Atualização do cenário macro. As probabilidades de alta de juros nos Estados Unidos estão cada vez mais altas. Agora, praticamente já temos como dada uma alta de 25 bps este ano e 50 bps ano que vem. Até mesmo uma chance significativa, de mais de 30%, de um aumento de 75 bps. O cenário macro continua piorando mesmo com o provável fim do conflito no Oriente Médio.
Indicadores de longo prazo para o BTC
Escrito por Thales Inada, Rodrigo Xavier em ALTERNATIVOS
Neste relatório, você encontrará:
Indicadores do BTC. Apesar da queda recente, os indicadores de longo prazo do BTC ainda não apontam a proximidade de um fundo. Todos os indicadores analisados neste relatório possuem como alvo regiões abaixo dos US$ 50 mil.
Estratégia para o ano. O mais simples e eficiente é comprar recorrentemente pelos próximos meses, até o final do ano. Agora, quem gosta de acompanhar o mercado e tem tempo para analisar os dados pode ir aumentando os aportes conforme mais indicadores vão dando sinal de compra
Neste relatório, vamos analisar os meus indicadores favoritos.
Apesar de alguns não serem tão precisos, podemos dizer que nunca falharam até hoje. Ou seja, eles acertaram o momento do fundo em todos os ciclos passados.
É importante ressaltar que hoje vou analisar com você esse momento específico da temporada de baixa do BTC. Digo isso pois os indicadores são diferentes da temporada de alta.
Mas já te adianto que a estratégia mais simples de todas, de apenas “comprar R$ XXX por mês”, já é suficiente e que você não precisaria se preocupar com esses dados.
Só siga esses indicadores se você for entusiasta do mercado cripto e tiver tempo para analisá-los. Não se sinta obrigado a fazer essa análise.
Além disso, gostaria de reforçar que eles não vão te dizer o fundo exato. Ninguém consegue fazer isso. Mas pelo menos vão te dar dicas de que momento do ciclo a gente realmente está.
Todos os links dos indicadores estudados estarão disponíveis ao final de cada tópico para vocês conseguirem consultá-los a qualquer momento.
Cenário macro
Finalmente temos a expectativa de alguma estabilidade no cenário macro. O acordo de paz entre Estados Unidos e Irã foi assinado. Agora, devemos ter pelo menos 60 dias de certa tranquilidade.
Com a retomada gradativa do estreito de Ormuz, o petróleo já voltou para a casa dos US$ 77, patamar equivalente ao momento antes da guerra.
Porém ainda não tivemos um impacto tão positivo na expectativa de alta de juros nos Estados Unidos, já que o impacto na inflação, devido à alta na cotação do petróleo por três meses, ainda pode estar por vir.
Tivemos inclusive uma mudança significativa na expectativa de alta de juros em relação ao início do mês, que na época indicava uma possível alta de 25 bps só em dezembro, e agora, essa alta já pode acontecer em setembro. Assim como uma possível alta de mais 25 bps até dezembro e uma chance significativa de mais 25 bps no ano que vem, a partir de março.
Expectativa de alta de juros nos EUA
Fonte: CME (22/06/2026)
Ou seja, houve uma piora do cenário macro mesmo com o fim do conflito. Isso porque, segundo Trump, a guerra devia durar quatro semanas, mas acabou durando quase quatro meses.
Outro fator que influenciou bastante nessa mudança de opinião do mercado foi a coletiva de imprensa com o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, que adotou uma postura mais firme do que o esperado em relação ao combate à inflação. Por outro lado, mostra que ele não está disposto a ceder à pressão de Trump, o que acaba sendo bastante positivo.
Visão Geral do mercado cripto
Antes de começarmos a análise dos indicadores, vamos aproveitar para fazer uma breve revisão das expectativas para a temporada de baixa do BTC.
Conforme comentei na introdução, as temporadas de baixa possuem características bem específicas. Enquanto nas temporadas de alta, temos alto volume de negociação (por exemplo no topo histórico marcado em outubro), nas temporadas de baixa, o volume tende a cair bastante, conforme podemos ver no gráfico abaixo, no qual temos o total de negociação dos criptoativos por mês e por exchange.
Fonte: CoinDesk
Provavelmente, ainda não chegamos ao volume mínimo, pois se seguirmos a contagem de dias do ciclo, o mercado cripto deve lateralizar por volta de outubro deste ano.
Outro dado característico da temporada de baixa é a queda da volatilidade, que acaba sendo uma consequência do baixo volume de negociação. No momento a volatilidade média dos últimos 30 dias está na casa de 1,87%, conforme o gráfico a seguir.
Fonte: BitBo
A volatilidade também não está próxima das mínimas, mas é nítida a sua queda nestes períodos de baixa, pois sem ela, temos menos especuladores e mais acumuladores.
Isso também resulta em um fundo do ciclo congestionado, que dura de três a seis meses. Ao contrário dos topos dos ciclos que tendem a ser agudos. Por isso, sempre digo que você não precisa ter pressa para acumular seu BTC. Ainda devemos ter algum tempo relevante pela frente.
Fonte: TradingView | Adaptação: Finclass
Agora, vamos juntar a volatilidade com o momento do ciclo. Conforme o gráfico acima, nas temporadas de baixa anteriores, o BTC caiu 77%, 83% e 86%. Ou seja, a cada ciclo, a tendência é o BTC cair menos a cada temporada de baixa.
Em relação à máxima histórica, dos US$ 126 mil, uma queda de 60% nos levaria para os US$ 50 mil. Se cair 65%, voltaremos aos US$ 43 mil. Abaixo disso, acredito ser extremamente improvável. Mas claro, é possível ele cair menos do que 60% também.
Então antes de sair comprando desesperadamente: muito cuidado. Uma queda de 30% a partir do patamar atual ainda é possível, e esse prejuízo momentâneo pode durar um tempo significativo.
Se seguirmos a contagem de dias, a temporada de baixa anterior durou 364 dias e a de 2023 durou 357 dias. Por isso, quem sabe a atual temporada de baixa, que se iniciou em 6 de outubro, pode durar até o final de setembro ou outubro deste ano.
No gráfico abaixo, diferentemente do anterior, temos o comparativo dos ciclos lado a lado para facilitar a identificação do momento em que estamos.
Fonte: Glassnode
Por isso, tenha esse prazo de alguns meses dentro da sua expectativa. Ao mesmo tempo, ficar só esperando o fundo perfeito também é uma armadilha. A partir de agora, com certeza já vale a pena ir acumulando BTC aos poucos. Esse é o equilíbrio entre risco e oportunidade que a gente precisa encontrar para seu perfil de investidor.
Como pode ver, a análise da volatilidade passada para estimar o possível fundo do mercado, certamente é uma análise bem subjetiva, mas pode ficar tranquilo que essa é só a ideia base para analisarmos os próximos dados.
Hoje vamos passar pelos meus indicadores favoritos para a temporada de baixa.
Preço realizado
Começando por um dos meus indicadores favoritos, o Preço Realizado
Ele representa o preço médio de aquisição de todos os Bitcoins que estão em circulação atualmente, ou seja, o custo médio do mercado, indicado pela linha amarela no gráfico. Esse valor atualmente é de US$ 53.700.
Fonte: BitcoinMagazine
Quando o preço do BTC cai abaixo da linha amarela, significa que, na média, todos os investidores estão no prejuízo. Por isso, se você compra abaixo disso, historicamente, está comprando melhor do que quase todo mundo. Devido a essa vantagem, muitos veem esse momento como oportunidade. É tanta oportunidade que isso acontece por um curtíssimo espaço de tempo e historicamente, marca o fundo do ciclo.
Mas perceba que o BTC tende cada vez a se afastar menos para baixo dela. No ciclo anterior, os preços ficaram 25% abaixo, e em 2018, chegaram a ficar 31% abaixo.
Então agora, também aplicando a ideia de queda da volatilidade, podemos estimar um afastamento entre 15% e 20% abaixo da linha. Isso projeta a queda do BTC para algo entre 43 e 46 mil dólares.
Você pode acessar o gráfico atualizado clicando aqui.
Market Value Realized Value (MVRV)
Um outro jeito de analisar o dado anterior, é pelo MVRV. Um dos indicadores mais clássicos do BTC.
A linha preta é o valor de mercado do BTC (Market Value), que considera seu preço atual para todas as moedas em circulação. Enquanto a linha azul do gráfico, é o Preço Realizado (Realized Value) do item anterior, que leva em consideração a última movimentação de cada moeda para definir a capitalização do mercado. Dividindo o Market cap pelo Realized cap, temos o gráfico em vermelho.
Fonte: BitcoinMagazine
O indicador atualmente está na casa dos 1,14, ou seja, 14% acima da linha azul —considerando que historicamente os preços vão para baixo dela. Quando isso acontece, o indicador fica abaixo de 1.
A cada ciclo que passa, o indicador cai menos, conforme indiquei pela linha verde. Por isso, para chegar nos 0,82 do indicador, o BTC precisa ir 18% abaixo da linha azul, ou seja, 0,82% do Realized Cap, que no momento está em US$ 1,08 trilhão. Mas tem um detalhe, quando o preço vai para baixo da linha azul, seu valor começa a cair.
Então, fazendo uma conta de padaria rápida, estimando que a linha azul chegue na casa do US$ 1 trilhão daqui a três meses, e o market cap do BTC volte para US$ 820 bilhões. Isso levaria o BTC para a casa dos US$ 41 mil. Sendo um pouco mais conservador, US$ 42 mil.
Você pode acompanhar esse gráfico clicando aqui.
Média móvel de 200 semanas (MM200)
Outro indicador que se assemelha à ideia do Realized cap, é a Média móvel de 200 semanas, pois também é baseado no seu afastamento dos preços. Entretanto, é calculada pelo preço médio somente das 200 semanas, enquanto no Preço Realizado, são consideradas as últimas negociações de cada moeda, mesmo que há 10 anos.
Aqui aumentamos um pouco a complexidade, porque temos a influência de dois fatores. Por um lado, esse afastamento da média para baixo tende a aumentar naturalmente, por outro, a volatilidade caindo ameniza esse descolamento.
Isso porque, historicamente, os preços sempre foram superestimados e, consequentemente, o afastamento da média para cima, sempre foi extremo. A partir da última temporada de baixa, no final de 2023, os preços conseguiram ficar alguns meses abaixo da média.
Essa oscilação em volta da média é uma característica do mercado financeiro como um todo. O preço dos ativos tende a oscilar em torno da média. E por isso, eu espero que o BTC vá para baixo da média novamente este ano.
Na temporada de baixa de 2018 praticamente respeitamos a média. No ciclo anterior, em 2022, o BTC chegou a ficar 34% abaixo da média.
No dia que escrevo este relatório, os preços estão exatamente em cima da média móvel de 200 semanas, nos US$ 62 mil. Porém precisamos reparar que a média está com uma leve inclinação ascendente, e deve chegar na casa dos US$ 65 mil em três meses, mesmo com os preços indo para baixo dela.
Fonte: Coinglass
Se repetirmos o descolamento de 34% para baixo do ciclo anterior, em relação aos US$ 65 mil, isso nos levaria para a casa dos 43 mil.
Mas reforçando: por um lado, esse afastamento da média para baixo tende a aumentar naturalmente, por outro, a volatilidade menor ameniza esse descolamento, por isso, vou considerar uma margem de erro para mais e para menos, estimando um alvo entre US$ 42 mil e US$ 44 mil.
Para continuar acompanhando este gráfico, basta clicar aqui.
Fear and Greed
Entrando agora em um dado mais subjetivo, temos O Fear & Greed, que como o próprio nome diz, esse indicador mede o medo e a ganância do mercado, analisando as notícias, redes sociais, enquetes, entre outros dados.
Ele é mais abstrato, pois não nos dá uma referência de valor para o BTC. O que importa aqui, é estimar o tamanho do medo do mercado.
Perceba no gráfico abaixo que o otimismo extremo não é um bom ponto de saída, pois em 2021, o otimismo durou praticamente toda temporada de alta, enquanto na temporada de 2023 a 2025 o BTC estabilizou mas continuou subindo. Se você tivesse vendido no otimismo extremo, teria saído cedo demais e ficado de fora de grande parte do movimento. Por isso, o indicador não costuma ser tão eficiente nesses momentos do mercado.
Por outro lado, o medo extremo, quando o gráfico fica vermelho, pode ser sim considerado bom momento de entrada, pois são momentos mais curtos e pontuais. Recentemente o indicador bateu sua mínima histórica, em 5 pontos, inclusive até mesmo abaixo da quebra da FTX e do Covid.
Mas de forma geral, podemos considerar que o indicador passa a nos indicar compra, quando vai para abaixo de 10. Fato que aconteceu em todos os fundos do ciclo conforme o gráfico a seguir, que representa o gráfico de preços do BTC com a indicação do sentimento.
Fonte: BitBo
A ideia é que nesses momentos de medo extremo, os investidores estão vendendo a qualquer preço e devemos explorar essa fragilidade emocional de quem não conhece o mercado.
O cuidado que precisamos tomar é que a estratégia é como “pegar a faca caindo”. Esteja ciente de que isso não significa que o fundo chegou. Portanto, trabalhe muito bem seu manejo de risco.
Para dimensionar sua posição, estime pelo menos uma possível queda de 30% a partir de agora. E separe parte do seu capital para continuar aportando caso esse medo extremo dure mais alguns meses.
Você pode acessar o gráfico atualizado clicando aqui.
Estratégia de compra
Antes de detalharmos a estratégia, vamos fazer uma breve revisão das possibilidades. No final das contas, os intervalos de preços acabam ficando relativamente próximos.
1 - Com base na Volatilidade: US$ 43 mil a US$ 50 mil
2 - Valor realizado: US$ 43 mil a US$ 46 mil
3 - MVRV: US$ 41 mil a US$ 42 mil
4 - MM200: US$ 42 mil a US$ 44 mil
5 - Fear and greed: dando sinal (por estar abaixo dos 10)
Para ficarmos minimamente conservadores, vamos arredondar uma expectativa média para os US$ 45 mil.
Apesar dessas referências de preços, caso você não tenha entendido essas análises ou não tenha tempo para acompanhar esses dados, não se preocupe, pois vou descrever duas estratégias, uma básica e outra mais avançada.
● Para quem não quer ficar analisando os dados.
○ Como a minha expectativa é que a temporada de baixa dure até meados de setembro ou outubro, se sua meta for investir R$ 5 mil no BTC, simplesmente compre R$ 1 mil por mês, independentemente dos preços.
○ Assim, você nem precisa perder tempo acompanhando os gráficos. Pois, comprando ao longo dos meses, você estará naturalmente comprando conforme os preços caem para essas faixas de preço.
● Agora, se você tem mais tempo para acompanhar esses indicadores, a estratégia é a seguinte:
○ Se 1 dos indicadores estiver dando sinal de compra, você começa a comprar com aportes menores, uma vez por mês;
○ Se 2 indicadores derem compra, você aumenta o aporte ou ao invés de comprar uma vez por mês, compra a cada 15 dias;
○ Se 3 indicadores ou mais derem sinal, você já faz seu aporte máximo.
○ Não espere todos os indicadores darem sinal. Assim você tem uma margem de erro caso alguns deles venham a falhar.
○ Por exemplo: 1 indicador = R$ 250 por mês. 2 indicadores = R$ 500 por mês, sendo R$ 250 a cada 15 dias. 3 indicadores = R$ 1.000 por mês, R$ 500 a cada 15 dias.
Se no pior dos casos, não chegar aos 3 indicadores, na minha opinião, no intervalo dos US$ 45 a US$ 50 mil você já deve comprar com todas suas forças!
Mas se nem isso acontecer, você precisa ter um plano B, que é colocar um limite no tempo. Não fique esperando os indicadores darem sinal por tempo indeterminado. A partir de setembro, você já pode se considerar obrigado a comprar todo mês, independentemente dos preços.
Pois a partir do ano que vem, já devemos iniciar a próxima temporada de alta. E imagine que se o BTC buscar os US$ 200 mil, e você conseguir comprar com uma média na casa dos US$ 50 mil, você multiplica seu patrimônio por quatro, em três anos. Não perca essa oportunidade.
Conclusão
No final das contas, podemos dizer que o mais importante de tudo é encontrar a estratégia ideal para o seu perfil de investidor e, para isso, você precisa estar ciente do risco que está correndo a cada momento.
Se o BTC for buscar até mesmo os US$ 42 mil, seu risco no momento é de aproximadamente 30%. Use essa referência para estimar o quanto você tolera “perder” momentaneamente.
Por exemplo, se você se sente ligeiramente desconfortável com um prejuízo momentâneo de R$ 3 mil, você pode colocar no máximo R$ 10 mil. Quanto mais você distribuir esse aporte no tempo, por exemplo, em dez compras de R$ 1 mil por cinco meses, menor será seu risco.
Caso você não tenha tempo para analisar esses dados pelo menos a cada 15 dias, e idealmente uma vez por semana, sugiro que você simplesmente faça rigorosamente seus aportes recorrentes. Todo mês. Simples assim.
Agora, para quem gosta de acompanhar o mercado e tem tempo para analisar os dados, pode ir aumentando os aportes conforme mais indicadores vão dando sinal.
Lembrando que agora é momento de paciência e de acumulação para nos prepararmos para a temporada de alta que deve iniciar ano que vem.
Até a próxima,
Thales
Sobre os analistas
Thales Inada
Especialista em Criptoativos
Especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Finclass. Engenheiro, com MBA em investimentos e Asset Allocation. Iniciou no mercado de criptoativos em 2017, com passagem por importantes exchanges como Binance (a maior do mundo), Mercado Bitcoin (a maior da América Latina) e XDEX, a antiga exchange da XP Inc. Agora, deixou as instituições para ficar do lado de investidoras e investidores, com missão de democratizar o universo dos criptoativos e investimentos alternativos por meio de uma linguagem simples e direta, a fim de tornar esse mercado visionário acessível a todas as pessoas.
Rodrigo Xavier
Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.