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DOT: a interação entre os blockchains

Escrito por Thales Inada em ALTERNATIVOS

9 min de leitura

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Conforme comentei no nosso último relatório, graças ao poder do blockchain, muitas soluções descentralizadas estão surgindo com esse novo mercado de criptoativos. Certamente, a internet é parte indispensável do nosso dia a dia, e ela vai ficar ainda melhor, afinal, estamos vivendo a transição da WEB 2.0 para a WEB 3.0.

Hoje vamos falar do projeto que está tornando cada vez mais possível essa nova internet, que facilita a interação entre diversos projetos. Essa solução vai desafiar o modelo atual da Ethereum, pois quer aumentar a escalabilidade ao dividir as tarefas e também otimizar a usabilidade do sistema, e por disponibilizar o acesso aos diversos serviços já existentes. 

Esse mercado é muito dinâmico, e a concorrência entre os criptoativos certamente é muito acirrada. Aqui, todos os projetos ainda estão em desenvolvimento, sendo que as chances de novos surgirem com soluções inovadoras, como a Polkadot, é muito grande.

Mas se a Polkadot é tão boa assim, Thales, por que você deixou esse projeto como um dos últimos a serem recomendados?

Conforme comentei no relatório anterior, esse projeto é um pouco mais abstrato do que os trazidos aqui anteriormente. Mas, agora, com a ideia da WEB 3.0, baseada na interação entre os projetos, acredito que ficou mais fácil imaginar o potencial dela.

Então, caso você tenha achado o modelo da Ethereum complicado, prepare-se, pois certamente a Polkadot é o projeto mais complexo que vou abordar – e é por isso que estou falando dela somente agora.

Polkadot: uma visão geral

Um projeto 100% open source (código aberto), criado para facilitar a descentralização da WEB 3.0 por meio da interoperabilidade dos blockchains.

Até o momento, a interação entre os projetos era bem limitada e difícil de ser aplicada, pois era preciso uma ponte específica entre dois projetos, como por exemplo entre LINK e os projetos DeFi.

Com a Polkadot, essa interação será mais prática, pela unificação da rede, o que permite a comunicação entre os projetos e até mesmo a construção de blockchains próprios em paralelo. Isso resolve um desafio enorme hoje em dia: a dificuldade de um projeto pequeno criar uma rede blockchain robusta o suficiente para ser segura.

Aqui já podemos fazer uma comparação com a Ethereum. Todos os projetos hospedados na Ethereum utilizam sua rede blockchain, por isso, pagam taxas da rede em ETH. A Polkadot permitirá a criação de blockchains paralelas (Parachains), originárias do blockchain principal, portanto, mantendo sua segurança, e, consequentemente, os projetos poderão executar as transações independentemente da rede principal, descentralizando essa tarefa e sem sobrecarregar a rede e com elevação das taxas, como acontece na ETH.

Os fundadores

Robert Habermeier, Gavin Wood e Peter Czaban, fundadores da Polkadot.Fonte: polkadot.network

Assim como a ADA, a Polkadot também foi criada por um dos fundadores da Ethereum. Doutor em Ciência da Computação, Gavin Wood (ao meio, na imagem acima) foi um dos fundadores e o primeiro CTO da Ethereum; isso já mostra que é super reconhecido no mercado. Foi ele quem citou pela primeira vez a ideia de Web 3.0 em 2014. Inclusive, fundou a empresa Web3 Foundation, responsável pela DOT e sem fins lucrativos. Também foi o criador da linguagem de programação Solidity, utilizada para a criação de aplicativos descentralizados (dApps) na rede da Ethereum. Wood é bastante ativo no Twitter e no Medium.

Robert Habermeier (à esquerda) é cofundador da DOT e tem profunda experiência com desenvolvimento em blockchain, sistemas descentralizados e criptografia. Peter Czaban, à direita, é o diretor de tecnologia da Web3, focado em desenvolver a próxima geração de tecnologias descentralizadas, com experiência em aprendizado de máquina, finanças, análise de dados, entre outros.

Ecossistema Polkadot

Assim como a ETH já possui seus padrões prontos de tokens, como o ERC-20, para facilitar a criação de projetos, a Polkadot vai além: ela não cria simples tokens. Por meio de uma ferramenta nomeada Substrate, ela auxilia a criação dos blockchains paralelos (Parachains) de cada projeto, criando um ambiente de multichains, que são conectados à rede principal (Relay Chain). Assim, temos um meio muito mais escalável, pois não depende somente da rede principal para executar as transferências.

Esse modelo torna possível o envio de dados, interoperabilidade e comunicação entre blockchains. Um exemplo pode ser a LINK, que, por meio da rede principal da Polkadot, poderá fornecer seus dados (oráculo) para diversos outros blockchains, sem precisar se ligar diretamente com cada um, como pretendiam fazer.

Portanto, assim como a Ethereum, que tem aplicação em diversas categorias como smart contracts, DeFi, oráculos, entre outrosa, a Polkadot também consegue integrar esses diversos serviços à sua rede.

Como funciona?

Basicamente, temos três ambientes que interagem entre si na Polkadot: a rede principal (Relay Chain), as blockchains paralelas (Parachains) e as pontes (Bridges), conforme ilustrado abaixo.

Fonte: Polkadot Lightpaper

Rede principal (Relay Chain)

É o coração da Polkadot, a área responsável pela segurança da rede, consenso e interoperabilidade. As transações são realizadas fora desta rede, mas é nela onde ficam registradas permanentemente.

Por dividir essa tarefa, permite a Polkadot processar muito mais transações simultaneamente.

Blockchains paralelas (Parachains)

São blockchains paralelas com diversas funcionalidades diferentes. Por originarem da blockchain principal, contam com a mesma segurança da blockchain principal.

Elas que realmente executam as transações independentemente da Rede principal. Por possuir vários blockchains em paralelo executando transações, elimina o congestionamento da rede principal. Isso significa maior escalabilidade e maior adoção de novos projetos, o que acaba favorecendo o crescimento da rede. O alto custo de transações da ETH é um exemplo do que esse modelo veio a solucionar.

Pontes (Bridges)

São elas que realmente fazem a interação entre os blockchains. Também vão permitir a troca de moedas, como BTC e ETH, sem uma exchange central. Assim, ela consegue se beneficiar do que cada uma tem de melhor.

Sobre a DOT

Não se confunda. Até este ponto, eu tinha falado somente do ecossistema da Polkadot. Agora, vou falar exclusivamente do token nativo da rede, a DOT, e suas funções.

Existem três funções para o ativo:

Governança: permite que detentores de DOT participem das votações na rede. Quanto mais tokens detiverem, maior o poder de voto.

Staking: incentivo econômico seguindo o modelo de PoS, mas um pouco diferenciado conforme vamos ver na seção Mineração mais à frente.

União: o ativo que realmente faz a ligação entre as Parachains.

Além dessas funcionalidades do token, investidores e investidoras também podem travar seus ativos (fazer depósitos em DOT para participar) na rede para auxiliar em algumas atividades específicas. Por exemplo, para se tornar um validador de transações ou nomeador (pessoa que nomeia validadores), sua credibilidade será fornecida pelo staking que foi colocado em jogo; se não seguirem as regras, terão seu saldo bloqueado. Também existem os pescadores, que são recompensados por reportarem aos validadores comportamentos maliciosos.

No fim, como quase sempre, ele é utilizado como incentivo econômico para os usuários e para garantir que de fato os participantes da rede vão agir honestamente, pois possuem participação financeira.

Divisão das DOT

A Web3 Foundation ficou com 30% dos fundos para promover o desenvolvimento da Polkadot, mas já possui um plano de distribuição dos ativos para os próximos anos, conforme mostra o gráfico abaixo.

*Rewards são as recompensas de todos colaboradoresFonte: messari.io

Portanto, a distribuição inicial para quem aderiu ao projeto desde o começo vai se manter constante, conforme as camadas inferiores e toda a mineração será distribuída para a comunidade.

Conforme informado na imagem, o setor principal são os smart contracts, então já adianto que seu forte concorrente é a Ethereum.

Na última linha, temos o algoritmo de consenso, que é o Proof of Stake (PoS), mas com uma pequena variação que vamos ver a seguir.

Mineração

Devido à usabilidade crescente do sistema, a Polkadot não foca na escassez e tem uma produção de DOT ilimitada. A partir de 2020, adotaram uma variação do Proof of Stake (PoS), o Nominated Proof of Stake (NPoS).

No PoS, bastava participar de um grupo de mineradores e fazer seu staking. Nesse modelo da Polkadot, os usuários são livres para se candidatar para validadores, mas dependem dos nomeadores para aprovar os candidatos em que confiam. Ambos os cargos precisam bloquear seus tokens como garantia de bom comportamento.

Esse é um modelo de governança “on-chain”, que é apoiada pela comunidade, na qual qualquer um que depositar seus tokens DOT pode propor alterações e participar das votações da rede. Apesar dessa participação ativa, os projetos mais votados precisam passar pelo conselho do time da Polkadot.

Atualmente, a ADA e a DOT são as líderes em capital bloqueado na rede fazendo staking. Isso significa que investidores estão realmente pensando nelas para o longo prazo.

Fonte:https://www.stakingrewards.com/

A recompensa anual é por volta de 13% atualmente. Para quem pretende fazer o HODL da cripto, já é um ganho significativo.

Uma comparação interessante é que esses quase US$ 15 bilhões bloqueados já supera a capitalização total da 10ª criptomoeda do mercado, a UNI, com o total de US$ 13 bilhões.

Parceiros

Logo que a DOT foi lançada nas exchanges, a Polkadot divulgou uma primeira lista de projetos parceiros, inclusive a ChainLink.

Fonte: Polkadot Lightpaper

Atualmente, a Polkadot já conquistou mais alguns parceiros de peso, que não foram abordados nos nossos relatórios, mas que valem a pena ser estudados, como: Ontology (ONT), 0X (ZRX), Reef (REEF) e Ocean Protocol (OCEAN).

Veja a lista completa do ecossistema Polkadot aqui.

Comunidade

Mesmo sendo um ativo lançado recentemente, a DOT já possui uma ótima comunidade para suportá-la e vem acelerando seu passo no crescimento.

  • Desenvolvedores

Com os fundadores à frente do time dos devs, já temos uma ideia do desenvolvimento do projeto. Atualmente com cerca de cem programadores, a Polkadot tem uma equipe global entre as melhores do mundo.

Certamente essa é uma das principais características que devemos analisar. Uma equipe desse porte permite que se tenha uma velocidade de desenvolvimento que concorrentes não consigam alcançá-la, além de dar uma noção do nível de segurança que podem alcançar com seu conhecimento. Afinal, quanto mais gente tomando conta, mais seguro se torna.

Desde 2017, o projeto vem acelerando seu desenvolvimento e crescendo continuamente, conforme demonstrado no gráfico abaixo.

Fonte: santiment.net

  • Carteiras

Conforme vimos na distribuição inicial dos tokens, ainda não temos uma descentralização ideal entre as maiores carteiras, mas como este ainda é um projeto bem novo, tende a se distribuir melhor com o passar do tempo.

Fonte: etherscan.io

  • Twitter

A Polkadot só começou a ganhar reconhecimento quando foi lançada nas principais exchanges, no fim de 2020. Desde então, vem em um ritmo acelerado no crescimento da comunidade.

Vejam como ainda faz pouquíssimo tempo que vem se tornando popular. Certamente, ainda dá tempo de aproveitar o início do projeto.

Fonte: Santiment.net

Concorrentes

Assim como a LINK, a DOT também não tem concorrentes à altura. É uma solução extremamente nova – a interação entre os blockchains ainda é bem limitada, e a Polkadot veio para solucionar esse problema.

Devido à sua grande variedade de aplicações, por se integrar a qualquer blockchain do mercado, podemos considerar que seu principal concorrente é a ETH, citada diversas vezes no decorrer deste relatório.

A evolução da ETH para a DOT foi tão grande que a ETH é considerada blockchain de segunda geração e a DOT, blockchain de terceira geração.

O futuro

A fase atual, que ainda está em teste, é uma das suas principais funções, o lançamento das Parachains. Alguns projetos estão rodando na sua rede de testes, conhecida como Kusama; por enquanto, tudo está correndo perfeitamente bem.

Quando os projetos passarem por essa etapa, serão efetivamente transferidos para a rede principal. Além de superar a fase de teste, as vagas disponíveis para as Parachains serão leiloadas; inicialmente cem vagas vão ser disponibilizadas.

A Polkadot não divulga muito os passos à frente do estágio atual, nem sua previsão de tempo para o avanço, mas o próximo upgrade será uma solução mais barata para projetos menores.

Como podem ver, a DOT ainda está implementando uma das suas principais características, por isso eu realmente não tinha pressa de comentar sobre ela. Sua usabilidade hoje em dia ainda é extremamente limitada, então aqui precisaremos, mais do que nunca, focar no longo prazo.

Imaginando que a ETH 2.0 está estimada para mais de três anos, agora que já temos a possibilidade de atraso, podemos imaginar cinco anos. Imagino que para a DOT realmente podemos pensar em patamares de dez anos.

Com a WEB 3.0, a interação dos projetos certamente vai aumentar cada vez mais. Muitas soluções revolucionárias poderão ser criadas a partir de agora.

Se você realmente quer um projeto para focar e acredita realmente no seu potencial de retorno, a DOT pode ser uma ótima opção para os HODLERs de verdade.

A Polkadot pode integrar na sua rede tudo que tem de melhor no mercado de criptoativos. Essa é sua grande jogada.

Conclusão

Logo que foi lançada, a DOT já iniciou entre as top 10 criptomoedas e está conseguindo se manter nesse patamar. Mas, claro, a Polkadot já vinha sendo desenvolvida desde 2016, e foi lançada nas exchanges somente em 2020.

A preparação deste lançamento foi muito bem planejada e executada pelo time, que certamente é um dos melhores, referência para o mercado.

Ela é uma peça indispensável na WEB 3.0 por ir além do blockchain e gerar uma interação entre os projetos. Ao contrário do que comentei no relatório da ADA, em que disse abertamente que não acredito na sua superação em relação à ETH, acredito, sim, que a DOT pode superar a ETH no futuro. Mas, como esse ainda é um modelo que não provou seu verdadeiro funcionamento, vou ser bem conservador.

Devido a toda essa semelhança, vou tirar 2% da ETH para colocar 2% na DOT.

Outro motivo de tirar um pouco da ETH é para não aumentar muito nossa posição nas altcoins. Aproveitando, agora que você já está terminando este relatório, deixo a sugestão para assistir à minha última live. Nela eu comento sobre a cautela que precisamos ter com as altcoins no momento.

Forte abraço,

Thales Inada

Sobre os analistas

Thales Inada

Especialista em Criptoativos

Especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Finclass. Engenheiro, com MBA em investimentos e Asset Allocation. Iniciou no mercado de criptoativos em 2017, com passagem por importantes exchanges como Binance (a maior do mundo), Mercado Bitcoin (a maior da América Latina) e XDEX, a antiga exchange da XP Inc. Agora, deixou as instituições para ficar do lado de investidoras e investidores, com missão de democratizar o universo dos criptoativos e investimentos alternativos por meio de uma linguagem simples e direta, a fim de tornar esse mercado visionário acessível a todas as pessoas.