Reforçamos o funcionamento da fatia internacional da carteira Finclass, destacando as diferenças conforme cada faixa de patrimônio, o tratamento específico dos fundos ativos e o papel estratégico do ouro.
Mapeamento da carteira global: saiba em detalhes no que você está investindo
Escrito por Felipe Arrais em INTERNACIONAL
Neste relatório, você encontrará:
Apresentamos informações detalhadas sobre os ativos WRLD11, ALUG11, USDB11 e BNDX11, assim como seus equivalentes no exterior, VT, VNQ, BND e BNDX, respectivamente, explicando a função de cada um na composição da carteira e aprofundando a análise de suas estruturas.
Foram destacados aspectos relevantes, que vão desde detalhes operacionais até as principais posições, divisão geográfica, qualidade de crédito e perfil de vencimento dos títulos que integram cada um desses fundos.
Por fim, discutimos possibilidades de ajustes e alternativas, avaliando o uso de outros ETFs com características semelhantes para otimização da sua carteira.
Neste relatório, vamos relembrar, aprofundar e esclarecer algumas questões sobre os ETFs recomendados em nossa carteira internacional.
No ano passado, nosso time elaborou uma série de relatórios de mapeamento, um para cada classe de fundos de investimento aprovados. Para a classe internacional, tínhamos feito algo similar com o relatório “A carteira internacional em detalhes: o que você deve saber sobre sua alocação internacional.”.
O foco do relatório destacado acima era mostrar a importância de investimentos internacionais em nossa carteira de valorização, discutir a questão entre investir diretamente no exterior ou daqui do Brasil, além de esclarecer qual o objetivo de performance da fatia internacional e como agregar fundos de gestão ativa (para quem tivesse essa intenção).
Entretanto, notamos recentemente um aumento no volume de perguntas em nossas lives, focadas em questões mais específicas sobre as peças que compõem a nossa carteira. Muitos assinantes demonstram dificuldades para entender no que já estão investindo ou, até mesmo, não sabem a qual classe de ativo cada ETF pertence.
Com isso posto, o relatório de hoje serve como um complemento importante do relatório elaborado no ano passado; justamente por isso recomendamos sua leitura prévia para maior entendimento dos fundamentos de nossa alocação internacional.
Se em algum momento, ao longo da leitura deste relatório, surgir uma dúvida relacionada - que não tenha sido tratada nele -, muito provavelmente essa questão estará respondida no relatório anterior. Caso não esteja, não hesite em trazer a questão para os debates de nossas Lives semanais ou na comunidade Circle.
Uma ótima leitura!
Observações iniciais
Antes de mergulharmos nos detalhes de cada peça contida na tabela, vamos passar por uma seção de avisos e recados importantes, que ajudarão no entendimento dos conceitos apresentados.
São temas primários, que devem estar internalizados para não termos dificuldade em absorver as informações sobre as peças internacionais que temos em carteira.
As diferentes faixas de patrimônio de nossa carteira internacional
Um primeiro destaque necessário é relembrar que nem todas as faixas de patrimônio possuem a recomendação dos mesmos ativos. Normalmente, isso tem relação com a acessibilidade, já que, com menos recursos disponíveis, fica mais difícil diversificar entre várias peças diferentes.
A tabela abaixo ilustra a diferença entre algumas faixas de patrimônios, atualmente, cobertas pela Finclass:
Fonte: Carteira de Valorização Finclass
Existe, portanto, uma diferença nas carteiras de maneira que, quanto maior o patrimônio, mais ativos “cabem” nessa carteira, sem que haja perda de eficiência.
Sobre essa diferença, deixamos duas observações importantes:
- Se você investe diretamente no exterior, provavelmente conseguirá ter mais peças antes de atingir uma faixa de patrimônio maior. Isso acontece, pois no exterior é permitida a compra fracionada de um ETF, de forma que, com pouco dinheiro, é possível comprar muitos ativos.
- Mesmo que você invista daqui, recomendamos que vá “namorando” as faixas de patrimônio que vêm na sequência. Dessa maneira, você se prepara para as alterações que virão e, muitas vezes, conseguirá já implementar a nova carteira um pouco antes de atingir o limite de patrimônio apresentado na tabela (Ex: se você tem R$ 25 mil, provavelmente já conseguirá montar a carteira de R$ 30 mil).
E os fundos ativos recomendados?
O relatório de hoje tem a intenção de falar dos ETFs, que em nosso tema internacional possuem grande protagonismo. São eles que estão recomendados na maior parte das faixas de patrimônio, deixando os fundos de gestão ativa apenas para quem seja investidor qualificado.
Apesar de a legislação ter avançado e permitido que muitos dos fundos que recomendamos possam alterar seus regulamentos para se tornarem mais acessíveis, o processo para que isso aconteça não é simples. Pelo contrário, leva em consideração diversas questões comerciais e de momento de mercado; o resultado tem sido uma grande lentidão para que os fundos se tornem mais acessíveis.
Por isso, pelo menos ainda, eles ficam restritos a carteiras de maior patrimônio. No relatório anterior, feito no ano passado e mencionado no início deste relatório, falamos bastante sobre os fundos - inclusive, trouxemos dicas de como utilizá-los na carteira.
Acreditamos que ele sirva, portanto, como um mapeamento dos fundos internacionais.
Não deixe de lê-lo, se quiser ter mais informações sobre o estilo de gestão de cada peça recomendada. Está em nosso cronograma trazer uma atualização de mercado dos fundos ativos recomendados, muito em breve.
Lembrando o papel do ouro
Outro lembrete importante é que o ouro, apesar de estar contido na fatia internacional, não faz parte oficial da composição da carteira. Ele está ali por trazer exposição cambial a moedas fortes (no caso, o dólar), assim como os ativos internacionais.
Mas a verdade é que ele não está presente apenas para proteger a carteira internacional, e sim, a carteira de valorização da Finclass como um todo.
Por isso, na prática, consideramos que nossa carteira de ativos internacionais representa 17% do todo, mantendo os 3% do ouro à parte, conforme ilustrado no diagrama a seguir:
Fonte: Finclass
*O gráfico acima representa a alocação da carteira Finclass na data de publicação deste relatório, podendo estar desatualizada a depender da data em que estiver lendo.
Fizemos um relatório completo explicando o papel do ouro em nossa carteira e recomendamos fortemente a leitura, caso você ainda não tenha feito. É só clicar aqui.
Equivalências importantes
Como mencionamos, este relatório não abordará a discussão se é melhor investir em ativos internacionais listados no Brasil ou diretamente lá fora. Temos outro relatório específico sobre o tema e, de maneira geral, julgamos que o mais importante é montarmos uma boa alocação, escolhendo as peças corretas para desempenhar cada função em nossa carteira.
Abaixo, traremos uma ilustração mostrando as equivalências entre os ativos, para que você compreenda do que estamos falando, independentemente se investe aqui, no Brasil, ou diretamente lá fora.
Fonte: Finclass
Ao discutir o VT, saiba que também estamos discutindo o WRLD11. Além disso, sabemos que existem outros ETFs no mercado que cumprem funções muito semelhantes aos que escolhemos retratar hoje.
Para nós, o mais importante é entendermos a exposição que cada ETF nos oferece - geralmente (salvo algumas exceções), outro ETF que siga um índice semelhante pode ser utilizado, sem muitas diferenças de performance.
De qualquer maneira, em cada seção, traremos algumas opções adicionais que você pode considerar se quiser.
Dividendos e proventos
O mercado brasileiro ainda está se acostumando com a chegada dos primeiros ETFs que pagam dividendos - coisa que já é comum lá fora, nos EUA. Na verdade, o padrão por lá é ter a distribuição.
Cada ETF tem uma periodicidade estipulada de acordo com a natureza dos ativos. Como títulos de renda fixa (bonds) costumam pagar cupons de juros e Reits tendem a distribuir proventos mensalmente, ETFs dessas categorias tendem a pagar dividendos mensalmente.
No caso dos ETFs de ações, a distribuição é trimestral.
Se você investe nos ETFs aqui, no Brasil, saiba que os dividendos estão sendo reinvestidos automaticamente. Agora, se você investe diretamente lá fora, terá que cuidar desse fluxo de pagamentos, reinvestindo com frequência se necessário.
Agora, prosseguiremos explicando cada peça contida em nossa carteira de ETFs, relembrando brevemente o papel que cada categoria deveria desempenhar.
O relatório de apoio, mencionado no início, aprofunda alguns debates, como a gestão ativa versus passiva e o papel de cada classe de ativo — temas que não serão abordados no relatório de hoje.
WRLD11: ações e seu papel de valorização
Nossa carteira internacional tem um viés claro para nações desenvolvidas. Isso, por conta da relevância do mercado de capitais nesses países, em comparação com mercados de menor expressão existentes em países emergentes.
Em nações desenvolvidas, tendemos a ter índices de inflação mais controlados e, consequentemente, taxas de juros mais baixas; o que promoveu o conceito embasado pelos livros de finanças, de que investidores são premiados por tomarem mais risco.
Em outras palavras, em países desenvolvidos, se você investe apenas em renda fixa, você tem ganhos pouco expressivos e, muitas vezes, até abaixo da inflação. Desse modo, a própria população é educada a tomar um pouco mais de risco para proteger seu poder aquisitivo ao longo do tempo.
Não à toa, que mais de 60% da população economicamente ativa dos Estados Unidos investe direta ou indiretamente em ações.
Por isso, esperamos que a classe de ações internacionais seja a grande promotora de ganhos de longo prazo, apresentando, também, um risco de oscilação de preço maior.
O que é o WRLD11?
Uma vez entendido (ou relembrado) o papel das ações em nossa carteira, vamos falar mais especificamente sobre o instrumento escolhido para representar a classe na carteira de valorização da Finclass.
O ETF WRDL11 é gerido pela gestora brasileira, chamada Investo; eles fazem algo muito simples: cruzam a fronteira e compram cotas de um ETF existente nos EUA, o Vanguard Total World Stock (VT).
Portanto, falar do WRDL11 é o mesmo que falar do VT, justamente, por isso, você verá o nome VT destacado, pois as informações produzidas pelas gestoras internacionais costumam ser mais detalhadas.
Você mesmo pode conferir, se desejar, acessando a página oficial do ETF VT.
Esse ETF é considerado de base neutra, isto é, ele não possui nenhuma inclinação em direção a um tema, fator, setor, etc. Ele investe conforme a relevância e liquidez das ações perante o mercado global.
Por isso, do tema mais macro ao mais micro, ele começa dando mais peso às geografias mais representativas - por isso, tem mais de 60% nos Estados Unidos atualmente. Dentro de cada geografia, ele dará mais peso aos principais setores daquela geografia e dentro de cada setor dará mais peso às empresas mais relevantes daquele segmento.
Costumamos dizer que ele entrega a fotografia da composição do mercado mundial de ações, além de nos dar uma grande diversificação e exposição geral ao mercado de ações, sem que tenhamos que fazer apostas específicas, escolhendo quais geografias serão as mais rentáveis em cada ano (o que é extremamente difícil de se fazer).
Composição geográfica
Abaixo, você poderá observar a composição geográfica do ETF representada em um gráfico de pizza:
Fonte: Vanguard e Finclass
Se preferir, pode ter a mesma visão em um formato de tabela.
Fonte: Vanguard e Finclass
Veja que ele não deixa de ter uma grande concentração no principal mercado acionário do mundo para se expor a oportunidades que existam em mercados alternativos.
Depois dos Estados Unidos, a Europa é o bloco mais relevante devido à concentração de nações desenvolvidas que possuem mercados relevantes, como a Alemanha, França e Reino Unido. Países menores, do leste europeu, por exemplo, também terão participação, mas em pequena medida.
Até mesmo o Brasil está representado neste ETF, mas com um tamanho extremamente inexpressivo de 0,5%, que é mais ou menos a representatividade do mercado acionário brasileiro frente ao global.
Sobre esses dados apresentados, vamos responder algumas perguntas frequentes em nossas lives e comunidade:
- Por que não temos ETFs de S&P 500 na carteira, como IVVB11 ou IVV?
Com o gráfico acima, as respostas ficam claras. Temos quase 65% de exposição na América do Norte, sendo que o Canadá é pouco representativo nessa fatia. Isso significa que é como se já tivéssemos um ETF de S&P 500 em nossa carteira, representando a maior parte de nossa alocação.
Portanto, o fato de não termos IVV não quer dizer que não tenhamos exposição às maiores empresas dos Estados Unidos.
- O fato de o ETF ter exposição a ações brasileiras não seria uma sobreposição com nossa carteira de ações da Finclass?
Conceitualmente, sim, seria uma sobreposição. Entretanto, se o Brasil representa 0,5% desse ETF, que, por sua vez, representa 8,5% da maior parte das faixas de patrimônio recomendadas, teríamos um acréscimo de peso de cerca de 0,04% no total - o que é um valor irrisório frente ao benefício de investir em outros tantos países, além do Brasil.
- Será que vale a pena nos expor a outras geografias mais exóticas, como a Índia ou até mesmo a China?
A boa notícia é que já estamos investindo nesses mercados, sem o risco da gestão ativa de precisar acertar ‘a bola da vez’ todos os anos. Se a Índia, por exemplo, apresentar um grande crescimento nessa nova ordem mundial e o mercado acionário acompanhar esse movimento, nós participaremos da valorização por termos exposição ao mercado indiano.
Na verdade, essa é uma grande vantagem em investir em ETFs neutros. Se olharmos há cerca de 20 anos, as maiores empresas dos Estados Unidos eram petroleiras e, hoje, são empresas de tecnologia.
Se, ao longo das últimas duas décadas, você tivesse investido nos Estados Unidos por meio de um ETF, sua exposição ao setor de tecnologia teria aumentado gradualmente com o passar dos anos, acompanhando o crescimento desse setor, enquanto, naturalmente, sua posição em empresas de petróleo teria diminuído.
Por falar nisso, vamos analisar as maiores posições na carteira do VT (WRLD11).
Maiores posições em carteira
Fonte: Vanguard e Finclass
Note que as maiores empresas em carteira são todas norte-americanas, coincidindo, também, com as maiores posições do S&P 500.
Embora essas sejam mais relevantes, saiba que o ETF VT investe em quase 10 mil empresas ao redor do mundo. Isso permite que você participe da alta das empresas mais relevantes do mundo sem abrir mão da exposição a outros tantos países e setores com potencial de crescimento no futuro.
Existem outras opções para usar no lugar do WRLD11?
Essa é uma pergunta recorrente que recebemos e, portanto, decidimos trazer uma seção de opções alternativas para cada um dos ETFs.
Mais importante do que entender o funcionamento do ETF que temos em carteira é entender o que queremos alcançar ao incluí-lo em nossa carteira.
No caso do WRLD11 (ou VT), queremos um ETF que nos dê exposição ao mercado acionário de todo o mundo, de acordo com a liquidez e a relevância das empresas - ou, como já mencionamos, um ETF de base neutra.
Portanto, se você tem algum outro ETF na carteira que cumpra essa mesma missão, teria pouca diferença em termos de resultado. Aqui no Brasil, por exemplo, temos o ACWI11, que compra o ETF ACWI no exterior e cumpre uma função muito semelhante à do WRDL11.
Nossa escolha pelo WRDL11 foi por uma taxa de administração consolidada (soma da taxa local com a taxa do ETF estrangeiro) mais baixa. Se os dois fazem praticamente a mesma coisa e temos uma opção um pouco mais barata, optamos por ela, mas deixando claro que a diferença é muito pequena.
Por essa lógica, entendemos que tanto o ACWI11 no Brasil quanto o ACWI no exterior, assim como outras versões semelhantes, que cumprem a mesma função, podem ser utilizados.
Isso vale também para nossos clientes que moram na Europa, onde podem encontrar (em corretoras locais) ETFs de acumulação que cumprem o mesmo papel, como o VWRP, da Vanguard, ou o SSAC, da Blackrock.
ALUG11: equilíbrio entre renda e valorização
Reits, acrônimo para Real Estate Investment Trust, são os primos gringos dos fundos imobiliários no Brasil. Eles são ativos de renda variável, mas possuem características particulares, que os diferenciam um pouco das ações listadas na Bolsa.
Uma das características é a distribuição de renda, que, pela legislação de Reits, exige 90% do lucro do Reit no ano. Essa composição entre pagamento de renda e possibilidade de ganho de capital pela valorização da cota traz uma diferenciação para nossa carteira em termos de comportamento.
Além disso, como o objetivo de nossa carteira global é bater uma carteira 60/40 (vide o que foi exposto no relatório mencionado), os Reits acabam sendo uma peça fundamental de diferenciação em relação ao benchmark que procuramos superar.
Há algum tempo, fizemos um relatório específico que explica melhor como essa classe funciona. Clique aqui para acessá-lo.
O que é o ALUG11?
O ALUG11, também gestora Investo, compra cotas de um ETF da Vanguard chamado Vanguard Real Estate ETF (VNQ). Portanto, assim como fizemos na seção anterior, traremos os dados referentes ao VNQ; e você pode acessar o site oficial do ETF, clicando aqui.
O ETF investe em Reits apenas dos Estados Unidos, dando mais peso aos que sejam mais relevantes em termos de tamanho e liquidez - ou seja, alocação de base neutra.
Uma pergunta muito comum é sobre a concentração nos Estados Unidos, que contrasta com a diversificação geográfica buscada em outras fatias da carteira. Sobre esse ponto, vale mencionar a questão da acessibilidade; nós, da Finclass, temos a diretriz de montar uma carteira que possa ser implementada tanto a partir do Brasil quanto diretamente no exterior.
Dessa maneira, inevitavelmente temos menos peças à disposição no Brasil do que no mercado internacional. Ainda não temos, no Brasil, um ETF que atue como o WRLD11 na fatia de ações - investindo no mundo todo, não só nos EUA.
Agora, será que isso é um problema, especialmente na categoria de Reits?
Enquanto o mercado acionário norte-americano como um todo representa aproximadamente 60% da capitalização de mercado global das ações, os Reits dos EUA representam cerca de 70% do mercado global de Reits. Isso indica que os Reits dos EUA têm uma representatividade ainda maior dentro de seu segmento específico, em comparação com o mercado acionário geral.
Por isso, não foi um problema para nós termos a concentração nos Estados Unidos. Mais adiante, falaremos de opções que podem ser utilizadas no lugar do ALUG11, caso você deseje perseguir uma diversificação ainda maior.
Composição geográfica e maiores posições em carteira
Abaixo, uma tabela que representa os maiores ativos em carteira do VNQ:
Fonte: Vanguard e Finclass
O primeiro ativo da lista não é um Reit em específico, e sim um fundo passivo de baixo custo da própria Vanguard, que segue a mesma lógica do índice e é utilizado por facilitar a gestão dos ativos para seguir mais de perto o índice referência - além de ajudar o fundo da casa a ter um patrimônio maior para diluir custos.
Ao todo, na carteira, são 158 Reits com tamanho médio de mercado de US$ 31 bilhões, o que mostra que muitos Reits seriam muito maiores que grandes empresas do nosso índice IBOVESPA no Brasil. Só para termos noção, empresas como Bradesco, BTG Pactual e Itaúsa têm capitalização de mercado em dólar menor que US$ 31 bilhões ou, se quisermos colocar em outra perspectiva, apenas seis empresas do nosso índice estariam acima dessa média de capitalização de mercado.
Se você investe no VNQ, receberá dividendos mensais que já pingam líquidos de imposto em sua conta de investimentos internacionais. Agora, se investe pelo ALUG11, os dividendos já estão sendo reinvestidos automaticamente.
Em termos setoriais, ele é bastante diversificado, conforme a tabela abaixo:
Fonte: Vanguard e Finclass
Novamente, vale lembrar que os setores não são escolhidos de maneira discricionária por algum gestor que vê potencial neles, mas sim uma consequência do tamanho daquele setor no mercado de Reits dos EUA. Atualmente, os maiores setores são Saúde, Varejo e Telecomunicações.
Uma curiosidade que representa um dos motivos de usarmos ETFs neutros é o rápido aumento de relevância do setor de Data Centers nos EUA.
Essa tendência acelerada por questões ligadas à tecnologia, computação em nuvem e inteligência artificial, catapultou o investimento nesse segmento e trouxe grande valorização para os Reits do setor, de forma que hoje ele já esteja entre os cinco setores mais relevantes.
Existem outras opções para usar no lugar do ALUG11?
Existem diversas possibilidades para se obter uma boa alocação em Reits. O ALUG11 aqui, do Brasil, talvez seja o melhor custo-benefício entre resultado e conveniência; mas você pode se inspirar em algumas das opções que traremos a seguir:
- Aqui mesmo, no Brasil, existe um ETF que faz a mesma função do ALUG11, com resultados semelhantes: o URET11, da XP Investimentos.
- Nos EUA, você pode usar o ETF REET se quiser ter exposição ao mercado internacional de Reits (não só EUA) com um único ETF. Ele distribui o peso em uma proporção de aproximadamente 70/30 entre Estados Unidos e o restante do mundo.
- Você ainda pode usar uma combinação de dois ETFs, mantendo o VNQ como representante da fatia dos Estados Unidos e comprando, ao lado dele, o VNQI, que oferecerá exposição internacional, não tendo nada nos Estados Unidos. Uma composição de 70/30 entre VNQ e VNQI, respectivamente, pode funcionar muito bem.
- E, para nossos assinantes europeus, opções como iShares US Property Yield UCITS ETF ou o iShares Developed Markets Property Yield UCITS ETF podem ser utilizadas. Só vale a observação de que ETFs europeus costumam ter duas versões: uma de acumulação, que reinveste os dividendos automaticamente, e outra de distribuição, que paga os dividendos. Cada uma das versões terá um ticker diferente.
Por isso, você tem graus de liberdade em escolher se quer concentrar nos Estados Unidos, se quer trazer mais diversificação ou, no caso de quem queira comprar ETFs listados na Europa, escolher entre distribuição de renda ou reinvestimento automático.
USDB11: redução de risco e melhora de eficiência
Recentemente, fizemos um relatório que encerrou as teses de High Yield e crédito corporativo Investment Grade em nossas carteiras. Além de detalhar o racional do movimento, aproveitamos para relembrar o papel da renda fixa internacional em nossa carteira.
Por isso, para aprofundar no tema “motivação” - afinal, é uma questão recorrente, já que aqui, no Brasil, temos uma renda fixa muito atrativa - recomendamos que leia o relatório em questão.
De maneira resumida, a renda fixa internacional de alta qualidade, principalmente quando falamos de títulos públicos, é uma classe de ativos com retorno esperado positivo no futuro (afinal, trata-se de uma dívida que é paga com juros em uma data futura), mas que tem correlação negativa com ativos de risco.
Isso significa que, em média, quando as ações estão passando por maiores incertezas, a renda fixa recebe grande fluxo de aportes de investidores procurando abrigo em um “porto seguro”. Esse comportamento de correlação negativa com retorno esperado positivo traz uma grande redução de volatilidade em nossa carteira, o que nos permite permanecer no jogo por mais tempo.
Muitos investidores olham para os vultuosos retornos de longo prazo entregues pelas ações e ficam inclinados a concentrar seus patrimônios, sem se atentar ao fato de que os grandes retornos históricos não aconteceram em linha reta.
Para que um índice vitorioso, como o S&P 500, tenha entregado esse retorno médio anual atrativo, precisou passar por grandes quedas no meio do caminho - uedas essas muitas vezes superiores a 40-50% ou mais.
Ao almejar ganhar dinheiro, muitas vezes nos julgamos mais arrojados do que realmente somos, mas é somente quando estamos perdendo dinheiro em grandes magnitudes que sentimos a real dor e percebemos que não somos tão arrojados assim.
Por isso, preferimos construir uma jornada mais suave, que preserve boa parte dos retornos potenciais da renda variável, mas com menos risco. Esse é o papel da renda fixa internacional em nossas carteiras.
O que é o USDB11?
O USDB11 é o ETF da Investo que investe no Vanguard Total Bond Market ETF (BND). Ele oferece uma exposição generalizada em mais de 11.344 bonds norte-americanos de alta qualidade.
Quando falamos de renda fixa, geralmente temos uma assimetria no sentido de que, em caso de calote, o ativo potencialmente pode valer zero, mas os ganhos são, de certa forma, limitados às taxas contratadas na emissão. Por isso, é muito importante ter diversificação e tomar cuidado com a qualidade do crédito.
Este ETF investe apenas nos Estados Unidos e tem um peso maior em nossa carteira Finclass em relação ao BNDX11 (que falaremos a seguir), justamente por isso. Os Estados Unidos têm, atualmente, a maior economia do mundo e, mesmo que estejam enfrentando desafios fiscais importantes, seus títulos públicos ainda têm status de “safe heavens” - ou ativos seguros - nos quais os investidores costumam se proteger, além de serem comprados pela maior parte dos Bancos Centrais do mundo como uma espécie de reserva de valor.
Você pode acessar o site oficial do BND, se assim desejar.
Vale lembrar a política de reinvestimento desses dividendos listados no Brasil. Por mais que o BND distribua proventos mensalmente, o USDB11 os reinveste automaticamente.
Qualidade e tipo de crédito
Um pouco menos de 70% desse ETF está alocado em títulos públicos ou títulos que possuam garantia federal, o que nos leva a estar falando de um dos menores riscos de crédito do mundo.
Já os 30% restantes investem em dívidas corporativas emitidas por empresas de alta qualidade (rating de crédito mais elevado, em sua maioria Investment Grade).
Fonte: Vanguard e Finclass
Se segmentarmos os títulos investidos por setores da economia, conseguimos ver certa diversificação, mas mantendo o maior peso na espera pública:
Fonte: Vanguard e Finclass
Agora, um ponto relevante para relembrarmos é que, na renda fixa, não existe apenas o risco de crédito (risco de calote). Existe também o risco de mercado, que se dá pela mudança de preço de um título diante das mudanças nas expectativas para os juros no futuro.
A maior parte dos títulos de renda fixa norte-americanos (bonds) são emitidos em caráter prefixado, o que tende a agravar a sensibilidade de preços dos ativos. Quanto mais longos os vencimentos dos títulos em carteira, mais bruscos tendem a ser os movimentos de preço.
Fonte: Vanguard e Finclass
Podemos notar que a maior parte da carteira está investida em títulos de até 10 anos, o que já é suficiente para trazer uma certa dose de chacoalho. Isso é importante para quem está acostumado apenas com renda fixa de natureza pós-fixada e pode ter uma expectativa de ganhos lineares nesses ETFs.
Sobre os maiores ativos individuais em carteira, não exibiremos a tabela como fizemos com os ETF anteriores, por se tratarem de títulos específicos dos EUA cujos nomes não são individualmente relevantes. Além do que, para um ETF com mais de 11 mil títulos, mesmo os 10 maiores têm muito pouca representatividade na carteira.
Existem outras opções para usar no lugar do USDB11?
O mais importante é que a gente entenda o papel que o USDB11, ou BND, cumpre em nossa carteira: tirar risco de crédito, preservando um potencial de valorização.
A composição tendo majoritariamente títulos de risco público, com uma pitada de crédito corporativo de alta qualidade, é algo que nos agrada. Mas, é claro, sempre podemos fazer ajustes.
Infelizmente, no Brasil, ainda não temos outras opções, mas, nos EUA, podemos investir apenas em títulos públicos como uma opção - dando espaço a um ETF como o GOVT, que traz uma cesta contendo apenas títulos públicos norte-americanos, ou o VGIT, que investe em uma cesta de treasuries com vencimento intermediário entre 7-10 anos.
Existem diversas outras possibilidades que trabalham com diferentes prazos de vencimentos. ETFs como o SGOV, que dão exposição a treasuries de curta duração, poderiam ser combinados com ETFs como o TLH, que investe em títulos longos com vencimento entre 10-20 anos. Você pode pensar na composição para deixar sua renda fixa mais ou menos apimentada. Se não sabe como criar uma composição à sua maneira, recomendamos que siga o que é proposto na carteira Finclass.
BNDX11: adição de diversificação à parte defensiva
Em termos de função, ainda estamos falando de renda fixa, mas o que estamos procurando ao adicionar o BNDX11 em nossa carteira é ter exposição a títulos públicos e privados de alta qualidade, que não sejam emitidos nos Estados Unidos.
Por isso, vamos direto à parte em que detalhamos o que o BNDX11 faz.
O que é o BNDX11?
É um ETF da Investo que investe no ETF americano BNDX. Portanto, como tem sido ao longo de todo o relatório, falaremos sobre as características do BNDX, que valerão também para o BNDX11.
Ele oferece uma composição de aproximadamente 80% em títulos públicos de países desenvolvidos ou garantidos pela esfera pública desses países, com cerca de 20% em títulos de empresas de bom rating de crédito (o que chamamos de Investment Grade).
Ele manterá o perfil de baixo risco de crédito que procuramos em nossa carteira, mas agregando diversificação geográfica ao nos expor a outras geografias.
São mais de 6617 bonds em carteira, de diversos países e naturezas de emissão diferentes. A distribuição de proventos do BNDX é mensal e, no caso do BNDX11, o reinvestimento dos proventos é automático.
Composição geográfica
Quando excluímos os Estados Unidos da conta e queremos investir em outras nações desenvolvidas, inevitavelmente damos muito peso ao mercado europeu, que concentra uma grande quantidade de nações desenvolvidas, como Alemanha, França e Reino Unido (mesmo que este não faça parte da União Europeia).
Além disso, o ETF chega a ter exposição em diversos outros mercados, até mesmo uma pitada de mercados emergentes - mas não de maneira indiscriminada.
Não temos Brasil, África do Sul ou Turquia, que são exemplos triviais de mercados emergentes. Os mercados emergentes presentes na carteira do BNDX são os seguintes:
Fonte: Vanguard e Finclass
Abaixo, veja a mesma informação apresentada no gráfico de pizza - agora, em formato de tabela, o que pode facilitar o entendimento da carteira:
Fonte: Vanguard e Finclass
Características dos bonds em carteira
Como dissemos, nosso objetivo é ter pouco risco de crédito na fatia da renda fixa. Veja abaixo a distribuição dos bonds por qualidade de crédito.
Fonte: Vanguard e Finclass
Lembre-se de que, até BBB-, um ativo ainda é considerado Investment Grade, e que títulos acima AA- são considerados os de melhor qualidade, sendo AAA (triplo A) a maior qualidade possível.
Abaixo, você verá como os títulos estão divididos por tipo de emissor e setores da economia. Lembre-se de que podemos ter um título AAA emitido por um governo e outro AAA emitido por uma empresa; então, além de entendermos a qualidade do crédito, é importante saber se quem o emitiu foi um governo ou uma empresa.
Fonte: Vanguard e Finclass
Por último, mas não menos importante, a distribuição de vencimentos. De forma similar ao que vimos no ETF BND, temos a maior parte da carteira concentrada em títulos que vencem em até 10 anos.
Fonte: Vanguard e Finclass
Existem outras opções para usar no lugar do BNDX11?
Ainda não temos convicção sobre quais peças poderiam desempenhar um papel similar ao BNDX11. No Brasil, com certeza ainda não temos nada minimamente próximo, mas estamos estudando algumas alternativas nos EUA que podem entregar uma composição única de Estados Unidos mais o mundo em um único ETF.
Ao combinar o BND com o BNDX (ou USDB11 com BNDX11), estamos tomando uma exposição ampla no mundo inteiro, de maneira parecida com o que fazemos com o ETF de ações VT (WRLD11). Portanto, se encontrarmos uma alternativa que facilite o processo, podemos recomendá-la como uma opção para quem investe diretamente no exterior.
Ficamos por aqui...
O time da Finclass está sempre atento a como melhor atender nossa comunidade. Além de nos preocuparmos com o potencial de ganhos de nossos clientes, procurando as melhores alternativas de investimento para recomendar, nos preocupamos com seu aprendizado e entendimento ao longo do processo.
Por isso, as dúvidas que chegam até nós, seja através das Lives ou da comunidade no Circle, são insumos importantíssimos que levamos em conta na hora de decidir quais temas abordar no futuro.
Hoje, o objetivo foi esclarecer, de uma vez por todas, o tipo de exposição entregue por cada ETF. Dessa maneira, relembramos o papel de cada classe de ativo (Ações, REITs e Renda Fixa), ampliando o entendimento para sabermos exatamente que tipo de ativo cada ETF compra para compor sua carteira.
Sinta-se à vontade para comentar na comunidade, nos marcando se necessário, caso ainda restem dúvidas sobre o tema. Participe também da nossa live semanal para conversarmos sobre o tema.
Um grande abraço,
Felipe Arrais, Ana Flavia Farias e Rodrigo Xavier
Ativos Internacionais Aprovados
Disponibilizamos, ao final de cada relatório internacional, diversas opções de ativos aprovados, voltados para investidores experientes que desejam uma exposição mais específica a determinados setores ou mercados.
Considere essas alternativas como um verdadeiro “cardápio” cuidadosamente selecionado, permitindo que você personalize sua estratégia, enquanto mantém ativos com a cobertura da Finclass.
Fundos Internacionais Recomendados
Sobre os analistas
Felipe Arrais
Sócio
Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.