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GOLD11

Escrito por Vinicius Kenjiro, Felipe Arrais, Alessandra Bellotto, Rodrigo Xavier em AÇÕES

5 min de leitura

Nesse relatório, trazemos pra você as recomendações dos fundos de ouro. A alternativa que optamos no Spiti One foi o ETF GOLD11, no entanto, existem várias outras opções no mercado igualmente boas para se expor ao metal precioso que mostraremos a seguir.

Vamos nessa!

Qual importância do ouro?

O ouro é a mais antiga reserva de valor de longo prazo do mundo. Ele pode até não gerar riqueza, uma vez que não tem rendimentos, mas exerce um papel crucial como um seguro para o seu patrimônio contra grandes estresses globais, especialmente nos momentos que até o dólar fraqueja.

O metal precioso pode passar anos sem grandes oscilações até o mundo entrar em uma nova crise. Com o estouro da pandemia, o ouro brilhou praticamente sozinho. Como a economia norte-americana também foi afetada pela crise do coronavírus, o dólar acabou perdendo força quando comparado a outras moedas globais na esteira da injeção brutal de liquidez e da disparada da inflação.

No gráfico abaixo, comparamos o comportamento do ouro listado na Bolsa de Nova York com o desempenho do índice DXY (Dollar Index), que mede a força do dólar em relação a uma cesta de moedas de países desenvolvidos também consideradas fortes (euro, iene, libra esterlina, dólar canadense, coroa sueca e franco suíço).

É possível notar a disparada do metal enquanto a moeda norte-americana no mercado global reagiu com queda ao estouro da crise da Covid-19, assumindo então uma trajetória mais estável.

Fonte: Quantum. Elaborado por Spiti

Pra nós, o ouro deve fazer parte da carteira de quem investe de forma estrutural (não para especular), ainda que com uma fatia pequena. No Spiti One, por exemplo, a ideia é sempre manter 3% do metal na carteira.

No mercado, existem opções não dolarizadas (ou hedgeados, como são chamados), que é quando o investidor ou investidora quer ter exposição ao ouro sem aumentar o nível de exposição cambial. Por outro lado, encontramos alternativas dolarizadas (sem hedge), ou como gostamos de chama-los: produtos do tipo “2 em 1”, ou seja, ouro + dólar.

Para quem está montando a carteira do Spiti One, vá com a segunda opção!

A lista de recomendados

Para integrar a nossa seleção, os produtos tinham de ter uma correlação alta com os ativos-alvo e ser baratos – limitamos a taxa de administração a um percentual de 0,5% ao ano.

São nove fundos com aplicação mínima entre R$ 100 e R$ 500, além de um ETF. Bradesco, BTG e XP têm opções com hedge cambial (Bradesco Ouro, BTG Pactual Ouro FIC e Trend Ouro), ou seja, que restringem a exposição apenas ao metal. No universo dos fundos sem hedge cambial, temos seis recomendados: Bradesco Ouro USD, BTG Pactual Reference Ouro USD e Trend Ouro Dólar (da XP), além do ETF GOLD11.

O GOLD11 é um ETF sob gestão da XP Asset que, por sua vez, investe em um ETF de ouro internacional: o iShares Gold Trust, mais conhecido como IAU, listado na Bolsa de Nova York e que tem o ouro físico como lastro. Ao comprar o IAU, o GOLD11 busca refletir a variação do LBMA Gold Price (um índice de referência global para o preço do ouro). Como tem exposição cambial, ele varia conforme a dinâmica do dólar e do metal.

Já os fundos operam tanto no mercado de derivativos como no segmento de ETF. Os fundos do BTG e da XP, por exemplo, buscam exposição ao contrato de ouro negociado na CME, em Chicago, maior Bolsa de derivativos financeiros em número de contratos do mundo. Mas para que esses fundos sejam distribuídos no varejo, eles não podem operar diretamente no exterior.

Assim, eles fazem uma operação conhecida como “swap” (troca, na tradução) com as tesourarias de seus respectivos bancos, em que trocam a variação da taxa de juros local pela variação do ouro futuro na CME – o banco, sim, pode operar diretamente no mercado futuro.

Tanto o swap quanto o futuro são modalidades do mercado de derivativos, em que se negociam contratos que têm referência em ativos reais (ouro, soja, boi, café) ou financeiros (índices, taxas, moedas) com vencimento em data futura a um preço predeterminado. Nesse mercado, opera-se o direito de comprar ou vender um ativo no futuro.

O valor para montar a posição é muito baixo: o suficiente para arcar com o depósito chamado de margem, exigido pela corretora como uma espécie de garantia, e com os custos da estrutura.

Ou seja, para o fundo fazer a operação, ele não precisa usar todos os recursos. Boa parte fica aplicada em títulos públicos ou operações compromissadas com lastro em papéis do governo, a fim de usar o rendimento desses ativos para pagar o custo do instrumento e administrar os aportes e resgates.

O patrimônio total é usado apenas para calcular a exposição ao ouro. No BTG, o fundo é ajustado todo dia para manter 100% de exposição ao metal. Na XP, o Trend Ouro Dólar pode oscilar entre 99,5% e 100,5% – dentro dessa margem, o fundo não opera, a fim de evitar custos desnecessários de transação, segundo a gestora.

O fundo da XP, além de alocar no contrato futuro de ouro na CME, recorre ainda ao ETF GOLD11 para compor a carteira. Além disso, ele pode se expor até o limite de 20% no IAU (ETF negociado diretamente no exterior).

Nas carteiras de ouro sem exposição ao dólar, o swap com o banco é feito com o hedge embutido.

No caso do fundo da Vitreo, o produto investe 80% de seu patrimônio em ouro à vista negociado na Bolsa brasileira, enquanto os 20% restantes são alocados em ETFs de ouro na Bolsa de Nova York, a NYSE.

Os fundos estão disponíveis em várias plataformas, é só checar na área de recomendados da Seleção de Fundos caso tenha interesse em investir através desse instrumento. Lá temos listado todos os instrumentos com seus respectivos CNPJs, para que não reste dúvidas na hora de escolher.

Agora, se optar pelo GOLD11, nossa escolha para o Spiti One, para mais informações é só acessar a área de recomendados aqui.

A estrutura de custos

Nos fundos de ouro, há cobrança da taxa de administração e incidência de come-cotas, o desconto antecipado de Imposto de Renda (IR) que ocorre semestralmente sobre os rendimentos, a uma alíquota de 15%.

No resgate, vale a tabela regressiva de IR, que vai de 22,5%, para aplicação de até seis meses, até 15%, para mais de dois anos, uma vez que todo eles são estruturados como multimercados.

Também há cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre os rendimentos caso o resgate seja feito antes dos 30 dias – a alíquota é regressiva, começando em 96% no dia 1 até a zeragem no dia 30.

No ETF, além da taxa de administração, como ele é negociado em Bolsa, pode haver cobrança de corretagem – isso vai depender da instituição, algumas oferecem isenção. Por outro lado, o IR só é cobrado no resgate, a uma alíquota de 15% sobre o ganho de capital.

Um grande abraço,

Felipe Arrais, Alessandra Bellotto, Rodrigo Xavier e Vinicius Kenjiro

Sobre os analistas

Vinicius Kenjiro

Fund Research Analyst

É especialista de fundos da Spiti. Bacharel em Administração pela USP, com passagem pela Erasmus University Rotterdam, Vinícius atuou na análise financeira e social de um fundo de impacto social, nas áreas de agricultura e inclusão financeira. Fascinado pelo mercado financeiro, traz na bagagem a experiência de ter estado do outro lado da indústria e a vontade de impactar a vida das pessoas por meio da educação financeira e dos investimentos.

Felipe Arrais

Sócio

Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.

Alessandra Bellotto

É gerente executiva de análise de fundos de investimentos na Spiti. Jornalista com pós-graduação em informações econômicas e mercados de capitais, traz na bagagem a experiência e o relacionamento de mercado de quem passou mais de duas décadas nas redações da Gazeta Mercantil e do Valor Econômico, de onde saiu após 13 anos para se juntar ao time da Spiti. Sempre atuou com foco na cobertura e edição de finanças e investimentos para pessoas físicas, em especial fundos. Foi premiada por duas vezes pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por seu trabalho de educação ao investidor, e uma vez pela BM&FBolvespa, atual B3.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.