Relatórios

Compreendendo os nossos fundos de renda fixa dinâmica

Escrito por Rodrigo Xavier em FUNDOS

22 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • As características da renda fixa dinâmica e como a utilizamos em nossas carteiras de fundos;

  • Como funcionam as gestoras e estratégias dos fundos que integram a nossa lista de aprovados;

  • Uma representação quantitativa atualizada dos nossos fundos.

Fala, pessoal!

Em continuidade à nossa série de atualizações dos relatórios de mapeamento dos fundos recomendados, seguimos agora com os da renda fixa dinâmica.

Vamos abordar detalhes das estratégias e gestoras, além de explicar as nuances qualitativas e quantitativas tanto dos fundos passivos atrelados ao IMA-B quanto dos fundos de infraestrutura listados em bolsa.

Boa leitura!

Entendendo a renda fixa dinâmica

A renda fixa é uma classe muito mais ampla e diversa do que parece à primeira vista. Para organizar melhor as recomendações e facilitar o entendimento dos riscos envolvidos, a dividimos em duas “subclasses” distintas: renda fixa pós-fixada e renda fixa dinâmica.

Essa separação serve para acomodar as diferenças reais de comportamento, risco e função dentro de uma carteira.

 

Características da renda fixa dinâmica (a renda fixa mais volátil)

Diferente da renda fixa pós-fixada, que é mais comportada e menos volátil, acompanhando a flutuação suave do CDI com o risco do crédito embutido (possível calote do emissor da dívida), a renda fixa dinâmica concentra estratégias com sensibilidade muito maior ao risco de mercado, que se manifesta em maiores variações diárias de preço dos ativos conforme as expectativas de inflação e juros se movem.

Isso significa que, apesar de carregar o nome de renda fixa, esses ativos podem oscilar bastante no dia a dia, especialmente os de prazo de vencimento mais longos, chegando a apresentar volatilidade comparável à da renda variável em determinados cenários.

É justamente por esse comportamento mais “oscilante” que a separamos da renda fixa pós-fixada, para que o investidor compreenda claramente o que está carregando na carteira e não seja surpreendido.

Na renda fixa dinâmica podem entrar os títulos atrelados à inflação, que são os famosos IPCA+, os quais cumprem um papel estratégico de preservação do poder de compra no longo prazo, e os prefixados, que permitem travar uma taxa de juros hoje, capturando retornos atrativos no futuro.

Por carregar mais risco do que a renda fixa pós-fixada, aqui se exige um horizonte de investimento mais longo. Recomendamos pelo menos três anos para analisar de maneira coesa esse tipo de investimento. Isso não significa que o dinheiro fica preso ou sem liquidez, mas que o investidor precisa ter ciência de que resgatar antes pode trazer resultados indesejados por questões de momento de mercado.

Observação importante: fundos da renda fixa dinâmica também podem incorrer em maiores riscos de crédito, pois nem tudo que recomendamos são títulos públicos federais, que são os que detêm menor risco nesse sentido.

Dentro desse contexto, atualmente abrimos a possibilidade de alocar em fundos de infraestrutura listados em bolsa, que apesar de embutir risco de dívidas corporativas apresentam vantagens tributárias interessantes, como a isenção tanto sobre o ganho de capital quanto sobre os dividendos distribuídos para pessoas físicas.

 

As diferenças entre a implementação por ativos ou fundos na Finclass

A diferença central é a seguinte: se você tem um perfil que prefere mais comodidade, movimentando menos a carteira, a implementação via fundos pode ser um bom caminho. Agora, se você gosta de acompanhar mais de perto, ler os relatórios que embasam as tomadas de decisão e participar ativamente da gestão da carteira ao longo do tempo, a carteira por ativos pode ser uma boa pedida.

Apesar de esperarmos um retorno similar para ambas as formas de implementação, é importante conhecer as nuances e diferenças de comportamento entre uma carteira que prioriza ativos comprados diretamente e outra que conta com a ajuda dos fundos de investimento.

A implementação via ativos é conduzida pelo nosso analista de renda fixa, Eduardo Peres, que seleciona ETFs, títulos públicos, FI-Infras e possivelmente outros para compor uma carteira capaz de performar melhor que o IMA-B, que é o benchmark oficial da classe para nós.

A carteira executada por ativos possui maior flexibilidade, permitindo que o Eduardo reaja com mais agilidade às mudanças no cenário macroeconômico.

Quando seguimos a implementação via fundos, optamos por algo mais estável e pré-definido, utilizando atualmente apenas fundos passivos atrelados ao IMA-B e fundos de infraestrutura listados em bolsa, todos submetidos ao nosso rigoroso processo de diligência (saiba mais).

Para essa carteira com menor número de alterações, priorizamos nos expor apenas em indexados à inflação, para não distanciar do benchmark da classe.

 

Sobre o IMA-B, o nosso benchmark oficial

O grupo de renda fixa dinâmica como um todo busca superar o IMA-B, índice calculado pela ANBIMA que representa a média dos títulos públicos federais indexados à inflação emitidos no Brasil. Ele é composto por títulos de diferentes prazos, curtos, médios e longos, funcionando como um retrato amplo do mercado de indexados à inflação no Brasil.

Julgamos o IMA-B como suficiente para ser utilizado como referencial da renda fixa dinâmica em detrimento de outro referencial. Os títulos indexados à inflação (IPCA+), no final das contas, carregam em sua composição um componente prefixado também, que é justamente o juro real embutido no papel.

Quando as expectativas de juros se movem, prefixados e indexados à inflação tendem a andar na mesma direção, pois ambos sofrem marcação a mercado pelo mesmo mecanismo de precificação.

Isso significa que o IMA-B já captura naturalmente boa parte do comportamento que algum índice focado em prefixados teria, por isso o utilizamos mediante o contexto que o IMA-B é amplamente difundido e é o referencial da maior parte dos fundos com estratégias de renda fixa ativa no mercado.

 

O desafio da gestão ativa contra o IMA-B

O debate entre gestão ativa e passiva é interminável e não tem como “cravar” um vencedor absoluto. A depender do mercado analisado, pode ser mais ou menos difícil gerar alfa de forma consistente.

O IMA-B é tido como um dos índices mais consistentes do mercado brasileiro, e por isso encontrar fundos de gestão ativa que o superem com regularidade não é tarefa simples.

Diante disso, você pode estar se perguntando, qual será a alternativa?

Nossa escolha atual reflete uma convicção sobre o momento do mercado: metade da alocação será direcionada a fundos passivos atrelados ao IMA-B, capturando de forma eficiente o retorno da classe com baixo custo, e a outra metade será alocada em fundos de infraestrutura listados em bolsa, que, além de oferecerem exposição a ativos reais de qualidade, contam com vantagens tributárias relevantes para a pessoa física, como isenção de Imposto de Renda tanto nos dividendos distribuídos quanto no ganho de capital.

Por uma questão de disciplina, optamos por não ampliar a relevância dos fundos de infraestrutura na carteira neste momento, mesmo reconhecendo as vantagens tributárias que essa classe oferece. O principal motivo é evitar que uma parcela relevante da alocação fique concentrada em maior risco de crédito, o que poderia comprometer o equilíbrio e o perfil de risco pretendido em nossa proposta base.

Veja como fica a nossa alocação:

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Elaboração: Finclass

 

Dessa forma, na data deste relatório disponibilizamos 6 peças recomendadas para a classe ao todo, as quais explicaremos no transcorrer deste relatório.

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Elaboração: Finclass

Os fundos passivos ao IMA-B recomendados

Na gestão passiva, o principal critério de análise deve ser a aderência do fundo ao desempenho do índice de referência, sem a necessidade de avaliar decisões do gestor, já que o fundo não busca superar o mercado. O objetivo é simplesmente acompanhar o benchmark da forma mais eficiente possível.

Um bom fundo passivo deve replicar fielmente seu índice, de modo que sua performance seja explicada unicamente pelo desempenho do IMA-B. Logo, se o índice sobe, o fundo acompanha; se cai, o mesmo ocorre, sempre na mesma “magnitude”.

Além disso, justamente por não haver necessidade de tomar decisões táticas, a taxa desse tipo de produto deve ser baixa em relação a um fundo de gestão ativa. Para nós, não deveria superar 0,5% e, quanto menor a taxa, melhor para o investidor.

 

Sobre os fundos passivos recomendados

>>> IMAB11

O IMAB11 é um ETF listado na B3 que busca refletir o desempenho de títulos públicos federais indexados à inflação, por meio da replicação do índice IMA-B, calculado pela Anbima.

O fundo foi criado em 2019 pela Itaú Asset Management em parceria com o Tesouro Nacional e o Banco Mundial, como parte de um esforço para democratizar o acesso a títulos públicos de longo prazo.

Para encontrá-lo, o investidor acessa o home broker de sua corretora ou banco, busca pelo ticker “IMAB11” e compra a quantidade de cotas desejada. Com esse valor, fica exposto a toda a carteira de NTN-Bs do IMA-B

A taxa de administração é de 0,25% ao ano, descontada diretamente do valor da cota.

Por ser negociado na bolsa, a alíquota de IR é de 15% a qualquer tempo, enquanto na renda fixa tradicional essa alíquota só vale para resgates após dois anos.

 

>>> Trend Inflação Geral

O Trend Inflação Geral é um fundo criado em 2019 que busca acompanhar o IMA-B, assim como o IMAB11.

É gerido pela XP Asset e, diferente do IMAB11, que é um ETF negociado em bolsa, o Trend Inflação Geral é um fundo de investimento tradicional, acessado via plataforma da XP.

Por ser um fundo convencional e não um ETF, o investidor aplica e resgata diretamente pela plataforma, sem precisar do home broker, algo que sabemos ser da preferência de muitos dos investidores e investidoras da Finclass.

A tributação segue a tabela regressiva de longo prazo, com alíquota de IR que vai de 22,5% a 15% quando ultrapassa 2 anos investido, incidindo sobre o lucro no momento do resgate. Já a taxa de administração é de 0,30%.

Por ser fundo de renda fixa tradicional, está sujeito ao come-cotas semestral.

 

Quantitativo dos fundos passivos

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Referência de 11/5/26

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Referência de 11/5/26

Perceba que os fundos seguem movimentos bem parecidos e que a diferença acaba se explicando quase que integralmente pelas taxas cobradas nos produtos.

O IMAB11 apresenta retorno um pouquinho superior que o Trend Inflação Geral, mas vale mencionar que no dia a dia, por estar em ambiente de bolsa, costuma variar um pouquinho mais no intraday.

Portanto, dado que a diferença tende a ser bem pequena e tem estas questões pontuais pelo ponto de vista operacional, consideramos as duas alternativas válidas para a exposição passiva ao índice, você poderá escolher entre um ou outro.

Sobre os fundos de infraestrutura listados em bolsa

Os fundos de infra investem em títulos de dívida privada emitidos por empresas que pretendem desenvolver algum projeto de infraestrutura, as famosas debêntures incentivadas.

Apesar de serem fechados estatutariamente, ou seja, só recebem dinheiro novo por meio de oferta pública, estão disponíveis para pessoa física no mercado secundário. Logo, o cotista consegue comprar ou se desfazer a qualquer momento em ambiente de bolsa, utilizando o home broker.

Não é regra, mas geralmente a categoria pretende manter um certo nível de estabilidade na cota e entregar os ganhos na forma de dividendos pagos mensalmente aos seus cotistas.

Uma vantagem que não podemos deixar de mencionar é que, por investirem em títulos privados apoiados pelo governo, são isentos de Impostos de Renda, tanto para o dividendo quanto para o ganho de capital na venda das cotas.

Nós temos preferência pelos fundos fechados por conta da maior previsibilidade que esta dinâmica traz ao gestor. Debêntures de infraestrutura possuem prazos muito longos e, em um fundo aberto, em que há entrada e saída de dinheiro com frequência, o gestor precisa incorrer em riscos de liquidez ou manter um maior nível de caixa nos fundos para evitar problemas com solicitações de resgate por parte de cotistas, o que acaba minguando a rentabilidade potencial.

Nos fundos fechados como os de infra, o gestor tem o conforto de saber que o dinheiro não sairá e assim consegue tomar melhores decisões, manter um nível maior de concentração em algum ativo de maior convicção e um nível menor de caixa, o que tende a resultar em melhores resultados.

 

Cota patrimonial vs cota de mercado (a dinâmica do P/VP)

Por mais que julguemos mais atrativo do ponto de vista de retornos para o investidor, o modelo de fundo listado em bolsa traz consigo algumas complexidades operacionais.

Por ser negociado em bolsa, a única forma de investir é comprando cotas de outros investidores, e isso traz um comportamento diferente entre as cotas de mercado e as cotas patrimoniais de referência do fundo.

A cota patrimonial é a que reflete o valor dos ativos em carteira, servindo como  uma referência de preço para podermos comparar com o preço que o mercado está negociando o ativo.

A cota de mercado é o preço pelo qual o fundo é efetivamente negociado no home broker da corretora. Por estar sujeita às pressões de oferta e demanda de quem negocia a mercado, ela pode se distanciar do valor real dos ativos que compõem o fundo, a chamada cota patrimonial. Quando isso acontece, é possível comprar o fundo por um preço abaixo do seu valor patrimonial, o que chamamos de deságio, ou pagar mais caro do que ele realmente vale, o que chamamos de ágio.

Isso exige dos investidores um cuidado maior na hora de comprar e vender os ativos, fazendo uma conta simples. O procedimento de verificação é o chamado P/VP, em que dividimos o preço da cota de mercado (P) pela cota patrimonial (VP, de valor patrimonial).

Se o resultado do P/VP for maior que 1 existem indícios que o preço do home broker pode estar caro, se for abaixo de 1 pode estar barato, mas vale mencionar que precisamos entender o contexto do ativo, como o fato de entender qual a composição do seu portfólio e embutir suas vantagens tributárias na conta.

Quando falamos do KDIF11, IFRA11 e CPTI11, que têm como objetivo superar o IMA-B, consideramos atrativa a compra quando o P/VP estiver até 1,05.

Já se falamos do JURO11, que busca superar o IMA-B 5, índice que também acompanha títulos públicos atrelados à inflação, mas com prazos mais curtos, de até 5 anos. Por ter menor volatilidade, o P/VP considerado ideal para compra é um pouco mais baixo, até 1,03.

As informações da cota patrimonial, cota de mercado, relatórios gerenciais, entre outras informações muito úteis dos fundos vocês podem encontrar facilmente no site dos fundos na internet.

CPTI11 (link)

IFRA11 (link)

KDIF11 (link)

JURO11 (link)

 

Como decidir se devo subscrever a uma emissão dos fundos

Como já discutimos, nossos FI-Infras são fechados e só podem receber novos recursos em emissões, que acontecerão com frequência ao longo do tempo.

As emissões, por conterem custos, costumam ser negociadas a um valor acima da cota patrimonial. Portanto, é de se imaginar que uma emissão tenha maior atratividade para os investidores em um momento em que a cota de mercado esteja bastante elevada.

Por exemplo, em um momento em que a cota patrimonial esteja R$ 100 e a cota de mercado a R$ 110, você teria um P/VP acima do estipulado por nós e, portanto, não deveria comprar as cotas em Bolsa. Se neste momento estiver ocorrendo uma emissão, por exemplo, R$ 103, você teria vantagem em participar da emissão por poder comprar cotas mais baratas do que pagaria comprando a mercado.

O conceito é tão simples quanto esse: participar da emissão quando temos desconto em relação ao valor de tela e com a emissão apresentando um patamar saudável de P/VP. No exemplo anterior, se a emissão estivesse sendo oferecida a R$ 108, ela ainda estaria mais barata que a cota de mercado, mas muito acima do valor justo sugerido pela cota patrimonial (com 1,08 de P/VP).

Ainda sobre emissões, cuidado com o ímpeto de comprar apenas por perceber um desconto. Se você já tem o percentual correto dos fundos em sua carteira, mesmo que uma emissão seja feita com patamares saudáveis, você não precisa participar da emissão, pois isso desenquadraria a sua carteira.

 

Os fundos listados tendem a ser mais voláteis que os abertos

O preço pelo qual você compra ou vende um fundo listado não é determinado apenas pelo valor dos ativos que compõem a carteira, mas também pelo equilíbrio entre compradores e vendedores em cada momento. Quando há mais gente querendo vender do que comprar, o preço cai abaixo do valor patrimonial real do fundo, e o contrário também acontece.

Essa dinâmica de oferta e demanda introduz uma camada adicional de volatilidade que não existe em fundos de renda fixa tradicionais.

Em períodos de maior aversão a risco ou de resgates generalizados, os investidores tendem a vender esses produtos no mercado, pressionando as cotas para baixo independentemente do que está acontecendo com os ativos dentro da carteira.

Por isso, é comum ver oscilações nas cotas que não refletem necessariamente uma piora no crédito ou nos fundamentos dos emissores, mas sim um movimento técnico do mercado secundário.

Os dados que mostraremos a seguir refletem as cotas negociadas efetivamente no mercado, que traduzem o sentimento real do cotista de um fundo de infraestrutura listado.

Capitânia Infra (CPTI11)

Breve histórico da Capitânia

A Capitânia Investimentos é uma gestora independente fundada em 2003 por executivos oriundos da área de tesouraria do Bank of America, com foco em crédito privado e imobiliário, segmentos nos quais é reconhecida como uma das pioneiras do mercado brasileiro.

Em 2021, a XP Inc. adquiriu 20% da gestora, fortalecendo sua estrutura e ampliando sua base de investidores. Hoje, a casa gere pouco mais de R$ 20 bilhões com uma equipe de 42 profissionais e um processo de investimento bem estruturado, que passa por research, estruturação, aprovação em comitê, compliance e monitoramento contínuo dos ativos.

Atualmente, Ricardo Quintero é o CEO da gestora, Christopher Smith lidera a área de crédito privado e Caio Conca, a gestão imobiliária. Além deles, destacamos Monik Dourado e Rogério Lino, que têm atuação bastante relevante no braço de infraestrutura (CPTI11).

 

Estratégia

O CPTI11 é o único fundo de infraestrutura listado em bolsa da Capitânia, com patrimônio líquido de aproximadamente R$ 1,3 bilhão na data deste relatório e a primeira emissão ocorreu em abril de 2021.

Sua carteira está sempre altamente diversificada, nenhuma posição individual pode passar de 1,5%, com alocações distribuídas por setores que vão desde os tradicionais de infraestrutura até segmentos menos convencionais como parques, escolas e hospitais.

Do ponto de vista de gestão, o fundo tem como referencial o IMA-B, investe exclusivamente em ativos indexados ao IPCA e divide sua carteira em dois books: um de carrego, para posições de longo prazo, e um de giro, que é o maior foco da equipe e permite capturar oportunidades com mais agilidade.

Cerca de 20% da carteira conta com rating interno da gestora, o que abre espaço para acessar emissores sem rating externo com prêmios mais atrativos. A previsibilidade na distribuição de dividendos é tratada como prioridade, pois ajuda a reduzir a volatilidade das cotas no mercado secundário, algo especialmente relevante para um produto amplamente acessado por pessoas físicas.

O time de gestão é enxuto e experiente, pois a Capitânia enxerga que operar dessa forma faz mais sentido para o propósito do produto. São quatro pessoas dedicadas, com dois profissionais focados em cada setor da carteira. Rogério Lino e Monik Dourado lideram a gestão do dia a dia há cinco anos juntos.

 

Quantitativo do fundo

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | * De 3/5/21 até 11/5/26

Apesar do fundo ter ficado abaixo do referencial em cerca de 18% das janelas de três anos analisadas, quando ele supera o IMA-B costuma fazê-lo por uma margem expressiva, o que fica evidente no resultado acumulado, que supera o índice com bastante folga.

Itaú Infra (IFRA11)

Breve histórico do Itaú

A Itaú Asset Management é a gestora de fundos de investimento do Itaú Unibanco, além disso, também é a maior gestora privada do Brasil, com mais de 60 anos, R$ 1,2 trilhões sob gestão e atuação em diversos escritórios no Brasil e no mundo.

A casa tem uma vasta prateleira de possibilidades, com investimentos em diversas classes e estruturas de investimento.

No braço de infraestrutura, especificamente, a gestora tem 7 produtos listados, incluindo o IFRI11, que é uma versão muito parecida com o IFRA11, porém atrelada ao CDI ao invés de IPCA+.

Em suma, trata-se de uma estrutura extremamente sólida e capaz de atrair excelentes profissionais.

 

A estratégia

O fundo gerido pela Itaú Asset iniciou atividades em janeiro de 2020, sendo um dos mais longevos do setor, e é tocado pelo experiente time capitaneado por Ricardo Martins.

Seu benchmark oficial é o IMA-B e a estratégia consiste em identificar boas debêntures de infraestrutura em patamares atrativos de compra, carregando as posições e vendendo em momentos oportunos para realizar os ganhos.

O IFRA11 possui uma grande exposição a uma estratégia de giro, com boa parte dos ganhos vindo justamente do giro da carteira de debêntures. Existe, portanto, certa similaridade de estilo com o CPTI11.

A gestora também atua na originação de emissões com empresas que estão fora do radar do mercado, a fim de buscar retornos melhores. Nesses casos, o fundo costuma ficar com toda a operação, mas tem a vantagem de negociar diretamente os termos, assim como o pacote de garantias. E, por serem emissões menores e com menos liquidez, tendem a ser levadas até o vencimento.

A casa gosta bastante de atuar em setores mais resilientes, como saneamento, rodovias e transmissão, mas mantém uma alocação setorial bastante ampla e diversificada, e isso nos agrada bastante.

O objetivo de rentabilidade de longo prazo vai de 0,5% a 1% ao ano acima dos títulos públicos federais atrelados à inflação com duration equivalente, meta que vem sendo atingida dentro de um produto já totalmente isento de IR.

 

Quantitativo do fundo

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

* Início das negociações com ticker IFRA11 em 7/7/20 – até 11/5

Apesar de enfrentar um momento de curto prazo mais desafiador, o fundo demonstra grande consistência em janelas móveis de três anos, tendo superado o IMA-B na grande maioria das vezes nesse horizonte temporal.

Kinea Infra (KDIF11)

Breve histórico da Kinea

A Kinea Investimentos foi fundada em 2007 por um grupo de ex-executivos do BankBoston, com Marcio Verri à frente, em parceria com o Banco Itaú. Com mais de R$ 150 bilhões em ativos sob gestão e mais de 200 profissionais de investimento, a Kinea se consolidou como uma das maiores gestoras independentes de ativos alternativos do Brasil.

A casa atua em múltiplas verticais, incluindo multimercados, renda fixa, ações, fundos imobiliários, infraestrutura, agro, crédito privado e private equity, o que a torna uma plataforma verdadeiramente diversificada.

A gestora é liderada por um time de veteranos do mercado financeiro com profunda experiência e longo histórico no mercado brasileiro, tomando suas decisões de investimento com base em análises rigorosas e processos robustos de gestão de risco. Essa combinação de independência na gestão com o suporte institucional do Itaú é um dos principais diferenciais competitivos da casa.

 

A estratégia

O fundo nasceu em 2017, antes mesmo do instrumento FI-Infra ser devidamente consolidado como hoje. O fundo nasceu como um FIDC adaptado ao propósito de infraestrutura e posteriormente se tornou um FI-Infra e passou a estar disponível para investidores em geral, assim como a distribuir um percentual maior do resultado através de proventos.

Atualmente, o fundo possui um patrimônio líquido de quase R$ 2,9 bilhões. O Kinea Infra investe em debêntures de infraestrutura que, em sua maioria, são indexadas à inflação que possuem prêmios interessantes em relação a títulos públicos de vencimentos similares.

Uma característica importante sobre o KDIF11 e que o gestor Aymar sempre faz questão de destacar é a capacidade e tamanho da Kinea em estruturar negociações privadas.

A Kinea consegue estruturar as emissões diretamente com as empresas que necessitam do recurso e, por ter tamanho, muitas vezes fica com a emissão inteira, não havendo mais nenhum participante do mercado com exposição àquele papel.

Com isso, o time consegue carregar esses papéis com prêmios mais elevados até o vencimento, dependendo menos de giros táticos na carteira para gerar ganhos. Essa é inclusive uma característica que diferencia a estratégia da Kinea das demais que recomendamos aqui na Finclass, as quais têm um perfil mais voltado ao giro do portfólio em busca de oportunidades pontuais.

Além disso, pela grande capacidade de análise de crédito, muitas dessas negociações privadas são feitas sem rating de uma agência de crédito. Por um lado, ter o selo de uma agência de crédito traz algum conforto para o ativo ser negociado com mais facilidade, mas como o time faz a própria análise de crédito e muitas vezes fica com a emissão completa, pagar por um selo de rating muitas vezes só tiraria retorno potencial dos ativos investidos.

 

Quantitativo do fundo

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

* Início das negociações com ticker KDIF11 em 7/7/20 – até 11/5

Assim como o IFRA11, deixa um pouco a desejar na janela de curto prazo, mas se mostra consistente ao longo do tempo.

 

Sparta Infra (JURO11)

Breve histórico da Sparta

Nascida em 1993 como um clube de investimentos, a Sparta é uma das poucas casas do mercado local que pode afirmar com propriedade que sobreviveu e evoluiu ao longo de três décadas.

O projeto foi se transformando ao longo do tempo, passando de clube de investimentos para gestora de multimercado e, com o passar dos anos, se especializando no universo da renda fixa, em especial no crédito privado, área na qual se tornou uma referência no mercado brasileiro.

Em 2007, a gestora iniciou um processo de reinvenção com a chegada de Ulisses Nehmi, filho do fundador Victor Nehmi, e atual CEO da empresa. Sua entrada, junto com outros profissionais na época, marcou o começo de uma renovação profunda no modelo de negócios.

O time de gestão é composto por profissionais altamente analíticos, muitos deles formados em instituições de excelência como o ITA, o que agrega uma camada adicional de rigor e capacidade técnica ao processo de análise.

Atualmente, a Sparta já tem 32 anos completos de existência, R$ 23 bilhões sob gestão, 15 anos de atuação destacada em crédito privado e três fundos listados ligados ao setor de infraestrutura, consolidando sua posição como uma das gestoras mais experientes e especializadas nessa classe no Brasil.

 

A estratégia

Iniciado em 2021, o fundo se diferencia dos demais recomendados por ter como benchmark o IMA-B 5, ou seja, persegue o retorno dos títulos indexados à inflação com vencimento de até cinco anos, trazendo um perfil de risco mais defensivo para a nossa lista de aprovados.

Além disso, o fundo tem um mandato tático relevante: pode se defender trocando o indexador dos papéis para o CDI em momentos adversos, ou alongar a duration para se aproveitar de cenários mais favoráveis.

O estilo de gestão é bastante ativo, com giro elevado de carteira, comprando debêntures, aguardando o fechamento do spread e realizando os ganhos no mercado secundário, o que o aproxima do IFRA11 e do CPTI11 em estilo e o diferencia um pouco do KDIF11, que costuma carregar as posições até o vencimento.

Sua rentabilidade alvo é o IMA-B 5 +2%, e o fundo busca alcançar esse resultado mantendo alta diversificação setorial do portfólio, assim como os demais recomendados. Nos últimos tempos, os projetos de geração de energia vêm ganhando destaque crescente na carteira de investimentos.

 

Quantitativo do fundo

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | * De 22/12/21 até 11/5/26

O retorno no curto prazo está abaixo do histórico do fundo, mas a consistência segue intacta. Em janelas de três anos, o fundo nunca perdeu para o IMA-B 5, seu referencial.

 

Fundos de previdência

A tarefa de encontrar fundos fora da previdência que consistentemente alcancem resultados superiores ao IMA-B é desafiadora. E isso não é diferente quando se trata de previdências com esse mesmo objetivo.

No universo previdenciário, o desafio é ainda maior, já que além da menor oferta de produtos, muitos fundos ativos acabam apresentando taxas mais elevadas sem entregar ganho de performance consistente no longo prazo.

Portanto, assim como tomamos a decisão de escolher opções passivas fora da previdência, também aderimos à mesma linha de pensamento ao escolher opções passivas para os fundos de previdência da caixinha de renda fixa dinâmica.

 

Antes de aprofundar, vamos entender a família IMA da ANBIMA

O grupo de renda fixa dinâmica como um todo busca superar o IMA-B, que representa a média dos Títulos Públicos Federais atrelados à inflação. Mas, também existem índices derivados do IMA-B, como o IMA-B 5 e o IMA-B 5+.

IMA é o acrônimo para Índices de Mercado da Anbima, uma grande referência para investimentos de renda fixa. O IMA, ou IMA-Geral, é formado por uma carteira de títulos públicos que se assemelha ao perfil da dívida pública interna brasileira.

A partir dele, podemos separar ativos em categorias semelhantes e chegamos a inúmeros subíndices, como os de inflação (IMA-B), prefixados (IRF-M), por exemplo.

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Fonte: ANBIMA

Nosso interesse na caixinha de renda fixa dinâmica através de fundos se concentra principalmente no IMA-B e seus subíndices IMA-B 5 e IMA-B 5+.

Em um país com inflação e juros elevados, esta categoria foi capaz de entregar excelentes retornos históricos acima da inflação e, também, do CDI, que é considerado o nosso custo de oportunidade.

O IMA-B, já sabemos que representa uma média ampla do mercado de títulos indexados à inflação, por isso o chamamos carinhosamente de “Inflação Intermediária”, pois ele retrata o comportamento médio da classe.

O Índice IMA-B 5 tem o intuito de acompanhar o rendimento dos títulos do Tesouro IPCA+ (NTN-B), selecionando apenas ativos com vencimento em no máximo até cinco anos, sendo classificados como “Inflação Curta”, sendo o menos volátil entre os três índices da família. Como o tempo é um fator de incerteza, títulos mais curtos costumam ter menos volatilidade, oferecendo uma experiência mais suave ao cotista.

O Índice IMA-B 5+ é composto por títulos indexados à inflação com vencimento igual ou superior a cinco anos. Entre os índices da família IMA-B, o IMA-B 5+ é o que apresenta a maior volatilidade, sendo também conhecido como "Inflação Longa". Se analisarmos os três índices lado a lado, poderemos observar uma progressão clara de risco e retorno entre eles.

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | De 17/9/03 até 13/5/26

 

Quando falamos de previdência, o horizonte de investimento deve ser longo mesmo, e por isso consideramos no gráfico o resultado desde o surgimento dos IMAs em 2003, totalizando quase 23 anos de histórico.

Percebemos que, quanto maior for o vencimento dos títulos do Tesouro, maiores tendem a ser os retornos, porém com níveis de risco também mais elevados.

Em horizontes menores de tempo, é mais comum ver essa lógica sendo quebrada. Em janelas de curto prazo, por exemplo, o CDI pode apresentar retornos superiores com volatilidade mais controlada, mas por trás dos números há contextos que explicam esse comportamento.

 

Nossos fundos previdenciários passivos

Existem dois pontos que valem ser mencionados antes de indicarmos os fundos recomendados:

1) Por falta de opções ativas que julguemos consistentes fora da previdência, optamos por recomendar apenas fundos passivos da família IMA-B;

2) Para atender diversos perfis de risco no âmbito previdenciário, consideramos opções passivas ao IMA-B 5 e IMA-B 5+ também, pois levamos em conta que para a finalidade previdenciária o grau de oscilação de uma carteira pode tirar a estabilidade emocional do investidor, algo que julgamos superimportante de controlar.

Dito isso, vamos às nossas opções passivas.

 

>>> Trend Inflação Curta Prev

O fundo nasceu em 2018, administrado pela XP Seguros e Previdência. A estratégia busca acompanhar o IMA-B 5.

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 Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Referência de 11/5/26

 

>>> BTG Pactual Prev IMA-B

O fundo previdenciário do BTG nasceu em 2017 e busca perseguir o IMA-B.

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Referência de 11/5/26

 

>>> BTG Pactual Tesouro IPCA Longo

O fundo nasceu em 2017, possui características semelhantes ao BTG Pactual Prev IMA-B, no entanto, possui uma maior volatilidade, pois ele tem o intuito de acompanhar o IMA-B 5+.

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Referência de 11/5/26

 

Ficamos por aqui

Esta série de relatórios tem um propósito claro: aproximar você das estratégias que compõem nossa lista de aprovados. Queremos que, ao final de cada leitura, você tenha uma visão sólida sobre como cada classe se comporta e por que escolhemos os fundos que recomendamos.

Vale reforçar que esses materiais funcionam como um guia introdutório e não substituem os relatórios de recomendação e atualização de cada estratégia, onde as análises qualitativas e quantitativas são tratadas com mais profundidade.

Caso tenha alguma dúvida, sinta-se à vontade para compartilhá-la em nossa comunidade ou nas lives semanais. Estamos por aqui.

Um grande abraço e bons investimentos!

Rodrigo Xavier

 

Sobre os analistas

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.