Uma discussão sobre as diferenças entre a fatia de renda fixa dinâmica via fundos e via ativos, e o detalhamento de como é feita a distribuição de risco por fundos.
Mapeamento de fundos recomendados: os fundos de renda fixa dinâmica
Escrito por Felipe Arrais em FUNDOS
Neste relatório, você encontrará:
Um olhar geral pela família de índices que servem como referência para Renda Fixa Dinâmica (família IMA).
Informações individuais necessárias dos fundos abertos que recomendamos (Icatu Vanguarda Inflação, Western Asset IMA-B 5 Ativo e Passivos de inflação longa).
Detalhamento sobre a FI-Infras recomendados (KDIF11, IFRA11 e JURO11), assim como um passo a passo de como fazer a verificação do P/VP na hora de comprar e vender, além de uma breve discussão sobre quando devemos participar das emissões.
Um olhar para as previdências passivas de inflação curta, intermediária e longa, e sua efetividade em acompanhar os índices.
Régua de volatilidade de todos os fundos recomendados nesta categoria, para entendermos melhor o tamanho do “chocalho” ao longo do tempo.
Decidir quais os investimentos são adequados para a nossa carteira não é uma tarefa simples. Muito mais que isso, pode ser até mesmo desafiador, afinal, nem todo mundo tem o conhecimento necessário para se sentir genuinamente seguro (a) das decisões que está tomando.
Não estamos falando de ter certeza sobre retornos futuros, o que é impossível, mas de ter conhecimento suficiente para nos sentirmos seguros diante dos riscos inerentes ao processo de investimento.
Reconhecendo a importância dessa etapa para alcançar o seu objetivo, construímos a carteira modelo da Finclass, com a possibilidade de implementação via ativos ou fundos e oferecendo acompanhamento ao longo dessa jornada.
Além dos fundos de investimento contidos na aba de carteira, temos também a lista de fundos aprovados, que oferece um leque maior de opções de fundos que podemos utilizar além daqueles colocados na tabela modelo. Assim, você tem mais flexibilidade para ajustar sua carteira com um fundo que tenha um estilo que seja mais “a sua cara”, ou, por exemplo, priorizar fundos que estejam disponíveis em sua corretora de preferência.
Para te aproximar de nossos gestores e ajudar nesse processo de conhecimento da carteira de fundos e das peças recomendadas, iniciamos uma série de relatórios explicando cada categoria. Neles, mapeamos todos os fundos e suas respectivas categorias, aprofundando algumas características marcantes de cada fundo aprovado.
Começamos essa série de relatórios pela categoria de “Renda Fixa Pós-Fixados”. Caso queira ler para somar conhecimento adquirido no relatório de hoje, basta clicar aqui.
Não esqueça de avaliar o relatório ao final. Nos ajuda muito a melhorar sempre.
Uma ótima leitura!
A implementação via fundos e via ativos
Antes de mergulharmos na fatia de renda fixa dinâmica, vamos discutir as duas diferentes maneiras de implementação. Apesar de esperarmos um retorno similar para ambas as carteiras, é importante que você conheça as nuances e diferenças de comportamento entre uma carteira que prioriza ativos comprados diretamente e outra que conta com a ajuda dos fundos de investimento.
A implementação via ativos é conduzida por nosso analista de renda fixa, Guilherme Cadonhotto que, com a vasta experiência de gestão (também em fundos de investimento de renda fixa), seleciona títulos atrativos para compor uma carteira de ativos equilibrada e capaz de performar melhor que índices de risco de mercado, como o IMA-B (falaremos mais sobre ele adiante).
Por comprar ativos diretamente, a carteira ganha mais mobilidade, de forma que o Gui reaja com mais agilidade às mudanças no cenário macroeconômico. Ele pode, por exemplo, alternar entre títulos prefixados, indexados à inflação e até mesmo fundos de infraestrutura.
Quando seguimos a implementação via fundos, deixamos essa decisão de mudança mais “tática” a cargo dos gestores recomendados. Portanto, nosso trabalho como alocador de recursos e analista de fundos é distribuir de maneira apropriada bons fundos que contenham características complementares e nos ajudem a bater o benchmark escolhido para a categoria.
Boa parte dos fundos recomendados são de caráter ativo, e por isso, precisamos dar tempo para que as estratégias desenhadas pelos gestores possam maturar. Se movimentarmos os fundos ordenando aumentos e reduções táticas, poderemos levar você a perdas permanentes de capital caso façamos o resgate de um fundo ativo em um momento em que ele esteja performando pior que o índice.
Para uma carteira de perfil mais estático, preferimos assumir o risco de indexados à inflação, sem uma presença estrutural de prefixados, os quais deixamos a cargo dos gestores decidir comprar ou não.
O benchmark que gostaríamos de superar ao longo do tempo nesta categoria é o índice de indexados à inflação da Ambima, o IMA-B. Por isso, estudamos diferentes composições entre índices de inflação da família IMA, como o IMA-B 5 e o IMA-B 5+ (todos serão discutidos mais adiante), levando em conta os bons fundos disponíveis no mercado e chegamos a uma alocação estrutural perseguida na alocação via fundos. Você pode ver a distribuição a seguir:
Fonte: Finclass
Com essa composição em que metade do risco está no IMA-B e a outra metade dividida entre inflação curta (IMA-B 5) e longa (IMA-B 5+), temos uma boa aderência ao benchmark mais amplo (o próprio IMA-B).
Como dissemos, nossa expectativa é que ambas as implementações tenham resultados consistentes contra o IMA-B, por isso a escolha entre a implementação via ativos ou fundos deve ser feita levando em conta aspectos qualitativos. Se você tem um perfil que prefere maior comodidade, movimentar menos a carteira e deixar uma alocação estrutural agir ao longo do tempo, a implementação de fundos pode ser um bom caminho.
Agora, se você gosta de acompanhar mais de perto, ler os relatórios que embasam as tomadas de decisão do excelente Guilherme Cadonhotto e pilotar a carteira ao longo do tempo, e se não tem dificuldades em fazer a compra dos ativos individuais, a carteira por ativos pode ser uma boa pedida.
A renda fixa dinâmica
Expandimos a classe de renda fixa para duas fatias: renda fixa pós e renda fixa dinâmica. Essa divisão existe porque o mercado de renda fixa no Brasil e no mundo é bastante amplo, com características e riscos diferentes.
Inicialmente, é importante relembrar que existem três principais tipos de riscos na renda fixa: o risco de crédito, o risco de mercado e o risco de liquidez.
A categoria de renda fixa dinâmica, embora tenha estratégias que podem estar expostas a todos esses riscos, tem maior sensibilidade ao risco de mercado, que consiste na alteração diária de preço dos ativos de renda fixa diante de mudanças nas perspectivas de mercado (como inflação e juros).
Por mais que o nome da classe seja renda fixa, os preços podem oscilar bastante, principalmente para os que têm vencimento mais longo, que chegam a apresentar volatilidade similar à renda variável. Por essa razão, os ativos contidos nesta categoria de renda fixa dinâmica apresentam maior volatilidade. Justamente por isso, recebeu uma categoria separada dos ativos de renda fixa pós.
É importante mencionar que, justamente por termos mais risco nesta categoria em relação à renda fixa pós-fixada, precisamos considerar um horizonte de investimentos maior. Recomendamos o prazo de pelo menos três anos para o investimento nesta categoria. Isso não significa que seu dinheiro fica preso, mas que você deveria ter o conforto de não precisar do dinheiro por pelo menos três anos para minimizar as chances de ter retornos negativos.
A família IMA-B
O grupo de renda fixa dinâmica como um todo busca superar o IMA-B, que representa a média dos Títulos Públicos Federais atrelados à inflação. Mas, conforme já comentamos, índices derivados do IMA-B, como o IMA-B, IMA-B 5 e IMA-B 5+.
IMA é o acrônimo para Índices de Mercado da Ambima, uma grande referência para investimentos de renda fixa. O IMA, ou IMA-Geral, é formado por uma carteira de títulos públicos que se assemelha ao perfil da dívida pública interna brasileira.
A partir dele, podemos separar ativos em categorias semelhantes e chegamos a inúmeros subíndices, como os de inflação (IMA-B), prefixados (IRF-M), por exemplo.
Fonte: Ambima
Nosso interesse na caixinha de renda fixa dinâmica através de fundos se concentra principalmente na família IMA-B e seus subíndices IMA-B 5 e IMA-B 5+.
Em um país com inflação e juros elevados, esta categoria foi capaz de entregar excelentes retornos históricos acima da inflação e, também, do CDI, que é considerado o nosso custo de oportunidade.
IMA-B (Inflação intermediária)
O IMA-B representa a cesta de títulos públicos indexados à inflação emitidos no Brasil, contendo títulos curtos, médios e longos. Ou seja, ele representa uma média ampla do mercado de títulos dessa categoria, por isso o chamamos carinhosamente de “Inflação Intermediária”, pois ele retrata o comportamento médio da classe.
IMA-B 5 (Inflação Curta)
O Índice IMA-B 5 tem o intuito de acompanhar o rendimento dos títulos do Tesouro IPCA+ (NTN-B), selecionando apenas ativos com vencimento em no máximo até cinco anos, sendo classificados como “Inflação Curta”, sendo o menos volátil entre os três índices da família.
Como o tempo é um fator de incerteza, títulos mais curtos costumam ter menos volatilidade. Por isso, em comparação ao IMA-B, temos um índice mais “comportado”, mas que também tem um potencial de retorno maior.
Como já falamos inúmeras vezes, o IMA-B 5 é um dos índices mais consistentes da indústria, o que significa que o retorno entregue ao longo do tempo, em relação à volatilidade apresentada, é muito bom.
IMA-B 5+ (Inflação Longa)
O Índice IMA-B 5+ é composto por títulos indexados à inflação com vencimento igual ou superior a cinco anos. Entre os índices da família IMA-B, o IMA-B 5+ é o que apresenta a maior volatilidade, sendo também conhecido como "Inflação Longa".
Se analisarmos os três índices lado a lado, poderemos observar uma progressão clara de risco e retorno entre eles.
O IMA-B 5+ apresentou o maior retorno histórico, correndo também o maior risco, enquanto do outro lado temos o IMA-B 5 correndo o menor risco, mas também entregando o menor retorno em prazos longos. Como é de se imaginar, o IMA-B fica no meio dos outros dois índices em termos de retorno e volatilidade.
Fonte: Finclass e Quantum | Período: 17/09/2003 a 06/06/2024
Nossos fundos recomendados de estrutura aberta
Fundos de estrutura aberta são os fundos “tradicionais” que você encontra na prateleira das corretoras. São chamados assim por permitirem a entrada e saída de dinheiro do patrimônio do fundo, ao contrário dos fundos fechados listados em Bolsa, que abordaremos no final deste relatório.
Os fundos recomendados que temos para esta categoria possuem diferentes benchmarks de referência. Além disso, temos algumas recomendações passivas, que visam apenas acompanhar o retorno do índice ao longo do tempo, diferentemente das estratégias ativas em que os gestores estão buscando superar o referencial.
Como discutimos anteriormente neste relatório, para nós, a categoria de renda fixa dinâmica tem uma divisão bem definida entre exposição ao IMA-B, IMA-B 5 e IMA-B 5+.
Por isso, também separamos os recomendados por índice de referência, para podermos encaixá-los na proporção correta.
Nesta primeira tabela, está contido a subdivisão apenas dos fundos abertos recomendados:
Fonte: Lista de fundos Aprovados - Finclass
Entre as estratégias, existem os fundos que perseguem e tentam superar o IMA-B 5, que é menos volátil entre os três, e os passivos que buscam replicar o IMA-B 5+, o mais volátil.
Agora, entraremos em cada peça de forma individual, com as informações necessárias para ter um conhecimento mais amplo da estratégia.
Western Asset IMA-B 5 Ativo
Atualização: O fundo Western Asset IMA-B 5 Ativo foi retirado das nossas recomendações no dia 17/03/2025. Para saber mais, clique aqui.
O primeiro da lista de fundos aberto é o Western Asset IMA-B 5 Ativo, um fundo de gestão ativa, onde o gestor busca superar seu índice de referência, que neste caso, é o IMA-B 5.
A estratégia possui uma carteira posicionada em títulos atrelados à inflação e ativos nas curvas de juros prefixados e de juros reais. Ou seja, ativos que possuem rentabilidades afetadas pelo cenário econômico atual, se expondo de maneira direta ao risco de mercado.
O fundo faz parte de uma gestora de recursos global com foco na gestão ativa em renda fixa, a casa nasceu em 1971. Ao longo da sua história, expandiu seus horizontes para diversas estratégias, juntamente com a expansão em sua rede de clientes. Atualmente, faz parte da Franklin Resources, que possui mais de U$ 1,3 trilhão em ativos sob gestão e que é dona de grandes marcas de investimentos, como Franklin Templeton, ClearBridge, Martin Currie, Putnam Invvestments, etc.
No Brasil, o braço de gestão da Western Asset é amplamente conhecido pela gestão ativa em renda fixa. A maior parte das estratégias desta categoria seguem as convicções elaboradas em um comitê único encabeçado pelos gestores Paulo Clini e Sérgio Evangelista, dois egressos da gestora do Citibank, que já trabalham juntos há quase três décadas.
O comitê discute o cenário junto às diversas áreas (analistas específicos, economistas, gestores de risco, etc.) e chegam a um desenho de cenário que o time tem mais convicção. A partir daí, essas convicções são aplicadas nos diferentes fundos da casa de acordo com o benchmark específico.
Como eles próprios costumam dizer, eles montam o “chassi” do IMA-B 5, ou seja, constroem uma alocação que segue o índice e, em cima dessa alocação, fazem as movimentações táticas que se encaixem na convicção do time.
Vamos olhar de maneira superficial alguns números da estratégia ao longo do tempo. Na tabela abaixo, você verá a informação de retornos para diferentes prazos, assim como a consistência da estratégia.
Entende-se como consistência a análise do fundo em janelas móveis de três anos. Em outras palavras, queremos saber se em pontos de entrada distintos, um investidor que permaneça três anos investindo na estratégia consegue resultados melhores que o índice de referência.
Fonte: Finclass e Quantum
Por mais que o intuito deste relatório seja apresentar as estratégias, vale trazermos alguns comentários em caráter de atualização, principalmente para as estratégias que estejam com resultados aquém do que consideramos excelente.
Quando olhamos o retorno em diferentes períodos, vemos que os resultados são inferiores ao índice em todos os períodos retratados. O que, em uma análise superficial, pode nos sugerir que o fundo não performa bem em relação ao índice. A questão é que, em meados de 2021, o fundo passou por uma série de erros de leitura de mercado que prejudicaram o resultado do fundo,competindo com um benchmark extremamente consistente.
O tropeço recente deixa a fotografia ruim, mas temos que avaliar os dados de maneira mais profunda e, principalmente, entender os fatores que podem ter perturbado um processo de investimento que foi bem-sucedido por tantos anos sob a gestão da mesma equipe.
Neste contexto, tivemos uma série de conversas com o time de gestão para entender as motivações da performance recente negativa. O mea-culpa dos erros de leitura de mercado foi feito sem tentativas de esconder o problema, e vale a pena discutirmos brevemente os pontos levantados.
O ônus da gestão ativa, em que um gestor quer bater um índice de mercado, é que existe a possibilidade de errar. Não esperamos que os gestores acertem sempre, mas estávamos mais interessados em saber como eles estavam buscando corrigir o problema.
Os gestores nos responderam que o questionamento do processo de investimento foi feito de maneira incessante, diante da insatisfação do time com os resultados.
Desse questionamento, alguns problemas foram identificados e deles partiram duas iniciativas importantes. - O primeiro problema identificado foi a falta de efetividade em acertar as previsões de inflação de curto prazo nesses anos marcados por mudanças drásticas nas expectativas. Essa questão foi solucionada com a contratação de uma empresa especializada que já faz este tipo de pesquisa e fornece dados de previsão de inflação com bastante assertividade há muitos anos.
- O segundo problema identificado estava relacionado ao modelo padrão de risco. O modelo de VaR (Value at Risk) aponta o consumo de risco da estratégia. Em mercados mais calmos, naturalmente o nível de consumo de risco tende a cair, o que pode acabar deixando o time de gestão com vontade de aumentar o risco quando possuem grandes convicções. Por outro lado, em mercados mais voláteis, o time pode tender a reduzir a exposição de risco, mesmo que tenha uma grande convicção.
A alternativa encontrada foi desenvolver uma metodologia de posições compensatórias, em que algumas posições são montadas para defender a carteira, caso o mercado vá contra a convicção do time de gestão. Exemplos desse tipo de ativos incluem derivativos de juros e hedges em inflação implícita (a diferença entre a taxa de um título prefixado e do cupom prefixado de um título indexado à inflação de prazo equivalente).
Desta maneira, o time acredita que o fundo deverá se recuperar depois das iniciativas. Sentimos um comprometimento verdadeiro do time em dar a volta por cima. É necessário tempo para avaliar o resultado das implementações, e continuaremos acompanhando de perto o desempenho do fundo.
Vale mencionar que, apenas os resultados recentes nos incomodam, pois se distanciam do que esperamos em termos de consistência que o fundo apresentou no passado. A consistência atual em janelas de três anos é superior a 60%, o que não é um resultado ruim, levando em conta que o benchmark é o IMA-B 5, um dos índices mais consistentes da indústria. Contra o CDI, a consistência do fundo ultrapassa os 80%, e os períodos de perda para o índice estão concentrados no passado recente, a partir de meados de 2021.
Icatu Vanguarda Inflação Crédito Privado
Atualização: O fundo Icatu Vanguarda Inflação Crédito Privado foi retirado das nossas recomendações no dia 17/03/2025. Para saber mais, clique aqui.
Esta estratégia se destaca por conter duas equipes tocando riscos totalmente diferentes que atuam de forma independente uma da outra: uma focada no mercado de crédito e a outra de juros.
A ideia é usar o carregamento de ganhos acima do CDI providenciados pela carteira de crédito (estilo semelhante à gestão dos fundos de crédito pós-fixados que explicamos no último relatório de fundos) e amplificar este retorno através de alocações táticas em juros.
A equipe de crédito tem posições em debêntures, CDBs e LFs integralmente “hedgeados” para que o time se preocupe apenas com o risco de crédito e não com o risco de mercado (que ficará a cargo da outra equipe). O perfil de investimento é em ativos considerados como 1ª linha/ High Grade. Ou seja, sempre apostando em empresas sólidas, com interesses alinhados, fluxo de caixa previsível, alavancagem adequada e garantias, quando aplicável.
A equipe de juros (ou risco de mercado), por sua vez, atua definindo exposição da carteira a títulos públicos utilizando todos os artifícios ligados a juros, como derivativos, por exemplo. Desta maneira, a equipe escolherá a exposição que melhor representa a convicção do time para o cenário futuro, podendo alongar ou encurtar vencimentos visando obter ganhos com os movimentos da curva de juros, a inflação implícita e possíveis operações de hedge.
O Icatu Vanguarda Inflação Crédito Privado faz parte da gestora do grupo Icatu, que existe desde 2010. No entanto, a experiência do grupo com gestão de recursos começou em 1998, quando se tornou a primeira gestora independente do Brasil.
A Icatu Vanguarda é uma gestora fundamentalista, multiprodutora, mas se destaca nas estratégias de inflação e crédito. Desde 2017, eles possuem a máxima avaliação de Rating de Qualidade e Gestão da agência Moody’s (MQ1).
Fonte: Finclass e Quantum
Aqui, também vale um comentário sobre a performance apresentada. Sobre o retorno acumulado, não há muito o que questionar, afinal, em todos os períodos apresentados o fundo performa melhor que seu referencial. Entretanto, a consistência em janelas de três anos caiu consideravelmente com alguns problemas a partir de meados de 2021, quando os juros no Brasil passaram a se elevar de maneira drástica e rápida.
Alguns problemas de leitura de mercado ocorreram, o que é totalmente normal para a gestão ativa. No entanto, somando-se a um período de resultados abaixo da expectativa, o fundo sobre outro baque em 2023 - atingiu a parcela de crédito privado.
O ano de 2023 foi extremamente desafiador para o crédito, a começar pelo evento de fraude nas Lojas Americanas, cujo fundo tinha exposição às debêntures e sofreu com a marcação negativa dos papéis.
O caso Americanas provocou eventos de aberturas de spreads em outros ativos de crédito, mesmo que não tivessem qualquer relação com a empresa pega no escândalo de fraude. O ano difícil atrapalhou os resultados de um fundo que visa bater o IMA-B e depende do carregamento positivo de crédito para fazê-lo com um pouco mais de tranquilidade.
Não temos nenhuma luz amarela acesa, mas continuamos acompanhando a evolução da consistência e permaneceremos próximos ao time de gestão para te manter atualizado sobre a estratégia.
Vale mencionar que, desde a sua criação, a consistência do fundo em bater o CDI é de quase 90%.
Passivos de inflação longa
No Brasil, possuímos um histórico de taxas elevadas, o que faz com que os índices de renda fixa tenham sido muito rentáveis. Isto dificulta o trabalho de quem tenta abatê-los de maneira consistente. Se vamos apostar na gestão ativa, necessariamente o gestor escolhido precisa entregar mais retorno do que estes ativos. Afinal, qual seria o motivo de um investidor tomar volatilidade para ganhar retornos inferiores ou iguais a ativos considerados sem riscos?
Nós temos como ponto de partida a definição da alocação estrutural que acreditamos ser vantajosa para o longo prazo e apenas depois procuramos as melhores peças para rechear cada fatia da carteira.
Encontrando estratégias ativas consistentes, analisaremos uma possível recomendação, mas infelizmente, às vezes não é possível encontrar muitas opções de bons fundos para determinadas partes de nossa carteira.
Nesses casos, como o que acontece com fundos de inflação longa, consideramos que seja melhor recomendar fundos que possuam uma gestão passiva, mas que sejam eficientes e baratos para atingir este propósito. Por isso, na falta de boas opções ativas para inflação longa, trouxemos opções passivas para tomar esta exposição.
Todos os passivos listados abaixo seguem o IMA-B 5+, o índice mais volátil da categoria IMA-B 5+. Atualmente, temos três estratégias recomendadas com este objetivo:
Fonte: Finclass e Quantum
Quando falamos de gestão passiva, o retorno do fundo será sempre menor do que o do índice, afinal ele segue o índice, mas possui uma taxa de administração e custos operacionais que puxam o resultado um pouco para baixo.
Por isso, no caso dos fundos passivos, não se aplica a análise de consistência, uma vez que eles não têm o objetivo de bater o índice de referência e apenas acompanhá-lo.
Fundos de debêntures incentivadas listados em Bolsa (FI-Infras)
Agora trataremos dos fundos fechados listados em bolsa, conhecidos como FI-Infra. Eles são fundos negociados em bolsa que investem em títulos de dívida privada emitidos por empresas que pretendem desenvolver algum projeto de infraestrutura, as debêntures incentivadas.
Apesar de serem fechados estatutariamente, ou seja, só crescem por meio de oferta pública, estão disponíveis para pessoa física no mercado secundário. Logo, o cotista consegue comprar ou se desfazer a qualquer momento utilizando o home broker.
Nessa modalidade de investimento, há dois tipos de ganhos possíveis: renda e ganho de capital.
A primeira modalidade refere-se aos ganhos dos proventos pagos por esse fundo (mais uma diferença a destacar, já que fundos abertos não distribuem proventos), enquanto o ganho de capital refere-se à possibilidade de ganho através da valorização das cotas.
Não é regra, mas em média esta categoria pretende manter um certo nível de estabilidade do valor investido e entregar os ganhos na forma de renda.
Outra grande vantagem que não podemos deixar de mencionar é que, por investirem em títulos privados apoiados pelo governo, são isentos de impostos de renda, tanto para o dividendo quanto para o ganho de capital na venda das cotas.
Nós temos preferência pelos fundos fechados por conta da maior segurança que esta dinâmica traz ao gestor. Debêntures de infraestrutura possuem prazos muito longos e, em um fundo aberto, em que há entrada e saída de dinheiro com frequência, o gestor precisa incorrer em riscos de liquidez ou manter um maior nível de caixa nos fundos para evitar problemas, o que acaba minguando a rentabilidade potencial.
Nos fundos fechados, o gestor tem o conforto de saber que o dinheiro não sairá e assim consegue tomar melhores decisões, manter um nível maior de concentração em algum ativo de maior convicção e um nível menor de caixa, o que tende a resultar em melhores resultados.
Cota patrimonial vs cota de mercado
Por mais que julguemos mais atrativo do ponto de vista de retornos para o investidor, o modelo de fundo listado em Bolsa traz consigo algumas complexidades operacionais.
Por ser negociado em Bolsa, a única forma de investir é comprando cotas de outros investidores, e isso traz um comportamento diferente entre as cotas negociadas e o valor patrimonial de referência do fundo.
Por isso, temos dois tipos de cotas para este tipo de fundo: mercado e patrimonial.
A cota patrimonial é a que reflete o valor dos ativos em carteira. Por exemplo, se um fundo que possui 1000 cotas distribuídas no mercado e investimento em 1000 debêntures de R$ 10 mil cada, este fundo teria um patrimônio de R$ 10 milhões. Dividindo este valor pelo número de cotas, chegaríamos ao valor da cota patrimonial de R$ 10 mil, o que seria uma representação do valor justo dos ativos em carteira naquele determinado momento.
Esta é a cota pela qual podemos julgar a performance do gestor ao longo do tempo, mas para o investidor, é apenas uma referência de preço para podermos comparar com o preço que o mercado está negociando o ativo.
A cota de mercado sofre mais com as pressões de oferta e demanda, o que distorce este preço em relação ao valor da cota patrimonial, fazendo com que possamos comprar com desconto (deságio) ou pagar mais caro (ágio).
Isso exige dos investidores um cuidado maior na hora de comprar e vender os ativos, fazendo uma conta simples. O procedimento de verificação é o chamado P/VP, em que comparamos o preço da cota de mercado (P) com a cota patrimonial (VP, de valor patrimonial).
Mais adiante, apresentaremos um passo a passo de como fazer o cálculo para os diferentes fundos recomendados nesta classe.
Nossos fundos listados em Bolsa recomendados
Entre os FI-Infra que recomendamos, dois seguem o IMA-B e um o IMA-B 5. E assim sendo, temos lugares específicos em que podemos encaixar cada um deles. Lembre-se do gráfico de pizza apresentado no começo, em que metade do risco da caixinha está em IMA-B, o que explica o porquê de metade de nossa fatia na carteira recomendada ser composta por dois fundos que têm este benchmark, o IFRA11 e KDIF11.
Esses fundos são peças que consideramos extremamente relevantes para termos em carteira por sua combinação de renda e ganho de capital, somado ao retorno acima do referencial (que esperamos de fundos ativos), alavancados ainda mais pelo incentivo fiscal. Lembre-se que, se fôssemos investir em algum ETF que acompanhe os índices de referência, mesmo que não tivessem taxas de administração, ainda pagaríamos impostos.
Abaixo, listamos nossos FI-Infras recomendados, separados pelo seu índice de referência:
Fonte: Lista de fundos Aprovados - Finclass
A seguir, mergulharemos no mundo destes três FI-Infras, trazendo maiores detalhes sobre cada um deles.
Vale mencionar que, como a rentabilidade percebida pelos investidores é a da cota de mercado, pautaremos as apresentações de resultados em cima desta cota, mas destacaremos também alguns dados sobre a cota patrimonial.
KDIF11
Iniciamos com o fundo de infraestrutura pertencente à Kinea Investimentos, que visa superar o IMA-B. O fundo nasceu em 2017, antes mesmo do instrumento de um FI-Infra ser devidamente consolidado como hoje. O fundo nasceu como um FIDC adaptado ao propósito de infraestrutura e posteriormente se tornou um FI-Infra devidamente e passou a estar disponível para investidores em geral, assim como a distribuir um percentual maior do resultado através de proventos.
Atualmente, o fundo possui um patrimônio líquido de R$ 2,7 bilhões. O Kinea Infra investe em debêntures de infraestrutura que, em sua maioria, são indexadas à inflação que possuem prêmios interessantes em relação a títulos públicos de vencimentos similares.
Uma característica importante sobre o KDIF11 e que o gestor Aymar sempre faz questão de destacar é a capacidade e tamanho da Kinea em estruturar negociações privadas. A Kinea consegue estruturar as emissões diretamente com as empresas que necessitam do recurso e, por ter tamanho, muitas vezes fica com a emissão inteira, não havendo mais nenhum participante do mercado com exposição àquele papel.
Com isso, o time consegue carregar esses papéis com prêmios mais elevados até o vencimento, dependendo menos de fazer giros mais táticos na carteira para gerar ganhos.
Além disso, pela grande capacidade de análise de crédito, muitas dessas negociações privadas são feitas sem rating de uma agência de crédito. Por um lado, ter o selo de uma agência de crédito traz algum conforto para o ativo ser negociado com mais facilidade, mas como o time faz a própria análise de crédito e muitas vezes fica com a emissão completa, pagar por um selo de rating muitas vezes só tiraria retorno potencial dos ativos investidos.
Veja abaixo a tabelinha de resultados do KDIF11:
Fonte: Finclass e Quantum
Podemos ver que o fundo apresenta bons resultados nas janelas apresentadas, além de uma boa consistência em janelas de três anos. Vale destacar o que mencionamos anteriormente sobre a listagem do fundo em Bolsa.
A volatilidade das cotas acaba ficando bastante acima do nível de volatilidade praticada pelos índices. Mas se calcularmos a volatilidade da cota patrimonial, que seria a volatilidade real dos ativos em carteira, temos um nível de aproximadamente 8,9% ao ano, consideravelmente mais baixo.
IFRA11
O Itaú Infra, mais conhecido como IFRA11, foi criado em 2020 com uma captação de R$ 850 milhões na sua oferta pública inicial (IPO, termo em inglês).
O fundo possui gestão ativa, administrado pela consolidada Itaú Asset e tocado pelo experiente time capitaneado por Ricardo Martins. A estratégia consiste em investir em boas debêntures de infraestrutura que estejam em patamares atrativos de compra e obter ganhos com a marcação a mercado das mesmas, vendendo em momentos oportunos para gerar resultados.
Essa é uma abordagem diferente do KDIF11, que tem como grande característica carregar as emissões até o vencimento. O IFRA11 possui uma grande exposição a uma estratégia de giro, priorizando operações com maior retorno por mais tempo dentro da carteira, mas boa parte dos ganhos vem do giro da carteira de debêntures.
Como o instrumento FI-Infra listado em Bolsa é relativamente novo, os fundos desta categoria são, em sua maioria, muito novos. O KDIF11 é uma exceção, que nasceu como FIDC e por isso conseguimos acesso a um histórico um pouco maior.
Ainda assim, conhecendo de perto o time de gestão e sua experiência, assim como a chancela de outros players relevantes de mercado (inclusive concorrentes diretos) nos trouxeram conforto em trazer a recomendação que já vem sendo muito bem-sucedida desde seu nascimento.
Veja abaixo os resultados da cota de mercado do fundo em diferentes janelas.
Fonte: Finclass e Quantum
Como dissemos, não temos um prazo muito longo para rodarmos o estudo de janelas móveis de três anos, mas na curta janela que temos para analisar, o fundo alcançou 100% de consistência.
Apenas para termos uma análise um pouco mais ampla de dados, trouxemos na tabela acima a consistência em janelas de 12 meses (um ano), que, embora não seja a janela apropriada para avaliar um fundo com risco de mercado, nos traz algum sentimento sobre como o fundo performa em prazos curtos.
Nossa expectativa é que, à medida que o tempo passe, a consistência em janelas de três anos caia, mas se mantenha em patamares elevados, possivelmente acima de 75% (quem sabe até mais).
Sobre a volatilidade, apenas para que você tenha uma base de comparação, a volatilidade da cota patrimonial, desde o início do fundo, foi próxima a 6,6% ao ano.
JURO11
O último e não menos importante fundo que vamos apresentar é o fundo de infraestrutura listado da renomada Sparta. Dentre os três fundos listados que recomendamos, ele é o único que possui a inflação curta como referência (IMA-B 5). O Sparta Infra é um fundo de renda fixa que investe em debêntures incentivadas; você consegue encontrá-lo no home broker como JURO11.
A gestora Sparta foi criada em 1993, inicialmente como um clube de investimentos focado em renda variável. Ao longo dos anos, a Sparta migrou e se especializou em renda fixa, tornando-se uma referência no mercado, especialmente em fundos de crédito privado / High Grade. Com 30 anos de experiência no mercado financeiro, o time da Sparta é reconhecido por sua expertise em fundos de renda fixa.
Iniciou seu primeiro fundo desta classe em 2012, o Sparta Top. Desde então, se especializou no mercado creditício. Atualmente, o grupo possui R$ 11 bilhões sob gestão.
O JURO11 é o caçula da caixinha, criado em 2021. Mesmo com um curto histórico desta estratégia em específico, pudemos avaliar a gestão de crédito feita pela Sparta através de outros fundos abertos que a gestora já possuía há muitos anos. É claro, também nos sentimos seguros depois das incessantes conversas junto ao time de gestão.
Portanto, não temos a consistência em janelas móveis de três anos. Mas, com o pouco histórico que temos e informações sobre a estrutura da Sparta, conseguimos entender a sua credibilidade no mercado.
Fonte: Finclass e Quantum
A volatilidade da cota patrimonial, como esperado, foi consideravelmente menor que a medida pela cota de mercado, com um resultado de 4,8% ao ano.
Como verificar se é um bom momento para reforçar as posições (P/VP)
Quando se trata de fundos listados, o investidor tem uma tarefa a mais, antes de adicioná-lo em sua carteira: a análise do P/VP (Preço negociado na B3 / Cota Patrimonial) para saber se o momento é favorável ou não para adquiri-lo.
O P/VP pode variar diariamente, então é importante verificar essas informações em fontes atualizadas.
Os três possuem caminhos simples para verificação, mas diferentes um dos outros, por isso vamos colocar o passo a passo de cada um para facilitar esse fluxo.
Antes disso, vamos definir quais são os patamares de P/VP aceitáveis para cada uma das estratégias, uma vez que elas seguem benchmarks distintos.
● KDIF11 e IFRA11: buscam bater o IMA-B e o valor aceitável de P/VP para compra é de 1,05.
● JURO11: busca bater o IMA-B 5, que é menos volátil e por isso permitiremos um patamar de P/VP um pouco menor, de 1,03.
KDIF11
Acesse a página inicial do site clicando aqui. Ao entrar no site, clique em “Fundos” > “Infraestrutura” > Selecione o KDIF11.
Fonte: Site da Kinea Investimentos
Em seguida, você será redirecionado para a página inicial do fundo, e já consegue obter as informações necessárias, destacadas na imagem:
Fonte: Kinea Investimentos
Vale destacar que o valor da cota de mercado encontrado no seu home broker pode diferir do apresentado no site por conta de o site ser atualizado com menos frequência. Por isso, faça o cálculo com o valor de tela, que será a referência real de compra que você terá naquele momento.
Fonte: Site da Kinea Investimentos
● Sendo assim, P/VP -> 136,50 / 132,50 = 1,03
● Consideramos que seja favorável comprar, quando o P/VP deste fundo seja até 1,05. Foi o que definimos por nossos estudos que têm o IMA-B como referência.
Nesta data, seria ideal se tornar cotista, ou aumentar sua posição, por exemplo.
IFRA11
Para ter acesso às informações, entre no site clicando aqui. Na sequência, clique em “fundos” > selecione “listados” > Você será direcionado para outra página, selecione o IFRA11:
Fonte: Site Itaú Asset
Você redirecionado para página do fundo, clique na parte de “Documentos” e, em seguida, clique no PDF chamado: “Valor Patrimonial da Cota”
Fonte: Site Itaú Asset
Este PDF conterá as informações necessárias para analisar o P/VP.
● Sendo assim, P/VP -> 107,63 / 103,88 = 1,03
● Consideramos que seja favorável comprar, quando o P/VP deste fundo seja até 1,05. Foi o que definimos por nossos estudos que têm o IMA-B como referência.
JURO11
Na página inicial do site da Sparta, o processo é simples também, clique aqui para acessar o site e, em seguida:
Clique em “fundos” > selecione apenas os “listados” no filtro > Selecione o Fundo JURO11, em seguida clique em “saiba mais”:
Fonte: Site oficial da Sparta
Ao clicar em “Saiba mais”, você será direcionado para as informações necessárias:
Fonte: Site oficial Sparta
Aqui, vale a mesma recomendação de analisar o valor da cota de mercado na tela do home broker. Seguindo o exemplo da imagem, teríamos:
● P/VP -> 109,44 / 102,36 = 1,06
● Consideramos que seja favorável comprar, quando o P/VP seja até R$ 1,03. Foi o que definimos por nossos estudos que têm o IMA-B como referência.
Portanto, com os dados atuais em que elaboramos este relatório, não seria um dia ideal se tornar cotista ou aumentar sua posição, por exemplo.
Como decidir se devo subscrever a uma emissão dos fundos
Como já discutimos, nossos FI-Infras são fechados e só podem receber novos recursos em emissões, que acontecerão com frequência ao longo do tempo.
As emissões, por conterem custos, costumam ser negociadas a um valor acima da cota patrimonial. Portanto, é de se imaginar que uma emissão tenha maior atratividade para os investidores em um momento em que a cota de mercado esteja bastante elevada.
Por exemplo, em um momento em que a cota patrimonial esteja R$ 100 e a cota de mercado a R$ 110, você teria um P/VP acima do estipulado por nós e, portanto, não deveria comprar as cotas em Bolsa. Se neste momento estiver ocorrendo uma emissão, por exemplo, R$ 103, você teria vantagem em participar da emissão por poder comprar cotas mais baratas do que pagaria comprando a mercado.
O conceito é tão simples quanto esse: participar da emissão quando temos desconto em relação ao valor de tela e com a emissão apresentando um patamar saudável de P/VP. No exemplo anterior, se a emissão estivesse sendo oferecida a R$ 108, ela ainda estaria mais barata que a cota de mercado, mas muito acima do valor justo sugerido pela cota patrimonial (com 1,08 de P/VP).
Ainda sobre emissões, cuidado com o ímpeto de comprar apenas por perceber um desconto. Se você já tem o percentual correto dos fundos em sua carteira, mesmo que uma emissão seja feita com patamares saudáveis, você não precisa participar da emissão, pois isso desenquadraria a sua carteira.
Fundos previdenciários
A tarefa de encontrar fundos tradicionais que consistentemente alcancem resultados alinhados com algum índice da família IMA-B é desafiadora. E isso não é diferente quando se trata de previdências com esse mesmo objetivo.
No mundo da previdência, a busca por estratégias ativas foi ainda mais difícil e não encontramos candidatos adequados para nenhum dos índices da família IMA.
Portanto, assim como tomamos a decisão de escolher opções passivas que buscam a inflação longa (IMA-B 5+), também aderimos à mesma linha de pensamento ao escolher opções passivas para os fundos de previdência da caixinha de renda fixa dinâmica.
Fonte: Finclass
Como os fundos recomendados nesta categoria de previdência são passivos, não precisamos tecer uma grande descrição da gestora ou estratégia. Neste caso, nosso time analisou as versões previdenciárias passivas existentes no mercado e selecionou as mais eficientes e baratas que estivessem disponíveis nas maiores corretoras do Brasil.
BTG Pactual Prev IMA-B
O fundo previdenciário do BTG nasceu em 2017 e busca perseguir o IMA-B, ou seja, é composto por títulos públicos federais indexados à inflação de diversos prazos de vencimento (dos mais longos aos mais curtos).
Fonte: Quantum e Finclass
Trend Inflação Curta XP
O fundo nasceu em 2018, administrado pela XP Seguros e Previdência. A estratégia busca acompanhar o IMA-B 5, através de uma gestão de ativos de renda fixa atrelados à inflação com prazos iguais ou inferiores a cinco anos.
Fonte: Quantum e Finclass
BTG Pactual IPCA Longo
O fundo nasceu em 2017, possui características semelhantes ao BTG Pactual Prev IMA-B, no entanto, possui uma maior volatilidade, pois ele tem o intuito de acompanhar o IMA-B 5+. Portanto, é composto por ativos atrelados à inflação que tenham prazos superiores a cinco anos.
Fonte: Quantum e Finclass
Volatilidade
Para fornecer uma visão macro, criamos uma régua de volatilidade desde o início de cada peça da caixinha da renda fixa dinâmica. Embora a volatilidade não seja um fator a ser analisado de forma isolada, é importante compreender o comportamento dos ativos nessa fatia.
Lembrando que, no caso dos FI-Infra, usamos como base de cálculo as cotas de mercado listadas em Bolsa, pois elas refletem o comportamento que você perceberá no dia a dia.
Fonte: Finclass e Quantum
Fizemos a régua de volatilidade para as previdências da caixinha renda fixa dinâmica, de forma segregada, pois elas são passivas e acabam tendo níveis de volatilidade em linha com seus respectivos índices de referência.
Fonte: Finclass e Quantum
Ficamos por aqui...
A ideia desta série de relatórios é aproximar você, investidor, das estratégias que já possui ou deseja incluir na sua carteira. Nosso objetivo é que você tenha um bom ponto de partida para entender o comportamento da classe e conhecer minimamente os fundos recomendados.
Vale dizer que, este relatório não substitui os relatórios de recomendação e atualização feitos sobre as estratégias, pois eles aprofundam muito mais as discussões qualitativas e quantitativas.
Com o relatório de hoje você poderá entender melhor o seu índice de referência e fatores que influenciam as estratégias. Além disso, queremos que você possa consultá-lo sempre que surgir uma dúvida simples sobre os fundos, benchmarks e comportamentos da classe em geral.
Como mencionamos no início, a aproximação e o conhecimento são essenciais para que nos sintamos seguros ao investir nossos recursos a longo prazo. Além do que, atravessamos momentos de choque em diversas situações ao longo da nossa jornada; é importante entender com transparência quem realmente cuida do nosso dinheiro, para ajudar na tomada de qualquer decisão, mantendo a resiliência e a racionalidade.
Lembre-se também que nosso time está constantemente avaliando novas oportunidades de recomendação, assim como reavaliando os fundos já recomendados. Os gestores podem passar por períodos desafiadores e isso é considerado normal. Quando o comportamento fugir do que consideramos razoável, faremos uma intervenção e podemos, inclusive, retirar algum fundo da nossa seleta lista.
Em breve, publicaremos as outras edições desta série de relatórios, retratando outras categoriasde nossa alocação estrutural.
Um grande abraço,
Felipe Arrais, Ana Farias, Rodrigo Xavier
Sobre os analistas
Felipe Arrais
Sócio
Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.