro de altíssima qualidade.

A aplicação de cripto como meio de pagamento é o básico que você precisa saber dessa mudança no nosso dia a dia, porém não a considero uma mudança muito significativa. Mas a partir de agora, a proposta começa a ficar mais interessante!

●    Renda fixa digital

 

Tratando agora das aplicações no mercado financeiro, podemos citar alguns dos investimentos mais populares da renda fixa, como o LCI, LCA, CDB e debêntures. Basicamente a tokenização desses ativos envolve todo o processo, desde o registro, a emissão até a negociação de forma digitalizada, o que chamamos de “tokens”.

Esses produtos já existem, por exemplo, na maior exchange do Brasil, o Mercado Bitcoin.

Fonte: Mercado Bitcoin

 

Assim como os ativos financeiros tradicionais citados, comprar esses tokens é uma espécie de empréstimo para diversas empresas. Também existem projetos focados exclusivamente em tokenização, como o da brasileira Liqi, que tem como um dos sócios o Banco Itaú.

 

Fonte: Liqi

 

Atenção, isso não é recomendação de investimento. Muito pelo contrário, não gosto desses modelos. Entendo que, pela imagem acima, o rendimento chama a atenção, mas o cuidado aqui não é por ser um ativo digital. O risco desses investimentos está no de crédito, e é significativamente elevado, ou seja, de a empresa não conseguir te pagar. Um modelo bem semelhante ao que já se popularizou há alguns anos, chamado de “Peer to Peer Lending”, onde uma plataforma unia as duas pontas do negócio, as empresas aos investidores.

Portanto, antes de investir, leia os termos de cada ativo específico cuidadosamente. Então analise o balanço da empresa, se atente aos prazos, data de vencimento, indexador, regras de pagamento específicas para cada ativo, entre outros fatores. Já te adianto que não é uma tarefa fácil e, por isso, não recomendo o investimento.

Meu objetivo aqui é só mostrar para você como o mercado financeiro está mudando e quais são as novas possibilidades.

Além da digitalização, outro ponto positivo seria a possibilidade de conseguir liquidez desses ativos pelo mercado secundário, pois as empresas que disponibilizam o investimento também podem fornecer a negociação dos ativos na própria plataforma na qual foi feito o investimento.

Assim, caso você queira desfazer alguma posição antes do vencimento, pode deixar suas cotas à venda, esperando por um comprador, ou quem sabe aproveitar o desespero de alguém que esteja querendo desfazer a posição e conseguir comprar uma cota barata.

Vejo que essa aplicação pode ser bem interessante para, por exemplo, Títulos de Precatório, aquela dívida do governo que você não tem previsão certa de quando vai receber o dinheiro. Para antecipar esse recebimento, você poderia tokenizar o precatório e vender o título fracionado aos poucos para o mercado, o que tornaria o processo muito mais simples do que encontrar um comprador em um escritório de advocacia especializado.

A digitalização otimiza processos, diminui custos operacionais e dá mais liquidez para os investidores, e isso torna os investimentos mais competitivos, principalmente contra os gigantes bancos tradicionais. Além disso, possibilita a integração de plataformas de negociação, otimiza a custódia, melhora os mecanismos de liquidação instantânea e facilita a sua distribuição por meio do fracionamento.

 

●    Mercado de renda variável

meu ponto de vista, aqui está uma das maiores revoluções do mercado financeiro. 

Qualquer ativo negociado na bolsa, seja ações, FIIs ou os mais diversos ETFs, pode ter seus processos automatizados pela digitalização. 

Basicamente, cada ativo digital seria lastreado por um ativo real. Portanto, para cada ativo real, deve ser criado um ativo digital. Por exemplo, um token por ação. 

Inclusive, é isso que a ONDO, um dos criptoativos recomendados na carteira de valorização, começou a fazer em outubro do ano passado.

 

Fonte: Ondo.finance

 

Nela, ao possuir a stablecoin USDC na sua carteira cripto, você consegue comprar ações da Apple, Microsoft, VISA, Meta, Tesla, Netflix, Nvidia, entre outras, diretamente da sua carteira quente, como uma Metamask. 

As vantagens do processo são inúmeras: 

1- Você não precisa abrir conta em uma corretora internacional;

2- Quem já investe no mercado cripto não precisa fazer remessa de dólar, operação na qual incidiria IOF e um spread de câmbio;

3- Possibilita comprar uma fração da ação — por exemplo, uma única ação da Microsoft custa R$ 2.500 e pela ONDO você conseguiria comprar apenas uma fração, como R$ 100;

4- Maior acesso a este mercado, porque pessoas ao redor do mundo agora podem acessar esses ativos facilmente;

5- Por isso, o ativo passa a ter uma liquidez global;

6- O tempo de liquidação será mínimo, muito mais rápido do que temos, por exemplo, aqui no Brasil, onde o tempo para a ação cair na sua custódia é de dois dias úteis. Pela ONDO você recebe o ativo quase que de forma instantânea;

7- Este modelo digital possibilita a negociação 24h por dia, o que vai permitir ao mercado reagir a notícias ao redor do mundo instantaneamente;

8- Acaba com diversas questões burocráticas graças à automatização dos contratos inteligentes;

9- Possibilitaria, por exemplo, a distribuição de dividendos de forma automática;

10- Toda essa automação dos processos traz mais eficiência e um custo operacional menor. 

As vantagens são tantas que as bolsas não conseguem mais ignorar o modelo. Este mês, a ICE, dona da Bolsa de Nova York, anunciou que terá sua plataforma de negociação de ações e de ETFs tokenizados, que funcionará 24h por dia com liquidação instantânea e distribuição de dividendos automatizada. 

Eles se orgulham de estar liderando a solução on-chain e correndo para respeitarem os elevados padrões regulatórios para enquadrarem o modelo. Inclusive, disseram que pretendem implantar a solução em diversas blockchains diferentes, mas que ainda não foram anunciadas. 

Outros grandes bancos como o BNY e o Citibank são parceiros no processo de criação do novo formato. Ainda não há uma data para o seu lançamento, pois está sujeito à aprovação do órgão regulador. 

Com certeza, a evolução da tokenização dos ativos reais, seja qual for a sua origem, é extrema, e as instituições financeiras que não se adaptarem a ela o mais rápido possível ficarão para trás.

●    Aplicações gerais

Agora, podemos imaginar algumas ideias para as quais ainda não existem projetos tão relevantes, mas que podem atingir grandes proporções em um futuro próximo.

Vamos começar com uma aplicação prática e que é um tema de que o brasileiro gosta bastante: o futebol.

Na exchange Mercado Bitcoin, existem tokens do Vasco e do Santos, que representam um pedacinho digital dos direitos de alguns jogadores formados nesses times.

Fonte: Mercado Bitcoin

 

Conforme você compra tokens, ganha uma participação nos Direitos Creditórios dos jogadores, ou seja, quem investe, recebe o valor do mecanismo de solidariedade pago a cada transação dos jogadores. Um detalhe importante é que não é só na saída do jogador do time em questão. E, sim, sobre todas as transações do jogador no futuro, mesmo que fora desses times.

Já pensou se esse projeto tivesse surgido na época do Neymar? Você estaria recebendo dividendos das transações dele até hoje.

Claro, aqui estamos falando de futebol especificamente, mas o modelo poderia ser utilizado em qualquer outro esporte. Na verdade pode ser aplicado a qualquer ativo que representa uma propriedade.  

Por exemplo, distribuição automática de direitos musicais, rendimentos referentes a patentes, fracionamento de obras de arte ou artigos de museu, e até mesmo automatizar as diversas aplicações da chamada “economia compartilhada”, como a que já vem sendo aplicada em imóveis, carros de luxo, aeronaves, entre muitas outras.

Resumidamente, quem comprar um token que representa uma parte desses ativos, receberia parte proporcional dos seus rendimentos. O mais interessante é que essa distribuição pode ser feita por meio de um contrato inteligente, totalmente automatizado, transparente e sem a interferência de um humano.

Real World Assets (RWA)

Agora, falando de uma forma um pouco mais abrangente, a gente pode considerar que, desde as stablecoins, os meios de pagamento, até a tokenização de ativos financeiros tradicionais, todas essas aplicações fazem parte do setor de Real World Assets.

Conforme o gráfico abaixo, a maior aplicação do modelo são os títulos do governo dos Estados Unidos. Aplicação que favorece principalmente a possibilidade de distribuir rendimentos automaticamente, diminuindo muito o custo operacional.

 

Valor total tokenizado

Fonte: rwa.xyz

 

A tokenização de ativos do mundo real emergiu como uma das principais tendências de 2025 com o surgimento dessas novas aplicações, que têm o potencial de conectar trilhões de dólares em ativos tradicionais com a infraestrutura blockchain. Seu crescimento foi da casa dos US$ 6 bilhões no começo de 2025 e chegou nos dias de hoje aos US$ 22,5 bilhões.

Apesar do crescimento, o setor ainda precisa enfrentar diversos desafios regulatórios e de compliance, encontrar soluções para questões jurisdicionais, desenvolver meios de proteger o investidor durante as operações e proporcionar uma integração com sistemas tradicionais mais eficiente.

Tenho uma extrema confiança de que os RWAs são uma ponte de transição entre finanças tradicionais (TradFi) e Finanças Descentralizadas (DeFi).

Com a digitalização do sistema financeiro, vamos poder expandir para novas soluções no futuro, inclusive, quem sabe um dia, assumir o papel de um banco. Pois você vai poder, por exemplo, colocar suas ações para serem tomadas emprestadas na AAVE, e receber taxas por isso, ou então, colocar suas ações como garantia para pegar empréstimo. Inclusive essa foi uma das funcionalidades que cresceu bastante no mercado de DeFi ano passado.

 

Fonte: ARK

 

Na plataforma da UniSwap por exemplo, você poderia fazer o papel da B3, ou seja, colocar suas ações tokenizadas, para serem negociadas por investidores ao redor do mundo todo por meio das pools de liquidez. A cada negociação feita na sua pool, você receberia uma taxa

Se esses projetos forem implantados na Ethereum ou na Solana, quem sabe você poderá colocar suas ações tokenizadas em uma operação chamada staking, para colaborar para a segurança da rede, uma espécie de poupança do mercado cripto.

 

Entusiasta Cripto

 

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Fonte: Finclass 25 janeiro

Conclusão

A digitalização dos ativos financeiros tradicionais já é uma realidade e veio para ficar. 

O modelo já está sendo testado em praticamente todo tipo de ativo, desde os mais conservadores, como os títulos do governo, diversos ativos de renda fixa, no mercado de ações e até mesmo nos mais diversos ativos de propriedade. 

Essa mudança proporciona diversos benefícios operacionais para o sistema financeiro, como fracionamento de ativos para proporcionar maior acesso aos investidores. Essa característica também aumenta a liquidez pois mais pessoas negociam, possibilita um acesso muito mais prático por não precisar abrir conta em corretora estrangeira e operar o câmbio, possibilita a negociação dos ativos 24h por dia e, ainda por cima, diminui o custo operacional por automatizar diversas etapa burocráticas de todo o processo. 

O fato é que o mercado financeiro já está se adaptando a essa mudança, porém cada projeto ainda faz a digitalização do ativo de um jeito diferente, o que dificulta a integração do ecossistema. Por isso, ainda há a necessidade de uma adoção de um padrão internacional, mas por ser um mercado muito novo, esse processo está na sua fase de teste.  

Concordo que ainda temos um longo caminho pela, mas, mesmo assim, tenho certeza de que a tokenização chegou para ficar e está prestes a mudar o sistema financeiro que conhecemos hoje.

 

Forte abraço,

Thales

 

Sobre os analistas

Thales Inada

Especialista em Criptoativos

Especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Finclass. Engenheiro, com MBA em investimentos e Asset Allocation. Iniciou no mercado de criptoativos em 2017, com passagem por importantes exchanges como Binance (a maior do mundo), Mercado Bitcoin (a maior da América Latina) e XDEX, a antiga exchange da XP Inc. Agora, deixou as instituições para ficar do lado de investidoras e investidores, com missão de democratizar o universo dos criptoativos e investimentos alternativos por meio de uma linguagem simples e direta, a fim de tornar esse mercado visionário acessível a todas as pessoas.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.