Relatórios

Como rentabilizar suas stablecoins

Escrito por Thales Inada, Rodrigo Xavier em ALTERNATIVOS

19 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • Atualização do cenário macro. A expectativa de corte de juros dos Estados Unidos melhorou nos últimos meses, aumentando as chances de três cortes consecutivos este ano. Se confirmado esse movimento, certamente será bastante positivo para o mercado cripto, entretanto, a inflação ainda segue persistente por lá, o que pode interromper o ciclo de corte.

  • Como colocar suas stablecoins para render. Existem diversas formas de deixar sua stablecoin rendendo. O jeito mais simples é pelo serviço de Earn das exchanges, mas você também pode disponibilizá-las para empréstimo, comprar uma stablecoin que naturalmente distribui rendimentos ou montar um pool de liquidez com um par de stablecoins.

  • Vale a pena? Se você está pensando em deixar seu dinheiro parado em stablecoin, certamente vale a pena deixar rendendo, por menor que seja o ganho. Agora, se você está em dúvida entre sacar em reais ou deixar em stablecoin, acredito que ainda é mais interessante deixar rendendo em real, pois a expectativa do mercado é de que a taxa de juros por aqui permaneça alta por algum tempo e o dólar pode perder força com a política de Trump.

A temporada de alta pode estar chegando ao fim e muitos de vocês já estão até mesmo realizando lucros.

Com isso, ultimamente, nossos assinantes têm me perguntado nas lives: vale a pena deixar seu saldo em stablecoins ao invés de reais, para voltar a investir esse capital nos criptoativos no futuro?

Já aqueles usuários cripto mais avançados, que possuem um saldo relevante, me perguntam: onde deixá-las rendendo durante toda a temporada de baixa do ano que vem?

Existem basicamente duas vantagens nessa estratégia. A primeira, é permanecer com seu patrimônio dolarizado, e a segunda é a possibilidade de alocar esse capital em algum projeto de Finanças Descentralizadas (DeFi) para deixar este dinheiro rendendo em dólar enquanto você não o utiliza.

Quais são essas possibilidades de rendimento? Quanto elas rendem? Quais são os riscos? Será que é melhor do que sacar para reais? É isso que vamos ver hoje.

Cenário macro

Depois da última reunião do FOMC no dia 17, quando tivemos a confirmação do início do corte de juros dos Estados Unidos e, posteriormente, a coletiva de imprensa com o presidente do Fed, Jerome Powell, o sentimento do mercado foi predominantemente positivo, apesar de ter ficado claro que o movimento foi devido à desaceleração do mercado de trabalho, e não pela queda da inflação, o que seria o cenário ideal.

Apesar da persistência desse ponto de cautela, o mercado aumentou as probabilidades de um segundo corte de juros para a próxima reunião de outubro, que atualmente está na casa dos 85,5% de chance. Temos inclusive uma boa expectativa de um terceiro corte em dezembro conforme a tabela abaixo.

Expectativa dos juros nos EUA

image.png
image.png

Fonte: CME (25/09/2025)

Os cortes consecutivos certamente vão favorecer o mercado de renda variável, como criptoativos e bolsa, pois a renda fixa passa a render menos, o que motiva os investidores a buscarem melhores rendimentos.

Acontece que grande parte do impacto positivo ocorre antes mesmo do corte se confirmar, pois os investidores se antecipam ao movimento, ainda mais quando já temos uma alta probabilidade estimada pelo mercado. Ou seja, o corte de dezembro, pode ser um dos últimos dados para marcarmos o final da temporada de alta do mercado cripto, pois, depois dele, o próximo pode ser somente no meio do ano que vem.

Introdução

É claro, muitos vão realizar os lucros e transformar seus criptoativos em reais, seja para realizar um sonho material ou simplesmente rebalancear a carteira de investimentos em outros mercados.

Mas também existem aqueles investidores mais experientes, ou com grande capital, que pretendem deixar seus lucros dolarizados em stablecoins. Principalmente aqueles que operam em exchanges descentralizadas, pois você dificulta a rastreabilidade dessas operações pela Receita.

Portanto, para quem está realizando lucros no mercado cripto, temos basicamente duas opções principais:

●      Vender suas criptos e convertê-las para reais;

●      Converter suas criptos para stablecoins de dólar, como USDT ou USDC.

Será que com a Selic no patamar atual, nos 15%, vale a pena simplesmente deixar seu dinheiro parado em dólar?

Vale reforçar que Trump quer desvalorizar o dólar, para favorecer a exportação e aquecer a economia dos Estados Unidos. Desde o começo do ano, o dólar já se desvalorizou mais de 15%, mesmo sem o mérito do real.

Além disso, a temporada de baixa pode durar até o final do ano que vem e, sendo assim, você estaria disposto a sofrer esse custo de oportunidade ao deixar seus dólares parados por quase um ano?

Pensando nessa possibilidade e a fim de atender às perguntas frequentes nas minhas lives de quarta, vamos abordar quais são as possibilidades no relatório de hoje.

Já te adianto para não se animar muito. Os rendimentos dificilmente vão superar a renda fixa brasileira, atualmente nos 15% ao ano. Inclusive, sugiro que utilizem do benefício fiscal de alienações até R$ 35 mil todos meses deste ano, pois esse benefício tem grandes chances de acabar no ano que vem.

Se os R$ 35 mil não forem suficientes para você, daí, sim, pode ser interessante você converter para stablecoins, pois essas operações de DeFi serão mais difíceis de serem rastreadas pela receita, apesar de poderem ser no futuro.

Você está decidido a deixar saldo em dólar? Então, este relatório é para você!

Pré-requisitos

Antes de entrarmos no tema de hoje, precisamos reforçar alguns pontos, principalmente para os iniciantes nas operações de criptoativos.

Saiba que toda interação com projetos cripto possui seu risco, principalmente o risco do protocolo, que pode ser hackeado, perder os fundos, ser explorado de alguma forma ou até mesmo de algum erro operacional da sua parte. Todo cuidado é pouco.

Sites falsos dos projetos podem roubar todo seu saldo caso você aprove uma transação maliciosa, por isso, certifique-se várias vezes de que você está no site oficial.

Uma sugestão é que você procure as redes sociais do projeto, seus perfis verificados e sites como o CoinMarketCap, para ter links confiáveis.

Para fazer essas interações com os projetos cripto, você precisará pelo menos de uma carteira quente (hot wallet) no seu computador. Neste relatório, vou abordar principalmente projetos da rede da Ethereum e da Solana.

Apesar da Metamask ter acrescentado recentemente a rede da Solana, é possível que os diversos projetos ainda não estejam adaptados a ela e, por isso, o ideal seria você ter uma carteira para cada blockchain.

Neste relatório vou utilizar como modelo a Metamask para a rede da Ethereum e a Phantom para a rede da Solana. Basta clicar nos nomes das carteiras para ser direcionado ao site oficial e instalar no seu navegador.

image.png
image.png

Fonte: Phantom

Independentemente do seu navegador, elas vão aparecer como extensão da sua do seu navegador como na imagem acima. Caso elas não apareçam, basta clicar no quebra-cabeça indicado e depois em fixar.

Caso você já tenha uma carteira quente, sugiro que crie outra, que pode ser dentro da mesma wallet. Para criar outro endereço dentro da Metamask, basta seguir o passo a passo da imagem abaixo.

image.png
image.png

Fonte: Finclass

Para criar outro endereço dentro da Phantom, basta seguir o passo a passo:

image.png
image.png

Fonte: Finclass

Reforço para não utilizar a mesma carteira em que “holda” seus criptoativos, pois você corre o risco de perder seus ativos caso interaja com um site malicioso.

Carteiras criadas, agora basta transferir a quantia de criptoativos que você quer utilizar nas operações para a nova carteira. Para os inexperientes, sugiro começar fazendo operações com pouco capital e de preferência nas redes da Base (segunda camada da Ethereum) ou na Solana, pois o custo operacional é na casa de poucos centavos enquanto na rede da Ethereum as taxas chegam facilmente aos R$ 5,00 por operação.

Antes de sair operando grandes valores, comece com um valor pequeno, na casa dos R$ 100 só para operar despreocupado. Pratique bastante antes de fazer com um volume financeiro maior. As taxas gastas serão como o seu custo do aprendizado e podem te poupar de uma perda maior.

Mas não se preocupe, neste relatório, vou abordar os modelos mais simples para colocar suas stablecoins para render. Vamos utilizar somente as principais plataformas, com mais credibilidade no mercado, apesar de não oferecerem os melhores rendimentos. Pois quanto menor o projeto, maior o risco do seu investimento, e um rendimento melhor dificilmente compensa a possibilidade da perda total dos seus ativos.

Recomendo que não utilizem plataformas pequenas, pois o risco do projeto é muito maior e desproporcional ao seu benefício.

Swap de cripto nas hot wallets

“Thales, meus criptoativos já estão na hot wallet, consigo convertê-los para stablecoins diretamente da carteira ou preciso enviar para a exchange?”

Ambas as carteiras sugeridas permitem a conversão do criptoativo diretamente pela carteira. Elas inclusive consultam diversas Exchanges Descentralizadas (DEX) para encontrar a melhor alternativa para o investidor.

Começando pela Metamask, basta seguir o passo a passo:

-        Selecione o ativo que quer converter;

-        Opção “Trocar”;

-        Digite o número de moedas que quer converter;

-        Escolha a stablecoin para a qual você quer converter;

-        Clique em “Enviar”;

-        Esperar finalizar;

-        Sua stablecoin estará disponível na carteira.

Fonte: Finclass

Observe que a taxa (Network fee) na operação acima saiu US$ 1,44, cerca de R$ 7,60, e esse é o padrão da rede da Ethereum. Ou seja, não valeria a pena fazer um swap de R$ 100.

Agora, fazendo o passo a passo para a Phantom, bem parecido:

-        Selecione o ativo que quer converter;

-        Opção “Trocar”;

-        Digite o número de moedas que quer converter;

-        Escolha a stablecoin para a qual você quer converter;

-        Clique em “Trocar Agora”;

-        Esperar finalizar;

-        Sua stablecoin estará disponível na carteira.

Fonte: Finclass

●     Cold wallet

Caso tenha uma cold wallet, você pode acessar sua carteira diretamente pela Metamask para interagir com os projetos.

Fonte: Finclass

Deste modo, não precisará transferir seus ativos para outra carteira. Mas lembre-se de criar uma nova carteira dentro da sua cold wallet, específica para operações de DeFi, assim você não vai expor seu saldo de HODLE ao risco operacional.

Não se preocupe, seus ativos continuarão offline, e você precisará aprovar toda transação no seu aparelho fisicamente. Inclusive, pela Metamask, você conseguirá converter seus ativos para stablecoins diretamente da cold wallet.

Quais redes utilizar?

Antes de começarmos abordando as possibilidades, você precisa entender que existe uma grande diferença em qual rede você vai utilizar as aplicações das stablecoins.

Isso porque, para realizar suas operações de DeFi você precisará pagar taxas frequentemente, e dependendo da rede, isso pode sair bem caro, inclusive inviabilizar o investimento de pequenos valores.

●     Rede da Ethereum

Conforme vimos na conversão de ETH para USDC acima, essa taxa de conversão na rede da Ethereum estava em R$ 7,60. Isso no período noturno, um dos mais baratos além de ser uma das operações mais simples do mercado cripto. Dependendo da operação, será necessário pagar essa taxa duas vezes, ou seja, um custo de aproximadamente R$ 15,00.

Na minha opinião, esse custo operacional elevado da rede da Ethereum inviabiliza uma operação inferior a R$ 500, pois dependendo da aplicação, seria necessário meio ano para recuperar esse custo operacional das taxas com o rendimento em DeFi.

Para seus cálculos iniciais de viabilidade, imagine que o rendimento das diversas aplicações das stablecoins giram na casa dos 5% a 10% ao ano.

●     Rede da Base

Por isso, para valores menores, é indispensável uma rede mais barata. Se você quer se manter no ecossistema da Ethereum, continuando com a Metamask, aconselho que utilize a rede da Base, uma segunda camada da rede da Ethereum, mais barata e que vem ganhando bastante usabilidade e consequentemente rendendo boas taxas.

Para adicioná-la na sua Metamask é bem simples:

-        Selecione o “Menu de redes”;

-        Role a lista de redes até aparecer o “Additional Networks”;

-        Procure pela rede da Base;

-        Clique no “+”;

-        Sua rede ficará disponível para troca no “Menu de Redes”.

Fonte: Finclass

Dependendo do projeto ou do investimento com que você estiver interagindo, vai precisar ficar alternando a rede da sua carteira.

Só para você ter uma ideia, o custo da rede da Base é menos que 1/10 da rede da Ethereum, ou seja, na casa de poucos centavos.

●     Como transferir da rede da Ethereum para a Base

Se você for utilizar a rede da Base, sugiro que transfira o criptoativo antes de convertê-lo para stablecoin, pois a conversão pode ser feita depois, na rede da Base, por um preço muito mais barato.

Enviar um ativo de uma rede para outra é uma operação chamada de “Bridge”, ou “Ponte”. Existem diversas plataformas que realizam essa transferência de ativo de uma rede para outra, mas por questões de praticidade, sugiro utilizar o próprio site da Metamask, que teoricamente procura a plataforma mais barata no momento.

1- Defina a rede de origem;

2- Defina a rede de destino;

3- Escolha o ativo que quer transferir;

4- Ativo que quer receber (pode receber em ativo diferente, inclusive em stablecoin);

5- Confira se a cotação faz sentido (subtraindo taxa da rede e 0,875% da Metamask);

6- Confirme o envio.

Fonte: Finclass

Agora seu ativo está pronto para ser utilizado na Base.

●     Rede da Solana

A rede da Solana não é compatível com segundas camadas, mas não se preocupe, pois ela já é tão barata quanto a rede da Base naturalmente e não há a necessidade de transferência no seu ecossistema.

“Mas, Thales, e se meus ativos estiverem na Ethereum e eu me interessar pela Solana, o que eu faço?”

●     Como transferir ativos da Ethereum para a Solana

A transferência de cripto da rede da Ethereum para a rede da Solana é mais complexa, e demanda um pouco mais de cuidado. Mas a ideia é bem semelhante, você precisa de uma Bridge.

A primeira opção de projeto que faz essa transferência é a deBridge:

1- Conecte a carteira de origem (Metamask se for da Ethereum para Solana);

2- Defina a rede de origem e o ativo inicial;

3- Defina a rede de destino e o ativo final;

4- Cole o endereço da carteira de destino;

5- Confirme a operação.

Outra opção pode ser o Portal Bridge Wormhole, com operação bem parecida. Lembre-se de primeiro fazer essa operação com valores pequenos antes de movimentar um saldo relevante.

Earn

Antes de começarmos a utilizar as wallets efetivamente, vale a pena comentarmos sobre o modelo mais prático de todos, o “Earn”.

Basicamente, você faz o empréstimo do seu ativo para a exchange, que obtém o direito de trabalhar com ele. Podemos fazer uma comparação direta com o CDB da renda fixa tradicional, em que você empresta seu dinheiro para uma instituição financeira.

Algumas exchanges disponibilizam esse tipo de investimento, mas só sugiro a utilização dele na Binance - pois existe uma espécie de cofre para cobrir eventuais hacks da exchange, equivalente ao FGC dos CDBs - ou na Coinbase, onde temos uma segurança jurídica maior por ser hospedada nos Estados Unidos.

Abordando então essa possibilidade no site da Binance, no menu superior, temos a opção “Earn” e em seguida “Visão Geral”. Ao clicar nela, entramos na tela da imagem abaixo. Na primeira coluna, temos os ativos disponíveis para depósito, e veja que não precisa ser somente de stablecoins, também existe a possibilidade de depositar outros criptoativos.

Na segunda coluna, é informado o rendimento estimado no momento, mas cuidado pois esse dado pode variar bastante com o passar do tempo. Atualmente o APR (rendimento anual sem considerar o reinvestimento do rendimento) está relativamente alto pois estamos em um momento agitado do mercado cripto e deve cair conforme entramos na temporada de baixa, chegando na faixa de 2% a 3% ao ano.

A terceira coluna, de Duração, indica se você tem possibilidade de saída a qualquer momento (Flexível) ou deve deixar seu ativo inacessível (bloqueado) por um período determinado. Claro, se você deixar seu ativo bloqueado, assim como nos CDBs, a expectativa de rendimento é maior.

Para alocar, é bem simples.

-        Clique no ativo escolhido;

-        Confira as características do investimento (1);

-        Defina o valor que deseja alocar (2);

-        Escolha o formato Flexível ou Bloqueado (3);

-        Observe o detalhamento dos rendimentos (4);

-        Finalize a aplicação (5).

No momento do print, o USDT estava rendendo 12,15% ao ano, enquanto o USDC oferecia 7,81%. A Binance ainda oferece um rendimento maior para os clientes que alocarem mais, conforme o nível de investidor, que para o USDC sobe para o próximo nível a partir de US$ 10 mil.

O risco no investimento é o da exchange em si. Nunca aconselho deixarem seus ativos na exchange, por diversos riscos, como hacks, bloqueio de acesso, entre outros. Mas a Binance possui um cofre de reposição caso precise e a Coinbase possui toda uma segurança jurídica em caso de falência da exchange por ser dos Estados Unidos.

A conclusão é que o rendimento pode parecer pequeno, mas é sim bem interessante, ainda mais sendo um rendimento em dólar. A Binance consegue trabalhar muito bem esse capital e distribuir um rendimento interessante. Vamos ver a seguir que é bem competitivo em relação aos projetos cripto de forma geral.

Stablecoin com rendimento

Aqui vamos abordar um caso específico da Ethena, um projeto original da rede da Ethereum, porém sugiro que utilizem a rede da Base para realizar o investimento.

Não é o nosso foco fazer uma análise profunda do projeto hoje, mesmo porque já comentei sobre ela no relatório das stablecoins, mas resumidamente, é um projeto focado em uma stablecoin chamada USDe, que atualmente é o 14° maior criptoativo do mundo, com cerca de US$ 14,35 bilhões de moedas em circulação conforme o site oficial.

Por ser um projeto focado na rede da Ethereum, oferece um rendimento em staking, que, conforme a imagem acima, está atualmente em 6% APY (rentabilidade ao ano, considerando o reinvestimento do rendimento).

Você pode tanto fazer a conversão de USDe para SUSDe diretamente no site deles, caso você já tenha USDe, ou pode fazer a conversão de qualquer outro ativo, para USDe diretamente pela sua Metamask conforme o passo a passo a seguir:

-        Escolha o ativo que quer converter para USDe;

-        Defina o valor financeiro;

-        Selecione o SUSDe como ativo final;

-        Confira o valor da taxa, que nesse caso, por ser na rede da Base, era de apenas US$ 0,05;

-        Finalize a conversão.

Fonte: Finclass

O simples fato de você possuir sUSDe já vai te gerar rendimentos automáticos e constantes de 6% ao ano, menor do que o oferecido na Binance anteriormente.

Aqui o risco é do protocolo. A USDe mantém seu valor estável por meio de contratos futuros e outros criptoativos, o que aumenta o seu risco de colapso em momentos de queda na liquidez de alguma das etapas. Entretanto, é um projeto bem robusto atualmente e com certa segurança.

O ideal é não apostar todas as fichas nele, diversifique.

Fornecer empréstimos

O mercado cripto nos permite assumir a posição dos bancos tradicionais e fornecer empréstimos para outras pessoas. Tudo isso operado por contratos inteligentes executados automaticamente, sem interferência humana.

Por isso, se suas stablecoins estiverem paradas na sua carteira, você pode disponibilizá-las nessas plataformas e ganhar um rendimento.

●     Rede da Ethereum

A maior plataforma de empréstimos da rede da Ethereum, desde sempre, é a AAVE, mas caso você queira explorar mais este mundo, outras alternativas interessantes são a Morpho e a Compound.

Nelas, você não precisa deixar rendendo apenas stablecoins, você pode deixar outros ativos de que não pretende se desfazer.

Neste relatório vamos utilizar a AAVE. Na aba “Dashboard”, a primeira coisa que você deve fazer é escolher qual rede quer utilizar. Na imagem abaixo fiz uma comparação dos rendimentos oferecidos tanto na rede da Ethereum quanto na rede da Base.

A AAVE disponibiliza o USDT apenas na rede da Ethereum, porém na rede da Base, o rendimento de USDC é mais interessante, equivalente ao da Ethena. Na minha opinião, a AAVE é mais segura.

Como a rede da Base vem se consolidando, é provável que esse bom desempenho se mantenha por algum tempo. Lembrando que caso não tenha USDC na rede da Base, você pode fazer a Bridge conforme comentado anteriormente neste relatório.

Com o ativo na carteira e na rede selecionada, o botão de “Supply” ficará disponível (1) conforme a imagem abaixo.

image.png
image.png

Fonte: Finclass

Em seguida, defina o valor que quer depositar (2) e clique para fornecer aprovação da AAVE para manipular seu ativo (3). Confira os dados da Metamask, inclusive as taxas, e clique em “Confirmar” (4). Essa aprovação será necessária apenas na primeira vez de movimentação de cada ativo. Para finalizar a aplicação, clique em “Supply USD” (5), e daí sim estará aprovando a última transação da rede para fornecimento do ativo para a AAVE.

Pronto, a partir de agora, seus ativos estarão rendendo sem esforço. Lembre-se de que para remover o ativo da AAVE, será necessário o pagamento de nova taxa.

Rede da Solana

Para fornecer empréstimos na rede da Solana, vamos utilizar a Kamino.

Na aba “Markets” (1), ordene pela coluna de maiores rendimentos, identifique o ativo (2), confirme um rendimento interessante (3), e agora basta iniciar o processo pelo “Supply” (4).

image.png
image.png

Fonte: Finclass

Iniciado o processo, siga os seguintes passos:

Defina o valor que quer depositar;

Clique em “Deposit”;

Aceite os termos;

A Phantom vai abrir, e basta confirmar a operação.

image.png
image.png

Fonte: Finclass

Pronto. Sua stablecoin começará a render na plataforma da Kamino.

Só por curiosidade, pois não incentivo o modelo, também existe a possibilidade de “Earn” na Kamino, ou seja, empréstimos direcionados para determinados projetos.

image.png
image.png

Fonte: Finclass

Como ainda é um modelo novo, a Kamino está oferecendo alguns benefícios extras em seu próprio ativo (KMNO), para incentivar investidores a alocarem na operação, e por isso, o rendimento é muito melhor.

image.png
image.png

Fonte: Finclass

Como no caso acima, da USDC Prime, o rendimento de Lending é 8,18%, somado ao incentivo de KMNO de 4,77%. Mas sugiro praticamente não considerar esse rendimento extra, pois o ativo pode se desvalorizar bastante com o tempo.

No final das contas, eu prefiro o Lending tradicional da Kamino devido ao risco desproporcional no Earn. Se for colocar nesse modelo, coloque um capital bem inferior.

Pools de liquidez

Agora entramos na etapa mais complexa deste relatório, porém já adianto que não é necessariamente a mais rentável.

Conforme vimos no Swap de ativos, por exemplo ETH para USDT ou SOL para USDC, essas operações são possíveis graças às chamadas “pools de liquidez”. Como o próprio nome já diz, são piscinas de ativos.

Cada par de ativos, formam uma pool, e toda vez que alguém quer trocar ETH por USDT, interage diretamente com ela, pagando uma taxa pela operação. Essa taxa de negociação da pool é distribuída para os investidores que depositaram nessa pool.

Uma exchange descentralizada é basicamente um conjunto de pools de liquidez, de diversos pares de criptos, que possibilita a troca entre diversos ativos, por exemplo uma pool de ETH-LINK ou até mesmo de stablecoins USDC-USDe, que é o nosso interesse no momento.

Rede da Ethereum

A maior Exchange descentralizada do mundo sempre foi a Uniswap e será o nosso exemplo hoje.

Para começar, vá na aba “explorar” (1), depois em “pools” (2), escolha a rede que quer investir (3), filtre pelo ativo de interesse (4) e procure o par de ativos (5).

image.png
image.png

Fonte: Finclass

Ao clicar no nome dos ativos, você passará para a próxima tela.

Fonte: Finclass

Dê preferência para pools com pelo menos US$ 100 mil, evite as muito pequenas pois possuem um risco elevado. Vá em “Adicionar liquidez”.

Fonte: Finclass

Confirme os dados e continue. Abra “Todo o período” do gráfico (1) , defina o intervalo de preço (2), defina o valor que quer investir (3) e finalize o processo na carteira (4). Investimento feito.

Fonte: Finclass

Só para comparativo, também peguei a cotação das pools para a rede da Ethereum. Começando pelas pools de USDC/USDT, os rendimentos estavam mais interessantes do que na Base, de 10% a 14% ao ano. Porém vale lembrar que as taxas podem ser mais de 10 vezes mais caras, o que inviabiliza operações de valores pequenos.

Fonte: Finclass

Agora, nas pools de USDe da Ethena, temos a opção de USDe/USDT, rendendo cerca de 11,24% ao ano.

Fonte: Finclass

Portanto, quem visa a um retorno um pouco maior precisa colocar mais capital para compensar rapidamente as taxas elevadas da Ethereum. Mas perceba que nos melhores dos casos, o melhor rendimento até o momento foi de 14,3%, sem considerar as taxas, pior do que conseguimos no Tesouro Selic.

Vale lembrar também que estamos em um momento relativamente bom para as pools de stablecoins, e esse rendimento deve cair para 3% no final da temporada de baixa.

Rede da Solana

Na rede da Solana, geralmente as pools de liquidez de stablecoins não desempenham muito bem. Pelo próprio site da Kamino, conseguimos fazer um rápido comparativo das exchanges descentralizadas pela aba “Liquidity” (1) indicada abaixo.

Fonte: Finclass

Em seguida, fiz o filtro pelos pares de stablecoins (2), depois ordenei (3) por TVL (quanto maior o Total Value Locked, mais segura é a pool), não me deixei levar pelas pools com incentivos temporários (4), encontrei um par de ativos que me interessa (5), no caso USDT-USDC, verifiquei em qual DEX está disponível (6) — as principais da rede da Solana são a ORCA e a Raydium, ignore as menores — mas você não precisa ir para eles, pode seguir com a operação pela própria Kamino clicando em “Deposit” (7).

Fonte: Finclass

Diferentemente da rede da Ethereum, aqui você pode depositar somente um ativo na pool. Definido o valor, basta clicar em “Deposit” e finalizar a aplicação na wallet conforme os processos anteriores.

Vale a pena?

Claro que existem diversos outros meios de colocar suas stablecoins para rentabilizar em outras plataformas como a Pendle, loopings de empréstimos na Euler, entre outras estratégias mais estruturadas. Porém acredito que essas estratégias são os jeitos mais práticos de se obter um rendimento aceitável, sem muita complexidade. Os outros modelos, além de serem extremamente complexos, representam um risco muito maior.

O mercado de DeFi favorece principalmente países com taxas de juros baixa, como Estados Unidos e Japão. Para esses investidores, qualquer 8% já é extremamente significativo. Para o Brasil, conforme vimos, nenhum rendimento bateu a nossa renda fixa e, com a temporada de baixa, o rendimento do DeFi tende a desmoronar para 3%. Além disso, o dólar pode perder foça durante o próximo ano e impactar negativamente o seu capital.

Na minha opinião, essas possibilidades só são interessantes para quem já chegou no limite de isenção dos R$ 35 mil de alienação por mês e quer continuar realizando lucro, sendo forçado a deixar em alguma stablecoin para manter o patrimônio.

Além disso, os riscos de se operar no mercado cripto, como enviar ativos para o endereço errado, utilizar rede errada, interagir com um site de phishing que pode roubar todo seu saldo, risco do projeto ser hackeado, a exchange fechar da noite para o dia, entre outros fatores, podem não valer a pena.

Mesmo porque, não recomendo que você coloque 100% das suas stablecoins nesses projetos, muito menos em uma só stablecoin. A chance de falha é significativa, por isso, coloque no máximo 20% a 33% do total das suas stablecoins disponíveis, o que dilui o rendimento.

Então fazendo um breve comparativo resumido, temos as seguintes opções.

Não se apegue a um só projeto, uma pool, ou o modelo que oferece melhores rendimentos, faça pelo menos três aplicações distintas, com ativos diferentes para diversificar seu risco.

Lembre-se de que os rendimentos podem ser extremamente impactados se utilizada a rede da Ethereum para pequenos valores. Além disso, os rendimentos das pools de liquidez oscilam bastante em questão de dias, tenha paciência e só deixe nessas aplicações o capital que não pretende utilizar por pelo menos meio ano.

Entusiasta Cripto

Fonte: Finclass (25 de setembro)

Conclusão

O mercado cripto permite que qualquer um faça o papel de um banco atualmente — por exemplo, fornecer empréstimo, disponibilizar negociação entre dois ativos semelhante a um câmbio e, com isso, rentabilizar até mesmo um ativo que teria seu valor estável.

Porém no cenário financeiro atual, sem muita expectativa de corte de juros no Brasil, com o início do corte de juros dos Estados Unidos, possível desvalorização do dólar com as políticas de Trump e um rendimento relativamente baixo dessas operações com stablecoins, ainda prefiro aproveitar o benefício fiscal que temos nas exchanges nacionais, para alienações até R$ 35 mil por mês, transformar o máximo de cripto para reais e deixar rendendo 15% ou mais na renda fixa, com risco quase zero.

Para quem eventualmente for extrapolar esse valor, aí, sim, converter para stablecoins pode ser uma saída, pois a fiscalização das operações da sua wallet ainda deve demorar para acontecer. Para não as deixar totalmente paradas, vale a pena posicionar parte delas em algumas dessas opções abordadas no relatório.

Em um primeiro momento, podem parecer complexas, mas depois que você fizer uma vez, verá como todas são bem simples de fazer, e espero que este passo a passo das operações te ajude na jornada. Qualquer dúvida, é só me marcar na comunidade.

Forte abraço,

Thales

Sobre os analistas

Thales Inada

Especialista em Criptoativos

Especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Finclass. Engenheiro, com MBA em investimentos e Asset Allocation. Iniciou no mercado de criptoativos em 2017, com passagem por importantes exchanges como Binance (a maior do mundo), Mercado Bitcoin (a maior da América Latina) e XDEX, a antiga exchange da XP Inc. Agora, deixou as instituições para ficar do lado de investidoras e investidores, com missão de democratizar o universo dos criptoativos e investimentos alternativos por meio de uma linguagem simples e direta, a fim de tornar esse mercado visionário acessível a todas as pessoas.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.