Uma análise objetiva sobre o momento atual de juros no Brasil, mostrando por que estamos diante de uma das melhores janelas históricas para investir em títulos IPCA+ de longo prazo.
IPCA+ de longo prazo: até que taxa posso realizar meus aportes?
Escrito por Guilherme Cadonhotto em RENDA FIXA
Neste relatório, você encontrará:
Estudos com base em dados históricos e simulações de retorno, que revelam quais níveis de taxa para o IPCA+ foram mais lucrativos e seguros no passado, e até que ponto ainda vale a pena realizar novos aportes.
Perspectivas para diferentes cenários de mercado, considerando horizontes de 1, 3 e 5 anos, para ajudar você a tomar decisões estratégicas com mais confiança.
O momento de oportunidade que estamos vivendo é um fato. Não se discute se atingimos o preço de equilíbrio do mercado; parece haver um consenso de que os preços das ações, fundos imobiliários e todo e qualquer outro ativo de risco, incluindo ativos de renda fixa, são mais altos.
Se não há grandes divergências sobre isso, por que os preços não sobem?
As incertezas se referem ao curto prazo. O Brasil tem desafios relevantes no âmbito fiscal, ou seja, com relação ao nosso nível de dívida.
A dúvida é se esses preços, que já são atrativos, não podem ficar ainda mais interessantes, ou seja, se podem cair ainda mais.
Veja, comprar ações, fundos imobiliários e ativos de risco na renda fixa nos níveis de preços e taxas atuais, visando ao médio e ao longo prazo, parece ser um excelente negócio. Mas isso não significa que após comprá-los o processo de valorização será um “passeio no bosque”, como o Ricardo Figueiredo, nosso analista de FIIs, gosta de dizer.
“Gui, o trabalho do time de análise não é dizer se vai ficar ainda melhor nos próximos meses?”
Analistas de investimento não são capazes de prever o futuro, isso, como você já deve saber, é impossível.
“Conheço alguém que diz que vai piorar/melhorar com certeza. O que isso significa então?”
Lembre-se da frase do economista americano Thomas Sowell: “Quando as pessoas desejam o impossível, somente os mentirosos podem satisfazê-las.”
Se você quer garantia de futuro ou ganhos rápidos no mercado, pode ter certeza, alguém vai te oferecer.
Se deseja investimentos com alto potencial de retorno e baixíssimo risco, vai encontrar alguém que te prometa exatamente isso.
O problema é que essas pessoas estão mentindo.
Não há como prever o futuro, obter ganhos rápidos com segurança e grandes retornos com baixo risco.
Isso é impossível.
“Mas se o seu trabalho não é me dizer o que vai acontecer nos próximos meses, qual é?”
Nosso trabalho como analistas de investimento é responder a 3 perguntas:
1 – Esse é um bom investimento?
A primeira pergunta que vamos te responder é se um título, ação, fundo imobiliário, ETF ou qualquer outro ativo é uma bom investimento, ou seja, se é seguro, confiável, tem uma boa gestão por trás do produto.
Se a resposta para qualquer ativo ou produto que estivermos analisando for não, esse produto não vai ser recomendado.
2 – Estamos vivendo um bom momento para adquirir esse produto ou investimento?
Aqui entraremos mais na parte de momento, e para explicar isso traremos um exemplo claro, e que você conhece: as ações da C&A (CEAB3).
A C&A passa no crivo da nossa primeira pergunta, “É um bom investimento?”.
Sim, é uma excelente empresa.
Porém atualmente precisamos nos questionar:
“A R$16,00 por ação, faz sentido comprar ou manter em carteira?”
Aqui queremos entender se a ação da empresa está bem precificada ou não, se tem um bom potencial de entregar valorização para os nossos assinantes.
Se a resposta para a pergunta acima for não, já sabemos que não seria uma decisão sábia adquirir o ativo, ou mesmo mantê-lo em carteira.
Falamos de preço, mas para o contexto de renda fixa podemos falar de taxa.
Comprar um Tesouro IPCA+ 2050 a uma taxa de IPCA+ 3,00% parece fazer sentido?
A resposta dependerá do contexto econômico vivido no momento da análise, mas precisamos lembrar que, para o Tesouro IPCA+ 2045 – que tem um comportamento muito semelhante de taxa ao 2050 e tem um histórico mais longo –, a taxa mínima a que ele foi negociado foi de IPCA+ 2,99%. Além disso ficou nesse patamar por apenas um dia.
Ou seja, apesar de ser um bom ativo, comprá-lo na hora errada pode fazer com que você tenha retornos pífios ou, no pior dos casos, bem negativo.
3 – Há alguma opção melhor nessa classe de investimento do que esse ativo?
Um investimento pode ser bom e estar atrativo para compra, com valor justo razoavelmente acima do negociado no momento, mas, para recomendá-lo, uma pergunta adicional é necessária:
Há algum outro ativo de mesma classe, setor e risco que tenha um espaço para valorização ainda maior em um cenário positivo?
Se a resposta for não, você deve colocá-lo na carteira. Do contrário, talvez seja interessante analisar as outras opções disponíveis.
Para dar uma visão completa sobre esse processo, vamos exemplificar com uma análise de ação de um banco, o Santander (todas as informações aqui são fictícias, vou utilizá-las apenas para facilitar sua compreensão do assunto.)
Depois de entender o Banco Santander, seu histórico, gestão, atuação e resultados, você o aprova como uma opção a se investir. Esse é o primeiro ponto.
Depois, parte para a análise de resultados e para o processo que chamamos de valuation, ou seja, verifica qual o valor justo para a ação do Santander. Digamos que, em suas contas, você chegue a um valor de R$ 30,00, enquanto a ação hoje está sendo negociada a um valor de R$ 25,00.
Isso significa que há um espaço para valorização de 20% da ação.
Devemos comprá-la?
A pergunta seguinte é:
Há algum outro banco no Brasil que seja bom e tenha um espaço para valorização maior?
Vamos pensar que, ao seguir o mesmo modelo de cálculo de valor justo para o Banco do Brasil, você encontre um valor de R$ 30,00, semelhante ao do Santander. Porém o preço atual da ação do Banco do Brasil é de R$ 15,00.
O espaço para valorização nesse caso é de 100%. Ou seja, apesar de ser uma boa empresa e ter espaço para valorização, há outras opções que parecem ser melhores do que o caso hipotético do Santander.
“Entendi, Gui, o trabalho, então, é me dizer se o ativo está em um bom momento de compra. Mas como fazer isso para renda fixa?”
Decidimos se é um bom momento para comprar algum ativo de renda fixa analisando dois aspectos: histórico e perspectiva.
O passado não se repete, mas rima.
Você provavelmente já leu ou escutou essa frase em algum lugar, e para os investimentos ela costuma fazer bastante sentido. Mas talvez você não tenha entendido por que ela faz sentido quando a aplicamos ao mercado financeiro, principalmente a renda fixa.
Tentar aplicá-la ao contexto de ações é um pouco mais complicado. Uma empresa que já teve sua ação negociada a R$ 20 em três anos e era considerada “barata” pode ter sua ação sendo negociado a R$ 5,00 hoje e ser considerada cara.
Esse movimento, inclusive, não é raro de ser observado no mercado brasileiro.
Isso acontece porque uma empresa é um organismo vivo, dentro de uma economia global que muda cada vez mais rápido, seja por novas tecnologias ou por novas preferências dos consumidores.
O setor automobilístico é um bom exemplo dessa mudança.
Em 2014 esse era o ranking das maiores montadoras do mundo:
1Fonte: InfoMoney
E esse era o ranking de 2024:
2Fonte: Jornal do Carro
Das 5 marcas líderes em 2014, 3 desapareceram do ranking. Isso reflete um aumento da competitividade no setor, avanço da tecnologia, evolução da globalização, com montadoras de países como a China ganhando espaço no mercado global.
Podemos citar o caso de empresas que eram gigantes, líderes de seus mercados e que, por não acompanharem a evolução tecnológica do mundo, literalmente desapareceram. Os casos mais emblemáticos são Blockbuster, Kodak e BlackBerry.
Isso nos mostra que o cenário competitivo é mais complexo para empresas. Gigantes do mercado nacional e internacional podem ser dizimadas por mudanças que estão fora de seu controle.
Digo isso para reforçar que olhar para o passado pura e simplesmente é mais complexo no caso de empresas.
Mas por que para a renda fixa seria diferente?
Bom, antes de responder a essa pergunta, preciso frisar que vamos falar de títulos públicos, ou seja, títulos emitidos pelo Tesouro Nacional.
E é de se esperar que a situação financeira de países seja muito menos volátil do que a de empresas. E isso não tem relação única e exclusivamente com resultado primário ou não.
Quando se fala da situação financeira de um país, refere-se ao seu juro neutro, aquele que permite que o país cresça sem acelerar a inflação. Sua meta de inflação, seu PIB potencial, ou seja, sua capacidade de crescimento ano a ano, sua dívida pública com relação ao PIB e por aí vai.
Veja, as mudanças nesses aspectos de um país ocorrem de maneira muito mais lenta do que em uma empresa, por isso a análise histórica na renda fixa tem um peso maior do que no mercado de ações. É mais fácil e rápido o cenário mudar e não ter nenhuma relação com o passado recente em uma empresa do que em um país.
Ao olharmos, portanto, os níveis de juros, inflação, crescimento e outros indicadores em um país e imaginarmos que isso volte a se repetir no futuro, temos mais chances de estar certos do que ao fazer a mesma coisa para empresas.
Mudanças estruturais em taxas de crescimento, inflação e juros são menos frequentes do que grandes mudanças em resultados de uma companhia. Isso faz com que a análise histórica da renda fixa, principalmente quando falamos de títulos públicos, tenha mais peso do que em ações ou até em outras classes de ativos.
Hoje, dentro do universo de renda fixa, recebo frequentemente duas perguntas:
1 – É uma boa hora para investir em IPCA+ de longo prazo?
A resposta você deve conhecer bem: sim, é uma boa hora.
Ressalto nossa humilde opinião de que não temos capacidade de prever o futuro. Portanto a taxa de hoje, que é excelente, pode voltar a ficar ainda melhor em uma nova rodada de piora das expectativas do mercado.
2 – Até que taxa é atrativo adquirir um IPCA+ de longo prazo?
Vamos analisar a partir daqui o histórico desses ativos para responder a essa pergunta.
É importante que você entenda que a dinâmica de um ativo de longo prazo vai mudando ao longo do tempo.
“Como assim?”
Por exemplo, em 2012, quando entrei no mercado financeiro, um título de longo prazo vencia em 2021. Hoje, já faz 4 anos de seu vencimento. O ponto é que um título que apresente uma dinâmica de longo prazo vence em 10 anos, porém, com o passar do tempo, ele vai se tornando um título de curto prazo.
“Como analisamos o histórico de títulos de longo prazo?”
Por sorte temos a NTN-B 2050, também conhecida como Tesouro IPCA+ 2050 que foi emitida no início de 2010, e que, mesmo passados 15 anos desde sua emissão, continua sendo considerado um ativo de longo prazo. Ou seja, podemos usar a sua taxa como uma proxy de como as taxas dos títulos IPCA+ de longo prazo no Brasil se comportaram desde 2010.
Vamos dar uma olhada no histórico como um todo e como estamos agora:
3Fonte: Finclass
Desde 2010 podemos ver que a taxa dos títulos IPCA+ de longo prazo no Brasil oscilou de maneira significativa.
Em seus piores momentos essa taxa ficou levemente acima de IPCA+ 7,50%, e em seus melhores momentos ficou levemente abaixo de IPCA+ 3,50%.
Atualmente, como destacado no gráfico, a taxa está em IPCA+ 6,96%. Claramente podemos ver que esse é um nível elevado, mas quero te mostrar o quão elevado é esse patamar.
A primeira coisa que vamos fazer para isso é incluir nesse mesmo gráfico a linha de taxa média em vermelho:
4Fonte: Finclass
A média histórica de todos os dias de negociação desse ativo é de IPCA+ 5,55%, significativamente acima do que está sendo negociado hoje. O que precisamos entender é que, se o país não passou por mudanças profundas nos últimos 15 anos, a tendência é que a taxa volte em algum momento a se aproximar desse IPCA+ 5,55% ao ano, o que seria mais próximo da sua taxa de “equilíbrio”.
Podemos entender desta maneira também: em momentos positivos é normal que as pessoas imaginem que o Brasil irá se tornar um país muito melhor, e a taxa caia para um patamar inferior a IPCA+ 5,55%. Em momentos negativos é normal também que as pessoas imaginem que o Brasil se tornará um país muito pior do que o que vivemos hoje, assim a taxa sobe para níveis bem superiores ao seu “equilíbrio”.
A verdade, como falamos brevemente, é que um país não muda de maneira drástica em um curto espaço de tempo, e o mais provável é que ele continue tão bom, ou tão ruim, quanto foi nos últimos 10 anos.
“Mas se ele continua similar por que suas taxas mudam tanto?”
Por conta das expectativas.
O que impacta os preços dos ativos em curto espaço de tempo não necessariamente são os fundamentos, mas sim as expectativas. Isso acontece com ações, mas também com títulos públicos.
Por exemplo: uma ação de uma empresa sobe fora da sua divulgação de resultados por qual motivo? Pela expectativa de que seus resultados cresçam no futuro.
O resultado das empresas é divulgado trimestralmente. Ou seja, em apenas 4 dias dos totais 252 dias úteis de um ano de negociação os investidores têm, de fato, informações novas sobre os resultados de uma empresa.
Isso significa que em apenas 4 dias do ano são tomadas decisões com base em resultados. No restante do tempo, uma grande parte das decisões é tomada com base em expectativas, tanto de melhora quanto de piora.
Para a renda fixa, as taxas dos títulos públicos IPCA+ e prefixados sobem com base no que se espera de elevação/redução da taxa de juros do país. O Banco Central só decide a taxa de juros básica a cada 45 dias, ou seja, nesses ínterins o que movimenta os mercados são as expectativas.
O que gera os grandes movimentos nas taxas dos títulos públicos são as expectativas de que um país pode ter taxas de juros muito baixas por um período longo, ou de que precisará ter juro alto por muito tempo.
Compreendido o que causa as oscilações de preços, vamos olhar o histórico de taxa da NTN-B 2050 e entender se a taxa atual de IPCA+ 6,96%, ou IPCA+ 7,03% no exato momento em que escrevo este relatório, é rara ou não.
Para isso montei uma tabela que mostra quantas vezes o ativo ficou em determinado nível de taxa:
5Fonte: Finclass
Se somarmos todos os dias úteis de negociação da NTN-B 2050, teremos 3.862 dias totais. A coluna “Taxa” mostra o patamar de taxa que estaremos analisando, a coluna “Observações” nos mostrará em quantos dias o ativo negociou acima da taxa da linha em questão e abaixo da linha superior, por exemplo. Quando analisamos a linha da taxa “IPCA+ 7,50%”, vemos que, do total de 3.862 dias de negociação, em apenas 27 dias a taxa ficou entre IPCA+ 7,50% e IPCA+ 8,00%, taxa da linha superior. A coluna “Participação” nos mostra o quanto isso representa do todo.
Vamos então pegar a taxa do dia de hoje, que está acima dos IPCA+ 7,00%, e podemos notar isso verificando as taxas dos títulos de longo prazo disponíveis hoje:
6Fonte: Tesouro Direto
Ao olhar na tabela, na linha IPCA+ 7,00% podemos verificar que em apenas 5,70% dos dias, ou seja, 220 dias de um total de 3.862, as taxas ficaram em patamar semelhante em mais de 15 anos de histórico de IPCA+ de longo prazo. Se somarmos esse percentual com o percentual acima de IPCA+ 7,50%, teremos um percentual de 6,40%. Ou seja, apenas em 6,40% dos dias desde que esse título foi lançado tivemos uma taxa tão boa quanto essa.
Para sabermos se isso é atrativo, imagine que todas as compras que realizar daqui para a frente, seja no mercado ou na sua vida no geral, sejam feitas nos 6% melhores preços da história.
Acha que você economizaria ou ganharia muito dinheiro?
A minha opinião é que sim.
Se considerarmos que você comprou a NTN-B 2050 todos os dias em que a taxa ficou acima de IPCA+ 7,00% e carregou esse aporte por pelo menos 12 meses, o seu retorno médio em um ano seria de 40%, o que é muito elevado. No melhor dos casos, você teria um retorno de 50%.
Mas o benefício não para por aí. No pior dos aportes a uma taxa superior a IPCA+ 7,00%, você ainda obteria um retorno positivo de 23,12%, ficando com folga à frente do CDI.
Ou seja, não só o nível de taxa histórico está elevado, mas também os aportes simulados nesse nível nos mostram que se trata de uma taxa bem alta, com quem comprou e resgatou em 12 meses obtendo no mínimo 23% de retorno.
Claro que essa não é uma garantia de que, fazendo esse movimento, o retorno será certo, mas nos dá maior conforto de que a taxa está em um excelente nível.
Agora, vamos responder a outra pergunta:
Até que taxa temos esse conforto histórico, onde a história nos mostra que os ganhos são significativamente mais frequentes e relevantes do que as perdas?
Bom, vamos alterar a taxa de compra para níveis acima de IPCA+ 7% para níveis acima de IPCA+ 6,50%. O que os retornos médio, mínimo e máximo depois de 12 meses nos indicam?
Se você aportasse em uma NTN-B 2050 todos os dias em que sua taxa estava em um patamar de IPCA+ 6,50% ou superior e resgatasse todos seus aportes depois de um ano exatamente, o seu retorno médio seria de 33,24%, com o maior retorno sendo de 49,62% e o menor de 6,65%.
A assimetria ainda parece muito positiva. No melhor dos casos, você teria uma taxa de retorno muito alta e, no pior, ainda teria um retorno positivo.
Vamos agora reduzir a taxa de compra para IPCA+ 6%.
Como ficaria o cenário?
Um retorno médio dos aportes depois de um ano de 19,73% — um bom retorno, mas longe dos destaques anteriores. A melhor taxa continua sendo a de 49,62%, mas o pior aporte já começaria a entregar um resultado negativo, pequeno, mas ainda assim negativo.
O pior aporte com uma taxa acima de IPCA+ 6% para a NTN-B 2050 traria um retorno negativo de -5,43% em 12 meses.
Dos 986 dias analisados com taxa acima de IPCA+ 6%, apenas 29 trariam um resultado negativo depois de 12 meses, ou seja, em apenas 3% das observações.
Mas e se analisarmos pela ótica de perspectiva: se comprar um IPCA+ de longo prazo hoje, mais especificamente o Tesouro IPCA+ 2050, a uma determinada taxa e carregá-lo por um determinado período, quais os cenários de rentabilidade que eu tenho em diferentes taxas de marcação no futuro?
Também preparei essas contas para você. Mas em vez de usar apenas o prazo de um ano, vou trazer a perspectiva para carregar esse ativo também para 3 e 5 anos.
Taxa de compra de IPCA+ 7,50%
7Fonte: Finclass
Veja que, se você adquirir o Tesouro IPCA+ 2050 a uma taxa de IPCA+ 7,50% a.a., o único cenário para que você perca dinheiro em um ano é com as taxas indo para IPCA+ 8,50% ou acima; do contrário, o retorno é positivo.
Para prazos maiores, os de 3 e 5 anos, todos os cenários indicam retorno positivo, mesmo naqueles em que a taxa suba para níveis nunca antes vistos, como IPCA+ 9%.
Por isso digo, taxa de IPCA+ 7,50% é um “no-brainer”, ou seja, não pense, apenas compre.
Mas vamos para os níveis atuais, mais perto de IPCA+ 7,10%:
Taxa de compra de IPCA+ 7,10%
8Fonte: Finclass
Com a taxa atual de IPCA+ 7,10%, para o cenário de 1 ano você perde dinheiro se a taxa for para IPCA+ 8% — o que pode parecer ruim, mas vale lembrar que a taxa nunca chegou a esse patamar.
Para prazos de 3 e 5 anos, a perspectiva é positiva mesmo com a taxa indo a IPCA+ 9%, patamar do qual os títulos IPCA+ de longo prazo nunca se aproximaram.
Taxa de compra de IPCA+ 6,50%
9Fonte: Finclass
Para o cenário de compra a IPCA+ 6,50%, começamos a ter uma rentabilidade negativa em 3 anos, porém somente se a taxa for para IPCA+ 9%. Mas vale destacar que o tombo é grande caso o movimento aconteça no prazo de um ano (um movimento tão relevante é improvável de acontecer em um ano, porém é importante eu deixar isso claro para você).
Taxa de compra de IPCA+ 6,00%
10Fonte: Finclass
Para a compra em IPCA+ 6% a.a., mesmo os cenários para o prazo de 3 anos ainda ficam com retorno negativo para taxas acima de IPCA +8%. De novo, é uma taxa que não observamos ainda, porém lembro que temos eleição no ano que vem, e uma boa parte dos momentos de estresse para os IPCA+ de longo prazo foi vivenciada justamente nos meses pré e pós-eleições presidenciais.
Conclusão:
Analisando o que o passado nos diz com relação a um bom nível para adquirir ativos IPCA+ de longo prazo e as perspectivas para esses títulos com diferentes níveis de taxas de aquisição, podemos concluir:
Em condições normais (sem um período eleitoral à frente, por exemplo), aportar em IPCA+ de longo prazo com uma taxa superior a IPCA+ 6% parece fazer muito sentido.
Porém com eleições presidenciais no radar dos próximos meses, prefiro recomendar, para sua maior segurança, que faça aportes nos níveis de taxa de pelo menos IPCA+ 6,50% a.a.
Abraços,
Guilherme Cadonhotto
Sobre os analistas
Guilherme Cadonhotto
Sócio
Além de Estrategista da Finclass, Guilherme Cadonhotto é reconhecido como um grande especialista em Renda Fixa. Bacharel em Economia pela FGV e pela Nova School of Business and Economics, além de ter mais de 10 anos na gestão de fundos de investimento de Renda Fixa, Crédito Privado e Multimercado, hoje ele ensina seus alunos e seguidores como conseguir, investindo em renda fixa, rendimentos tão grandes (ou até maiores) que os das ações.