Exchanges: atualização e novas alternativas
O BTC está fechando o mês com uma valorização de mais de 20%. Claro que esse cenário pode virar em poucos dias, mas independentemente disso, o movimento direcional que tivemos no mês foi bem interessante.
Isso porque, desde o início de dezembro de 2023, o BTC vinha em um movimento lateral, oscilando predominantemente entre US$ 40 mil e US$ 44 mil, marcando um topo por volta dos US$ 49 mil com a aprovação dos ETFs de BTC à vista.
Histórico de preços do BTC desde dezembro
Fonte: TradingView e Finclass (23/02/24)
O movimento deste mês fez o BTC superar a resistência dos US$ 44 mil. Poucos dias depois, o ativo renovou a máxima do ano juntamente com o rompimento da barreira psicológica dos US$ 50 mil, e até o momento da escrita deste relatório a máxima do ano está nos US$ 53 mil.
Conforme podemos ver no gráfico abaixo, o mês começou com um volume de compra das gestoras relativamente baixo na primeira semana, mas que ganhou força a partir do dia 7, exatamente quando o BTC também começou o movimento de alta como visto no gráfico anterior. No auge das compras, entre os dias 8 e 15, as gestoras estavam comprando cerca de 9 mil unidades de BTC diariamente, isso é cerca de 10x mais BTC do que são produzidos diariamente.
Captação dos ETFs de BTC por dia
Fonte: Bloomberg
Conforme as barras azuis no gráfico acima, a saída de capital da Grayscale segue relativamente constante, na casa dos US$ 200 milhões. No dia 21, um dia depois da máxima do ano do BTC, as compras das gestoras diminuíram, inclusive considerando as vendas da Grayscale, até mesmo ficaram negativas pela primeira vez desde o dia 25 de janeiro. Esse momento coincidiu com a perda de força do BTC.
Isso não quer dizer que as gestoras efetivamente estão movimentando o mercado, mas que os investidores em geral também podem estar seguindo os passos das gestoras para surfar a onda delas.
Desde o lançamento dos ETFs até o dia 22, as gestoras conseguiram uma captação (total inflow) de US$ 12,6 bilhões, enquanto a Grayscale acumula uma saída (outflow) de US$ 5,2 bilhões. No total, já são US$ 37 bilhões de BTC sob gestão, o que, considerando a capitalização total do BTC de mais de US$ 1 trilhão, ainda não é tão significativo assim.
Visão geral dos ETFs de BTC à vista
Fonte: Bloomberg
Lembra da disputa pelas menores taxas que comentei no relatório anterior? Mesmo não optando pela taxa zero, a BlackRock (IBIT) conseguiu dominar o maior volume de negociação e está conseguindo se manter na liderança com certa folga contra a Fidelity. Considerando o volume total negociado nos ativos desde o lançamento, quase chegou nos US$ 50 bilhões em poucas semanas.
Cenário macro
No dia 31 de janeiro, tivemos a última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), na qual o Federal Reserve (Fed) anunciou a taxa básica de juros dos Estados Unidos. Podemos considerar esta reunião equivalente ao Copom aqui no Brasil, e acontece aproximadamente a cada 45 dias.
Conforme o site da CME, já havia uma altíssima expectativa de manutenção das taxas na faixa de 5,25% a 5,50% e o anúncio veio em linha com o esperado, não impactando muito o mercado. Mas depois deste anúncio, sempre acontece a coletiva de imprensa com o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, e aqui, sim, tivemos alguma surpresa.
Antes do pronunciamento, o mercado tinha uma expectativa de 45% de corte de juros para a próxima reunião do dia 20 de março. Porém o discurso do Powell veio mais duro (hawkish) do que o esperado, reforçando que ainda não confia no arrefecimento da inflação e por isso não considera apropriada a redução da taxa de juros na próxima reunião, fazendo o mercado de renda variável como um todo reagir negativamente nos dias seguintes.
Mais recentemente, no dia 21 de fevereiro, foi divulgada a ata do Fomc, que indicou uma inflação elevada e com risco altista, principalmente devido à perturbação na cadeia de suprimentos por conta de eventos políticos, recuperação do núcleo de preços de bens e serviços e a possibilidade de aumento nos salários. Esses dados levaram à predominância da possibilidade de a taxa de juros ser mantida na próxima reunião do dia 20 de março conforme o gráfico abaixo.
Expectativa da CME para o dia 20 de março
Fonte: CME (23/02/2024)
Assim, por enquanto o corte de juros está sendo adiado mais uma vez. Enquanto os juros não caem, não há um incentivo muito grande para a migração de capital para o mercado cripto, mas não podemos esquecer que, com certeza, alguns investidores se adiantam ao movimento para aproveitar todo o movimento do mercado.
Para a reunião seguinte, do dia 1º de maio, ainda temos uma baixa expectativa de apenas 8% de corte de juros. Agora as probabilidades do início do corte só começam a ficar predominantes a partir da reunião do dia 12 de junho, mas mesmo assim, ainda tem alguma chance relevante de isso não acontecer, conforme o gráfico abaixo.
Fonte: CME (23/02/2024)
Conforme comentado no relatório anterior, é importantíssimo acompanharmos este dado dos Estados Unidos, pois com a aprovação do ETF de BTC à vista e a entrada em massa do investidor institucional, o mercado cripto tende a ficar cada vez mais relacionado ao mercado financeiro tradicional.
Quando começarmos o corte da taxa básica de juros dos Estados Unidos, certamente vamos ter um fluxo de dinheiro saindo dos investimentos conservadores e migrando para investimento mais agressivos, como criptoativos, em busca de melhores rendimentos.
Por outro lado, também não precisamos esperar o corte efetivamente começar, pois muitos investidores vão se adiantar ao movimento para aproveitar esse cenário favorável desde o início. Portanto, simplesmente seguimos a estratégia de continuar nossos aportes, para quando o corte efetivamente começar já estarmos preparados para surfar a onda.
Atualização das exchanges (corretoras de cripto)
Para aproveitar o início das carteiras aqui na Finclass, o que acredito que vai atrair muitos novos investidores para cripto, hoje vou atualizar um tema básico para quem está começando neste mercado, pois notei que muitos de vocês estão com esta dúvida na nossa comunidade.
Thales, qual a melhor corretora de criptoativos? Qual tem as menores taxas?
Antes, precisamos reforçar alguns pontos.
Primeiro, que no mercado cripto não chamamos de “corretoras”, e sim de “exchanges” (corretoras específicas de criptoativos).
Segundo, que você até consegue investir por meio de fundos e ETFs, mas a diferença é que, pelas corretoras de ações tradicionais, você segue dependendo das instituições financeiras como intermediárias, o que se torna opcional caso você opte por uma exchange, pois, deste modo, você investe diretamente no ativo e tem a possibilidade de sacar o criptoativo para a sua carteira pessoal.
Terceiro que não existe a melhor exchange, tudo depende do seu perfil de investidor conforme vamos detalhar neste relatório.
E por último, pode ficar tranquilo que aqui na Finclass a gente não recebe um centavo por recomendar essas exchanges para você, nossa análise é totalmente independente, sem conflitos de interesse.
Então, hoje, vamos analisar detalhadamente quais são os principais critérios que você deve levar em consideração para escolher sua exchange e definir qual se adapta mais ao seu perfil, pois você vai ver que cada uma tem suas vantagens e desvantagens, se adequando melhor a um público específico.
Para fazer essa comparação, vou destacar cinco características que vamos analisar em diversas exchanges e quais delas se enquadram em cada característica.
1 - Saque dos ativos
Para começarmos, uma das perguntas que eu mais recebo é se vale a pena comprar cripto pelas instituições financeiras tradicionais, como Nubank, Inter, BTG (Mynt) e, mais recentemente, até mesmo pelo Itaú.
Se determinado banco ou exchange não disponibilizar o saque de criptoativos, isso já é o suficiente para a gente eliminar essa opção da lista e nem seguir mais com a análise da empresa. Isso porque a filosofia do mercado cripto é você mesmo fazer a custódia dos seus ativos sem depender de uma instituição financeira.
Dentre estas opções relacionadas ao mercado financeiro tradicional, o Itaú e o Inter não disponibilizam o saque dos ativos, o que já nos faz excluí-los da lista. Já o Nubank disse que vai disponibilizar o saque de cripto até março deste ano, e a plataforma do BTG, a Mynt, disponibiliza o saque somente de cinco ativos.
Mesmo quando o Nubank liberar os saques e o BTG aumentar o número de ativos, ainda não são boas opções porque provavelmente essas instituições não vão te dar opção de escolher o valor de compra e vão aproveitar para te vender o ativo por um preço superior ao das exchanges (spread).
O mercado financeiro tradicional vai aproveitar da vantagem que tem, de você já ser cliente, e sabe que você tem certa resistência a abrir conta em outra corretora ou exchange. Por isso, essas instituições tradicionais tendem a cobrar mais pela praticidade que você vai ter de manter todos seus investimentos no mesmo lugar, não caia nesta armadilha. Além disso, a gente vai ver mais para a frente que as taxas também são mais elevadas do que nas exchanges tradicionais.
2 - Volume de negociação
O volume de negociação de cada exchange é extremamente importante, porque diferentemente do mercado de ações, onde as corretoras são integradas à B3 e conseguem negociar entre si, no mercado cripto as negociações de cada exchange são feitas somente entre seus próprios clientes, ou seja, elas não conseguem interagir entre si.
Isso acaba limitando bastante o número de transações e o volume de negociação. Por isso, quanto menor o número de clientes, mais dificuldade você terá de comprar ou vender seus ativos em determinado preço. Dependendo do volume negociado e do valor financeiro, é possível sua ordem ficar por horas no book de ofertas esperando para ser executada.
Esse termo é conhecido no mercado financeiro por “liquidez”. Quanto maior a liquidez do ativo, significa que maior é o seu volume de negociação e mais rápido será possível realizar suas operações próximo do valor desejado. Além disso, a diferença entre a primeira ordem de compra e a primeira ordem de venda tende a ser menor nas exchanges que possuem maior liquidez, o que facilita as operações com ordem a mercado, aquelas executadas instantaneamente.
Por isso, neste critério de volume, a gente já pode destacar algumas boas opções brasileiras, como a Bitypreço, Mercado Bitcoin, Bitso, Foxbit, Coinext e NovaDAX.
3 - Número de ativos disponíveis
Esse critério, claro, é mais importante para quem pretende diversificar um pouco mais seu investimento no mercado cripto. Para mim, é sim uma característica bastante interessante e por isso ela está entrando como um dos principais critérios para a escolha de uma exchange, até mesmo antes das taxas.
Dentre as exchanges que passaram no critério do volume de negociação, a Bitypreço e a Bitso não passam no filtro do número de ativos. A Bitypreço herdou alguns ativos da Biscoint, que tinha foco em ativos relacionados a jogos e NFT, somando apenas 37 ativos disponíveis, apesar de possuírem LINK e DOT, disponibilizam somente o saque de BTC e ETH. Enquanto isso, a Bitso até possui alguns ativos a mais como MATIC, GRT e LINK, mas ainda sim é bem limitada.
Deste modo, as exchanges que passaram nesses dois últimas critérios são o Mercado Bitcoin, Foxbit, Coinext e NovaDAX conforme destacado em azul na tabela resumo abaixo.
Fonte: Finclass
Só para esclarecer, o número de pares de negociação é maior pois um ativo pode ser negociado em mais de um par, como por exemplo BTC/BRL (Bitcoin em reais), BTC/USDT (Bitcoin com dólar Tether). Na tabela também podemos ver que a Bitso e Coinext possuem um menor volume de negociação.
A NovaDAX sempre foi uma das exchanges com maior volume de negociação, mas sofreu uma forte diminuição depois de uma atualização do sistema em setembro do ano passado, quando a empresa atrasou a volta do sistema por seis horas, o que na minha opinião não é nada demais. Vale lembrar que a Foxbit também já passou por atrasos na atualização do sistema há alguns anos atrás, mas seu caso foi bem mais grave, pois o site chegou a ficar fora do ar por vários dias.
No caso da Binance, destaquei o número de ativos negociados em reais (16), mas isso pouco importa, pois lá você pode comprar USDT (stablecoin de dólar) com reais e negociar com qualquer outro ativo da plataforma como se estivesse negociando em dólares, deste modo você terá uma liquidez muito maior e uma grande variedade de ativos disponíveis. Você só voltará a negociar em reais caso queira realizar o saque do dinheiro.
4 - Comparação das taxas
Finalmente chegamos ao critério mais polêmico e mais esperado por vocês. Mas diferente do mercado de ações, aqui não temos somente as taxas de corretagem, aquela aplicada por algumas corretoras tradicionais ao comprar ou vender uma ação, também precisamos nos atentar às taxas de saque do criptoativo.
Resumidamente, podemos dividir essa taxa em duas partes, a taxa da rede do ativo e uma parcela cobrada pela exchange. Como a taxa da rede não depende da exchange e dependendo do ativo ela pode variar de centavos até dezenas de dólares, geralmente as exchanges costumam deixar uma margem generosa para não precisarem alterar o custo da operação frequentemente.
Já a taxa das ordens de compra ou venda a mercado, aquelas executadas instantaneamente, são extremamente altas e por isso esse dado será menos relevante para a gente. Por isso, eu sempre aconselho que vocês utilizem a ordem limitada, aquela na qual conseguimos definir especificamente o valor que queremos pagar e pendurar a ordem no book de ofertas. No caso do Nubank e do BTG, que executam as ordens instantaneamente, fiz a comparação delas com a ordem a mercado das exchanges.
Neste critério das taxas operacionais, a Bitso novamente leva a pior. O Mercado Bitcoin fica um pouco acima das demais, mas ainda em um patamar aceitável. A Bitypreço não cobra taxas para negociação do BTC e ETH, cobrando apenas 0,20% na negociação dos demais ativos.
Taxas aplicadas por cada exchange
Fonte: Finclass
Como nossas operações de compra e venda não são frequentes, as taxas de corretagem são pouco impactantes em relação à volatilidade do mercado. Mas quando falamos do saque dos criptoativos, aí, sim, temos grandes diferenças.
Para quem é novo no mercado, antes preciso esclarecer que cada ativo tem sua taxa da rede específica, inclusive paga com o próprio criptoativo. Por isso, essa taxa é variável, pois além de ser baseada na cotação do ativo, ela também pode oscilar conforme a demanda da rede. Como as cotações acima foram pegas no mesmo dia e em um curto espaço de tempo, certamente são uma referência bem realista do que devemos esperar proporcionalmente entre as taxas das exchanges.
A Bitso novamente se destaca negativamente como a mais cara no saque de BTC e a terceira mais cara no saque de ETH. A Coinext também sai como um destaque negativo no critério, sendo a mais cara no saque de ETH.
Apesar de o Mercado Bitcoin ter uma taxa bem elevada para o saque de BTC, na rede da Ethereum sua taxa está aceitável, o que é extremamente importante, pois ela é utilizada para o saque de diversos criptoativos como LINK, AAVE, SAND, GRT entre outros, por isso, o cenário da Coinext fica mais complicado.
Então, no quesito taxas, os destaques positivos são a Bitypreço e a NovaDAX. Em seguida temos a Foxbit e depois o Mercado Bitcoin. A Binance certamente possui taxas interessantes, mas ela reprova no critério a seguir.
5- Nota do Reclame Aqui (RA)
Finalmente vamos falar um pouco mais detalhadamente da maior exchange do mundo, a Binance.
Como podemos ver nos critérios anteriores, a Binance se destaca positivamente em praticamente tudo, mas por ser uma exchange internacional, ela perde neste critério de atendimento, quase inexistente para o Brasil.
Por isso, não a recomendo para iniciantes, pois potencialmente vão precisar do atendimento. Digo isso porque a Binance é extremamente completa, com diversas funcionalidades, o que acaba deixando a plataforma confusa e mais difícil de ser operada, especialmente para quem não está acostumado com o mercado financeiro.
Então, aproveitando para fazer um resumo dessa comparação, temos o seguinte cenário:
Fonte: Finclass
Agora vamos analisar qual perfil de investidor se adequa melhor a cada uma das exchanges aprovadas e destacadas em azul.
- O Mercado Bitcoin é a maior exchange do Brasil, e provavelmente uma das mais seguras, com grande credibilidade no mercado há anos, mas, claro, cobra seu preço por um serviço de primeira. Ele é a opção ideal para quem precisa negociar um volume financeiro maior, diria que a partir de R$ 25 mil, pois deste modo conseguimos diluir as taxas de saques dos criptoativos.
- A Foxbit e a NovaDAX são outras excelentes opções. Enquanto a Foxbit atualmente comporta um valor financeiro maior do que a NovaDAX, a NovaDAX tem uma variedade muito maior de ativos disponíveis, ou seja, ela é melhor para quem está disposto a correr mais risco em outros ativos.
- A Bitypreço é um caso bem específico. Ela é compatível apenas com os investidores que possuem um perfil conservador, e que não querem investir em outros ativos além do BTC e do ETH, pois basicamente só conseguimos sacar estes dois ativos.
A Binance pode ser uma opção para quem já tem pelo menos alguma experiência com o homebroker de ações e já conhece os termos técnicos do mercado financeiro. Outra complexidade acrescentada aqui seria a declaração do Imposto de Renda.
Se você está começando no mundo dos investimentos e não tem familiaridade com o mercado financeiro, eu indico as exchanges nacionais por causa da sua simplicidade. Se esse for seu caso, aproveite que você já vai separar os documentos para abrir conta em uma exchange e abra em várias ao mesmo tempo, assim você vai conseguir testar diversas plataformas. Para quem está começando, a usabilidade pode ser considerada um critério bônus para a escolha da sua exchange, caso da Foxbit e da NovaDAX.
Já as exchanges internacionais, como a Binance, a maior do mundo há alguns anos, de forma geral cobram as menores taxas do mercado, nelas você consegue enviar reais por Pix e depois pode operar centenas de ativos em dólar, mas são muito mais complexas de se utilizar. Por isso, não indico para iniciantes no mercado financeiro, pois se você precisar do suporte, o atendimento é quase inexistente aqui no Brasil.
Entusiasta Cripto
Nas últimas lives tira-dúvidas, sempre respondi a perguntas relacionadas a esta seção do relatório, por isso hoje vamos reforçar alguns pontos sobre essa lista de ativos aprovados.
O primeiro ponto que gostaria de enfatizar é que essa é uma lista de ativos relativamente conservadores, pois levei em consideração projetos já consolidados e que, de forma geral, nos últimos anos, ficaram entre os 100 maiores criptoativos do mercado. Essa estratégia traz menos risco, pois quanto menor o ativo, mais ele tende a estar em seu período inicial ou com uma aplicação muito específica e, nesses casos, tendemos a ter um risco mais elevado.
Por outro lado, é claro que ativos menores possuem maior potencial de retorno, mas levando em consideração que os ativos desta lista já podem performar melhor do que o excelente desempenho do BTC no período de alta, não há necessidade de irmos para o tudo ou nada nos ativos menores.
Um erro bastante comum é estimar o tamanho do ativo pelo seu preço. Pegando como exemplo a Polygon (MATIC), cotada hoje a US$ 1,05, e a Immutable (IMX), cotada a US$ 3,30. Considerando que existem 9,62 bilhões de moedas MATIC em circulação, sua capitalização é de US$ 10,19 bilhões. Enquanto isso, existem 1,39 bilhão de IMX em circulação, o que leva o ativo para uma capitalização de US$ 4,06 bilhões, ou seja, a MATIC é 2,5x maior do que a IMX. Por isso, não se engane achando que ativos que estão na casa de centavos estão baratos e que eles podem atingir centenas de dólares rapidamente, simplesmente podem ter um grande número de moedas em circulação.
Esse valor do ativo é conhecido pelo nome de capitalização. Quanto maior, mais dinheiro foi investido nele e menor tende a ser a sua volatilidade, pois é necessário mais dinheiro para movimentar seus preços. Esse dado é importante pois vai te ajudar a definir quais ativos são mais compatíveis com o seu perfil.
Por exemplo, se seu perfil tende a ser mais conservador, escolha dentre as opções que possuem maiores capitalizações. Para facilitar essa comparação, hoje acrescentei esse critério na tabela de ativos aprovados, bem como a diferenciação de cada um deles por classe e subclasse.
Ativos aprovados
Fonte: Finclass (23/02/2024)
O segundo ponto é que mesmo esses ativos sendo relativamente conservadores, eles não são compatíveis com todos os investidores. Precisamos entender que o jeito mais conservador de se investir no mercado cripto, é se expondo somente ao BTC. Então, ao contrário do mercado de ações, por exemplo, quanto mais você diminui a posição no BTC para diversificar em outros ativos, maior o seu risco no mercado, mesmo diversificando os setores na sua carteira. Por isso, se você acha que já tem volatilidade demais só com os ativos recomendados na carteira de valorização, não invista nos outros ativos desta lista.
Agora, se você se sente confortável com a posição atual, podemos abordar um terceiro ponto: você não precisa investir em todos os ativos. Investir em um ativo por classe já te proporciona uma diversificação interessante. Apesar de o mercado cripto seguir o ritmo do BTC na maior parte do tempo, alguns setores costumam entrar em momentos de euforia isoladamente quando alguma narrativa se populariza, por isso a diversificação de classe é importante.
Para te dar uma referência inicial, este ano estou bastante otimista com o mercado de staking, com os projetos focados na escalabilidade da Ethereum e em um setor mais polêmico, que é o de jogos baseados em NFTs. Mas claro, cada pessoa pode ter uma visão completamente diferente, e não há nada de errado nisso.
Para facilitar sua escolha, tentei conciliar a posição dos ativos na lista tanto por ordem de capitalização quanto dividir por classe. Pois, reforçando, quanto menor o ativo, maior o risco. E aqui o ideal é cada um mensurar qual o risco que o seu perfil tolera para definir até qual ativo está disposto a investir.
Tendo definido que você vai diversificar, o quarto ponto seria: qual percentual alocar em cada ativo?
Esse é um assunto mais delicado. Do meu ponto de vista, para não aumentar muito o risco da carteira, eu manteria pelo menos 50% da carteira em BTC, por isso precisaria diminuir principalmente a posição em ETH e LINK para montar posições nos outros ativos. Considerando que temos 1,25% da carteira nesses dois ativos, uma das opções seria diversificar em outros cinco ativos com 0,1% em cada. Deste modo teríamos 0,45% para o ETH, 0,30% para a LINK, conseguimos manter 0,25% para a DOT e teríamos 0,1% para outros cinco ativos. Como ETH e LINK possuem boa relação com o desempenho das altcoins como um todo, essa mudança não causaria tanta diferença no seu comportamento.
Vale lembrar que essa diversificação só é viável para quem tem um patrimônio mais relevante, como por exemplo para as carteiras acima de R$ 500 mil, pois, assim, terá uma posição de pelo menos R$ 500 em cada ativo. Ou então para quem tem uma carteira acima de R$ 100 mil, mas um perfil mais agressivo e por isso comporta uma exposição mais relevante no mercado cripto.
Por último, não esqueça que um número maior de ativos demanda mais tempo para acompanhamento. Monte posições proporcionais à capitalização do ativo, tome muito cuidado para não se expor ao mercado cripto mais do que deveria só para conseguir uma diversificação abrangente e também não diversifique demais para não pulverizar sua posição.
Conclusão
O impacto da aprovação dos ETFs de BTC à vista está começando a surtir seu efeito. As vendas da Grayscale já estão menores e as compras das demais gestoras se mantiveram altas por vários dias este mês. Aparentemente, devido à sincronia do aumento de preço do BTC com o volume de compra das gestoras, tivemos, sim, uma influência do mercado tradicional. Mas isso não quer dizer que foi um impacto exclusivamente das gestoras, mas, sim, que os investidores de forma geral podem ter entrado na onda delas para copiar o seu movimento.
É importante acompanharmos a compra das gestoras pois elas estão investindo no mercado para o longo prazo, e por isso podemos considerar que elas estão tirando BTC de circulação, pois certamente esses ativos não devem voltar para o mercado tão cedo. Atualmente essas gestoras já detêm cerca de 3,5% de todo o BTC produzido.
Além disso, ainda mantemos uma alta expectativa de corte de juros nos Estados Unidos a partir do meio do ano e em abril já vamos ter o halving do BTC, momento a partir do qual a sua produção diminui pela metade, aumentando drasticamente sua escassez.
Para finalizar, outra pergunta que recebo constantemente é: depois dessa alta do mês de mais de 20%, ainda dá tempo de comprar o BTC e os demais ativos?
O movimento de alta que antecede o halving é típico do ciclo do BTC. Passamos apenas pelo primeiro movimento de alta do mercado, que na verdade até pode ser considerado em grande parte do tempo lateral. O movimento mais duradouro e de maior rentabilidade ainda nem começou. Portanto, aproveitem os próximos meses para consolidar suas posições, pois eu sigo confiante com o mercado até 2025.
Então, a resposta para a pergunta acima é: com certeza ainda dá tempo, e quanto antes você o fizer, melhor.
Forte abraço,
Thales