Relatórios

Compreendendo os nossos fundos de renda fixa pós-fixados

Escrito por Rodrigo Xavier em FUNDOS

20 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • A função da renda fixa pós-fixada em uma carteira de investimentos e como lidamos com ela nas carteiras da Finclass;  

  • Uma explicação sobre os principais estilos de gestão da categoria, o que facilita o entendimento do que cada fundo recomendado faz; 

  • A origem das gestoras recomendadas e as características principais dos fundos que integram a nossa lista de aprovados;  

  • Uma representação quantitativa desses fundos.

Fala, pessoal!

Lá no passado, os investidores e investidoras da Finclass nos pediram ajuda para entender melhor o histórico e estilo de gestão dos fundos que recomendamos.

A partir disso, elaboramos uma série de relatórios para ajudar na compreensão de cada um deles.

Além disso, também aproveitamos para atualizar os números de performance e risco dos fundos.

Ocorre que nossa última atualização foi em 2024 e, desde então, algumas coisas mudaram: tivemos adição e retirada de fundos da carteira, além de novos dados e informações para compartilhar.

Por isso, o texto de hoje marca a retomada dessa série de relatórios, que serão publicados gradualmente ao longo de 2026. Começamos pela classe mais conservadora: a renda fixa pós-fixada.

Vamos lá? 

As características da categoria

O foco do nosso relatório é tratar dos fundos recomendados, porém, optamos por criar este tópico para que entendam a finalidade da classe na construção de um portfólio e algumas nuances relacionadas à forma como a categoria é tratada na execução da nossa carteira de ativos e fundos.

 

Qual o objetivo da renda fixa pós-fixada

Aqui o objetivo não é buscar retornos extraordinários. O papel da subcategoria é ser uma “base defensiva” da carteira, preservando capital e reduzindo a volatilidade do portfólio.

E o interessante é que, no Brasil, essa postura “conservadora” não significa abrir mão de rentabilidade. Em um país com juros estruturalmente elevados, é possível obter retornos competitivos mesmo com baixo risco, já que a remuneração acompanha a taxa básica da economia, o CDI, principal benchmark da categoria.

Por aqui, quanto maior a Selic, maior tende a ser o retorno esperado dessa parte da carteira. O ponto de atenção fica no controle do risco de crédito, que é a capacidade dos emissores de dívida honrarem seus compromissos e devolverem o dinheiro aos investidores no mercado de dívida.

A renda fixa pós tem peso de 15% na alocação estrutural das carteiras de valorização da Finclass.

 

Implementação por ativos ou por fundos?

> Via ativos

No momento priorizamos ativos muito seguros e com alta liquidez, ou seja, que você consegue resgatar seus investimentos rapidamente e sem maiores problemas com a rentabilidade auferida.

Optamos por essa abordagem para melhor lidar com momentos de estresse no mercado, que é quando a maioria dos ativos da nossa carteira está sofrendo.

Com isso, podemos ter um “caixa” para rebalancear nossa carteira com facilidade em momentos mais complexos, e possivelmente aproveitar oportunidades.

 > Via fundos

Na implementação por fundos, a abordagem é diferente. Não colocamos a alta liquidez como algo primordial para escolher o fundo. Para buscar retorno um pouco maior, topamos fundos com prazos de resgate um pouco maiores.

No contexto dos fundos a liquidez alta pode prejudicar a gestão em momentos de resgates na indústria, forçando os gestores a vender ativos com desconto para pagá-los. Por isso, é importante selecionar veículos com estrutura de prazos de resgate compatível com a estratégia.

Como essa implementação abre mão da função de “colchão imediato”, ela precisa compensar em retorno. Bons fundos de crédito podem entregar de 5% a 10% do CDI a mais do que os ativos diretos de alta liquidez no patamar de juros atual. 

O estilo de gestão dos nossos recomendados 

- Renda fixa local high grade

Os fundos de renda fixa local com característica high grade alocam em ativos de crédito privado com boa qualidade creditícia, geralmente emitidos por empresas com sólida capacidade de pagamento e baixo risco de inadimplência.

São papéis como debêntures, CRIs e CRAs, frequentemente com boas notas de crédito atribuídas pelas agências de classificação de risco.

Por assumirem menos risco de crédito, tendem a entregar spreads mais modestos sobre o CDI, mas compensam com maior previsibilidade e menor volatilidade na carteira.

 

- Renda fixa local high yield

Os fundos high yield percorrem outro espectro de crédito: alocam em ativos de empresas com maior risco de inadimplência, em troca de prêmios maiores. Aqui entram companhias de médio porte, setores com maior ciclicidade ou emissores com histórico de crédito menos consolidado.

Normalmente estes fundos já começam a se utilizar mais de direitos creditórios  em busca de maiores retornos

Aqui o potencial de retorno é maior, mas o risco também.

 

- Renda fixa com viés no exterior

Esses fundos combinam a estrutura de renda fixa local com exposição a ativos internacionais, seja por meio de títulos soberanos ou corporativos estrangeiros. O objetivo é obter um leque maior de oportunidades em outros mercados por meio da habilidade de análise do time de gestão.

Ainda que os fundos que recomendamos façam o hedge cambial, ou seja, não se exponham à variação do câmbio, o ponto de atenção está na volatilidade deste tipo de fundo, que costuma ser mais acentuada no dia a dia, o que por vezes causa algum incomodo em investidores mais conservadores.

 

- FoF de FIDC

Os FIDCs operam de forma distinta dos fundos de crédito tradicional. Em vez de investir em debêntures, por exemplo, eles compram o direito de receber pagamentos futuros de empresas ou pessoas físicas que precisam antecipar capital.

Na prática, uma empresa pode vender ao FIDC o direito de receber R$ 100 milhões por apenas R$ 80 milhões, garantindo liquidez imediata enquanto o fundo embolsa a diferença como retorno “se a operação der certo”.

Para que esse retorno se confirme, é preciso que o devedor original honre o pagamento, o que torna o risco de crédito o elemento central dessa classe. Por lidarem frequentemente com dívidas de pequenas e médias empresas ou pessoa física, os FIDCs costumam ser muito pulverizados justamente para diluir o impacto de eventuais inadimplências.

Avaliar um FIDC diretamente exige uma estrutura que se assemelha à de um banco, o que vai além da competência do nosso time de análise. Por isso, optamos por recomendar FoFs de FIDCs, que são fundos que compram cotas de diversos FIDCs, delegando a análise dos recebíveis a gestores especializados e concentrando nosso trabalho na seleção criteriosa desses profissionais.

Estes FoFs de FIDC tendem a apresentar baixa volatilidade no dia a dia justamente porque os ativos que compõem suas carteiras não passam pelo processo de marcação a mercado, ou seja, as cotas não oscilam conforme as taxas de juros sobem ou caem, como acontece com debêntures e outros títulos convencionais.

Isso pode gerar uma falsa sensação de segurança, pois a ausência de oscilação nas cotas não significa ausência de risco. Na prática, esses fundos estão expostos a riscos de crédito que podem ser iguais ou até superiores aos do crédito tradicional, já que lidam com recebíveis com maior probabilidade de inadimplência.

Agora vamos à explicação de cada um dos fundos recomendados. 

Augme 30, Augme 180 e Augme Prev

Breve histórico da Augme

A Augme é uma gestora fundada em 2018 por Marcelo Urbano, nome bem reconhecido no mercado de crédito privado. Esse peso vem de uma trajetória longa no segmento: são 20 anos dedicados à classe e 30 anos de carreira.

Antes de montar a casa, Urbano passou pela GPS (gestora de fortunas), onde ficou por cerca de sete anos liderando as alocações em crédito privado. Na prática, isso deu a ele uma vivência rara: acompanhar de perto a indústria, comparar gestores, atravessar ciclos difíceis e entender o que funciona, o que costuma dar errado e onde estão as “pegadinhas” de um mercado que é, por natureza, menos líquido e mais técnico como o crédito no Brasil.

Por isso, essa bagagem contou bastante na nossa avaliação qualitativa e foi um dos pontos que sustentaram a aprovação dos produtos da Augme.

A casa tem um foco total em crédito, sobretudo em produtos high yield e estruturados, com muita ênfase na disciplina de análise, sendo que mediante isto consideram três pilares em sua análise, que são performance, controles e transparência.

Para definir a disponibilização dos produtos, seguem a lógica abaixo:

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Fonte: Augme

Nela, o book HTM (Hold to Maturity) é composto por ativos menos líquidos, mas com maior potencial de retorno, e a intenção é carregar a posição até o vencimento. Já o trading book reúne ativos mais líquidos e seguros, com potencial de retorno um pouco menor, gerando alfa por meio de trades pontuais e da utilização eficiente do caixa.

Um ponto recente relevante é que a XP, antiga sócia da Augme, adquiriu a gestora em um movimento que tende a ser positivo para ambos os lados. Para a Augme, a operação abre portas para melhores oportunidades no mercado de crédito. Para a XP, representa uma ampliação relevante de tamanho no setor, dado o expressivo AuM da Augme (cerca de R$ 4 bilhões). Não enxergamos a mudança com maus olhos e detalhamos melhor o tema neste post na comunidade (link).

 

Augme 30

O Augme 30, antigo Augme 45, é um fundo focado em crédito privado destinado a qualquer tipo de investidor, que investe até 20% do seu patrimônio líquido em ativos  ilíquidos e, como o nome sugere, tem prazo de resgate de 30 dias.

O restante da carteira é investido em ativos de baixo risco e melhor liquidez, como debêntures, títulos de emissão de instituições financeiras e títulos públicos.

Seu histórico vem desde 2011, quando ainda era um fundo exclusivo na GPS. Na Augme, a carteira começou em fevereiro de 2019, mas é gerida pelo mesmo time (liderado por Urbano).

 

Augme 180

Já o Augme 180 é um fundo destinado a investidores qualificados, aqueles com mais de R$ 1 milhão em aplicações financeiras. Ele foi criado em dezembro de 2019, mas replica exatamente a estratégia de um outro fundo da casa, batizado de Augme 90, cujo histórico é de 2013, quando era um veículo da GPS sob gestão do próprio Urbano para os clientes acessarem ativos de crédito. O fundo tem um prazo de resgate maior (90 dias).

O book de carrego do Augme 180 não se limita aos 20% do Augme 30, podendo rotacionar mais próximo dos 50%, como indicamos anteriormente. Dada a natureza mais arriscada, o time de gestão costuma ter cerca de 150 ativos em carteira, que é um número um pouco elevado, mas que cria uma segurança extra contra eventos específicos.

Nenhum dos dois fundos da Augme usa alavancagem, ferramenta que permite ter uma exposição financeira maior a um ativo ou mercado do que o patrimônio líquido. Essa é uma estratégia que vem crescendo entre as carteiras do segmento e pode representar um risco, uma vez que o mercado de crédito privado tem muitas ineficiências na precificação dos ativos.

 

Augme Prev

Destinado a investidores qualificados, o fundo tem o book e limites de exposição parecidos com os do Augme 180, mas, devido às restrições regulatórias da previdência, sua potência de retorno está entregando algo entre o Augme 30 e o Augme 180, o que ainda o habilita a ser recomendado por nós.

 

Quantitativo das estratégias

- Augme 30

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- Augme 180

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- Augme Prev

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

JGP Corporate, JGP Select e JGP Prev

Breve histórico da JGP

A JGP foi fundada em 1998 por um grupo de profissionais que trabalhavam juntos desde o início dos anos 90. Uma das figuras mais conhecidas da casa é André Jakurski, sócio-fundador e um dos gestores dos fundos multimercados. Anteriormente, foi sócio-fundador e diretor executivo do Banco Pactual, onde foi o principal responsável pelo sucesso da instituição na administração de fundos de investimento, carteiras de renda variável e do portfólio proprietário.

A gestora é amplamente reconhecida pelas estratégias macro e de ações, mas o crédito também ocupa um papel de destaque, sob a liderança de Alexandre Muller e sua equipe altamente qualificada. Muller ingressou na casa em 2014, após passagens por BTG Pactual e Icatu, e traz consigo uma experiência construída ao longo de diferentes ciclos econômicos.

A combinação dessa vivência com a disciplina na gestão de risco é um dos pilares centrais da estratégia de crédito da JGP.

Dentro dessa frente, a gestora capitaneia iniciativas relevantes para o mercado. Uma delas é a incorporação da análise socioambiental nos investimentos, tornando a JGP uma das grandes promotoras do tema ESG no Brasil. Outra é o desenvolvimento de uma base de dados proprietária para apoiar a tomada de decisão, iniciativa que culminou na criação do IDEX, família de índices de crédito privado amplamente utilizada pelo mercado para comparar a performance do segmento.

O IDEX, por si só, traduz bem uma das características mais marcantes da gestão da JGP no crédito: o compromisso genuíno com o desenvolvimento do mercado de crédito brasileiro.

O leque de produtos no crédito da casa é grande, mostrando a profundidade que uma casa que conta com quase 30 profissionais dedicados apenas a esta vertical, porém, para a nossa base de assinantes, julgamos que faria sentido recomendar apenas dois deles.

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Fonte: JGP

 

JGP Corporate

Destinado ao público geral, o fundo possui prazo de resgate entre 30 e 45 dias a depender de algumas regras de resgate e segue um mandato mais simples, no estilo high grade e com exposição predominantemente local.

Essas características naturalmente resultam em um perfil mais conservador e com comportamento mais previsível dentro da carteira.

O portfólio é diversificado e líquido, composto por títulos de dívida corporativa e financeira de baixo risco de crédito no mercado local, como debêntures, LFs e FIDCs, com restrição a emissores com rating local superior a BBB.

A seleção de ativos segue uma rigorosa filosofia de investimentos baseada em governança diligente, análise dos fundamentos dos emissores e agilidade nos processos decisórios, com foco na geração de alfa no longo prazo, no padrão JGP de qualidade.

 

JGP Select

Também liberado para investidores em geral, o JGP Select amplia o escopo de atuação em relação ao Corporate, podendo alocar até 40% do patrimônio líquido em ativos internacionais. Essa parcela global é composta majoritariamente por bonds e conta com hedge cambial, ou seja, não carrega risco da variação cambial para o fundo.

O fundo possui regras específicas de resgate, com prazo que transita entre 45 e 60 dias dependendo do momento do mês em que o resgate foi solicitado.

A equipe analisa e investe em títulos emitidos por empresas, principalmente sul-americanas, que acessam o mercado de dívida em dólar. Essa diversificação geográfica adiciona potencial de retorno, mas também eleva o nível de oscilação da carteira. Como boa parte desses títulos é prefixada de curto prazo, essa parcela tende a sofrer maior marcação a mercado, o que naturalmente aumenta a volatilidade do fundo em relação ao Corporate.

Vale mencionar que entre os dois fundos que recomendamos existe o Corporate Plus, que estabelece limites de alocação no exterior intermediária entre os dois que recomendamos. Nossa escolha hoje é objetiva: ou mantemos a exposição mais tradicional via Corporate, ou assumimos maior diversificação e risco via Select.

Aqui deixo uma observação: segundo relato de Muller, o time tem muito do seu patrimônio próprio alocado no Select, o que demonstra “skin in the game” e convicção na tese.

 

JGP Crédito Prev

A proposta previdenciária faz um meio de caminho entre o JGP Corporate (0% no exterior) e JGP Select (até 40% no exterior), logo, seu mandato aponta para uma alocação de até 20% no exterior.

No dia a dia performa dentro do esperado para este contexto, entre um e outro.

 

Quantitativo das estratégias

- JGP Corporate

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- JGP Select

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- JGP Prev

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass 

SPX Seahawk, SPX Seahawk Plus e SPX Seahawk Prev

Breve histórico da SPX

Fundada em 2010 por profissionais com extensa experiência em gestão de recursos, a SPX Capital é uma das maiores gestoras independentes do Brasil, com cerca de R$ 60 bilhões em ativos sob gestão e mais de 250 profissionais distribuídos em escritórios em Londres, Nova York, Rio de Janeiro, São Paulo, Cascais, Singapura e Abu Dhabi.

A casa nasceu como gestora de fundos multimercado macro, liderada pelo icônico e super conhecido Rogério Xavier, sócio-fundador, ao lado de Bruno Pandolfi e Daniel Schneider, e foi gradualmente incorporando novas verticais, como ações, crédito, real estate e private equity.

A entrada no crédito aconteceu em 2019, em um contexto bem claro: a gestora enxergou uma janela estrutural de crescimento para essa classe no Brasil, marcada pela menor participação dos bancos públicos, por empresas mais organizadas financeiramente, menos alavancadas, e por um mercado de capitais ganhando protagonismo. Nesse cenário, o crédito como um negócio para a gestora passou a oferecer uma relação risco-retorno com assimetria interessante.

Para estruturar a estratégia, a SPX trouxe Albano Franco para liderar o projeto que deu origem ao Seahawk. Albano tem trajetória extensa no BTG Pactual, onde passou 15 anos, tornando-se sócio em 2012. Ao longo desse período, transitou por diferentes áreas, da análise ao crédito proprietário, até assumir posições de liderança na asset.

Atualmente, a área de crédito da SPX conta com R$ 8,3 bilhões sob gestão e uma equipe de sete profissionais dedicados, que podem se beneficiar de toda a estrutura da casa, absorvendo insights das áreas de macroeconomia, commodities e ações. A presença internacional dos escritórios agrega uma camada adicional de visão global à estratégia, dependendo do contexto e dos temas em análise.

 

SPX Seahawk

O SPX Seahawk é um fundo destinado ao público geral, tem prazo de resgate em 30 dias e sua gestão visa preservação de capital. A estratégia é focada em crédito de alta qualidade (high grade), investindo em títulos de dívida de instituições financeiras e empresas listadas no mercado local.

Na prática, o fundo trabalha com uma régua conservadora de rating: o mínimo é BBB, com predominância em emissores AA ou superior. O universo inclui ativos como debêntures, fundos de recebíveis, notas promissórias, letras financeiras e CDBs.

Para mitigar riscos, o fundo não opera com alavancagem.

 

SPX Seahawk Plus

Antes de começar, eu gostaria de dizer que recentemente o fundo, que se chamava SPX Seahawk Global, trocou de nome para SPX Seahawk Plus, como explicamos neste post na comunidade (link).

O fundo é destinado a investidores qualificados, tem prazo de resgate em 45 dias e sua principal diferença é a possibilidade de investir também em crédito fora do Brasil. A carteira combina as estratégias local e offshore da casa e, mesmo com hedge cambial, a exposição internacional traz características adicionais de risco e volatilidade.

Aqui entra um ponto que realmente diferencia o produto: no offshore, além do long em crédito, o fundo consegue executar operações vendidas via índices fora do Brasil — uma estrutura de “long bias” com ferramentas de hedge e posicionamento que não são comuns em crédito tradicional local.

Na parcela internacional, o risco costuma ser dividido entre crédito de emergentes e desenvolvidos, permitindo acessar tanto emissões de empresas brasileiras lá fora quanto companhias estrangeiras e, eventualmente, títulos soberanos.

Em termos gerais, a exposição internacional é distribuída em algo próximo de 50% crédito América Latina e 50% crédito Estados Unidos

Pela regulamentação, o fundo tem limite de 40% no exterior.

Um ponto importante: pela forma como a estratégia offshore pode ser estruturada, o produto pode chegar a uma exposição maior que o patrimônio (via posições que ampliam a exposição econômica). Para controle de risco, a casa adota limites:

- Exposição líquida: até 150% (comprado menos vendido)

- Exposição bruta: até 200% (comprado mais vendido)

 

Seahawk Previdência

Sobre a versão previdenciária, ela fica no meio do caminho entre o Seahawk e o Seahawk Plus, podendo investir no exterior, mas com uma exposição menor. Na versão previdenciária, a proporção ficaria com 80% de investimento local e 20% offshore, sendo que o percentual de exposição líquida sejam os mesmos 150%.

 

Quantitativo das estratégias

- SPX Seahawk

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- SPX Seahawk Plus

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- SPX Seahawk Prev

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass 

Solis Antares, Solis Antares Pioneiro e Solis Antares Prev

Breve histórico da Solis

A Solis Investimentos foi fundada em 2015 por profissionais que já atuavam juntos com fundos de crédito estruturado no Grupo Petra, casa que assumiu o primeiro mandato para administração de um FIDC em 2005.

Atualmente, a gestora supera R$ 30 bilhões sob gestão e já realizou operações com mais de 100 originadores, consolidando-se como uma das principais referências em crédito estruturado no Brasil.

Um nome se destaca como nosso principal ponto de contato na gestora: Ricardo Binelli, uma das pessoas que mais entendem de FIDCs no Brasil e que nos passa muita segurança sobre a seriedade dos processos da casa. Binelli fundou o Grupo Petra no início dos anos 2000, participando ativamente do desenvolvimento da indústria de FIDCs no país. À Solis, no entanto, ele se juntou apenas em 2019, quando se encerrou seu processo de non compete na casa anterior.

A gestora atua com foco predominante em FIDCs, e tudo o que fazem é sustentado por processos rigorosos e diligentes — como deve ser em um tipo de produto que carrega riscos específicos, muitas vezes ocultos ou que exigem maior profundidade de análise para serem identificados.

Entre os diferenciais da Solis, destacam-se o modelo proprietário de Business Intelligence para análise e monitoramento em tempo real dos ativos que compõem as carteiras, e a participação ativa na estruturação dos fundos de recebíveis. Essa última característica aumenta as chances de originar ativos de qualidade, alinhados aos interesses dos investidores e com elevado grau de proteção e governança.

A seguir, uma figura ilustrativa retirada do site da gestora com uma explicação do fluxo de trabalho.

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Fonte: Solis Investimentos

Mais recentemente, a Solis entrou em um novo ciclo com a entrada do Pátria Investimentos, que assinou a aquisição de 51% da gestora. O objetivo foi conectar a capacidade da Solis de originar, analisar e monitorar crédito estruturado à plataforma de crédito do Pátria na América Latina, com acesso a capital local e global, distribuição mais ampla, tecnologia proprietária e reforço de governança.

A integração não nos causa preocupação, pois recebemos garantias dos principais sócios em relação aos alinhamentos de propósito da gestora — mais informações podem ser encontradas no post que fizemos em nossa comunidade (link).

 

Solis Antares

O Solis Antares é um FoF de FIDCs destinado a investidores qualificados com prazo de resgate em 60 dias.

O fundo prioriza cotas sênior e mezanino, que são mais seguras, operando com uma estrutura de subordinação geralmente na faixa de 35% a 40%, o que ajuda a criar colchão de proteção para os níveis mais altos da estrutura.

A carteira costuma ter cerca de 70 FIDCs, com um limite de 4% por ativo, reforçando a disciplina de diversificação

Grande parte da alocação está em FIDCs multicedentes/multissacados, que já nascem mais dispersos por natureza e, além disso, têm prazo médio curto (em torno de 60 dias). Esse perfil dá ao gestor uma alavanca importante: capacidade de ajustar rapidamente exposição setorial e nível de risco conforme o ciclo muda.

Do lado do passivo, o fundo também roda com uma postura mais conservadora de liquidez, mantendo pelo menos 25% em caixa e complementando com alocações em FIDCs abertos para dar mais fluidez aos resgates.

 

Solis Antares Pioneiro

O Solis Antares Pioneiro é uma espécie de Solis Antares adaptado para investidores em geral com prazo de resgate em 60 dias.

O lançamento do Pioneiro ocorreu em 2024 e foi viabilizado pela nova Instrução CVM 175, que permitiu o acesso de investidores em geral a produtos antes restritos a qualificados, desde que o fundo invista exclusivamente em cotas seniores — as de maior prioridade no recebimento e menor risco na estrutura.

Em conversa recente com a equipe da gestora, validamos os processos e nos sentimos confortáveis com a recomendação. O fundo roda um pouco abaixo do Antares original pelas restrições regulatórias do público geral, mas ainda assim é altamente competitivo e performa no nível dos tops de linha da nossa curadoria de Renda Fixa Pós.

 

Solis Antares Previdência

O Solis Antares Previdência é a versão para previdência e, por regra, opera com um enquadramento regulatório mais restritivo. Na prática, o fundo pode ter até 25% em FIDCs, mantém até 50% em debêntures e papéis high grade, e carrega cerca de 25% em caixa, via títulos públicos e compromissadas, para sustentar liquidez e estabilidade.

Na parcela estruturada, ele segue a mesma linha do Antares “original”, mas com um filtro bem mais conservador: não entra em cotas mezanino, não investe em FIDCs Não Padronizados (NP) e fica apenas em cotas seniores previamente aprovadas.

Já no bloco líquido, seu foco está no crédito mais tradicional, ajudando a suavizar a volatilidade e dar mais previsibilidade ao comportamento do fundo ao longo do tempo.

 

Quantitativo das estratégias

- Solis Antares

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- Solis Antares Pioneiro

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- Solis Antares Prev

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

Valora Guardian

Breve histórico da Valora

A Valora foi fundada em 2002, mas iniciou as atividades de gestão em 2005 como um "family office". Em 2008, nasceu a gestora de recursos de terceiros, a Valora Gestão de Investimentos (VGI) e o trabalho com FIDCs.

Ao longo do tempo foi ampliando o escopo dos negócios e hoje já conta com fortes frentes de atuação em Renda Fixa Crédito Privado, Renda Fixa Estruturados, Imobiliário e Participações.

Atualmente conta com quase R$ 28 bilhões em ativos sob gestão (AUM) de fundos, o que lhe garante posição de destaque na indústria.

Daniel Pegorini, um dos sócios fundadores e também CEO da casa, é o gestor do Valora Guardian desde o início do fundo, em 2010. Com passagens por grandes instituições financeiras, como o Banco Garantia e o Credit Suisse First Boston, na área de estruturação de operações de dívida (DCM, sigla em inglês para debt capital markets), a experiência do gestor qualifica bastante todo o contexto do fundo.

Assim como no caso da Solis, os processos de investimento da Valora são muito bem consolidados, com regras muito claras e bem definidas.

Em FIDCs multicedentes/multissacados, a análise não para na estrutura: ela vai até o lastro. A equipe faz checagens finas de qualidade e comportamento dos recebíveis e já conseguiu identificar tentativas de fraude ao cruzar informações como domicílio de pagamento de boletos e, em casos específicos, até com verificação presencial de empresas.

No fim do dia, é esse padrão de diligência, operacional, jurídico e de acompanhamento contínuo que aumenta o conforto para investir em uma classe que, por definição, é mais complexa e sensível a detalhe.

 

Valora Guardian

O Valora Guardian é um FoF de FIDCs com prazo de resgate de 75 dias, destinado a investidores qualificados.

O fundo busca as melhores oportunidades de investimento entre as mais variadas classes de FIDCs. Antes de qualquer aporte, é realizada uma diligência minuciosa na estrutura do ativo. Após o investimento, cada posição é acompanhada mensalmente por meio de mais de 50 indicadores por FIDC, que cobrem desde métricas de pulverização, recompras e recomposições, fluxo de pagamentos e nível de subordinação, até a transparência sobre os dez maiores cedentes e sacados.

Em termos de estrutura de capital, o fundo investe exclusivamente em cotas sênior e mezanino, nunca se expondo a cotas subordinadas, o que adiciona uma camada extra de proteção à carteira.

Um diferencial relevante da estratégia é que os melhores retornos costumam vir de FIDCs estruturados internamente pela própria gestora. Esses ativos ficam retidos nos fundos da casa em condições mais vantajosas do que as praticadas no mercado, uma vez que as comissões pelo trabalho de estruturação são revertidas em benefício dos próprios fundos — e, portanto, dos investidores.

No caso da Valora, só recomendamos o Guardian, pois a casa não tem propostas para público geral ou previdência que nos deixem confortáveis para uma recomendação neste momento.

 

Quantitativo do Valora Guardian

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass 

Uma visão geral sobre o quantitativo dos recomendados

Os últimos anos foram construtivos para a renda fixa pós-fixada. Os retornos nominais elevados, derivados de uma Selic que chegou a 15% ao ano, combinados com a dificuldade dos ativos de maior risco em entregar rentabilidade equivalente, favoreceram bastante a classe.

No entanto, quando os juros permanecem em patamares tão elevados por um período prolongado, o sistema começa a sentir os efeitos. As empresas passam a ter maior dificuldade para honrar seus compromissos financeiros, e o risco de crédito, que muitas vezes parecia distante, volta a se materializar.

Foi exatamente isso que observamos nos últimos dois a três anos: um aumento relevante no número de eventos de crédito envolvendo empresas que, até então, eram consideradas confiáveis. Esse movimento trouxe volatilidade até para os fundos mais conservadores da classe, algo que o investidor não estava acostumado a ver.

O momento atual pede cautela. Ainda existem boas oportunidades nos fundos de crédito, e eles seguem cumprindo um papel fundamental dentro das carteiras. Mas a seletividade nunca foi tão importante: é preciso ter critério e rigor na escolha dos fundos, avaliando com cuidado a qualidade dos gestores e dos ativos que compõem cada carteira.

Nossa visão segue construtiva em relação aos fundos recomendados, e o processo de diligência da nossa parte permanece firme.

A seguir, apresentamos uma tabela de volatilidade dos fundos nos últimos 12 meses, para que seja possível ter uma visão comparativa entre eles.

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Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass

* FIDC não sofre marcação a mercado, porém seu risco de crédito costuma ser até maior que outros tipos de fundo, portanto, a volatilidade da cota divulgada deve ser observada com este entendimento. 

Retiradas recentes: Plural Crédito Corporativo, Capitânia Premium e Capitânia Radar 90

Recentemente retiramos das nossas recomendações os fundos citados no tópico por questões de potencial de performance futura e alinhamento ao propósito da carteira da Finclass.

Caso queira se aprofundar nos motivos que levaram os fundos a receberem recomendação de resgate, seguem os links dos relatórios de retirada:

Plural Crédito Corporativo

Capitânia Premium e Capitânia Radar 90

Ficamos por aqui

A renda fixa é frequentemente tratada como algo simples, mas a realidade é que existem muitas variáveis a serem consideradas para uma análise minimamente criteriosa.

É justamente por conta dessa “complexidade” que pode fazer sentido investir por meio de fundos, contando com um gestor profissional no comando das decisões.

Esperamos que as contextualizações de hoje deixem você mais bem informado e tranquilo em relação às nossas escolhas para a Finclass.

Como sempre, nosso objetivo é trazer clareza e embasamento para que você possa investir com mais confiança.

Caso tenha alguma dúvida, sinta-se à vontade para compartilhá-la em nossa comunidade ou nas lives semanais. Estamos por aqui.

Um grande abraço e bons investimentos!

Rodrigo Xavier

Sobre os analistas

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.