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Investimentos internacionais e renda em dólar: desejável ou ineficiente?

Escrito por Felipe Arrais em INTERNACIONAL

14 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • Nos Estados Unidos, estratégias de renda são pouco utilizadas por conta da grande tributação que ocorre nos dividendos (30% na fonte).

  • Alternativamente estratégias de retirada programada são utilizadas com a visão de retorno total (total return) em que se foca em crescer o patrimônio como um todo (valorização dos ativos + dividendos) e resgatar todo ano um percentual do portfólio que arque com suas necessidades.

  • Entre as mais diversas estratégias de retirada, preferimos as de banda variável, como a estratégia dos guardrails de Guyton-Klinger, em que as taxas de retirada são aumentadas ou diminuídas de acordo com a performance de mercado no ano anterior.

  • A carteira de renda da Finclass ainda não tem uma peça internacional por conta da ineficiência dos dividendos e pela falta de bons veículos para se investir daqui mesmo do Brasil.

  • Spoiler: estamos investigando a melhor maneira de agregar uma peça internacional que melhore a diversificação de carteira sem prejudicar o principal objetivo dela: pagamento recorrente de renda.

Quando o investidor brasileiro pensa em “carteira de renda”, normalmente está procurando um portfólio que gera fluxo recorrente por meio de dividendos, juros e distribuições a ponto de esse fluxo pagar parte (ou todo) do custo de vida.

Em dólar, a ideia existe e é praticada, mas ela costuma ser menos eficiente do que no Brasil, e isso tem levado muitos alocadores e assessores internacionais a preferirem um conceito diferente: em vez de depender só do que o portfólio distribui, estruturar uma política de “retiradas programadas” baseada no retorno total.

Mas, o que na prática, é uma carteira de renda em dólar?

Em geral, ela combina:

·       Ações pagadoras de dividendos e/ou ETFs de alto dividendo;

·       Títulos de renda fixa (Treasuries, bonds corporativos etc.);

·       Ativos que distribuem bastante caixa, como REITs.

O apelo é intuitivo: “se a carteira paga proventos, eu vivo dos proventos e evito vender ativos”. O problema é que essa intuição pode ficar cara quando a gente considera os impactos da tributação e o fato de que renda (yield) não é a mesma coisa que retorno total (que chamamos de total return).

A comparação com o Brasil ajuda a entender por que mercados diferentes pedem abordagens diferentes. Por muitos anos, o investidor pessoa física no Brasil se acostumou a encontrar instrumentos com tratamento tributário favorecido, como títulos isentos (ex.: LCI) e estruturas que, dependendo do enquadramento, podem ter renda distribuída com incentivo fiscal (como ações, FIIs e FIs-Infra).

Ou seja, no Brasil, o investidor frequentemente “enxerga” renda líquida alta com alguma previsibilidade e, muitas vezes, com incentivos fiscais que mudam o custo-benefício da estratégia.

Nos EUA, a dinâmica é outra. Para estrangeiros (não americanos), a tributação de rendas passivas de fonte americana está ligada a um regime chamado withholding que, em geral, é de 30% na fonte, salvo redução por tratado quando aplicável (como no caso dos ETFs irlandeses).

Na prática, isso significa que “viver de dividendos em dólar” pode ter um atrito estrutural importante justamente sobre o componente que você está tentando maximizar (os proventos).

Não é que dividendos não sejam úteis. Eles são parte do retorno e podem ajudar no fluxo de caixa, mas a ênfase exclusiva em “renda” pode ser ineficiente quando o imposto morde logo na origem.

No relatório de hoje vamos discutir um pouco sobre estratégias de renda em dólar e sobre a utilidade que ativos internacionais podem ter na Carteira de Renda da Finclass.

Para começar nosso debate de hoje, explicaremos um conceito central para a mudança de mentalidade entre ativos brasileiros e estrangeiros: dividend yield não é total return.

Dividend yield vs total return

Dividend yield é uma métrica simples: quanto a empresa paga em dividendos por ano em relação ao preço atual da ação. Ela mede o “quanto pinga” (em %), mas ignora o que acontece com o preço do ativo. Se o preço de uma ação cai de maneira importante por um contexto ruim de mercado que não prejudique tanto o lucro da empresa, o dividend yield seria ampliado às custas dessa queda.

Já total return mede o desempenho completo: juros, dividendos e distribuições + valorização (ou desvalorização) do preço ao longo do tempo. Em outras palavras: uma estratégia bem-sucedida de usufruto em dólar normalmente não depende só do yield; ela depende do retorno total e de como você transforma esse retorno em renda de forma sustentável.

É por isso que, no exterior, o padrão de planejamento de aposentadoria/usufruto tende a girar em torno de políticas de retirada programada, e não apenas de “carteiras de renda”.

Além disso, normalmente quando criamos estratégias de renda com ativos brasileiros, visa-se preservar o capital investido ao longo do tempo e ir “colhendo” os dividendos ao longo do tempo, enquanto, no exterior, estratégias de usufruto em um momento de aposentadoria costumam buscar a valorização do montante investido, mas sem a restrição de consumir o patrimônio já acumulado, desde que não se esgote os recursos em vida.

Aqui já destacamos uma mudança de mentalidade, já que normalmente o brasileiro preferirá não consumir o que já acumulou e apenas colher os dividendos, enquanto lá fora, o risco maior é o patrimônio esgotar antes da hora.

Estratégias de retirada programada: o que são?

Retirada programada significa definir uma regra para sacar dinheiro do portfólio ao longo do tempo.

Em vez de perguntar “quanto a carteira distribui em dividendos?”, o investidor passa a perguntar “quanto posso retirar por ano, com alta chance de o dinheiro durar o horizonte que eu preciso (por exemplo, 30 anos), sem assumir riscos desnecessários?”.

A “regra dos 4%” ganhou fama por trabalhos clássicos de safe withdrawal rate (taxa de retirada segura), como o de William Bengen, que estudou taxas de retirada apropriadas usando dados históricos e, com isso, ajudou a popularizar o debate.

Porém, uma mensagem importante para 2026 é: a regra nunca foi uma lei rígida e irrefutável, sendo uma referência histórica.

Em momentos em que o mercado está caro (valuations elevados) e expectativas de retorno futuro ficam mais comprimidas, costuma-se trabalhar com taxas iniciais de retirada mais baixas para alguns perfis.

Além disso, na vida real existe o “risco de sequência de retornos” (conceito de path dependency): se os primeiros anos de aposentadoria forem ruins, sacar uma quantia rígida pode acelerar o desgaste da carteira e provocar um esgotamento precoce do patrimônio acumulado.

Por isso, muitos advisors migraram para regras flexíveis (dinâmicas), que ajustam o saque quando o mercado pede — tentando equilibrar duas necessidades humanas ao mesmo tempo:  manter padrão de vida e evitar que a carteira “quebre” nos piores cenários.

Estratégias de retirada mais utilizadas

1. Dólar + inflação (regra dos 4% ou “4% rule”)

Como funciona: define-se um valor inicial para se retirar no primeiro ano (ex.: 4% do patrimônio no primeiro ano) e depois reajusta-se o saque pela inflação.

Vantagens: previsibilidade de renda; simples de explicar e executar.

Desvantagens: ignora condições de mercado e pode forçar resgates maiores em anos ruins e pode não refletir o ambiente de retornos esperados do momento. Após um ano ruim, a carteira apresenta um valor menor, mas a inflação quase sempre é positiva, significando um “saque” maior em um momento ruim de mercado..

2. Percentual fixo do portfólio

Como funciona: saca-se uma “fatia” fixa do valor atual da carteira a cada ano.

Vantagens: reduz a probabilidade de “zerar” a carteira, porque o saque cai quando a carteira cai.

Desvantagens: renda altamente volátil; o padrão de vida vira “refém do mercado”. Em um ano bom um resgate de 4% representa um valor maior para arcar com os custos de vida. Depois de um ano ruim, 4% representam um valor menor, fazendo com que seja necessário fazer ajustes na qualidade de vida..

3. Bucket strategy (estratégia dos “baldes”)

Como funciona: separa-se a carteira em camadas; curto prazo (gastos próximos), médio prazo (estabilização) e longo prazo (crescimento).

Vantagens: ajuda a não vender ativos de risco em drawdowns; costuma funcionar bem do ponto de vista comportamental.

Desvantagens: pode virar conservadora demais (se o balde seguro ficar grande), reduzindo o retorno total e piorando a chance de o dinheiro durar..

4.  Gastos dinâmicos com piso e teto (guardrails)   

Como funciona: combina uma lógica de estabilidade (como dólar + inflação) com uma lógica de adaptação ao mercado, impondo um “piso” (para não cair demais) e um “teto” (para não estourar demais).

Vantagens: tende a oferecer um meio-termo entre estabilidade e sustentabilidade; protege melhor em cenários ruins do que regras totalmente rígidas.

Desvantagens: exige revisão anual e disciplina; pode ser desconfortável para quem quer renda 100% constante.

Entre as regras dinâmicas, uma das mais citadas (e com bom equilíbrio entre robustez e aplicabilidade) é a de Guyton-Klinger, frequentemente mencionada por mim ao longo de nossas lives semanais, popularmente chamada de “guardrails”, ou “guardirreios”, em português.

A estratégia do guardirreio de Guyton-Klinger

A ideia dos guardrails é criar “faixas” que dizem quando o investidor está sacando “demais” ou “de menos” em relação ao tamanho atual do patrimônio.

O paper de Guyton-Klinger formaliza regras de decisão para ajustar o gasto ao longo do tempo, incluindo mecanismos de congelamento (em certos contextos) e ajustes quando a taxa de saque se desvia muito da taxa inicial.

Uma versão simplificada (didática e executável) do espírito do método é:

Passo 1: Defina o saque inicial. Exemplo: carteira de US$ 1.000.000 e saque inicial de 5% ao ano → US$ 50.000/ano.

Passo 2: Defina os guardrails (faixas) ao redor da taxa inicial. Um exemplo comum é usar ±20% em torno da taxa inicial. No exemplo de uma taxa inicial de 5% definimos quais são as faixas inferiores e superiores: 5% × 0,8 = 4% (faixa inferior) e 5% × 1,2 = 6% (faixa superior).

Passo 3: A cada ano, compare a “taxa de saque” com as faixas. Taxa de saque implícita = (saque do ano) ÷ (valor atual da carteira). Se a taxa ficar alta demais (acima do guardrail superior), é sinal de alerta: você está sacando um valor demasiado grande para o tamanho da carteira após quedas de mercado. Se a taxa ficar baixa demais (abaixo do guardrail inferior), pode ser sinal de prosperidade: a carteira cresceu e você pode aumentar o saque sem se colocar em risco excessivo.

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Passo 4: Ajuste o saque quando encostar nas faixas. No paper, as regras detalhadas incluem congelamentos e ajustes, com critérios bem específicos.

Na prática, podemos resumir a mecânica como: “se bater no guardrail de cima, corta um pouco; se bater no de baixo, aumenta um pouco”, mantendo o compromisso de revisar anualmente.

Exemplo de utilização

Esse método pode ser complexo de se entender, principalmente pelo fato de os reajustes sempre dependerem de condições prévias que se manifestaram no ano anterior, gerando uma série de procedimentos encadeados e interdependentes.

Por isso, traremos exemplos para ilustrar os dois limites existentes nesse método.

Suponha que comecemos com um patrimônio de US$ 1 milhão e que a taxa de resgate estipulada seja de 5%. Nesse cenário, logo de cara podemos saber quais são os limites permitidos de oscilação dessa taxa de retirada. O modelo permite uma variação de 20% para cima ou para baixo, portanto, tolerará taxas entre 4% e 6%.

Para um patrimônio de US$ 1 milhão, uma retirada inicial de 5% significa US$ 50 mil. Ao retirar o montante necessário para usufruir ao longo do ano, sobra US$ 950 mil, que flutuará de acordo com o mercado no mesmo período.

Suponha que, no fim do primeiro ano, a performance da carteira tenha sido positiva com uma valorização de 10%, fazendo com que o valor do patrimônio saísse de US$ 950 mil e chegasse a US$ 1.045.000,00. Conforme a regra de retirada, o fato de o retorno do ano anterior ter sido positivo nos daria permissão para ajustar a retirada pela inflação.

Em um cenário em que a inflação desse ano tenha sido de 3%, a retirada de US$ 50 mil passaria a ser US$ 51,5 mil (acréscimo de US$ 1.500). Antes de procedermos, precisamos verificar se esse novo valor se enquadra nos limites permitidos dos nossos guardrails.

Para isso, dividimos o valor da nova retirada pelo valor total do patrimônio atual.

O valor atual do resgate ficaria dentro dos limites estipulados, portanto, temos permissão para seguir com a retirada anual. O patrimônio após a retirada do segundo ano seria US$ 993.500,00.

Embora muito improvável na realidade, vamos supor que a rentabilidade no próximo ano seja de 50%. Pela performance positiva, temos permissão para corrigir o valor de retirada pela inflação, que como exemplo, adotamos uma inflação de 5%.

O patrimônio acumulado agora é de US$ 1.490.250,00 após a forte alta de 50%, e a taxa de retirada ajustada seria de US$ 54.075,00. Antes de retirarmos o valor, precisamos novamente verificar se esse valor se enquadra nos limites estipulados.

A atual taxa de retirada ficou menor do que o limite inferior de 4%, portanto, você tem a possibilidade de resgatar até um pouco mais, incrementando em 10% conforme a regra de prosperidade. Ao incrementar essa porcentagem ao valor de US$ 54.075, chegamos a US$ 59.482,50. Depois do incremento, podemos fazer uma nova verificação.

O valor exato da taxa de retirada ficaria em 3,99%, que pode ser arredondado para 4% por ser muito próximo. Entretanto, caso o valor continue abaixo de 4% mesmo com o incremento de 10%, devemos fazer um segundo incremento de 10%, até que reenquadremos a taxa nos patamares ideais.

Retiramos, portanto, o valor estipulado, fazendo com que o patrimônio acumulado seja de US$ 1.430.767,50.

Vamos supor agora, no terceiro ano de nosso exemplo, tenhamos uma performance negativa na carteira no valor de 10%, fazendo com que o patrimônio encolha para US$ 1.287.690,75. Pela performance negativa do ano anterior, não podemos ajustar o valor de retirada pela inflação.

Ainda assim, precisamos fazer a verificação para ver se estamos dentro dos limites estipulados depois de o patrimônio ter encolhido.

Seguimos o jogo fazendo a retirada anual, de maneira que o patrimônio agora será de US$ 1.228.208,25.

Para fechar com o último exemplo, vamos supor que tenhamos uma performance muito ruim de -25% no ano seguinte, fazendo o patrimônio encolher ao nível de US$ 921.156,19. Pela performance negativa, não ajustamos a retirada pela inflação, mas precisamos verificar se ainda estamos enquadrados nos limites estabelecidos.

Nesse caso, ficamos acima do limite máximo tolerado de 6%. Assim, devemos fazer uma redução de 10% em nossa retirada com a ativação da regra de preservação de capital, sendo que o valor após a redução será de US$ 53.534,25. Novamente, verificamos se agora estamos dentro dos limites.

Tudo certo com os limites. Podemos fazer a retirada normalmente.

Nesse meio-tempo, sempre é importante manter o portfólio enquadrado no planejamento inicial. Assim sendo, as classes de ativos que estiverem maiores do que o previsto no plano inicial devem ser prioridade no momento das retiradas.

Por que os profissionais gostam desta estratégia: o meio termo entre rigidez e caos

Vantagens da estratégia

·       Responde a condições de mercado, aumentando as chances de sucesso ao reduzir a retirada em anos que a performance foi negativa e aumentando apenas quando a performance foi positiva;

·       O ajuste das taxas de retirada é suave, sendo apenas pela inflação (que em países desenvolvidos não costuma ser muito alta) ou, no máximo, em 10% nos casos em que a regra da prosperidade é ativada;

·       Baixa probabilidade de esgotar o patrimônio mesmo em casos de um longo período de sobrevida;

·       Possibilita um maior desfrute em um cenário de boa performance da carteira.

Desvantagens da estratégia

·       Como todas as estratégias de retirada dinâmica, retiradas anuais podem, eventualmente, ser muito pequenas, de forma a onerar o custo de vida que se necessita;

·       A estratégia possui diversas condições a serem verificadas anualmente, e isso a torna um pouco mais complexa de ser executada;

·       A estratégia é complexa para grande parte das pessoas pois exige esse acompanhamento da performance a cada ano, ajustes pela inflação e frequentes verificações das taxas de retirada conforme os “guardirreiros” estabelecidos. Uma estratégia complexa tem mais probabilidade de ser abandonada no meio do caminho. E, convenhamos, podemos ter a melhor estratégia do mundo em mãos, se não seguirmos à risca ou abandonarmos no meio do caminho, ela não vale de nada.

Comparando os estilos: • Regras rígidas (dólar + inflação) oferecem estabilidade, mas podem ser perigosas em sequência ruim de retornos. • Regras totalmente proporcionais (percentual do portfólio) protegem o patrimônio, mas tornam a renda instável demais. • Guardrails/dinâmicas tentam capturar “o melhor dos dois”: ajuste quando necessário, mas sem transformar a renda num ioiô. A Vanguard descreve esse espírito ao tratar de gastos dinâmicos com piso e teto.

Além disso, o modelo “total return + política de retirada” conversa melhor com a realidade tributária de muitos investidores internacionais: dividendos e juros são úteis, mas se existe um atrito grande sobre proventos (como o withholding para estrangeiros em certas rendas de fonte americana), faz sentido não “forçar” o portfólio para maximizar exatamente o item mais tributado.

Conclusão sobre renda em dólar

Carteiras de renda em dólar existem e podem fazer sentido, mas muitas vezes o investidor brasileiro chega a elas pelos motivos errados: tenta replicar o “modelo Brasil” (renda recorrente alta e, historicamente, incentivos tributários) num mercado onde a renda pode ser mais tributada na origem e onde o retorno total é a variável que realmente determina a sustentabilidade do usufruto.

Por isso, entre alocadores e assessores financeiros no exterior, é muito comum ver a renda (dividendos/juros) sendo tratada como parte do retorno, e não como única fonte dentro de uma política de retirada programada.

E, entre as políticas de retirada, estratégias dinâmicas como guardrails (Guyton-Klinger) costumam aparecer como um dos melhores equilíbrios entre credibilidade técnica e aplicabilidade, desde que o investidor aceite a regra básica do jogo: revisar anualmente e fazer ajustes pequenos quando necessário.

Existe espaço para ativos internacionais na carteira de renda?

Nós analistas da Finclass somos frequentemente questionados sobre o fato de a carteira de renda da Finclass (ainda) não ter exposição a ativos internacionais e, após essa discussão sobre a ineficiência da renda em dólar, os leitores mais atentos devem estar se questionando como aliar os conceitos da carteira de renda a uma estratégia de retiradas programadas.

O primeiro ponto que gostaríamos de esclarecer é que a não inclusão de ativos internacionais na carteira de renda não se deu apenas por essa ineficiência da tributação dos dividendos, mas também pela falta de bons produtos pagadores de renda aqui em nosso mercado brasileiro.

Enquanto lá fora, nos EUA, ETFs tipicamente distribuem proventos pois, quando estruturados como RICs, há incentivos/regras fiscais que exigem distribuições relevantes para manter o status tributário, aqui no Brasil a maior parte dos produtos reinvestem essa renda automaticamente, o que retiraria da carteira de renda da Finclass justamente o elemento mais desejável: a renda recorrente, mesmo que mais tributada do que desejaríamos.

Já os BDRs de ETF, que poderiam solucionar esse problema, já que distribuem os proventos, ainda são pouco líquidos e no passado geraram problemas para assinantes da Finclass (somos mais de 120 mil atualmente).

A boa notícia é que hoje em dia a legislação avançou e a B3 permitiu a listagem de ETFs que distribuem dividendos, o que pode ser uma porta de entrada para ativos internacionais na carteira Finclass. Além disso, o mercado de BDRs de ETF está evoluindo para um modelo mais eficiente, em que as gestoras podem contratar diretamente formadores de mercado para dar mais eficiência na liquidez desses ativos.

Isso prontamente acionou nosso time de analistas para estudar como melhor encaixar um ativo internacional na carteira de renda sem que haja prejuízo ao seu objetivo final: pagar renda com consistência.

Gostamos sempre de dar esses passos em relação a alocação estrutural com muito cuidado empregando bastante estudo e avaliação, mas para deixar um spoiler especial, estamos muito perto de encontrar uma solução que poderá ser anunciada nas próximas semanas.

Ficamos por aqui...

O objetivo de toda pessoa que investe para o longo prazo é fazer um pé de meia que traga tranquilidade durante a aposentadoria. Quem não sonha em ter as contas pagas sem ter que se preocupar em trabalhar na fase que normalmente tendemos a querer descansar e aproveitar a vida?

Entretanto, fazer uma estratégia para usufruir do patrimônio acumulado pode ser complexo por termos a decisão entre aproveitar mais e deixar dinheiro para os herdeiros, além das próprias incertezas dos mercados e a incapacidade de prever a quantidade de anos que viveremos após nos aposentarmos.

Por isso, como quase todas as estratégias que apresentamos aqui na série, queremos prezar por uma abordagem probabilística para navegar com a maior tranquilidade possível, independentemente do cenário que possa se manifestar.

Mesmo que a estratégia de retirada para a fatia de investimentos no exterior possa ser pequena, muitas vezes ela pode ser suficiente para arcar com pequenos luxos como compras e viagens que possuam custos em outra moeda, por exemplo.

Como mencionamos ao longo do relatório, nosso time de analistas está focado em encontrar a melhor solução possível para agregar mais diversificação à carteira de Renda da Finclass. Como tudo o que fazemos por aqui, prezamos pelo cuidado e pelo estudo profundo para tomar as melhores decisões e em breve esperamos trazer novidades sobre o assunto.

Um grande abraço,

Felipe Arrais 

Ativos Internacionais Aprovados

Disponibilizamos, ao final de cada relatório internacional, diversas opções de ativos aprovados, voltados para investidores experientes que desejam exposição mais específica a determinados setores ou mercados.

Considere essas alternativas como um verdadeiro “cardápio” cuidadosamente selecionado, permitindo que você personalize sua estratégia, enquanto mantém ativos com a cobertura da Finclass.

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Fundos Internacionais Aprovados

 

Sobre os analistas

Felipe Arrais

Sócio

Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.