O que são os fundos multimercados e como se enquadram em nossa carteira;
Compreendendo os nossos fundos multimercados
Escrito por Rodrigo Xavier em FUNDOS
Neste relatório, você encontrará:
Breve histórico das gestoras e as principais características das estratégias que recomendamos;
Nossa visão sobre a “crise” dos fundos multimercados nos últimos anos.
Fala, pessoal!
Dando continuidade à nossa série de atualizações dos relatórios em que explicamos a essência dos nossos fundos recomendados, chegou a vez dos fundos multimercados.
Essa classe tem enfrentado um período desafiador nos últimos anos e, por isso, também abordaremos os principais fatores por trás desse momento da indústria.
Boa leitura!
Entendendo o fundo multimercado e como se enquadra em nossas carteiras
Os fundos multimercados são uma categoria de fundos de investimento que se caracteriza pela ampla liberdade de atuação.
Diferentemente de fundos focados em uma única classe de ativos, como renda fixa ou ações, eles podem investir em diferentes mercados, como juros, câmbio, bolsa, crédito e até ativos internacionais, combinando essas exposições em uma única estratégia.
Outra característica marcante é a flexibilidade na forma de operar. Além de diversificar entre diferentes mercados, os gestores podem assumir posições compradas (apostando na alta dos ativos) ou vendidas (apostando na queda), bem como utilizar instrumentos derivativos para proteção ou para potencializar oportunidades.
Essa liberdade permite que o fundo busque retornos em diferentes cenários econômicos, sem depender exclusivamente da valorização de um único mercado.
Na prática, essas características fazem dos multimercados uma das classes mais versáteis da indústria de fundos. Por isso, recomendamos que eles façam parte da alocação estrutural das nossas carteiras. Atualmente, os multimercados representam 12% da alocação das Carteiras de Valorização.
O “problema” é que multimercado é uma categoria ampla. Há fundos que operam apenas juros locais, outros que atuam em quatro ou cinco mercados simultaneamente. Há fundos com volatilidade de 3% ao ano e outros com volatilidade de 15%, sendo que a volatilidade mede o quanto a cota oscila no dia a dia, ou seja, quanto maior a volatilidade, mais arriscado tende a ser o fundo.
Escolher bem dentro desse universo exige um trabalho que vai além do histórico de retorno, é preciso entender como a gestora pensa, como ela toma risco, o que diferencia o processo de investimento e em quais ambientes aquela estratégia tende a funcionar melhor ou pior.
Observação: o que você verá aqui é uma visão consolidada das gestoras, pensada para ajudar na compreensão do conjunto, e, consequentemente, na decisão de quais fundos fazem mais sentido dentro do seu perfil e da sua carteira.
A seguir, começaremos a explicar cada uma das estratégias recomendadas.
Dicas fundamentais sobre como observar os resultados quantitativos
Os últimos anos, sem dúvidas, foram os mais desafiadores e complexos da história da indústria de multimercados.
Por isso, de forma geral, a maioria dos fundos "perdeu um pouco de força" mais recentemente. Isso fica ainda mais claro ao observar os dados de consistência, nos quais calculamos o percentual de vezes em que nossos fundos superaram o CDI em janelas móveis de cinco anos.
Como essa métrica considera um período relativamente longo, quanto mais novo é o fundo, maior tende a ser o impacto nessa análise.
O ciclo anterior à pandemia foi marcado por um mercado mais "previsível" e "construtivo" para gerar retornos acima do CDI, e os bons gestores colheram ótimas performances. Isso também fica evidente nos resultados dos fundos mais antigos. É justamente por isso que acreditamos tanto neles: sabemos que têm capacidade para navegar muito bem em ciclos favoráveis.
Outro ponto importante para se observar é que na seção quantitativa também trazemos os fundos previdenciários, os quais nem sempre são iguais aos fundos convencionais. Neste sentido, sugerimos a leitura do relatório em que explicamos as diferenças essenciais entre eles (aqui).
Absolute Vertex
Breve histórico da Absolute
A gestora foi fundada em 2013 por Fabiano Rios (CIO) e Tiago Sant'Anna (CEO). De lá pra cá a casa cresceu bastante: hoje são 61 pessoas no time e cerca de R$ 57 bilhões sob gestão em junho/26.
A gestora nasceu com o fundo multimercado como “carro-chefe” de patrimônio e atenção, mas no final de 2022 criou uma vertical de crédito, justamente num período em que as complicações da renda variável e o nível de juros mais altos gerou muito fluxo para o setor, tanto que atualmente cerca de 50% do patrimônio vem dessa classe, enquanto aproximadamente 40% estão em multimercado e 10% em ações.
Rios, que lidera a gestão, se destacou pela consistência e altas performances ao longo de sua trajetória profissional, acumulando quase 10 anos como responsável pela área de ações e moedas na tesouraria do Banco Santander.
Antes de se tornar sócio-fundador da Absolute, Rios também foi gestor na Claritas Investimentos, onde consolidou sua reputação como um gestor de fundos de investimento de excelência.
As equipes de crédito, ações, arbitragem e macro operam de forma integrada, trocando informação no dia a dia. Desde 2020, uma área de ciência de dados dá suporte a essas frentes, ajudando a cruzar dados e tornar o processo de análise mais eficiente.
A gestora também tem promovido movimentações internas relevantes. Nos últimos 12 meses, participações societárias foram ampliadas em diferentes áreas, também com já sócios aumentando sua participação. A lógica é clara: a casa quer que o patrimônio continue nas mãos de quem está entregando resultado.
Com uma estrutura sólida comparando com o mercado geral, a Absolute se destaca cada vez mais no mercado. A diversificação entre diferentes estratégias reflete a visão da gestora de manter a robustez de estrutura, garantindo que desafios em uma área possam ser compensados por oportunidades em outras, preservando a consistência de seus resultados.
Estratégia
O Vertex surgiu em 2015 como uma versão mais arrojada do Absolute Hedge, o fundo mais antigo da casa. A estratégia é macro: a equipe forma uma visão sobre o cenário econômico e monta posições em juros, moedas e bolsa, tanto no Brasil quanto no exterior.
O fundo mexe menos na carteira do que a maioria dos pares, ainda que tenha um espaço para algumas movimentações mais táticas. O time sempre reforça sua disciplina de controle de riscos e política disciplinada de stop-loss para conter perdas, ou seja, encerram uma posição automaticamente quando a perda atinge um limite pré-definido, evitando que um erro vire um prejuízo grande.
Fabiano Rios sempre teve uma leitura forte em juros e ações, mas o Vertex nunca dependeu de um único mercado. Alguns dos melhores momentos do fundo vieram de posições em moedas e bolsas internacionais.
Com o crescimento das outras verticais, o Vertex também ganhou mais suporte interno. As equipes de crédito, ações e arbitragem que a Absolute foi construindo nos últimos anos passaram a alimentar as análises do fundo com perspectivas que antes a casa não tinha. O conjunto de informação ficou mais rico, e isso aparece na qualidade das posições.
Quantitativo do fundo
Observação: a versão previdenciária é aderente com a convencional, salvo ajustes pontuais de posição.
Ace Capital
Breve histórico da Ace
A Ace Capital foi fundada em 2019 por um grupo de dez profissionais que passaram anos trabalhando juntos na mesa proprietária da tesouraria do Santander.
Essa trajetória compartilhada é um dos principais diferenciais da gestora. O time já nasceu entrosado, sem precisar passar pela fase de construção de confiança que costuma dificultar a consolidação de casas recém-criadas nos primeiros anos.
Fabrício Taschetto, CIO da gestora, permaneceu 14 anos no Santander e trabalhou diretamente com nomes importantes do mercado, como Felipe Guerra, fundador da Legacy, e Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central e atual vice-chairman do Nubank.
Já Ricardo Denadai, CEO e economista-chefe, passou nove anos como estrategista-chefe da asset do banco antes de migrar para a tesouraria, onde permaneceu por mais um ano até a saída coletiva que deu origem à Ace.
Atualmente, a gestora conta com 43 profissionais, sendo 12 sócios e outros oito associados que participam dos resultados. A maior parte dos fundadores continua na casa, o que reforça a percepção de uma cultura sólida e de baixa rotatividade entre as principais lideranças.
Ao longo dos anos, a Ace também evoluiu de forma significativa em modelagem quantitativa, em uma iniciativa capitaneada por Maiko Carvalho, gestor da estratégia de Valor Relativo e braço direito de Taschetto há muitos anos. Esse desenvolvimento vem gerando bons resultados para a gestora. Além de contar com um fundo dedicado às estratégias quantitativas, as ferramentas e modelos desenvolvidos nessa frente também contribuem para a análise e a gestão do fundo macro.
Em 2021, ocorreu um movimento estratégico importante: a fusão com a Grou Capital, gestora especializada em ações. O objetivo era estruturar uma célula dedicada à renda variável, um desejo antigo dos sócios, que até então não possuíam escala suficiente para desenvolver essa frente internamente.
No ano passado, porém, Thiago Cunha, sócio-fundador da Grou, deixou a gestora para seguir uma nova empreitada voltada ao mercado de private equity. A saída foi tratada com tranquilidade pela Ace, uma vez que a equipe de renda variável já operava de forma bastante integrada e Wesley Okada vinha assumindo um papel de crescente protagonismo, conseguindo dar continuidade ao trabalho sem maiores impactos.
O patrimônio sob gestão atingiu cerca de R$ 8 bilhões em 2023, mas atualmente está em torno de R$ 3,5 bilhões. Ainda assim, a casa conseguiu atravessar esse período mais desafiador graças à sua posição de caixa e ao forte comprometimento financeiro dos sócios-fundadores com o projeto.
Como curiosidade, o grupo quase não fundou a Ace. Antes da saída do Santander, os sócios estiveram próximos de participar da criação da Legacy ao lado de Felipe Guerra, mas optaram por permanecer no banco por mais algum tempo. Quando finalmente decidiram empreender, criaram a própria gestora com capital semente (valor inicial que viabiliza a gestora nos primeiros anos, antes de ela ter escala própria) aportado pelo Santander, pelo Credit Suisse, pela XP e pelos próprios sócios.
Estratégia
O fundo macro é o produto original da Ace e continua sendo o carro-chefe da gestora. O processo de investimento começa com uma leitura abrangente dos cenários doméstico e internacional, em que cada membro da equipe apresenta suas análises em discussões diárias. Desse processo colaborativo surgem as principais teses de investimento.
No entanto, identificar uma boa tese macro não é suficiente. O segundo filtro é técnico: a Ace busca montar posições apenas quando entende que o mercado ainda não está amplamente posicionado naquela direção.
Mesmo uma tese fundamentada pode ser descartada caso o posicionamento dos investidores já esteja excessivamente concentrado.
O resultado é um processo que combina análise fundamentalista com uma leitura cuidadosa do posicionamento de mercado. Na visão da gestora, toda operação deve reunir três pilares: fundamento, preço e aspectos técnicos.
Seguindo uma tendência cada vez mais presente na indústria, a Ace também vem investindo no uso de inteligência artificial para aumentar a produtividade da equipe, iniciativa que se encaixa naturalmente em uma casa que já possui forte integração de modelagem quantitativa.
Outro aspecto que recebe grande atenção é o gerenciamento de riscos. A gestora estrutura esse processo em três etapas. Primeiro, ao menor sinal de mudança no comportamento do mercado, reduz a exposição ao risco. Em seguida, aciona os hedges previamente montados para amortecer eventuais perdas em cenários de maior estresse. Por fim, caso fique evidente que a tese de investimento estava incorreta, encerra integralmente as posições.
Quantitativo do fundo
Observação: a versão previdenciária é aderente com a convencional, salvo ajustes pontuais de posição.
Genoa Capital Radar
Breve histórico da Genoa
A Genoa Capital foi fundada em 2019 pelos sócios André Raduan, Emerson Codogno, Mariano Steinert, Lucas Cachapuz e Rodrigo Noel. Tanto os fundadores quanto boa parte da equipe já trabalhavam juntos havia mais de dez anos à frente da família de fundos Itaú Hedge Plus, um dos principais multimercados do Itaú e que, por diversas vezes, figurou entre os melhores produtos da indústria brasileira.
Atualmente, a gestora tem quase R$ 19 bilhões sob gestão, distribuídos em três estratégias: aproximadamente R$ 17 bilhões na estratégia macro (Genoa Radar), R$ 1,4 bilhão na estratégia quantitativa (Genoa Sagres) e cerca de R$ 400 milhões na estratégia de ações (Genoa Arpa).
A equipe é formada por 76 profissionais, dos quais cerca de 50 são dedicados exclusivamente à área de investimentos, enquanto os demais atuam em funções de suporte.
O principal foco da gestora é o Genoa Radar, seu fundo flagship e para o qual está direcionada a maior parte da capacidade intelectual da casa. As estratégias Sagres e Arpa podem ser vistas como desdobramentos dessa plataforma principal, aproveitando parte da mesma infraestrutura de pesquisa para atender diferentes perfis e objetivos de investidores.
Embora a indústria de fundos multimercados tenha atravessado um período bastante desafiador nos últimos anos, a Genoa conseguiu passar por esse ciclo de forma relativamente sólida, preservando um patrimônio em nível sustentável e mantendo estabilidade na equipe de gestão, sem perdas relevantes de profissionais-chave.
A gestora também administra o Genoa Vestas, versão alavancada do Radar. No entanto, o fundo ainda não está disponível nas principais plataformas de investimento.
Estratégia
Na Genoa, a própria equipe define sua abordagem como um fundo verdadeiramente macro trading. Na prática, isso significa buscar retornos a partir de movimentos macroeconômicos, explorando variáveis como juros, câmbio, inflação e crescimento econômico, tanto no Brasil quanto no exterior.
O componente de trading reflete uma gestão bastante ativa e dinâmica, que procura capturar oportunidades decorrentes de mudanças na política monetária, fiscal ou em tendências globais.
Como consequência, o fundo pode alterar sua carteira de forma significativa em um curto espaço de tempo, sem qualquer compromisso de manter posições por longos períodos.
Em uma conversa recente com a equipe, discutíamos o posicionamento atual do fundo quando, em determinado momento, eles comentaram, em tom de brincadeira, que dali a uma semana a carteira poderia estar completamente diferente.
Apesar do tom descontraído, a afirmação refletia fielmente a forma como a Genoa conduz sua gestão: não existe qualquer compromisso em manter posições por inércia. Sempre que o cenário muda ou surgem oportunidades mais atrativas, a carteira é ajustada rapidamente, tendo como único objetivo a geração de alfa para os cotistas.
Com o crescimento do patrimônio sob gestão e a necessidade de ampliar o universo de oportunidades, a Genoa vem expandindo continuamente os mercados em que atua. Ao mesmo tempo, a gestora tem investido no uso de inteligência artificial para aumentar a produtividade da equipe e aprofundar a cobertura de mercados mais específicos, como África do Sul e República Tcheca.
Uma das principais marcas da gestora é a combinação de processos de investimento bem estruturados com convicções fortes. Essa característica permite que a equipe ajuste a carteira de forma ágil sempre que identifica mudanças relevantes no cenário ou novas oportunidades de investimento.
Quantitativo do fundo
Observação: a versão previdenciária é aderente com a convencional, salvo ajustes pontuais de posição. Na previdência tem um nome diferente, mas o Cruise é igual ao Radar.
Ibiuna Hedge STH
Breve histórico da Ibiuna
A gestora foi fundada em 2010 por Rodrigo Azevedo e Mário Torós, ambos ex-diretores de Política Monetária do Banco Central. Atualmente, a Ibiuna conta com cerca de 60 profissionais e aproximadamente R$ 14 bilhões sob gestão.
Os dois sócios acumularam experiências relevantes tanto no setor privado quanto no público. Rodrigo Azevedo iniciou sua carreira no meio acadêmico e, posteriormente, ingressou no Credit Suisse, onde permaneceu por dez anos antes de ser convidado para assumir a Diretoria de Política Monetária do Banco Central, cargo que ocupou até 2007.
Mário Torós, por sua vez, construiu grande parte de sua trajetória no Santander, onde atuou por 14 anos. Em seguida, foi convidado por Rodrigo Azevedo para sucedê-lo na Diretoria de Política Monetária do Banco Central, aprofundando sua experiência na condução da política monetária brasileira.
Após deixarem o Banco Central, ambos decidiram fundar uma gestora independente, com o objetivo de aplicar sua experiência na análise de política monetária e macroeconomia não apenas no Brasil, mas também em mercados internacionais.
Ao longo dos anos, a Ibiuna expandiu sua equipe para acompanhar o crescimento do patrimônio sob gestão e ampliar sua capacidade de análise, evoluindo de uma expertise originalmente concentrada em juros e inflação no Brasil para uma cobertura cada vez mais global.
A gestora também diversificou suas frentes de atuação. Um dos principais marcos foi a chegada de André Lion para liderar a estratégia de ações da casa — atualmente gestor do Ibiuna Equities, um dos fundos recomendados pela Finclass. Além disso, a Ibiuna estruturou uma área de crédito com produtos próprios, que, além de representar uma nova vertical de negócios, contribui com análises e inteligência para o fortalecimento da estratégia macro da gestora.
Estratégia
O Ibiuna Hedge STH é a versão mais alavancada do fundo Ibiuna Hedge da gestora Ibiuna Investimentos.
A equipe de gestão macro tem como principal diferencial operar ciclos de política monetária no Brasil e no mundo. Para implementar esta estratégia, o time de investimentos acompanha os fundamentos macroeconômicos de 30 países, com o objetivo de encontrar pontos de virada nos ciclos de política monetária, podendo se aproveitar destas oportunidades através de posições em juros, moedas, ações ou commodities.
Com base em análises de quem viveu de dentro do Banco Central, a equipe identifica tendências e prevê possíveis reações das autoridades monetárias e seus impactos na inflação, permitindo assim a tomada de posições estratégicas no mercado.
Apesar de explorarem oportunidades em diferentes classes de ativos, a política monetária é o principal foco de suas análises, pois possuem amplo conhecimento e compreensão suficiente para identificar a dinâmica de cada economia analisada.
A montagem das posições ocorre após o economista-chefe de cada país elaborar cenários baseados em seus estudos. Esses cenários são apresentados ao restante do time de gestão, gerando muitas discussões até que a decisão seja tomada.
Por terem diversos gestores, muitas vezes cada um toma conta de um book (pedaço da carteira) individual, podendo até mesmo expressar posições contrárias a outros gestores dos books restantes.
Quantitativo do fundo
Observação: temos uma proposta previdenciária para público geral com potência de 70% do Ibiuna Hedge ST e outra para investidores qualificados (Ibiuna Hedge ST Prev) que roda aderente ao fundo fora da previdência.
JGP Strategy
Breve histórico da JGP
A JGP foi fundada em 1998 por um grupo de profissionais que trabalhavam juntos desde o início dos anos 90. Uma das figuras mais conhecidas da casa é André Jakurski, sócio-fundador e um dos gestores dos fundos multimercados. Anteriormente, foi sócio-fundador e diretor executivo do Banco Pactual, onde foi o principal responsável pelo sucesso da instituição na administração de fundos de investimento, carteiras de renda variável e do portfólio proprietário.
Ao longo de sua história, a JGP foi se fortalecendo para além das tradicionais estratégias macro e de ações, expandindo sua atuação com a criação de uma vertical de crédito, que obteve grande sucesso.
Recentemente, essa operação foi adquirida pelos próprios profissionais que a lideravam e passou a atuar de forma independente sob o nome Leto Capital, como explicamos em mais detalhes em nossa comunidade (veja aqui).
A JGP contava com patrimônio de aproximadamente R$ 35 bilhões, dos quais R$ 22 bilhões eram da vertical de crédito. Agora, a JGP conta com cerca de R$ 13 bilhões sob gestão nos braços de ações, macro e real estate, patamar ainda sustentável para o tamanho de sua estrutura.
Uma característica da gestora, por essência, é a forte cultura de preservação de capital. Isso não apenas envolve ganhos em posições, mas também a proteção contra grandes oscilações do mercado, mantendo uma boa relação risco-retorno em suas estratégias.
Longevidade, competência comprovada e a presença de uma figura marcante como Jakurski são componentes que trazem notoriedade e confiabilidade para a JGP.
Estratégia
Os fundos multimercado da JGP adotam um modelo de multigestão. Diferentemente do modelo tradicional, em que o desempenho do fundo depende majoritariamente das decisões de um gestor principal, na multigestão o processo decisório é distribuído entre diversos gestores.
A gestão é conduzida por uma equipe de especialistas com perfis complementares, que compartilham o orçamento de risco dos fundos. A parcela de risco atribuída a cada profissional é definida de acordo com sua senioridade e seu histórico de resultados (track record). Como consequência, a estratégia combina diferentes visões de mercado, tendo como principais diferenciais a consistência dos retornos e a preservação de capital.
Os gestores podem ter opiniões divergentes e manter posições descorrelacionadas entre si, o que contribui para reduzir a volatilidade do portfólio sem abrir mão da sofisticação e da qualidade do processo de investimento.
Historicamente, o JGP Strategy apresentou um desempenho bastante consistente. Além de superar o CDI na maior parte de sua trajetória, o fundo se manteve bem posicionado nos rankings de médio e longo prazo, mantendo oscilações relativamente controladas.
Como característica de gestão, a equipe realiza uma quantidade razoável de movimentações na carteira, buscando constantemente o melhor posicionamento diante das mudanças no cenário macroeconômico e nas oportunidades de mercado.
Quantitativo do fundo
Observação: não tem versão previdenciária recomendada.
Kapitalo Kappa e Zeta
Breve histórico da Kapitalo
A Kapitalo foi fundada em 2009 a partir de um desejo genuíno de empreender de seus fundadores, Carlos Woelz e João Carlos Pinho, que já se conheciam havia mais de dez anos. Ambos passaram pelo BBM, antigo Banco da Bahia, uma antiga e tradicional instituição fundada em 1858, onde aprenderam e criaram a cultura de desenvolver processos diferentes e times.
Atualmente, a Kapitalo gere cerca de R$ 32 bilhões e conta com uma equipe de aproximadamente 130 profissionais, dos quais 58 são sócios. Trata-se, portanto, de uma das maiores e mais renomadas gestoras independentes do Brasil.
No início deste ano, porém, João Carlos Pinho, que atuava como COO da gestora, iniciou seu processo de aposentadoria. A partir de agora, ele passa a exercer apenas a função de conselheiro da casa. A transição vem ocorrendo de forma bastante tranquila e planejada, sem impactos relevantes para a operação. Inclusive, abordamos esse movimento com mais detalhes em um post publicado na comunidade (leia aqui).
Desde a fundação, estava claro que a Kapitalo reuniria profissionais de excelência, mas com perfis, formas de pensar e áreas de especialização distintas. Assim nasceu o modelo de multigestora — ou de múltiplas mesas, como a própria casa costuma definir —, em que diferentes equipes atuam de forma relativamente independente dentro de uma mesma estrutura.
Também desde o início, a gestora estruturou uma base sólida de gestão e controle de riscos, com foco na perenidade do negócio. Sempre que nos reunimos com a equipe, um ponto é constantemente reforçado: a Kapitalo é uma casa extremamente processual. Os processos são tratados com grande rigor, garantindo disciplina e consistência na tomada de decisões.
Sem a figura tradicional de um CIO (Chief Investment Officer), a gestão é organizada em equipes independentes, que recebem orçamentos de risco e investem em diferentes classes de ativos e mercados ao redor do mundo.
Hoje, a Kapitalo possui 11 estratégias (books) distribuídas entre diferentes classes de ativos: cinco fundos multimercados, três fundos de previdência multimercado, um fundo de ações Brasil, um fundo de event-driven (que busca distorções de preços, sobretudo de eventos corporativos) e um fundo quantitativo. As equipes de gestão são formadas com foco na complementaridade de competências e na diversificação dos processos de investimento.
Pensando em futuro, pretende ampliar sua atuação em crédito, arbitragem, equity hedge, previdência e estratégias de menor volatilidade, aproveitando capacidades que já existem internamente e buscando diversificar suas avenidas de crescimento para os próximos anos.
Questionamos se pretendem abrir escritório fora do Brasil para atender a maior demanda do investidor estrangeiro. A resposta foi que sim, e que já estão se estruturando para isso.
Estratégia
O principal diferencial da Kapitalo é o modelo que a gestora chama de "Constelação de Hedge Funds". Na prática, trata-se de uma estrutura de múltiplas mesas, na qual diferentes equipes de gestão operam de forma independente, cada uma com sua própria estratégia, especialidade e orçamento de risco.
Em vez de concentrar todas as decisões em um único gestor ou comitê, os fundos da Kapitalo são compostos por diversas estratégias internas, cada uma funcionando como se fosse um fundo independente.
Assim, o Kapitalo Zeta e o Kapitalo Kappa podem ser entendidos como grandes "portfólios" que reúnem essas diferentes mesas de gestão. A alocação entre elas é dinâmica e segue um modelo meritocrático: quanto maior a capacidade de uma equipe em gerar retorno ajustado ao risco ao longo do tempo, maior tende a ser o capital destinado à sua estratégia.
Carlos Woelz participa ativamente da coordenação dessa estrutura, distribuindo o orçamento de risco entre as diferentes mesas mediante metodologia interna. Historicamente, sua própria estratégia representava a maior alocação do portfólio. Entretanto, o excelente desempenho de Bruno Cordeiro, gestor da estratégia K10, fez com que sua mesa passasse a ocupar o maior peso tanto no Zeta quanto no Kappa, evidenciando o caráter genuinamente meritocrático adotado pela casa.
O objetivo desse modelo é combinar estratégias descorrelacionadas, capazes de gerar retorno por diferentes fontes e em distintos ambientes de mercado. Como cada mesa possui autonomia para construir suas posições, sem depender de uma decisão centralizada, torna-se fundamental uma estrutura robusta de gestão de riscos.
Os dois fundos recomendados seguem exatamente essa mesma filosofia de investimento. A principal diferença entre eles está no nível de risco assumido. O Kapitalo Zeta é o principal fundo da gestora, com meta de volatilidade entre 10% e 12%, destinado a investidores qualificados e com prazo de resgate de 60 dias. Já o Kapitalo Kappa representa uma versão mais conservadora da mesma estratégia: investe nas mesmas mesas e segue o mesmo processo de investimento, porém com menor concentração de risco, meta de volatilidade próxima de 7%, liquidez em 30 dias e acesso ao público em geral.
Atualmente, aproximadamente 70% das posições dos fundos estão alocadas em ativos globais, refletindo a visão da gestora de que o universo global oferece um conjunto mais amplo de oportunidades e maior diversificação para suas estratégias.
Quantitativo do fundo
Observação: existem propostas previdenciárias para o Kappa e Zeta, ambos performando em uma potência próxima de 95% das estratégias fora da previdência, porém estão restritas a investidores qualificados, inclusive o Kappa.
Kinea Atlas
Breve histórico da Kinea
A Kinea Investimentos foi fundada em 2007 por um grupo de ex-executivos do BankBoston em parceria com o Banco Itaú. Com mais de R$ 151,7 bilhões em ativos sob gestão e mais de 200 profissionais de investimento, a Kinea se consolidou como uma das maiores gestoras independentes de ativos alternativos do Brasil.
Apesar de ter o Itaú como sócio, opera com suas próprias regras e possui uma estrutura segregada sob a liderança de Marcio Verri, figura muito competente e respeitada pela indústria de fundos.
A casa atua em múltiplas verticais, incluindo multimercados, renda fixa, ações, fundos imobiliários, infraestrutura, agro, crédito privado e private equity, o que a torna uma plataforma verdadeiramente diversificada, e conta com equipes especializadas para cada vertente em que atua.
A gestora é liderada por um time de veteranos do mercado financeiro com profunda experiência e longo histórico no mercado brasileiro, tomando suas decisões de investimento com base em análises rigorosas e processos robustos de gestão de risco.
Essa combinação de independência na gestão com o suporte institucional do Itaú é um dos principais diferenciais competitivos da casa.
Estratégia
A consolidação da expertise de toda a equipe nas decisões de investimento fica a cargo de Marco Freire, profissional com ampla experiência em instituições de destaque, como a Franklin Templeton Brasil e o BankBoston. Desde 2015, ele lidera a estrutura de fundos líquidos da Kinea e é o principal gestor da estratégia Kinea Atlas.
A equipe responsável pelo fundo é organizada em grupos especializados (squads), cada um dedicado a um mercado específico, com o objetivo de identificar as melhores oportunidades e conferir maior profundidade e agilidade ao processo de investimento.
Esses especialistas atuam nos mercados de renda fixa local, renda fixa emergente, inflação, ações e commodities. Além disso, a equipe conta com profissionais dedicados à pesquisa, modelagem quantitativa e análises macroeconômicas, tanto locais quanto internacionais.
Um dos principais diferenciais da gestão é a troca de informações entre as diversas áreas da Kinea, permitindo que as diferentes visões sejam constantemente debatidas e incorporadas ao processo de investimento. Essa integração contribui para uma leitura mais abrangente dos mercados e para decisões mais qualificadas.
Nesse contexto, Marco Freire exerce o papel de gestor generalista, responsável por consolidar as diferentes teses desenvolvidas pelos especialistas e definir a composição final da carteira, buscando a combinação mais eficiente entre as oportunidades identificadas.
Essa estrutura permite que cada squad concentre seus esforços em seu respectivo mercado, enquanto a alocação entre os diferentes books é otimizada de forma centralizada.
A composição da carteira e a distribuição de risco entre os diversos books são reavaliadas continuamente, conferindo à estratégia elevado dinamismo e flexibilidade para buscar a melhor relação entre risco e retorno.
Quantitativo do fundo
Observação: temos uma proposta para público geral, performando com potência de 60% do Kinea Atlas (XTR). Já a proposta que performa totalmente aderente ao Atlas é disponível apenas para investidores qualificados.
Legacy Capital e Legacy Capital V10
Breve histórico da Legacy
Fundada em 2018 por profissionais oriundos da tesouraria do Santander, a gestora sempre contou com uma equipe bastante integrada, reflexo da longa convivência entre seus principais executivos.
Somando os períodos de atuação na Legacy e no Santander, o núcleo da equipe trabalha em conjunto há mais de 15 anos.
Os principais nomes da casa permanecem na gestão, incluindo Felipe Guerra (CIO), José Eduardo Araujo, conhecido como Duda (COO), Pedro Jobim (economista-chefe) e Gustavo Pessoa (gestor de renda fixa).
Atualmente, a gestora conta com pouco mais de 60 profissionais e aproximadamente R$ 16 bilhões sob gestão, dos quais cerca de dois terços estão alocados nas estratégias macro e um terço em crédito. Esse porte permitiu à casa atravessar o recente ciclo de resgates da indústria de forma mais confortável do que muitas gestoras concorrentes.
Felipe Guerra, que comandou a tesouraria do Santander e acumula passagens pelo BBM e pelo Citi, exerce como CIO um papel central nas decisões de investimento da Legacy, refletindo o excelente histórico construído ao longo de sua trajetória como gestor de recursos.
Estratégia
A gestora possui um estilo semelhante ao das casas que conhecemos, Kapitalo e SPX (de que ainda falaremos à frente), com várias mesas com gestores especialistas responsáveis por seus produtos, exceto Felipe Guerra, que possui autonomia para atuar em todos os mercados, como uma verdadeira “carta-branca” para alavancar posições de maior convicção.
A estratégia é cuidadosamente elaborada para envolver posições em que a carteira tem uma perda limitada em caso de erro, minimizando riscos. Entretanto, quando as apostas estão corretas, a estrutura do fundo permite ganhos importantes.
Vale destacar que Guerra continua sendo a principal referência da casa, respondendo por cerca de 40% do risco do fundo. Sua dedicação ao trabalho segue sendo uma característica marcante, a ponto de a própria liderança da gestora buscar incentivar um maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
A equipe de gestão, composta por especialistas de seus respectivos mercados, utiliza análises detalhadas e modelos fundamentalistas para identificar e capitalizar essas oportunidades.
A estratégia core é o Legacy multimercados que tem como objetivo de volatilidade algo próximo de 7% e é destinado para o público geral. Já o Legacy V10 é uma espécie de “réplica” do fundo principal, porém com o objetivo de operar com volatilidade próxima de 10% e destinado apenas a investidores qualificados.
Essa diferença de volatilidade é obtida por meio de alavancagem das posições, que giram em cerca de 1,5 vez o tamanho da estratégia de referência.
Não necessariamente a versão alavancada entregará retornos acima ou abaixo da estratégia de referência exatamente na mesma proporção do nível de alavancagem, pois existem fatores como a volatilidade dos ativos e os custos da alavancagem que impedem que isso seja uma regra absoluta. Ainda assim, quando utilizada com responsabilidade, a alavancagem pode amplificar os ganhos de algo que já é bom.
Quantitativo do fundo
Observação: a versão previdenciária é aderente com a convencional, salvo ajustes pontuais de posição. Ainda não existe uma versão previdenciária do V10.
SPX Nimitz e SPX Raptor
Breve histórico da SPX
A gestora foi fundada em 2010 por três sócios cujas iniciais dos sobrenomes deram origem ao nome da casa: Daniel Schneider (S), Bruno Pandolfi (P) e Rogério Xavier (X). Atualmente, a equipe é composta por cerca de 260 profissionais, incluindo membros que trabalham juntos há quase três décadas e com 45 pessoas como sócias do negócio.
Rogério Xavier foi diretor responsável pela tesouraria e assumiu, posteriormente, a diretoria executiva de Gestão de Recursos de Terceiros (até 2010) no BBM. Bruno Pandolfi e Daniel Schneider ingressaram no banco em 1996, tornaram-se sócios em 2003 e atuaram lá até 2010, quando se juntaram para criar a gestora SPX Capital.
Hoje, a SPX é uma das gestoras mais reconhecidas e respeitadas da indústria brasileira, com presença em mais quatro países, com aproximadamente R$ 50 bilhões sob gestão. Desse montante, cerca de 30% correspondem a recursos administrados no exterior, enquanto aproximadamente metade do patrimônio está concentrada nas estratégias multimercado.
Em 2012, a gestora iniciou sua vertical de renda variável com a chegada de Leonardo Linhares, gestor dos fundos recomendados SPX Falcon e SPX Patriot. Em 2021, foi a vez de Albano Franco liderar a criação da vertical de crédito, por onde também recomendamos os fundos SPX Seahawk e SPX Seahawk Plus (com viés global). A SPX foi uma das pioneiras no mercado brasileiro a desenvolver o conceito de incorporar novas verticais de investimento dentro da mesma gestora.
Ao todo, a casa se divide em 6 braços de atuação, ou “negócios”, como costumam se referir, que são os Multimercados, Ações, Crédito, Previdência, Real Estate e Private Equity.
Historicamente, a casa não contava com a figura de um CIO dedicado à área de multimercados, embora Rogério Xavier sempre tenha exercido forte protagonismo nas decisões de investimento. Entretanto, diante dos resultados abaixo do esperado nos últimos anos, a estrutura de gestão foi revisada.
Bruno Pandolfi passa a assumir formalmente a posição de CIO da área em 2026, com o objetivo de consolidar a visão estratégica dos fundos, otimizar a alocação de risco entre os diferentes gestores e reduzir a dispersão das estratégias.
A reorganização também contempla a operação internacional da SPX, especialmente com o fechamento do escritório de Londres. A tendência é que o escritório de Singapura permaneça ativo e passe a concentrar parte das funções estratégicas anteriormente desempenhadas pela equipe em Londres.
Por fim, vale destacar que a SPX inaugurou recentemente um escritório em Abu Dhabi, reforçando sua presença internacional e buscando atender à crescente demanda de investidores estrangeiros.
Estratégia
A vertical de fundos de multimercado macro conta com uma extensa equipe que atua em 5 classes de ativos: juros, moedas, ações, commodities e crédito. O time é dividido em diversos books independentes e diversificados, com riscos individuais redefinidos periodicamente.
Com filosofia de gestão fundamentalista, pautada por uma profunda abordagem macro e microeconômica, as alocações dos fundos são teses de investimentos que buscam elevada margem de retorno em horizontes de investimentos de médio e longo prazo e uma rigorosa avaliação dos riscos envolvidos.
A estratégia seguida pelos fundos Nimitz e Raptor, assim como nos demais fundos multimercados da SPX, é semelhante à tesouraria de um banco, até pelo histórico profissional dos principais sócios.
Como mencionado acima, Bruno Pandolfi passa a ser CIO das estratégias, portanto, ainda que os books tenham muita liberdade de atuação, ele se torna uma figura central para a tomada de decisão final e alinhamento entre as ideias e propostas de investimentos entre os books.
O SPX Nimitz é a estratégia core que recomendamos, já o Raptor nada mais é do que a versão alavancada do Nimitz, tendo o dobro do orçamento de risco. Hoje em dia, ambos os fundos são destinados a investidores qualificados.
Quantitativo do fundo
Observação: as propostas que buscam seguir o Nimitz são o Lancer e o Lancer Plus, que vêm rodando muito próximos entre si e com uma potência próxima de 80% do Nimitz. Ambos são destinados para o público geral. Aqui vale uma observação: o Lancer Plus foi criado com algumas flexibilidades extras de regulamento, mas que não estão causando diferença real quando comparado ao Lancer..
Verde AM 60
Breve histórico da Verde
A Verde Asset Management foi fundada em 2015 por Luis Stuhlberger e sua equipe, após mais de duas décadas de atuação conjunta na Hedging-Griffo e, posteriormente, no Credit Suisse Hedging-Griffo.
A gestora nasceu para dar continuidade à filosofia de investimentos desenvolvida desde 1997 com a criação do icônico Fundo Verde, um dos multimercados mais bem-sucedidos da história do Brasil. Atualmente, administra cerca de R$ 15 bilhões e conta com uma equipe de 55 profissionais.
Luis Stuhlberger é o principal gestor do Fundo Verde e acumula as funções de CEO e CIO da gestora. Sem dúvida, é um dos profissionais mais experientes e respeitados do mercado financeiro brasileiro. Sua carreira teve início em 1981, como operador de mercados futuros e commodities na Hedging-Griffo, onde posteriormente assumiu a direção da corretora e estruturou a área de gestão de fundos. Ao seu lado está Luis Parreiras, seu principal parceiro na condução da gestora, dividindo responsabilidades tanto na gestão dos investimentos quanto na administração do negócio.
Desde sua origem, a Verde se destacou por uma gestão macro global, baseada em análises profundas, visão de longo prazo e rigoroso controle de riscos. A preservação de capital sempre esteve no centro da filosofia da casa, enquanto a integração entre equipes especializadas em diferentes classes de ativos fortaleceu sua capacidade de identificar oportunidades em diversos mercados e cenários econômicos.
Ao longo dos anos, a gestora expandiu sua atuação para estratégias de ações, crédito, previdência e investimentos globais, consolidando uma plataforma diversificada sem abrir mão de sua identidade como gestora macro.
Em 2023, a Lumina Capital, fundada pelo brilhante Daniel Goldberg, tornou-se sócia da Verde, inaugurando uma nova fase de crescimento. A parceria agregou expertise em crédito estruturado global e ativos alternativos, ampliando o universo de oportunidades para os fundos da gestora.
Em 2025, a Vinci Compass adquiriu o controle da Verde, em uma transação que prevê a aquisição integral da companhia ao longo de cinco anos, condicionada ao cumprimento de determinados gatilhos. Segundo a própria gestora, a integração tem ocorrido de forma bastante positiva, preservando a independência do processo de investimentos enquanto amplia a capacidade analítica e operacional da casa.
O acordo também prevê a permanência de Luis Stuhlberger e Daniel Goldberg por pelo menos cinco anos e, pelas conversas que tivemos com pessoas da gestora, existe a expectativa de que ambos permaneçam por um período ainda maior.
Estratégia
O fundo é o carro-chefe da gestora e tem Luis Stuhlberger como principal tomador de decisões, atuando em estreita parceria com Luiz Parreiras. A estratégia busca explorar assimetrias de informação para construir um portfólio capaz de gerar retornos consistentes ao longo dos diferentes ciclos de mercado.
Por filosofia, o Verde sempre teve como principal objetivo a preservação de capital, combinada com uma seleção criteriosa de ativos que permita entregar retornos superiores aos que a maioria dos investidores conseguiria obter por conta própria. Em diversos períodos de sua história, essa proposta foi amplamente superada, com desempenho significativamente acima dessa expectativa.
Para alcançar esse objetivo, o fundo mantém uma carteira estruturalmente diversificada, distribuindo riscos entre diferentes classes de ativos e mercados. Eventualmente, também incorpora teses menos convencionais, como ocorreu recentemente com a exposição ao Bitcoin, sempre por meio de alocações moderadas e compatíveis com seu perfil de risco.
A gestão evita estratégias excessivamente alavancadas, entendendo que perdas expressivas podem comprometer de forma permanente a capacidade de geração de patrimônio. Além disso, utiliza instrumentos de hedge sempre que julga necessário, reforçando seu compromisso histórico com a preservação do capital dos cotistas.
Quantitativo do fundo
Observação: Aqui temos uma questão pontual quando olhamos para o fundo previdenciário. Embora a filosofia por trás da estratégia seja muito parecida, o fundo de previdência que recomendamos é tocado no dia a dia de forma mais ativa por Luis Parreiras, o que traz algumas diferenças pontuais.
Há pouco mais de um ano, a Verde Asset lançou seu fundo principal também na versão de previdência, com apenas algumas limitações regulatórias. Estamos avaliando a possibilidade de incluí-lo na nossa lista de aprovados após esse período inicial de acomodação operacional.
Vista Hedge e Vista Multiestratégia
Breve histórico da Vista
Fundada em 2014 por João Landau, atual CIO, e João Lopes, que posteriormente deixou a gestora, a Vista Capital se define como um dos poucos "hedge funds raiz" do Brasil, justamente por ter uma gestão mais arrojada e orientada à busca de retornos expressivos. Para isso, a casa adota uma abordagem de investimentos mais volátil e arriscada.
Antes de fundar a Vista, Landau construiu uma carreira sólida tanto em análise de ações quanto em macroeconomia. No BTG Pactual, especializou-se na cobertura do setor de óleo e gás como analista de equity research. Posteriormente, entre 2008 e 2014, foi sócio e gestor macro da Paineiras Investimentos, experiência que moldou a filosofia de investimentos da gestora.
Em 2021, após um longo período de forte desempenho e crescente destaque na indústria, a XP Inc. adquiriu uma participação de 20% na Vista Capital. A operação teve como objetivo acelerar o crescimento da gestora, preservando sua independência na gestão dos investimentos e sua estrutura de governança.
Impulsionada pelos resultados alcançados, a Vista passou a investir na expansão de sua equipe e na especialização em novas frentes de atuação. Nesse contexto, Landau optou por descentralizar parte relevante do processo de investimentos, compartilhando a tomada de risco com novos gestores. No entanto, a mudança coincidiu com um período bastante desafiador para os mercados e os resultados ficaram abaixo do esperado a partir de 2022.
Diante desse cenário, a gestora promoveu um ajuste de rota e retomou um modelo mais concentrado, devolvendo a maior parte da responsabilidade pelas decisões de investimento a João Landau.
Desde 2024, a Vista conduz um amplo processo de reestruturação, com foco na simplificação da tomada de decisão, redução da equipe e fortalecimento do alinhamento societário entre os profissionais que permaneceram na casa.
Até então, a gestora contava com uma estrutura composta por seis co-gestores compartilhando as decisões de investimento, modelo que, segundo a própria Vista, não se mostrou adequado para uma casa concentrada em poucas estratégias.
Como parte dessa reestruturação, a equipe foi reduzida de 35 para cerca de 25 profissionais nos últimos dois anos e o patrimônio sob gestão passou a girar em torno de R$ 1 bilhão.
Estratégia
O Vista Multiestratégia foi o primeiro fundo criado pela Vista Capital. Desde o seu início, o fundo se destacou na indústria por seu apetite por risco significativamente maior que a média. Enquanto a maioria dos fundos multimercados arrojados mantinha uma volatilidade anual entre 10% e 12%, o Vista Multiestratégia iniciou suas operações com uma volatilidade que ultrapassava 20%, quase o dobro de seus pares.
Em 2018, a Vista Capital lançou o Vista Hedge, uma versão menos concentrada da sua estratégia principal. Apesar de a intenção ser oferecer um produto com menor volatilidade, o Vista Hedge ainda apresenta uma volatilidade comparável à dos multimercados de mais alto risco disponíveis no mercado.
O time adota uma estratégia de alta convicção, concentrando o patrimônio em oportunidades de investimento de grande potencial, o que pode levar a períodos de espera até que essas oportunidades surjam. E quando essas convicções aparecem, costumam concentrar boa parte do patrimônio para maximizar ganhos.
A estratégia tem um estilo diferente, saindo um pouco daquele modelo mais tradicional dos fundos multimercados de operar juros, moedas e bolsa majoritariamente. Historicamente, a Vista mexeu muito com petróleo, tanto em operações compradas (aposta na alta) quanto vendidas (aposta na queda), além disso buscam teses alternativas, como urânio, bolsas específicas como a Argentina, entre outras.
Os fundos Vista Multiestratégia e Vista Hedge equilibram essas teses com proteções (hedges) para suavizar o impacto até que as teses principais amadureçam. Essa abordagem pode gerar ganhos impressionantes quando bem-sucedida, mas também acarreta riscos significativos, resultando em perdas relevantes, como as enfrentadas atualmente após anos de resultados expressivos.
Quantitativo do fundo
Observação: a casa tem estratégias muito rebuscadas para que a legislação de previdência permitisse algo muito próximo ao real, por isso, o fundo previdenciário roda com 50% da potência do Vista Hedge, o que de certa forma significa dizer que pega cerca de 25% da potência do Vista Multiestratégia atualmente.
Nossa visão sobre esse momento desafiador da indústria de multimercados
O mercado, de fato, vem sendo extremamente complexo para os fundos multimercados nos últimos anos.
Desde 2020 já vimos pandemia, choque inflacionário, um dos ciclos de aperto monetário mais rápidos das últimas décadas, a guerra entre Rússia e Ucrânia e, mais recentemente, o conflito no Oriente Médio, com o fechamento do Estreito de Ormuz.
É muito difícil fazer gestão diante de um grau tão elevado de imprevisibilidade, ainda mais quando as coisas mudam “sem lógica” alguma.
Em março de 2026, mês do início do conflito entre EUA e Irã, o petróleo disparou e os mercados emergentes sofreram com uma forte saída de capital global. Esse movimento foi justamente o oposto do posicionamento predominante entre os fundos multimercados, fazendo com que apenas 6% da indústria superasse o CDI no mês (um dos piores desempenhos mensais da história da classe).
No acumulado desde 2022, a indústria registrou quase R$ 700 bilhões em resgates líquidos. É um número impressionante, mas que precisa ser interpretado dentro do contexto.
O principal desafio não tem sido incapacidade de gestão ou falta de disciplina no controle de riscos. O problema é outro: gerar alfa acima de um CDI que se tornou elevado, consistente e extremamente competitivo.
O custo de oportunidade do investidor mudou. A renda fixa passou a oferecer uma alternativa mais simples, previsível e bastante rentável, elevando de forma estrutural a régua de comparação para os gestores. Mas, como todo ciclo de mercado, este também não deve durar para sempre.
Na nossa visão, a indústria de multimercados, apesar do momento recente bastante difícil, tem plenas condições de recuperar seu protagonismo.
Os gestores que atravessaram esse período com disciplina, controlando riscos sem abrir mão da convicção em suas teses, tendem a sair mais fortalecidos do que enfraquecidos.
O mercado tem memória seletiva e costuma julgar uma classe de ativos pelo seu pior momento. A história, porém, mostra justamente o contrário: quem sobrevive a uma tempestade mantendo o processo de investimento, a equipe e a cultura intactos costuma estar na melhor posição para capturar os retornos quando o ciclo muda.
Isso não significa que qualquer gestor que simplesmente "sobreviveu" entregará bons resultados. Sobreviver, por si só, não é um selo de qualidade. Mas os bons gestores certamente saberão navegar quando a maré voltar a ficar para peixe.
A queda do CDI e um eventual fechamento das curvas de juros devem criar um ambiente muito mais favorável para os fundos multimercados mostrarem do que são capazes. Isso pelo motivo que, quando os juros futuros caem, no jargão, a curva "fecha", cenário que costuma ajudar bolsa, prefixados e boa parte das apostas dos multimercados
E quem manteve o compromisso com a qualidade ao longo da tempestade provavelmente será um dos primeiros a colher os frutos quando o vento voltar a soprar a favor.
Ficamos por aqui
Os fundos multimercados são uma excelente alternativa para compor um portfólio verdadeiramente diversificado. Como qualquer investimento, porém, precisam ser bem compreendidos para que ocupem o espaço adequado dentro da sua estratégia.
O objetivo deste relatório foi justamente fornecer informações que ajudem você a entender melhor essa classe de ativos e a tomar decisões de investimento de forma mais consciente, construindo uma jornada mais estável e consistente ao longo do tempo.
Se ainda restou alguma dúvida, fique à vontade para compartilhá-la em nossa comunidade ou durante as lives semanais. Será um prazer continuar essa conversa.
Um grande abraço e bons investimentos!
Rodrigo Xavier | CNPI 8996
Sobre os analistas
Rodrigo Xavier
Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.