Relatórios

Expectativas para o ETF de ETH à vista e análise on-chain

Escrito por Thales Inada, Rodrigo Xavier em ALTERNATIVOS

14 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • Atualização do cenário macro. A expectativa de corte de juros dos Estados Unidos aumentou para setembro.inclusive, temos até 12,3% de chance de um corte de 0,5%. Com isso, aumentamos as probabilidades de um segundo corte acontecer em novembro e até mesmo um terceiro corte em dezembro;

  • Expectativas para o ETF de ETH à vista. Tivemos mais de US$ 1 bilhão de volume negociado no primeiro dia de negociação dos ETFs de ETH à vista. A gestora Grayscale entrou forte na ponta vendedora, mas, no final do dia, a soma da captação geral das demais gestoras conseguiu fechar com um saldo positivo de US$ 100 milhões.

  • Análise on-chain da Ethereum. A rede da Ethereum segue sendo a líder em staking, com um burn de ETH extremamente eficiente. A atividade da rede está aumentando constantemente, consolidando-se como um projeto extremamente rentável.

Se eu te perguntasse: você gostaria de ter comprado BTC em fevereiro de 2021? 

Não vale olhar o preço. Pensando na evolução do mercado nos últimos anos, em um período significativo de três anos e meio atrás, acredito que praticamente todos topariam comprar no preço daquela época.

Pois bem, no fundo do dia 5 deste mês, quando o BTC chegou aos US$ 53,5 mil, ele estava no mesmo preço do BTC em fevereiro de 2021. E digo mais, a oportunidade ainda não passou. No dia 23 deste mês, o BTC estava no preço de abril de 2021, nos US$ 64 mil. Vai deixar essa chance passar?

Desde a máxima histórica até o fundo dos US$ 53,5 mil, o BTC chegou a corrigir mais de 27%, a maior correção desde janeiro de 2022. Por isso, não adianta ficarmos esperando correções maiores do que essa no curtíssimo prazo. Sem contar a “correção no tempo”, na qual o BTC está de lado há quase cinco meses. 

Você já está preparado(a) para a retomada do movimento de alta?

Cenário macro

Corte de juros já no dia 31 de julho? Essa começou a ser uma possibilidade, ainda pequena, com apenas 8,8% de chance, mas não tão pequena a ponto de podermos ignorá-la. Esse movimento surpreenderia muito o mercado financeiro, entretanto, é uma possibilidade extremamente remota, na minha opinião. Nem ao menos para setembro é possível ter um elevado nível de convicção, mesmo com o site CME Group já dando como 100% de chance do primeiro corte daqui a duas reuniões e até mesmo mais de 10% de chance de um corte de 0,5%.

Expectativa dos juros nos EUA para reunião de setembro

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Fonte: CME Group

Como pode ver, este mês tivemos uma mudança bastante positiva para o corte de juros dos Estados Unidos. Iniciamos o mês com a chance de apenas um corte, e agora temos até mesmo uma chance significativa de conseguirmos três cortes somente este ano: em setembro, novembro e dezembro, conforme a tabela a seguir.

Expectativa dos juros nos EUA para os próximos meses

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Fonte: CME Group

Com essa expectativa, o mercado cripto também se beneficiou, pois o corte de juros desincentiva investimentos mais conservadores devido à sua queda de rendimento, o que força os investidores a buscarem melhores retornos em investimentos mais arriscados, como ações e criptoativos.

Capitalização dos ETFs de BTC à Vista

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Fonte: TheBlock

Assim, este mês, os ETFs de BTC voltaram a capitalizar e conseguiram retornar para perto das suas máximas. Com esse movimento positivo, o BTC recuperou toda queda do começo do mês, chegando a ficar até mesmo no positivo. Outro motivo que animou o mercado foi o início das negociações dos ETFs de ETH à vista no dia 23.

ETFs de ETH à vista

Mais de sete meses depois do início das negociações dos ETFs de BTC à vista, iniciamos as negociações dos ETFs de ETH à vista. A expectativa para o primeiro dia era grande, o mercado cripto estava na dúvida se seria um sucesso ou um fiasco total.

O primeiro dado que precisamos analisar é o volume de negociação. Por meio dele, podemos observar o interesse do mercado tradicional pelo ativo. Claro, que quanto maior o volume negociado, maior é o interesse demonstrado. Mas o que seria um volume interessante?

Comparativo de volume do primeiro dia dos ETFs

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Fonte: Bloomberg

Para estimarmos isso, podemos utilizar como referência o primeiro dia de negociação dos ETFs de BTC à vista. O volume negociado no primeiro dia dos ETFs de ETH foi equivalente a 23,2% do volume de BTC. Levando em consideração que o ETH é cerca de 32% do tamanho do BTC, muito mais volátil e, por isso, mais arriscado, diria que esses US$ 1 bilhão de negociação foram um patamar interessante.

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Fonte: EricBalchunas

Em relação a todos ETFs negociados nos Estados Unidos, no primeiro dia de negociação dos ETFs de ETH, diversos deles ficaram entre os mais negociados. Além disso, outro dado interessante para observarmos é a captação desses ETFs.

Captação dos ETFs de ETH

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Fonte: Bloomberg

Como já era de se esperar, o ETF da Grayscale está seguindo a mesma estratégia da adotada no ETF de BTC, cobrando uma taxa elevada no início e perdendo market share para os concorrentes. Somente em um dia, o ETFs da Grayscale perdeu mais de 5,3% do seu patrimônio, uma fatia extremamente significativa, muito maior do que aconteceu no lançamento do ETF de BTC.

Por outro lado, BlackRock (ETHA) liderou a captação no primeiro dia, seguida da Bitwise (ETHW). No final das contas, fechamos o primeiro dia com um saldo positivo de US$ 106 milhões, totalizando US$ 10 bilhões de ETH sob gestão.

De forma geral, podemos considerar que esse primeiro dia estava dentro das expectativas do mercado e, consequentemente, não tivemos surpresas no preço do ETH.

Mas Thales, até onde o ETH pode ir com a ajuda desses ETFs?

Antes, precisamos de alguma referência de alguns dos mais poderosos do mercado financeiro, pois certamente eles possuem informações do mercado que nós, meros investidores, não possuímos.

  • JP Morgan: A expectativa de um dos maiores bancos dos Estados Unidos é uma captação de 7% (US$ 1 bilhão) a 21% (US$ 3 bilhões) para este ano.
  • Erick Balchunas: É um dos principais analistas de ETFs da Bloomberg, conforme ele, os ETFs de ETH devem captar por volta de 15% a 25% dos ETFs de BTC.
  • Grayscale: Até pouco tempo atrás, a maior gestora de cripto do mundo. Segundo ela, o ETF de ETH deve captar cerca de 25% a 30% do ETF de BTC. 
  • Bitwise: O CIO Matt Hougan estima uma captação por volta de 34%.

Considerando que a captação dos ETFs de BTC até maio deste ano (para estimarmos os cinco primeiros meses do ETF de ETH, até o final do ano), foi na casa dos US$ 14 bilhões. Portanto, adotando as visões intermediárias acima, bem como a referência de 22,3% do volume negociado no primeiro dia dos ETFs de ETH à vista, podemos estimar dois cenários: o pessimista, com os ETFs de ETH captando apenas 10% do que foi captado nos ETFs de BTC, e uma referência média, captando cerca de 25%.

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Fonte: Finclass

Nesses dois cenários, conseguimos abranger boa parte das expectativas do mercado, pois é possível considerar a opinião da Grayscale e da Bitwise como extremo otimismo com os quais não podemos contar. Dados em mãos, agora precisamos fazer algumas contas. 

Considerando que de janeiro até o final de maio, o BTC captou US$ 14 bilhões e se valorizou cerca de 56%, podemos dizer que cada bilhão investido no ativo, seria equivalente a uma valorização de 4% do BTC.

Como o ETH é cerca de ⅓ do BTC, a grosso modo, apenas para referência, podemos considerar que o ETH é três vezes mais sensível. Por isso, a cada bilhão, é possível que o ETH se valorize na casa de 12%. Portanto, proporcionalmente, US$ 1,4 bilhão do cenário pessimista equivale a uma valorização de 16,8% no ETH, enquanto US$ 3,5 bilhões do cenário base são equivalentes a 42%. Então, agora temos:

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Fonte: Finclass

Assim, temos que a expectativa para os próximos cinco meses (final do ano) do ETF de ETH é algo entre US$ 4.350 e US$ 5.325. Vale lembrar que a máxima histórica do ETH atualmente está na casa dos US$ 4,9 mil, então, em um cenário base, é possível renovarmos essa máxima até o final do ano. Eu diria que só de voltarmos para perto dela, pessoalmente, já estaria bem satisfeito para o período.

Conforme comentado durante a análise, esse cálculo possui diversas variáveis, servindo apenas como uma mera referência e não como uma análise de investimento de curto prazo. Além disso, a saída de capital da Grayscale se mostrou bem forte no primeiro dia, o que pode impactar o ativo no curtíssimo prazo. Por outro lado, o volume de negociação foi em linha com o esperado do mercado, o que já é um sinal que tranquilizou a tensão do mercado, ficando predominantemente positivo na minha opinião.

E para o longo prazo, Thales, alguma estimativa?

Para essa análise, vamos aproveitar e revisar alguns dados gerais da rede da Ethereum.

Análise On-chain Ethereum (ETH)

Apesar do otimismo com o ETF de ETH à vista, podemos considerar que seu impacto principal deve ser no decorrer do próximo ano, ou seja, no curto prazo. Apesar de pretender recomendar a venda do ativo em algum momento no futuro, com objetivo de evitar o período de baixa do ciclo do mercado cripto, que pode chegar na casa dos 70% a partir do fim de 2025 até 2026, o ETH é sim um ativo que devemos pensar no longo prazo.

Hoje, a Ethereum já recebe diversos nomes alternativos, como Dinheiro Programável, Petróleo digital devido a suas diversas aplicações, Commodity com Rendimento, entre outros. Com certeza, todos esses nomes fazem bastante sentido, porém, qual será o rumo principal do ativo, ainda é muito cedo para dizermos.

  • Moedas em circulação (Supply)

Ao contrário do BTC, que possui um número máximo de moedas que serão produzidas, teoricamente, na Ethereum, não temos limite de produção de ETH, ele será produzido infinitamente. Para evitar a diluição do patrimônio, assim como a inflação no mercado financeiro tradicional, o time da Ethereum implementou uma nova característica na rede quando a Ethereum mudou para PoS (Proof-of-Staking), essa estratégia é conhecida como Burn. 

Como o próprio nome já diz, essa estratégia queima parte dos ETH utilizados para pagamento de taxas na rede. Consequentemente, quanto mais transações, mais ETH são tirados de circulação. Desde então, foi criada uma escassez artificial no ETH, parecida com a do BTC, o Burn está conseguindo inclusive reduzir o número de ETH em circulação.

ETH em circulação desde a atualização

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Fonte: UltraSoundMoney

Essa mudança aconteceu há quase dois anos. Durante esse período, foram produzidos 1,44 milhões de ETH e foram queimados 1,73 milhões de ETH, ou seja, o número de ETH em circulação diminuiu cerca de 0,128% por ano. Pode não parecer muito olhando apenas para o valor numérico, mas, por exemplo, o BTC tem uma inflação anual de aproximadamente 1%, enquanto o ETH está até mesmo com uma deflação. Só para ter uma ideia da mudança de comportamento da rede, veja como era a produção de ETH antes desse movimento do projeto. 

Número de ativos em circulação

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Fonte: Ultrasoundmoney

Com esse gráfico, fica nítido como foi importante essa mudança. Além disso, vale lembrar que os últimos dois anos do mercado cripto foram períodos com baixo volume de negociações e taxas relativamente baratas quando comparadas à temporada de alta anterior de 2021.

Histórico de taxas da rede da Ethereum

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Fonte: Bitinfocharts

Mesmo assim, tivemos esse impacto extremamente relevante na rede, que tende a ser ainda mais positivo com o aumento da atividade, assim como aconteceu em 2021.

  • Staking

A partir da atualização The Merge, que originou o PoS comentado no item anterior, o projeto começou a disponibilizar a possibilidade de os investidores depositarem ETH na rede e poderem participar da validação dos blocos. Essa quantidade de moedas depositadas na rede (gráfico branco) vem crescendo constantemente de forma saudável.

Número de ETH em staking

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Fonte: SoSoValue

Só a quantidade de moedas vista isoladamente não significa muita coisa, então também precisamos analisar qual o percentual desses ativos (depositados na rede) em relação ao total em circulação. 

Percentual de ETH em staking na rede

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Fonte: TheBlock

Atualmente, cerca de 27,74% do total de ETH estão dedicados à validação da rede. Isso significa que esses investidores não pretendem se desfazer do ativo tão cedo, e esse simples fato de segurarem para o longo prazo, praticamente, tira os ativos de circulação, sendo esse outro fator que aumenta a escassez do ETH, assim como o Burn comentado anteriormente.

Mas e em relação aos demais projetos, será que é um percentual elevado ou baixo?

Ranking de Staking

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Fonte: StakingRewards

De fato, a rede da Ethereum não é o projeto que tem melhor adoção, pois temos diversos projetos que conseguem atrair 50%, 60% até 80% dos ativos em circulação.

Mas, na verdade, esse percentual não é o mais relevante. Perceba, que apesar de o o ETH ter “apenas” 27% das moedas em staking, ele é o número 1. Isso porque, considerando o valor financeiro, US$ 105,5 bilhões, ele é de longe o projeto com maior capitalização em staking. Além disso, cresceu esse capital em 157% no último ano, bem como um crescimento de 9,61% no percentual de ativos em staking.

Distribuição dos validadores da rede

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Fonte: EtherScan

Atualmente, a Lido é a maior plataforma a disponibilizar o serviço de staking de ETH, seguida das maiores exchanges do mundo: Coinbase, Kraken e Binance. A distribuição é importante para nenhum projeto ter muito poder na rede, o que colocaria a rede em risco. Mas os investidores do mercado cripto sabem desse risco e naturalmente vão se distribuindo entre os diversos projetos.

Para colocar em staking na Lido, os investidores precisam primeiramente fazer a custódia dos seus ativos e depois colocá-los para render no projeto. Consequentemente, o número de ETH disponíveis nas exchanges vem caindo em ritmo acelerado, mesmo com as exchanges sendo uma fatia representativa da rede.

Número de ETH nas principais exchanges

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Fonte: Cryptoquant

O número de ETH nas exchanges (gráfico azul) está nas suas mínimas, o que reforça que os investidores estão cada vez mais preocupados em fazer a autocustódia dos seus ativos. Além disso, podemos considerar que as moedas nas exchanges estão realmente disponíveis para serem negociadas, pois estão à disposição dos seus investidores, e quanto menos ETH disponível, maior também é sua escassez.

  • Atividade da rede

Um dos principais dados para analisarmos o potencial de crescimento de determinado criptoativo é a adoção do projeto. Uma boa referência para isso é o número de usuários (carteiras) ativos na rede. E com certeza, esse é um dos pontos fortes da rede da Ethereum, que já possui mais de 4 milhões de usuários diários.

Usuários diários no ecossistema da Ethereum

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Fonte: VanEck

Desde 2019, conforme a VanEck, a rede da Ethereum teve um crescimento de 71% ao ano. Foram mais de US$ 5,5 trilhões de transferências de stablecoins no último ano e todos os ativos digitais do seu ecossistema já somam mais de US$ 300 bilhões.

Número de endereços ativos por mês na rede da Ethereum

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Fonte: TheBlock

Para termos uma referência melhor, atualmente são, em média, 15 milhões de usuários mensais na rede da Ethereum. Somando todas suas operações, temos entre 30 e 40 milhões de transações mensais desde 2020, conforme o gráfico abaixo.

Número de transações por mês na rede da Ethereum

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Fonte: TheBlock

Podemos notar certa estabilidade no número de transações, mas isso acontece porque a rede atingiu seu limite. Para acrescentar, precisamos então analisar as transações nas redes de segunda camada, que são focadas em realizar inúmeras transações com um baixo custo.

Aqui, podemos considerar a Base, Arbitrum, Linea, Immutable X, Optimism, Mantle, Scroll, ZKsync, entre outras. Somadas, recentemente elas bateram sua máxima histórica, com mais de 310 transações por segundo (TPS), conforme o gráfico abaixo.

Número de transações nas segundas camadas

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Fonte: L2beat

Inclusive, recentemente, esse mercado ganhou um forte incentivo com a última atualização da rede da Ethereum, que disponibilizou um espaço nos blocos especificamente para essa usabilidade, barateando mais ainda suas taxas.

Por isso, pode ficar tranquilo, as transações no ecossistema da Ethereum não estão estagnadas, simplesmente estão migrando para a segunda camada, onde temos taxas mais baratas.

  • Receita

Voltando a ideia da Ethereum ser uma empresa de tecnologia, também podemos comparar suas receitas.

A rede gerou cerca de 3,5 bilhões de receita no primeiro semestre do ano, enquanto a Twich gera na casa dos US$ 2,6 bilhões, e o Roblox - jogo mais popular do mundo - faturou na casa dos US$ 2,7 bilhões. A Ethereum também possui mais usuários mensais (20 milhões) do que aplicativos famosos nos Estados Unidos, como Instacar (14 milhões) e Robinhood (10,6 milhões). Além disso, o usuário da rede da Ethereum gera uma renda anual superior à dos usuários da Apple Music (US$ 100), Netflix (US$ 142), entre outras gigantes da tecnologia indicadas abaixo.

Receita de grandes empresas de tecnologia por usuário

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Fonte: VanEck

Isso porque, a rede da Ethereum possui diversas aplicações, não se limitando a apenas um nicho específico. Por isso, podemos separar a receita do ativo por setor de aplicação. Atualmente, temos Inteligência Artificial com 0,8% na participação dos lucros, Infraestrutura com 18,8%, DeFi com 48,71%, Jogos com 1,78%, Publicidade e Marketing  com 8,93%, Meios de Pagamento com 20,36% e Mídias Sociais com apenas 0,62%. 

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Dentre esses mercados, é nitidamente visível o crescimento do mercado de Finanças Descentralizadas (DeFi), que devido ao grande número de operações, gera muitas taxas. As taxas da rede da Ethereum são equivalentes a 5-10% da receita dos aplicativos.

  • Projeções para o ativo

Conforme vimos, os mercados de atuação do ETH  podem ser considerados praticamente um ativo do setor de tecnologia, assim como as grandes empresas de tech, como Microsoft, Google ou Amazon. 

A Taxa de Crescimento Anual Composta (CAGR) do ativo até o momento é de 37,8%. Claro que esse ritmo tende a diminuir conforme sua capitalização cresce, mas já nos serve como uma ideia do que seria um cenário de extremo otimismo, ou quem sabe, seu crescimento na fase de adoção em massa do mercado.

Hoje, vamos utilizar como referência principal algumas projeções de uma das maiores gestoras dos Estados Unidos, a VanEck, que fez uma projeção de adoção para 2030 do ETH. Gostei do prazo escolhido, pois o próximo halving é em 2028, e com isso, é possível termos uma temporada de alta que dure até o final de 2029, se enquadrando no prazo analisado. Por isso, podemos ter boas referências do que esperar para o próximo ciclo do BTC, daqui a 5 anos.

Bem como a gestora Vaneck, a rede da Ethereum tem potencial de penetração em diversos setores, como, por exemplo:

  • 7,5% do mercado de Finanças, Bancos e Meios de Pagamento (FBP): US$ 11 trilhões;
  • 20% do mercado de Marketing, Publicidade, Social e Jogos (MASG): US$ 1,1 trilhão;
  • 10% do mercado de Infraestrutura: US$ 1,8 trilhão;
  • 5% do mercado de Inteligência Artificial (IA): US$ 1,4 trilhão.

Isso projeta o ativo para um tamanho na casa dos US$ 15 trilhões, o que seria 40x a capitalização atual. Mas calma, também devemos considerar outras variáveis na conta.

Estimando que 70% dos novos projetos que surjam no mundo cripto escolham a rede da Ethereum e que, por isso, serão projetos focados em contratos inteligentes, temos:

Expectativas para 2030

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Fonte: VanEck

No cenário pessimista, certamente o ETH perderia o cargo de principal ativo de contratos inteligentes do mundo e, por isso, teria se desvalorizado bastante. No cenário base, levaria o ativo para a casa dos US$ 22 mil, e no cenário mais otimista de todos, projetaria o ETH para incríveis US$ 154 mil. Mas, como sempre, adotando uma postura mais conservadora do que essas projeções, diria que o alvo de US$ 20 mil para a temporada de alta de 2029 seja uma referência interessante, uma valorização na casa dos 550% em relação à cotação atual de US$ 3 mil.

Entusiasta Cripto

Com o crescimento da Ethereum, todo seu ecossistema acaba se beneficiando. Inclusive, a tendência é que até mesmo se valorizem mais do que o ETH efetivamente, pois são ativos menores e mais sensíveis ao fluxo de capital. 

Entretanto, não podemos colocar todas nossas fichas no mesmo ecossistema, pois existe a chance de outro projeto conseguir superá-lo ou até mesmo da Ethereum falhar do dia para noite. Por isso, apesar de ser a minha favorita dos contratos inteligentes, também sugiro a diversificação em ativos de outras redes. No caso dos ativos aprovados abaixo, temos a AVAX da blockchain da Avalanche e a STX da blockchain do Bitcoin.

Ativos aprovados

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Fonte: Finclass Data: 24 fevereiro

Conclusão

O mercado financeiro está se transformando. Não é um simples ETF de ETH que foi aprovado; isso abriu portas para diversos modelos financeiros tradicionais se adaptarem a esse novo sistema que está sendo criado pela Ethereum. Inclusive, comentei sobre a transformação dos ativos do mercado financeiro tradicional neste relatório.

Certamente ainda temos muito o que evoluir, mas a principal transformação, que era necessária para o ativo ser amplamente aceito, já passou. Agora, nada mais pode conter o seu crescimento.

As projeções do mercado são meramente especulativas, pois ainda não sabemos quais mercados serão predominantes na rede, mas uma coisa é fato: desde que a Ethereum consiga se manter como o principal projeto de contratos inteligentes, sua valorização no longo prazo é inevitável.

Forte abraço,

Thales

Sobre os analistas

Thales Inada

Especialista em Criptoativos

Especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Finclass. Engenheiro, com MBA em investimentos e Asset Allocation. Iniciou no mercado de criptoativos em 2017, com passagem por importantes exchanges como Binance (a maior do mundo), Mercado Bitcoin (a maior da América Latina) e XDEX, a antiga exchange da XP Inc. Agora, deixou as instituições para ficar do lado de investidoras e investidores, com missão de democratizar o universo dos criptoativos e investimentos alternativos por meio de uma linguagem simples e direta, a fim de tornar esse mercado visionário acessível a todas as pessoas.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.