Relatórios

Mapeamento de fundos: ações Long Only

Escrito por Felipe Arrais em FUNDOS

44 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • Fundos long only são fundos de ações que tem direcional. Isto é, carregam uma carteira comprada em ações com potencial de valorização futura. 

  • Entre comprar as ações diretamente ou investir através de fundos, não existe um vencedor absoluto. Vantagens e desvantagens podem ser apontadas para cada uma das alternativas. Assim sendo, escolha de forma qualitativa a maneira que melhor acomoda suas necessidades.

  • O momento atual prejudicou intensamente investidores profissionais de ações, desde o momento de mercado iniciado com a pandemia. Passando por grandes resgates sofridos pelas gestoras, a maior parte da indústria encontra-se machucada (inclusive, nossos recomendados), nos forçando a redobrar a atenção em nosso acompanhamento para garantir a recuperação futura.

  • Um resumo sobre cada uma das estratégias recomendadas pela Finclass, com dados quantitativos de retorno, volatilidade e consistência em janelas móveis.

  • Uma régua de volatilidade para que você tenha um pouco mais de visibilidade sobre o nível de risco incorrido por cada estratégia. 

Mais uma edição do mapeamento de fundos no ar e o destaque da vez fica com nossos fundos de ações long only. 

Nossa expectativa é que o relatório te ajude a entender o que é a classe e as diferenças entre investir em ações através de fundos e a compra direta dos ativos. 

Aproveitamos para trazer um breve resumo sobre cada estratégia recomendada, apontando alguns destaques quantitativos que te ajudarão a conhecer melhor nossos recomendados. 

Vale lembrar que, ainda é recomendável ler os relatórios individuais de recomendação de cada fundo, pois eles se aprofundam mais em cada uma das discussões. Ainda assim, este relatório poderá trazer um maior entendimento, para que você saia da estaca zero e fique mais confortável na escolha dos fundos que irão compor sua carteira. 

Não deixe de avaliar o relatório ao final e dar o seu feedback nos posts relacionados em nossa comunidade no Circle. 

Uma ótima leitura. 

Long Only: o que são e qual a sua função em nossa carteira?

Antes de adentrarmos no relatório vamos começar explicando o que de fato é um fundo long only. 

Corriqueiramente, no mercado financeiro, usamos o termo “long” para se referir a estar comprado (investido) em um determinado ativo. De maneira análoga, utilizamos o termo “short” para se referir a uma aposta contrária, em que algum investidor está posicionado de forma a ganhar dinheiro com um ativo que esteja se desvalorizando. 

Por isso, um fundo long only faz algo muito parecido com o que uma pessoa física faria ao investir em ações: compra ações de empresas cujo gestor acredita ter um grande potencial de valorização futuro. 

Daqui, já começamos a ter um entendimento do que seria a categoria de fundos long bias. Esses fundos têm um viés predominantemente comprado, mas podem manter uma parte da carteira em posições vendidas. Esta categoria de fundos terá um relatório dedicado no futuro e, hoje, abordaremos apenas os fundos long only. 

Dessa maneira, a função dos fundos long only em nossa carteira é buscar apreciação de capital através de boas escolhas de ações com potencial de valorização. Por ser uma classe de ativos que almeja um maior potencial de valorização, também é preciso destacar que é uma classe que apresenta mais riscos de oscilação de preço em relação às outras (renda fixa pós, dinâmica, FIIs, etc.).

Diferenças entre a implementação via fundos e ativos

Embora possa ser uma crença comum, investir em ações através de fundos não tira potencial de retorno em comparação à abordagem de escolhermos nossas próprias ações. 

Muitos se amparam nesse argumento pelo fato de os fundos cobrarem taxas de administração e performance; mas nosso trabalho como analistas profissionais de fundos de investimento é justamente encontrar gestores que geram alfa (excesso de retorno) com consistência, mesmo depois da incidência de taxas. 

Se nós, sozinhos, tivéssemos a capacidade de fazer melhores escolhas do que uma equipe de dezenas de profissionais qualificados que empregam muito trabalho e tecnologia para tentar bater um mercado competitivo, é claro que não valeria a pena pagar taxas para investir através de fundos. 

Mas, será que sozinhos temos essa capacidade?

Não duvidamos que isso seja possível, embora seja improvável, uma vez que o trabalho é extremamente difícil até para quem conta com dezenas de profissionais experientes e muito investimento em tecnologia para ajudar no processo de análise. Fazer sozinho, em comparação com o trabalho conjunto de um time experiente, é extremamente difícil.

Por isso, nossa recomendação é que, em um mercado competitivo, você siga a orientação de um profissional ao fazer seus investimentos. E isso pode ser feito de duas maneiras: seguindo a orientação de um time de especialistas, como os que temos na Finclass, ou delegando a escolha de suas ações para equipes numerosas e experientes através dos fundos de investimento. 

Existem vantagens e desvantagens entre esses dois caminhos; listamos as principais diferenças na imagem a seguir:

image.png
image.png

Fonte: Finclass

No geral, ao investir via fundos, você perde o benefício tributário na hora de vender suas ações, já que existe (até o momento) uma faixa de isenção para vendas abaixo de R$ 20 mil em um mês, além de ter o reinvestimento automático dos dividendos que serão tributados ao se misturar ao patrimônio do fundo. 

Por outro lado, existe a vantagem tributária no rebalanceamento, já que vendas feitas dentro do fundo não são tributadas. Além disso, há a grande vantagem da conveniência de comprar e manter uma carteira de ações via fundos, contando com dezenas de profissionais experientes fazendo as escolhas das ações por você. 

Portanto, se não existe um caminho indiscutivelmente mais rentável, escolha o caminho que mais te traga satisfação ou que mais se adeque com a sua realidade. 

Tempos difíceis precedem tempos de fartura

Apesar do nosso intuito de tornar este relatório perene, para que ele possa ser acessado repetidas vezes no futuro sem perder sua validade, se faz necessária uma discussão prévia sobre o momento difícil para a gestão ativa no Brasil. 

Em uma rápida retrospectiva, tivemos o surgimento da pandemia em 2020, que fez com que a Bolsa passasse por seguidos circuit breakers (interrupção das negociações devido a um movimento intenso e atípico) e, logo depois, se recuperasse vigorosamente no mesmo ano, pelo igualmente intenso corte de juros (pela primeira vez na história do Brasil, chegamos a ter taxas de juros no patamar de 2%).

Os juros baixos, para estimular a economia em um momento difícil, fizeram com que os mercados recuperassem todas as perdas e terminassem o ano com performance positiva. Investidores que viam as ações, principalmente as mais ligadas a teses de tecnologia, se valorizando fortemente, passaram a querer investir mais de forma que a captação para fundos de ações em 2020, mesmo em meio a toda pandemia, tenha sido positiva, em quase R$ 73 bilhões. 

image.png
image.png

Em 2021, logo em março, o Banco Central do Brasil (Bacen) começou a subir os juros, temendo uma onda inflacionária. Mais tarde, naquele ano, as principais economias do mundo seguiram o mesmo caminho, o que causou o início de uma grande aversão a risco, somada ao fato de que ainda passávamos pela  COVID-19, além de eventos geopolíticos importantes, como a invasão da Rússia à Ucrânia. 

A captação líquida para fundos de ações em 2021 foi positiva (como evidenciado no gráfico acima), no entanto, iniciou já com um grande volume de resgates em janeiro, e teve resgates acelerados a partir da metade do ano. 

image.png
image.png

Se os juros altos jogam contra o custo da dívida e o crescimento das empresas, pelo lado da renda fixa, abrem-se cada vez mais oportunidades e com risco menor. Com isso, o mercado passa a reduzir riscos e a migrar recursos para renda fixa. 

O movimento vendedor foi intensificado  durante essa rotação de portfólios, o que contribuiu ainda mais para a queda dos mercados de ações no Brasil. 

Em 2021, o IBOVESPA fechou o ano caindo 11,93%, enquanto a modesta alta de 4,69% em 2022 mascara a realidade do mercado de ações como um todo, uma vez que teve grande ajuda de empresas ligadas a commodities, principalmente Petrobrás e Vale. Portanto, se você não tinha empresas de commodities em sua carteira, muito provavelmente perdeu dinheiro em 2022.

E mesmo quem tinha commodities na carteira, precisava ter uma posição muito representativa para evitar o prejuízo e ainda ganhar do IBOVESPA (apenas Vale e Petrobrás representam mais de 20% do índice).

Muitos gestores do mercado brasileiro evitam comprar commodities ou, quando o fazem, determinam posições menores. Alguns dos motivos por trás disso incluem a dificuldade de projetar o valor futuro das commodities, o que impacta diretamente o faturamento (e crescimento) dessas empresas. Além disso, muitas empresas deste segmento sofrem constantes intervenções governamentais, de forma que suas ações tenham que estar muito descontadas para que muitos gestores considerem o risco atrativo.

Isso não vale para todos os fundos, incluindo nossos recomendados. Mas boa parte da carteira de gestores ativos no Brasil acaba tendo uma boa dose de setores ligados ao ciclo de crescimento doméstico. Esses setores são, em geral, mais sensíveis à alteração dos níveis de juros, e sofreram com muito mais intensidade. 

Nós costumamos brincar que, em 2022, a Bolsa caiu, mas o IBOVESPA subiu. Veja abaixo o gráfico contendo o IBOVESPA, o índice de ações ligadas ao consumo doméstico (ICON) e o índice de empresas small caps (SMLL) ao longo do ano de 2022. 

image.png
image.png

A grande queda do índice ICON e SMLL mostra que alguns segmentos sofreram muito ao longo deste fatídico ano. E o pior: até agora não vimos a normalização do cenário, uma vez que os juros ainda estão em patamar elevado e discussões sobre a trajetória fiscal vêm acendendo um sinal de alerta, o que faz com que muitos investidores ainda estejam relutantes em investir em ações. 

Entendemos que, neste período, alguns de nossos gestores recomendados tenham sofrido intensas quedas muito superiores ao índice IBOVESPA. Por mais que essas quedas sejam desagradáveis, precisamos primeiro entender o que as ocasionou. 

Gestores ativos são remunerados para procurar oportunidades e bater o mercado. E para ter sucesso, precisam enfrentar o desconhecido todos os dias. Hoje pode parecer trivial imaginar que, com uma pandemia e conflitos geopolíticos, teríamos uma onda inflacionária que exigiria uma forte elevação de juros. 

Mas, será que um gestor que tivesse comprado 50% da carteira na Petrobras em 2022, obtendo uma bela performance em um ano em que quase todo mundo perdeu, seria realmente considerado um bom gestor? Ou seria visto como um gestor imprudente, que assumiu um risco enorme que, embora tenha dado certo, poderia ter resultado em prejuízo?

O trabalho de recomendar gestores é, no fundo, um desafio de conhecer e confiar em pessoas, pois não há qualquer garantia de que um fundo que foi rentável no passado continuará a ser no futuro. O que podemos julgar é como o processo é feito, como os erros são corrigidos, como as pessoas trabalham juntas e qual é o impacto disso no resultado para o cotista. Toda a análise quantitativa (sobre o passado), somada à análise qualitativa, nos dá pistas do que pode acontecer no futuro. 

Afinal, os gestores sempre estão vivendo o presente diante da incerteza do futuro. E era assim: quando iniciaram seus fundos, se um processo explicou resultados excelentes por muitos anos, há uma maior probabilidade de que isso se repita no futuro.

A queda recente sofrida por alguns de nossos gestores é a pior de todo o histórico. Afinal, o contexto de mercado atual, certamente, ensinou boas lições até mesmo para os gestores mais vividos, dado o grande número de acontecimentos sem precedentes ocorrendo em um curto espaço de tempo. 

Cabe a nós nos aproximar ainda mais de nossos gestores recomendados e observar o nível de saúde financeira (tamanho do patrimônio e performance gerada) para garantir que ainda há condições de manter um trabalho de qualidade. Além disso, devemos entender se as quedas foram causadas por contexto de mercado (o que é natural) ou por alguma imprudência, ganância ou falta de controle de risco. 

Enquanto isso, nossos gestores veem o futuro com otimismo, dado o número de boas empresas a preços atrativos que estão sendo colecionadas nas carteiras. O fluxo para ações deve retomar em algum momento, afinal o mercado é cíclico. E à medida que tivermos condições de testar patamares de juros mais baixos no Brasil e no mundo, certamente voltaremos a ver bons resultados.

Acreditamos que nossos recomendados tenham condições de recuperar as perdas apresentadas até aqui. Manteremos o compromisso de trazer atualizações sobre eles através de nossos relatórios e pela comunidade no Circle. 

Uma discussão sobre nossos recomendados

Abaixo, aproveitamos para falar um pouco de cada uma das estratégias recomendadas. Trouxemos relatos sobre a gestora e a estratégia em específico, pontuando também aspectos quantitativos. 

Vale ressaltar que uma análise quantitativa é muito mais profunda e complexa do que os indicadores apresentados no relatório. Nossa intenção é apenas dar um pouco mais de visibilidade sobre performance, volatilidade e consistência para que você conheça melhor o funcionamento de cada uma das estratégias.

Aproveite também para ler os relatórios de recomendação de cada fundo, pois eles tendem a ser mais completos do que os destaques trazidos para o relatório de hoje.

Alaska Institucional FI Ações

O fundo pertence à Alaska Asset Management, gestora oficialmente fundada em 2015. Anteriormente, a empresa operava como Skipper Investimentos, criada em março de 2010 por Henrique Bredda e Angela Freitas. Posteriormente, a gestora foi reestruturada e lançada como Alaska Asset Management, depois da aproximação de Bredda com o lendário investidor de ações Luiz Alves Paes de Barros, um dos maiores investidores individuais da Bolsa brasileira, com bilhões de reais alocados na classe.

Atualmente, Henrique Bredda e Luiz Alves são os principais sócios. Bredda iniciou sua carreira em 2002, atuando com monitoramento de bancos e contabilidade. Em 2003, ingressou no Unibanco como analista de crédito, onde aprimorou suas habilidades em monitoramento de empresas; em 2006, ela se tornou analista de ações. Já Luiz Alves possui nada menos que 50 anos de experiência no mercado de renda variável brasileiro, e é uma referência (quase uma instituição) conhecida em todo o setor. 

Hoje, a equipe é formada por aproximadamente 18 pessoas trabalhando em conjunto, sendo a maior parte focada em gestão. 

A gestora, especializada em renda variável, destaca-se nos fundos long only, onde possui 90% de seus recursos alocados. É renomada no mercado por seus investimentos consistentes a longo prazo. O time utiliza análises proprietárias e realiza um monitoramento constante das empresas investidas, mantendo uma gestão extremamente transparente com seus cotistas.

A casa tem o foco na gestão de ações, embora também faça gestão de juros e moedas, com estratégias que incorporam esses componentes macros. Nós gostamos do DNA de ações da Alaska e, por isso, nossas recomendações são dos produtos que investem exclusivamente em ações, o Alaska Institucional e as previdências long only. 

Estratégia  

O Alaska Institucional surgiu com um movimento de expansão natural da casa; a estratégia long only, já explicada anteriormente, envolve um monitoramento muito próximo das empresas investidas, com membros do time participando de muitos dos conselhos das empresas do portfólio. A estratégia combina a técnica de Henrique Bredda com a vasta experiência de Luiz Alves na Bolsa e nos ciclos econômicos.

Apesar da turbulência vista nos últimos anos em todo o mercado de ações no Brasil, a estratégia mostra robustez ao longo do tempo, mantendo 100% de consistência contra seu benchmark, o IBOVESPA. O fundo evita posições alavancadas, focando no mercado de ações com um portfólio diversificado entre empresas nacionais e estrangeiras.

O fundo não tem restrições de setores e tamanhos das empresas para investir, tendo por diversas vezes operado em empresas ligadas a commodities, com capital misto (com participação governamental) e small caps, algo que muitos gestores optam por não fazer. 

Um dos casos que ficou mais conhecido na história da Alaska foi o do Magazine Luiza, no qual o time começou a comprar ações da empresa muito antes de ela entrar no radar da maior parte das casas. Isso permitiu que o fundo participasse  dos ganhos de toda sua recente transformação. Apesar da grande proximidade do management da empresa, não criaram apego quando a tese se mostrou sobrevalorizada, tendo sido um grande case de sucesso que alavancou os retornos do fundo. 

image.png
image.png

Fonte: Finclass e Quantum

Atmos Ações

Este fundo é gerido pela Atmos Capital, uma gestora carioca fundada em 2009 pelos sócios Lucas Bielawski e Bruno Levacov. Os dois únicos fundos da sua prateleira seguem uma estratégia única: são fundos long-only, totalmente focados em alcançar retorno absoluto.

Uma das características da gestora é a abordagem não ortodoxa em alocação, adotando estratégias mais flexíveis e diferentes das consideradas “tradicionais” para esse tipo de fundo. Além disso, a gestora é reconhecida por sua capacidade de análise de empresas e pelo compromisso com os ganhos dos cotistas.

A equipe prioriza a disciplina em sua filosofia de investimento, um elemento essencial para atingir seus objetivos. Realiza análises detalhadas de cada empresa, compreendendo seus ativos por meio de avaliações contínuas dos negócios. Sempre considerando a relação risco/retorno, buscam uma margem de segurança adequada.

A ideia de “esticar o horizonte de investimento” se justifica não apenas pela natureza altamente volátil do mercado de renda variável, mas também porque suas teses de investimento podem levar tempo para amadurecer. Por isso, a gestora geralmente mantém seus fundos, frequentemente fechados para captação além de uma postura recatada, low profile, em que evita aparecimentos públicos e exposição midiática.

As reaberturas são realizadas apenas em momentos de queda do mercado, uma estratégia que aumenta as chances de sucesso para os investidores, pois permite que eles entrem a um valor de cota mais baixo.

Muitas vezes as reaberturas vêm apenas para que clientes atuais possam reforçar suas posições sendo um fundo muito difícil de ser acessado.

Estratégia

Basicamente, o fundo foca em empresas com potencial de crescimento, vantagens competitivas sustentáveis a longo prazo e gestão voltada para gerar valor a todos os acionistas. Além disso, o fundo pode utilizar instrumentos do mercado de derivativos financeiros para proteger os retornos esperados.

Com objetivo permanente de preservação de capital, somado ao de gerar retornos acima da média do mercado no longo prazo, o time investe eventualmente em dólar, NTN-Bs, debêntures e até estruturas de operações para ganhar com empresas fechadas.

O fundo está entre os nossos aprovados, mas é direcionado a investidores qualificados, ou seja, aqueles que comprovam ter investido um valor igual ou superior a R$ 1 milhão, e sua aplicação mínima é de R$ 50 mil.

O histórico do fundo é impressionante: desde sua criação em outubro de 2009, ele alcançou uma rentabilidade de 822,14%, comparada a 89,53% do seu benchmark, o IBOVESPA. Além disso, o fundo demonstra consistência de 100% em janelas móveis de cinco anos.

image.png
image.png

Fonte: Finclass e Quantum

Bogari Value (+Value Q)

Estas duas estratégias pertencem à Bogari Capital, uma das mais tradicionais empresas cariocas, criada em 2007 por Flávio Sznajder. Atualmente, a equipe é composta por aproximadamente 16 pessoas, um time que trabalha junto há muito tempo e analistas que são especializados em diversos setores.

Flávio, o principal gestor, é engenheiro formado pela PUC-Rio e possui um mestrado pela Coppead/UFRJ e experiência em consultoria corporativa, o que trouxe um olhar para análise de empresas. Iniciou sua experiência com ações em 1994, enquanto era estagiário do Banco BBM. Em 1996, fez um “summer job”, ou estágio de verão, nas Lojas Americanas, onde atuou no processo de abertura de novas unidades e auxiliou os departamentos na expansão das lojas. Em 2001, entrou na Ag Telecom, onde teve seu primeiro contato profissional com o mercado financeiro.

Em 2006, Flávio iniciou um Clube de Investimentos que logo de cara foi muito bem-sucedido, fazendo com que cerca de um ano depois, criasse uma gestora do zero com cerca de R$ 3 milhões de patrimônio inicial proprietário, de amigos e família, crescendo de forma resiliente, inicialmente sem uma estrutura robusta.

A Bogari Capital possui uma característica que a diferencia das demais gestoras: seu nível operacional. Eles adotam uma abordagem com maior profundidade e experiência em negócios, indo além das análises tradicionais de mercado muito por conta do olhar experiente de um ex-consultor corporativo como Flávio. Essa ótica diferenciada permite uma avaliação das empresas oferecendo uma visão mais abrangente e estratégica em suas operações.

Estratégia

A Bogari Capital adota uma única estratégia de investimento e oferece três fundos focados em ações que seguem a mesma estratégia (com pequenas diferenças entre si), todos classificados como long only. A estratégia é baseada na análise fundamentalista, que envolve uma avaliação detalhada dos fundamentos econômicos e financeiros de cada empresa analisada.

A abordagem utilizada é a bottom-up, que se concentra no microambiente da empresa. Em vez de começar pela análise macroeconômica e das tendências de mercado, o time foca em analisar as características específicas de cada empresa individualmente. Isso inclui a avaliação de aspectos como a gestão, a estrutura financeira, a competitividade no setor, o histórico de desempenho e as perspectivas de crescimento.

Essauma análise detalhada e minuciosa proporciona uma compreensão profunda dos fatores que podem impulsionar o desempenho das empresas no longo prazo, alinhando os interesses dos investidores com a geração de valor.

O primeiro fundo foi lançado oficialmente em julho de 2008, mas ele possui um histórico mais antigo, desde novembro de 2006, com o início do Clube de Investimentos criado por Flávio. Entretanto, o histórico da época de clube não será considerado nas informações expostas a seguir.

image.png
image.png

O fundo está vivendo o pior momento de sua história, de forma que as quedas recentes têm feito a consistência (antes muito próxima a 100%) cair para perto de 80%. Mesmo ainda tendo um nível de eficiência elevado, é importante que destaquemos o peso do passado recente.

Entre 2021 e 2022, a Bogari teve seu pior desempenho, com uma queda de 25,22%, enquanto o IBOVESPA subiu 4,69%, impulsionado por sua concentração em commodities, o que permitiu ao índice escapar da maré negativa (como discutimos na abertura deste relatório).

O fundo Bogari Value Q, possui a mesma proposta, porém surge como um fundo mais novo, destinados a investidores qualificados, aqueles que atestam investir um valor igual ou acima de R$ 1 milhão. Ele foi criado para permitir uma maior exposição em empresas brasileiras que sejam listadas fora do Brasil, como XP, Banco Inter, Stone, etc. O fundo foi criado mais recentemente, justamente no pior período da história da estratégia. 

image.png
image.png

Fonte: Finclass e Quantum

Como ele é um fundo recente, existem poucos pontos de dados para uma análise de consistência e a performance que ele exibe é justamente a do pior momento para a estratégia. Portanto, a fotografia exibida acima não é boa, mas precisamos considerar que a estratégia é muito mais antiga que isso, conforme exposta na tabela do Bogari Value. 

Em 2023, apesar de um início difícil, a gestora ajustou sua estratégia para melhor lidar com choques de curto prazo e observou uma melhora nas condições de mercado, impulsionada pela redução das taxas de juros no Brasil.

No entanto, um cenário incerto, juntamente com a manutenção das taxas de juros elevadas nos EUA, continua dificultando o trabalho de qualquer gestor de ações atualmente.

Embora recomendemos uma permanência de pelo menos cinco anos nesta classe de ativos, devido ao tempo necessário para o amadurecimento das teses, os acontecimentos dos últimos anos aumentaram a incerteza dos mercados, prolongando o tempo consideravelmente para que as teses se consolidem. Justamente por isso, temos falado frequentemente que, apesar de o horizonte sugerido para ações ser de cinco anos, os acontecimentos recentes exigem que estendamos um pouco esse horizonte.

Brasil Capital 30

A Brasil Capital é uma gestora de ações fundada em 2008, com foco em companhias brasileiras. A casa é capitaneada pelos dois principais gestores Ary Zanetta e André Ribeiro. A gestora foi inicialmente criada para administrar os recursos de uma família específica e dos sócios fundadores, totalizando cerca de R$ 50 milhões sob gestão.

Atualmente o time é composto por aproximadamente 17 colaboradores sendo a maior parte deles extremamente experientes e com muito tempo de Brasil Capital trabalhando em conjunto.  

O time adota três principais pilares que são, investimentos em empresas com vantagens competitivas que são geridas por pessoas de altíssimo nível, alinhadas com os respectivos sócios minoritários e, em paralelo, buscam empresas cujo valor intrínseco é superior ao que é negociado no mercado.

Apesar de serem conhecidos por suas ótimas performances no longo prazo, a gestora enfrentou adversidades específicas em sua história. No início de 2013, a equipe perdeu um dos sócios fundadores, Jose Eduardo Emírio de Moraes (Duda), que não fazia parte da equipe de gestão, mas era um dos sócios executivos e desempenhava um papel crucial, contribuindo com uma parte significativa do “seed money” da gestora. Tudo isso ocorreu em meio a um cenário desfavorável no mercado local, com descontrole fiscal, aumento das taxas de juros, e incertezas políticas e fiscais.

Ainda assim, a gestora conseguiu se reerguer e demonstrou sua capacidade de lidar com tempos difíceis, que, na opinião de André, atual gestor- chefe, é quando o gestor realmente se prova diante de seus clientes.

Além disso, a gestora conseguiu ao longo do tempo construir fortes relacionamentos com investidores internacionais, que hoje respondem por uma fatia bastante representativa do patrimônio da gestora.

Estratégia

A única estratégia da gestora é baseada na abordagem fundamentalista, com um rigoroso controle de risco. A equipe analisa em detalhe as atividades das empresas, buscando identificar não apenas suas vantagens competitivas e oportunidades, mas também os riscos inerentes a cada negócio.

Com um portfólio diversificado que privilegia empresas de alta liquidez e que atendem a critérios rigorosos, a gestora evita concentrações excessivas em setores e companhias específicas. O universo de cobertura do time de análise inclui 400 empresas, das quais aproximadamente 100 são monitoradas de perto e 50 são profundamente analisadas pela equipe, com potencial maior de integrarem a carteira.

Desde a sua criação, o fundo possui um retorno acumulado de 1.470,18% contra 208,49% do seu índice de referência, o IBOVESPA.

image.png
image.png

Fonte: Quantum e Finclass

Entre 2021 e 2022, o fundo da Brasil Capital, não diferente de seus companheiros de classe de renda variável, enfrentou grandes desafios devido a fatores externos que afetaram negativamente o mercado de ações no Brasil.

A gestora, que geralmente investe em empresas mais ligadas ao ciclo doméstico, sofreu intensamente com o aumento brusco das taxas de juros no Brasil e no mundo, em uma tentativa de conter a inflação crescente após a pandemia. Vale relembrar o gráfico exposto no início deste relatório, em que apresentamos o comportamento do índice ICON no ano de 2022.

As maiores quedas foram observadas justamente nas companhias ligadas a esse mercado, nas quais o time tem o foco principal. Segundo a gestora, o principal impacto no portfólio veio do ciclo de alta dos juros no mercado local. 

O desempenho ruim do fundo foi resultado da combinação de eventos desfavoráveis ao cenário econômico brasileiro. Enquanto o índice IBOVESPA teve um bom desempenho devido à sua concentração em bancos, estatais e empresas produtoras de commodities, a Brasil Capital apresentou um desempenho comparativamente fraco por não concentrar investimentos nesses setores e preferir negócios com maior potencial de crescimento futuro.

Apesar da queda, o fundo já apresenta fortes sinais de recuperação, assim como em outros momentos da história. O nível de valuation atual das empresas em carteira deixa o time confiante de que uma forte recuperação virá, como em diversos outros momentos desafiadores da história da gestora. 

Dynamo Cougar

O fundo é um dos mais tradicionais de renda variável do país e pertence à lendária instituição financeira Dynamo Asset, fundada em 1993 por Bruno Rocha, atual sócio, e Pedro Eberle, já aposentado. Posteriormente, em 1997, juntaram-se ao time Luiz Orenstein e Marcelo Stallone, dando origem aos colaboradores considerados fundadores da gestora.  

A empresa foi uma das pioneiras no “Value Investing” no Brasil, uma estratégia que hoje é amplamente adotada pelas gestoras. Essa abordagem envolve a compra de ações que estão sendo negociadas a preços inferiores ao seu valor intrínseco, com base em uma análise detalhada dos fundamentos das empresas.

Quando a gestora foi criada, o mercado de ações era altamente concentrado em ações mais líquidas, ou seja, aquelas com maior facilidade de compra e venda. Na época, a maioria dos investidores focava, principalmente, na análise macroeconômica. 

Pedro adquiriu experiência com ações de “companhias emergentes” ou empresas de “segunda linha” durante sua passagem pelo Banco Garantia e Banco Boa Vista. Bruno, que passou um tempo fora do país e também trabalhou no Banco Garantia, compartilhou dessa experiência. Juntos, eles desenvolveram uma abordagem mais “empresarial” e menos macroeconômica ao avaliar essas companhias.

A equipe valoriza a qualidade e a sintonia de todos, tanto nos bons quanto nos maus momentos, o que é extremamente importante para a longevidade do negócio. Isso é algo que leva tempo para ser alcançado. 

Assim como o que discutimos no fundo da Atmos, o Dynamo Cougar é um fundo extremamente restrito que permanece a maior parte do tempo fechado para novos aportes e é restrito a investidores qualificados. 

A ideia é preservar o tamanho do patrimônio de forma a garantir uma boa e perene gestão de resultados para os cotistas do fundo. 

Estratégia

O objetivo da estratégia é montar posições comprando ações subvalorizadas, com a confiança de que, em um horizonte de médio e longo prazo, essas ações proporcionarão bons retornos para os cotistas. 

A análise é realizada de forma fundamentalista, acompanhada por uma postura ativa em relação às empresas presentes na carteira. A equipe busca ter como principal foco sempre aprimorar o nível de monitoramento dessas companhias.

Eles dedicam muita atenção ao risco envolvido, considerando que entender o risco é fundamental. A análise de risco não é paramétrica; é estratégica, levando em conta o tipo de negócio no qual os recursos estão aplicados.

Além disso, essa mesma análise é aplicada às empresas que, embora não estejam no portfólio, são consideradas elegíveis. Assim, a equipe sempre mantém uma visão sobre se há alguma empresa com potencial melhor do que alguma que esteja atualmente investida.

O fundo é restrito a investidores qualificados, que declaram mais de R$ 1 milhão em investimentos financeiros, e exige uma aplicação mínima elevada de R$ 300 mil. Além disso, a equipe disponibiliza o fundo para captação apenas quando enxergam oportunidades no mercado acionário brasileiro. 

Não é à toa que o fundo é considerado um dos maiores fundos de ações do Brasil. Desde o seu início, acumula um impressionante retorno de 18.864,13%, comparado aos 1.704,23% do IBOVESPA.

image.png
image.png

Fonte: Finclass e Quantum

O fundo também sofreu intensamente ao longo dos últimos anos, refletindo o desafio oferecido pelo cenário macroeconômico global. A grande diferença é que este resultado recente ruim fica camuflado em um histórico longo e bem-sucedido. 

Isso levanta o ponto de que fundos com histórico menor, ficam com a fotografia de resultado piorada, mas o desafio e as quedas foram compartilhadas entre a maior parte dos fundos da indústria (inclusive entre nossos recomendados).

Forpus Ações

O fundo pertence a Forpus Capital, uma gestora de recursos independente fundada em 2014 por Francisco Andrade, Luiz Nunes e Michel Shirozono, todos egressos da gestora Nest. A casa opera com uma única estratégia. Atualmente, a equipe é composta por sete pessoas dedicadas exclusivamente ao mercado de ações, gerindo um único fundo com foco, além de outros colaboradores focados em dar suporte ao negócio.

Francisco, graduado em Administração de Empresas pela FGV em dezembro de 1993, possui uma vasta experiência em renomadas instituições financeiras como Banco Garantia, Itaú e Banco Cidade. Em 2005, co-fundou a Nest Investimentos e atuou como gestor do Nest Ações FIA de 2007 a 2013, onde conseguiu entregar um retorno acumulado de 307,79% contra -10,60% do IBOVESPA.

Luiz, graduado em Administração de Empresas pela FGV em julho de 2003, construiu uma carreira sólida em instituições financeiras de prestígio, incluindo Banco Citibank, Banco Safra e RB Capital. Ele atuou como diretor na Claritas Wealth Management e como Head de Wealth Management no Banco Modal. Curiosamente, além de sua carreira financeira, Luiz é também um campeão brasileiro de Jiu-Jitsu e foi CFO do grande evento de música eletrônica Tomorrowland.

Michel, graduado em Estatística pela UNICAMP em julho de 2006, construiu uma carreira destacada no setor financeiro. Ele adquiriu valiosa experiência no Banco Itaú e no Banco Real. Entre 2007 e 2013, Michel atuou como trader na Nest Investimentos e, em 2014, integrou a equipe do Banco Fator Administração de Recursos antes de fundar a Forpus.

A premissa de ser uma casa com um único produto nasceu  na Forpus para explorar o máximo da experiência neste tipo de gestão.

Estratégia

O fundo, que é um dos mais voláteis desta caixinha, é gerido por dois dos fundadores da Forpus Capital, Francisco Andrade e Michel Shirozono. 

O portfólio é montado através da análise top-down, ou seja, o time de gestão inicia o processo de estudo partindo das variáveis macroeconômicas para depois adentrar pelas empresas e setores o que logo de cara traz uma diferenciação em relação a maior parte dos fundos dedicados a ações que tendem a adotar a abordagem bottom-up.

Primeiramente, ocorre um comitê de investimentos, onde saem os vetores com informações que influenciam de forma positiva ou negativa de determinados setores, após isso, estes vetores ajudarão os analistas na montagem da carteira. Além disso, a estratégia monitora o VAR de sua carteira através de filtros de liquidez e limites de exposição, que também são adotados com o intuito de otimizar a gestão de seus produtos.

O “Forpão”, como é popularmente conhecido no mercado, acumula 306,58% desde a sua criação, contra 161,78% do IBOVESPA, mesmo passando pelo difícil cenário dos últimos cinco anos que desfavoreceram o cíclico doméstico. 

O fundo é costumeiramente confundido com um fundo long bias devido à sua possibilidade de montar posições vendidas. A grande diferença para que não o consideremos como tal é que a Forpus usa essa posição, não necessariamente para defender o fundo (fundos long bias em média possuem volatilidade substancialmente inferior aos long only), mas sim para buscar o chamado duplo alfa, em que tentam ganhar dinheiro na ponta comprada e, também, na vendida. 

Essa característica traz um aumento de volatilidade e possibilita que o fundo possa ter retornos mais expressivos. Da mesma maneira, pode enfrentar períodos desafiadores.

image.png
image.png

Fonte: Finclass e Quantum

O fundo teve profundas perdas entre o período de 2021 e 2022, quando a posição comprada em setores ligados ao ciclo doméstico sofreu intensamente ao mesmo tempo em que teses de tecnologia nos EUA se valorizaram, machucando a parte vendida da carteira. As perdas nas duas pontas agravaram a queda apresentada pelo fundo, que ainda vem lutando por uma recuperação. 

Embora o resultado recente seja ruim, a consistência de longo prazo continua muito boa, dado que o período de perdas está concentrado no passado recente. Vale lembrar também que se trata de um dos fundos de ações mais voláteis que temos, e um nível maior de volatilidade resulta em perdas potencialmente mais intensas em tempos desafiadores. 

O fundo oferece um perfil diferente, e continuamos confiantes de que o time de gestão tem toda a condição de recuperar as perdas sofridas até aqui e continuar com grande consistência de retornos ao longo do tempo. 

Hix Capital (+ Hix Capital Institucional)

Os fundos são administrados pela Hix Capital, gestora fundada em 2012 pelos irmãos Rodrigo e Gustavo Heilber, especializada em ações. Atualmente, a equipe é composta por 19 profissionais.

A gestora surgiu após o sucesso de um clube de investimento criado pelos irmãos, que posteriormente deixaram para iniciar a própria empresa com um capital inicial de R$ 20 milhões. Atualmente, a Hix administra aproximadamente R$ 1,7 bilhão (15% são capital próprio da família).

A Hix Capital possui um diferencial interessante, o “DNA da economia real”, resultado do conhecimento e da prática adquiridos pelos fundadores ao lidarem diretamente com o varejo. Ambos iniciaram suas carreiras na empresa familiar do setor têxtil, onde desenvolveram uma compreensão profunda da ótica empresarial, aprimorando sua capacidade de avaliar outras empresas na bolsa.

A especialização em ações é fundamental e coloca a equipe em uma posição vantajosa, complementada pela expertise adquirida ao entender as empresas de dentro para fora.

A gestora baseia-se em três premissas: (i) investimento focado em bons retornos no longo prazo, (ii) value investing, que se concentra no valor intrínseco das empresas, partindo do pressuposto de que ações subvalorizadas se apreciarão naturalmente no futuro, e (iii) uma mente aberta para otimizações de processos e inovações.

Estratégia

Todos os fundos da casa possuem uma única estratégia, na nossa caixinha de long only fazem parte o Hix Capital e o Hix Capital Institucional. A diferença entre as estratégias é muito pequena, basicamente por conta de o regulamento do fundo institucional ser aderente às necessidades de fundações e fundos de pensão (investidores institucionais) que podem exigir níveis de concentração e exposição no exterior mais moderados. 

Adotando uma abordagem fundamentalista, o time busca manter as cinco maiores posições, representando de 30% a 40% da exposição total. Além disso, segue uma rigorosa política de concentração, permitindo um máximo de 20% por ativo e 30% por setor.

Uma grande característica da gestão da Hix é o olhar atento às empresas de menor tamanho, frequentemente buscando grandes percentuais de alocação em small caps. Um grande case de sucesso da empresa foi no investimento da empresa Eneva (antiga MPX), que passava por uma grande transformação depois do fracasso do grupo X.

Este fundo é uma excelente alternativa para diversificar uma carteira, pois a equipe realiza pesquisas e análises completamente independentes, diferenciando-o dos demais fundos da mesma classe com flexibilidade para investir em empresas menores, tornando-o mais descorrelacionado do mercado em relação à média. 

Desde o início, o Hix Capital possui um retorno de 245,82% contra 116,38% do IBOVESPA.

image.png
image.png

Fonte: Quantum e Finclass

O Hix Capital institucional é a versão mais nova, mas que, como mencionamos, segue a mesma estratégia apenas com pequenas distinções devido ao regulamento ajustado ao público institucional.

image.png
image.png

Fonte: Quantum e Finclass

A tabela acima apresenta uma volatilidade superior do Hix Institucional, entretanto é apenas pelo fato do fundo principal ser mais antigo e ter mais tempo para diluir a volatilidade mais alta do passado recente. Se analisarmos a volatilidade dos dois fundos a partir do momento em que o Institucional foi criado, a volatilidade é praticamente a mesma.

Ibiuna Equities

Fundada em 2010 por Rodrigo Azevedo e Mário Torós, ambos ex-diretores de política monetária do Banco Central. Com uma equipe de 45 profissionais, a empresa atualmente gerencia aproximadamente R$ 26 bilhões. 

Diferentemente de outras gestoras apresentadas até o momento, ela não atua somente no mercado de ações, oferecendo outras estratégias, incluindo a Ibiuna STH, multimercado que também faz parte da nossa lista de fundos aprovados, além de outras iniciativas como fundos de crédito e fundos sistemáticos. 

Caso tenha lido o nosso último relatório, você já conhece a casa e a sua estratégia macro que faz parte da caixinha de multimercados.

Ambos os sócios tiveram experiências profissionais no setor privado e público. Rodrigo iniciou sua jornada voltada para carreira acadêmica, posteriormente entrou no banco Credit Suisse, onde ficou por 10 anos antes de ser convidado para ser Diretor de Política Monetária do BACEN, posição que ocupou até 2007. Mário, por sua vez, teve uma longa trajetória no Banco Santander, onde atuou por 14 anos, até ser convidado por Rodrigo Azevedo para substituí-lo como Diretor de Política Monetária no Banco Central.

Após deixarem o BACEN, os dois decidiram criar uma gestora independente, aproveitando sua expertise para analisar a política monetária não apenas no Brasil, mas também globalmente.

Um diferencial da casa é o foco em empresas líquidas, que apresentam alguma vantagem num horizonte mais próximo.

Inicialmente, a empresa foi fundada com uma única estratégia, a macro, que ainda é o "carro-chefe" da casa. No entanto, devido à expansão e ao excelente desempenho, outras duas estratégias surgiram.

Estratégia

Quem está dedicado a esta parte da análise é André Lion, sócio da casa, que registra em seu currículo ainda passagens por BRZ e Itaú. Atualmente, o time de ações é composto por 11 pessoas (direta e indiretamente ligadas à análise), que cuidam de R$ 2,5 bilhões investidos na classe.

O time que cuida de ações segue o modelo de análise bottom-up, ou seja, de baixo para cima. O processo segue a seguinte ordem: primeiro, busca-se conhecer a indústria de forma mais ampla, depois a empresa nela inserida.

Depois que o papel é avaliado e “aprovado” pela equipe de análise, ainda há um obstáculo a ser vencido: a ação não entra no portfólio se o cenário macro não se mostrar favorável à empresa em questão, não há negócio. Portanto, apesar de priorizar a análise bottom-up, incorpora elementos de análise top-down em seu processo. E é aí que conta a expertise de Azevedo e Torós.

A casa ainda conta com outros dois fundos de ações além de nosso recomendado Ibiuna Equities, tendo um fundo long bias e outro long & short.

O fundo long only costuma manter quase a totalidade de seu patrimônio investido em ações, sem muita posição em caixa ou outros ativos. Outro detalhe importante da composição do portfólio: o fundo segue a regra de 15% da posição máxima por papel e de 25% em um mesmo setor.

O fundo não tem preconceitos e pode investir em empresas ligadas a commodities e em empresas com participação direta ou indireta do governo. 

O Ibiuna Equities 30 FIC Ações é mais recente, mas replica a estratégia do primeiro Ibiuna Equites, fechado para aplicações e com resgate mais curto, que acumula um retorno de 284,07% contra o IBOVESPA, que entregou 114,92% para o mesmo período.

image.png
image.png

Fonte: Quantum e Finclass

O fato de o time capitaneado por Andre Lion ter operado muito bem as compras em setores ligados às commodities (principalmente Petrobras) ao longo de 2021 e 2022, fez com que o fundo tivesse tido um comportamento muito distinto do restante de forma que as perdas em relação ao IBOVESPA terem sido muito mais comedidas. 

Em 36 e 60 meses, o fundo ainda se encontra acima do referencial, e sua consistência de longo prazo permanece bastante elevada. 

Indie Ações

A Indie Capital foi fundada em 2011 por Daniel Reichstul e Felipe Montagna, juntamente com outros dois antigos sócios que já não fazem parte da equipe, com foco em investimentos em empresas de capital aberto brasileiras. A gestora enxerga nessas empresas a oportunidade de se tornar sócia de grandes líderes de mercado em diversos setores.

Daniel é formado em Economia pela USP. Iniciou sua carreira em 2003 na área econômica do Banco Central e, posteriormente, no ABN AMRO. Mais tarde, entrou para a área de negócios na Pátria Investimentos com o objetivo de adquirir experiência para fundar sua própria gestora, um sonho antigo.

Felipe, formado em Administração de Empresas pela FGV, começou sua jornada no mercado financeiro em 1997 como estagiário, passando por empresas como Banco Pactual (atual BTG Pactual) e Pátria Investimentos, onde atuou como diretor de private equity por aproximadamente 8 anos antes de ingressar na Indie, ele também possuía objetivos semelhantes ao Daniel, esta vontade de empreender.

Atualmente, o time é composto por 13 pessoas, formando uma equipe que, na visão dos fundadores, possui habilidades complementares. Além disso, a base de investidores, que inicialmente contou com o apoio de um investidor, “Seed Money” é agora bastante diversificada.

Estratégia

A Indie Capital adota um método bottom-up, com grande foco em pessoas e temas de investimento, como growth stories e turnarounds. 

O relacionamento com diferentes fundos de pensão, escritórios institucionais e private banks é ampliado hoje pela presença da gestora nas principais plataformas de investimento do Brasil. 

A gestão especializada é composta por uma equipe com background complementar, formada em private e public equities, com diferentes exposições setoriais, experiência executiva e visões macroeconômicas. Toda essa expertise é direcionada à estratégia, administrada de maneira colegiada, ou seja, decisões tomadas em conjunto pelos gestores e analistas da equipe.

A única estratégia da gestora, que foi lançada em 2012, sofreu um impacto significativo entre 2021 e 2022, principalmente devido a fatores macroeconômicos que afetaram negativamente os setores em que atua. Mesmo com retornos recentes desfavoráveis, ao longo da sua existência, o fundo bate o seu índice de referência com bastante margem.

image.png
image.png

Fonte: Finclass e Quantum

Este é um caso em que a consistência de longo prazo começa a ser afetada mais intensamente por conta das recentes quedas. A gestora fez o mea culpa por conta dos resultados inferiores. A principal razão foi ter subdimensionado um risco de alta de juros e mantido exposições maiores do que o comum em segmentos mais sensíveis a este fator macroeconômico. 

Em outras palavras, a Indie reconhece que, ao ter fugido um pouco de seu controle de risco, teve um resultado ruim e, por isso, reforçou o sistema de risco, promovendo maior diversificação e atenção para não estarem muito expostos a um determinado fator macroeconômico. Como dito por eles mesmos, foi um período de reforçar controles de riscos e, principalmente, voltar ao DNA original que propiciou grandes ganhos de longo prazo. 

Estamos acompanhando de perto a evolução dos resultados e, como sempre gostamos de mencionar, é necessário tempo para observar se os ajustes feitos surtirão efeito na recuperação futura do fundo. 

IP Participações IPG FIC FIA BDR Nível I

O IP Participações IGP pertence à IP Capital Partners, gestora fundada em 1988 por Christiano Fonseca Filho e Roberto Vinháes, que já não faz mais parte da empresa. Esta foi a primeira gestora independente de bancos no Brasil, a casa é referência em todo o mercado, com foco total na gestão de recursos em renda variável, tendo iniciado este trabalho antes mesmo de existir formalmente a figura de gestoras e fundos de investimento no Brasil.

Christiano Fonseca Filho é veterano no mercado de ações, possuindo experiência desde 1983. Atualmente, ele atua como conselheiro e integra o Comitê Executivo. A equipe da IP Capital Partners é composta por 13 profissionais dedicados à gestão focada em empresas privadas do Brasil e do mundo.

A ideia de incluir empresas globais, além das listadas no Brasil, surge devido ao rigoroso critério de seleção, que faz com que poucas empresas nacionais sejam consideradas elegíveis aos fundos. Essas poucas empresas, normalmente, são muito bem precificadas ao longo do tempo, oferecendo poucas oportunidades de adquiri-las a preços atrativos. Portanto, é necessário buscar empresas no exterior para complementar o portfólio. Essa diversificação ajuda a diminuir o gap de ganho existente ao investir apenas em boas empresas nacionais.

Além disso, optam por não incluir em suas estratégias as companhias estatais e empresas de commodities. 

A IP Capital Partners oferece quatro opções de fundos em seu portfólio: o IP Value Hedge, um “hedge fund” que serve como alternativa aos fundos multimercados; o IP Previdência, um fundo de ações voltado para previdência; e o IP Atlas, concentrado em empresas estrangeiras e a estratégia IP Participações, fundo de ações only que é o carro-chefe da casa.

Estratégia

O IP Participações IPG é um fundo voltado para investidores em geral, ele replica a estratégia do seu principal fundo, o IP Participações, porém que é disponível apenas para investidores qualificados, aqueles que possuem e atestam ter, pelo menos, R$ 1 milhão investido. 

O fundo combina empresas brasileiras e estrangeiras com o objetivo de gerar retornos em reais em horizontes de longo prazo.

Seu diferencial está no modelo de gestão de riscos, que investe em ações de empresas no Brasil e no exterior, conseguindo uma consistência de retornos com volatilidade inferior à média. Inclusive, este é o fundo com a menor volatilidade entre os recomendados aprovados desta categoria, tornando-o atrativo para quem deseja exposição à Bolsa, mas com foco na preservação de capital.

Apesar de investir grandes parcelas de seu patrimônio no exterior, o time procura se proteger da variação cambial proveniente desse investimento, uma vez que o objetivo da gestora é entregar valor para seu cotista brasileiro em reais.

A exposição internacional é o maior diferenciador do fundo da IP em comparação com seus pares. Entretanto, é necessário considerar que a Finclass atua com uma abordagem de carteira completa em que já temos uma exposição considerável em ações internacionais. É claro que existe valor na gestão internacional ativa feita pela IP, mas se você deseja focar mais em ações listadas no Brasil, deve considerar isso antes de escolher o fundo para inserir em sua carteira. 

Nos últimos cinco anos, o fundo apresentou um retorno de 55,94%, com volatilidade inferior à do IBOVESPA. A estratégia recomendada, criada em 2010 para tornar a estratégia mais acessível aos investidores, detém um retorno acumulado de 351,54% contra 102,80% do IBOVESPA.

image.png
image.png

Fonte: Finclass e Quantum

image.png
image.png

Fonte: Finclass e Quantum

Pátria Pipe

Atualização: O fundo Pátria Pipe foi retirado das nossas recomendações no dia 16/10/2024. Para saber mais, clique aqui.

O Patria Pipe é um fundo que integra o portfólio do Pátria Investimentos, uma gestora global de investimentos alternativos, principalmente Private Equity, fundada em 1988 por Luiz Otávio da Motta Veiga e Marcelo Lima. A Pátria possui 10 escritórios ao redor do mundo, incluindo um em São Paulo. 

Daniel Sorrentino lidera a gestão do escritório brasileiro, além de supervisionar produtos e estratégias denominados em reais. Ele possui formação em administração pela FGV, iniciou sua jornada no Pátria Investimentos em 2001 e se tornou sócio em 2009.

A consolidada empresa global busca promover retornos atrativos e consistentes a partir de oportunidades de investimento de longo prazo, ao mesmo tempo em que cria valor de forma sustentável para as regiões onde atua.

A gestora entendeu que sua expertise em avaliar empresas antes mesmo do período de listagem em Bolsa ofereceria vantagens competitivas na gestão de empresas listadas em Bolsa e iniciou-se em 2014 uma célula de gestão focada em ações públicas.

No final de 2021, a casa adquiriu a gestora chilena Moneda, complementando as áreas de atuação do Pátria. Foi um marco importante na evolução do Pátria, expandindo sua equipe de ações e presença geográfica para além do Brasil. Esta aquisição não apenas trouxe mais profissionais para o time, mas também reformulou diretrizes de gestão para promover uma diversificação mais ampla no fundo, mitigando os riscos associados a uma concentração em teses de transição.

Atualmente, a Pátria trabalha com Private Equity, Infraestrutura, Crédito, Ações Públicas, Soluções Globais de Mercado Privado e Imóveis, e possui sob administração um patrimônio de US$ 40 bilhões (aproximadamente R$ 215 bilhões).

Estratégia

A estratégia investe em empresas abertas e listadas na Bolsa, mas com uma mentalidade de "private equity”. Por isso o nome Pipe, acrônimo para “Private (P) Investment (I) in Public (P) Equity (E)”, ou investimento privado em empresas públicas, na tradução direta.

E este nome demonstra como é a abordagem do time de gestão. Em um fundo de private equity, geralmente há uma participação direta de quem faz o investimento na empresa. O fundo que investe frequentemente faz propostas de melhoria, aponta funcionários que podem melhorar processos, indica profissionais para integrar o conselho administrativo, abre canais de networking e muito mais. 

Outro ponto interessante é que, quanto mais problemas a resolver, potencialmente mais oportunidades a gestora pode oferecer e assim, almejar retornos superiores provenientes de profundas melhorias operacionais. Tudo isso, inevitavelmente, torna o fundo a nossa maior pimenta dentre as recomendações atuais

Com a aquisição mencionada anteriormente, o time da Moneda fortaleceu a estratégia, expandindo sua presença em diversos países da América Latina.

Além disso, houve uma mudança institucional: Flavio Menezes, por decisão própria, deixou o cargo de gestor oficial do fundo para focar em iniciativas de geração de valor, área onde já investia a maior parte de seu tempo e expertise. Alejandro Olea assumiu a posição de principal gestor do fundo.

O tipo de gestão empregado pelo PIPE é diferente. As teses são as mesmas e dificilmente mudam. O time de gestão frequentemente realiza operações de compra e venda no fundo apenas uma vez por ano, em dezembro, que é a única janela em que o fundo permite resgates.

Assim, a saída do gestor principal não é tão impactante, diferentemente dos fundos tradicionais, onde a maioria das ideias e operações diárias geralmente depende de um único gestor experiente que lidera toda a operação.

Mas, a informação sobre a saída continua sendo um ponto importante a ser observado, diante disso, é preciso destacar uma falha qualitativa cometida pela gestora. A não transparência e comunicação clara sobre esta transição. Quando questionada sobre essa transição, não foi dito explicitamente que Flavio tinha deixado a posição.

Quando questionada diretamente sobre a questão, foi esclarecido a situação atual. Mas, seja por não julgarem que a troca de gestor seja tão impactante pelo estilo de gestão do fundo, ou por quererem evitar ruídos, a questão é que esta é uma falha qualitativa importante.

Este fundo é altamente concentrado, geralmente contendo entre 8 e 12 empresas. Destes, quatro a seis são teses principais, com participação direta do conselho na tomada de decisão e exposições que frequentemente passam de 20% do tamanho do fundo. Por conta do seu nível elevado de concentração, sempre destacam a importância do longo prazo. Na visão deles, o horizonte de maturação das teses é de sete anos, ainda mais longo do que o horizonte habitual que recomendamos para outros fundos de ações. 

O fundo, que é voltado para o público qualificado, ou seja, investidores que atestam ter acima de R$ 1 milhão investidos, busca empresas com potencial de criação de valor no longo prazo, por meio de uma participação ativa na gestão estratégica e na governança da companhia. 

image.png
image.png

Fonte: Finclass e Quantum

Até o final do ano de 2021, o fundo apresentava uma consistência de 100% em janelas de cinco anos, sempre com excesso de retorno, tentando por várias vezes figurar entre os fundos mais rentáveis do Brasil. 

O perfil de alta concentração fez com que o fundo passasse pelo pior momento de sua história, com teses que perderam muito valor e eram bastante representativas. Um exemplo disso é a CVC, que foi investida pouco tempo antes de se iniciar a pandemia, a qual prejudicou intensamente o setor de viagens e fez com que a reestruturação da companhia não saísse como esperado, afetando profundamente o resultado. 

Sempre defendemos o fundo como uma pimenta que não se adequa ao perfil de risco da maioria dos investidores. Além da alta volatilidade e possibilidade de passar por perdas intensas (assim como ganhos vultuosos), o fundo também tem um prazo de resgate de 180 dias, que só pode ser efetuado no mês de outubro. Portanto, 180 dias é o prazo mínimo para resgatar seus recursos. 

Os recentes reforços e alterações na política de investimento após a aquisição da gestora Moneda vieram para melhorar os resultados, e o time segue confiante na recuperação, tendo implementado novos modelos de risco e uma diversificação maior que alivie o curto prazo, enquanto as principais teses (chamadas teses de transição) maturam em prazos longos.

Como mencionamos, até meados de 2021, o fundo se destacou como um dos mais rentáveis da indústria, entregando retornos anuais de 32%, muito acima da meta estabelecida de 20%. Com a queda intensa desde então, ao anualizar o retorno histórico, o desempenho atual gira em torno de 14%. Além disso, o fundo ainda está muito abaixo de sua máxima histórica, mas acreditamos que ele tenha todo o potencial para se recuperar, considerando seu histórico de entrega de retornos excedentes no passado.

O fundo continua em nossa lista de aprovados, mas acompanharemos de perto essa nova fase da gestora, com agendas específicas para avaliação. Caso nossa convicção mude, publicaremos um relatório detalhado sobre o assunto.

Real Investor FI Ações BDR Nível I

A Real Investor foi fundada por César Paiva no final de 2008, inicialmente, como o “Clube de Investimento em Ações Real Investor”, composto por apenas três investidores: César, seu pai e sua mãe. A criação do clube foi motivada pela crise global do subprime, que impactava a economia na época. Graças ao seu sucesso e consistência nos resultados, o clube evoluiu e se tornou uma gestora formal em 2010. Com sede em Londrina, a Real Investor se destacou como a primeira gestora de investimentos constituída no interior do Paraná, sendo um dos poucos casos de sucesso de uma gestora fora do eixo Rio-São Paulo. Atualmente, a equipe é composta por aproximadamente 50 pessoas e possui mais de R$ 6 bilhões sob gestão.

O nome “Real Investor” foi inspirado no clássico “The Intelligent Investor”, de Benjamin Graham, um dos maiores ícones do investimento. No livro, Graham faz uma distinção crucial entre o “verdadeiro investidor"—que só investe após uma análise rigorosa e fundamentada—e o “especulador”, que muitas vezes age por impulso, sem uma análise adequada ou uma consideração cuidadosa dos riscos.

César é um grande admirador de Warren Buffett, que foi sua primeira referência no mundo dos investimentos, desde sua adolescência. Inspirado pelo exemplo de Buffett, que se afastou dos grandes centros financeiros ao escolher Omaha como sua base, César seguiu um caminho semelhante ao estabelecer sua empresa em Londrina, desafiando a tendência das principais gestoras brasileiras que se concentram nas grandes capitais.

Essa escolha estratégica reflete a filosofia compartilhada por ambos: a busca por um ambiente tranquilo, longe da pressão dos grandes mercados, para tomar decisões de investimento sólidas e bem fundamentadas. Não é por acaso que muitos o comparam ao “Buffett brasileiro”.

O objetivo era ficar longe dos ruídos da Faria Lima e do Leblon, onde frequentemente teses são compartilhadas pelos gestores. Além disso, manter uma estrutura de gestão grande e eficiente era muito menos custoso fora dos grandes centros financeiros. 

Inicialmente focada apenas em ações, a gestora, após alcançar excelente performance ao longo do tempo, ampliou sua atuação, incorporando estratégias como multimercados, renda fixa, fundos imobiliários e previdência. 

Além de sua atuação como asset, a gestora também oferece, de maneira apartada, serviços de Wealth Management, fornecendo consultoria financeira personalizada para famílias de alta renda, com o objetivo de preservar, proteger e expandir seus patrimônios ao longo do tempo e trazer mais diversificação ao modelo de negócios.

Estratégia

A estratégia, carro-chefe da casa, embora formalmente constituída como fundo de investimento em 2010, foi inicialmente criada em 2008 como um clube de investimento.

O time liderado por César, com o apoio do co-gestor Anderson Luerders, um grande especialista em small caps e fundos imobiliários que ingressou em 2020, adota a estratégia de “Value Investing”. Essa abordagem foca em investir em empresas cujas ações estão subvalorizadas em relação ao seu valor intrínseco. Além de identificar esse descompasso de preço, a equipe realiza uma análise aprofundada da gestão dessas empresas.

O processo de seleção de ações é bem estruturado. Todos os analistas do fundo têm a oportunidade de propor novas empresas, apresentando inicialmente uma análise preliminar ao restante da equipe. Caso a proposta seja aprovada, o analista realiza uma análise mais aprofundada, que geralmente leva de três a quatro semanas.

Nesse período, o analista interage com a gestão da empresa, incluindo o diretor financeiro e, se possível, o CEO, para entender a história e os detalhes operacionais. Ao final, o analista prepara um material de apresentação, que inclui um vídeo de uma hora detalhando todo o estudo. Esse vídeo é enviado para o comitê com dois dias de antecedência, para que todos possam se preparar adequadamente para o debate sobre a empresa durante a reunião do comitê.

O fundo não tem preconceitos e costumeiramente faz investimentos em empresas de menor porte, ligadas a commodities e com capital misto, desde que apresentem uma boa margem de segurança que justifique os riscos.

O fundo apresenta um retorno acumulado de 458,33% contra 92,10% do seu benchmark, desconsiderando os ganhos auferidos ainda enquanto clube de investimentos.

image.png
image.png

Fonte: Quantum e Finclass

Por não se privar de investir em determinados segmentos, como o de commodities, o fundo passou muito bem pelo período ruim que afetou a maior parte de nossos recomendados. O fundo continua com 100% de consistência, batendo o seu referencial em todas as janelas de cinco anos analisadas desde sua fundação. 

Velt 90 FIC Ações

Atualização: O fundo Velt foi retirado das nossas recomendações no dia 18/08/2025. Para saber mais, clique aqui.

A Velt Partners é uma gestora de investimentos fundada em 2007 por Mauricio Bittencourt, que atualmente atua como co-CEO e gestor de portfólio. A gestora tem como foco empresas brasileiras e se distingue pela sua abordagem de investir em empresas de qualidade, denominadas "compounders", ou seja, empresas capazes de gerar valor crescente ao longo do tempo.

Mauricio, sócio-fundador, é economista formado pela UFRJ e iniciou sua carreira em 1992 na IP Participações como analista de investimentos, ascendendo a gestor de portfólio em 1998. Ele também passou pela Synthesis Asset Management, agora 3G Capital, e pelo Banco Pactual, atualmente BTG.

Miguel de Arteaga, economista formado pelo Insper, integra a gestora desde 2012. Sua carreira começou em 2009 como analista de investimentos de Real Estate no Pátria Investimentos.

Francisco Lara Resende, também economista formado pelo Insper, faz parte da equipe da Velt desde 2015.

Felipe Nobre, que se juntou à Velt Partners em 2020, é formado em engenharia eletrônica pelo ITA e possui um MBA pela Harvard Business School. Sua carreira inclui passagens pela McKinsey & Company e Verde Asset Management.

Antes de se chamar Velt, a gestora atuava sob o nome M Square, e era uma casa extremamente respeitada no mercado brasileiro. 

A mudança na placa segue uma reestruturação societária ocorrida em 2016, quando a velha M Square se dividiu em duas empresas: a M Square Internacional, que optou por focar em gestão de ações internacionais, e a M Square Brasil, que carregou a missão de continuar a gestão de ações brasileiras sob o comando de Maurício Bittencourt.

Como parte da cisão, os sócios fundadores da M Square em 2007 ficaram com os direitos sobre o nome, obrigando a célula de ações a mudar sua placa, dando vida à Velt como conhecemos atualmente.  

Estratégia

A equipe da Velt Partners se dedica a construir um portfólio composto pelas empresas brasileiras com as maiores perspectivas de geração de valor a longo prazo. 

Esta estratégia é fundamentada na excelência dos negócios em que investem e, acima de tudo, na competência das pessoas que os gerenciam. Miguel de Arteaga é responsável pela análise dos setores de Varejo, Consumo e Serviços; Francisco Lara Resende lidera a iniciativa Global da gestora; e Felipe Nobre cuida da análise dos setores de Saúde, Serviços Financeiros e Bancos.

A filosofia de investir em empresas “compounders”, citada acima, exclui investimentos em empresas ligadas a commodities, devido à sua volatilidade e à imprevisibilidade dos preços futuros. 

A abordagem levou a gestora a evitar algumas teses amplamente representadas no índice IBOVESPA nos últimos anos, principalmente em 2022 e 2023, o que resultou em dois anos de desempenho significativamente abaixo do índice.

Apesar dos desafios enfrentados, a Velt viu melhorias no cenário macroeconômico de 2023, com ajustes fiscais feitos pelo governo e uma postura mais consciente sobre a economia. Isso trouxe uma perspectiva positiva para a gestora, que continuou a focar em setores promissores como infraestrutura, energia e imobiliário.

Contudo, mesmo com os desafios enfrentados nos últimos anos, a estratégia da Velt continua mostrando resiliência. Desde o início do fundo, essa abordagem gerou um retorno acumulado de 436,83%, superando com folga o IBOVESPA, que acumulou 129,71%.

image.png
image.png

Fonte: Quantum e Finclass

Este é mais um caso de um fundo que teve seu período ruim altamente concentrado nos últimos anos. Ainda assim, quando consideramos o resultado de longo prazo conquistado pela gestora, ainda temos uma alta consistência de retornos contra o índice IBOVESPA. 

Mapa de Volatilidade

Agora, seguindo o roteiro de nossos relatórios de mapeamento de fundos, apresentaremos uma régua de volatilidade. Apesar de já termos mencionado isso nos outros relatórios, é importante deixar claro que os dados quantitativos apresentados neste relatório (tanto de retorno, quanto a volatilidade exibida a seguir) não são todos os aspectos necessários em uma análise. 

Ao avaliar um fundo para recomendação, empregamos muitas outras análises de risco, retorno e eficiência. Portanto, somente a volatilidade e os retornos apresentados não têm o objetivo de te dizer se o fundo é bom ou não. Todos os nossos recomendados contam com o nosso crivo de aprovação e, portanto, os julgamos como sendo bons fundos para se ter. 

Os dados apresentados, portanto, têm objetivo de trazer transparência e dar algum tipo de direção para que você conheça melhor as estratégias antes de investir. 

image.png
image.png

Fonte: Finclass e Quantum

image.png
image.png

Fonte: Finclass e Quantum

Outra observação importante é que a volatilidade apresentada acima refere-se a períodos diferentes. Portanto, é natural que um fundo mais recente apresente uma volatilidade maior, pois o mercado como um todo esteve muito volátil nos últimos anos. Assim, um fundo mais antigo teve muito mais tempo para “diluir” essa volatilidade mais exacerbada, principalmente a partir de 2020. 

Ainda assim, tiramos alguns insights interessantes, como o fato de o Patria Pipe ser realmente a maior “pimenta” de nossos recomendados, servindo como um alerta para quem se considera mais conservador. De forma contrária, o IP, por investir muito em empresas estrangeiras de um mercado mais eficiente, consolidado e menos volátil que o mercado brasileiro, apresenta uma experiência mais suave em termos de volatilidade. 

Versões Previdenciárias

Alguns de nossos recomendados possuem versões previdenciárias de suas estratégias. Entretanto, é preciso destacar um ponto em relação à legislação previdenciária. 

Infelizmente, previdências de ações destinadas ao público em geral não têm permissão de investir 100% do patrimônio em ações, podendo chegar até 70%. Por isso, para os fundos não destinados a investidores qualificados, temos as versões previdenciárias com o número 70 no nome, com o restante ficando frequentemente alocado em caixa. 

Por isso, naturalmente, trata-se de uma estratégia menos potente, o que pode ser bom para alguns investidores e insuficiente para outros. 

Abaixo, você verá uma tabela destacando a aderência dos fundos previdenciários disponíveis em relação às versões fora da previdência. 

image.png
image.png

Fonte: Finclass

Ficamos por aqui...

Tempos sóbrios tendem a preceder momentos de bonança. Diversos investidores bem-sucedidos frequentemente falam sobre os melhores momentos para comprar serem os mais desafiadores. E concordamos que desafios não faltaram para quem faz gestão ativa no Brasil, especialmente nos últimos quatro anos desde o surgimento da pandemia em 2020. 

Acreditamos que a maré virará e voltaremos a ver uma boa performance de ações no Brasil, principalmente de quem faz uma gestão ativa bem-feita. O relatório de hoje serve para te preparar para o momento da retomada e para conhecer melhor os gestores que contam com nosso crivo de confiança para escolher os mais aderentes ao seu perfil. 

Lembre-se de que você pode escolher outros fundos para sua carteira, desde que estejam contidos na tabela de fundos aprovados em nosso site. 

Em breve, faremos a edição sobre os fundos Long Bias, que oferecem um belo complemento para sua alocação de ações devido à sua maior flexibilidade. 

Aproveite também nossa comunidade e as lives para tirar dúvidas que restem, mesmo após a leitura do relatório. Também não se esqueça de avaliar o relatório. É rapidinho e nos ajuda muito a melhorar. 

Um grande abraço,

Felipe Arrais, Ana Farias e Rodrigo Xavier.Atualização: O fundo Pátria Pipe foi retirado das nossas recomendações no dia 16/20/2024. Para saber mais, clique aqui.

Sobre os analistas

Felipe Arrais

Sócio

Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.