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Lojas Quero-Quero, a nova Integrante da Carteira de Valorização!

Escrito por Varos Brasil em AÇÕES

6 min de leitura
LJQQ3

Aviso Legal: O documento subsequente é uma produção da Varos, uma casa de análise devidamente habilitada junto à Associação dos Profissionais de Investimento no Mercado de Capitais (APIMEC).

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O mês de abril foi bem complicado para a bolsa brasileira e os mercados globais. Porém, enquanto uns choram, nós vendemos lenços. Quando os canhões soam, é o momento de aproveitar novas oportunidades. Pois bem, chegou uma vinda diretamente do sul do Brasil para a nossa CARTEIRA DE VALORIZAÇÃO.

Hoje vamos te apresentar a mais nova adição: as Lojas Quero-Quero.

Lojas Quero-Quero (LJQQ3)

A Lojas Quero-Quero nasceu em 1967 em uma pequena cidade com cerca de 14 mil habitantes: Santo Cristo. Como a Quero-Quero foi fundada no interior “raiz” do Rio Grande do Sul, ela tem uma dinâmica diferente das lojas da cidade grande. O foco é o relacionamento com os clientes.

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Nessas cidades, todo mundo se conhece. Logo, para dar certo, a Quero-Quero tem que ter uma proximidade muito maior com os clientes, chegando ao nível de amizade. É uma dinâmica bem diferente encontrada em grandes cidades, em que, muitas vezes, as pessoas nem se cumprimentam.

Conforme os anos passaram, a loja começou a se aventurar por novos produtos e vender materiais de construção, eletrodomésticos e móveis, que são o carro-chefe da empresa atualmente.

A receita que combinava materiais de construção, itens de casa e um relacionamento quase íntimo com os clientes se mostrou um sucesso. Então, a partir de 1980, as lojas começaram a se espalhar pelo Rio Grande do Sul, mas a essência da Quero-Quero foi mantida. Dá para ver isso pelos alvos da expansão, que sempre foram pequenas cidades como a terra natal da empresa. Podem chamá-la de “Leroy do interior” ou de “Havan da construção”.

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Entre 1990 e 2007, a empresa conseguiu expandir organicamente num bom ritmo, com uma média de cinco aberturas de novas lojas por ano. Em 2007, ela deu um salto, fechando o ano com mais 37 lojas. Dessas lojas, 32 foram compradas da Lojas Fischer.

Hoje, são 552 lojas espalhadas por Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, e agora a empresa está dando as caras em São Paulo e Mato Grosso do Sul, sendo que mais de 80% dessas unidades ficam em cidades com menos de 100 mil habitantes.

As vendas em todas as suas lojas geraram para a Quero-Quero uma receita líquida de R$ 1,65 bilhão em 2023, o que representou 68,9% do total.

Pode parecer muito, mas ainda é pouco para a Quero-Quero. De acordo com a própria empresa, nessas cidades onde atua, ela tem apenas 7% do market share, ou seja, possui muito espaço para crescer. Sabendo disso, ela já mapeou 916 locais com potencial para receber uma nova loja. Tendo esses alvos, o objetivo é abrir aproximadamente 70 unidades por ano.

Além disso, a empresa também oferece crédito por meio do VerdeCard, que foi criado em 1997. Hoje, a VerdeCard possui mais de 3,6 milhões de cartões emitidos, R$ 1,65 bilhão na carteira e também oferece diversos outros serviços financeiros, como conta digital, empréstimo pessoal e seguros. Esses seguros são oferecidos por uma corretora própria da Quero-Quero, a Sentinela dos Pampas.

Tudo isso garantiu à Quero-Quero uma receita líquida de R$ 745,7 milhões em 2023, o que representa 31,1% do total. Somando a venda das lojas e a VerdeCard, a Quero-Quero teve, em 2023, uma receita de R$ 2,4 bilhões.

A grande estratégia da Quero-Quero é ficar no “mercado de formiguinha”. Enquanto esses maiores concorrentes têm 90% das lojas em cidades com mais de 100 mil habitantes, a Quero-Quero tem 86,17% em localidades com população menor que essa.

Dessa forma, tendo o tamanho que a Quero-Quero possui, é como se ela jogasse no “modo easy”. Seus principais concorrentes são lojinhas locais e estabelecimentos informais. Acaba que ela tem os melhores produtos, preços e as melhores lojas nas regiões onde ela entra. Ao todo, são mais de 25 mil SKUs (É como se fosse uma espécie de CPF para cada produto) oferecidos pela Quero-Quero.

Por falar em lojas, a Quero-Quero tem que se adaptar a cada cidade de acordo com a sua população. Pra isso, ela conta atualmente com 4 modelos de loja:

●     Tradicional: A loja tradicional, como o próprio nome sugere, é a classificação das lojas que ainda não foram reformadas e não se enquadram nos modelos “Mais Construção”. Resumidamente, é um modelo ultrapassado que não vai durar muito tempo. Estão convertendo todas elas no novo modelo;

●     Mais Construção: O modelo surgiu em 2013 e conta com uma maior variedade de produtos, maior flexibilidade com métodos de pagamento, sistema de venda “Pegue e Leve” e conta com o auxílio de uma frota própria pra garantir maior eficiência na logística. Essas lojas têm de 500 m² a 600 m² e ficam em cidades menores, de até 20 mil habitantes. Nessas cidades, a Quero-Quero não tem nenhum concorrente de peso e atua com apenas uma loja;

●     Mais Construção II: É a evolução do modelo. A loja é maior e tem um mix de produtos ainda mais diversificado, com foco em pisos e acabamentos. Além disso, ainda conta com um serviço de projetista de ambientes. Essas lojas têm de 750 m² a 800 m² e ficam em cidades um pouco maiores, com algo em torno de 50 mil habitantes. Nessas cidades, a Quero-Quero chega a ter 5 a 6 redes concorrentes e atua com mais lojas. Para ficar mais fácil, é o modelo da imagem do início deste relatório;

●     Mais Construção III: Atualmente é o nível mais elevado do modelo. Ele surgiu em 2019 e é o modelo mais completo em relação ao mix de produtos e experiência do cliente. Nesse modelo, a loja tem foco em tintas, revestimentos e acabamentos. Essas lojas ficam em cidades maiores e chegam a ter 1,2 mil m². Além disso, o sortimento de produtos é ainda maior e conta com produtos que também atendem a classe A.

Todas essas lojas se concentram na região Sul do país. Mas se você está achando que ela já tem muitas lojas, saiba que isso não é nem a metade do que a Quero-Quero pode ter. Como elas focam em cidades menores, ainda tem bastante espaço pra explorar pelo sul do país, mas uma hora vai chegar no limite. A empresa já sente que está chegando lá. Ela mapeou mais 512 cidades que podem receber pelo menos uma loja. Dessas lojas, 294 ficam em São Paulo.

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O difícil ela já fez. A empresa já aprendeu como funciona a dinâmica desse mercado e agora só precisa replicar o modelo. Para ter certeza que entenderam mesmo, é só olhar para o ROIC (retorno sobre capital investido) da empresa. Antes de começarem a abrir 70 lojas por ano, ele chegava a mais de 35%. Agora, com a abertura, ele caiu para pouco mais de 13%, mas essas novas lojas levam um tempo para amadurecer e gerar toda a receita que elas têm em potencial. As lojas da Quero-Quero levam, em média, 7 anos para se tornarem “maduras”. Além disso, o payback (o tempo que leva para se recuperar o dinheiro investido) delas é de 28 meses.

Além disso, diferente de muitas varejistas com financeira, a Quero-Quero não teve um aumento tão grande da inadimplência e, consequentemente, seu PDD não foi prejudicado.

O que vem prejudicando a empresa é o custo de funding da Verdecard, que aumentou por conta dos juros e jogou a Margem Bruta para a casa dos 34%, em 2023, sendo que a média histórica é na casa dos 38%.

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Em nosso modelo, projetamos separadamente, até 2028, o Lucro Bruto de Mercadorias e de Serviços Financeiros. Para chegar no Lucro Bruto de Mercadorias, projetamos que a margem bruta do 1T24, de 23,7% da Receita Bruta (RB), será mantida. A empresa tem o objetivo de manter a margem nesse nível.

Em paralelo, para a Margem Bruta de serviços financeiros, fizemos uma regressão linear entre a Selic anual média e a margem bruta. Dessa forma, projetamos uma margem que vai acompanhar a expectativa para os juros futuros.

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Com essas projeções, chegamos a uma Margem Bruta, que sai de 37,5% esse ano de 2024 e termina em 35,6% na perpetuidade.

Com todas as nossas projeções, que são sabidamente conservadoras, chegamos num preço justo de R$ 6,64 e um preço teto de R$ 6,34. Tendo como base o fechamento do dia 30/04/24, a LJQQ3 teria um upside potencial de pouco mais de 50%. Por isso, estamos incluindo em nossa CARTEIRA DE VALORIZAÇÃO e recomendando a COMPRA do papel.

Com o tempo, vamos falando mais sobre a Quero-Quero no Circle, então fiquem ligados!

E como ficam as ações recomendadas?

Como a LJQQ3 é uma adição à nossa carteira, agora temos 9 ações recomendadas, sendo 8 como COMPRAR e 1 como MANTER. Por conta da adição os pesos mudaram e, para Carteiras de Valorização com patrimônio TOTAL maiores ou igual a R$ 50 mil, cada ação representará 1,667%, somando um total de 15% de ações em seu portfólio.

Para Carteiras de Valorização com patrimônio TOTAL menor que R$ 50 mil, as recomendações permanecem inalteradas.

Para facilitar, basta conferir como ficam as novas distribuições após a atualização na tabela abaixo:

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No fim das contas, os pesos devem ser redistribuídos igualmente. O rebalanceamento fica ao critério de cada um, seja por aplicando uma quantia que iguale as outras, seja vendendo parte de outras para alocar em LJQQ3. A recomendação é de pesos iguais.

Mais uma vez, contém conosco!

Abraços,

Time VAROS.

Sobre os analistas

Varos Brasil

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Varos é uma casa de análise credenciada pela APIMEC, e liderada pelo Leandro Siqueira, especialista em ações e Valuation.