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IFRA11 e KDIF11: atualização de performance dos FI-Infra recomendados e os efeitos após abertura para investidores de varejo

Escrito por Fillipe Colus, Luciana Seabra, Guilherme Cadonhotto em RENDA TOTAL

16 min de leitura

O relatório de hoje conta mais uma vez com o suporte do time da série A Seleção dos Fundos, liderado pela Luciana Seabra, para analisar as mais recentes atualizações de performance, carteira e panorama de gestão de dois ativos que fazem parte da carteira recomendada Renda Total: os fundos de infraestrutura listados: Itaú Infra (IFRA11) e Kinea Infra (KDIF11).

Vamos lá?

Sobre os fundos de infra

Os fundos de infra, especialmente os listados em Bolsa – nosso foco –, são a opção mais eficiente e segura para a pessoa física se expor ao mercado de infraestrutura, caracterizado por investimentos em projetos de longo prazo.

Eles são compostos por debêntures incentivadas, títulos de crédito emitidos por empresas para financiar grandes projetos de infraestrutura do país, de setores como energia, saneamento, transporte, entre outros.

Quando comparamos com a compra direta de debêntures de infra, o fundo tem a vantagem de contar com um gestor profissional para selecionar os ativos, além de dar acesso, com menos recursos, a uma carteira já diversificada, o que eleva o potencial de retorno do investimento ao mesmo tempo que reduz o risco.

As debêntures têm remuneração atrelada ao IPCA, principal índice de inflação do país, acrescida de uma taxa de juros prefixada, o que traz um componente de proteção contra a inflação para o nosso portfólio.

Esses papéis são semelhantes a um título público indexado ao IPCA, conhecido como NTN-B ou Tesouro IPCA+, porém, por representarem um risco maior, especialmente de crédito, pagam um prêmio em relação ao papel do governo – mais um atrativo para compor nossa carteira Renda Total, principalmente porque recomendamos o investimento por meio de fundos, de modo que o risco de calote fica diluído numa carteira com diversos ativos.

Outro risco desse segmento é o de baixa liquidez dos ativos no mercado. Isso significa que é mais difícil transformar as debêntures de infraestrutura em dinheiro com rapidez e sem penalidades antes do vencimento do que um título público, por exemplo.

A baixa liquidez das debêntures tende a ser um problema menor para o gestor e, em última instância, para quem investe. Como as cotas dos FI-Infra (nossas recomendações) são negociadas em Bolsa, o gestor não precisa se preocupar com eventuais pedidos de resgate e sair vendendo ativos a qualquer preço para honrar os pagamentos. Isso dá a ele tranquilidade para montar a carteira com títulos longos e de menor liquidez e carregar as suas teses de investimentos.

Quem precisar ou quiser sair de uma aplicação dessa basta colocar uma ordem de venda na Bolsa, a exemplo de uma transação com ações de empresas. As cotas mudam de mãos entre investidores, sem que isso afete a compra e venda dos ativos da carteira.

Isso não quer dizer que o investimento não balance e não apresente riscos.

As debêntures que estão nos fundos têm seus preços atualizados diariamente, com base nas transações de mercado, ou ainda se houver mudanças relativas à capacidade de pagamento do emissor ou às condições do projeto. O valor dessa carteira é que serve de referência para calcular a cota patrimonial.

No fundo listado, é como se existissem dois tipos de cotas. Para nascer, ele precisa passar por uma oferta pública inicial, um IPO, para que as cotas sejam vendidas diretamente no mercado. Depois disso fecha, e as cotas começam a ser negociadas na Bolsa.

É por isso que são apresentadas duas cotas com valores muitas vezes distintos para o mesmo fundo. Enquanto a patrimonial reflete o valor dos ativos em carteira, a cota de mercado vai ter seu preço influenciado pelos movimentos de oferta e demanda em Bolsa.

Se tem mais gente querendo comprar o fundo do que vender, o preço da cota de mercado tende a se valorizar, podendo até superar o valor somado dos ativos do fundo, refletido na cota patrimonial.

O inverso é verdadeiro. Se a demanda pelo fundo é muito menor do que a oferta, quem tiver pressa para sair da aplicação pode ser obrigado a vender a cota por um preço abaixo do valor patrimonial, que é o que realmente vale o fundo.

O descolamento entre as cotas sempre vai existir pela dinâmica do produto, e é daí que surgem as oportunidades de pagar barato para entrar no fundo. Mas a chegada dos fundos de infra listados ao varejo certamente vai contribuir para uma melhor precificação das cotas de mercado.

Quanto mais gente puder comprar, mais negócios pra sair, o que tende a melhorar a liquidez do mercado – outro ganho para quem investe no produto decorrente da democratização da oferta.

E somente após uma mudança nas regras em 2019 pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é que os Fundos Incentivados de Investimento em Infraestrutura, nome oficial dos FI-Infra, tornaram-se acessíveis a investidores de varejo. Elas flexibilizaram seus limites para alocação nas debêntures de infra e permitiram o acesso dessa modalidade de investidores à versão listada. Depois, em meados de 2020, a B3 liberou a negociação em ambiente de Bolsa.

Só lembrando: os retornos com a aplicação em FI-Infra vêm da possibilidade de lucrar com a valorização da cota na venda no mercado quando, mas principalmente da distribuição de rendimentos, objetivo importante para nossa carteira do Renda Total. Além disso, para ambos os casos, há isenção do pagamento de IR para a pessoa física.

Tanto o Kinea Infra, negociado sob o código KDIF11, quanto o Itaú Infra (IFRA11) aproveitaram as mudanças na estrutura para alterar a frequência de pagamento de dividendos de semestral para mensal, e incluir a correção monetária. Nos dois fundos, as alterações ocorreram no último dia 17 de novembro.

Afinal, quais foram os efeitos das mudanças?

Toda mudança traz insegurança, mas é natural que, em mercados relativamente novos e pequenos, conforme a regulação avance, adaptações e melhorias sejam feitas para aprimorar os produtos.

A decisão de ir para o varejo e passar a distribuir rendimentos mensalmente, reforçando o caráter de renda do produto, tomada pelos nossos dois FI-Infra recomendados, foram muito bem recebidas pelo mercado.

O número de cotistas, o volume de negociação no mercado, o comportamento da cota de mercado, além dos próprios gestores, com quem o time de fundo conversou, não nos deixam mentir. Confira a seguir.

IFRA11: aumento significativo no volume de negociação

No Itaú Infra, o principal efeito foi notado no giro de negociação das cotas no mercado. Pra você ter uma ideia, houve um crescimento de cerca de 64% no volume médio diário de transações, que passou de R$ 544 mil nos três meses anteriores às mudanças para R$ 894 mil nos três meses seguintes – 0,10% do patrimônio de R$ 940 milhões.

O número de cotistas também cresceu. No fechamento do mês de outubro de 2021, havia 3.642 cotistas. Já em fevereiro, a base já tinha subido para 4.892 cotistas, alta de 34,3%.

No fim do dia, a liquidez é uma variável importante a se considerar. Reforçamos aqui que é crucial manter um olhar de longo prazo para esses investimentos – a Lu Seabra e sua equipe recomendam pelo menos três anos no caso dos fundos de infraestrutura listados –, mas sabemos que a facilidade para se desfazer de um ativo acaba trazendo mais conforto na hora de decidir fazer um investimento.

O crescimento do número de negócios também deu suporte para o preço de mercado do IFRA11 nos últimos meses. "Chegamos a ver o fundo negociar a valores bem maiores que a cota patrimonial durante alguns dias", comentou Felipe Wright, um dos gestores do fundo em conversa com o time d’A Seleção de Fundos.

Além da liberação do fundo para o varejo, que teve um impacto no aumento dos negócios no dia a dia, para o gestor, os fundos de infra têm chamado a atenção também por possuírem um caráter de renda, outro motivo pelo qual são recomendados aqui no Renda Total. E, nesse sentido, a mudança na periodicidade de pagamento dos dividendos para mensal e a distribuição da inflação só contribuíram para esse movimento.

O único ponto que vale reforçar aqui é como a gestora pretende pagar a correção monetária. Em sua carta mensal de janeiro, o Itaú informou que os cotistas passariam a receber, mensalmente, juros mais inflação. Entretanto, fez um alerta: caso a gestão encontre uma boa oportunidade de investimento, poderá distribuir apenas juros.

Segundo explicou a equipe do IFRA11 para o time de fundos, o desejo é, de fato, pagar juros mais inflação para os cotistas. Mas a gestão não quer se comprometer com o pagamento da correção monetária e, eventualmente, ter de sacrificar o retorno do fundo ao não contar com dinheiro para investir se identificar uma boa oportunidade porque distribuiu tudo.

O desempenho do fundo

No último dia 7 de abril, o fundo pagou dividendo no valor de R$ 1,16 por cota referente a março. Em relação ao desempenho da cota patrimonial do fundo, foi registrada queda de 0,69% em janeiro; em fevereiro, a cota patrimonial seguiu o movimento de janeiro, pressionado pelas instabilidades geopolíticas por conta de guerra na Ucrânia e o cenário adverso local, que fez aumentar as perspectivas de juros futuros, como explicou o gestor em sua carta mensal.

No entanto, em 12 meses, o desempenho do fundo supera o do índice IMA-B, que mede o comportamento de uma cesta de títulos indexados à inflação (NTN-B ou Tesouro IPCA). Enquanto o IMA-B avançou 0,92%, o IFRA11 teve um ganho de 3,39%.

A cota de mercado

O desempenho da cota de mercado foi melhor que a da patrimonial em janeiro, registrando apreciação de 1,35%. Ao incluirmos os rendimentos e levar em consideração a isenção do IR, no agregado de 12 meses, o retorno absoluto do fundo foi de 12,90%

Atualização da carteira

A equipe de gestão do fundo de infra do Itaú segue atenta aos riscos, mas vê muitas oportunidades ao longo do ano. O mercado de infraestrutura está superaquecido e o fundo vem monitorando várias operações para colocar no portfólio.

Para aproveitar as oportunidades, a gestora tem feito a reciclagem da carteira, ou seja, vendido alguns títulos para fazer caixa para usar quando as boas oportunidades surgirem.

Inclusive, conforme Felipe contou para o time d’A Seleção de Fundos, o IFRA11 tem rodado desde dezembro do ano passado com um pouco mais de recursos em carteira de olho nessas novas operações.

A gestão ativa faz parte do DNA do fundo. A equipe sabe gerir muito bem esse vai e vem de ativos, com o objetivo de obter ganho de capital. Ou seja, a gestora está sempre buscando oportunidades de fazer lucro com a venda das debêntures em carteira, a preços maiores do que o custo de aquisição, obviamente, pra usar os recursos na compra de papéis com taxas de retornos melhores.

Apesar das boas perspectivas com os novos investimentos, Felipe disse que é preciso cautela. Na visão do gestor, o mercado fica mais arisco em ano de eleição, o que exige um cuidado maior na seleção de ativos e foco em emissões de empresas com boa saúde financeira e acionistas capazes de fazer aportes adicionais se necessário, além de garantias formais bem estruturadas.

Para este ano, o fundo também vai priorizar setores mais previsíveis e resilientes. Rodovias, setor muito dependente do agronegócio, é um exemplo, assim como saneamento, que tem ligação com o consumo não discricionário, ou seja, ninguém vai deixar de consumir água.

Outro setor acompanhado de perto pelo fundo é o de energia, em especial, as linhas de transmissão. Nesse tipo de negócio, parte da geração de energia de longo prazo contratada tem preço fixado em contrato, o que, no final das contas, acaba trazendo mais previsibilidade para esses projetos.

Kinea Infra: valorização da cota de mercado

Desde que o acesso ao Kinea Infra foi ampliado para o público em geral, o fundo ganhou cerca de 2.150 novos cotistas, alcançando uma base superior a 11.200 investidores. A liquidez também teve um pequeno aumento.

O volume médio de negociação diária das cotas passou de R$ 2,3 milhões, registrados no período de três meses anteriores à mudança, para R$ 2,7 milhões. Com patrimônio de R$ 2,6 bilhões, isso representou um pequeno aumento do giro, de 0,09% para 0,10% do total.

A expectativa é de que, quanto mais gente para negociar, mais transações de fato. Contudo, esse é um produto de renda, que faz pagamentos mensais, o que leva as pessoas a quererem manter o investimento.

Na carteira Renda Total, ambos os fundos têm posição percentual fixa e não recomendamos ficar comprando e vendendo as cotas (o que chamamos de girar as cotas) para buscar ganhos de capital no curto prazo, uma vez que o foco tanto dos fundos quanto da nossa estratégia é de renda passiva.

Assim como fez em relação ao IFRA11, o time de fundos da Spiti recomenda um horizonte mínimo de três anos, por conta da volatilidade das debêntures de infraestrutura, que têm prazos longos e um componente de taxa prefixada que faz o ativo oscilar na marcação, conforme mudam as expectativas de juros no mercado. Mas é inegável que o aumento potencial da base de investidores traz conforto para quem tem a aplicação e precisar sair.

Desde que as mudanças regulatórias ocorreram, a diferença entre as cotas de mercado e patrimonial também diminuiu e, em alguns momentos, o fundo passou a ser negociado no mercado com prêmio em relação à soma dos ativos em carteira. Como contou o gestor Aymar Almeida à equipe de fundos, isso é resultado de dois movimentos: democratização do acesso, atraindo mais gente, e distribuição mensal de juros mais inflação.

Anteriormente, o KDIF11 fazia distribuições semestrais e apenas dos juros – como as debêntures em carteira. A correção monetária pelo IPCA no título de crédito é incorporada ao longo do tempo no valor do próprio ativo e, assim, embolsada apenas na venda ou amortização.

No fundo, o papel corrigido incrementa o valor da cota patrimonial, que, por sua vez, tende a se refletir na alta de preço de mercado. Entretanto, com uma carteira diversificada e madura de ativos – eram 29 no total no fim de março e um patrimônio de R$ 2,6 bilhões –, Aymar disse que havia espaço e dinheiro para aumentar a frequência de pagamento e distribuir também a variação do IPCA, uma demanda dos cotistas.

Era só uma questão de organizar os fluxos de pagamento de juros das debêntures e amortização de modo que houvesse caixa suficiente para pagar dividendos mensalmente, e não só relativos a juros, mas à inflação do período.

Os efeitos das mudanças estão aí, conta o gestor: “A cota de mercado chega a negociar com prêmio em relação à cota patrimonial sempre próximo do pagamento. E isso é mais gente querendo aproveitar o rendimento cheio”.

Para Aymar, a nova dinâmica fez com que as pessoas olhassem para o fundo de um jeito diferente, deixando de dar peso grande ao valor da cota de mercado. O raciocínio é de que, como o cotista já está recebendo inflação além de juros, acaba ficando menos dependente do mercado secundário para monetizar o investimento.

É como se o fundo estivesse antecipando parte da valorização da cota. Tira o peso de que a cota de mercado precisa ficar perto da patrimonial, segundo explicou Aymar. Mas aí vale um alerta. Para ver o bolo crescer ou pelo menos manter o poder de compra de seu patrimônio no fundo, o ideal é reinvestir o dividendo, em especial a parcela de inflação.

Hoje, a Kinea paga o rendimento cheio, mas faz questão de distinguir o que é juro e o que é correção monetária, o que pra nós é importante, para que o cotista compreenda eventuais oscilações no valor do dividendo.

A parcela de juro tende a ser mais estável, uma vez que o gestor sempre vai procurar investir em debêntures de infra que paguem um prêmio mínimo em relação ao título público indexado ao IPCA.

Já a correção monetária, que funciona como proteção contra a perda de valor do dinheiro no tempo, vai depender da inflação no mês e, por isso, pode variar bastante, pra cima ou pra baixo, o que nada tem a ver com a gestão do fundo.

Os resultados do fundo

O dividendo de março foi de R$ 1,80 por cota, pago no último dia 7 de abril. A parcela de juro somou R$ 0,62, enquanto a referente à correção pela inflação e outros ajustes, R$ 1,18 por cota. Vale ressaltar que a isenção de Imposto de Renda vale para o rendimento cheio, inclusive inflação.

O valor veio acima do registrado nos outros meses de 2022 por conta do aumento da inflação esperada para março e do maior número de dias úteis no mês. No mês de março, em especial, conforme destacou a Kinea em relatório, o mercado local de juros foi beneficiado por três fatores: expectativas positivas para o PIB brasileiro, a indicação de que uma alta da taxa Selic está perto do fim e valorização das commodities, que atrai capital estrangeiro para o Brasil.

Enquanto o IMA-B avançou 3,1% no mês de março, o Kinea Infra rendeu 3,6% no valor da cota patrimonial. Já em 12 meses, sua cota patrimonial avançou 6,5% contra 4,5% do IMA-B. Vale destacar que o rendimento considera o ganho com a distribuição de dividendos.

Com a marcação a mercado do valor das debêntures em carteira, que representam 88% do patrimônio (a diferença está aplicada em título público), o rendimento médio esperado do fundo passou a 6,79% além da correção pelo IPCA, o que representa um prêmio de 1,53 ponto percentual acima da NTN-B, acima da meta do KDIF11, que varia 0,5 a 1 ponto.

A carteira

Pra aproveitar as taxas dos papéis mais altas, ao longo de 2021, o Kinea Infra fez cinco novos investimentos, dois deles apenas em dezembro, com um prêmio médio de 2,15 pontos percentuais acima das NTN-Bs de prazo equivalente. O valor total dos reinvestimentos chegou a R$ 260 milhões – recurso que voltou para o fundo por meio dos pagamentos de juros e amortização das debêntures em carteira.

A última aquisição reportada no relatório mensal de março foi uma debênture com prêmio de 3,25 p.p. acima de um título de inflação com vencimento em 2030, remunerando o capital a uma taxa de IPCA+ 8,8%.

Além de distribuir juros e correção monetária para os cotistas, o gestor tem conseguido reciclar a carteira e aproveitar ativos com taxas mais atrativas apenas usando o dinheiro que volta para o fundo, destacou Aymar.

Na visão do gestor, as taxas das NTN-Bs, referência para as debêntures de infra, ainda estão em níveis elevados, o que abre espaço para queda num horizonte de médio prazo. “Toda vez que se investiu nesses níveis, os retornos foram excelentes”, destaca Aymar. Isso porque, assim como a alta de juros impactou de forma negativa os preços desses ativos na marcação a mercado, a queda pode trazer valorização. E as debêntures de infra podem seguir pelo mesmo caminho.

No fim de março, o fundo tinha 29 emissões em carteira, das quais 66% eram classificadas com o mais alto nível de qualidade, próxima do risco de crédito soberano: a nota “AAA”. As debêntures são todas de projetos já em operação e dos mais variados setores. Transmissão representava 48,5% do portfólio, seguido por geração eólica (14,3%) e solar (13,3%), saneamento (5,3%), rodovia (3,9%), geração hidrelétrica (1,7%) e termelétrica (1,2%).

A cota no mercado

O desempenho da cota no mercado em março foi pior que o da patrimonial, ao registrar valorização de 1,74%, ao passo que a patrimonial subiu 3,6%. Em 12 meses, entretanto, o retorno absoluto da cota de mercado foi de 8,03%, levando em consideração o pagamento de dividendos.

As cotas patrimoniais e seu valor a mercado apresentaram descolamento quanto à performance desde que o fundo acabou com a restrição que havia para receber investimentos do público geral. Isso em partes pode ser atribuída à maior procura pelo KDIF11 desde então. Somente em dezembro, por exemplo, primeiro mês completo na nova estrutura, as cotas de mercado subiram 6,1%, contra 0,5% da patrimonial.

O mês de março terminou com a cota de mercado sendo negociada com ágio de 0,22% em relação à cota patrimonial. No fechamento do dia 22 de abril, as cotas estavam coladas, a R$ 134,92 na patrimonial e R$ 135,50 na de mercado, o que tanto para nós quanto para o time de fundos é uma boa oportunidade de entrada.

Detalhamos, a seguir, como avaliar o momento de entrada nos fundos de infraestrutura.

Como investir?

Os fundos de infraestrutura listados podem ser encontrados no home broker da sua corretora, o mesmo lugar em que se compra ações e fundos imobiliários, basta procurar pelo ticker IFRA11 ou KDIF11.

O valor mínimo para começar a investir nesses fundos depende do preço com que eles estão sendo negociados no momento da compra. Mas, de maneira geral, eles são bem acessíveis e não há um número mínimo de cotas pra comprar. O único ponto é que não é possível comprar frações de cotas.

Só um último lembrete, preste atenção às taxas da sua corretora. Por ser um produto negociado na Bolsa, muitas vezes as corretoras cobram corretagem. Busque uma que seja taxa zero.

Mas vale a pena investir agora?

Uma pergunta que sempre recebemos é como avaliar o melhor momento de entrar num fundo de infra listado em Bolsa. A dúvida é extremamente importante, afinal ninguém quer comprar uma moeda de R$ 1 por R$ 20, não é mesmo?

Os FI-Infra listados têm uma dinâmica parecidas com os nossos fundos de investimentos imobiliários, os FIIs. Assim, temos que prestar atenção em dois preços em ambos os casos.

Um é o da cota patrimonial, que é atualizada diariamente com base no valor dos ativos em carteira, e outro da cota de mercado, que oscila de acordo com a oferta e demanda em Bolsa, ou seja, conforme o apetite de quem investe. As duas são divulgadas diariamente no site das gestoras, no caso do IFRA11, neste link e, no caso do KDIF11, aqui.

As duas cotas tendem a andar coladas. No entanto, existem momentos que o preço de mercado ultrapassa o valor da cota patrimonial, assim como a cota de mercado pode ficar abaixo da patrimonial.

Exatamente por conta dessa dinâmica, é preciso se atentar para não pagar mais do que o ativo realmente vale. A recomendação é investir quando o preço de mercado está abaixo da cota patrimonial.

Uma forma de avaliar essa relação é olhar o indicador preço sobre valor patrimonial (P/VP), que mede a relação entre a cota de mercado e a cota patrimonial. O ideal, como já explicamos em relatórios anteriores, é esse indicador estar abaixo de 1 para investir, o que indica um preço de mercado menor do que a cota patrimonial.

Analisando friamente, esse seria o caminho para não pagar mais do que o ativo realmente vale. Porém, por conta dos benefícios que os fundos de infraestrutura listados trazem, em especial o IFRA11 e o KDIF11, entendemos que vale a pena investir mesmo com o indicador acima de 1.

A partir das nossas avaliações e de conversas que tivemos com alguns gestores e especialistas no assunto, aceitamos um índice P/VP de até 1,05, ou seja, achamos que ainda vale pagar um ágio de 5% em relação à cota patrimonial.

Em nossa visão, a gestão profissional e ativa de uma carteira diversificada, acesso a emissões que não estão disponíveis a investidores pessoas físicas e a isenção do Imposto de Renda nos rendimentos e nos ganhos de capital mais que compensam esse pequeno prêmio.

Agora, evite entrar quando o indicador estiver superior a 1,05. Por enquanto, os dois fundos de infra estão longe desse patamar, mas continue nos acompanhando, que vamos avisar vocês se algo mudar.

Pela última cotação a que tivemos acesso antes da publicação deste relatório, o IFRA11 era negociado com um deságio de 0,55%, ou seja, o preço de mercado estava abaixo do valor da cota patrimonial. Já o KDIF11 apresentava um ágio de 0,43%, portanto, com preço de mercado maior do que o valor patrimonial, porém longe do valor máximo de ágio de 5% que estipulamos para a compra desses ativos.

Assim, entendemos que é um bom momento para entrar nos dois fundos listados.

Abraços,

Gui Cadonhotto e Filipe Colus

Sobre os analistas

Fillipe Colus

É especialista em renda fixa da Spiti, bacharel em Engenharia Mecânica e especialista em Finanças. Auxiliou mais de 15 empresas com recomendações financeiras e operacionais em dois anos de consultoria estratégia e trabalhou na KPMG, ao lado de executivos e diretores de empresas líderes de segmentos, bem como no mercado público, auxiliando órgãos federais. Acredita que conhecimento bom deve ser repassado de uma forma simples e direta. Por isso, adora falar de finanças para quebrar tabus, e faz isso até nas horas vagas.

Luciana Seabra

Fundadora

Fundadora da Spiti, uma das maiores casas de análise do Brasil, Luciana Seabra é reconhecida por sua abordagem clara e acessível para explicar assuntos complexos relacionados ao mundo financeiro para o público em geral.

Guilherme Cadonhotto

Sócio

Além de estrategista-chefe da Finclass, Guilherme Cadonhotto é reconhecido como uma das principais autoridades brasileiras em renda fixa, ensinando seus assinantes e seguidores como conseguir, investindo em renda fixa, rendimentos tão grandes (ou até maiores) que os das ações.