Relatórios

Halving e Análise on-chain do BTC

Escrito por Thales Inada, Rodrigo Xavier em ALTERNATIVOS

18 min de leitura

Já está virando tradição. A cada quatro anos, ocorre a comemoração do halving do BTC, semelhante ao ano novo. Ou então, se levarmos em consideração o prazo de quatro anos, podemos dizer que é equivalente à Copa do Mundo de Futebol ou às Olimpíadas. A diferença no BTC é que todos estão torcendo para o mesmo time.

Esse tal de halving do aconteceu no dia 19 de abril, sexta-feira, por volta das 21h30. Momento no qual a produção de BTC caiu pela metade. E agora surgem as mais diversas dúvidas, como, por exemplo:

O que, afinal de contas, é o halving? Será que esse movimento desincentiva a mineração e coloca o BTC em risco? Quais foram as consequências imediatas? O que podemos esperar daqui pra frente? Ainda vale a pena comprar? Entre muitas outras dúvidas que vamos responder no relatório de hoje.

Cenário macro

Fazendo uma breve recapitulação só para usarmos como referência o mês passado, no dia 22 de março, os membros do FOMC tinham uma grande expectativa de corte de juros para a reunião de 12 de  junho, com uma alta probabilidade de 75% de chance de corte de 0,25%, o que levaria a taxa básica de juros dos Estados Unidos para a faixa de 5,00% a 5,25%. Mas o cenário macro começou a mudar drasticamente este mês.

No dia de escrita deste relatório, 25 de abril, o cenário se inverteu, pois agora temos 90% de chance de manutenção dos juros no intervalo de 5,25% a 5,50% em junho. Para piorar, o corte não foi adiado somente por apenas uma reunião, mas por duas, ficando somente para setembro.

Expectativa dos juros nos EUA para setembro

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Fonte: CME (25/04/2024)

Conforme este gráfico, para a reunião do dia 18 de setembro, temos 40,8% de chance de manutenção da taxa, ou seja, 59,2% de chance de corte, sendo mais predominante um corte de apenas 25 bps. 

Outro fato que chamou a atenção é que, no mês passado, ainda tínhamos uma expectativa de três cortes de juros até o final do ano, mas, agora, temos chances bem relevantes de termos apenas um corte em 2024, conforme a tabela a seguir.

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Fonte: CME (25/04/2024)

Até dezembro, temos uma expectativa predominante de 52,6% dos juros serem mantidos entre 5% e 5,50%, e o próximo corte ficaria somente para janeiro do próximo ano. Esse adiamento, certamente, prejudicou o mercado cripto este mês.

Por que tivemos essa mudança? Entre os principais motivos estão os dados do emprego dos Estados Unidos, que seguem mais fortes do que o esperado. Isso coloca dinheiro no bolso do cidadão americano e, consequentemente, aumenta o consumo. Com uma demanda maior dos diversos produtos, tende a pressionar o aumento dos preços, gerando a famosa inflação, este dado é conhecido por IPC (Índice de Preços ao Consumidor).

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Fonte: Investing

Apesar da inflação já ter abaixado bem em relação ao pico da pandemia, desde julho de 2023 ela simplesmente se estabilizou, mas aumentou nos dois últimos meses. Por isso, o FED está extremamente cauteloso para iniciar o corte de juros. Se ele der sinais positivos, pode indicar que a economia já está saudável, o que aumentaria o consumo da população e, consequentemente, pressionaria mais ainda a inflação.

Outros fatores que podemos citar são as instabilidades políticas e as tensões entre Irã e Israel, que podem impactar no preço do petróleo e até mesmo no valor do ouro.

Devido a todo esse medo e pessimismo resultante da  instabilidade econômica, o BTC chegou a corrigir 16,5% este mês e 19,3%, se considerarmos em relação à sua máxima histórica.

Enquanto os juros dos Estados Unidos não caírem, o mercado cripto não vai ganhar essa força extra para fortalecer sua subida, mas temos outros fatores que vão colaborar para sua valorização, como, por exemplo, os ETFs de BTC à vista.

Um ponto bastante positivo foi divulgado pela Grayscale, a maior gestora a deter BTC do mundo. Os especialistas disseram que as vendas dos seus ativos alcançaram um patamar mínimo e já devem se estabilizar a partir de agora. Conforme o gráfico abaixo, suas vendas vieram em ritmo forte desde o início do ano, mas a partir de agora, o comportamento dos ETFs como um todo pode mudar, pois a liquidez proporcionada pela Grayscale até então, praticamente, acabou.

Vendas da Grayscale por dia

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Fonte: Hodle15Capital

Agora, a Grayscale já planeja a criação de um novo ETF de BTC à vista, com taxas mais competitivas às praticadas no mercado, por volta de 0,15% ao ano, muito diferente do que é cobrado no seu ETF atual, de 1,5% ao ano.

Aparentemente, a Grayscale já sabia que teria uma forte retirada nos primeiros meses e aproveitou esse período para cobrar uma taxa quase abusiva, pois o fundo ficou fechado para saque por um longo período, durante a transição para um ETF de BTC spot. Agora que o fluxo de saída acabou, eles se adaptarão aos padrões do mercado, criando um novo ETF que pode se tornar o mais barato no próximo ano.

Atualmente, o ETF de mais sucesso é o IBIT, da maior gestora do mundo, a Black Rock, que apesar de cobrar a taxa mais cara do momento, de 0,12%, tem a expectativa de cobrar 0,25% a partir do próximo ano. 

Maiores ETFs de BTC 

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Fonte: bitcointreasuries

Conforme a tabela acima, a BlackRock (IBIT) está apenas 10% atrás da Grayscale (GBTC) em captação, ou seja, esse jogo pode virar a qualquer momento e, por isso, a atual líder precisa mudar sua estratégia rapidamente.

Agora, olhando pelo ponto de vista da Black Rock, a captação de recursos de todas as gestoras também está caindo desde a segunda quinzena de março, ou seja, não será tão fácil buscar o patamar da Grayscale no curtíssimo prazo. 

Capitalização por dia dos ETFs

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Fonte: Coinglass 22/04/2024

Mas, a partir de agora, com o fim das vendas massivas da Grayscale, o mercado pode mudar completamente e a captação será mais difícil, podendo causar um impacto mais significativo no BTC.

Outro dado que precisamos acompanhar é o volume de negociação dos ETFs, pois, apesar do capital sob gestão poder se estabilizar no curto prazo, o volume negociado demonstra o interesse dos investidores pelo ativo.

Volume de negociação dos ETFs de BTC à vista

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Fonte: Coinglass 22/04/2024

Ao contrário da captação dos fundos, que se manteve em alta desde fevereiro, o volume de negociação ganhou força somente em março, e este mês mantivemos uma quantia superior ao período inicial das negociações, mesmo em um mercado predominantemente lateral. Por isso, é um dado que mostra certo interesse dos investidores institucionais.

Lembrando que, como o mercado cripto é o mais agressivo de todos no curto prazo, a instabilidade política e financeira em todo o mundo desfavorece o BTC, pois, nesse momento, os investidores buscam certo nível de segurança em ativos mais conservadores. Além disso, também não teremos ajuda do corte de juros dos Estados Unidos tão cedo. Portanto, pratique a paciência e mantenha o foco no médio e longo prazo.

Análise do Halving e On-chain do BTC

No relatório de hoje, vamos aproveitar o tema do halving do BTC para nos aprofundar na chamada análise on-chain do BTC, ou seja, no estudo dos dados retirados diretamente do blockchain do BTC. Mas antes de começarmos, preciso nivelar o conhecimento de todos os nossos leitores para o entendimento dessa análise. 

O primeiro ponto indispensável é compreender quem são os mineradores. Eles são os responsáveis pela segurança da rede e por executar as transações de BTC de uma pessoa para outra.

O Bitcoin é uma rede de computadores espalhados mundialmente e, por isso, consideramos que ele é descentralizado, porque não depende de uma empresa específica, de um Banco Central, e nem mesmo de um só país. Só pra você ter uma ideia da sua descentralização, no mapa abaixo temos a distribuição desses computadores ao redor do mundo hoje.

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Fonte: MinerMetrics

Atualmente, cerca de 40% dos mineradores estão nos EUA, o que já nos dá uma noção da opinião da maior potência mundial sobre o BTC. Mas esse grande fluxo de mineradores para os Estados Unidos aconteceu recentemente, a partir do meio de 2021, quando a China proibiu a mineração no país.

A maior mineradora do mundo, a Foundry, é dos Estados Unidos e detém mais de 28% da rede. Em seguida, vêm a AntPool e a F2Pool, que, na verdade, são grupos de mineradores que se juntam para minerar BTC e, nesse caso, podem ser de qualquer lugar do mundo.

Maiores mineradores

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Fonte: BTC.com

Essa estratégia de diversificação geográfica é fundamental para que nenhum órgão regulador ou governo consiga parar a rede. Nem mesmo o criador do BTC é conhecido para não ser pressionado legalmente.

A proibição da China foi um exemplo prático de como esse mercado consegue se adaptar rapidamente pelo mundo; essa é uma das grandes vantagens da descentralização. Mesmo a mineração sendo proibida na China, eles ainda possuem cerca de 15% da rede somente com a mineração ilegal, sendo o segundo país que mais colabora para o BTC. Outros 12% ficam na Rússia, 5% no Canadá, 3,5% no Cazaquistão, 3% na Malásia, além de outros países com participações menos significativas.

Mas afinal, o que esses computadores fazem?

Podemos considerar que eles estão competindo entre si para executar um pacote de transações. Quem executa essas transações primeiro recebe o pagamento em BTC. Como esse é um trabalho extremamente difícil e profissional, esses computadores da rede são chamados de mineradores.

Cada um desses pacotes de transações (blocos) é executado a cada 10 minutos em média e, consequentemente, são produzidos os Bitcoins. 

“Thales, e se mais computadores entrarem na rede, isso não pode acelerar a produção de BTC?”

Não, porque a cada 15 dias, existe um ajuste de dificuldade de mineração na rede. Se muitos computadores entrarem de forma repentina, daqui no máximo 15 dias a programação do BTC se ajusta automaticamente, aumentando a dificuldade de mineração. Do mesmo jeito, se muitos computadores saírem de uma vez, a dificuldade também se ajusta para baixo. Essa estratégia sempre mantém a produção de BTC na casa de 10 minutos em média. No decorrer deste relatório, vamos ver mais detalhes sobre esse processo.

  • Halving

Esse é um evento relativamente raro no BTC, que acontece a cada quatro anos aproximadamente e, por isso, chama a atenção do mercado. O quarto halving aconteceu no dia 19 deste mês. Desde então, o pagamento por cada bloco minerado caiu de 6,25 BTC para 3,125 BTC. Com a queda na sua produção pela metade e a demanda crescente natural pelo ativo, houve aumento da escassez do BTC e, consequentemente, valorização do ativo.

Outro fator interessante a ser considerado é que sua inflação cairá de aproximadamente 1,90% para 0,9% ao ano, ao contrário do que a gente viu na economia durante a pandemia, com diversos países ao redor do mundo imprimindo dinheiro de forma quase descontrolada. 

BTC em circulação e Inflação do ativo

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Fonte: Bashco

Só para você ter uma referência de quão baixo é esse índice, a produção do ouro, que pode ser equivalente à inflação, é de 2,3% ao ano. Ou seja, atualmente, o BTC já pode ser considerado até mais escasso do que o ativo mais valioso do mundo.

Mais tecnicamente falando, o halving acontece a cada 210 mil blocos minerados. Mas como é impossível acelerar ou diminuir o ritmo na sua produção devido ao ajuste de dificuldade, a expectativa é que os próximos halvings aconteçam a cada quatro anos. Inclusive, aos poucos, o mercado já está até começando a comemorar a data como se fosse um Réveillon ou uma final da Copa do Mundo.

Aqueles investidores mais entusiastas em cripto chegaram a pagar mais de U$ 500 para poderem registrar uma informação no bloco número 840 mil do blockchain do Bitcoin, simplesmente para participarem desse momento marcante do mercado. Este foi o bloco que pagou a maior recompensa da história do BTC para um minerador: ele recebeu um pagamento de US$ 2,6 milhões, somando as taxas e o subsídio da rede.

Registro do bloco 840000

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Fonte: mempool

Levando em consideração que uma simples transferência da rede do BTC pode custar apenas alguns centavos, podemos imaginar a euforia que esse momento causou nos mais entusiastas do mercado.

Outro assunto polêmico é o famoso ditado popular do mercado financeiro, “compra no boato e vende no fato”. A ideia da frase é que se todos estão otimistas com a confirmação de uma notícia, o mercado financeiro tende a surpreender os investidores para contrariar as expectativas.

Historicamente, até tivemos alguma correção depois dos halvings, mas, agora, a correção começou algumas semanas antes e está se estendendo até o momento. Por isso, como o halving já era um fato previsível, o mercado pode ter se adiantado ao seu movimento, o que antecipou tanto parte da alta deste ano quanto o seu impacto inicial. 

Em relação ao topo histórico do BTC, por volta dos US$ 74 mil, o ativo chegou a se desvalorizar quase 20% este mês, mas boa parte deste movimento também foi consequência da instabilidade econômica mundial. Por isso, é possível termos a continuidade de baixa por mais algum tempo, mas não podemos contar com isso para aumentar nossas posições.

Voltando ao assunto dos mineradores, podemos analisar o impacto do halving no seu lucro. Em um primeiro momento, é claro que sua recompensa diminui drasticamente, mas esse cenário muda com o passar do tempo. Para compensar uma diminuição de 50% no pagamento dos mineradores, bastaria o BTC se valorizar 100% para equilibrar essa queda na remuneração. Mas historicamente, a gente sabe que o BTC se valoriza muito mais do que 100% a cada ciclo, compensando consideravelmente essa queda da recompensa.

Por isso, conforme o gráfico a seguir, conseguimos ver que, apesar do pagamento dos mineradores diminuir em valor financeiro durante os períodos de baixa, no final das contas, o valor tende a subir bastante com o passar do tempo, pois o BTC se valoriza, ao mesmo tempo que as transações na rede tendem a aumentar.

Pagamento dos mineradores em USD

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Fonte: CoinMetrics

Atualmente, as taxas da rede, indicadas pelo gráfico amarelo, ainda são bem baixas em relação ao subsídio da rede para os mineradores. Entretanto, esse cenário tende a mudar conforme aumenta a demanda do BTC pelos usuários. 

  • Número de carteiras ativas e transações na rede

Como o blockchain do BTC é um livro contábil aberto, conseguimos acompanhar quando os mineradores estão acumulando e até mesmo vendendo seus ativos. Da mesma forma,  conseguimos acompanhar todas as carteiras do mercado que possuem BTC. Com isso, também é possível rastrear todas as transações feitas na rede e acompanhar se, de fato, estamos tendo maior adoção ou se o mercado cripto está perdendo força.

No gráfico abaixo, podemos ver que, desde março de 2023, quando estávamos começando a temporada de alta do mercado, o número de transações na rede aumentou bastante e essa atividade está se mantendo elevada até o momento.

Número de transações na rede do BTC

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Fonte: TheBlock

O halving certamente chama a atenção do mercado, o que atrai novos investidores e demanda um maior número de transações. Isso mostra que a procura pelo BTC segue elevada e que a rede está saudável.

Por outro lado, temos uma consequência negativa. Como há um limite de transações que cabem em cada bloco do Bitcoin, se tivermos uma grande demanda de transações repentinamente, assim como aconteceu no halving recente, a taxa de transação pode aumentar bastante, pois o minerador dá prioridade para quem está disposto a pagar mais para ter prioridade.

Taxa da rede

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Fonte: TheBlock

No dia do halving do BTC, as taxas chegaram a marcar um pico dos últimos anos. Isso porque muita gente queria fazer parte deste bloco. Além disso, um projeto chamado Runes iniciou sua operação logo depois do halving, o que aumentou ainda mais a demanda da rede. No gráfico acima, a média das taxas ficou na casa dos US$ 40, mas alguns entusiastas chegaram a pagar centenas de dólares para terem suas operações realizadas exatamente no bloco 840000 ou em poucos blocos depois.

Consequentemente, como o projeto Runes ocupou a rede por alguns dias, a taxa elevada desmotivou diversos outros usuários menos aficionados pelo mercado, e, consequentemente, tivemos um menor número de carteiras ativas nos últimos dias, conforme o gráfico abaixo.

Número de endereços ativos

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Fonte: TheBlock

Isso porque somente os entusiastas critpo estavam dispostos a pagar taxas relativamente elevadas para operar naquele momento. Quem não tem pressa ou está transacionando um valor financeiro menor precisará esperar a taxa da rede diminuir, pois ainda está relativamente cara - na casa dos US$ 5.

  • Hashrate e Dificuldade de mineração

Aprofundando no tema, o chamado Hash é a unidade de medida utilizada para estimar o número de tentativas para minerar um bloco do BTC. Ou seja, quanto maior o Hashrate do BTC mais computadores estão ligados na sua rede e, consequentemente, mais segura ela está. Conforme o gráfico abaixo, este dado do Bitcoin atingiu sua máxima histórica esta semana.

Hashrate do BTC

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Fonte: LookintoBitcoin

Essa consistência vista no Hash Rate mostra que a rede do BTC vem crescendo de forma saudável e inclusive acelerando seu crescimento nos últimos anos. Hoje, o BTC possui a maior força computacional do mundo. Nem mesmo todos os computadores juntos das grandes empresas de tecnologia, como Microsoft, Amazon, Google e Meta, são capazes de superar ou atacar a rede do BTC.

E com a entrada de mais computadores na rede, isso não pode acelerar a produção de BTC e aumentar sua inflação?

Não, porque a cada 15 dias, existe um ajuste de dificuldade da rede. Se muitos computadores entram de forma repentina, em no máximo 15 dias a programação do BTC se ajusta automaticamente, aumentando a dificuldade de mineração. Da mesma forma,  se muitos computadores saírem de uma vez, a dificuldade também se ajusta para baixo. Essa estratégia sempre mantém a produção de BTC em cerca de 10 minutos em média.

Por isso, com o aumento do Hashrate, também tivemos uma elevação na dificuldade de mineração, que alcançou o máximo após o halving, conforme o gráfico a seguir.

Dificuldade de mineração

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Repare que esse gráfico parece uma escada, justamente porque o ajuste de dificuldade ocorre somente a cada 15 dias. Com a dificuldade de mineração nas suas máximas, somente os mineradores mais eficientes conseguem sobreviver e, por isso, hoje é extremamente inviável minerar com o computador da sua casa. No mercado atual, as mineradoras já são galpões de computadores e muitas vezes  estão até ligadas a usinas elétricas.

  • Reservas de BTC 

Para enfrentar os altos e baixos do ciclo do BTC, os mineradores precisam fazer uma gestão dos seus recursos a fim de maximizar seus lucros. Por isso, costumamos acompanhar a estratégia de venda deles rastreando as operações de suas carteiras.

Durante o período de baixa do mercado, a tendência é que os mineradores vendam somente o necessário para manter suas operações, acumulando a maior parte e mantendo por mais  tempo possível à espera da temporada de alta.

Reserva dos mineradores

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Fonte: CryptoQuant

Como podemos ver no gráfico acima, os mineradores simplesmente acumularam durante todo ano de 2022, período de baixa do BTC; mas a partir de 2023 começaram a desfazer suas posições aos poucos, enfatizando as vendas em 2024.

Semelhante aos mineradores, também podemos analisar quantos BTC estão nas carteiras das exchanges.

Reserva das Exchanges

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Fonte: CryptoQuant

Esse dado mostra como o mercado está confiante na tendência de alta do BTC, pois os investidores que estão sacando das exchanges não pretendem vender no curto prazo e estão fazendo a custódia por conta própria. 

  • O que acontece depois que todos BTC forem minerados?

Essa é uma pergunta que sempre recebo, mas não há com o que se preocupar, pois o incentivo dos mineradores não acabará.

Conforme comentei durante este relatório, quando todos BTC forem minerados, de fato, vai acabar o subsídio da rede, mas ainda restará o pagamento das taxas dos usuários. Como o pagamento dos mineradores tende a ser cada vez menos significativo, como, por exemplo, daqui dois halvings, em 2032, o subsídio dos mineradores cairá para apenas 0,78 BTC por bloco, o ecossistema do BTC já vai se adaptando gradativamente para essa transição.

Além disso, apesar de já estarmos com 94% dos BTC produzidos, ainda vai demorar muito tempo para o último BTC ser minerado, isso deve acontecer por volta de 2140. Então, espera-se que, até lá, a rede já tenha alcançado um grande número de usuários, o que demandaria uma alta atividade e um pagamento de taxas significativo para continuar valendo a pena para os mineradores.

Dados gerais do mercado cripto (Off-chain)

Agora vamos analisar outros dados que não são relacionados ao blockchain do BTC, que podemos chamar de dados Offchain.

Um dos índices que não importa para o blockchain é o preço de negociação. Esse é um dado do mundo real. No blockchain não fica registrado o valor da transação, simplesmente é informado de qual carteira para qual carteira o BTC foi enviado. O valor do ativo é um acordo feito entre compradores e vendedores fora da blockchain do BTC, por exemplo, em uma exchange ou aplicativo descentralizado que consulta a cotação no mundo real.

Volume de negociação das exchanges

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Fonte: TheBlock

Inclusive o volume negociado é um dado bastante interessante para acompanharmos, pois nos mostra o interesse do mercado pelo BTC. E como podemos ver no gráfico acima, 2024 está sendo um ano no qual o volume cresceu rapidamente, favorecido pelo halving.

Do mesmo jeito que conseguimos rastrear as carteiras dos mineradores das exchanges, também acompanhamos as carteiras dos usuários em geral, sabendo, inclusive,  os seus saldos.

Carteiras por faixa de valor

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Fonte: TheBlock

Nesse gráfico, é interessante analisarmos como a quantidade das carteiras de menor valor cresceu rapidamente desde 2023. Isso demonstra como a adoção do mercado está acelerada.

Outra informação que podemos aproveitar  desta análise é o acompanhamento das carteiras dos grandes investidores para surfar na mesma onda quando eles começarem a comprar. Para isso, gosto de acompanhar as carteiras com mais de 1000 BTC, que, atualmente, equivalem a mais de US$ 63 milhões.

Número de carteiras com mais de 1000 BTC

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Fonte: LookIntoBitcoin

Podemos considerar que esses investidores possuem maior acesso à informação e, por isso, pode ser interessante seguirmos o seu movimento. Aqui, podemos notar como esses investidores retomaram as compras este ano.

Mais um ponto curioso é o percentual de  buscas no Google. Começando pela palavra halving, conseguimos ver nitidamente como ela chama a atenção do mercado, sendo cerca de três vezes mais buscada agora do que no último halving.

Buscas por halving pelo mundo

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Fonte: GoogleTrends

Por isso, além do halving aumentar a escassez do BTC e diminuir sua inflação, ele também serve como uma jogada de marketing, para acelerar sua propagação em um determinado período.

Mas, com certeza, a palavra de maior referência para encontrarmos pistas da euforia do mercado é Bitcoin.  

Buscas por Bitcoin pelo mundo

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Fonte: GoogleTrends

Aqui, podemos ver como ainda estamos muito longe do número de buscas que tivemos em 2021, ou seja, longe das altas eufóricas do ativo. Mas já estamos tendo uma alta contínua, e que deve permanecer nesse ritmo durante todo esse ano.

Entusiasta Cripto

No mês passado, a rede da Ethereum passou por uma das suas principais atualizações da sua história, chamada Decun. Seu objetivo era baixar as taxas dos projetos focados em aumentar a escalabilidade da rede da Ethereum, que tecnicamente chamamos de “Layers 2”, ou seja, segundas camadas.

Isso significa que esses projetos focam em alto número de transações a um baixo custo. Para isso, a Ethereum reservou um espaço em cada bloco dedicado a esses projetos. 

Essa atualização aconteceu no dia 13 de março e agora já temos alguns dados para analisar se realmente já tivemos algum efeito positivo. Assim como na análise do BTC, podemos começar pelo número de carteiras ativas por projeto.

Número de carteiras ativas por projeto

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Fonte: Dune Steakhouse

Conforme o gráfico acima, a Polygon (MATIC) sempre dominou como segunda camada da rede da Ethereum e ainda podemos dizer que é, de longe, a líder do setor. Devido ao aumento do uso desses projetos em 2023, analisando o longo prazo, os impactos ainda não foram muito nítidos, mas certamente é um setor em forte crescimento.

Também podemos analisar o número de transações em cada rede.  Vemos no gráfico abaixo que houve um volume de transações superior nas cinco últimas semanas, mas nem todos os projetos se beneficiaram tanto da atualização.

Número de transações por projeto

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Fonte: Dune Steakhouse

De fato, as taxas da rede baixaram conforme as expectativas do mercado, por volta de 90%, saindo do patamar de R$ 0,30 a R$ 0,50  para no máximo R$ 0,05 nos picos de negociação, conforme o gráfico a seguir.

Média das taxas de transação

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Fonte: Dune Marcov

Mas se as taxas realmente caíram, por que alguns projetos não se beneficiaram?

Porque aqui entra o outro tema abordado na análise do BTC, a adoção. Se o projeto não tiver adoção, pouco importa a taxa cobrada, pode ser quase de graça, como no caso da Zora. Sem usabilidade, não há usuários e, por isso, não importa se a taxa está barata. Assim, a rede que mais se beneficiou da atualização da Ethereum até o momento foi a Base, a blockchain da maior exchange dos Estados Unidos, a Coinbase. 

Transações na rede da Arbitrum, Base, Optimism e ZkSync

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Fonte: Dune Obchakevich

A ZkSync praticamente não se favoreceu, enquanto a Arbitrum e a Optimism tiveram um leve aumento no número de transações, mas a Base foi a grande beneficiada até o momento.

De forma geral, com o crescimento da Ethereum, esses projetos tendem a se desempenhar de forma sincronizada. Claro que o desempenho de cada ativo deve ser melhor caso possua fundamentos melhores, mas, curiosamente, a Base ainda não tem um ativo próprio e, por isso, nos obriga a nos expor em outros ativos equivalentes; particularmente, ainda prefiro a MATIC. Inclusive, em breve, ela deve passar por uma grande atualização, mas o time de desenvolvedores está atrasando a entrega há alguns meses.

Ativos aprovados

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Fonte: Finclass data: 25 abril

Conclusão

O mundo está sentindo as consequências da grande impressão de dinheiro durante a pandemia. A possibilidade de uma recessão ainda segue plausível e a inflação em diversos países segue quase descontrolada.

Para piorar, as crises políticas, as guerras e o medo da incerteza estão fazendo o mercado financeiro correr para o ouro só para se proteger dos diversos fatores desconhecidos.

Consequentemente, o corte das taxas de juros dos Estados Unidos ainda não nos dá confiança de quando vai efetivamente acontecer. Mas, por enquanto, as chances são boas de começarem este ano, apesar da baixa probabilidade de dois cortes.

O fato é que, se o corte vier de forma mais intensa até o meio de 2025, ainda dá tempo de nos beneficiarmos desse cenário econômico. E eu, pessoalmente, acredito que, até lá, podemos ter três cortes. Mas lembre-se que não precisamos esperar isso acontecer; pelo contrário, devemos estar totalmente preparados para quando ele começar. 

Além disso, a venda dos ativos da Grayscale aparentemente acabou e os ETFs de BTC devem começar a “corrida ao BTC” durante a retomada de alta do mercado. Tudo isso vem para reforçar o halving recente, um fator que, historicamente, por si só, sempre favoreceu bastante o mercado.

Siga acumulando seus ativos para se preparar para o melhor momento do mercado.

Forte abraço,

Thales

Sobre os analistas

Thales Inada

Especialista em Criptoativos

Especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Finclass. Engenheiro, com MBA em investimentos e Asset Allocation. Iniciou no mercado de criptoativos em 2017, com passagem por importantes exchanges como Binance (a maior do mundo), Mercado Bitcoin (a maior da América Latina) e XDEX, a antiga exchange da XP Inc. Agora, deixou as instituições para ficar do lado de investidoras e investidores, com missão de democratizar o universo dos criptoativos e investimentos alternativos por meio de uma linguagem simples e direta, a fim de tornar esse mercado visionário acessível a todas as pessoas.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.