Relatórios

Fundos de investimento internacionais: como funcionam e como podem ser utilizados em nossa carteira.

Escrito por Felipe Arrais em INTERNACIONAL

20 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • As regras gerais impostas para fundos internacionais no Brasil se tornaram mais flexíveis, mas ainda existem entraves importantes que podem dificultar o acesso por parte de investidores brasileiros.

  • O mercado de espelhos de fundos internacionais sediados no Brasil está mudando e isso impacta a oferta disponível. Fundos locais com hedge cambial têm sido a escolha das corretoras para feeders locais, deixando as versões dolarizadas para quem investe direto no exterior.

  • Os diferentes tipos de fundos que podem ser utilizados na alocação internacional e suas peculiaridades.

  • Orientações sobre como encaixar fundos ativos em uma alocação predominantemente passiva.

  • Atualização do fundo multiativo Man AHL TargetRisk.

Como eu, Felipe Arrais, costumo comentar com frequência, as Lives e interações com assinantes em nossa comunidade no Circle são fundamentais não só por nos possibilitarem trazer informações e atualizações pertinentes de maneira mais direta e rápida, mas também por servirem como um termômetro das necessidades mais latentes e satisfação de nossos assinantes.

Não à toa, frequentemente uma necessidade exposta em live se torna tema de um relatório futuro.

Aqui na Finclass temos um time de análise de fundos de investimento que recomenda e acompanha uma vasta gama de opções, entretanto, as análises referentes a fundos internacionais ficam por conta de outro time, o de investimentos internacionais.

Essa divisão tende a gerar dúvidas.

Ainda mais que no caso da carteira internacional os fundos são mais uma opcionalidade do que obrigação, e se não é obrigatório, naturalmente dependemos do julgamento individual de cada assinante para fazer as escolhas.

Esse processo pode ser mais difícil do que parece, ainda mais para quem está começando a jornada dos investimentos.

Pensando nisso, elaboramos um relatório para falar um pouco da utilização de fundos de investimento na carteira internacional detalhando alguns aspectos de seu funcionamento, diferenciações por classe e desafios na distribuição aqui no Brasil.

Aproveitando a oportunidade, faremos também uma atualização completa do fundo Man AHL Target Risk, atualmente o único representante da classe de fundos multiativos na Finclass.

Uma ótima leitura!

Fundos internacionais vs fundos brasileiros

Como mencionamos na abertura, existe uma separação entre áreas de atuação da Finclass. Fundos não são todos iguais nem servem sempre ao mesmo propósito.

Um exemplo dessa “confusão” é o fato de que frequentemente nosso analista de fundos de investimento recebe perguntas sobre fundos imobiliários. Da mesma maneira, frequentemente as recomendações de fundos de investimento feitas pelo time do Rodrigo Xavier se confundem com as minhas, feitas aqui na série internacional.

Nesta última comparação, por mais que haja muitas similaridades nos fundos que são sediados no Brasil (em termos de estrutura), o caminho que o dinheiro faz e o propósito do fundo em questão costumam ser muito distintos.

Uma maneira fácil de entender a separação é que todo fundo que visa fundamental e exclusivamente investir no exterior fica sob a minha alçada de análise.

Já fundos de gestoras brasileiras, mesmo que possam investir bastante no exterior, costumam ter um grande viés de investimento no Brasil. Estes ficam sob os cuidados do nosso querido Rodrigão no time de fundos.

Outra diferença válida de se destacar entre a seleção de fundos feita pelo time de fundos e o de internacional é que, quando cruzamos a fronteira para irmos ao exterior, os fundos (principalmente os de gestão ativa) se tornam coadjuvantes e não são peças indispensáveis, enquanto o time do Rodrigo busca fundamentalmente recomendações que possam ser peças importantes e indispensáveis na alocação de longo prazo.

Os motivos disso têm a ver com eficiência de mercado, uma maior dificuldade relativa na geração de alfa em mercados mais desenvolvidos e outras tantas questões que já discutimos em relatórios passados.

Fundos internacionais sediados no Brasil

Um fundo gerido por uma gestora internacional, naturalmente está sediado fora do país. Então como eu consigo encontrar algumas opções disponíveis em corretoras brasileiras?

Isso é possível com a criação de espelhos, ou fundos feeders, que têm a única missão de pegar seu dinheiro, cruzar a fronteira levando-o até o fundo “original” que está em terras estrangeiras.

Esse fundo espelho pode ser criado no Brasil pela própria gestora, caso ela tenha atuação local (a exemplo da Pimco), ou criado por corretoras parceiras no projeto, como os fundos internacionais disponíveis na XP (que em sua maioria tem exclusividade de distribuição e a XP é a responsável por gerir os espelhos locais).

Nesse processo, pela conveniência de investir no exterior sem sair do Brasil, há um custo. O espelho local tem uma taxa, que deve ser somada à taxa do fundo “original” no exterior.

Então se você vê na XP, por exemplo, um fundo internacional com taxa de 0,8% ao ano, saiba que essa taxa ainda será somada à taxa do fundo estrangeiro, e muitas vezes isso não é publicado com clareza.

Agora, isso nem sempre torna o investimento caro ou inviável. Em alguns casos pode até ser mais barato investir de maneira indireta usando os espelhos locais. Isso porque no exterior temos há mais tempo o sistema de classes e subclasses, em que um mesmo fundo pode ter diferentes vias de acesso com condições diferentes.

A classe destinada a investidores institucionais costuma ser muito mais barata em termos de taxa de administração, mas exige aportes maiores e só aceita investimento de empresas. Se nós, pessoas físicas, fôssemos investir em um fundo internacional diretamente no exterior, teríamos que acessar classes destinadas ao varejo, que costumam ser mais caras e exigir um investimento menor.

Assim, um fundo sediado aqui no Brasil é percebido pelo fundo internacional como uma instituição, permitindo o acesso à classe mais barata. Por isso, muitas vezes o custo de taxa de administração investindo daqui do Brasil ou direto lá fora é muito próximo.

Vale também lembrar que para investir diretamente no exterior você ainda tem que arcar com o custo de transferência do dinheiro e muitas vezes os fundos lá fora cobram uma taxa de ingresso a cada aporte feito ao longo do tempo. Ou seja, em alguns casos, a depender das condições de preço conseguidas por cada investidor, pode ser mais barato investir aqui mesmo do Brasil.

Por isso, não é tão trivial decidir de maneira universal se é mais barato investir daqui mesmo pelos espelhos ou ir direto na fonte.

Alterações recentes na regra de acesso

Uma questão importante antes de prosseguirmos é sempre haver barreiras de entrada para o investimento internacional via fundos por conta das restrições impostas pela legislação.

Por muito tempo fundos que investissem mais de 20% no exterior deveriam ser restritos a investidores qualificados (aqueles com mais de R$ 1 milhão em aplicações financeiras ou alguma certificação apropriada).

Há poucos anos tivemos a implementação da Instrução CVM 175, que flexibilizou este limite, possibilitando que fundos internacionais possam ser acessados por investidores em geral, desde que algumas exigências sejam cumpridas.

Excelente notícia, entretanto, a implementação desta nova regra não é tão simples. Os fundos internacionais já existentes não passam a ser imediatamente acessíveis por qualquer investidor depois desta mudança. O regulamento dos fundos existentes ainda prevê que o fundo seja restrito a investidores qualificados, exigindo que estes convoquem uma assembleia de cotistas para decidir sobre a mudança do regulamento para investidores em geral.

Diante disso, as gestoras têm essa opção de convocar uma assembleia ou criar um fundo idêntico ao primeiro, mas com um regulamento atualizado. Alguns fundos devem mudar seus regulamentos ao longo do tempo e a criação de fundos novos deve acontecer somente quando o mercado voltar a ter apetite por investimentos internacionais.

Estamos acompanhando a evolução deste movimento e, à medida que os fundos existentes se tornarem disponíveis ao público em geral, comunicaremos você, seja através de um relatório ou da comunidade Circle.

Ano passado tivemos a alteração de regulamento de alguns fundos que recomendamos e isso inclusive abriu oportunidade de finalmente incluir uma pitada de gestão ativa nas carteiras internacionais, a exemplo da inclusão do fundo Morgan Stanley Global Opportunity, adicionado em meados de 2025 após a mudança de regulamento que o tornou mais acessível.

Outro detalhe importante é que nem todo fundo internacional pode se tornar disponível ao varejo.

Isso porque o domicílio e regras de gestão do local onde ele é sediado importa. Por exemplo, se um fundo é sediado nas ilhas Cayman, um paraíso fiscal que tem regras distintas do que a CVM entende como sendo o ideal, ele precisa ser restrito a investidores profissionais, mesmo que opere com investimentos simples e não arriscados. Já um fundo sediado na Europa e que se enquadre na legislação de UCITS, extremamente controlada e regulada, pode se tornar disponível ao varejo.

Um exemplo de entrave é o que acontece com o fundo da Oaktree, que não segue a legislação de UCITS por conta da utilização de investimentos em crédito estruturado. Por isso não podemos ter uma versão idêntica ao Oaktree Global Credit disponível a todos os investidores. A Oaktree teria que criar uma versão adaptada, com menos exposição a classes restritas, para que o fundo seja aderente à legislação de UCITS .

Inclusive é uma das intenções da Oaktree, desde que identifique apetite pelo investimento aqui no Brasil, o que nos leva diretamente ao próximo assunto.

O apetite de oferta das corretoras segue o apetite de investimento

Em geral, investidores brasileiros são muito suscetíveis a movimentos de curto prazo. Se o dólar e as ações globais vão bem, no ano seguinte aumenta fortemente a captação deste tipo de fundo; depois de um ano ruim, ela diminui drasticamente.

Com o CDI alto que vivemos nos últimos anos, o brasileiro viu pouco motivo para tomar risco, e vimos um esvaziamento de patrimônio de classes de fundos de ações multimercados, e os fundos internacionais, principalmente os dolarizados, foram escanteados por muito tempo.

Já as versões com hedge cambial, em que se faz um procedimento artificial para retirar o efeito do dólar (que é volátil por natureza), foi mais resiliente. Até porque com o tamanho do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, a operação de hedge cambial trazia um colchão de rentabilidade a essa modalidade de fundos (falaremos um pouco mais sobre isso na próxima seção). Além disso, sem a influência do câmbio a percepção do cliente tende a ser mais suave em termos da volatilidade.

Os investidores que mantiveram interesse em aumentar sua parcela de investimentos internacionais passaram a ter também a possibilidade de acessar diretamente o investimento no exterior com o crescimento de corretoras como a Avenue.

Isso fez com que muitas corretoras refletissem sobre esse cenário e acabassem adotando uma estratégia de priorizar trazer espelhos para o Brasil em versões hedgeadas e deixar o cliente que quer dolarizar a carteira acessar os fundos diretamente no exterior.

A ideia faz certo sentido, se entendermos o lado econômico de que é custoso para as gestoras manter fundos que eventualmente não captem recursos. Entretanto precisamos considerar que não é uma decisão tão simples mandar recursos para fora. Nem todos tem a mesma aptidão ou condições de obter custos menores. Lembre-se de que ainda é muito caro enviar o dinheiro para fora do país.

Temos feito nosso trabalho de criticar as taxas altas praticadas na corretagem internacional e nossa expectativa é que cada vez mais os clientes cobrem por condições melhores e que o aumento da concorrência nesse mercado ajudará a reduzir os custos.

Fala-se cada vez mais da possibilidade de enviar dinheiro para o exterior usando cripto, e empresas estrangeiras consolidadas têm aumentado o interesse em estar no Brasil, caso, por exemplo, da Interactive Brokers, que já há algum tempo passou a oferecer suporte em português.

Exposição cambial

Em nossa carteira internacional queremos ter exposição ao dólar; por isso, é necessário tomarmos certos cuidados ao escolher fundos internacionais. Nem todo fundo internacional oferece exposição ao dólar.

Fundos podem utilizar instrumentos disponíveis de mercado para neutralizar a influência do câmbio, o procedimento chamado de hedge cambial mencionado anteriormente.

Por isso, é comum que você encontre nas corretoras duas versões para o mesmo fundo, uma com exposição cambial e outra com o câmbio hedgeado. Ou, se considerarmos o que foi dito na seção anterior, muitas vezes a corretora só disponibilizará a versão com hedge, fazendo com que você tenha que investir diretamente no exterior se quiser determinado fundo em uma versão dolarizada.

Como dica para te ajudar a evitar investir em versões hedgeadas, as versões com exposição cambial costumam destacar essa característica no nome da estratégia — por exemplo, Morgan Stanley Global Brands USD ou Morgan Stanley Global Brands Dólar.

A versão sem exposição cambial pode simplesmente não ter referência ao dólar ou ter uma nomenclatura que deixe claro que o fundo foi hedgeado para reais —  por exemplo, Morgan Stanley Global Brands BRL. Nossa orientação é que você escolha as versões com exposição cambial.

Como encaixar os fundos recomendados em nossa alocação estrutural?

A partir de agora, passaremos a discutir as possibilidades de ajustes e customização de nossa carteira internacional utilizando fundos. Por mais que tenhamos convicção de que nossa carteira será bem-sucedida em prazos longos, temos que considerar que cada investidor ou investidora tem diferentes objetivos, gostos, aptidões, etc.

Dessa forma, alterações são possíveis, desde que sejam pesados os prós e contras dessa escolha, e que você tenha convicção sobre o que está propondo.

Frequentemente recebemos perguntas sobre possibilidades de alteração na carteira e percebemos uma certa necessidade de aprovação por parte de nossa equipe.

Por mais que flexibilizações sejam possíveis, nem sempre podemos chancelar as propostas de modificações de cada um de nossos assinantes. Assim sendo, recomendamos que você busque diferenciar sua alocação apenas se entender muito bem o que está fazendo e os prós e contras de cada decisão.

Vamos a dois exemplos de perguntas que costumam chegar até nós:

“Posso utilizar o ETF de S&P 500 em vez do ETF recomendado?”

Se você optar por utilizar um ETF de S&P 500, em vez da opção recomendada, significa que deseja concentrar o patrimônio em ações norte-americanas. Portanto, o que você deve pesar é sua convicção nos Estados Unidos em detrimento do mundo. Se você tem uma visão particular mais favorável ao mercado americano, poderá fazer a troca, mas deixará de capturar altas provenientes do mercado acionário de outras geografias.

“Posso fazer minha alocação em ações 100% através da gestão ativa, utilizando os fundos recomendados?”

Neste exemplo, muitas vezes este desejo parte da vontade dos assinantes de ter mais conveniência, comprando um fundo ao invés do ETF (que precisa ser comprado pelo home broker da corretora).

Buscar comodidade é natural, mas não podemos deixar o desejo de uma maior praticidade atrapalhar o bom desempenho futuro da carteira. Nós preferimos dar um maior espaço à gestão passiva pelos motivos já discutidos anteriormente neste relatório e em outros tantos antes deste, mas se você gosta da gestão ativa e pretende aumentar essa fatia, entenda que está fazendo uma aposta de que o gestor terá performance consistentemente acima dos índices internacionais, o que pode acontecer ou não.

Esses são apenas dois exemplos de customização dentre vários possíveis. De maneira resumida, mudanças e ajustes são possíveis, desde que amparados por critérios quantitativos e qualitativos.

Se você ainda não está em um nível de conhecimento e maturidade para fazer esse tipo de leitura, siga integralmente a carteira recomendada.

Agora, existe também a dúvida sobre usar um fundo de gestão ativa ou outro. Por exemplo, um investidor ou investidora que invista apenas pelo BTG não encontrará o fundo Morgan Stanley Global Opportunity que está disponível apenas na XP. Neste caso, deve-se considerar algum outro fundo recomendado da mesma classe (ações, no caso) ou simplesmente não investir em fundos de gestão ativa, dado que os protagonistas da nossa carteira são os ETFs.

Lembre-se também de que sempre colocamos a tabela de ETFs e fundos recomendados ao final de todo relatório internacional.

Falaremos brevemente sobre fundos de diferentes classes, aproveitando a oportunidade para relembrar as principais características dos nossos recomendados.

Ações

Sobre a parte de ações, já expusemos nossa opinião de favorecer a gestão passiva pela dificuldade de se bater consistentemente os mercados internacionais.

Se vamos apostar na gestão ativa, preferimos delegar essa responsabilidade a gestores experientes que contam com equipes numerosas e muito investimento em ferramentas de tecnologia. E, ainda assim, deixamos os fundos como coadjuvantes, e não protagonistas da carteira.

Temos poucas, mas boas recomendações de fundos internacionais que podem ser utilizados. Abaixo, listaremos, de maneira resumida, alguns tipos de características importantes de nossos recomendados para te auxiliar no processo de escolha.

●       Morgan Stanley Global Brands: fundo que investe apenas em mercados desenvolvidos e procura empresas de qualidade que tenham bons indicadores de retorno, endividamento controlado e, principalmente, resiliência de demanda, seja pela importância do produto fabricado (por exemplo, medicamentos de que, mesmo em uma crise, os usuários continuam a precisar), ou pela força de marca (um amante de Coca-Cola dificilmente parará de consumir ou trocará por outra marca de refrigerante). O índice referência que este fundo se propõe a bater é o MSCI World, que compreende as principais ações de países desenvolvidos. É um fundo que geralmente oferece uma experiência mais suave em termos de volatilidade, com um viés de crescimento estável e sustentável.

●       Fundsmith: fundo com características similares ao Morgan Stanley Global Brands, pois procura sempre empresas de qualidade, que tenham endividamento baixo, força de repasse de preço, força de marca, etc. Opera apenas em mercados desenvolvidos com a filosofia de Value Investing e se propõe a bater o índice MSCI World. No momento vale o aviso de que o fundo está em fase de revisão de tese e, por tal motivo, talvez valha esperar um pouco para emitirmos nossa opinião final sobre ele.

Esses dois primeiros fundos são os mais conservadores de nossa amostra, justamente pelo estilo de empresas selecionadas e os mercados em que operam (apenas desenvolvidos). Os dois fundos de que falaremos a seguir apresentam um pouco mais de risco por incluírem em sua composição mercados emergentes.

●       Wellington Ventura: fundo que tem como nome original Wellington Global Quality Growth e investe de maneira diversificada em ações do mundo todo, visando escolher negócios que apresentam características de uma empresa de qualidade sem perder o potencial de crescimento. O fundo emprega a gestão ativa e opera também em mercados em desenvolvimento. No entanto, não faz grandes desvios em relação à composição oferecida pelo índice MSCI ACWI (mais abrangente que seu irmão MSCI World, que possui apenas mercados desenvolvidos).

●       Morgan Stanley Global Opportunity: este fundo é a principal “pimenta” entre nossas recomendações e atualmente nosso escolhido para integrar a carteira oficial da Finclass. O time de gestão procura oportunidades e grandes distorções no mercado, podendo operar empresas de diferentes estilos e categorias sem muitas restrições. O fundo segue as convicções do time de gestão, mesmo que a carteira se distancie muito da alocação geográfica proposta pelo índice. O time de gestão fica localizado em Singapura e tem como um diferencial a expertise de gerir ações asiáticas, que historicamente ocuparam um espaço relevante na carteira. O fundo foi um dos mais rentáveis dentre nossos recomendados, mas também foi de longe o que apresentou maior volatilidade. Ele busca bater o índice MSCI ACWI.

Nossa escolha para preencher a carteira modelo foi o fundo Morgan Stanley Global Opportunity pelo fato de que a gestão ativa tem um espaço muito pequeno em nossa carteira internacional. Dessa maneira, acreditamos que faz sentido que essa peça seja um pouco mais “potente”, para que faça diferença em seus retornos em períodos de boa performance.

Lembre-se de que você pode optar por uma opção mais conservadora e customizar à sua maneira.

Renda Fixa

Esta seção sobre os fundos de renda fixa internacional é extremamente relevante, pois acreditamos que a gestão ativa tem possibilidades maiores de ser bem-sucedida nessa categoria, ao contrário do que defendemos para o mercado acionário.

Isso acontece porque o mercado de renda fixa, mesmo nos Estados Unidos, não é tão eficiente. Diversas operações de renda fixa são realizadas de maneira privada ou negociando direto no balcão, o que pode dar a gestores experientes a oportunidade de capturar ganhos superiores.

Vamos a um exemplo que pode ajudar a entender melhor:

Suponha que exista um gestor de um fundo de investimentos que esteja passando por um momento de aperto, seja por fatores internos ou por condições adversas do mercado em geral. Diante disso, ele passa a receber um grande volume de pedidos de resgate.

Se o gestor vender com pressa os ativos para honrar os resgates, poderá destruir ainda mais valor para os clientes. Nesse evento, ele pode pedir um “resgate” a algum outro fundo mais maduro e resiliente, e negociar uma venda direta para que o gestor que está em apuros consiga vender com mais facilidade e com menos descontos, ao passo que o gestor que está fazendo o salvamento pode comprar ativos mais baratos do que compraria no mercado.

Na grande crise financeira de 2007/2008, esse cenário chegou a acontecer com casas gigantes como a Pimco, que aproveitou o momento conturbado para rechear a carteira de barganhas que eram oferecidas, o que propiciou excelentes retornos nos anos seguintes.

Por este motivo, se você tiver acesso a esses fundos, não vemos problema em rechear a fatia de renda fixa global 100% através dos fundos recomendados de gestão ativa — o que não recomendamos para a fatia de ações.

É importante destacar que, apesar de não vermos problema em investir a fatia de renda fixa internacional 100% via fundos, não quer dizer que eles vão necessariamente performar melhor que os ETFs.

Acreditamos que em prazos longos a alocação estrutural traga a maior parte da contribuição para seus retornos. Em bom e velho português, sua estratégia tende a ser bem-sucedida tanto por fundos ou ETFs de renda fixa.

A seguir, listaremos algumas características dos dois fundos que temos nesta fatia de renda fixa:

●       Pimco Income: pode ser considerado um verdadeiro fundo multimercado de renda fixa. Pode comprar ativos de diferentes categorias de risco ao redor do mundo, tanto no espectro do crédito corporativo quanto em títulos públicos. Pode, inclusive, ganhar dinheiro com o câmbio, optando por correr ou não o risco da moeda dos ativos investidos. O fundo tem um viés maior em torno de ativos de maior qualidade, mas pode operar categorias mais “apimentadas”, como High Yield.

●       Oaktree Global Credit: como o nome sugere, o fundo investe em crédito ao redor do mundo, explorando menos a categoria de títulos públicos. Eles têm um viés um pouco mais agressivo por explorarem várias categorias mais arriscadas, como o High Yield e também crédito estruturado. Apesar de explorar oportunidades menos triviais, possui controles de risco muito eficientes para proteger a carteira.

Acreditamos que uma combinação entre os dois fundos funcionará muito bem em sua carteira.

Reits

Infelizmente ainda não temos fundos de gestão ativa em Reits geridos por gestoras internacionais disponíveis aqui no Brasil. Na verdade, a classe em si é bem menos popular que ações, fazendo com que existam menos opções no mundo.

Também podemos considerar o fato de que no exterior Reits são empresas e, por isso, muitos gestores de ações investem em Reits de maneira oportunística, não fazendo essa distinção de ser uma classe diferente.

Existem no Brasil alguns exemplares como os fundos da RBR e Kanuma que fazem esse tipo de gestão, estes estão sendo avaliados cuidadosamente, afinal ainda estamos falando de um mercado competitivo e não é simples a tarefa de fazer esse tipo de gestão aqui do Brasil.

Dessa maneira, não temos (pelo menos não ainda) fundos de gestão ativa em Reits recomendados.

Fundos multiativos

Fundos multiativos são fundos que investem em diferentes classes de ativos, de maneira semelhante aos fundos multimercado que temos no Brasil. Ao utilizar este tipo de fundo, estamos delegando ao gestor não somente a capacidade de escolher ativos individuais, mas também, a habilidade de compor a carteira entre diferentes classes ao redor do mundo.

Este tipo de fundo não faz parte da carteira modelo de maneira estrutural, no entanto, pode ser adicionado a depender do gosto pessoal de cada investidor.

A orientação que temos para quem deseja contar com esta categoria de fundo é que defina o tamanho desta fatia dentro da carteira global até no máximo 20% da carteira (portanto, até 20% dos 17% que representam a carteira global, o que representaria uma posição de até 3,5% da carteira completa).

Se você, por exemplo, definir que quer ter 10% da sua carteira internacional alocada em fundos multiativos, deve reduzir proporcionalmente as outras fatias, de modo a abrir este espaço.

Vamos a um exemplo partindo da alocação internacional atual da Finclass:

●       35% renda fixa

●       15% Reits

●       50% ações

Ao reduzir 10% de cada posição para adicionar os fundos multiativos, a carteira ficaria como apresentado abaixo:

Agora, descreveremos brevemente as principais características do único fundo multiativo que temos em nossas recomendações:

●       Man AHL Target Risk: este é um fundo gerido por algoritmos, o que chamamos de fundos sistemáticos (ou quantitativos). Ele opera apenas comprado, não aposta na queda de ativos e procura minimizar o risco de suas alocações através de sensores de risco que, quando ativados, diminuem rapidamente a exposição do fundo a algum mercado específico. Ele investe em ações, commodities e renda fixa de maneira diversificada; procura performar melhor do que uma carteira 60/40, ou seja, possui o mesmo objetivo de nossa carteira internacional.

Lembre-se de que recentemente o fundo Bridgewater Core Global Macro foi descontinuado, consequentemente saindo de nossas recomendações.

Nós gostamos muito da ideia de combinar estilos diferentes, por isso estamos avaliando outras opções que podem integrar essa caixinha no futuro.

Atualização de mercado Man AHL Target Risk

O Man AHL TargetRisk é um fundo sistemático (gerido por modelos quantitativos) que busca combinar crescimento com controle de risco. Em vez de depender de “opiniões” discricionárias, o programa monta uma carteira diversificada entre ações, renda fixa, crédito e ativos ligados à inflação/commodities, ajustando as posições de forma dinâmica para perseguir um alvo de volatilidade anual de 10%.

Além disso, utiliza “overlays” (camadas automáticas de gestão de risco) que podem reduzir ou aumentar exposição conforme o comportamento do mercado, com destaque para sinais de volatilidade, momentum e correlação entre os ativos.

Em 2025, o fundo entregou +8,2% em dólar líquidos de taxas, num ano marcado por mudanças bruscas de narrativa: tarifas comerciais dos EUA, ruídos geopolíticos, discussões sobre sustentabilidade fiscal, além de um segundo semestre com cortes do Fed e mercados acionários fortes impulsionados por IA e gastos de defesa.

Vale mencionar que o ano passado foi um ano em que o dólar se desvalorizou intensamente frente a nossa moeda (-11,4%), o que fez com que o retorno do fundo espelho com exposição cambial ficasse negativo (-5,32%) quando analisado em reais.

A própria gestora divide o ano em três etapas:

·       um primeiro trimestre em que a diversificação voltou a “pagar”;

·       um segundo trimestre dominado pelo choque de tarifas e movimentos erráticos;

·       um segundo semestre mais construtivo para ativos de crescimento e inflação.

No 1º trimestre, a carteira teve desempenho positivo (+1,4%) e a diversificação ajudou a atravessar um momento em que o “excepcionalismo americano” foi mais questionado; commodities e componentes sensíveis à inflação contribuíram, enquanto parte da exposição a ativos de risco e renda fixa pressionou.

Já no 2º trimestre, veio o período mais difícil: após o anúncio das tarifas (“Liberation Day”), houve uma queda intensa seguida de uma recuperação muito rápida em “V”. Nesse cenário, os overlays de risco foram ativados para reduzir exposição durante o estresse, com o objetivo de limitar perdas caso a queda se transformasse em um evento prolongado.

O “custo” foi participar menos do início da recuperação, mas a lógica do processo é proteger contra cenários em que a recuperação não vem – preservando o capital para o longo prazo. Em termos de atribuição, ações (sobretudo Europa) foram o maior detrator, com crédito e inflação/commodities também pesando, enquanto bonds ajudaram em parte do trimestre.

No 2º semestre, o ambiente ficou mais favorável: com mercados mais estáveis, o modelo tende a carregar mais exposição (exposição bruta chegando perto de ~350%), o que historicamente melhora a capacidade de capturar altas. Nesse período, ações, crédito e inflação/commodities contribuíram positivamente, enquanto bonds detrataram em meio a episódios de alta de juros (especialmente na Europa). Em paralelo, houve evolução no arcabouço de risco: a gestora incorporou informações do mercado de opções (a “superfície de volatilidade”) para tentar desalavancar com mais precisão no estresse e realavancar mais cedo quando a tensão se dissipa.

O fundo inicia 2026 com um beta de ações em torno de 0,6, buscando equilibrar participação em eventuais altas com proteção em dois pilares: diversificação (incluindo bonds como contrapeso) e gestão de risco sistemática via overlays. Em resumo, 2025 foi um bom exemplo do que se espera de uma estratégia desse tipo: não “ganhar de tudo o tempo todo”, mas navegar cenários muito diferentes e manter um processo disciplinado para reduzir danos nos choques e capturar oportunidades quando o ambiente melhora.

Continuamos gostando muito do fundo, que é uma das principais gestoras sistemáticas do mundo, mas, vale a pena relembrar o que dissemos sobre fundos multiativos: eles não são uma obrigação, mas sim uma opcionalidade para quem busca diversificação adicional.

Ficamos por aqui...

Com o relatório de hoje, iniciamos 2026 com um bom alinhamento sobre como utilizarmos fundos de investimento juntamente com a nossa carteira internacional. Também aproveitamos para desenhar os limites de onde termina o trabalho do time de fundos de investimento e começa o do time internacional (embora tenhamos muitas interações em conjunto no dia a dia pelo fato de ambos terem conhecimento do instrumento em questão).

Continuamos incentivando a sua participação em nossas lives e comunidade pois assim conseguiremos mapear com mais precisão quais são as necessidades latentes de nossos assinantes.

Nos antecipando a questionamentos, em breve traremos uma atualização de mercado dos outros fundos recomendados de maneira similar ao que fizemos com o Man AHL TargetRisk hoje.

Essa atualização poderá acontecer dentro de um relatório futuro ou até mesmo na comunidade, como fizemos em outras ocasiões, por isso é importante manter proximidade ao time da Finclass para ter sempre as atualizações mais recentes.

Um grande abraço,

Felipe Arrais

Ativos Internacionais Aprovados

Disponibilizamos, ao final de cada relatório internacional, diversas opções de ativos aprovados, voltados para investidores experientes que desejam exposição mais específica a determinados setores ou mercados.

Considere essas alternativas como um verdadeiro “cardápio” cuidadosamente selecionado, permitindo que você personalize sua estratégia, enquanto mantém ativos com a cobertura da Finclass.

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Fundos Internacionais Aprovados

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Sobre os analistas

Felipe Arrais

Sócio

Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.