Relatórios

Introdução aos ETFs Irlandeses e inclusão do GPUS11 na lista de ETFs de S&P 500.

Escrito por Felipe Arrais em INTERNACIONAL

27 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • Detalhamento sobre os benefícios de ETFs listados na Irlanda, nos quais se incide apenas metade do imposto sobre dividendos, em relação a um ETF americano.

  • Diferenciando a regulamentação europeia de UCITS do benefício relacionado apenas à Irlanda.

  • Simulações que apontam que nem sempre o ETF irlandês vai ser mais vantajoso que um ETF listado em outra localidade, principalmente a depender do dividend yield, custo da taxa de administração e do tempo de investimento.

  • Sugestão de alguns ETFs irlandeses para seguir a carteira de valorização da Finclass (ACWD, XRES e AGGU).

  • Adição do ETF GPUS11 listado no Brasil e que se aproveita do benefício tributário de ETFs irlandeses por investir no VUAA à lista de ETFs de S&P 500 recomendados.

  • A adição do GPUS11 não altera a carteira recomendada que continua com o WRLD11 (VT) como opção.

Um assunto que não é exatamente novo, mas que ainda não é tão conhecido é o benefício tributário existente em se comprar um ETF sediado na Irlanda, em vez de comprar nos EUA - ou até mesmo no Brasil.

Talvez você já tenha ouvido falar desse assunto em nossa comunidade ou em alguma resposta durante nossas lives semanais. Afinal, é um tema bastante pedido por nossos assinantes e essa demanda foi justamente o que motivou o relatório de hoje.

Queremos fazer deste relatório uma introdução ao tema de ETFs irlandeses regidos pela legislação europeia de UCITS (explicaremos mais adiante, não se preocupe). Ele será uma introdução, pois, antes de partirmos para a parte objetiva de simplesmente recomendar ETFs Irlandeses, é preciso explicar como funciona esse mercado e quais são as reais vantagens dele.

Por ter essa eficiência fiscal, muitos investidores esquecem completamente qualquer outro detalhe relevante. É claro que ninguém gosta de pagar impostos e normalmente, é interessante aproveitar alguma alternativa que nos possibilite pagar menos. Muitas vezes, na busca desesperada pelo benefício fiscal, gasta-se dinheiro em outros detalhes que podem tirar toda a vantagem buscada inicialmente.

Por isso, hoje, introduziremos um assunto complexo no primeiro relatório que aborda o tema, aqui na Finclass. A partir disso, nosso objetivo é monitorar a demanda por essa modalidade para produzir mais conteúdos sobre o assunto em breve.

Além disso, aproveitaremos para incluir mais uma opção de ETF sediado no Brasil, para seguir o índice S&P 500. O ETF GPUS11 nasce se aproveitando justamente desses benefícios irlandeses, tendo conexão direta com o tema de hoje.

Uma ótima leitura!

Irlanda: o Paraíso dos ETFs

Uma empresa sediada nos Estados Unidos, quando investida por estrangeiros (seja uma pessoa física ou um fundo/ETF de outro país), sofre grande incidência de imposto sobre os dividendos pagos.

Essa alíquota é de 30% sobre todo dividendo pago, sendo retida diretamente na fonte.

Um ETF de ações nos Estados Unidos, por conter diversas empresas em sua composição, também paga dividendos com certa periodicidade, a depender da política de distribuição das empresas em carteira.

Em outras palavras, de cada $ 100 em dividendos das ações do S&P 500, por exemplo, um ETF que invista via EUA receberia apenas $ 70 líquidos para reinvestir, pois $ 30 são retidos pelo fisco americano.

A grande diferença e, consequentemente, a vantagem dos ETF irlandeses, é que a Irlanda possui um acordo tributário com os EUA desde 1997, que reduz pela metade (para 15%) o imposto na fonte sobre dividendos de ações americanas pagos a fundos e ETFs irlandeses.

Esse acordo é frutífero para ambas as partes e já vigora há décadas, oferecendo segurança quanto à sua continuidade.

Assim, se investirmos via um ETF irlandês de S&P 500, os dividendos das empresas americanas serão tributados em apenas 15% na fonte, em vez de 30%.

Na prática: a cada $ 100 em dividendos, o ETF irlandês (e indiretamente o investidor brasileiro) retém $ 85 líquidos, em vez de $ 70. Essa diferença de 15 pontos percentuais representa um ganho direto de 50% a mais em dividendos líquidos que serão reinvestidos pelo ETF.

Além disso, a legislação irlandesa não cobra imposto adicional sobre dividendos ou ganhos de capital de investidores estrangeiros. Ou seja, o ETF irlandês não sofre tributações domésticas sobre os proventos que recebe ou sobre valorização, tornando-o um veículo fiscalmente eficiente para abrigar investimentos em ações americanas.

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Fonte: Finclass

A Estrutura Europeia

ETFs europeus são regidos por uma regulamentação rígida conhecida como UCITS (Undertakings for Collective Investment in Transferable Securities). É uma regulamentação europeia, não específica da Irlanda, que define regras padronizadas para fundos de investimento (incluindo ETFs) que podem ser oferecidos a investidores em toda a União Europeia.

Frequentemente, confunde-se o termo ETF UCITS com ETF Irlandês, mas esses conceitos, apesar de se sobreporem em grande medida, não são iguais. Quase todo ETF irlandês é regido pela legislação UCITS, mas nem todo ETF UCITS é irlandês, pois frequentemente encontramos ETFs sediados em Luxemburgo - que também é tido como um paraíso fiscal, mas com vantagens diferentes das irlandesas.

Algumas das principais características de um ETF UCITS são:

●       Rigorosamente regulamentado em termos de diversificação, transparência, proteção ao investidor etc.

●       Elegível para ser vendido livremente em qualquer país da UE (passaporte europeu).

●       Muitas vezes sediado na Irlanda ou Luxemburgo, os países preferidos pelas gestoras por questões operacionais e fiscais.

Essa confusão entre ETF irlandês e UCITs acontece, pois, como dissemos, UCITS é um selo de qualidade regulatória e de passaporte europeu, e a Irlanda é um país europeu que oferece benefícios fiscais - especialmente, para investimentos em ações americanas.

Então, quando as pessoas falam de vantagens dos "ETFs UCITS", muitas vezes estão se referindo, na prática, aos ETFs UCITS irlandeses.

Diferentes Modalidades de ETF

Outro ponto a se mencionar sobre ETFs europeus, incluindo os irlandeses, protagonistas de hoje, é que existem duas categorias diferentes de ETFs para servirem a diferentes objetivos dos investidores:

●       ETF de Accumulation (Acc): um ETF de acumulação é aquele que reinveste os dividendos pagos pelas empresas em carteira automaticamente. No caso de o ETF ser irlandês, esse dividendo reinvestido é maior, por ser menos tributado.

●       ETF de Income (Inc): Um ETF de renda ou de distribuição paga os dividendos recebidos pelas ações em carteira. No caso de ETFs irlandeses, ele também tributa menos os dividendos; no entanto, como os dividendos são entregues ao investidor, esses podem ser tributados pelo Imposto de Renda de seu próprio país (lembre-se de que o recebimento de dividendos é um fato gerador de imposto, segundo a nova maneira de declarar imposto de investimentos internacionais).

Portanto, para obter o benefício pleno do menor pagamento de impostos sobre dividendos em ETF irlandeses, frequentemente a modalidade de acumulação é utilizada.

Dessa maneira, para investidores estrangeiros, é esperado que, em prazos longos, o retorno absoluto (Total Return, que considera tanto o ganho de capital quanto os dividendos) tende a ser maior em um ETF irlandês do que em um americano, por conta da diferença na tributação sobre dividendos - se as outras condições de custo forem similares.

Como as taxas de administração dos ETF irlandeses tendem a ser maiores que as dos ETFs americanos similares, isso também deve ser considerado.

E para melhorar a visibilidade sobre qual é o tamanho do benefício, vamos começar com algumas simulações simplificadas e, posteriormente, aprofundaremos com outra simulação mais refinada, que usa dados reais históricos do S&P 500.

Auferindo o Benefício

Para termos algum tipo de visibilidade sobre o tamanho do benefício gerado ao longo do tempo, preparamos uma simulação genérica, comparando três diferentes cenários para um ETF hipotético com as seguintes premissas:

●       A cota do ETF sediado nos EUA se valoriza 8% ao ano em dólar.

●       O ETF paga 2% ao ano através de dividendos (2% Dividend Yield)

●       O retorno total somando valorização da cota e dividendos é de 10% ao ano.

●       O período avaliado foi de 20 anos, prazo suficientemente grande para vermos o tamanho da vantagem que pode ser gerada.

Assim, conseguimos simular o efeito de acumulação para o investimento inicial de $ 10 mil (dez mil dólares) para um ETF que fosse listado nos EUA, em comparação com um que seja listado na Irlanda e outro ETF “utópico”, que não tenha nenhuma tributação sobre os dividendos, para servir de controle para nossa simulação de rentabilidade bruta (ETF utópico, pois não é possível fugir da tributação sobre dividendos).

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Fonte: Quantum | Elaboração: Finclass

Como era esperado, a simulação utópica representada pela última coluna mostrou a maior valorização de patrimônio, justamente, por não haver incidência de impostos. Como dissemos, a simulação serve apenas como controle, já que não é uma rentabilidade real (é bruta de impostos).

Agora, na comparação entre o ETF americano e o irlandês, temos uma maior acumulação no ETF da Irlanda, por conta do efeito de tributar menos os dividendos.

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Fonte: Quantum | Elaboração: Finclass

Essa simulação simples nos dá uma ideia do tamanho da vantagem ao longo dos anos dada, com base nas premissas traçadas.

Se observarmos os valores utilizados em nossa premissa, eles não são tão diferentes das médias de retorno e dividend yield apresentados historicamente pelo índice S&P 500 ao longo do tempo.

Agora, lembre-se de que a vantagem tributária aparece por conta de uma menor tributação sobre dividendos; por isso, é de se esperar que quanto menor for o dividend yield do ativo, menor a vantagem que você obterá ao longo do tempo.

Dividend Yield Importa

Apenas para trazer uma comparação em relação ao cenário apresentado anteriormente, observe agora uma nova simulação com premissas ligeiramente diferentes.

●       A cota do ETF sediado nos EUA se valoriza 6% ao ano, em dólar.

●       O ETF paga 4% ao ano através de dividendos (4% Dividend Yield)

●       O retorno total somando valorização da cota e dividendos é de 10% ao ano.

●       O período avaliado foi de 20 anos, prazo suficientemente grande para vermos o tamanho da vantagem que pode ser gerada.

Note que essa premissa apresenta exatamente o mesmo total return de 10% ao ano, mas muda as proporções que são entregues através de dividendos ou por valorização da cota.

Veja o resultado da simulação:

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Fonte: Quantum | Elaboração: Finclass

A vantagem do ETF irlandês é ampliada por conta de o ativo em questão apresentar um maior dividend yield, portanto, uma maior economia tributária ao longo do tempo.

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Fonte: Quantum | Elaboração: Finclass

Como o dividend yield simulado é o dobro do primeiro exemplo (4% contra 2%), temos também o dobro de vantagem média anual.

Por isso, é correto afirmar que quanto maior for o dividend yield do ativo, maior a vantagem de se comprar na Irlanda ao invés dos EUA, em termos de retorno absoluto de longo prazo.

Dessa maneira, um ETF de ouro, por exemplo, não apresentaria vantagens por ser sediado na Irlanda, já que não paga dividendos.

Agora, antes de partirmos para uma conclusão sobre ETFs irlandeses, precisamos falar de outros custos existentes, que precisam ser considerados. E essa é justamente a parte que poucas pessoas no mercado (principalmente profissionais) abordam.

Taxa de Administração Não Pode ser Esquecida

O mercado europeu de ETFs tem muito menos opções de investimento em relação ao mercado norte-americano. Além disso, mesmo quando existem peças semelhantes, a taxa de administração tende a ser maior e isso tira parte da vantagem tributária, ou faz com que o horizonte de investimento tenha que ser ainda mais longo, para que a vantagem se manifeste.

Isso porque o benefício fiscal age sobre os dividendos; geralmente, o dividend yield representa apenas uma parte pequena do retorno total de um ativo internacional (seja esse ativo uma ação, um Bond ou um Reit) e a taxa de administração incide sobre o patrimônio completo.

Veja abaixo uma simulação usando as mesmas premissas do primeiro estudo apresentado:

●       A cota do ETF sediado nos EUA se valoriza 8% ao ano em dólar.

●       O ETF paga 2% ao ano através de dividendos (2% Dividend Yield)

●       O retorno total somando valorização da cota e dividendos é de 10% ao ano.

●       O período avaliado foi de 20 anos, prazo suficientemente grande para vermos o tamanho da vantagem que pode ser gerada.

Mas, agora, adicionamos uma variável a mais, que seria a taxa de administração. Vamos usar um exemplo real do ETF que representa nossa alocação atual na Finclass: o VT, que segue o índice FTSE Global All Cap e custa 0,06% ao ano, contra 0,23% de um ETF irlandês que segue o mesmo índice.

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Fonte: Quantum | Elaboração: Finclass

Note que ainda existe vantagem ao se investir no ETF irlandês, mas a diferença já cai bastante, como podemos ver em detalhes na tabela a seguir.

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Fonte: Quantum | Elaboração: Finclass

Sem considerar as taxas, a diferença anual proporcionada pelo benefício tributário era na ordem de 0,30% ao ano, que foi diminuída para menos da metade apenas pelo aumento da taxa de administração da versão irlandesa do ETF.

ETFs na Irlanda são Sempre Melhores?

Pelo que discutimos, a resposta não é tão simples como pode parecer e as simulações anteriores explicam os motivos.

Se um ativo tem um dividend yield maior ou menor, haverá um impacto significativo da eficiência proporcionada pelos ETFs irlandeses. Além disso, como normalmente as taxas de administração são mais altas, a depender da escolha feita, o benefício pode ser desperdiçado pelo aumento do custo de administração recorrente.

Temos ainda que considerar a oferta de produtos, já que muitas vezes somos forçados a montar uma carteira adaptada, já que existem menos diversidade de produtos na Irlanda. Há também quem valorize a conveniência, dada a possibilidade de escolher a modalidade de acumulação e não ter trabalho no manejo dos dividendos pagos ao longo do tempo.

Agora, uma vantagem que é importante principalmente para quem se preocupa com planejamento sucessório e blindagem patrimonial é a questão da escapar do risco da cobrança do inventário nos EUA.

Em caso de falecimento de um investidor, que invista diretamente nos EUA, pode haver uma incidência de até 40% de imposto sobre os valores que ultrapassem $ 60 mil (sessenta mil dólares).

Ao investir na Irlanda, você se protege desse risco.

Por isso, para um investidor com menos de $ 60 mil que queira explorar diversidade de produtos e que os produtos equivalentes não existam ou sejam mais caros na Europa, pode ser mais vantajoso continuar investindo pelos EUA.

Agora, se há grandes patrimônios envolvidos e ETFs similares suficientemente baratos, pode valer a pena investir diretamente na Irlanda e aproveitar os benefícios fiscais e sucessórios.

Cada caso é um caso; não existe uma resposta definitiva que sirva como regra universal para todos os diferentes investidores.

Opções de ETFs Irlandeses para Seguir a Carteira de Valorização

Primeiro, é importante falarmos sobre como a Finclass pretende levar a cobertura de ETFs irlandeses adiante.

Nosso foco permanecerá nos EUA por conta da maior acessibilidade e diversidade de produtos, o que já nos traz um desafio de cobertura.

Cobrir com perfeição toda a oferta europeia traz desafios hercúleos que envolvem monitorar, inclusive, em quais das Bolsas da Europa cada produto está disponível (nem todo ETF europeu está disponível em todas as Bolsas da Europa).

Cobrir com o mesmo detalhamento que cobrimos o mercado americano é inviável, mas isso não quer dizer que não podemos ajudar investidores que tenham esse interesse.

Por isso, traremos uma maneira simplificada de montar a carteira de valorização da Finclass através de mercados europeus e acessando através da Bolsa de Londres (também acessível através de outras Bolsas na Europa).

As opções listadas abaixo não serão incluídas nas tabelas do site da Finclass, mas serão incluídas no “Tabelão Internacional”, que compartilhamos ao final de cada relatório do tema, para que você possa conferir sempre que precisar.

Procuramos alternativas que cumpram papéis similares aos ETFs que temos na carteira, mas visando reduzir o custo das taxas de administração para que o efeito tributário seja ampliado no longo prazo.

Também procuramos por opções que sejam da categoria de acumulação para retirar o risco de ter a renda dos dividendos tributada aqui no Brasil.

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Fonte: Finclass

Com o tempo, pretendemos refinar essa lista e trazer novas possibilidades, mas acreditamos que essa seleção acima já seja capaz de refletir de maneira muito próxima à alocação proposta pela carteira internacional da Finclass.

Note que não trouxemos opções para o ETF de ouro, já que não existe vantagem específica em comprá-los na Irlanda. Dessa forma, as alternativas disponíveis para essa finalidade são limitadas. Por isso, preferimos não apresentar nenhuma sugestão no relatório de hoje até termos maior convicção sobre um ETF específico.

Corretoras com acesso a ETFs Irlandeses.

Esse tem sido o nosso maior desafio, pois existem muitas corretoras na Europa que prestam serviços diferentes com acessos a diferentes bolsas do bloco europeu.

Não pretendemos cobrir as corretoras europeias devido à inviabilidade de fazê-lo com eficiência, mas temos uma inclinação pela corretora Interactive Brokers, que é globalizada e presente em muitos países, oferecendo uma grande flexibilidade, já que pode acessar tanto a Bolsa de Londres quanto a Bolsa americana.

Além disso, a gestora possui uma plataforma de fundos integrada, que possibilitará que você encontre os fundos recomendados pela Finclass diretamente no exterior.

Outra vantagem é a liberdade do manejo do dinheiro, já que você pode usar qualquer serviço de remessa que desejar (diferentemente do que fazem as corretoras brasileiras).

A Interactive Brokers recentemente inaugurou o suporte em português em seu site e, em conversas recentes com a representante da empresa na América Latina, Judith Casampere, a intenção da corretora é penetrar cada vez mais no mercado brasileiro. Com a melhoria do suporte para investidores brasileiros, a empresa tem tudo para se tornar a principal recomendação de corretora para nossos assinantes.

No entanto, vale trazer a notícia de que muito em breve (provavelmente a partir de primeiro de agosto), a Avenue inaugurará seu serviço de compra de ETFs sediados na Bolsa de Londres. O serviço já está em fase de testes e foi anunciado oficialmente ao longo do evento oficial Avenue Connection 2025, na semana passada, no qual estive presente.

Apesar das ressalvas sobre os custos altos cobrados pelas corretoras brasileiras em geral, a Avenue é uma das plataformas mais amigáveis em termos de usabilidade, sendo uma opção a se considerar (principalmente para patrimônios maiores em que o custo tende a ser menor).

Agora, para quem vive no exterior e não deseja abrir conta na Interactive Brokers, verifique se a sua corretora oferece acesso à Euronext ou à Bolsa de Londres (em Portugal, por exemplo, a maior parte das corretoras oferece esta possibilidade).

Assim, escolha a corretora de seu desejo para conseguir comprar os ETFs recomendados.

O GPUS11 chega à nossa lista de opções aprovadas

Você deve ter escutado falar sobre o novo lançamento da gestora de ETFs Investo, em parceria com o Grupo Primo, o GPUS11.

Seu lançamento foi divulgado intensamente por ambas as empresas e, inevitavelmente, passamos a ser frequentemente questionados sobre o produto.

Recebemos diversas perguntas sobre a qualidade do ETF, sobre a viabilidade do investimento ou até mesmo curiosidade sobre como ele funciona - já que é o primeiro ETF sediado no Brasil, que compra um ETF sediado na Irlanda, e usa da eficiência fiscal para melhorar seus resultados.

Por isso, ao longo das próximas páginas, você verá toda nossa análise sobre o projeto que nos levou a incluir o ativo em nossa lista de ETFs de S&P 500 já aprovados (e que continuarão a ser).

Diferenciação em relação ao mercado

Para muitos, a principal dúvida sobre o ETF é: o que o GPUS11 tem de diferente dos outros ETFs existentes no mercado brasileiro?”

Primeiro, vamos colocar todos na mesma página, explicando como cada ETF existente no mercado brasileiro consegue tomar exposição às maiores empresas do índice.

Hoje, temos os seguintes ETFs de S&P 500 disponíveis em nossa indústria; a maneira de obter exposição ao S&P 500 não é igual em todos eles:

●       O primeiro ETF de S&P 500 lançado no Brasil, pela BlackRock (sob a marca iShares), o IVVB11, envia o dinheiro para os Estados Unidos para comprar outro ETF da própria gestora, o IVV.

●       O segundo mais famoso da categoria é o SPXI11, da Itaú Asset, que também envia o dinheiro para fora para comprar o ETF da Vanguard, o VOO.

●       O terceiro e mais novo deles, o SPXB11, da BTG Asset, compra diretamente as ações das empresas contidas no índice nas devidas proporções, ao invés de comprar um ETF “pronto”.

O ETF GPUS11 inovará e comprará cotas do ETF VUAA, sediado na Irlanda, tornando-se o primeiro ETF no Brasil que visa seguir esse caminho.

A escolha foi feita por conta dos benefícios fiscais existentes na Irlanda; teremos uma seção completa mais adiante para explicar como essa vantagem se configura e por que ela deve gerar mais dinheiro em prazos longos, em comparação com seus concorrentes.

Como em um ETF queremos perseguir a performance de algum índice de mercado, precisamos ter custos baixos - pois quanto mais custos mais atrás do índice o ETF tende a ficar. Sobre isso, vale dizer algo importante: se um ETF investe em outro ETF, você está pagando a taxa de administração dos dois.

Além disso, existem outros custos que podem impactar a performance do ativo ao longo do tempo, como o IOF, o custo de remessa ao mandar o dinheiro para fora do país e os custos operacionais para manter o ETF operante no Brasil.

Por isso, é importante que analisemos que a taxa de administração — que muitas vezes é a única variável que os investidores analisam — não é capaz, sozinha, de garantir que o ETF seja melhor ou pior; mas, definitivamente, é um bom ponto de partida, pois, com toda certeza, uma taxa maior pesa mais na performance do ETF.

Taxas e operacional do GPUS11

Vamos falar mais em detalhes sobre o GPUS11 e sua exposição ao S&P 500.

O ETF tem taxa de administração de 0,18% em solo brasileiro e cruza a fronteira para comprar o ETF S&P 500 UCITS ETF – USD - Accumulating (VUAA), que custa 0,07% ao ano.

A taxa agregada é de 0,25% ao ano, o que em um primeiro momento pode até gerar estranheza, dado o comparativo de taxas agregadas apresentadas pelos outros instrumentos mencionados neste relatório.

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Fonte: Finclass

Entendemos, portanto, que em termos de taxa local, o GPUS11 tem uma das menores taxas locais do mercado, virtualmente empatado com o SPXI11, embora tenha uma das maiores taxas no ponto de vista de taxa agregada.

Você pode até estar se perguntando se o custo do ETF irlandês VUAA ser maior que o dos ETFs listados nos EUA, como VOO e IVV, faz com que a performance agregada seja pior.

Se fôssemos analisar apenas o impacto das taxas de administração, a resposta tecnicamente correta seria: sim.

Entretanto, como você já deve estar imaginando, a premissa é que o benefício fiscal do ETF Irlandês seja capaz de compensar essa taxa ligeiramente maior em relação à concorrência existente no Brasil.

Simulação do Impacto Tributário

Dada a oferta de ETFs já disponível no Brasil, estamos procurando descobrir se o estreante GPUS11 consegue entregar um maior potencial de ganhos em relação aos concorrentes.

Em termos de taxas de administração agregada, como já exibimos anteriormente, o ETF do BTG é atualmente o mais barato da indústria em termos de taxa de administração local e, considerando que ele não compra um ETF no exterior, também não incorre no custo da taxa de um ETF listado no exterior (embora tenha custos operacionais para comprar individualmente os ativos do S&P 500).

É muito difícil estimar qual é o impacto objetivo da eficiência de gestão e, por isso, os estudos que você verá a seguir considerarão a menor taxa de administração que temos, de maneira agregada, em nosso mercado.

Mesmo que ele não tenha sido o ETF mais rentável em diversas janelas, apesar de ser o mais barato, utilizaremos a taxa de 0,20% do ETF do BTG como referência de taxa agregada a ser batida.

Dessa maneira, acreditamos que estamos endurecendo os critérios de avaliação para realmente estimar se a eficiência tributária de um ETF irlandês é capaz de compensar uma taxa menor da concorrência (se compararmos com o IVVB11 que possui taxa maior, provavelmente o resultado relativo seria melhor para o GPUS11).

Como dissemos, será uma simulação, já que ainda não temos uma base histórica longa de preços do GPUS11 para avaliar a performance real (que faremos ao longo do tempo). Por isso, listamos todas as premissas adotadas no estudo realizado.

Premissas:

●       São desconsiderados custos operacionais, como envio de dinheiro, taxa de manutenção do fundo, custo de remessas cambiais etc. Isso porque são custos comuns a todos os ETFs analisados e, principalmente, por serem difíceis de estimar de maneira fiel (o ETF do BTG possui custos operacionais por comprar diretamente os ativos no exterior. Esses custos serão desconsiderados, elevando ainda mais a rigidez do estudo).

●       Adotamos como referência a ser batida o menor custo agregado existente no mercado, que é de 0,20% ao ano de taxa de administração.

●       Como simulação do impacto da taxa de administração, foi considerada apenas a diferença de taxa entre 0,25% (taxa agregada do GPUS11) contra 0,20% (taxa do SPXB11), ou seja, uma taxa adicional de 0,05% ao ano para a simulação do GPUS11.

●       Aporte inicial simulado: R$ 10 mil.

●       Para o cálculo dos retornos anualizados, consideramos a base da Bloomberg, que utiliza um padrão de 260 dias úteis no ano. O período analisado de 20 anos representa 5.218 dias úteis.

Metodologia

Agora, detalharemos o passo a passo que foi adotado ao longo do estudo.

Primeiramente, analisamos a performance do índice S&P 500 e do S&P 500 Total Return ao longo dos últimos 20 anos, sendo o primeiro um índice de preços, que não considera reinvestimento de dividendos, e o segundo que considera o reinvestimento dos dividendos antes da tributação.

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A diferença de performance entre os dois índices pode ser atribuída ao reinvestimento do fluxo de dividendos do índice ao longo dos anos.

Anualizamos o valor de retorno dos dois índices, e a diferença entre eles seria uma boa representação do dividend yield do S&P 500 no período mencionado.

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Fonte: Finclass

Assim, temos as variáveis para usar em nossa simulação, sendo elas:

●       Retorno histórico anualizado do índice de preços: 8,2% ao ano

●       Valor do dividend yield bruto: 2,1% ao ano

Agora, precisamos fazer o ajuste que representará a eficiência fiscal do ETF.

Um ETF tradicional que compre ativos diretamente nos EUA, como todos os que existem atualmente no Brasil, teria um desconto de 30% nesse fluxo de dividendos, enquanto um ETF que investe na Irlanda teria metade desse custo: 15%.

Aplicamos o desconto apropriado para simular corretamente cada um dos ETFs:

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Fonte: Finclass

Assim, temos uma estimativa numérica de quanto a mais um ETF de S&P 500 que investe na Irlanda teria ganho ao longo dos últimos 20 anos, em comparação a um semelhante que invista nos EUA (aproximadamente 0,31% ao ano).

Agora, simplesmente aplicamos a rentabilidade apropriada em cima de um valor inicial de R$ 10 mil, penalizando o GPUS11 com um adicional de taxa de 0,05% (diferença da taxa agregada dele em relação ao ETF mais barato do mercado, conforme explicado nas premissas).

Para facilitar o entendimento do gráfico, segue uma legenda das colunas:

  1. Índice de anos.
  2. Simulação de um ETF brasileiro que compre outro ETF nos Estados Unidos e que tenha taxa de 0,20% ao ano.
  3. Simulação do GPUS11 com sobretaxa de 0,05% em relação ao ETF americano. Acúmulo financeiro ao longo dos anos.
  4. Diferença percentual da acumulação do ETF irlandês em relação ao americano (o percentual é em relação ao todo e não um percentual ao ano).
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Fonte: Finclass

Nesta simulação, notamos que, mesmo com uma taxa agregada maior, já no primeiro ano temos uma diferença positiva, indicando que a eficiência tributária é, sim, capaz de compensar uma taxa de administração maior.

Agora, uma questão importante a lembrar é que a eficiência deste produto vem do menor imposto que incide sobre dividendos. Quanto maior for o fluxo de dividendos, maior a vantagem que ele apresenta.

Dessa maneira, mantendo as premissas, mas ajustando a variável do dividend yield bruto do ativo, simulamos como a vantagem percentual do ETF irlandês em relação ao americano se altera ao longo de um período de 10 anos.

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Você verá que, quanto maior for o dividend yield bruto do ativo, maior a diferença de performance que o ETF apresentará, mantendo as premissas do estudo.

Por essa lógica, um ETF de ouro sediado na Irlanda não teria nenhuma vantagem competitiva em relação a um par norte-americano, pelo fato de o ouro não pagar dividendos. Já um ETF de REITs — os primos gringos dos fundos imobiliários —, que tendem a pagar um fluxo de dividendos maior, se aproveitariam muito dessa vantagem.

No caso do S&P 500, o dividend yield tende a flutuar em torno dos 2%, nos oferecendo certa segurança sobre a manutenção dessa eficiência ao longo do tempo. Afinal, em 10 anos, teríamos um impacto negativo apenas para dividend yields muito baixos (menores que 0,3% ao ano).

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Desde 1990, só tivemos um período em que o dividend yield ficou comprimido:  logo após o estouro da bolha “ponto com” (dot com), quando empresas ligadas à tecnologia e à internet passaram por um grande movimento de euforia, com altas impressionantes, até passarem a amargar grandes perdas a partir do finalzinho dos anos 90.

Esse histórico traz um conforto no sentido de que, em prazos longos, podemos esperar uma certa estabilidade desse indicador em torno do patamar de 2% ao ano.

Simulação Adicional com Dados Reais

A simulação acima foi feita de maneira simplificada, aplicando taxas de retornos lineares ao longo do tempo, o que nos ajuda a ter uma boa ideia do potencial benefício, mas muitos poderiam questionar se no mundo real seria realmente assim.

Existe um conceito em finanças chamado Path Dependency, ou dependência de caminho em bom e velho português, que diz respeito a como os retornos acontecem no meio do caminho.

A depender do caminho realizado pelo ativo ao longo dos anos, passando por altas e quedas, esse impacto tributário poderia ser materializado de maneira mais complexa em relação à simples simulação feita até aqui.

Por isso, decidimos fazer mais uma camada de análise usando dados reais do S&P 500 e todo fluxo de dividendos pagos historicamente.

Para isso, tomamos como base documentos fornecidos para o ETF IVV da gestora Blackrock, e que já conta com um grande histórico de negociação desde 2000.

No próprio site da Blackrock, na página oficial do ETF IVV, você pode baixar uma planilha com dados de preço de cota e dividendos históricos, caso queira reproduzir os estudos por sua conta.

Assim, pudemos fazer uma estimativa em cima de dados realizados e obter maior visibilidade de como o benefício poderia ter se apresentado.

Realizamos inúmeras análises internas, mas, para o benefício deste relatório específico, traremos a principal delas. A simulação que verá a seguir percorre o seguinte passo a passo:

●       Considerar como base de retorno os preços históricos do ETF IVV.

●       Aplicar uma taxa de 30% sobre os dividendos para simular o retorno líquido de alguém que compre IVV no exterior.

●       Aplicar uma taxa de 15% sobre os dividendos para simular o retorno líquido de um ETF de S&P 500 sediado na Irlanda.

●       Adicionar as taxas locais para simular o impacto do custo adicional.

Vale lembrar que o IVVB11 tem uma taxa de 0,21% ao ano, enquanto o GPUS11 tem uma taxa de 0,18%. Ainda é importante dizer que o GPUS11 comprará o ETF VUAA no exterior, que custa 0,07%, enquanto o IVVB11 compra cotas do IVV, que custa 0,03 ao ano.

Então, todo diferencial de taxas foi considerado para simular uma eficiência teórica do GPUS11 contra o IVVB11 (lembrando que estamos comparando o GPUS11 com as outras opções disponíveis para investir no Brasil e não comparando com o investimento direto em IVV, por exemplo).

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Graficamente, percebemos que a linha azul termina acima, indicando uma maior vantagem do GPUS11 teórico em relação ao IVVB11, que já é considerado uma excelente opção para investir no índice S&P 500.

A tabela abaixo nos ajudará com uma melhor visualização dos números:

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Fonte: Finclass

O resultado nos indica que, mesmo com a taxa consolidada sendo ligeiramente maior, o potencial de entrega do GPUS11 tende a ser maior por conta do benefício tributário.

Observações Adicionais sobre o Ativo

Entrega “in-kind” e “in-cash”

O ETF brasileiro precisa mandar dinheiro para fora para comprar os ativos que irão compor a carteira, independentemente de comprar um ETF ou a cesta completa de ativos no exterior.

Essa compra pode ser feita principalmente de duas maneiras:

Entrega in-cash: o caminho tradicional, em que o dinheiro é efetivamente enviado para o exterior, com um contrato de remessa cambial, até que chegue à conta do fundo no exterior e os ativos possam ser, de fato, comprados.

Entrega in-kind: ocorre quando há empresas com operação no Brasil e no exterior, permitindo que os ativos sejam diretamente entregues na conta do ETF no exterior, sem que o dinheiro seja efetivamente enviado.

A BlackRock, por exemplo, por ser uma das maiores gestoras do mundo, com operações em todos os continentes, consegue fazer um ajuste no balanço das empresas e, constantemente, realizar a entrega in-kind.

Esse é um dos motivos que aumentam a eficiência da gestão e fazem com que o produto, mesmo mais caro, consiga ser mais rentável em diversas janelas de tempo, quando comparado aos concorrentes que existiam no Brasil até então.

O GPUS11 não começará de imediato com a entrega in-kind. Mas já estima que, em cerca poucos meses, conseguirá realizar a entrega in-kind, contando com a ajuda da VanEck — uma grande gestora de ETFs, sócia majoritária da Investo, que agrega muito em termos de eficiência.

Esse deverá ser um dos diferenciais do produto frente à concorrência, dado que nem todos têm a infraestrutura necessária para realizar a entrega in-kind.

A entrega in-cash pode ser bastante eficiente, a depender de como for executada, mas definitivamente dá mais trabalho para o gestor do ETF. A Investo está preparada para essa carga um pouco mais pesada nos primeiros meses de vida do produto, até que o regime seja alterado para in-kind.

Vale destacar que estamos falando de um estilo de gestão de custos baixos, e que, portanto, essa diferença operacional só começa a ser representativa em prazos muito longos. Como em pouco tempo já teremos a alteração do regime, poderemos contar com essa eficiência em janelas mais alongadas.

Corrigindo o Fuso Horário Diferente

Você pode ter se perguntado sobre os motivos que poderiam explicar o fato de não termos tido nenhum ETF como esse lançado até hoje aqui no Brasil, e gostaríamos de discutir alguns dos principais.

Em primeiro lugar, há a questão conjuntural do Brasil, onde existem poucos investidores em comparação com o tamanho de sua população. Entre os que investem, menos ainda se interessam por investimentos no exterior, de forma que ainda temos pouco volume de dinheiro cruzando nossas fronteiras.

Como ETFs são produtos desenhados para serem baratos e eficientes, eles precisam de muito volume de dinheiro para que sejam rentáveis para a gestora que os constitui; por isso, novas iniciativas tendem a aparecer em ritmo mais modesto.

A Investo é uma gestora que nasceu com DNA internacional e, como seu business tem esse foco, isso traz uma motivação adicional para tentar se diferenciar em relação ao mercado. O fato de ter um acionista grande, com ampla experiência em ETFs, também dá mais tranquilidade para que iniciativas como esta saiam de fato do papel.

Além disso, há também uma questão técnica em relação ao horário de funcionamento dos mercados, já que os ETFs irlandeses serão comprados na Bolsa de Londres, que tem um fuso horário diferente do nosso e do mercado norte-americano.

Isso gera uma preocupação para o administrador, que precisa verificar se a cota aqui no Brasil está de fato refletindo a variação de preço do ativo no exterior. Se o ativo no exterior parar de se movimentar quando a bolsa londrina fecha, mas o ETF continua sendo negociado no Brasil por várias horas até que nossa bolsa feche por aqui, poderíamos ter distorções de preço.

Com o longo relacionamento que a Investo construiu junto ao administrador BTG Pactual, o projeto foi cuidadosamente planejado e, finalmente, o BTG se sentiu confortável em aprovar a iniciativa.

A Investo está muito atenta aos custos de implementar esse hedge e aos riscos de descasamento. A gestora afirmou que todos esses potenciais problemas já foram mapeados e calculados, de forma a garantir a viabilidade do projeto.

Vale dizer que essa iniciativa — um ETF brasileiro que investe na Irlanda — já vinha sendo estudada pela Investo há mais de dois anos.

Esse ETF abre caminho para a chegada de mais produtos inovadores no futuro, ainda mais com a recente possibilidade de elevação do valor do IOF para investir diretamente no exterior, que deve incentivar muitos investidores a preferirem investir indiretamente com a ajuda dos ETFs internacionais disponíveis no Brasil, como o GPUS11.

Veredito

O GPUS11 é um projeto interessante e inovador para o mercado brasileiro. Sua criação pavimenta um caminho virtuoso em que outros produtos podem começar a ser pensados de maneira similar, visando o benefício para o cliente.

Nossas simulações apontam para uma vantagem em relação à concorrência que atualmente existe no Brasil. No entanto, é importante destacar que para essa vantagem teórica se manter, dependemos de uma boa gestão operacional da Investo, afinal, já percebemos que ETFs mais baratos muitas vezes têm performance pior que ETFs mais caros que seguem o mesmo índice a depender da eficiência de gestão.

Outra questão que precisamos destacar como uma casa de análise independente é que se o produto perder sua eficiência no meio do caminho, mesmo que seja um produto ligado ao Grupo Primo, ele será retirado das recomendações.

Vale ainda dizer que ele apresenta uma vantagem, mas não é uma vantagem arrebatadora a ponto de as recomendações antigas não serem mais viáveis. Seguiremos recomendado o SPXI11 e IVVB11 apenas adicionando o GPUS11 como uma opção adicional para se investir no S&P 500 diretamente do Brasil.

O ETF do BTG segue não recomendado por ter períodos frequentes de performance inferior a seus pares mesmo tendo taxa menor, indicando uma eficiência menor. O GPUS11 passa na frente por seu caráter inovador aliado a uma taxa local baixa e o benefício fiscal da Irlanda.

Você pode encontrar o ETF em qualquer home broker de corretoras brasileiras pelo ticker GPUS11. As informações essenciais estão listadas abaixo:

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Fonte: Finclass

Impacto na Carteira Recomendada

Por mais que possa ter ficado claro, queremos enfatizar e relembrar alguns pontos sobre nossa carteira recomendada.

É sabida a nossa opinião sobre alocação em Bolsa internacional em que partimos de uma opinião de ter mais diversificação geográfica e não apenas Estados Unidos. Por isso, não alteraremos nossa carteira recomendada, permanecendo com o WRLD11 como o representante da fatia de ações internacionais (VT para quem compra direto no exterior).

Entretanto, temos uma lista mais ampla de peças aprovadas que não fazem parte da carteira, mas que são recomendadas e podem ser utilizadas por nossos assinantes da maneira que desejarem.

Sabemos que há muitos assinantes que preferem concentrar suas carteiras em Estados Unidos e, para esses, existe agora uma nova opção disponível dentre as que já eram recomendadas.

Ficamos por aqui...

A divisão proposta pela equipe de análise da Finclass permite que o time internacional se aprofunde cada vez mais nas novidades relacionadas a investimentos internacionais para brasileiros.

O relatório de hoje é um exemplo do resultado desta iniciativa, sendo detalhado, recheado de análises e testes que poucos profissionais do mercado fazem ou sequer se dão ao trabalho de comentar.

Apesar de extenso, julgamos que era um relatório muito importante e, como já mencionamos, é apenas o primeiro relatório do tema que pretendemos aprofundar cada vez mais.

Traremos mais informações sobre os diferentes caminhos de se investir no exterior, principalmente quanto aos custos operacionais escondidos, que não são divulgados para seus investidores e que nosso time já está investigando cuidadosamente.

Aproveitamos o tema de ETFs irlandeses para aprovar o ETF GPUS11, o primeiro em solo brasileiro a investir em um ETF irlandês, e que integrará a lista de opções possíveis para quem queira aumentar a exposição aos Estados Unidos.

Vale relembrar que nossa carteira recomendada permaneceu inalterada após a recomendação.

Compareça às nossas lives semanais todas as sextas-feiras ao meio-dia para discutir conosco suas dúvidas. Use e abuse da comunidade no Circle; nós analistas sempre estamos de olho no que rola por lá.

Um grande abraço,

Felipe Arrais

Ativos Internacionais Aprovados

Disponibilizamos, ao final de cada relatório internacional, diversas opções de ativos aprovados, voltados para investidores experientes que desejam exposição mais específica a determinados setores ou mercados.

Considere essas alternativas como um verdadeiro “cardápio” cuidadosamente selecionado, permitindo que você personalize sua estratégia, enquanto mantém ativos com a cobertura da Finclass.

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Fundos Internacionais Aprovados

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Sobre os analistas

Felipe Arrais

Sócio

Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.