O que é um fundo long biased e qual papel ele pode cumprir em uma carteira de investimentos;
Compreendendo os nossos fundos long biased
Escrito por Rodrigo Xavier, Matheus Nascimento em FUNDOS
Neste relatório, você encontrará:
Um breve histórico das gestoras e as principais características das estratégias que recomendamos;
Uma visão de performance e risco dos fundos recomendados.
Fala, pessoal!
Dando continuidade à nossa série de relatórios sobre a melhor compreensão dos fundos recomendados, chegou a vez de atualizar sobre os fundos de ações Long Biased.
A ideia continua sendo a mesma, que é olhar para cada gestora, explicar como o time trabalha e, principalmente, o que existe por trás de cada estratégia antes de olhar para os números.
Hoje, nossa seleção reúne cinco fundos: Absolute Pace, Dahlia Total Return, Oceana Long Biased, SPX Falcon e Truxt Long Bias.
Boa leitura!
O que faz de diferente um fundo long biased?
O Long Biased, ou Long Bias como carinhosamente por vezes chamamos, é uma estratégia de ações com viés predominantemente comprado, ou seja, que aposta na alta das ações, mas que possui liberdade para também montar posições vendidas, que ganha com quedas nas ações.
Na prática, isso dá ao gestor mais ferramentas para lidar com diferentes cenários. É justamente essa flexibilidade que faz com que o Long Bias não seja uma estratégia única.
Em alguns casos, o gestor dá mais peso ao cenário macro; em outros, a seleção das empresas é o grande motor da carteira. Também mudam bastante a intensidade das posições vendidas, o uso de derivativos, o grau de concentração e pontualmente operam globalmente para aproveitar oportunidades pontuais.
Por que ter long bias na fatia de ações?
Um fundo long biased padrão tende a subir menos que a Bolsa nos momentos de alta e a cair menos nos momentos de queda. Quando isso acontece ao longo de vários ciclos de mercado, o resultado acumulado pode ser bastante interessante, com menor volatilidade e maior controle das quedas, enquanto o retorno pós diversos ciclo de mercado pode ser melhor que um fundo de ações long only.
Quem prefere uma trajetória “mais tranquila” no universo de ações pode carregar mais long bias!
Nossos estudos indicam que essa fatia pode variar entre 0% e 50% da parcela de ações. Hoje, estamos com 3% na categoria, o que significa 20% do total de ações. A exceção é a carteira de até R$ 50 mil, em que o peso sobe para 33,3% por causa da regra de não concentrar mais de 10% do patrimônio em um único fundo.
O benchmark quase nunca é o Ibovespa
Esse é um ponto que costuma gerar confusão. A maior parte dos long bias não se compara diretamente ao Ibovespa. Os benchmarks oficiais costumam ser de renda fixa, como IPCA mais um prêmio, IPCA mais o yield do IMA-B, ou o próprio IMA-B.
A lógica é buscar um retorno absoluto, ou seja, entregar ganho real ao longo do tempo em vez de simplesmente acompanhar um índice de ações.
Existe também uma questão regulatória. Um fundo de ações que adota um benchmark de renda fixa fica restrito a investidores qualificados. Para não limitar o acesso, algumas gestoras colocam a mesma estratégia na "casca" de um fundo multimercado, que permite usar um benchmark de renda fixa e continuar aberto ao investidor em geral.
É por isso que, às vezes, você encontra o mesmo time e até uma carteira muito parecida em produtos com classificações diferentes.
Na prática, isso muda bastante a forma de olhar os números. Em anos de Bolsa forte, um long bias pode ficar bem atrás do Ibovespa e ainda assim estar entregando um bom resultado em relação ao seu benchmark. Já em anos de juros altos e bolsa fraca, pode acontecer o contrário, e a comparação com a renda fixa passa a pesar mais.
Por isso, olhamos sempre para os dois lados. O índice de ações ajuda a entender o quanto o fundo capturou do movimento da bolsa, enquanto o benchmark oficial mostra se ele está entregando aquilo que se propõe a fazer.
Sobre os dados quantitativos
Rentabilidade isolada acaba dizendo pouco, e nós também gostamos de olhar as janelas móveis de retorno, que mostram o resultado de quem entrou em momentos diferentes e ficou investido por um período específico.
Como recomendamos ao menos cinco anos para ações, a janela de 60 meses é tratada com mais atenção. Nas tabelas quantitativas optamos por usar o Ibovespa como referência principal
A volatilidade pede o mesmo cuidado, pois cada fundo tem uma data de início diferente, e quem atravessou 2020 carrega no cálculo um ''estresse'' que os mais novos não viveram.
Usamos a volatilidade para dimensionar o chacoalho esperado da estratégia, não para dizer qual fundo é melhor.
Absolute Pace
Breve histórico da Absolute
A Absolute Investimentos foi fundada em 2013 por Fabiano Rios e Tiago Sant’Anna. A casa nasceu com forte DNA macroeconômico, mas cresceu bastante desde então e hoje reúne diferentes frentes, como macro, ações, crédito e arbitragem. Em conversa recente que tivemos com a casa, a gestora contava com 61 profissionais e cerca de R$ 57 bilhões sob gestão.
Esse crescimento não mudou uma característica importante: as diferentes equipes continuam próximas e trocando informações. Na prática, o time de ações consegue aproveitar discussões e análises feitas por economistas, pesquisadores e outras áreas da Absolute, o que ajuda a conectar o cenário econômico com a leitura das empresas.
Um ponto em interessante da gestora é que a vertical de ações é a menor das quatro frentes da Absolute. Crédito responde por cerca de metade do patrimônio, multimercado por perto de 40%, e ações pelos 10% restantes.
Hoje, a própria Absolute descreve sua estratégia de ações como baseada em análise fundamentalista, combinada com a expertise macroeconômica da gestora, e com possibilidade de atuar tanto de forma direcional quanto em operações de valor relativo.
Para dimensionar o Pace dentro da casa, o fundo é o principal veículo da frente de ações da Absolute e reúne algo próximo de R$ 4 bilhões na estratégia. A gestora divide entre as áreas a mesma estrutura de risco, controles e operações, o que ajuda a explicar como consegue rodar quatro linhas de produtos com times de gestão relativamente enxutos.
Com uma estrutura sólida, a Absolute se destaca cada vez mais no mercado. A diversificação entre diferentes estratégias reflete a visão da gestora de manter a robustez de sua estrutura, garantindo que desafios em uma área possam ser compensados por oportunidades em outras, preservando a consistência de seus resultados.
Estratégia
No Pace, a gestão é liderada por Christian Faricelli e Tiago Ring. Christian trabalha com renda variável desde 2007 e acumulou experiência em diferentes estilos de gestão de ações, enquanto Tiago passou por casas como CSHG, Kapitalo e Arkon.
O ponto de partida do Pace é simples: na bolsa brasileira, olhar apenas para a empresa não basta. O cenário econômico também importa. Por isso, a equipe combina uma leitura de cima para baixo (top-down), olhando para o ambiente macro, com uma análise de baixo para cima (bottom-up), estudando os fundamentos das empresas.
O processo pode ser resumido em quatro etapas. Primeiro, surgem as ideias de investimento, com preferência por empresas de média e grande capitalização, sem excluir oportunidades em companhias menores quando o risco fizer sentido.
Depois vem a análise, que combina avaliação qualitativa dos negócios com indicadores e testes quantitativos.
Na terceira etapa, a equipe define o tamanho de cada posição de acordo com a convicção na tese e com os possíveis gatilhos de valorização.
Por fim, o portfólio é acompanhado de forma constante para verificar se as teses continuam fazendo sentido e se permanecem alinhadas ao cenário.
A gestora enxerga o portfólio como um sistema integrado de posições, com foco em controlar a volatilidade e preservar o capital.
A flexibilidade é vista como uma vantagem competitiva relevante, sustentada por uma cultura forte de ajustes de exposição e proteção, debate intenso entre os gestores e responsabilidade clara por cada posição.
Quantitativo do fundo
Apesar de estar passando por uma janela de curto prazo mais desafiadora contra o Ibovespa, o fundo tem um histórico muito consistente, tendo vencido o Ibovespa em qualquer janela de 5 anos desde o seu início.
Vale destacar que, mesmo nos momentos mais difíceis, o fundo seguiu acima do seu benchmark oficial, que é o IPCA mais o yield do IMA-B.
Observação: o fundo prev é destinado apenas a investidores qualificados e vem performando bem aderente ao Absolute Pace.
Dahlia Total Return
Breve histórico da Dahlia
A Dahlia Capital foi fundada em 2017 por José Rocha, o Zé Rocha, junto com a equipe de análise de ações que veio do Bank of America Merrill Lynch. A gestora nasceu com a proposta de combinar experiência de mercado, preservação de capital e busca por retornos consistentes.
Merecem destaque também os gestores Felipe Hirai e Sara Delfim, com capacidade de análise em renda variável reconhecida e bastante testada ao longo de diferentes ciclos e cenários de estresse.
O time de gestão é o mesmo há oito anos, e a rotatividade quase nula é tratada como um dos ativos da casa.
Desde o início, a Dahlia ampliou seu portfólio e hoje conta com estratégias como Total Return, Ações, Macro Global, PAX e Equity Hedge.
Em tamanho, a Dahlia é a menor casa entre as cinco que acompanhamos. A gestora administra aproximadamente R$ 3 bilhões e reúne cerca de 34 profissionais, sendo nove deles dedicados à gestão e análise, além de times próprios de trading, risco, compliance e operações.
A equipe de análise é sênior, e vários desses analistas são sócios desde a fundação, o que ajuda a explicar a estabilidade e o baixo turnover do time.
A partir de 2026, a Dahlia passou a contar com uma parceria estratégica de distribuição com o Bradesco, sem qualquer relação societária, preservando total independência e continuando a distribuir com todos os outros parceiros.
O ponto mais relevante é o timing: o fluxo de captação chegou num momento difícil para a indústria, permitindo que a casa mantivesse e expandisse o time enquanto outras gestoras encolhiam. Esse tipo de aproximação costuma ser um ponto de atenção em nossa análise, mas até aqui não identificamos conflitos e as estruturas parecem bem alinhadas.
Mediante a parceria, a Dahlia vem buscando se tornar mais diversificada em produtos, e em breve irá ativar uma vertical de Renda Fixa, que será liderada por Alessandro Arlant, que já está na Dahlia de longa data e já trabalhou na análise de crédito no CSFB e BofA.
Por fim, uma percepção nossa sobre a Dahlia é que ela diverge do perfil mais comum das gestoras da Faria Lima ou do Leblon. Há uma atenção maior aos fatores humanos, e isso se reflete na forma como gerem os fundos, se relacionam com os cotistas e se posicionam no mercado.
Estratégia
Na equipe, José Rocha é o CIO, mas a casa cultiva uma dinâmica em que diferentes profissionais podem questionar as ideias uns dos outros antes da decisão final, o que contribui para um processo de investimento mais robusto.
O Dahlia Total Return tem foco em ações no Brasil, mas não fica preso a uma única classe. A estratégia também pode atuar em juros, moedas e bolsas no exterior, usando essa flexibilidade tanto para buscar retorno quanto para proteção.
Ele é o carro-chefe da casa, um fundo long biased que pode ficar com a exposição líquida comprada em ações (posições compradas menos vendidas) entre 20% e 80% do patrimônio, com média histórica em torno de 50% comprada.
A equipe trabalha com uma combinação de visão macro e análise das empresas. O raciocínio começa pelo cenário global, passa pelos mercados emergentes e chega ao Brasil. A partir daí, o time procura empresas que apresentem uma boa combinação entre qualidade, preço e potencial de valorização.
Outro ponto que chama atenção é o processo colegiado. Os analistas são divididos por setores, mas não precisam forçar uma recomendação só porque determinado setor está sob sua responsabilidade. Se não houver uma oportunidade que faça sentido, a decisão pode ser simplesmente não investir. A lógica é evitar colocar ativos na carteira apenas para “preencher espaço”.
Uma característica também peculiar da casa é que eles defendem fortemente a “pax americana”, visão onde os Estados Unidos têm vantagens competitivas difíceis de replicar, como pessoas, geografia, mercado de capitais e a moeda de reserva do mundo. Na visão da casa, muda a empresa da vez a cada ciclo, mas o endereço tende a continuar o mesmo.
Na prática, é isso que justifica ter uma perna estrutural em tecnologia americana ao lado do Brasil, que tem um perfil de retorno bem mais de altos e baixos.
Quantitativo do fundo
O Dahlia Total Return supera tanto o Ibovespa quanto os indicadores de renda fixa que servem de referencial para os Long Biased desde o seu início. Entretanto, as janelas mais recentes estão mais apertadas.
Apesar do momento mais difícil, os aspectos qualitativos da casa se mantiveram robustos e, na nossa avaliação, até melhoraram marginalmente, o que nos deixa confortáveis para manter a recomendação com expectativa de melhora no próximo ciclo.
Observação: a versão prev é destinada para o público geral e roda com 70% da potência do Dahlia Total Return que está disponível ao público geral.
Oceana Long Biased
Breve histórico da Oceana
A Oceana Investimentos foi fundada em 2008 por Alexandre Rezende, Leonardo Messer e Marcello Ganem, em um momento bastante difícil para os mercados globais. Desde o começo, a casa manteve foco em renda variável brasileira e construiu sua identidade em torno de uma análise fundamentalista de longo prazo.
A equipe também tem uma história de baixa rotatividade, algo importante para um processo que depende de acompanhamento profundo das empresas ao longo do tempo.
Hoje a Oceana administra cerca de R$ 8,3 bilhões e um ponto que vale destacar é o perfil da base de clientes: a maior parte do dinheiro vem de investidores institucionais, como fundos de pensão e seguradoras, e só uma fatia pequena vem de plataformas de pessoa física.
Na prática, isso dá mais estabilidade para a gestora e ajuda a manter o foco no longo prazo, porque o risco de resgates em massa é menor.
A gestora tem uma característica que continua bastante marcante: muita atenção aos fundamentos das companhias e à margem de segurança.
Em vez de tentar antecipar cada movimento de curto prazo da Bolsa, a Oceana procura entender profundamente os negócios e identificar situações em que o preço de mercado esteja distante do valor que a equipe enxerga para a empresa.
Nos últimos anos, a casa “vem aproveitando” a crise da indústria para se fortalecer, trazendo pessoas muito boas do mercado uma vez que se manteve com estrutura e patrimônio sólidos nos momentos mais difíceis e isso nos anima com relação ao futuro da casa.
O time vai ficando mais sênior com o passar do tempo, trouxeram 8 pessoas nos últimos 3 anos, 4 trocas e 4 adições, pessoas “renomadas” de mercado.
Estratégia
Leonardo Messer é o principal nome ligado à gestão do portfólio. Sua trajetória inclui passagens por Banco Pactual, Investidor Profissional e Meta Asset, além de experiência anterior em estratégias long and short.
O fundo segue uma abordagem fundamentalista de baixo para cima, o chamado bottom-up. A equipe busca encontrar empresas com diferença relevante entre preço de mercado e valor intrínseco, combinando operações direcionais com operações de valor relativo.
Na prática, o fundo tende a manter uma exposição líquida comprada, mas pode reduzir essa exposição e montar posições vendidas quando identifica oportunidades.
A própria Oceana reforça que a exposição varia de acordo com o ambiente de oportunidades, sem ficar presa a um nível fixo de risco.
A estrutura roda com exposição direcional média em torno de 60% em ações, podendo chegar a 70% ou 80% em momentos de maior convicção ou recuar para a faixa de 40% a 50% em períodos mais defensivos. As posições vendidas secas ficam entre 0% e 10%.
Pelas características de preservação de capital, que se refletem numa estratégia mais defensiva, o fundo costuma capturar cerca de 70% das altas e apenas 40% das quedas do mercado, o que no líquido gera uma assimetria bastante favorável ao cotista.
Um ponto interessante do processo é o uso de cenários de estresse. A equipe tenta responder a uma pergunta simples: se o cenário piorar bastante para aquela empresa, o investimento ainda faz sentido? A ideia é avaliar a margem de segurança disponível antes de construir uma posição relevante na carteira.
O portfólio também pode ser bastante ativo no ajuste do tamanho das posições. Quando a relação entre preço e valor se altera, ou quando uma tese se fortalece ou enfraquece, o time pode aumentar, reduzir ou substituir posições. Mesmo com esse dinamismo, a lógica permanece de longo prazo: comprar bons negócios quando a relação entre risco e retorno estiver favorável ao investidor.
Quantitativo do fundo
A Oceana, assim como boa parte do mercado, enfrentou dificuldades para performar em um cenário tão errático e de mudanças rápidas. As janelas de curto prazo não chegam a ser desastrosas, sobretudo quando comparadas ao benchmark oficial do fundo, que é o IPCA mais 6% ao ano, mas sabemos que a casa pode entregar mais.
O que nos conforta é a solidez institucional da gestora, que reforçou o time nos últimos anos justamente para retomar com mais robustez e consistência nos próximos ciclos.
Observação: a versão prev é destinada apenas a investidores qualificados e vem performando pouco abaixo do Oceana Long Biased. A versão de previdência não consegue acessar investimentos no exterior, o que faz apresentar algumas diferenças pontuais, mas nada que nos impeça de recomendá-la, mas é algo a se destacar.
SPX Falcon
Breve histórico da SPX
A gestora foi fundada em 2010 por três sócios cujas iniciais dos sobrenomes deram origem ao nome da casa: Daniel Schneider (S), Bruno Pandolfi (P) e Rogério Xavier (X). Atualmente, a equipe é composta por cerca de 260 profissionais, incluindo membros que trabalham juntos há quase três décadas e com 45 pessoas como sócias do negócio.
Rogério Xavier foi diretor responsável pela tesouraria e assumiu, posteriormente, a diretoria executiva de Gestão de Recursos de Terceiros (até 2010) no BBM. Bruno Pandolfi e Daniel Schneider ingressaram no banco em 1996, tornaram-se sócios em 2003 e atuaram lá até 2010, quando se juntaram para criar a gestora SPX Capital.
Em 2012, a gestora iniciou sua vertical de renda variável com a chegada de Leonardo Linhares, gestor dos fundos recomendados SPX Falcon e SPX Patriot. Em 2021, foi a vez de Albano Franco liderar a criação da vertical de crédito, por onde também recomendamos os fundos SPX Seahawk e SPX Seahawk Plus (com viés global).
A SPX foi uma das pioneiras no mercado brasileiro a desenvolver o conceito de incorporar novas verticais de investimento dentro da mesma gestora.
Ao todo, a casa se divide em 6 braços de atuação, ou “negócios”, como costumam se referir, que são os Multimercados, Ações, Crédito, Previdência, Real Estate e Private Equity.
Na área de ações, a gestora possui uma estrutura própria, separando gestão e pesquisa, mas aproveitando a infraestrutura de análise da SPX como um todo.
A vertical de ações conta com cerca de R$ 12,5 bilhões sob gestão e 18 profissionais de investimento. Leonardo Linhares lidera a gestão.
Vale registrar um reconhecimento recente: na premiação Melhores do Mercado 2026, da Exame, a SPX foi eleita a gestora do ano e o Falcon ficou em primeiro lugar na categoria long bias.
Essa combinação entre uma equipe dedicada a ações e o acesso à estrutura mais ampla da SPX é uma das características que mais diferenciam a casa. O time de ações mantém contato frequente com os macroeconomistas e com analistas de outras áreas, como commodities e crédito, ampliando a leitura sobre os cenários em que as empresas estão inseridas.
Uma atualização sobre a estrutura da casa. Na reorganização conduzida no primeiro semestre de 2026, a SPX encerrou o escritório de Londres e passou a ocupar um espaço menor em Nova York, mantendo Cascais, Singapura, São Paulo e Rio de Janeiro. As mudanças se concentraram na vertical de multimercados, e a área de ações seguiu com o mesmo time e a mesma estrutura de análise.
Estratégia
O processo parte de uma análise fundamentalista micro extremamente detalhada, o que no mercado chamamos de bottom-up.
O time de pesquisa, liderado por Bruno Silveira, entrega todas as projeções detalhadas para a equipe de gestão, que ajusta as combinações e define o portfólio da forma mais equilibrada possível. Essa etapa é liderada por Leonardo Linhares.
Vale um destaque sobre o Léo. Graduado em economia pela UFRJ, ele iniciou sua carreira no Banco BBM em 1994, tornando-se sócio em 2003 e sendo nomeado Diretor de Renda Variável na unidade de Gestão de Recursos de Terceiros. Em 2012, foi convidado a se juntar aos seus antigos colegas do BBM na SPX. É uma figura amplamente respeitada no mercado.
A gestão é responsável por interpretar o cenário, distribuir o risco entre as posições e acompanhar o portfólio como um todo. Os analistas, por sua vez, são especializados por setores e aprofundam o estudo das empresas. As duas visões se encontram nos comitês e nas discussões da equipe.
O mandato do fundo é bastante flexível. A própria SPX descreve a estratégia como focada em valor e ciclos econômicos, combinando escolha de ações com ajuste de exposição ao longo do tempo.
O risco vem da carteira comprada em ações brasileiras, complementada por uma carteira vendida, por operações long and short específicas, por posições em bolsas internacionais e por outros mercados macro. O fundo pode manter até 40% dos recursos no exterior.
Historicamente, dois terços do retorno do Falcon vêm da carteira comprada de ações locais, o que mostra que o motor da estratégia é a seleção das empresas, e que o restante do mandato entra para ajustar risco e exposição.
A estrutura de decisões também é bem organizada: há discussões frequentes sobre notícias e mercado, revisões periódicas das posições e encontros específicos quando surge algum tema que merece aprofundamento. Isso ajuda o time a ajustar a carteira sem perder a visão de conjunto.
Como fundo long biased, o Falcon tem liberdade para combinar posições compradas com proteções e ajustes de exposição. O objetivo não é simplesmente acompanhar o Ibovespa, mas construir uma carteira em que as empresas selecionadas façam sentido dentro do cenário e em que o risco de cada posição esteja alinhado ao grau de convicção da equipe.
Quantitativo do fundo
O histórico de curto, médio e longo prazo da casa é muito bom, superando com alguma folga todos os benchmarks elegíveis para fundos da classe.
Léo Linhares é um gestor altamente respeitado pela indústria, mas, como qualquer profissional e time, já passou por momentos de dificuldade ao longo da trajetória. Isso se reflete em uma consistência abaixo dos 100% na janela de 5 anos, algo completamente natural.
Ainda assim, o histórico da cota comprova o valor dele e do time ao longo do tempo.
Observação: destinada apenas a investidores qualificados, a versão para previdência performa com potência de 90% em janelas mais recentes na comparação com o SPX Falcon.
Truxt Long Bias
Breve histórico da Truxt
A Truxt Investimentos foi fundada em 2017 por José Tovar e Bruno Garcia, ambos com trajetória conjunta desde a criação da ARX Investimentos, em 2001.
Atualmente, Bruno Garcia é o CIO e mantém áreas dedicadas a renda variável e multimercados, apoiadas por uma estrutura própria de risco, controles e operações. Tovar se aposentou recentemente em um processo de transição bastante gradual e transparente, o que consideramos positivo do ponto de vista institucional.
Um ponto relevante na evolução recente da Truxt é a manutenção do DNA de renda variável ao mesmo tempo em que a casa reforçou sua estrutura de gestão e análise.
Hoje, a equipe de ações conta com profissionais dedicados à análise das empresas, à gestão e ao trading, além do suporte de uma área macro própria.
Em termos de estrutura, a Truxt mantém um time de aproximadamente 30 pessoas e R$ 2,8 bilhões sob gestão, com renda variável e macro como as duas frentes principais. Além do long biased, a casa oferece um long only tradicional, um long and short e uma estratégia macro, todas apoiadas pela mesma equipe de análise.
A área de ações foi reforçada há três anos com a chegada de Wlad Ribeiro, gestor com passagens por BBM, SPX, Itaú Asset e Genoa, que hoje participa da gestão dos portfólios de renda variável ao lado de Bruno numa espécie de co-gestão.
Para uma casa em que o risco de pessoa-chave sempre esteve bastante concentrado no fundador, foi um movimento que consideramos positivo e que fortalece a continuidade da operação no longo prazo.
Estratégia
O Truxt Long Bias busca combinar duas fontes distintas de retorno: stock picking, ou seja, a seleção criteriosa de ações, e market timing, ajustando a exposição líquida de acordo com o cenário.
Essa combinação permite que o fundo trabalhe tanto na escolha das empresas quanto na intensidade da aposta na bolsa.
A abordagem é bottom-up, mas conta com uma área macro relevante, o que cria um mix interessante entre visão estrutural e execução tática.
A análise fundamentalista é central para a seleção dos ativos e se apoia em modelos proprietários. Ao mesmo tempo, a carteira pode gerar retorno tanto nas posições compradas quanto nas vendidas, e esse ponto merece destaque: o short não aparece apenas como proteção, mas também como fonte de retorno quando a equipe identifica empresas consideradas caras ou com perspectivas negativas.
Outra característica marcante é o dinamismo. O tamanho das posições e a exposição líquida podem mudar com rapidez de acordo com a leitura de mercado. O time alega que não existe o menor apego nas teses, se tiver que sair rapidamente, isso será feito.
O fundo opera com um range de exposição líquida que vai de 30% a 180%, ou seja, pode operar alavancado em momentos de convicção alta. É o mandato mais flexível entre os cinco desta lista: Bruno e Wlad têm bastante liberdade para ajustar o posicionamento de acordo com o cenário e o nível de convicção da equipe.
Além de ações, o fundo pode atuar de forma tática em outros mercados, como juros, câmbio, commodities, ações no exterior e renda fixa, utilizando também derivativos para proteção e controle de risco.
Na prática, o produto funciona como um blend entre long and short e long only, com uma carteira multimercado embutida que entra em campo quando a convicção nas teses justifica uma postura mais agressiva ou defensiva.
A liquidez é tratada como um critério relevante na construção do portfólio. A equipe tende a privilegiar ativos em que exista capacidade de entrar e sair sem depender de um mercado muito restrito.
No fim, a proposta do fundo é unir a visão de longo prazo da análise fundamentalista com uma gestão mais ativa da exposição ao risco.
Quantitativo do fundo
Por ter acertado a mão em alguns cases no exterior, sobretudo em teses envolvendo IA e infraestrutura de IA, a casa apresenta janelas de curto e médio prazo muito boas. Isso tem claro mérito do time de gestão, que foi perspicaz na análise dessas tendências.
O histórico desde o início também é sólido, ainda que, assim como o Falcon, o fundo tenha passado por seus momentos de dificuldade ao longo do caminho.
Vale uma observação importante: o Truxt Long Biased é a única casa entre as recomendadas que não possui versão previdenciária. A alegação da gestora é de que, devido às limitações impostas pela Susep, a estratégia previdenciária se distanciaria demais do que é praticado fora da previdência.
Ficamos por aqui...
Esse mapeamento tem como objetivo ajudar a entender as diferenças entre as estratégias que fazem parte da nossa caixinha de Long Bias. Como vimos, os cinco fundos têm em comum a flexibilidade para trabalhar com exposição comprada e vendida, mas usam essa liberdade de maneiras bastante diferentes.
Na prática, a escolha entre eles não deve ser feita apenas olhando para retorno ou volatilidade. O que importa é entender o processo de investimento, o tipo de risco que cada equipe costuma assumir e qual papel aquele fundo deve cumprir dentro da carteira.
Se ainda restou alguma dúvida, fique à vontade para trazer na comunidade ou nas nossas lives semanais.
Um grande abraço e bons investimentos!
Rodrigo Xavier CNPI 8996
Matheus Miloni CNPI 10124
Sobre os analistas
Rodrigo Xavier
Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.
Matheus Nascimento
Analista CNPI
É analista CNPI e integra a equipe de Fundos de Investimento da Finclass. Formado em Gestão Empresarial, construiu sua trajetória no mercado financeiro com foco em análise e acompanhamento de estratégias de investimento. Acredita que o acesso à informação de qualidade é um dos principais diferenciais para o investidor pessoa física e, por isso, busca contribuir com análises claras e responsáveis, auxiliando cada investidor a tomar decisões mais conscientes e alinhadas aos seus objetivos.