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Comparativo dos ativos de primeira camada

Escrito por Thales Inada, Rodrigo Xavier em ALTERNATIVOS

18 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • Atualização do cenário macro: Trump aliviou a pressão tarifária ao redor do mundo e disse estar disposto a negociar com a China. Recentemente, também deixou bem claro que o presidente do FED, Jerome Powell, tem total autonomia para fazer o que achar melhor para a economia. Assim, o cenário vem amenizando as tensões - porém ainda podemos ter surpresas e precisamos manter a possibilidade de uma recessão no radar. A expectativa de três cortes de juros este ano está mantida.

  • O setor das primeiras camadas (Layer 1 - L1): Os projetos de primeira camada servem de infraestrutura para o mercado cripto. Utilizando a L1 como base, é possível criar diversas aplicações descentralizadas desde o seu lançamento, graças à segurança compartilhada da blockchain principal. Neste setor,  podemos citar Ethereum (ETH), Solana (SOL), Binance (BNB), Sui (SUI), Tron (TRX), Cardano (ADA), ativos que vamos abordar no relatório.

  • Conclusão: Certamente esse é o setor do mercado cripto mais concorrido de todos, com diversos dos maiores criptoativos do mundo. A Ethereum ficou um pouco atrás em alguns critérios recentemente, mas vem recuperando seu cargo, principalmente agora que o hype das memecoins e dos AirDrops da rede da Solana passou. Entretanto, temos outro concorrente para ficarmos de olho, a SUI.

O setor de primeira camada (Layer 1 - L1) é de longe o mais concorrido do mercado cripto, pois temos diversos dos maiores projetos, como Ethereum (ETH), Solana (SOL), Tron (TRX), Cardano (ADA) e Sui (SUI).

Podemos considerar este, um setor de infraestrutura do mercado cripto, como se fossem as estradas, a estrutura de saneamento ou a rede de distribuição de energia das cidades. Ou seja, é um setor que não possui uma única funcionalidade específica e, sim, serve de base para construírem novas aplicações.

É como se a primeira camada fosse algo como o Banco Central de um país, a partir do qual se ligam outras instituições financeiras, como bancos menores, corretoras e fintechs - estes, sim, atendem o público final, com as mais diversas ferramentas do mercado financeiro.

Por ser o ponto principal focal, temos os projetos mais consolidados, de maior capitalização, mais aplicabilidades e, consequentemente, uma briga de gigantes.

Qual o diferencial de cada um desses projetos? Por que eu ainda prefiro o ETH do que SOL? É isso que vamos discutir no relatório de hoje.

Cenário macro

Talvez, mais do que nunca, o mercado cripto esteja sendo impactado frequentemente pelas questões políticas dos Estados Unidos. O “tarifaço” do Trump abalou o mercado, sacudiu o mercado cripto com o vai e vem das tarifas impostas, gerando um medo de pressionar a inflação, além da possibilidade de provocar uma recessão global. 

Consequentemente, para evitar a recessão, o Fed, Banco Central dos Estados Unidos, também se sentiu pressionado em cortar os juros, movimento que tende a reaquecer a economia e, com isso, diminuir as chances de uma recessão mais grave.

Por alguns dias, tivemos mais de 50% de chance de corte de juros, já na próxima reunião do FOMC, no mês que vem, mas essa expectativa já foi adiada.

Expectativa de corte de juro dos EUA 

Fonte: CME (23/04/2025)

Trump precisou, até mesmo, esclarecer para o mercado que o Fed tem total autonomia para agir como bem entender, e descartou o boato de que estava analisando a possibilidade de demitir o atual presidente do Fed, Jerome Powell.

Agora, Trump já recuou no “tarifaço”, anunciado para praticamente todo o mundo por 90 dias, impondo uma tarifa padrão de apenas 10%; inclusive, se mostrou  disposto a negociar a, então tarifa, de 145%, com a China. O cenário aliviou e o mercado cripto se recuperou bem mais rápido do que as empresas de tecnologia.

Visão Geral do setor da primeira camada (L1)

As primeiras camadas possuem esse nome, pois são efetivamente a blockchain inicial. Isso significa que ela é a base de dados principal, onde todos os outros projetos de segunda acabam registrando suas informações mais importantes, de forma recorrente. 

Por isso, a primeira camada é a responsável pela principal segurança dos projetos que se ligam a ela; mas, claro, cada projeto que a utiliza como infraestrutura também possui suas necessidades individuais de segurança.

Criar um projeto descentralizado o suficiente, desde a sua origem, para ser totalmente seguro, é extremamente difícil e, por isso, os desenvolvedores geralmente optam por escolher uma blockchain já existente para se plugar, e ter um nível de segurança significativo desde o início, ao invés de criarem sua blockchain própria.

Com o tempo, conforme os projetos crescem, daí, sim, é possível se desconectar da primeira camada e criar uma blockchain proprietária, com características que visam atender às necessidades específicas, na busca de melhor eficiência.

Durante todo esse ciclo do mercado cripto, que vem desde o início de 2023, o setor de primeiras camadas se destacou continuamente. No gráfico abaixo, temos as principais narrativas deste ano em valorização.

Principais narrativas do ano

Fonte: dexu.ai

Como nas L1 temos diversos dos maiores projetos, devemos lembrar também que, devido ao seu tamanho, eles possuem mais dificuldade de valorização, pois é necessário um capital mais relevante para movimentar seus preços. Mesmo assim, o setor está no top 3 de melhores desempenhos, perdendo apenas para os tokens de Exchanges Centralizadas (CEX) e plataformas de empréstimos (Lending). Também vale destacar os desempenhos dos outros setores recomendados na nossa carteira de valorização, como da Pendle, de DeFi, ONDO, em RWA, e LINK, em Oráculos.

Apesar do terceiro lugar em desempenho, os projetos de L1 são líderes isolados no mind share; ou seja, na mente das pessoas, esse dado mostra o interesse dos investidores no setor.

Ranking de Mind share (90D)

Fonte: dexu.ai

No gráfico acima, são levados em consideração os últimos 90 dias, mas esse não foi simplesmente um hype pontual do setor. Conforme podemos ver no gráfico abaixo, em laranja, a narrativa vem em um desempenho constante e é o principal destaque nos últimos meses.  

Principais narrativas nos últimos três meses

Fonte: dexu.ai

Em segundo lugar, vem a narrativa do chamado “Sweet-spot”, que basicamente busca conciliar risco x retorno. Por isso, nesse modelo, os investidores estão buscando minimizar os riscos em busca de um retorno ainda interessante, ou seja, parte deste assunto pode envolver um pouco de cada narrativa e, inclusive, envolver parte dos projetos de L1. Vamos comentar sobre essa narrativa mais à frente neste relatório.

O principal ativo de L1, atualmente, é a Ethereum, que começou a ser desenvolvida em 2013, e iniciou suas operações em 2015. Desde a sua origem, ela já visava o futuro distante do BTC, prevendo que o ativo enfrentaria dificuldades com a sua escalabilidade, pois é capaz de processar apenas de cinco a sete transações por segundo, enquanto a Ethereum foi criada para conseguir processar cerca de 30 transações por segundo. 

Em 2017, o poder de processamento do BTC foi posto à prova. O número de transações explodiu e foi a primeira vez que a rede do BTC congestionou. As taxas passaram dos US$ 50 e inviabilizaram o uso para grande parte dos investidores. 

Esse congestionamento da rede do BTC já era previsto pelos fundadores da Ethereum desde 2013, mas em 2021, mesmo sendo cerca de cinco vezes mais escalável, a rede da Ethereum também congestionou.  As taxas de ambas as redes alcançaram a casa dos US$ 60.

Isso quer dizer que a rede da Ethereum é melhor do que a do BTC?

Não. Pois elas possuem características completamente distintas. O BTC surgiu como uma alternativa aos meios de pagamento, mas, hoje em dia, segue rumo à narrativa de reserva de valor, que acredito ser alcançada em um futuro distante. Já a rede da Ethereum é mais focada nas diversas aplicações da tecnologia blockchain, por meio dos contratos inteligentes auto-executáveis.

Do mesmo jeito que a Ethereum viu a dificuldade do BTC, o mercado viu a dificuldade da Ethereum e se interessou pelo seu potencial abrangente de aplicações. Assim, surgiram novos concorrentes com o passar do tempo.

Ranking de projetos Layer 1

Fonte: CoinMarketCap

Atualmente, entre os 12 maiores criptoativos do mundo, metade deles faz parte da categoria das primeiras camadas; por isso, digo que é o setor mais concorrido de todos, com projetos extremamente sólidos e histórico de mercado.

Cada um vem com seu propósito específico. Mas, de forma geral, todos focam realmente na escalabilidade, sendo capazes de executar um grande número de transações a baixo custo; só que, para isso, precisam sacrificar um pouco da sua descentralização, que o mercado cripto tanto gosta. 

Vamos abordar rapidamente cada um desses projetos e, em seguida, fazer uma comparação lado a lado de cada um.

Resumo dos projetos de L1

Do mesmo jeito que temos algumas montadoras de carros que dominam o mercado, assim como operadoras de telefonia e companhias aéreas, também podemos ter diversos projetos atuando no mesmo setor. Por isso, apesar de alguns diferenciais competitivos entre elas, não significa que uma destruirá todas as outras, pois cada ativo possui sua peculiaridade específica.

Antes de entrarmos em cada caso especificamente, precisamos entender um dado técnico básico para fundamentar nosso entendimento nesse comparativo.

Basicamente, temos dois modelos principais de blockchains de primeira camada:

  • Monolítica: neste modelo, todas as funções são operadas por uma só estrutura, como armazenamento dos dados, consenso da rede, liquidação e operação. Com isso, de forma geral, a rede consegue ser mais eficiente, pois a operação é mais simples. Possivelmente é o melhor formato para o usuário final na questão de custo. Aqui, se enquadram a SOL e a BNB.
  • Modular: as operações podem ser feitas em outras estruturas do blockchain, como em outras camadas, mas sendo a L1 responsável pela segurança principal do ecossistema. A separação das funções deixa a estrutura mais complexa, mas, por outro lado, melhora os processos, pois personaliza as necessidades de cada aplicação. Aqui, a descentralização e a segurança vêm em primeiro lugar. Neste modelo, se enquadram o ETH e a SUI.

Assim, entramos no famoso “trilema” do mercado cripto. 

Descentralização x Escalabilidade x Segurança.

Quanto mais descentralizado, mais seguro; porém, menos escalável, pois a informação precisa percorrer toda a rede, o que leva mais tempo. Agora, quanto mais escalável, mais centralizado ele precisa ser para ter um consenso da rede mais rápido e, por isso, menos seguro ele é. 

Por um lado, a escalabilidade atrai usuários no curto prazo, que buscam por recompensas imediatas; por isso, no fundo, não estão preocupados ou não entendem os riscos que correm com a falta de descentralização. Mas é ela quem nos protege da censura, da influência de políticos e leis locais. Por outro, nem mesmo a rede da Ethereum, segunda maior criptomoeda do mundo, é suficientemente descentralizada para promover total segurança. 

Descentralizado mesmo, atualmente, somente o BTC; sobre as altcoins, a Ethereum é a que tem mais potencial atualmente de alcançar um nível de descentralização significativo.

Então, agora, aproveito para fazer algumas provocações. Qual é o custo deste aumento da liberdade e independência? Vale a pena pagar uma taxa da rede mais cara por esse benefício? Qual caminho seria mais viável, crescer centralizado e gradativamente aumentar a descentralização ou optar pelo ativo mais descentralizado desde o início e esperar para que ele evolua na questão da escalabilidade no futuro?

Antes de continuar a leitura deste relatório, gostaria que você refletisse: qual seria a estratégia que mais te agrada para o longo prazo?

Ethereum (ETH)

A rede da Ethereum certamente é, de longe, o segundo ativo mais descentralizado do mundo - mesmo assim, diria que não alcançou um patamar de independência plena, como o BTC.

Primeiro, por causa da sua profunda ligação com seu fundador Vitalik Buterin; segundo, estima-se que cerca de 1400 (35%) dos 2500 “nós da rede” dependem dos servidores da Amazon AWS, em Ashburn, Virgínia. O ideal seria que este valor fosse abaixo dos 25% para obter um risco mínimo. Além disso, a Amazon pode identificar a operação e proibi-la a qualquer momento. 

Essa necessidade de intermediação do serviço ocorre, pois os aparelhos conectados devem funcionar 24 horas por dia, o que dificulta bastante a operação de usuários comuns, sendo muito mais prático terceirizar essa operação. Outra grande fatia de nós está concentrada na Europa, correndo também algum risco regulatório significativo.

Camada de consenso da Ethereum

Fonte: Ethernodes.org

Mesmo a Ethereum sendo o segundo criptoativo mais descentralizado do mundo, vem enfrentando dificuldades de inovação, não só internas como também para desafiar seus concorrentes. 

A solução encontrada para a rede da Ethereum se manter competitiva e escalável é investir nas segundas camadas (L2), uma blockchain paralela à blockchain principal, capaz de processar um grande número de transações por segundo, por um custo menor. Ela sincroniza essas informações apenas de tempos em tempos na rede principal, diminuindo bastante a demanda pela rede. Essa é uma estratégia que não é compatível com as blockchains monolíticas.

Uma das pioneiras na tentativa da escalabilidade da Ethereum foi a Polygon (POL), depois a Arbitrum (ARB) e a Optimism (OP); mas quem vem se destacando nos últimos anos é a Base (que não possui ativo próprio). Cada uma dessas segundas camadas pode ter um propósito bem específico, como aplicações no mercado de DeFi ou até mesmo exclusivas para NFTs. 

As L2 se desenvolveram bastante nos últimos anos, mas ainda não se consolidaram como a principal solução do mercado; enfrentam dificuldades para concorrer com outros projetos de L1.

Build and Build (BNB)

O BNB é o quinto maior criptoativo do mundo. Depois da suspeita da SEC de que a Binance havia realizado uma oferta pública irregular, a rede da Binance Smart Chain (BSC) mudou de nome para Build And Build. 

Além de ser uma primeira camada, ela também se enquadra na categoria de Token de Exchanges, pois basicamente é o criptoativo da Binance, a maior exchange do mundo.  É possível também equivaler ao token BNB como sendo as ações da Binance, pois a ideia é que a demanda do ativo aumente com o crescimento da empresa e, por isso, ele acaba se valorizando. Inclusive, é um dos ativos mais resilientes na dinâmica de preço; mas, aqui, precisamos tomar cuidado com a possível influência nos preços da própria exchange.

Valor bloqueado na rede e Volume negociado nas DEX

Fonte: DeFillama

Conforme podemos ver no gráfico acima, o auge da rede foi na temporada de alta de 2021, quando o projeto foi lançado. Apesar do forte volume de negociação no início do ano, puxado principalmente pelas memecoins, o Total Value Locked (TVL) da rede nunca mais voltou, nem mesmo aos patamares semelhantes aos do ciclo anterior.

O principal projeto gerador de taxas da rede é a exchange descentralizada Pancake Swap, que gera mais de 75% dos rendimentos da BNB. O ponto é que a Pancake Swap é basicamente um clone da Uniswap, a maior DEX da rede da Ethereum, com uma simples adaptação para a rede da Binance. Isso é possível graças ao código aberto dos projetos cripto.

Portanto, o principal fundamento do ativo atualmente é a relação com a exchange.  Isso representa bastante risco, pois a empresa pode sofrer pressão regulatória, ser hackeada ou ainda depender do que o seu CEO fala para o mercado.

SOL

Podemos dizer que a Solana ressurgiu das cinzas após ser um dos principais projetos a serem impactados pelo colapso da FTX, em 2023. A FTX era uma das principais financiadoras dos projetos do ecossistema da Solana e, com o seu fim, esse fluxo de capital parou. Na semana da quebra da FTX, a SOL caiu mais de 60%, enquanto suas concorrentes, como ETH e BNB, caíram na casa dos 22%.

Em 2024, o ativo surfou a onda das memecoins, com o lançamento de um projeto chamado Pump.fun, que visava facilitar a criação de criptoativos na rede, em apenas alguns cliques. O projeto virou uma febre. Para distribuir os ativos, seus criadores precisavam das pools de liquidez das exchanges descentralizadas, consequentemente, gerando um aumento repentino, tanto no TVL da rede quanto no volume de negociação, desde 2024.

Valor bloqueado na rede e Volume negociado nas DEX

Fonte: DeFillama

O pico extremamente agudo no volume de negociação, no início de 2025, foi o lançamento da memecoin do Trump, que aparentemente marcou o pico do hype da narrativa, conforme uma das minhas previsões para 2025, citada na conclusão deste relatório.

Aqui, podemos retomar a ideia da narrativa chamada sweet-spot, citada anteriormente - investir nas memecoins é o outro extremo. Para ter algum retorno com elas, você precisa investir em dezenas de ativos, para em uma ou outra conseguir compensar o prejuízo das outras. 

Por isso, é uma estratégia de investimento popular na Solana, não combina com o sweet-spot, pois as perdas constantes acabam frustrando os investidores e, no final das contas, somente uma fatia mínima saiu vitoriosa. Portanto, é possível que essa narrativa das memecoins, de fato, esteja acabando, o que pode impactar negativamente a atividade na rede da Solana.

Porém, outra narrativa bastante popular entre seus usuários é a dos AirDrops. A distribuição de ativos gratuitamente para os primeiros usuários de um projeto também atrai bastante a atenção dos investidores. Como a rede da Solana é barata, seus usuários conseguem executar centenas de operações a um baixo custo e se destacarem como principais usuários. Entretanto, a vantagem é a mesma para todos que estão caçando AirDrops; no final das contas, ganha mais quem tem mais tempo para se dedicar - ou seja, não é bem uma “distribuição gratuita de ativos”, você praticamente precisa trabalhar para receber um benefício interessante. 

Outra narrativa antiga da Solana foi a de NFTs. Tecnicamente, esse é o ponto mais forte do ativo, porém esse setor não chegou a ser destaque na temporada de alta atual e dificilmente deve reagir este ano.

Como na rede da Solana não há diferenciação da aplicação, todas as aplicações, seja de DeFi ou de NFTs, são processadas em uma única rede, pois não há a possibilidade da criação de segundas camadas. Isso torna a rede um pouco menos eficiente nesse quesito, por não atender necessidades específicas. 

Apesar das taxas baixas praticadas pela rede serem um benefício para seus usuários, essa vantagem também é explorada por muitos programadores, que implementam robôs na rede para aproveitar constantemente oportunidades dos projetos de DeFi e NFTs, o que acaba congestionando a rede de tempos em tempos. 

A capacidade teórica da Solana é de 700 mil transações por segundo, mas, na prática, não passa das 3 mil transações. A diferença do congestionamento da Solana e da Ethereum é que, na Solana, a rede realmente trava, e os programadores precisam congelar as transações por algumas horas e reiniciá-la, depois do consenso dos nós. Enquanto na rede da Ethereum, as taxas ficam extremamente elevadas, mas ela permanece ativa.

SUI

A SUI está sendo um case de sucesso repentino. Seu ritmo de desenvolvimento está acelerado, e tem como foco principal as aplicações em DeFi e jogos com NFTs.

Fonte: Comunidade Sui

Por ser um projeto relativamente novo, seu ecossistema ainda é modesto, mas vem crescendo em ritmo constante, tanto o seu TVL, quanto o volume de negociação nas DEX. Inclusive, ele está retomando a alta no volume este mês, ao contrário dos casos citados anteriormente.

Valor bloqueado na rede e Volume negociado nas DEX

Fonte: DeFillama

A SUI tem capacidade teórica de 100 mil transações por segundo, e ainda não experimentou um congestionamento para sabermos seu verdadeiro limite. Por outro lado, ela deixa a desejar na descentralização, com cerca de apenas 500 nodes ao redor do mundo.

De qualquer forma, certamente o projeto é um forte concorrente em potencial, que vem em crescimento acelerado e, com certeza, precisamos acompanhar de perto.

Cardano (ADA) e Tron (TRX)

Apesar de dois projetos antigos e relativamente consolidados no mercado, esses são os concorrentes mais fracos desta lista.

A Cardano está tentando se reinventar. Para isso, mudou a estratégia (pivotou) para se transformar em uma espécie de segunda camada da BTC, onde pretende levar as aplicações de DeFi para a rede do Bitcoin; por isso, o projeto está praticamente saindo da categoria das L1.

Enquanto a Tron possui um fundador e representante, Justin Sun, extremamente polêmico, que faz um marketing extremamente apelativo. Projetos realmente bons não precisam deste tipo de comportamento para se promoverem; seu crescimento geralmente acontece de forma predominantemente orgânica.

Comparativo geral dos dados on-chain

Uma das principais usabilidades do mercado cripto é das Finanças Descentralizadas (DeFi), pois esse setor demanda operações frequentes, o que reflete diretamente na demanda da rede.

Retomando agora este dado da rede da Ethereum, podemos ver a diferença do comportamento com a rede da SOL e a da BNB. Na Ethereum, temos dados mais consistentes e não picos. Apesar de o TVL, neste ciclo, não ter chegado no TVL do ciclo passado de 2021, o volume está sendo bem equivalente, e não há uma mudança brusca, como nos casos anteriores.

Valor bloqueado na rede e Volume negociado nas DEX

Fonte: DeFillama

Além do TVL e do volume de negociação das DEX, separei alguns outros dados para poder comparar, lado a lado, esses principais ativos de primeira camada.

Staking

Grande parte dos projetos de L1 utiliza a estratégia de staking. Nesse quesito, podemos analisar basicamente dois dados: 

  • Capitalização dos ativos em staking (Staking MC),
  • Percentual do total de ativos colocados em staking.

Para facilitar a visualização, na tabela abaixo, eu ordenei pela coluna de capitalização total dos ativos em staking. No final das contas, ele acaba sendo mais importante do que o percentual de ativos, pois representa o dinheiro efetivamente investido -  que os investidores não pretendem movimentar tão cedo.

Ativos em staking

Fonte: Staking Rewards

Nesse quesito, a Ethereum ganha por pouco. Perceba também, na última coluna, que a SUI possui 76% do seu total de ativos em staking, enquanto a SOL possui 65%.Porém, mesmo assim, a Solana tem mais do que o dobro de capitalização (Staking MC), uma vez que a SUI possui um valor de mercado menor. A Solana também tem como diferencial o rendimento oferecido na operação, de 8,28% ao ano, enquanto os demais ativos ficam na casa dos 2,34% a 3,42% ao ano.

O mesmo acontece com o BNB, que possui apenas 20% em staking, e mesmo assim uma capitalização maior do que a da ADA, que possui 60% na operação.

O percentual depositado na rede é um dado interessante para estimarmos o nível de escassez do ativo. Como esses investidores estão pensando no longo prazo, espera-se que esses ativos não entrem em circulação tão cedo, o que diminui a sua oferta e favorece a sua valorização.

DEX

Agora, fazendo um comparativo do volume de negociação das DEX nos últimos anos, fica nítido como a rede da Ethereum sempre dominou o mercado; somente em 2024 a Solana se destacou com as narrativas das memecoins e AirDrops.

Fonte: DeFillama

Porém, esse uso da rede não era, de fato, uma necessidade mas sim um movimento, predominantemente especulativo - fosse para comprar memecoins e vendê-las logo em seguida ou simplesmente para conseguirem uma interação fictícia com projetos de AirDrop; não era uma necessidade real. Depois da memecoin do Trump, essa atividade já aparenta estar em queda neste ano, e a Ethereum parece estar recuperando parte do market share perdido.

Outro detalhe é que a Base (8,37%) e a Arbitrum (7,12%) são projetos que operam principalmente na rede da Ethereum, como segundas camadas - ou seja, podemos considerar boa parte das suas atividades na atividade da rede da Ethereum, o que pode fazer com que ela supere a Solana.

Endereços ativos

Esse dado é importante, pois com ele temos uma amostragem da adoção da rede e do interesse dos investidores em utilizá-la.

Endereços ativos por rede

Fonte: Artemis

Conforme vimos anteriormente, no comparativo, fica nítido o destaque da Solana, a partir da metade de 2024. Ao mesmo tempo, tivemos o crescimento contínuo da SUI, que, apesar de ser uma rede nova, acabou de superar o número de usuários ativos da BNB.

Por meio da atividade da rede, também podemos estimar as taxas pagas para a rede, valor que entra como receita para o projeto.

Taxas coletadas por cada rede

Fonte: Artemis

Mesmo com um grande número de transações na rede da Solana, ela só superou a rede da Ethereum nas taxas a partir de janeiro deste ano, com o pico da memecoin de Trump. Isso acontece porque a rede da Solana não gera muitas taxas, pois é barata; grande parte delas é subsidiada pela rede para recompensar os validadores (por isso, o staking é melhor do que as outras redes). As transações não são pagas efetivamente pelos seus usuários. 

A dúvida que fica é: será que foi um hype de transações momentâneo ou será que ele volta em breve? Ainda é muito cedo para responder, mas a frustração com as memecoins pode ser bem traumática para o investidor.

Mas, de forma geral, a atividade em todas as redes, segue mínima nos últimos meses e bem distribuída entre os projetos, sem um destaque muito nítido.

Atividade dos desenvolvedores

Um dos grandes diferenciais competitivos é a velocidade de adaptação nesse mercado extremamente dinâmico; para isso, é necessário envolver um grande número de desenvolvedores, permitindo acelerar o processo e não ficar para trás.

Atividade dos desenvolvedores por rede

Fonte: Santment

A rede da Ethereum possui mais de 1800 desenvolvedores atualmente, enquanto a rede da BNB possui cerca de 945 devs. A SOL possui 465 programadores, a ADA conta com 311 e a SUI, cerca de 60.

Conseguir essa mão de obra extremamente qualificada é uma disputa constante do mercado cripto. Os melhores projetos e ideias atraem as mentes mais brilhantes e, assim, conseguem se desenvolver mais rápido ese manter competitivos. Aqu, a Ethereum ganha de lavada.

Comparativo do desempenho

Certamente, os últimos anos foram extremamente desafiadores para as Altcoins, em geral, assim, também é interessante compararmos o desempenho dos ativos do setor. Para isso, separei o intervalo mais recente, desde o início de 2024.

Histórico de preços dos projetos L1

Fonte: TradingView. Adaptação: Finclass

Desde o início de 2024, o ETH caiu 22%. A SOL até que se desempenhou de forma semelhante ao ETH, mas está, neste momento, com uma alta de 34% no período. O BNB segue bastante estável, com uma alta de 125%. 

Já  a SUI foi o destaque, chegando a subir mais de 600% no período, chegando agora em +360%, desde o início de 2024 - perceba que a sua oscilação de preços é extremamente ampla, então, todo cuidado é pouco.

Entusiasta Cripto

Fonte: Finclass data: 23 de abril

Conclusão

Meu objetivo com este relatório, obviamente, não é esgotar essa comparação nos mínimos detalhes. Meu foco foi na usabilidade de cada rede, partindo do princípio de que os fundamentos básicos - como time de fundadores e parceiros - já atendem a critérios de qualidade aceitáveis, e que o diferencial está  no número crescente de usuários e na atividade da rede de cada projeto. 

Até boa parte de 2024, a Ethereum era a líder isolada do setor, mas a Solana se aproximou e até a superou em alguns quesitos; mas, agora, já apresenta sinais de fraqueza. 

A SUI surge como uma desafiante em potencial, porém não para este ciclo. Quem sabe para a próxima temporada de alta, ela deve ser uma das principais desafiantes da Ethereum e da Solana.

É claro que a Ethereum precisa correr com o desenvolvimento das suas segundas camadas, e a Base vem como uma grande promessa para seu ecossistema. Recentemente, Buterin, fundador da Ethereum, também fez uma proposta para mudança do seu código de programação; mas, por enquanto, isso ainda não passa de uma especulação.

A flexibilidade e a adaptação de blockchains modulares me parecem mais promissoras para o longo prazo; porém, certamente, a popularidade das monolíticas pode favorecer o crescimento dos projetos no curto prazo.

Na minha visão, atualmente, a Solana está mais focada no público do varejo e em investidores pequenos, em busca de especulação e alto risco. Enquanto isso, na Ethereum estão os investidores institucionais, com estratégias mais conservadoras. Perfis completamente opostos.

Forte abraço,

Thales

Sobre os analistas

Thales Inada

Especialista em Criptoativos

Especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Finclass. Engenheiro, com MBA em investimentos e Asset Allocation. Iniciou no mercado de criptoativos em 2017, com passagem por importantes exchanges como Binance (a maior do mundo), Mercado Bitcoin (a maior da América Latina) e XDEX, a antiga exchange da XP Inc. Agora, deixou as instituições para ficar do lado de investidoras e investidores, com missão de democratizar o universo dos criptoativos e investimentos alternativos por meio de uma linguagem simples e direta, a fim de tornar esse mercado visionário acessível a todas as pessoas.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.