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ETF XFIX11: uma solução diversificada para acessar fundos imobiliários

Escrito por Ricardo Figueiredo em FUNDOS IMOBILIÁRIOS

7 min de leitura

Olá, assinantes do Spiti One!

Neste relatório, vamos apresentar o conceito de ETF, explicando o que é, como funciona, para que ele serve e como se encaixa em uma carteira de investimentos.

Além disso, traremos as características do XFIX11, que é a nossa recomendação do dia. Ao lado do KFOF11, o ativo compõe as carteiras de menor valor do Spiti One para a classe de fundos imobiliários.

Vamos começar? Boa leitura!

Sobre a indústria de ETFs

ETF é a sigla para exchange traded fund ou, na tradução, fundo negociado em Bolsa. O primeiro ETF, como é hoje, surgiu ainda na década de 1990 na Bolsa de Toronto, no Canadá, com o objetivo de dar acesso a uma carteira de ações representada por um índice. Logo, o instrumento foi ganhando espaço no mercado.

Atualmente, o mercado global de ETF, segundo levantamento da consultoria e provedora de dados ETFGI, reúne cerca de US$ 9,8 trilhões em ativos, distribuídos entre mais de 11 mil produtos listados em mais de 80 Bolsas em 63 países. Os Estados Unidos, de longe, concentram a maior parte dos investimentos, com US$ 6,9 trilhões.

No Brasil, o primeiro ETF surgiu em 2004, como resultado de uma parceria entre o BNDES e o Itaú. Batizado de PIBB (Papéis Índice Brasil Bovespa), o fundo foi estruturado com ações que faziam parte da carteira da BNDESPar, braço de participações do banco federal, e distribuído por meio de oferta pública ao mercado. O PIBB replica o IBrX-50, índice com as 50 ações mais líquidas da Bolsa.

Hoje, o mercado brasileiro conta com 94 ETFs listados – a grande maioria de renda variável –, que espelham os mais variados índices, de amplos a setoriais, tanto locais como do exterior.

Uma diferença interessante que existe entre aqui e lá fora é que, no Brasil, os ETFs disponíveis ainda têm o objetivo exclusivo de acompanhar a variação de um índice, enquanto no exterior o mercado avançou a ponto de existirem estratégias ativas empacotadas em um ETF.

O instrumento tem como grande vantagem o custo mais baixo se comparado às taxas de administração cobradas pelos fundos tradicionais, que buscam entregar retornos acima dos benchmarks de mercado de forma consistente por meio de uma gestão ativa.

Além disso, com poucos recursos e uma única transação, é possível se expor a uma carteira diversificada de ativos representada por um índice. Os ETFs são negociados em ambiente de Bolsa, por meio da compra e venda de cotas, a exemplo das ações ou dos fundos de infra ou imobiliários listados. O lote padrão para transação do ETF é de 1 (uma) cota.

A importância da diversificação

Aqui na Spiti, tratamos da diversificação como um dos fundamentos mais importantes quando se fala de estratégia de investimentos, e quem nos acompanha há algum tempo sabe que, sempre que podemos, reforçamos sua importância.

Tanto na carteira de investimentos como um todo quanto na parcela destinada aos FIIs, a diversificação é essencial para reduzir riscos e possivelmente melhorar o retorno de um portfólio de investimentos.

Setores como logística, escritórios, shopping center, de papel, renda urbana, entre outros, podem ser muito bem combinados no portfolio, fazendo diluir riscos específicos de um segmento. Imagine você estar totalmente alocado ou alocada num setor que, por determinada situação, possa ter uma grande desvalorização. Isso faria sua perda ser muito relevante ao ponto de colocar a construção do seu patrimônio em risco.

Existem várias maneiras de implementar a diversificação dentro de uma carteira de investimentos. E, neste relatório, vamos apresentar um instrumento financeiro que pode facilitar o acesso a vários segmentos de fundos imobiliários, sejam de papel, sejam de tijolo, de maneira rápida, simples e econômica: o XFIX11.

Uma breve explicação do Ifix

Criado em 2012 (com dados retroagidos até dezembro de 2010), o índice de fundos imobiliários (Ifix) é uma carteira teórica composta pelos fundos imobiliários mais representativos e negociados na Bolsa brasileira. A B3 reavalia a composição da carteira do Ifix a cada quatro meses e pode incluir ou excluir FIIs conforme seus critérios de seleção.

O Ifix também é considerado um índice de retorno total, pois seu cálculo considera tanto os rendimentos oriundos de ganho de capital quanto dos dividendos, que são contabilizados como se fossem reinvestidos automaticamente. Atualmente, é o principal referencial dos fundos imobiliários, similar ao famoso Ibovespa para ações.

Em sua configuração vigente, o índice possui pouco mais de 100 fundos imobiliários em sua carteira, com pesos diferentes de acordo com a liquidez e valor de mercado de cada um.

Caso um investidor ou uma investidora queira investir nos fundos imobiliários do Ifix, por exemplo, ele pode adquirir individualmente cada um dos mais de 100 papéis que fazem parte do índice. Porém, essa operação seria muito custosa, em tempo e dinheiro.

Nesse caso, graças ao ETF XFIX11, temos a possibilidade de investir em todos esses fundos imobiliários de forma simples, rápida e com um único investimento.

Os ETFs surgiram justamente para trazer essa praticidade ao mercado: facilitar a vida dos investidores. Desse modo, caso queira aplicar em todos os ativos de um determinado índice, basta comprar cotas de um ETF que siga esse índice de referência.

O ETF XFIX11

O Trend IFIX (XFIX11) é gerido pela XP Asset e foi o primeiro ETF imobiliário do Brasil e busca replicar o desempenho do Ifix.

Ao investir no XFIX11, a pessoa que investe tem acesso a uma carteira diversificada de fundos imobiliários.

Para facilitar a compreensão, trazemos as respostas das dúvidas mais comuns sobre o produto.

Qual o objetivo do XFIX11?

O objetivo do XFIX11 é proporcionar aos investidores uma forma simples e acessível de investir em fundos imobiliários, buscando replicar o desempenho do Ifix e permitindo que essas pessoas obtenham uma exposição diversificada ao mercado imobiliário de forma eficiente e por meio de um único ativo negociado em Bolsa de Valores.

Como comprar um ETF?

Para investir, é só procurar pelo código do ETF que você quer comprar no home broker da sua corretora. Você negocia cotas do ETF como se fossem uma ação ou um fundo imobiliário. 

Quais as regras de movimentação?

Assim como nos fundos imobiliários, o ETF pode ser negociado no horário do pregão regular da B3 e em lotes a partir de uma unidade, assim como você já faz com os FIIs.

Existe prazo de liquidação do ETF?

A liquidação financeira é semelhante à dos fundos imobiliários já estabelecida na B3, ou seja, D+2 ou dois dias úteis após a operação.

Tem taxa de corretagem?

Dependendo da corretora, pode ser necessário pagar uma taxa de corretagem referente às operações de compra e venda. Em algumas corretoras, entretanto, essa taxa não é cobrada.

E taxa de emolumentos?

Assim como nas ações, os emolumentos são taxas cobradas pela B3 e pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) quando uma operação é realizada.

Existe aplicação mínima?

Com aproximadamente R$ 10,00, já é possível comprar uma cota do ETF.

Tem taxa de administração ou de performance?

O ETF XFIX11, gerido pela XP Asset Management, possui uma taxa de administração de 0,30% ao ano, cobrada com base no valor investido, e não há taxa de performance.

Como funciona em relação ao Imposto de Renda?

O ETF possui alíquota de 15% de IR sobre o ganho de capital, independentemente do montante ou período. A própria pessoa investidora é responsável recolher o imposto através da emissão e pagamento de Darf (Documento de Arrecadação de Receitas Federais).

O ETF paga aos cotistas os dividendos que recebe das empresas?

Atualmente não, mas já é permitido por lei.

Quando os FIIs pagam dividendos, eles são automaticamente reinvestidos.

Um dos benefícios do reinvestimento automático dos dividendos é que não é necessário pagar corretagem extra para reinvesti-los, além de o/a cotista também não precisar se preocupar em como reinvestir.

Uma observação importante é que, após o reinvestimento dos dividendos no fundo, não ocorre aumento no número de cotas de cada investidor ou investidora, apenas a valorização das cotas do ETF, de acordo com a variação das ações que integram sua carteira.

Vantagens do ETF XFIX11:

  • Diversificação;
  • Alta liquidez;
  • Baixo custo;
  • Acesso ao mercado imobiliário.

Riscos do ETF XFIX11:

Assim como qualquer investimento, o ETF de Ifix apresenta os mesmos riscos dos investimentos no mercado de fundos imobiliários.

Portanto, o ETF está exposto à variação do preço dos FIIs que compõem sua carteira.

Como o XFIX11 se encaixa em nossas carteiras

O ETF XFIX11 é sugerido para carteiras abaixo de R$ 10 mil por ser uma opção acessível, relativamente barata e eficiente, uma vez que permite uma boa diversificação no mercado imobiliário com um baixo custo de investimento.

Lembre-se, como a exposição recomendada aos FIIs é de 15%, estaríamos falando de, no máximo, para a carteira de R$ 10 mil, de um valor de R$ 1.500, e que, considerando um dividendo de 1% a.m., geraria uma renda passiva máxima de R$ 15,00 mensais, valor insuficiente para adquirir uma única cota de qualquer um dos FIIs recomendados. Sendo assim, a opção pelo ETF permite um reinvestimento automático do rendimento, uma vez que a pessoa está em um “bolsão” maior de recursos, o grande condomínio que é o ETF – não se esqueça: ele é um fundo de investimentos.

Embora o stock picking (escolha dos ativos) feito por analistas possa oferecer retornos superiores ao índice no médio e longo prazos, investidores com esse montante de patrimônio teriam dificuldades de operacionalizar uma quantidade maior de ativos, tanto pelo aumento nos custos de transação quanto pela capacidade de adquirir novas cotas para reinvestir.

O XFIX11 resolve esse problema ao proporcionar exposição diversificada aos principais fundos imobiliários em uma única aplicação, facilitando o acesso e o gerenciamento do investimento.

Conclusão

Os ETFs sempre foram grandes facilitadores para que investidores e investidoras pudessem aplicar na carteira de um índice de maneira prática e eficiente. Porém, como tudo na vida, existe um custo, que são as taxas de administração e demais taxas envolvendo corretora e B3. Só que, no nosso caso aqui, não seria algo prejudicial o suficiente para comprometer os rendimentos da carteira.

Entendemos que o ETF XFIX11 surge como uma opção viável para carteiras de investimento abaixo de R$ 10 mil, na fração de 15% para FIIs (R$ 1.500,00), devido à sua capacidade de proporcionar exposição diversificada ao segmento de fundos imobiliários com facilidade operacional.

É verdade que, para carteiras de investimentos maiores, é possível montar estratégias um pouco mais elaboradas para obter melhores retornos em médio e longo prazos, mas isso só é possível porque os riscos e custos operacionais ficam mais diluídos, coisa que não acontece para valores abaixo de R$ 10 mil.

Obrigado pela costumeira paciência!

Bons investimentos!

Ricardo Figueiredo

Sobre os analistas

Ricardo Figueiredo

Sócio

É analista CNPI, especialista em fundos imobiliários da Finclass. Bacharel em Economia com especialização em Mercados Financeiros e MBA em Gestão Financeira e Atuarial, começou a carreira como professor na área de tecnologia. Migrou para mercado financeiro, no qual atua há quase 20 anos. Entre 2003 e 2021, passou pela área de investimentos da Vivest, maior fundo de pensão de capital privado do país. Realizou análise e gestão de investimentos em imóveis e carteira de fundos imobiliários, que totalizavam mais de R$ 1,2 bilhão. Acredita que todo e qualquer conhecimento não disseminado perde sua utilidade e, por isso, quer levar conteúdo de finanças para todos, com linguagem leve e de forma responsável.