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CPTI11: Novo FI Infra recomendado

Escrito por Eduardo Perez em RENDA FIXA

10 min de leitura

Cenário e Indicadores em Destaque

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Dados: IBGE, BCB e FGV

Abril terminou com a decisão do Copom de reduzir a Selic de 14,75% para 14,50% ao ano em linha com o esperado pelo mercado.

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Fonte: BCB 

O tom do comunicado e da ata mostrou um BC preocupado com os impactos do preço do petróleo, piorando a desancoragem das expectativas, e ressaltou que o ritmo e extensão do ciclo de corte podem ser revistos caso julgue necessário.

Nos índices de preços, o IGP-M de abril ficou acima das expectativas já muito altas do mercado pelo impacto do preço do petróleo. Tanto produtos com plástico como alimentos pressionaram o resultado.

No IPCA-15, apesar do resultado abaixo das expectativas, o que segurou a alta ainda maior do índice foi a queda no preço de passagens de avião, que tem menor impacto na inflação da maioria da população, então a leitura foi de que qualitativamente o índice veio pior do que a alta de 0,89% do mês de abril, que ficaria abaixo de 1% de projeção de mercado.

Novo FI Infra

A partir de maio vamos contar com a participação do mais novo FI Infra nas carteiras de valorização de ativos, o CPTI11, da Capitânia.

Ele chega com alguns objetivos claros na nossa carteira e vou explicar cada um para você, mas antes vou apresentar a gestora.

A Capitânia

A Capitânia Investimentos é uma gestora independente fundada em julho de 2003, em São Paulo, por Arturo Profili, Ricardo Quintero e César Lauro — os três ex-executivos das áreas de trading, estruturação e vendas de tesouraria do Bank of America no Brasil, que deixaram a instituição quando o banco encerrou suas operações no país. A casa já nasceu com foco em crédito privado e é vista como uma das pioneiras do setor.

A gestora completou 22 anos de mercado e hoje gere mais de R$ 20 bilhões em ativos, com uma equipe de 43 profissionais além de mais de 250 mil investidores pessoas físicas e mais de 100 investidores institucionais.

Atualmente, Ricardo Quintero é o CEO, Christopher Smith lidera a área de crédito privado e Caio Conca, a gestão imobiliária.

No braço de infraestrutura, Rogério Lino e Monik Dourado lideram a gestão do dia a dia do CPTI11. Eles trabalham juntos há cinco anos na estratégia, e Monik está no fundo desde o início.

A gestora começou focada em fundos multimercado, mas ao longo dos anos migrou sua vocação para crédito privado e imobiliário. Depois expandiu fortemente para previdência aberta e em 2021 lançou o CPTI11, seu FIs-Infra listado focado em debêntures incentivadas de infraestrutura.

A grade de produtos inclui fundos de crédito privado abertos (Capitânia Top, Capitânia Premium), fundos imobiliários listados (CPTS11 - Capitânia Securities II, um dos maiores FoFs/papel do mercado com mais de 370 mil cotistas além de CPSH11, focado em shoppings), FI-Infra (CPTI11), Fiagro e fundos de previdência com diversas seguradoras.

O CPTS11, aliás, já está presente nas carteiras de valorização na classe FII, o que significa que a Capitânia não é uma gestora nova para nós. Então o CPTI11 amplia a presença de uma casa que já conhecemos e acompanhamos.

O CPTI11 nas carteiras recomendadas

O primeiro objetivo que quero listar para você com a inclusão do CPTI11 é de diversificar a exposição na categoria de FI Infra, servindo como um contraponto caso o JURO11 tenha um momento de estresse de mercado com as suas cotas negociadas na bolsa.

Só para deixar bem claro, eu não vejo nada de errado com o JURO11, mas essa é uma oportunidade muito boa de aumentar a diversificação com a exposição em dois fundos de infraestrutura ao mesmo tempo que o retorno potencial da classe aumenta.

O novo FI Infra entra nas carteiras de valorização via ativos diretos, ocupando metade do espaço anteriormente destinado ao JURO11 sendo que a mudança vale para todas as quatro faixas de patrimônio.

O peso total da classe RF Dinâmica não mudou, ainda fica em 20%.

Para quem já tinha uma alocação no JURO11, é obrigatório fazer a venda para realocação no CPTI11?

Não. Essa substituição pode acontecer gradualmente conforme os novos aportes vão sendo feitos ou a alocação estrutural exija que você realoque nas classes, por exemplo, alguma  ação ou FII que subiu acima do limite percentual recomendado, então a redistribuição desse lucro deve ser em todos os ativos recomendados e aí, sim, aportes no CPTI11 entram em ação.

Então essa transição deve ser o mais tranquila possível para você.

O CPTI11 já constava na lista de fundos aprovados da Finclass desde abril de 2026, com base no relatório de análise elaborado pelo Rodrigo Xavier, nosso analista de fundos. No relatório o fundo foi aprovado como recomendação conjunta dos times de fundos e de renda fixa, ficando disponível para inclusão nas carteiras de valorização e de renda. Este movimento formaliza essa entrada.

Novos pesos dos FIs Infra na carteira de valorização de ativos

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Por que dois FI-Infra em vez de um?

Embora CPTI11 e JURO11 invistam no mesmo universo — debêntures incentivadas de infraestrutura sob a Lei 12.431 — os dois fundos são geridos por equipes diferentes, com processos de crédito distintos e carteiras que não se sobrepõem integralmente. Essa combinação gera diversificação real em três dimensões: gestora, perfil de carteira e comportamento de mercado.

Sobreposição setorial: existe, mas não é redundância

Ambos investem nos mesmos setores de infraestrutura — energia, rodovias, saneamento, telecom, logística. Isso é inevitável: o universo de debêntures incentivadas no Brasil é concentrado nesses segmentos. No entanto, dentro de cada setor, as debêntures específicas são diferentes. O CPTI11 detinha 97 ativos na posição de fevereiro/26, com nenhuma posição acima de 1,5% — e conforme apontado pelo Rodrigo Xavier em seu relatório de aprovação, a composição setorial de certa forma acompanha a curva de capex do Brasil em infraestrutura, contemplando inclusive setores pouco convencionais como parques, escolas e hospitais.

O JURO11 distribui seu patrimônio por mais de 70 ativos via 4 fundos master, também com concentração máxima abaixo de 5%. Na prática, se um emissor específico tiver problemas de crédito, é improvável que ambos os fundos tenham exposição relevante à mesma debênture e, mesmo que tenham, a concentração baixa limita o impacto.

Diferenças na gestão

A Sparta (JURO11) se destaca pela gestão ativa de trading. A equipe gira entre 10% e 20% da carteira por mês, buscando ganhos de marcação a mercado além do carrego. O fundo também tem a capacidade de fazer swap de IPCA para CDI, podendo migrar 100% da carteira para pós-fixado em cenários de deflação ou abertura de juros longos. Essa flexibilidade explica a duration mais curta (~3,5 anos) e a menor volatilidade da cota patrimonial.

A Capitânia (CPTI11) opera com uma filosofia diferente. A gestão divide a carteira em dois books: um de carrego, voltado para a manutenção de posições de longo prazo, e um de giro, que permite capturar oportunidades de mercado com mais agilidade. A carteira atual tem duration de 4,63 anos, spread de 194 bps e carrego bruto de IPCA+9,26% — todos superiores ao JURO11. A equipe é organizada por setores, com análise profunda de cada concessão antes da alocação, priorizando ativos colateralizados com fluxos previsíveis.

A estrutura de governança é robusta: os cases de investimento passam por um conselho composto por cinco membros da alta liderança, com exigência de unanimidade para aprovação.

Essa diferença de abordagem entre as duas gestoras significa que os fundos podem se comportar de forma diferente em cenários distintos.

Em um cenário de fechamento de spreads e queda de juros, o CPTI11 com duration mais longa tende a se beneficiar mais na valorização da cota patrimonial. Em um cenário de abertura de juros, o JURO11 com duration menor e capacidade de swap para CDI tende a sofrer menos. Para o cotista, ter os dois é ter proteção parcial nos dois cenários.

Diversificação como proteção contra estresse de mercado

Um risco frequentemente subestimado em FIs Infra listados é o descasamento entre a cota patrimonial e o preço de mercado. Mesmo que a carteira de debêntures esteja saudável, a cota na B3 pode sofrer pressão vendedora por fatores que não têm relação com o crédito subjacente, como resgates forçados de fundos abertos que detêm o ativo, movimentos de pânico em renda variável, ou simplesmente falta de liquidez em um dia específico.

O JURO11, com mais de 93 mil cotistas e presença em diversas carteiras recomendadas, tem uma base ampla que é positiva para a liquidez, mas que também significa que em momentos de estresse generalizado, muitos investidores podem tentar vender ao mesmo tempo, ampliando o desconto ao VP.

Entra aqui outro ponto interessante, o JURO11 historicamente é negociado levemente acima de 1x o seu P/VP enquanto o CPTI11 é historicamente negociado abaixo de 1x o P/VP.

Dividend yield: CPTI11 entrega mais renda

Agora que vimos a qualidade e história da equipe que faz a gestão do CPTI11, vamos dar uma olhada no retorno.

Nos últimos 12 meses, o CPTI11 distribuiu um dividend yield de 13,85% contra 11,76% do JURO11. Essa diferença vem de dois fatores: o carrego bruto mais alto da carteira da Capitânia e o fato de a cota negociar com desconto de 5% sobre o valor patrimonial (P/VP de 0,95x contra 1,01x do JURO11 e lembrando que o FI Infra da Sparta tem o costume distribuir o excedente dos R$ 100 de cota patrimonial).

Em termos de dividendo por cota, o CPTI11 distribuiu uma média de R$ 1,04/mês (com o último pagamento de R$ 1,15 em abril/26) enquanto o JURO11 vinha mantendo um padrão de R$ 1,00/mês até março/26, mas anunciou distribuição de R$ 0,75 por cota referente a abril/26 — uma redução de 25%. Isso aconteceu porque a Sparta utiliza uma política interna de distribuir o excedente acima de R$ 100 da cota patrimonial, e a marcação a mercado negativa das debêntures em abril (por conta da abertura de juros reais) comprimiu esse colchão. Oscilações pontuais no dividendo de FI Infra são normais, mas o episódio ilustra bem por que concentrar 100% da posição em um único fundo carrega risco de volatilidade na renda. Com a cota do CPTI11 mais barata (R$ 90 vs R$ 102), cada real investido já gerava aproximadamente 27% mais renda no CPTI11 — e com essa distribuição mais recente do JURO11, a diferença se amplia ainda mais no curto prazo.

Já a Capitânia opera com outra filosofia — antecipa distribuições usando o caixa do fundo e depois recompõe as reservas quando os cupons semestrais das debêntures são pagos. Isso gera mais previsibilidade no dividendo. A distribuição recente subiu da faixa de R$ 1,00 para R$ 1,10–R$ 1,15 a partir de janeiro/26. São abordagens diferentes para o mesmo problema — nenhuma é errada, mas geram comportamentos bem distintos no dividendo, o que é mais um argumento para ter os dois.

É importante lembrar que ambos são FIs Infra e que o dividendo inclui tanto os juros reais quanto a correção pelo IPCA. Em períodos de inflação mais alta, os dividendos de ambos tendem a subir; em períodos de IPCA mais baixo, tendem a recuar. Esse comportamento é diferente dos FIIs de tijolo, onde a inflação se reflete na valorização do imóvel e da cota, não no dividendo. Para manter o poder de compra da posição em FIs Infra, o ideal é reinvestir a parcela inflacionária do rendimento.

Histórico de DY anual

O CPTI11, desde sua criação em 2021, apresentou DY anual de 11,03% em 2021 (ano parcial), 17,88% em 2022, 12,53% em 2023, 15,73% em 2024 e 13,70% em 2025. O JURO11, que começou em 2020, tem distribuído de forma mais estável, com DY anual na faixa de 11% a 13% nos últimos anos, reflexo da gestão mais conservadora e da duration menor.

Conforme a análise quantitativa do Rodrigo Xavier, o CPTI11 acumulou retorno total de 82,3% desde o início (considerando reinvestimento de dividendos), contra 44,3% do IMA-B no mesmo período, superando o benchmark em todos os anos. A volatilidade de 11,4% desde o início é inferior à dos outros dois FIs Infra recomendados — IFRA11 (14,4%) e KDIF11 (13,4%).

Preço de entrada: CPTI11

O CPTI11 negocia hoje a R$ 90 com P/VP de 0,95, ou seja, o investidor está comprando a carteira de debêntures com desconto de 5% sobre o valor patrimonial de R$ 94,44. Se o desconto convergir para zero ao longo do tempo, há um ganho de capital implícito de ~5% além do yield. O JURO11 negocia a R$ 102 com P/VP de 1,01, sem essa margem adicional.

Para FIs Infra com benchmark atrelado ao IMA-B, considera-se aceitável um P/VP de até 1,05 para compra, dada a alta qualidade das carteiras e a isenção fiscal tanto sobre dividendos quanto sobre ganho de capital. Com o CPTI11 a 0,95, estamos entrando com margem confortável dentro desse parâmetro.

Viabilidade do preço da cota nas faixas menores

Na faixa de R$ 10.000 (Ativos 10K), o peso de 3,75% para cada fundo representa um alvo de R$ 375 por posição. Com a cota do CPTI11 a R$ 90, cabem 4 cotas (R$ 360). Com a cota do JURO11 a R$ 102, cabem 3 cotas (R$ 306).

A granularidade é limitada, mas funcional, e na verdade é marginalmente melhor do que a situação anterior, onde o JURO11 sozinho a 7,5% (R$ 750 de alvo) permitia apenas 7 cotas (R$ 714). Nas faixas de R$ 50K+, a restrição de cota é irrelevante.

O que muda para o investidor

A posição em RF Dinâmica isenta fica mais diversificada em termos de gestora e estilo de gestão. O DY esperado da parcela FI Infra sobe de 11,76% para aproximadamente 12,80% (média ponderada dos dois).

A duration média da posição combinada sobe marginalmente (de ~3,5 para ~3,9 anos), mas com a contrapartida de um carrego bruto mais alto e um preço de entrada com desconto ao VP.

A exposição total ao setor de infraestrutura permanece a mesma. O que muda é a granularidade dentro dessa exposição.

Critérios de compra

Para o CPTI11, recomendamos compra com P/VP de até 1,05. Acima disso, o desconto ao VP que justifica parte da tese se reduz significativamente.

Aproveito para convidar você para acessar diretamente o relatório de fundos do Rodrigo mencionado através deste link.

Lista de bancos aprovados e reprovados

Atualizando nossa lista de bancos aprovados e reprovados para aplicações de renda fixa, tivemos uma expansão dos nomes com a adição dos bancos Inter, Agibank, Pine e Bocom.

Entre os novos reprovados estão Neon, por excesso de alavancagem e lucro líquido negativo, Simpala, por uma Basileia preocupante de 3,11%, e até, para minha surpresa, a Port Seg, que reportou Basileia de 10,91%, resultado acima do limite do BC, de 10,50%, porém abaixo dos 11% de mínimo do nosso modelo — e acredito que eles se mantenham nos próximos trimestres acima desse patamar de 11.

E tivemos a melhora da Basileia reportada pelo Banco Arbi de 10,5% para 11,70%, mas ainda vamos mantê-lo em observação por conta da nota final abaixo do corte de 7.

Aprovados

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Reprovados

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Sobre os analistas

Eduardo Perez

Especialista em Renda Fixa

Eduardo Perez é analista CNPI-P, com certificações CGA e CGE da Anbima, e especialista em renda fixa na Finclass. Formado em Economia e Gestão Financeira, construiu sua trajetória no mercado financeiro passando por diferentes áreas, desde o atendimento ao cliente na Easynvest até o research de renda fixa e análise macroeconômica no Nubank, onde também contribuiu com recomendações e conteúdos para o portal InvestNews. Posteriormente, atuou na mesa de operações de renda fixa, integrando a equipe de gestão do book proprietário. Acredita que o mercado de capitais brasileiro ainda tem um amplo espaço para crescimento e amadurecimento, especialmente do ponto de vista do investidor pessoa física, e vê a educação financeira como o principal caminho para transformar esse potencial em decisões de investimento mais conscientes e eficientes.