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Ethereum: atualização do ativo e análise do seu potencial

Escrito por Thales Inada, Rodrigo Xavier em ALTERNATIVOS

9 min de leitura

O que você acredita que tem maior potencial de valorização: as altcoins, que são ativos pequenos, com uma capitalização inferior a US$ 10 bilhões, ou o BTC, que já é um ativo robusto e com uma capitalização de US$ 583 bilhões?

A ideia básica é que, quanto menor o ativo, qualquer dinheiro que entra no projeto já faz bastante diferença. Enquanto isso, mesmo a entrada de um valor financeiro elevado — US$ 1 bilhão por exemplo — no BTC não faria muita diferença.

Por isso, hoje em dia, é extremamente difícil o BTC se valorizar mais de 10x no próximo período de alta, o que levaria o ativo para a casa dos US$ 160 mil. Entretanto, ativos menores como a DOT, que está na casa dos US$ 5 bilhões de capitalização, acredito que podem se valorizar 10x ou até mais.

Mas não podemos esquecer que entre esses dois cenários temos um ativo que está no meio termo, o Ether (ETH), com uma capitalização de US$ 196 bilhões.

Por isso fica a dúvida: como o ETH deve se comportar no próximo período de alta? Será que podemos considerá-lo com o mesmo potencial das altcoins? Quais são seus pontos fortes? 

É o que vamos ver no relatório de hoje.

Revisão dos principais dados fundamentalistas

Caso você não tenha lido o último relatório de atualização do ETH, publicado no dia 24 de julho, sugiro que o faça antes deste, pois hoje não vou revisar todos os dados técnicos do ativo, somente os que julgo mais importantes para darmos mais atenção aos demais assuntos.

O principal dado da rede da Ethereum atualmente com certeza é o número de ETHs colocados em staking, pois em abril deste ano também foram liberados os saques desses ativos, o que teoricamente poderia prejudicar o acúmulo de ativos depositados na rede.

ETH em staking

Fonte: Nansen
Fonte: Nansen

De fato, quando os saques foram liberados tivemos um forte volume saindo, mas alguns dias depois o volume de depósitos (barras verdes) já superou os saques (barras azuis), e desde então o volume total de ETH depositado na rede só aumentou (linha amarela).

Assim, mesmo sendo uma atualização recente no projeto, a Ethereum segue sendo o líder isolado em capitalização de staking, com cerca de US$ 41 bilhões, enquanto o segundo colocado, a Solana, possui cerca de US$ 10 bilhões.

Desde o começo do ano, o staking de ETH aumentou mais de 50%, chegando hoje aos 22,68% do total de ativos em circulação colocados no investimento. Até o final do ano, pode passar dos 25%.

Esse dado nos mostram como os investidores estão cada vez mais otimistas com o projeto, pois quem coloca ETH em staking não pretende desfazer sua posição tão cedo. Isso tira ativos de circulação e aumenta a escassez.

Outro dado que reforça essa ideia de escassez é a retirada de circulação (burn) de parte das taxas pagas ao se realizar transações. Essa característica foi implementada concomitantemente com a atualização do Proof-of-Stake (PoS) e já surtiu resultados interessantes.

Número de ETH em circulação

Fonte: Ultrasound Money
Fonte: Ultrasound Money

No melhor dos momentos, houve uma redução de 0,25% dos ETH em circulação. Para um ativo que nativamente não tem número máximo de unidades para serem produzidas, essa leve queda no número de moedas, que pelo menos anula sua inflação, já é um ponto positivo. 

Por enquanto essa redução ainda não é tão relevante a ponto de surtir efeito significativo na escassez do ativo. Mas vale lembrar que o número de transações na rede da Ethereum está relativamente baixo, por volta de 1 milhão por dia, sendo que a rede já chegou a alcançar a média de 1,65 milhão no auge do mercado, em maio de 2021.

Número de transações da rede da Ethereum

Fonte: The Block
Fonte: The Block

Então esse é o primeiro dado que reforça o potencial da Ethereum frente às diversas altcoins. Pois, de forma geral, os criptoativos são levemente inflacionários, entre 5% e 10% ao ano, aumentando o número de moedas em circulação e diluindo aos poucos a participação dos investidores. Enquanto isso, a Ethereum está  deflacionária, ou seja, conseguindo diminuir seus ativos disponíveis no mercado (supply).

Na temporada de alta que deve se iniciar ano que vem, além do aumento natural do número de transações de ETH, também se espera um aumento nas negociações de NFTs e nas operações do mercado de DeFi, resultando em uma maior queima de ativos. Daí, sim, podemos ter a escassez reforçada no ETH.

Crescimento do projeto

Para termos uma ideia da velocidade de desenvolvimento da Ethereum, trago uma comparação dela com o mercado financeiro tradicional.

Tempo para uma receita de US$ 10 bilhões

Fonte: Token Terminal e Bloomberg
Fonte: Token Terminal e Bloomberg

A Ethereum chegou aos US$ 10 bilhões de receita em menos de sete anos, mais rápido do que a Meta (antiga Facebook) e muito mais rápido do que a Microsoft, por exemplo, perdendo apenas para a Alphabet (Google).

Essa receita é obtida das taxas de transações da rede comentada anteriormente e, de acordo com a empresa de research VanEck, a Ethereum pode aumentar sua receita anual para mais de US$ 50 bilhões por ano até 2030. Esse dado nos traz uma ideia da velocidade de crescimento do projeto.

ETFs de ETH

Segundo o maior portal de informação do mercado financeiro, a Bloomberg, o ETF de BTC à vista tem cerca de 90% de chances de ser aprovado até janeiro de 2024. Além disso, provavelmente haverá mais de um ETF aprovado ao mesmo tempo. 

A grande barreira atualmente é a SEC (a CVM americana), que não diz claramente os motivos da rejeição dos ETFs até o momento e muito menos qual caminho deve ser seguido para aprovar o instrumento.

Porém, depois de aprovado o formato para o BTC, o caminho ficará claro para outros ETFs do mercado cripto, seja de uma carteira diversificada de ativos ou exclusivamente de outro ativo e, neste último caso, o único ativo que teria potencial de um ETF próprio é sem dúvida o ETH.

Inclusive, no dia 6 de setembro, a ARK entrou com um pedido de ETF de ETH à vista para ser analisado pela SEC. Assim como no modelo do BTC, também há a necessidade de deter o ETH, que será custodiado na maior exchange dos Estados Unidos, a Coinbase.

No dia 7 de setembro, a gestora VanEck também entrou com um pedido de ETF de ETH à vista na SEC. No dia 29 de setembro, a Galaxy Digital entrou com outro pedido junto ao órgão regulador. No dia 2 de outubro, a GrayScale, maior fundo de Ether do mundo com cerca de US$ 5 bilhões, também entrou com o pedido de análise para converter o seu fundo (ETHE) em um ETF de ETH à vista.

Com todo esse cenário dos ETFs de cripto, a expectativa do mercado predominante é que este ETF de ETH à vista possui altas chances de ser aprovado já no primeiro semestre de 2024.

Ao mesmo tempo, estavam em análise os ETFs de futuros de ETH, que começaram a ser negociados no dia 2 de outubro, mas aparentemente a estreia não surpreendeu o mercado.

Volume de Futuros de ETH negociado no primeiro dia

Fonte: ASNX
Fonte: ASNX

O ETF da ProShares (EETH) registrou o maior volume, equivalente a US$ 870 mil. Se compararmos com os ETF do mercado tradicional, está em linha com o esperado. Porém podemos dizer que o volume total negociado por todos esses ETFs pode ser considerado extremamente baixo quando comparado à estreia do ETF de futuros de BTC (BITO) em 2021, que teve uma negociação de mais de US$ 1 bilhão no primeiro dia.

Claro que, agora, temos um cenário oposto ao que tínhamos em 2021, além disso, o ETH é um ativo menor do que o BTC. Portanto, podemos dizer que, sim, a estreia dos ETFs ficou dentro das expectativas. Além disso, outros ETFs de futuros de ETH também estão na fila aguardando aprovação.

No final das contas, agora a dúvida não é mais “se” os ETFs à vista serão aprovados, mas, sim, “quando”. Isso porque, a SEC está sob uma tremenda pressão do mercado financeiro. Recentemente, a Grayscale entrou com um processo contra a SEC para justificar a rejeição do seu ETF de BTC à vista. O regulador perdeu o caso e nem ao menos recorreu à decisão do tribunal.

Por isso, o ETF de BTC à vista já é praticamente inevitável, e deve ser aprovado no mais tardar até março de 2024. O investidor institucional está pressionando fortemente a SEC devido à demanda dos seus clientes.

Quais seriam então os impactos no mercado cripto e no ETH?

No dia 15 de outubro, um dos principais sites de notícias cripto do mundo, o Cointelegraph, postou no X (antigo Twitter) uma fake news sobre a aprovação do ETF de BTC à vista, resultando em uma alta de 10% no BTC em poucos minutos. Com isso, o mercado já mostrou que ainda não precificou a informação, mesmo com a Bloomberg estimando uma chance de aprovação de 90% para janeiro.

Certamente o ETF à vista do BTC vai destravar muito valor para o ativo, pois vai atrair capital de grandes gestoras e, com isso, levar o mercado cripto para outro patamar, pois a valorização do BTC vai alavancar a valorização dos demais ativos. Além disso, o formato de ETF de BTC poderá ser replicado e vai abrir caminho para a aprovação do ETF de ETH à vista, a única altcoin que vejo ser capaz de conquistar tal feito.

Por isso, mesmo que o ETF de ETH capture menos valor do que o de BTC, o dinheiro que entra no ETH fará muito mais diferença proporcionalmente falando. Além disso, a liquidez do Ether é muito menor, o que facilita uma oscilação de preços mais forte do que no Bitcoin.

Se o ETF de BTC à vista ainda não está precificado, podemos dizer que o ETF de ETH nem ao menos está no radar de 99% dos investidores cripto e, por isso, ainda há muita oportunidade para o ativo.

Mesmo o ETH sendo a maior altcoin, diria que só a possibilidade de o ETF de ETH à vista sair ano que vem já coloca o ativo com um potencial bem semelhante aos demais criptoativos. O interessante é que essa possibilidade coloca o ETH como um dos ativos com melhor risco-benefício (assimetria) do mercado, pois além do grande potencial de valorização, é um ativo extremamente seguro, ao contrário dos demais, que certamente possuem um risco muito maior.

Atualizações gerais da Ethereum

No dia 15 de setembro, o projeto sofreu uma falha durante uma tentativa de atualização, que foi identificada como uma configuração errada de um arquivo. Apesar disso, os impactos  foram praticamente zero, pois o processo estava sendo feito na rede de testes (testnet) da Ethereum. Os desenvolvedores se reportaram prontamente à comunidade e a nova rede, chamada Holesky, foi implementada com sucesso finalmente no dia 28 de setembro.

Essa atualização tem o objetivo de aumentar a escalabilidade da Ethereum, proporcionar maior descentralização dos validadores e facilitar a implantação de aplicativos descentralizados (dApps). Em seguida, esta rede deve substituir a rede atual (Goerli), já no início de 2024. Ao final do processo, se tudo correr bem, algumas funcionalidades devem ser implementadas na rede principal. 

A Ethereum está passando atualmente pela atualização chamada The Surge, mais especificamente, em uma das etapas intermediárias do processo, nomeada Dencun. Esta, por sua vez, também é dividida em outras partes, como a proposta de melhoria que está em andamento, a EIP-4844. 

Nessa etapa será implementado um tipo de fragmentação da cadeia chamado Danksharding, na qual será implementado um sistema de dados inteligente (Blobs - Binary Large Objects) que trabalha sob demanda, sem depender diretamente do espaço disponível no blockchain. O foco agora é exclusivamente na escalabilidade, com o objetivo de diminuir o custo operacional dos projetos de segunda camada em até 90%.

Fonte: The Block
Fonte: The Block

As transações em segunda camada da Ethereum seguem crescendo rapidamente, pois, conforme podemos ver na tabela, esse é um mercado que está extremamente concorrido. A capacidade de processamento da rede certamente será um grande diferencial durante o próximo período de alta, quando o potencial dos blockchains vai ser realmente colocado à prova. O objetivo é que essa atualização seja finalizada até o final do ano.

Outra etapa dentro da atualização Dencun é a EIP-7514, que, além de aumentar a eficiência, visa melhorar a experiência dos desenvolvedores na execução dos contratos inteligentes (EVM - Ethereum Virtual Machine). O melhor desempenho dos contratos tende a reduzir as taxas de transações, auxilia os programadores a aumentar a velocidade de desenvolvimento e, consequentemente, aumenta a entrada de novos dApps no ecossistema.

Conclusão

Mesmo com a Ethereum já sendo um ativo com uma alta capitalização, muito maior do que as demais altcoins, a ideia principal que quero passar hoje é que o ETH possui tanto potencial quanto os ativos menores. 

A estratégia adotada para gerar escassez, aumentar a escalabilidade e até mesmo a alta probabilidade de um ETF de ETH à vista são diferenciais extremamente otimistas e, por isso, o ativo possui uma das melhores assimetrias do mercado, sendo muito mais seguro do que os ativos menores e com um potencial de valorização equivalente. Por isso, não vale a pena ficar procurando a próxima “gema” do mercado e se expondo a riscos desnecessários.

Com uma fatia significativa no ETH, seguimos uma estratégia básica, com grande exposição nos dois maiores criptoativos do mercado, o que dilui o risco da carteira, sem deixar de lado o potencial de valorização e permitindo ainda equilibrar nossa exposição em ativos menores.

Toda essa combinação de fundamentos abordados hoje certamente me deixa extremamente otimista com o ativo.

Forte abraço,

Thales

Sobre os analistas

Thales Inada

Especialista em Criptoativos

Especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Finclass. Engenheiro, com MBA em investimentos e Asset Allocation. Iniciou no mercado de criptoativos em 2017, com passagem por importantes exchanges como Binance (a maior do mundo), Mercado Bitcoin (a maior da América Latina) e XDEX, a antiga exchange da XP Inc. Agora, deixou as instituições para ficar do lado de investidoras e investidores, com missão de democratizar o universo dos criptoativos e investimentos alternativos por meio de uma linguagem simples e direta, a fim de tornar esse mercado visionário acessível a todas as pessoas.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.