Muitas pessoas associam ETFs a uma gestão "passiva" e, por isso, acreditam que não são boas opções. No entanto, quando um ETF segue um índice bem estruturado, ele pode ser uma excelente alternativa para compor a carteira.
Mais uma opção de prefixado de curto prazo: IDKA11
Escrito por Guilherme Cadonhotto em RENDA FIXA
Neste relatório, você encontrará:
O IDKA11 chega como uma opção para complementar o FIXA11, que já entrega alta consistência e baixa volatilidade na busca por superar o CDI. Essa nova peça aprimora ainda mais a dinâmica dos prefixados.
Um pouco sobre a origem do IDKA11, produto criado pelo Itaú, referência em ETFs no Brasil, o IDKA11 foi pensado para oferecer um ETF de prefixados de curto prazo, com vencimento médio de três anos e uma atualização mensal da carteira, ao invés de a cada seis meses.
Apesar do nome, o IDKA11 não replica o IDkA Pré de três anos, mas sim o IRF-M P3, que mantém o vencimento médio da carteira em três anos e realiza rebalanceamento mensal.
No dia 6 de junho de 2024, participei de um evento como convidado palestrante no Itaú BBA, a semana dos ETFs 2024.
Os ETFs, se você não sabe, são fundos de investimento passivos. Calma, não significa que seu dinheiro não vai trabalhar enquanto você dorme; não é isso, mas esse fundo de investimento não tem como objetivo superar um determinado índice, mas, sim, replicá-lo.
Talvez você já tenha pensado: “Que porcaria, eu quero um fundo de investimento que supere os índices de referência.”
É um pensamento simplista. Com o avanço dos ETFs, existem os provedores de índices, que podem ser associações, como a Anbima ou a Investo, que é uma empresa.
Seus respectivos trabalhos nessa área são encontrar ativos que podem se tornar índices extremamente eficientes em superar os principais investimentos do Brasil de maneira passiva; ou seja, apenas mantendo os ativos em questão em carteira e rebalanceando o índice quando necessário.
Costumo dizer que um ETF tem um trabalho ativo também, porém ele vem antes da criação do fundo. Ao encontrar um índice que queira se replicar, solicitar a criação do índice junto à Anbima, Investo ou outra provedora do índice, para, depois, criá-lo. Já nos fundos de investimentos comuns, o trabalho ativo vem depois.
Normalmente, se escolhem índices comuns para replicar, como CDI ou IBOVESPA, e a seleção de ativos vai tentar diferenciá-los dos demais, superando-os - de preferência, com uma larga margem de vantagem.
Se um índice de um ETF é bom, provavelmente o ETF também vai ser.
Agora que falei um pouco mais sobre ETFs, vamos voltar ao evento do Itaú.
Depois da minha participação, o apresentador do evento, o Caíque, um dos responsáveis pelos ETFs do Itaú, me perguntou sobre os ETFs que eu gostaria de ver no Brasil em um futuro próximo; eu respondi:
“IPCA+ de longuíssimo prazo e prefixado de curto prazo.”
A ideia é simples.
Para os IPCA+ de longo prazo, poderíamos ter um produto listado em bolsa, com negociação ininterrupta, pagando 15% de Imposto de Renda em qualquer prazo de resgate. Lembrando que, no título público, a alíquota parte de 22,5% e cai para 15% apenas depois de dois anos.
Para os prefixados de curto prazo, a ideia era outra. Eu gostaria de ter outro produto, com consistência muito alta e um risco (volatilidade) baixo, para superar o CDI. Desse modo, esse produto faria uma dupla boa com o B5P211, o ETF de títulos públicos indexados à inflação de curto prazo.
Dependendo do momento de mercado, a exposição maior poderia estar no ETF de prefixados de curto prazo, no indexado à inflação de curto prazo ou no indexado à inflação de longo prazo.
Talvez, você se pergunte: “O FIXA11 e o IRFM11 não cumprem esse papel?”
Sim, eles cumprem, mas havia espaço para um “aprimoramento” de ambos.
No IRFM11, o índice em questão é o IRF-M P2, que busca manter um prazo mínimo de dois anos, mas sempre muito perto disso.
Ao estudarmos os índices mais consistentes, o prazo médio de três anos parece ser a melhor opção. O FIXA11, por exemplo, tem como índice de referência o S&P/BM&F Índice de Futuros de Taxa de Juros – DI 3 anos, muito parecido com o “IDkA” há três anos, por isso até então ele era a nossa principal recomendação de prefixados de curto prazo.
Apesar de ter como índice de referência o “S&P/BM&F Índice de Futuros de Taxa de Juros – DI 3 anos, que tem um prazo médio de 3 anos, tanto o índice quanto o FIXA11 faz um rebalanceamento da sua carteira a cada seis meses; ou seja, ao longo desse período, a sua “duration”, que nada mais é do que a sensibilidade da sua carteira com relação à oscilação da sua taxa de juros, vai caindo.
Sendo assim, havia espaço para um ETF de títulos prefixados de curto prazo, com vencimento em três anos e rebalanceamento mais frequente.
O Itaú, hoje a casa mais forte em termos de ETF no Brasil, buscou, então, resolver isso; criou também um ETF de prefixados de curto prazo, com vencimento médio da carteira perto de três anos, mas com uma atualização mensal de sua carteira, e não a cada seis meses.
Assim, nasceu o IDKA11.
IDKA11
Fonte: Itaú Asset
Apesar do nome, o índice, em questão, que ele segue não é o IDKA pré de três anos, mas, sim, o IRF-M P3, que busca manter o vencimento médio em três anos e tem um rebalanceamento mensal da sua carteira.
O ETF é relativamente bem novo; na página do Itaú, ao clicar em performance, você verá que consegue consultar o histórico a partir de fevereiro.
“Não tem medo de entrar em um produto tão novo?”
A análise de um ETF é diferente da análise de um fundo de investimento ativo, com uma equipe multidisciplinar pronta para superar o seu respectivo benchmark.
No caso dos fundos, é interessante que a equipe já esteja rodando há algum tempo junta, que o time mostre o mínimo de consistência possível em superar o benchmark, que o retorno agregado mais do que supere os custos do fundo, que o time de gestão seja sólido e bem remunerado, para não haver rotatividade - o que colocaria, eventualmente, a consistência em risco.
Falei sobre poucos pontos, mas há vários outros a se analisar.
No caso do ETF, ainda há mais de uma casa que já faz a gestão de vários outros produtos; a análise é mais simples:
Do índice: O índice supera o CDI com consistência em janelas de médio prazo? A consistência aumenta em janelas cada vez maiores? Apresenta uma boa relação risco x retorno? Qual o maior drawndown (queda)? Quanto tempo para se recuperar do maior drawdown (queda)?
Essas perguntas, e algumas outras, vão ter dar uma boa ideia se ele é um bom índice ou não; mas também precisamos avaliar o time de gestão do fundo:
Da gestão: A equipe já faz gestão de algum outro ETF? Se sim, esses ETFs apresentaram uma boa aderência ao índice, ou seja, sempre andaram colados à rentabilidade do seu índice de referência? Se não, é melhor esperar antes de entrar em um novo ETF. As informações passadas pela gestora são realizadas de maneira transparente?
No caso do Itaú, o time a fazer a gestão desse novo ETF será o mesmo que realiza a gestão de outros ETFs da casa, e que o faz de maneira exemplar, com uma transparência relevante.
A transparência para os cotistas é boa. Gostamos de saber qual índice o ETF replica, qual sua aderência, volatilidade e todas as outras informações relevantes do ETF, em um único lugar; isso, o Itaú faz muito bem com todos os seus ETFs.
A página do IDKA11 inclusive é essa: https://www.itnow.com.br/idka11/
Inclusive, essa é uma vantagem do IDKA11 com relação ao FIXA11, sua transparência e acesso à informação.
É difícil encontrar informações do FIXA11; a gestora não disponibiliza em uma única página as informações do ETF e, muito menos, de maneira tão acessível quanto o time do Itaú faz.
Vamos, então, analisar a consistência do índice IRF-M P3, IDKA11, contra o índice IRF-M, formado por títulos públicos prefixados de todos os vencimentos?
Fonte: Itaú Asset
O gráfico e o dado acima mostram que, se você adquirisse o IRF-M P3 em qualquer momento desde sua recente criação, e o carregasse por 12 meses, 73% das vezes ele superaria o IRF-M.
Mas o melhor é que essa consistência aumenta, conforme você segura ainda mais o investimento:
Fonte: IT now
Essa consistência sobe para 88% em janelas de 24 meses - o que é excepcional. Não conseguiremos alongar mais o estudo devido ao curto tempo de vida do IRF-M P3, porém, como vimos anteriormente, sabemos que o IRF-M P3 e o IDKA pré de 3 anos são muito parecidos. Então, vamos dar uma olhada na consistência do IDKA pré de 3 anos contra o IRF-M, em janelas maiores de tempo:
Performance 36 meses – IDKA vs IRF-M
71% das vezes o IDKA pré de 3 anos teve performance superior ao IRF-M. (Isso desde 2006)
Fonte: Quantum
Mas, e contra o CDI, qual a consistência do IDKA pré de 3 anos em superá-lo em janelas de 24 e 36 meses?
Performance 24 meses – IDKA vs CDI
66,77% das vezes o IDKA pré de 3 anos teve performance superior ao CDI. (Isso desde 2006)
Fonte: Quantum
Uma consistência bem elevada contra o principal - e um dos mais rentáveis índices do mercado brasileiro, diga-se de passagem.
Performance 36 meses – IDKA vs CDI
72,72% das vezes o IDKA pré de 3 anos teve performance superior ao CDI. (Isso desde 2006)
Retorno médio IDKA em janelas de 3 anos: 41,13%
Retorno médio CDI em janelas de 3 anos: 31,73%
Fonte: Quantum
Mesmo se verificarmos a consistência do IRF-M P3 contra o IRF-M ou a do IDKA pré de 3 anos, como uma proxy do IRF-M P3, contra o CDI, vamos verificar que estar posicionado em prefixados com prazo médio de vencimento de 3 anos parece ser uma boa.
Agora, vamos analisar a duration do IRF-M P3 ao longo do tempo, assim como sua volatilidade:
Fonte: IT Now
No gráfico da esquerda, podemos ver que a duration se mantém sempre muito próxima a 3 anos, enquanto a do IRF-M tem uma média de duration abaixo de 2 anos. Isso, claro, se traduz em maior volatilidade, representada pela linha laranja no gráfico da direita.
Agora, nos gráficos abaixo, podemos ver o quão atrativo o patamar dos prefixados de 3 anos está hoje:
Fonte: IT Now
No gráfico da esquerda, podemos ver o histórico da taxa do título público prefixado de 3 anos, enquanto a linha azul mostra o patamar atual da mesma taxa. Notoriamente, estamos em um patamar interessante, se observarmos o histórico dos últimos 10 anos, com um momento pontual tendo superado o patamar atual, pouco antes do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff; o momento ficou conhecido pelo nome de“Dominância Fiscal”, quando a incerteza fiscal estava extremamente elevada.
Na tabela da direita, isso fica mais claro.
Nos últimos 10 anos, apenas 8% dos dias as taxas estavam em um patamar superior ao atual.
O momento parece ser propício, o que corrobora a visão apresentada no relatório anterior sobre a atratividade dos prefixados de curto prazo.
E o custo?
A taxa de administração do ETF é de 0,25% ao ano. Levemente maior do que a do IRFM11 (0,20% a.a.); produto que segue outro índice, também gerido pelo Itaú, porém é inferior à nossa atual opção de prefixado de curto prazo, o FIXA11, que tem uma taxa de administração de 0,30% a.a..
Fonte: Finclass
Liquidez
A liquidez desse produto ainda é baixa; são poucos negócios realizados desde que ele estreou na Bolsa, porém, para um ETF, a liquidez de tela não é a única a ser observada.
O market maker, ou formador de mercado, que nesse caso é o Santander, tem um papel crucial nisso. Ele pode criar novas cotas do ETF, caso a demanda, ou a oferta, seja muito grande, mantendo o preço de tela alinhado com o preço justo dos títulos públicos prefixados que o compõem.
Para o Santander, comprar e vender títulos prefixados não é nada difícil; além do mais, em um eventual cenário de estresse, o hedge pelo formador de mercado poderia ser feito via derivativo, assim o Santander zeraria o seu risco direcional - ou seja, há a chance de perder dinheiro com marcação a mercado, enquanto dá liquidez para o ativo.
Conclusão
O IDKA11 é uma excelente alternativa para a exposição em prefixados de curto prazo, uma opção mais barata do que o FIXA11, com informações e time mais acessíveis. O braço do Itaú de ETF continua crescendo, criando novos produtos, e a estratégia de ETF deve ser um dos focos da gestora. Recomendar um bom produto, gerido por um time com resultados comprovados, comprometido com a excelência, um dos focos do negócio para o futuro, me dá tranquilidade.
O IDKA11 entra hoje como a nossa alocação principal de prefixados de curto prazo. Não se faz necessária, ao menos por enquanto, a troca do FIXA11 para o IDKA11. Porém, conforme o produto ganhe mais corpo e liquidez de tela, ele eventualmente será a nossa principal alocação de prefixados de curto prazo.
Isso significa que não precisa resgatar o que você tem hoje no FIXA11, ele continua sendo um excelente produto; porém, em nossa visão, atualmente, o IDKA11 é um produto um pouco melhor, o que justifica os novos aportes serem realizados nesta nova recomendação.
Abraços,
Guilherme Cadonhotto
Sobre os analistas
Guilherme Cadonhotto
Sócio
Além de Estrategista da Finclass, Guilherme Cadonhotto é reconhecido como um grande especialista em Renda Fixa. Bacharel em Economia pela FGV e pela Nova School of Business and Economics, além de ter mais de 10 anos na gestão de fundos de investimento de Renda Fixa, Crédito Privado e Multimercado, hoje ele ensina seus alunos e seguidores como conseguir, investindo em renda fixa, rendimentos tão grandes (ou até maiores) que os das ações.