Dando sequência ao nosso propósito de garantir sempre boas práticas para proteger nosso poder de compra ao longo da nossa jornada de investimentos, hoje traremos uma recomendação para sua reserva de emergência para aumentar o seu leque de opções.
Após uma série de análises e estudos estatísticos, que podem ser encontrados no artigo: Os efetiso positivos de fazer aportes regulares em sua carteira + Boas pr[aticas para proteger o poder de compra do seu dinheiro , vimos que existem alguns hábitos que se mostraram importantes para você assegurar no médio e longo prazos a proteção do seu patrimônio.
Resumindo as nossas conclusões de maneira breve, podemos citar três que se destacam:
- Fazer boas escolhas de ativos na hora de alocar a sua carteira de investimentos se mostrou um dos fatores mais importantes para proteger seu poder de compra, independentemente da recorrência do investimento.
- A recorrência de investir todos os meses se mostrou eficaz, mas não determinante para proteger sua carteira.
- Caso não consiga alocar periodicamente na sua carteira de investimentos, uma boa prática para ter uma rentabilidade média acima da inflação é o de investir na sua reserva de oportunidade, que pode ser feita em ativos como Tesouro Selic e fundos taxa zero, compostos por ativos pós-fixados indexados ao CDI, índice que sempre se mostrou eficiente quando o assunto é superar a inflação corrente.
E a recomendação de hoje pode servir como importante ponto de parada de sua jornada de investimentos para aquele dinheiro que não vai conseguir alocar nos ativos da carteira da série: o ETF LFTS11.
ETF, sigla de exchange traded funds, é um fundo negociado em Bolsa que visa replicar o desempenho de um índice de referência.
Ele pode ser de ações, buscando replicar o Ibovespa; de renda fixa, visando replicar o IMA-B ou o IRF-M; de indexados à inflação, prefixados, ou de qualquer outro referencial, tanto do mercado brasileiro quanto do internacional. No caso do LFTS11, ele vai andar lado a lado da taxa pós-fixada mais famosa do país, a taxa Selic, e traremos mais detalhes sobre isso à frente.
Lembrando que apresentamos no mês passado nosso primeiro ETF de renda fixa norte-americana, o LQD. E, hoje, traremos um de renda fixa brasileira, que replica um índice com baixo risco de mercado, o Teva Tesouro Selic.
Opções atuais para caixa ou reserva de emergência
Atualmente, para deixar nosso dinheiro alocado em um lugar seguro, com baixa oscilação de preço e liquidez elevada, temos algumas opções, como Tesouro Selic, fundo DI taxa zero, contas digitais de instituições financeiras (tanto as de boas empresas quanto as de outras mais discutíveis) e títulos de renda fixa com liquidez diária atrelados ao CDI, como CDBs, LCIs ou LCAs.
Apesar de já termos um leque considerável, fomos apresentados a uma nova opção nas últimas semanas, justamente o LFTS11, que já adiantamos ser muito competitiva em relação às que temos hoje.
E para saber mais sobre ele, começamos apresentando justamente o índice que ele segue, um ponto fundamental da estrutura desse ativo.
Índice Teva Tesouro Selic
O índice Teva Tesouro Selic é um índice composto pelas LFTs, ou por títulos Tesouro Selic, que vencem em um prazo superior a dois anos. Importante lembrar que a rentabilidade diária de um Tesouro Selic, independentemente do prazo, é muito semelhante dia após dia. Se você ficou com um pé atrás com esse índice, deixa eu mostrar a performance dele em relação ao CDI desde 2016:
Fonte: Teva Índices
Por ser um fundo composto por vários ativos, ele é gerido por uma empresa especializada nisso – no caso, podemos ficar tranquilos, pois se trata de uma das mais competentes do mundo, a Investo.
A Investo é uma gestora independente focada em ETFs do Brasil, ou seja, seus produtos até o momento buscam replicar a performance de índices específicos. O trabalho de gestão na replicação de um determinado referencial é muito menos trabalhoso – e custoso – do que fazer a administração ativa de um fundo, uma vantagem clássica de se investir em ETF.
Enquanto a gestão ativa visa trazer um retorno superior ao dos índices de referência, a passiva, caso do ETF, tem como objetivo replicar o mais fielmente possível a composição dessa referência. Logo, a remuneração desses fundos deve estar muito próxima ao índice que seguem, descontada a taxa de administração.
A Investo nasceu na Universidade de Harvard e é uma fintech que já possui em seu portfólio 16 ETFs disponíveis, contando com mais de 30 mil investidores e cerca de R$ 200 milhões de recursos sob gestão. A VanEck, a quinta maior gestora de ETFs do mundo, com mais de US$ 80 bilhões sob gestão, é sócia-investidora da Investo.
Talvez você já tenha visto ativos da Investo por aí, mas não se deu conta de que eram da empresa:
Fonte: Apresentação Institucional – Investo
Mas enquanto analisávamos esse ativo, nós nos questionamos qual seria o mais interessante para a reserva de emergência: Tesouro Selic, fundo DI taxa zero ou LFTS11.
Para responder a essa dúvida, precisamos antes conhecer os pontos positivos de um ETF mais a fundo para então compararmos com os do Tesouro Selic e do fundo DI taxa zero e, dessa forma, ver quais aspectos são mais vantajosos – que traremos mais à frente.
Primero, as vantagens do LFTS11:
1 – ETFs são isentos de IOF, o imposto sobre operações financeiras
A maior parte dos ganhos provenientes de uma aplicação de renda fixa conservadora, como Tesouro Selic, Fundo DI taxa zero, CDBs e outros, sofre a cobrança do IOF em um período até 30 dias, o que torna essas aplicações desvantajosas se a sua ideia é utilizar o seu recurso em um prazo inferior a esse tempo.
Lembrando que a alíquota do IOF começa em 96% sobre os ganhos obtidos no primeiro dia após a aplicação e só vão a 0% (ficando somente a cobrança do IR) depois de 30 dias.
Confira abaixo a tabela de cobrança do IOF:
Fonte: Spiti
2 – Tributação mais vantajosa
Se você investe há algum tempo, talvez tenha se acostumado com a tributação regressiva, que parte de 22,5% dos ganhos para um período de aplicação de até seis meses e que atinge a alíquota mínima de 15% somente após dois anos, certo?
As aplicações em renda fixa normalmente seguem a tabela de tributação abaixo:
Fonte: Spiti
Mas os ETFs, tal qual o recomendado LFTS11, possuem tributação diferenciada, em que o IR cobrado sobre os lucros é de 15% para qualquer período de aplicação, e isso pode ser uma grande vantagem quando estamos falando de aplicações com prazos inferiores a dois anos.
3 – Não tem come-cotas
Come-cotas é a cobrança antecipada de Imposto de Renda de fundos de investimentos. Ela é realizada semestralmente, nos meses de maio e novembro, e a tributação segue a tabela regressiva do IR. Dessa forma, a presença desse sistema pode deixar a aplicação de um fundo de investimento mais desvantajosa em relação a outras opções.
Imagine que você tenha um lucro através de um investimento em Tesouro Selic de 5% por semestre. Isso significa que, no primeiro semestre de aplicação, a antecipação do IR vai “comer” 22,5% desse retorno, ou seja, 1,125% de imposto antecipado, que você poderia pagar somente na data de resgate.
O fato de o IR ser cobrado apenas no resgate do ETF é uma vantagem que faz muita diferença em termos de aplicação.
4 – Não tem “vencimento”
Um ETF é um fundo de investimentos passivo. No caso do LFTS11, é composto por Tesouro Selic, ou LFTs, que vencem em dois anos ou mais. Quando um desses ativos vence, o dinheiro não cai diretamente em nossa conta, mas é redistribuído entre outros títulos públicos pós-fixados, os que ainda são negociados e os que serão emitidos.
Veja que, quando um título vence, você paga Imposto de Renda, e quanto mais tempo você postergar essa cobrança, maior será o seu retorno no fim das contas – isso é o que chamamos de eficiência tributária.
Você vai ver a diferença quando utilizarmos a planilha de simulação, que compara um mesmo investimento em Tesouro Selic, fundo DI taxa zero e LFTS11.
Vantagens e desvantagens de cada opção
Bom, se estamos pensando em reserva de emergência ou fazer caixa, pensamos logo em Tesouro Selic ou fundo DI taxa zero. A partir de agora, passaremos a considerar também o LFTS11.
Listamos no quadro abaixo as vantagens e desvantagens de cada um deles:
Fonte: Spiti
Uma última vantagem do Tesouro Nacional perante os outros dois é a liquidez que pode ser em D+0, no mesmo dia, se a operação for feita até as 13h, ao passo que a liquidez das outras duas opções são D+1, no dia seguinte da operação. E mesmo comparando as vantagens e desvantagens, é necessário analisar ainda três outros fatores para podermos determinar qual a vencedora entre elas:
- Prazo da aplicação, ou seja, quanto tempo você vai deixar o seu dinheiro parado em cada uma das aplicações.
- Valor aplicado, que significa basicamente quanto dinheiro você vai investir.
- Taxa Selic média para os próximos anos, que é uma estimativa de qual vai ser a taxa básica de juros para os próximos anos em média no país.
Dependendo dos fatores que você considerar, a melhor aplicação pode mudar, e é por isso que resolvemos compartilhar uma planilha, em que você pode determinar o valor da aplicação e a expectativa da taxa Selic média para os próximos anos.
A partir disso, vai conseguir ver qual a aplicação mais vantajosa para um prazo que vai desde um ano até 15 anos.
Vou fazer duas simulações para você entender como funciona.
Simulação 1: aplicação de R$ 25 mil, considerando uma Selic média de 11% ao ano.
Fonte: Spiti
Nesse exemplo, para o prazo de um ano, a opção mais vantajosa é o LFTS11, seguida pelo fundo DI taxa zero e depois pelo Tesouro Selic – já considerando o retorno líquido.
O motivo para isso é que, no Tesouro Selic, a taxa de custódia é de 0,20% para o que exceder R$ 10 mil. Além disso, a alíquota do IR é de 20% para o período de seis meses a um ano. No campeão, o LFTS11, apesar de ser cobrado 0,19% de custódia sobre todo o patrimônio, a alíquota de IR é de 15%, e, em uma Selic de 11% ao ano, essa diferença de alíquota de 5% equivale a uma “economia” de 0,55% em retorno com relação ao fundo DI taxa zero e o Tesouro Selic.
Para o prazo de até dois anos, o vencedor é o fundo DI taxa zero. A alíquota de IR vai para 15%, a menor possível, e ele não tem cobrança alguma, além do IR sobre os lucros. O Tesouro Selic e o LFTS11 pagam a mesma alíquota de 15%, mais taxa de custódia.
Agora, para o prazo entre três e cinco anos, o vencedor é o Tesouro Selic, por conta da alíquota de IR (que chega aos 15%) e pelo fato de que R$ 10 mil do saldo acumulado são isentos da cobrança da taxa de custódia de 0,20% ao ano. Aqui, o fundo DI taxa zero começa a ficar em desvantagem, pois ele antecipa o pagamento de IR semestralmente, o que o torna mais atrativo para prazos maiores de tempo.
E por que depois de um prazo de seis anos o LFTS11 volta a ser mais vantajoso?
Simples, pelo fator “não vencimento”.
Como o LFTS11 não tem vencimento, você só paga o IR na data de resgate, enquanto no Tesouro Selic, a cada cinco anos o seu título vence, e você precisa não apenas pagar o IR, mas também reinvestir um valor inferior em um novo título. Essa “troca” de ativo compulsória faz o LFTS11 se tornar a opção mais rentável para o longo prazo.
Então, o fundo DI taxa zero sempre vai ser o menos vantajoso para prazos maiores?
Nem sempre. Para isso, vamos à próxima simulação.
Simulação 2: aplicação de R$ 25 mil, considerando uma Selic média de 5% ao ano.
Embora esse cenário seja muito improvável nos próximos anos, é interessante ver a mudança no resultado.
Fonte: Spiti
Com a taxa de juros mais baixa, o IR antecipado semestralmente pelo fundo DI taxa zero também é menor, tendo menos impacto ao longo do tempo, o que faz com que se torne bem mais vantajoso.
Como adquirir o LFTS11?
Você pode investir no LFTS11 pelo home broker da sua corretora, mesmo lugar onde consegue adquirir ações, fundos imobiliários e outros ETFs de renda fixa. Basta pesquisar o código/ticker LFTS11 e adquirir quantas contas achar necessário.
Lembrando que o valor de cada cota está em aproximadamente R$ 100.
Conclusão
Considerando nosso cenário base, as aplicações mais vantajosas ficam entre o ETF LFTS11 e o Tesouro Selic. Isso porque não há a expectativa para quedas muito relevantes de maneira estrutural na economia brasileira, pelo menos não em curto e médio prazos, e esse seria o fator determinante para que uma aplicação em fundo DI taxa zero fosse mais rentável.
De qualquer maneira, a diferença entre as alternativas não é fator determinante para você alcançar a liberdade financeira muito mais rápido (caso faça a melhor escolha) ou postergá-la por anos (se optar pela pior).
Para se ter uma ideia, considerando uma taxa Selic de 10% ao ano em média para os próximos 15 anos, patamar muito semelhante ao dos últimos 28 anos, a diferença entre a melhor opção (LFTS11) e a segunda melhor (Tesouro Selic) foi de 5,50%; já entre a primeira e a terceira (fundo DI taxa zero), de 7,13%.
Faça bom proveito da planilha e bons investimentos!
Para fazer o download, clique no link abaixo.
Abraços,
Gui Cadonhotto e Filipe Colus