Um panorama geral sobre o mercado financeiro no Brasil e no mundo;
Como os nossos fundos performaram em 2025
Escrito por Rodrigo Xavier em FUNDOS
Neste relatório, você encontrará:
O desempenho dos fundos recomendados em 2025, onde comparamos o resultado dos fundos com seus respectivos benchmarks;
Explicamos os motivos que causaram os resultados dos maiores destaques positivos e negativos por classe de ativos;
Uma reflexão sobre como compreender os fundos de investimentos ativos.
Olá, pessoal,
Nos últimos anos a gestão profissional no Brasil enfrentou algumas dificuldades, seja por questões de fluxo de capitais migrando para outros instrumentos financeiros, seja pelos desafios e incertezas para leitura de cenário econômico. Apesar disso, consideramos que, de maneira geral, os retornos foram bons e nos mantemos otimistas para o que está por vir em 2026.
Antes de entrarmos propriamente nos resultados entregues pelos gestores que compõem nossas recomendações, é fundamental contextualizar o ambiente macroeconômico e os principais obstáculos enfrentados ao longo desse período.
No cenário doméstico, seguimos convivendo com uma combinação conhecida do investidor brasileiro: inflação estruturalmente elevada, juros altos por um período prolongado e recorrentes incertezas fiscais. Ao longo de 2025, a taxa Selic atingiu o patamar de 15% e permaneceu nesse nível até o fim do ano, o que naturalmente impõe dificuldades para ativos de natureza mais arriscada.
Apesar deste pano de fundo desafiador, a renda variável brasileira apresentou desempenho bastante positivo. O Ibovespa avançou 33,95% em 2025, enquanto o Ifix subiu 21,15%. Vale destacar que, em dólar, a bolsa brasileira superou 50% de alta no ano, beneficiada também pela apreciação do real frente à moeda americana.
A combinação de preços atrativos na renda variável local, sobretudo quando analisados em termos históricos, e a entrada líquida de R$ 26,8 bilhões de investidores estrangeiros na bolsa foram fatores determinantes para esse resultado.
No ambiente internacional, embora o saldo também tenha sido positivo para os ativos de risco, o ano foi marcado por uma série de eventos que elevaram o nível de incerteza. Tensões geopolíticas persistentes, mudanças relevantes na política comercial impostas pelos Estados Unidos e a troca de governo na maior economia do mundo trouxeram momentos de apreensão aos mercados.
Neste contexto, observou-se um movimento importante de rotação de capital ao longo de 2025, com recursos migrando dos Estados Unidos para outras regiões.
Esse fluxo, que pode parecer modesto quando observado do ponto de vista americano, o qual não teve prejuízo por causa da saída e fechou bem mesmo assim, teve impacto muito positivo em mercados europeus, asiáticos e emergentes, que registraram altas importantes em 2025.
Como era de se esperar, alguns gestores surfaram melhor que outros neste cenário, porém reforçamos nossa visão de que a avaliação de uma estratégia de investimento não pode se restringir exclusivamente à performance de curto prazo.
Resultados de 2025
Vamos analisar cada classe, destacando a performance das nossas estratégias aprovadas no último ano encerrado. É importante lembrar que, embora os números recentes sejam relevantes para avaliarmos o desempenho, eles não garantem retornos futuros.
Além disso, vamos ver que alguns fundos não foram tão bem quanto esperávamos, mas isso faz parte do processo de investir. Nem todas as estratégias vão “brilhar” o tempo todo. Tomar decisões só com base nos resultados recentes, como resgatar de um fundo só porque ele teve um momento ruim, pode acabar prejudicando seu patrimônio aos poucos.
Outro ponto importante é que o fato de uma classe ter se saído melhor e outra pior não significa que devemos concentrar nossos investimentos apenas na classe vencedora. A diversificação continua sendo uma ferramenta essencial para atravessar diferentes cenários de mercado com maior segurança e resiliência.
Abaixo, apresentaremos uma discussão dividida por classes de ativos destacando a performance de cada recomendado e dos seus respectivos benchmarks.
Renda Fixa – Pós-fixados
A classe de pós-fixados tem como objetivo entregar bons resultados com menor risco. O foco não é só superar o CDI, mas sim preservar o capital e trazer estabilidade para a carteira como um todo, garantindo um desempenho mais consistente no longo prazo.
Esta estabilidade é como uma base sólida, que permite que outras classes de ativos assumam mais riscos em busca de retornos maiores.
No panorama geral, o mercado de crédito tradicional apresentou bom desempenho nominal ao longo do ano, até pelo alto patamar dos juros vigentes na economia. No entanto, os eventos envolvendo Braskem, Raízen, CSN e Ambipar acabaram pressionando o segmento, afetando inclusive alguns dos fundos que recomendamos.
Seja pela exposição direta de diversos gestores a esses papéis, seja pelo aumento da aversão ao risco que costuma surgir em momentos como esse, observamos uma correção nos spreads de crédito.
Além disso, embora não tenha impacto direto sobre nossas recomendações, o episódio envolvendo o Banco Master também contribuiu para um ambiente de maior cautela quando o assunto é crédito privado, dada a ampla repercussão na mídia e o número expressivo de investidores afetados.
Veja abaixo os resultados dos nossos fundos recomendados:
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | * Recomendação de venda em 2025
Como podemos observar, os grandes destaques da carteira foram os FoFs (fundos de fundos) de FIDC. O Solis Antares entregou retorno de 114,96% do CDI, seguido de perto pelo Valora Guardian, com 114,40% do CDI.
Na sequência, temos o Solis Pioneiro, que é a versão destinada ao público geral do Solis Antares e entrou nas carteiras em agosto de 2025, o qual apresentou desempenho bastante consistente, alcançando 110,55% do CDI no ano completo.
Para quem quiser entender um pouco mais sobre o Solis Antares, bem como compreender os motivos que nos levaram a retirar o Plural Crédito Corporativo ao longo do ano, sugiro que leia o relatório (link) publicado na Finclass em 18 de agosto de 2025.
Outro fundo que performou bem foi o JGP Select, proposta da renomada JGP Capital voltada ao crédito corporativo com a flexibilidade de alocar até 40% da carteira em ativos no exterior. Foi justamente essa alocação gringa que permitiu à gestora não apenas superar o CDI, mas também mitigar os impactos dos eventos de crédito corporativo que citei acima, encerrando 2025 com retorno de 15,59%, o equivalente a 108,90% do CDI.
Além desses destaques, tivemos alguns fundos que apresentaram desempenhos mais alinhados ao que se observou no mercado de crédito como um todo, com retornos oscilando entre 102% e 106% do CDI, ainda assim cumprindo o papel esperado dentro das carteiras mediante ao ambiente de crédito privado estabelecido atualmente.
Pelo lado negativo, o JGP Corporate — versão mais tradicional e totalmente local da JGP — terminou o ano abaixo do CDI. Apesar do perfil conservador, com parcela relevante da carteira alocada em ativos de menor risco de crédito, o fundo foi impactado por alguns dos eventos corporativos que marcaram o período. No caso específico da Braskem, por exemplo, a exposição era de aproximadamente 1% da carteira, o que resultou em uma perda efetiva de cerca de 0,59% no fundo.
Os fundos da Capitânia também enfrentaram um período mais desafiador. Embora sejam classificados como pós-fixados, possuem uma estrutura mais “apimentada”, com alocação em fundos imobiliários (FIIs) da própria gestora. Esse book específico não conseguiu superar o CDI no ano, o que também jogou os fundos para abaixo do referencial.
Apesar de algumas estratégias terem ficado aquém das expectativas, a avaliação geral é positiva: a maior parte dos fundos recomendados cumpriu seu objetivo principal de superar o CDI, sendo que alguns o fizeram com margem mais confortável.
Renda Fixa – Dinâmica
Embora esta categoria faça parte da renda fixa, seu objetivo é buscar ganhos mais expressivos que na renda fixa pós, assumindo um pouco mais de risco. Para isso, utilizamos títulos de renda fixa indexados à inflação ou prefixados. Essa classe tem como benchmark principal o IMA-B, que representa uma média dos títulos públicos federais do Tesouro IPCA+.
Ao longo de 2025, tomamos a decisão de que as carteiras de valorização executadas por fundos na Finclass deveriam contar com 50% da alocação em fundos passivos atrelados ao IMA-B, ou seja, que replicam fielmente o índice, garantindo maior aderência a um referencial historicamente difícil de superar. A outra metade da carteira seria alocada em fundos de infraestrutura listados em bolsa, que apresentam potencial de superar o benchmark e contam com isenção total de Imposto de Renda.
Naturalmente, para buscar esse excesso de retorno em relação ao referencial, é necessário assumir maior risco de crédito corporativo e conviver com uma volatilidade um pouco mais elevada no dia a dia.
Dentro do conjunto de alternativas que julgamos aptas para compor nossas carteiras, recomendamos três fundos. Todos apresentaram excelente desempenho em 2025, superando o IMA-B com alguma folga, como detalharemos a seguir.
Veja nossos resultados:
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass
Antes de iniciarmos as explicações, vale mencionar que os retornos observados no gráfico acima referem-se a cota de mercado negociada em bolsa e já consideram o reinvestimento dos dividendos recebidos. Essa é uma prática comum de mercado para a mensuração do retorno total e para a comparação adequada com o respectivo benchmark.
À primeira vista, os retornos apresentados por nossos fundos podem dar a impressão de que o ambiente foi favorável para o segmento. No entanto, a realidade foi diferente. O ano foi marcado por elevada incerteza, especialmente em função da Medida Provisória que poderia acabar com a isenção fiscal dos fundos de infraestrutura (o que não ocorreu). Esse cenário provocou uma corrida por esses ativos e uma consequente compressão dos spreads em relação aos títulos públicos.
Apesar desse contexto desafiador, o fato de se tratar de veículos com estrutura fechada estatuariamente, como os fundos listados em bolsa, foi um diferencial importante. A ausência de fluxos intensos de aportes e resgates facilita a gestão do portfólio, permitindo decisões mais eficientes e o aproveitamento de mais oportunidade, aspecto este que foi bem explorado pelos nossos gestores.
Começando pelo fundo de maior destaque, o IFRA11, que apresentou retorno de 27,41% em sua cota negociada a mercado, dois fatores foram determinantes para esse desempenho. O primeiro foi a capacidade do time de gestão em realizar uma rotação eficiente do portfólio, uma característica marcante deste time de gestão, que possibilitou ganhos adicionais num contexto em que ainda foi possível ampliar a diversificação setorial e do número de emissões. O segundo fator foi o desconto da cota de mercado em relação ao valor patrimonial no início do ano, o que permitiu capturar ganhos com o fechamento desse “descasamento” de preços.
O JURO11 encerrou o período com retorno de 24,04%. Bastante ativo no mercado secundário, o fundo foi capaz de realizar bons negócios ao longo do ano. Além disso, a cota também estava com desconto no início do ano, o que permitiu acrescentar retorno por isso.
Por fim, o KDIF11, o mais longevo fundo de infraestrutura listado em bolsa da indústria, entregou retorno total de 18,28%. O desempenho foi resultado de uma boa alocação, com destaque para os ativos de originação própria, um diferencial da casa, que conta com processos robustos e uma estrutura operacional sólida.
Para finalizar, os nossos fundos indexados ao IMA-B estiveram aderentes ao referencial durante o ano, com retornos ligeiramente menores que o índice por conta das taxas, o que é normal e dentro do esperado.
Multimercado
Os fundos multimercados podem ser vistos como um verdadeiro “coringa” entre as opções de investimento, pois, o gestor tem ampla liberdade para definir suas estratégias e atuar em diferentes mercados, mas essa flexibilidade, não significa que as decisões sejam fáceis, especialmente em períodos de incerteza.
Por mais que as soluções possam parecer evidentes em retrospectiva, no momento da decisão, escolher o melhor caminho é um desafio. Essa complexidade surge justamente da capacidade dos multimercados de atuar em diversos mercados simultaneamente, o que amplia as alternativas, mas também por vezes dificulta a escolha da direção mais adequada.
Este é um dos fatores que leva muitos a duvidarem do potencial da classe, especialmente no que diz respeito à geração de alfa. No entanto, esse potencial só se torna claro para muitos quando os fundos estão em fases positivas. O verdadeiro ganho, porém, se revela quando se atravessa com resiliência uma fase difícil e se é recompensado pela recuperação desde o início dela.
Abaixo compartilhamos os resultados dos nossos recomendados em 2025:
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | * Recomendação de venda em 2025
Ainda que 2025 não tenha sido um ano ruim para a indústria de fundos multimercados como um todo, sendo que em alguns casos houve ótimo resultado, as sequelas dos anos anteriores ainda deixam marcas importantes.
Em um ambiente em que a Selic já permanece em patamar elevado por um período prolongado, os desempenhos do passado recente ficaram aquém das expectativas dos cotistas, o que segue influenciando negativamente a percepção dos investidores.
Esse histórico de resultados mais fracos continua alimentando fluxos líquidos de resgates, um movimento particularmente desafiador para as gestoras. A redução do patrimônio sob gestão, por sua vez, pressiona a sustentabilidade dos negócios, dificultando a retenção de talentos e a manutenção de estruturas robustas de gestão e controle de risco.
Diante desse contexto, apenas as gestoras com estruturas mais sólidas conseguem se manter saudáveis e com capacidade de promover uma recuperação mais consistente ao longo do tempo. Vale destacar que essa “crise” também abre oportunidades para quem está bem-posicionado no setor, seja pela possibilidade de trazer de talentos com maior facilidade, seja pela reorganização interna em direção a um novo patamar operacional e estratégico.
Feito esse preâmbulo, passamos a explicar os fatores que levaram alguns fundos a se destacarem positivamente.
No caso da Vista Capital, considerada por nós o único hedge fund “raiz” da indústria local, a casa encerrou 2025 com retorno de 23,11% no Vista Multiestratégia (para investidores qualificados) e de 18,49% no Vista Hedge (público geral). A gestora costuma concentrar esforços em teses de baixa frequência e, ao longo do ano, manteve posições relevantes compradas em ouro, urânio e Argentina, além de posições vendidas em empresas do setor de petróleo, e foi nesta roupagem que atingiram este resultado.
A Kapitalo também se destacou, com retorno de 20,56% no Zeta (para investidores qualificados) e de 17,66% no Kappa (público geral). Uma parcela relevante da performance adveio de carrego atrelado ao CDI, beneficiando-se do elevado nível da taxa básica de juros, embora o fundo também tenha obtido contribuições positivas em estratégias de juros, bolsa e commodities, porém em menor representatividade quando olhamos para a performance atribuída.
Pelo lado negativo, vale mencionar o Giant Zarathustra, que sofreu de forma mais intensa com a perda de patrimônio nos últimos anos e precisou passar por um profundo ajuste estrutural. Esse movimento motivou a nossa retirada da recomendação, formalizada em um relatório detalhado que divulgamos em 16 de setembro (link).
A Gávea enfrentou um ano particularmente desafiador, com retornos abaixo do esperado. Parte relevante das apostas da casa acabou não se concretizando. No início do ano, por exemplo, o fundo mantinha posições compradas em dólar e aplicadas em juros (aposta na queda dos juros), teses que não se confirmaram após as medidas adotadas pelo governo Trump. Posteriormente, as posições foram desmontadas e o cenário acabou se invertendo parcialmente, gerando novas perdas. As teses tinham racional econômico consistente, mas o elevado grau de incerteza do ambiente dificultou sua correta materialização.
Os demais fundos da amostra apresentaram desempenhos mais próximos do esperado diante do contexto da indústria e dos seus processos de investimentos que no geral estão bem ajustados para uma melhora futura.
Fundo de Ações
Quando discutimos fundos de ações, temos que lembrar que temos dois tipos diferentes de gestão para essa classe: long only e long biased.
Dividimos a publicação dos resultados em duas partes para garantir uma comparação justa, considerando que os benchmarks de cada categoria, assim como os riscos e potenciais de retorno, podem ser diferentes.
Long Only
Os fundos long only são aqueles que procuram ganhar dinheiro de maneira direcional, com uma carteira comprada em ações que a gestora acredita terem grande potencial de valorização no futuro.
Como o Ibovespa é o índice que representa o comportamento médio de nosso mercado acionário, ele acaba sendo o benchmark que os gestores buscam superar. No entanto, sabemos que a composição do índice pode ser um pouco traiçoeira, uma vez que é muito concentrada em poucos setores, principalmente o financeiro e de commodities.
Esse contexto tem feito com que a indústria profissional de gestão de ações tenha entrado em modo de alerta. Em 2021 quando os juros começaram a subir no Brasil, já tivemos uma grande distorção por conta de um Ibovespa que subiu por conta de commodities enquanto a maior parte da economia doméstica sofria.
Em 2025, o Ibovespa subiu 33,95%, portanto, nominalmente todos os nossos recomendados tiveram “bom desempenho”, acima do CDI com alguma folga, porém nem todos superam o referencial, como veremos a seguir:
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | * Recomendação de venda em 2025
Como mencionamos no início do relatório, tivemos um ano de bons retornos na renda variável local, sobretudo por conta do fluxo de entrada de recursos do investidor estrangeiro, que pressionou preços para cima, e por conta dos níveis de descontos observados em alguns setores. Veja abaixo a performance atribuída do Ibovespa em 2025:
Fonte: Brasil Capital e Bloomberg
Sendo mais específicos nos fundos que se destacaram, podemos mencionar o Ibiuna Equities, gerido por André Lion e seu time, que alcançou 46,34%, o maior retorno dentre nossas recomendações para a classe. Com uma alocação relevante nos setores financeiro e de utilidade pública, o fundo conseguiu auferir ganhos consistentes. Além disso, acertou ao manter Multiplan como uma posição relevante da carteira.
Destacaram-se também os fundos da HIX, casa conhecida por olhar empresas fora do radar tradicional e identificar oportunidades em mid e small caps. Nessa estratégia, conseguiu capturar bons resultados com empresas como Orizon, Plano & Plano e a própria Eneva.
Na sequência, vale uma menção honrosa a três casas extremamente respeitadas pelo mercado, Atmos, Dynamo e Real Investor, que apresentaram resultados entre 38,6% e 41,5%.
Pelo lado negativo, a Brasil Capital teve retorno de “apenas” 19,73%, muito em função de apostas mais relevantes no setor de commodities, que não performaram como esperado ao longo do ano e acabaram prejudicando o resultado do fundo.
A Forpus, de Luís Nunes e Francisco Andrade, apresentou alta de 20,7%. A gestora adota uma abordagem de investimento por setores, com maior ênfase nas empresas líderes. No entanto, o alfa a ser gerado no período esteve mais concentrado em companhias fora dessa primeira linha, o que dificultou o desempenho relativo ao referencial.
Vale mencionar também a Indie, que avançou 23,9%, cerca de 10 p.p. abaixo do Ibovespa. O principal detrator de performance foi o setor de saúde, com destaque para o impacto negativo de Hapvida, que saiu da carteira em setembro.
O IP Participações também ficou abaixo do Ibovespa, com retorno de 28,2%, em função da parcela de investimentos fora do Brasil, prejudicada tanto pela performance inferior em relação ao mercado local quanto pela apreciação do real frente ao dólar.
As demais estratégias apresentaram retornos mais próximos do esperado.
Long Biased
Os fundos long biased (ou long bias) são aqueles que, diferentemente dos fundos de ações tradicionais (long only), podem usar parte da carteira para operar na contramão do mercado, ainda que a posição majoritária seja normal (aposta na alta). Isso permite que esses fundos ganhem tanto com a valorização dos ativos quanto apostando na desvalorização deles.
Essa flexibilidade geralmente resulta em níveis relativamente menores de volatilidade nessa classe de fundos, além do uso de diferentes benchmarks, como o IPCA + Yield do IMA-B, que na maioria das vezes fica próximo ao próprio IMA-B.
Veja como encerramos o ano:
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | * Recomendação de venda em 2025
Do ponto de vista do ambiente econômico, os argumentos citados no tópico de ações long only também se aplicam aqui. Dito isso, destacamos positivamente os fundos SPX Falcon (52,5%) e Truxt Long Biased (46,3%). Ambos possuem mandatos bastante flexíveis e conseguiram gerar retorno em diferentes frentes, como ações locais, posições offshore — inclusive em países emergentes — além de operações vendidas em algumas commodities, como minério de ferro no caso da Truxt, entre outras estratégias.
O fato é que se trata de casas com longo histórico de bons resultados e equipes de gestão altamente qualificadas, com destaque para Léo Linhares, na SPX, e Bruno Garcia, na Truxt.
Pelo lado negativo, temos o Dahlia Total Return, que, apesar de seguir superando seu benchmark oficial — IPCA + média ponderada das taxas dos títulos que compõem o IMA-B —, acabou ficando abaixo do Ibovespa no período.
A casa mantém uma visão favorável à Pax Americana, isto é, aposta na manutenção da liderança dos Estados Unidos na ordem global. Ao longo de boa parte do ano, manteve posições alinhadas a essa tese, que não se materializaram com a mesma intensidade observada no Ibovespa, o que acabou deixando o fundo um pouco atrás desse índice.
Os demais fundos apresentaram desempenho dentro da normalidade quando comparados ao Ibovespa, com todos superando o IPCA + Yield IMA-B, que também serve como referência comparativa.
Uma reflexão sobre fundos ativos
Períodos de perda costumam testar nossa disciplina. Nessas horas, é comum que a emoção se sobreponha à racionalidade, o que pode levar a decisões pouco eficientes quando olhamos para o horizonte de longo prazo.
A gestão ativa, por definição, envolve trocas. O potencial de entregar retornos acima da média ao longo do tempo vem acompanhado do risco de, em determinados períodos, ficar aquém do esperado. Esse é um custo inerente à busca por alfa, e não algo exclusivo de um ou outro gestor.
Os fundos que recentemente frustraram expectativas seguem sob acompanhamento próximo de nossa equipe. Nosso objetivo é reavaliar, com profundidade, se os resultados mais fracos representam apenas um momento adverso ou se indicam alguma deterioração estrutural.
Caso entendamos que o histórico vencedor foi comprometido ou que a capacidade de recuperação dos gestores esteja em dúvida, a recomendação será revista.
Dito isso, é fundamental aceitar que períodos de desempenho inferior aos benchmarks fazem parte do processo. Mesmo os gestores mais consagrados do mundo atravessam fases de resultados insatisfatórios, sem que isso invalide, necessariamente, a qualidade de suas estratégias.
Por esse motivo, incentivamos que os investidores se aprofundem no entendimento dos gestores e das estratégias recomendadas, buscando compreender seus estilos, premissas e horizontes de investimento. Da mesma forma, a leitura dos relatórios originais de recomendação é essencial para alinhar expectativas desde o início.
Ao longo de 2024, publicamos uma série de estudos que chamamos de Mapeamento de Fundos, com uma edição dedicada a cada uma das principais categorias que acompanhamos. Esses materiais ajudam não apenas a entender melhor cada classe de ativo, mas também o conjunto de alternativas disponíveis para investimento.
Esses relatórios podem ser acessados nestes links:
Aqui já firmo um compromisso com os investidores e investidoras da Finclass de que aos poucos iremos atualizar estes mapeamentos, para que nada lhes escape.
Ficamos por aqui
Como muitos de vocês já sabem, o time de análise da Finclass é bastante sério e transparente, e o relatório de hoje teve como objetivo informar sobre os resultados de 2025 e tranquilizá-los quanto à nossa diligência no dia a dia.
Mantemos um contato muito próximo com os gestores e com os times de relacionamento com investidores dos fundos que recomendamos e estamos sempre atentos a tudo o que acontece com eles.
Alguns fundos ficaram abaixo do esperado e, por isso, estão sendo acompanhados com ainda mais cuidado. Ainda assim, seguimos respeitando os processos de análise e mantendo a coerência da nossa atuação como alocadores.
Estamos sempre à disposição para conversar nas nossas lives semanais, que acontecem toda quarta-feira, às 17h, e também na comunidade do aplicativo Circle.
Um grande abraço e bons investimentos!
Rodrigo Xavier
Sobre os analistas
Rodrigo Xavier
Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.