Relatórios

Mapeamento de fundos recomendados: os fundos de renda fixa pós-fixados.

Escrito por Felipe Arrais em FUNDOS

35 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • Uma discussão sobre a função e comportamento esperado das recomendações de fundos de renda fixa pós. 

  •  A diferenciação entre a função da caixinha de renda fixa pós, implementada por ativos e por fundos. 

  • Um resumo qualitativo dos fundos recomendados para que você conheça um pouco melhor as opções disponíveis

  • Indicadores de rentabilidade e risco para nortear melhor as escolhas das peças recomendadas. 

A implementação por fundos tem suas peculiaridades e temos observado alguns questionamentos recorrentes sobre as diferenças entre a carteira por ativos e por fundos, além de dúvidas quanto à utilização da aba de fundos aprovados. 

Muitas vezes, ter mais opções para montar a carteira pode ajudar em termos de flexibilidade e autonomia. Por outro lado, também entra em cena a indecisão, diante várias possibilidades disponíveis, a escolha pode se tornar mais difícil. 

Pensando nisso, resolvemos desenvolver uma série de relatórios abordando cada classe de ativos que temos recomendações, para melhor auxiliar você ao longo dessa jornada de acumulação. 

A categoria estreante é a renda fixa pós-fixada, que carrega a responsabilidade de ser nosso “colchão” de estabilidade na carteira. Nosso objetivo é trazer clareza sobre o que podemos esperar do comportamento dos ativos e, também, exploraremos algumas informações sobre os fundos recomendados para que você tenha em mãos, um bom resumo que te aproxime das gestoras selecionadas por nosso time de análise. 

Posteriormente, faremos um relatório semelhante para as outras caixinhas de nossa carteira recomendada. Fique de olho!

Uma ótima leitura!

A renda fixa pós na implementação por fundos

Renda fixa pós-fixada é uma categoria notadamente conhecida por ter níveis baixos de volatilidade. É a parte da carteira que visa trazer estabilidade ao invés de buscar ter a melhor rentabilidade.   

Em um país com taxas de juros estruturalmente altas, muitas vezes conseguimos ter ativos com um nível baixo de volatilidade, ao mesmo tempo em que sejam bastante rentáveis em comparação com outras classes que apresentam mais risco.

Isso porque, se isolarmos os riscos de crédito que podem se aplicar a esta categoria, quanto maiores os juros, maior a rentabilidade esperada desta classe. 

Logo, podemos entender que, ativos pós-fixados remuneram seus investidores por meio de uma taxa que depende dos juros vigentes na economia. A definição da taxa Selic impacta no valor do CDI, benchmark mais utilizado nesta caixinha. 

Diferenciação em relação à implementação por ativos

É importante separarmos uma sessão do relatório para discutir as diferenças de comportamento da caixinha de renda fixa pós quando implementada por ativos ou por fundos. 

A implementação via ativos tem uma maior flexibilidade, uma vez que nosso especialista Guilherme Cadonhotto pilota a carteira conforme as condições de mercado, podendo fazer ajustes táticos, quando apropriado. 

Guilherme, assim como nós da equipe de fundos, entende que comprar títulos de crédito diretamente pode trazer alguns riscos importantes para a pessoa física, portanto ele adota uma postura conservadora na escolha de ativos, priorizando a liquidez (disponibilidade do dinheiro). 

Sendo assim, a preocupação do Gui é menor quanto à rentabilidade auferida pela, e maior quanto à capacidade de movimentarmos esse recurso com agilidade em momentos de choque. 

Por exemplo, em um momento agudo de mercado, em que as ações em carteira estejam sofrendo na alocação por ativos, poderemos contar com a fatia de renda fixa pós-fixada para poder rebalancear a carteira. Assim, resgataremos uma fatia desta caixinha, que tende a não sofrer nesses momentos, para redistribuir para outras fatias que estejam em situações desfavoráveis. 

Já para fundos, não temos a intenção fazer movimentações mais táticas e adotamos uma abordagem de alocações mais estruturais, que mudam menos conforme o momento de mercado. Até porque, o prazo de resgate nos fundos tira a efetividade de uma abordagem mais ativa. 

Precisamos que os fundos de crédito presentes nesta fatia tenham prazos de resgate mais alongados; isso porque, os que têm prazo de resgate curto podem levar riscos aos investidores, uma vez que aumentam a dificuldade de gestão em momentos que o volume de resgate for elevado (vivemos diversos momentos assim nos últimos anos).  

Se a implementação por fundos não funcionar como esse “colchão” de liquidez, como funciona na carteira por ativos, ela precisa compensar isso com uma proposta que entregue mais retorno. 

Bons fundos de crédito tendem a render em torno de 115%-120% do CDI, ou até mais que isso em alguns casos. Precisamos mencionar, é claro, que por termos mais exposição ao crédito, temos também um maior risco na implementação por fundos. 

De forma resumida, a fatia de renda fixa pós por ativos toma menos risco e prioriza estabilidade e liquidez. Enquanto a implementação por fundos mantém o foco na estabilidade, porém, abre mão da liquidez, para buscar retornos superiores. 

Vale mencionar que, a menor rentabilidade com a implementação via ativos, visando estabilidade e liquidez, é compensada pela possibilidade de rebalanceamento tático em um momento de choque. 

Nossos fundos recomendados

No que diz respeito à implementação via fundos, discutiremos de maneira resumida, os aspectos qualitativos e quantitativos de nossas recomendações da categoria de crédito pós-fixado, usados para rechear as fatias de nossa carteira. 

Além dos fundos recomendados que compõem a carteira modelo, temos outras opções aprovadas. A disponibilidade de outras opções visa que você tenha maior flexibilidade para escolher seus favoritos dentre os aprovados; entendemos que o relatório de hoje poderá ajudar neste processo de conhecimento dos fundos. 

Antes de prosseguirmos, existe um ponto-chave sobre a gestão de crédito feita por nossos gestores. A maioria deles compra títulos de crédito, geralmente, debêntures com indexadores diferentes do CDI (IPCA +, ou prefixado). Esse tipo de ativo traria o chamado risco de mercado, pois as mudanças nas condições de mercado impactam o preço dos títulos. 

Como os fundos têm o objetivo de superar o CDI e oferecer uma experiência mais tranquila para os investidores, os gestores fazem hedge dos títulos expostos ao risco de mercado. Na prática, é como se ele usasse derivativos disponíveis no mercado para “converter” uma debênture emitida a IPCA+ para uma debênture em percentual do CDI. 

Dessa maneira, o gestor pode se concentrar em analisar a qualidade de crédito dos ativos, sem muita preocupação com o impacto que as mudanças das expectativas macroeconômicas trariam para os ativos em carteira. 

Temos também algumas recomendações que fogem desse modelo tradicional de crédito high grade (alta qualidade) sem risco de mercado. Muitos exploram opções diferentes como forma de buscar retornos superiores e maior diversificação. Falo de FIDCs, bonds internacionais ou até mesmo FIIs. 

Algumas gestoras, acompanhadas por nós, podem possuir mais de uma estratégia recomendada e, por isso, aglutinaremos as estratégias em uma sessão única que fale sobre a gestora, pontuando as diferenças entre as estratégias recomendadas. 

Augme

A gestora foi fundada em 2018, por Marcelo Urbano, um grande especialista e referência em crédito privado. Esse reconhecimento, que ele conquistou inclusive entre seus pares no mundo da gestão, vem dos mais de 18 anos de atuação nesse mercado – no total, são 29 anos de carreira.

Na gestora de fortunas GPS, por exemplo, Urbano foi, por cerca de sete anos, o responsável por alocar o dinheiro do cliente nessa classe de ativos. Ou seja, antes de passar para o lado da gestão,  ele teve a oportunidade de acompanhar por muito tempo toda a indústria de fundos de crédito e seus gestores, bem como aprender com os desafios enfrentados pelo segmento e as diferentes crises; Urbano pôde ver o que deu certo, o que não fazer, como fugir das pegadinhas.

Toda essa experiência teve um peso muito relevante em nossa avaliação qualitativa por se tratar de um mercado complexo, com baixa liquidez, como é o crédito no Brasil - e foi o que nos deu conforto para aprovar os produtos da Augme.

São dois os fundos que selecionamos para integrar nossa lista de recomendados, o Augme 45 e o Augme 180. Ambos têm as estratégias de crédito privado como foco, mas com algumas características diferentes.

O primeiro foi estruturado como um fundo de renda fixa, voltado ao público geral e, como o próprio nome sugere, tem um prazo para resgate e liquidação das cotas de 45 dias. Seu histórico vem desde 2011, quando ainda era um fundo exclusivo na GPS. Na Augme, a carteira começou em fevereiro de 2019, mas é gerida pelo mesmo time (liderado por Urbano), e tem a mesma política de investimento desde setembro de 2017, quando ele teve uma passagem breve pela Captalys.

Já o Augme 180 é um fundo destinado a investidores qualificados, aqueles com mais de R$ 1 milhão em aplicações financeiras. Ele foi criado em dezembro de 2019, mas replica exatamente a estratégia de um outro fundo da casa, batizado de Augme 90, cujo histórico é de 2013, quando era um veículo da GPS sob gestão do próprio Urbano para os clientes acessarem ativos de crédito. O 180 tem um prazo de resgate maior (180 dias) e está nas plataformas, diferentemente do 90.

Diferenças do Augme 45 e Augme 180

A diferença entre o 45 e o 180 está na parcela da carteira que vai para ativos com baixa liquidez e mais risco, de onde se espera tirar o grosso do retorno ao levá-los até o vencimento – o gestor, eventualmente, pode se desfazer do título antecipadamente, se identificar oportunidade de ganho de capital. Enquanto o 45, por conta dos limites regulatórios de alocação, destina até 20% a essa caixinha, que a gestora chama de “book” de carrego – no 180, esse percentual pode chegar até 60%.

Nesse “book” de carrego entram títulos que vão desde debêntures, certificados de recebíveis imobiliários (CRI) e do agronegócio (CRA) até cédulas de crédito bancário (CCB) e fundos de investimento em direitos creditórios (FIDC). O risco é mitigado por meio de uma carteira bem diversificada, com cerca de 150 papéis, e um retorno esperado que varia de CDI mais 4% a CDI mais 10% ao ano, a depender da estratégia.

A parcela restante da carteira é destinada ao “book” de ativos líquidos e com baixo risco de crédito, cujo objetivo é obter ganhos com “trades” (negociação no mercado secundário) ao caixa. Aqui, o foco são papéis como debêntures e letras financeiras de emissores de qualidade, com um bom horizonte de saída do papel, independentemente do preço, além de títulos pós-fixados do Tesouro Nacional.

Nessa caixinha, o objetivo é buscar um rendimento suficiente para remunerar a taxa de administração paga pelo investidor, mas também aproveitar oportunidades quando há distorções de preços nos ativos líquidos; como na crise recente, provocada pela pandemia, quando papéis de empresas com baixíssimo risco de crédito chegaram a pagar prêmios de “high yield” no mercado secundário, por questões técnicas de mercado  provocadas pela onda de vendas de ativos pelos gestores para honrar os saques nos fundos de crédito.

O Augme 45, ainda assim, é uma ótima opção para o investidor de varejo que busca ganhos acima do CDI. Mesmo destinando parcela menor ao book de carrego – até 20% da carteira –, o fundo é consistente contra seu benchmark (CDI). 

Outra característica que nos deixou bastante confortáveis com a recomendação é que nenhum dos dois fundos da Augme usa alavancagem, ferramenta que permite ter uma exposição financeira maior a um ativo ou mercado do que o patrimônio líquido. Essa é uma estratégia que vem crescendo entre as carteiras do segmento e pode representar um risco, uma vez que o mercado de crédito privado tem muitas ineficiências na precificação dos ativos. Na Augme, Urbano diz que prefere ter caixa para aproveitar as oportunidades.

Em termos de controle de risco de mercado, a prioridade é ter uma carteira pós-fixada. Eventualmente, a gestora pode ficar exposta às oscilações da curva prefixada de juros, se o objetivo for se desfazer do ativo no mercado secundário num prazo curto, uma vez que o hegde é caro e imperfeito. Nesses casos, o fundo pode enfrentar alguns períodos de volatilidade.

A Augme optou, ainda, por não ter uma estrutura de originação de ativos junto aos potenciais tomadores de crédito, a fim de se afastar de potenciais conflitos de interesse. Com uma receita que vem de gestão e taxa de performance, a casa fica focada na seleção dos melhores ativos para o investidor.

Mesmo sendo o sócio principal e fundador, Urbano hoje consegue se dedicar integralmente à gestão. Com o modelo de “partnership”, em que todos os funcionários podem se tornar sócios, a Augme conseguiu atrair profissionais experientes para as áreas administrativa, jurídica, de risco e relações institucionais, além de parte do time de analistas que ajudou a formar na Captalys. 

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Fonte: Finclass e Quantum | Data ref: 03/05/24

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Fonte: Finclass e Quantum | Data ref: 03/05/24

Capitânia

A Capitânia é uma gestora que tem como principal DNA de gestão a análise de crédito. A gestora conta com mais de 25 bilhões sob gestão e a maior parte deste patrimônio se encontra em estratégias dessa categoria. 

Arturo Profili é o principal gestor da estratégia e representa muito bem o cuidado e a diligência da casa. A cada conversa de atualização, parece que nenhum detalhe foge à sua atenção. Uma simples mensagem no Whatsapp é enviada e, costumeiramente,uma resposta detalhada de Arturo chega trazendo detalhes sobre qualquer aspecto do fundo. 

Para ele, a definição de caixa dos fundos é de Tesouro Selic combinado com CDBs dos quatro maiores bancos do País, uma vez que o mercado de crédito não é líquido e, num eventual estresse, as vendas no mercado secundário não seriam possíveis sem deságio.

Além disso, a equipe costuma monitorar constantemente o mercado, já que tem o hábito de comprar algo todos os meses. A famosa “listinha do Arturo”, a qual brincamos internamente,em que ele sempre passa uma listagem de novas aquisições feitas no último mês, quando fazemos nossas atualizações rotineiras. 

É uma forma de reciclar a carteira e sempre testar a liquidez do mercado, afinal esse mercado tem um histórico de dificuldade em momentos de aversão ao risco. 

O time também sempre está atento ao monitoramento do desempenho dos seus pares. Afinal, resgates em fundos em outras casas causam pressões vendedoras dos gestores, além de surgirem novas oportunidades de compras de ativos.

Diversas áreas da Capitânia trabalham de maneira conjunta, como, por exemplo, há a participação do time de fundos imobiliários comandado por Caio Conca (gestor do FoF de FIIs recomendado, o Capitânia Reit 90) enquanto Arturo observa oportunidades de comprar FIIs de papel.

Diferenças entre Capitânia Premium e Capitânia Radar

O fundo Capitânia Premium, embora seja da família de produtos mais líquidos, possui em sua carteira debêntures, CRIS, FIIs, FIDCs e LFs, que podem ser alocados com indexador do CDI ou IPCA. O fundo pode ser considerado mais um “tradicional” da nossa lista de recomendados. 

Apesar disso, é preciso mencionar que com, certa frequência, o fundo aproveita oportunidades de alocação em FIDCs e, também, fundos imobiliários de papel, uma vez que é uma expertise da casa analisar créditos como CRIs que compõem a carteira desses FIIs. 

Além do Capitânia Premium, a casa possui o Capitânia Radar 90. Trata-se da versão mais eficiente do Capitânia Premium 45, porém restrita a investidores qualificados, com mais de R$ 1 milhão em aplicações financeiras.

Segundo Arturo, o Capitânia Radar 90 nasceu com um mandato direcionado especificamente a uma gestora de patrimônio, e não levava esse nome no passado. E recentemente a casa percebeu que fazia sentido colocar a estratégia nas plataformas para oferecer algo um pouco mais sofisticado aos clientes.

O Capitânia Radar 90 é uma alternativa um pouco mais apimentada ao Capitânia Premium 45, mas sem grandes excessos. Como o gestor fez questão de ressaltar, não estamos falando de um produto ultrassofisticado que tem somente títulos de altíssimo risco ou baixa liquidez em carteira.

Apesar disso, a estratégia tem menos amarras, o que dá mais liberdade ao gestor para operar do que no Premium. A nossa nova recomendação consegue adicionar um pouco mais de risco ao portfólio e, assim, gerar ganhos adicionais. 

Para você ter uma ideia, o fundo consegue alocar em debêntures de empresas fechadas e ter uma exposição de até 40% em produtos estruturados (CRAs, CRIs, cotas de FIDCs, FIIs, Fiagro e debêntures de infraestrutura), diferentemente do Premium, que não pode investir em S.A. fechada e tem um limite de 20% de exposição a estruturados.

Além disso, existem diferenças no tamanho da parcela de caixa que os fundos carregam. Enquanto o Radar 90 roda com 10% a 15% de caixa, o Premium tem de 25% a 30%. Isso acontece porque o Radar 90 tem um prazo de resgate maior, de 90 dias, o que dá mais tranquilidade para o gestor trabalhar e segurar posições menos líquidas.

Em resumo, o fundo utiliza até o limite dos 40% da carteira em produtos estruturados, mantém cerca de 10% em caixa e aloca os outros 50% em debêntures. Essa última fatia, como detalhou o gestor em nossa conversa, é dividida igualmente entre ativos de baixo risco (conhecidos como "high grade") – em geral, títulos de grandes empresas – e títulos de médio risco, emitidos por empresas menores, e contam com menos liquidez.

Segundo Arturo, o time de gestão até entra em papéis de mais alto risco, que no vocabulário de mercado são os chamados "high yield", em busca de rendimento adicional. Contudo, esses movimentos são feitos em doses bem pequenas, a fim de diluir o risco.

É válido mencionar que a Capitânia possui estratégias de previdência que seguem a mesma estratégia do Capitania Premium. Elas estão listadas em nossa aba de “fundos aprovados”. Vale mencionar que, por questões regulatórias da previdência, a alocação sofre algumas diferenças, como, por exemplo, limites de alocação em FIIs e FIDCs. 

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Fonte: Finclass e Quantum | Data ref: 03/05/24

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Fonte: Finclass e Quantum | Data ref: 03/05/24

JGP

"Não buscamos ser os maiores, porque somos muito preocupados com o passivo dos fundos".

No final de 2019, durante o JGP Credit Day, esta frase ecoou como música para os nossos ouvidos. Não é de hoje que vínhamos percebendo  uma preocupação crescente da casa em relação ao passivo dos fundos da indústria.

A JGP é uma gestora muito conhecida pelas estratégias macro e de ações, e tem na figura de Alexandre Muller a gestão dos fundos de crédito. Embora tenha começado na JGP em 2014, o gestor tem passagens pelo BTG Pactual e Icatu.

Dentro do investimento em crédito, existem diversas iniciativas interessantes capitaneadas pela casa: a implantação de análise sócio-ambiental dos investimentos, sendo uma grande promotora do tema ESG no Brasil. Também há a implementação de uma base de dados proprietária para auxílio na tomada de decisão - essa última, culminou no IDEX, família de índices de crédito privado que auxiliam na comparação da performance do segmento.

O mercado de ações possui um índice que representa o mercado amplo, Ibovespa. Assim como os investidores podem acompanhar os níveis para auferir se a Bolsa está indo bem ou mal, não temos algo semelhante para o mercado de crédito. 

Atualmente, o Índice IDEX é amplamente utilizado pelo mercado e mostra uma das características mais marcantes da gestão da JGP no crédito: o objetivo de fomentar o desenvolvimento do mercado de crédito no Brasil. 

Mais um ponto para a casa está na negociação dos ativos dentro e fora do Brasil, reforçando a capacidade de trading de ativos da gestora. A alocação dos ativos é feita, mas, caso seja interessante, o gestor se desfaz dos papéis antes. Um exemplo disso é,caso haja sangria no mercado local, o time de gestão pode fazer um rebalanceamento da posição global para aumento de participação nas oportunidades locais que surgirem à medida que diversos ativos tenham ficado mais baratos. 

Diferenças entre JGP Corporate e JGP Select

Dentro dos mandatos de crédito existe uma escada de acordo com a exposição internacional. O fundo mais "play-vanilla" da casa se chama JGP Corporate e é um veículo mais simples, com regras mais rígidas de alocação e, consequentemente, um retorno mais modesto. Ele é um fundo de crédito pós considerado mais “tradicional”. 

Mas, a expertise da JGP em análise de crédito ultrapassa as fronteiras do mercado brasileiro e o time também analisa e investe em créditos internacionais, principalmente de empresas sul-americanas que façam emissão de dívida em dólar. 

Por isso, a casa possui mais outras duas estratégias recomendadas por nós, o JGP Corporate Plus e o JGP Select, sendo este último o que possui maior exposição internacional, podendo chegar até 40% fora do Brasil. O JGP Corporate Plus fica no meio do caminho entre as duas outras opções e, hoje, não é recomendado por nós. 

Ou tomamos mais exposição comprando o Select, ou ficamos no crédito mais tradicional investindo no Corporate. 

Vale lembrar que, pelo fato de títulos de dívida emitidos em dólar serem, na maioria das vezes, prefixados, essa parte da carteira tem mais oscilação de preços, elevando o nível de risco do fundo. 

A JGP também possui versões de previdência de crédito privado. Temos recomendações da estratégia previdenciária que espelha o JGP Corporate.

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Fonte: Finclass e Quantum | Data ref: 03/05/24

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Fonte: Finclass e Quantum | Data ref: 03/05/24

Plural

Atualização: O fundo Plural Crédito Corporativo foi retirado das nossas recomendações no dia 18/09/2025. Para saber mais, clique aqui.

Depois de algumas mudanças na Plural (antiga Brasil Plural), com a abertura de uma nova gestora com os mandatos de Ações e Multimercados (Occam), o time liderado por Rafael Zlot, em conjunto com as estratégias de trading de Alexandre Donini e mais quatro analistas, fazem a gestão dos ativos de crédito privado da casa.

Mesmo em 2015 e 2016, onde muitas empresas enfrentaram crise econômica e dificuldades, o fundo não foi afetado negativamente pelos eventos no mercado creditício.

A estratégia iniciou em 2012, após uma experiência com um fundo de alocador, que visava investir em ativos de empresas, tais como debêntures e notas promissórias. Quando julga necessário, o time de gestão também compra ativos bancários e FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios).

O fundo possui uma meta de rentabilidade entre 110% e 115% do CDI e teve sua taxa de administração ajustada no meio do caminho, para refletir melhor a nova realidade de juros baixos no mercado brasileiro.

Segundo Rafael, o ajuste nas taxas dos ativos tem efeito educacional sobre a possibilidade de oscilação dos preços dos títulos, o que impacta a cota dos fundos.

O fundo passou pelo momento mais desafiador de sua história no começo de 2020, com o início da pandemia. Volumes de resgates intensos atingiram a indústria e também os fundos da Plural.

Na época, ao tentar lidar com os resgates de maneira a não promover transferência de riqueza entre seus cotistas (afinal, em uma crise consegue-se vender mais facilmente os ativos de maior qualidade e os ativos mais arriscados tendem a restar na carteira do fundo ), o time de gestão optou por se desfazer das posições proporcionalmente.

O ato foi acertado visando proteger os cotistas, mas fez com que o fundo tivesse uma performance ruim,  destacando- se negativamente entre seus pares da indústria, até que vivenciamos a fraude em Lojas Americanas, no início de 2023. 

O fundo foi um dos poucos que escapou do problema por já ter desinvestido das debêntures da empresa cerca de três meses antes do ocorrido. A decisão veio, não pelo fato de o time ter identificado a fraude antes de todo mundo, mas por estar com uma visão negativa para o setor de varejo no contexto de juros altos, além do aumento da inadimplência. 

Dessa maneira,  o fundo voltou com tudo para o mapa e continua sendo uma grande convicção da Finclass entre os fundos de crédito pós-fixado, tidos como mais “tradicionais”. 

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Fonte: Finclass e Quantum | Data ref: 03/05/24

SPX

A SPX Capital nasceu em 2010 com a estratégia de multimercados macro, liderada por Rogério Xavier, sócio-fundador da casa, ao lado de Bruno Pandolfi e Daniel Schneider, gerando cerca de R$ 57 bilhões em ativos, A área de renda variável, sob responsabilidade de Leonardo Linhares, só foi criada dois anos depois, em 2012, e a de crédito apenas em 2019.

Foi numa reorganização societária que a gestora viu a oportunidade de investir na área de crédito e se beneficiar da expansão dessa classe de ativos - com a menor participação de bancos públicos na concessão, empresas mais saudáveis e menos alavancadas e o protagonismo do mercado de capitais. Sem falar da geração de valor com uma relação entre risco e retorno favorável.

Albano Franco, gestor experiente de crédito, se juntou à asset em 2019, para estruturar o Seahawk. Antes de ingressar na SPX, e se tornar o responsável pela gestão de crédito com foco no mercado latino-americano, Albano passou 15 anos no BTG Pactual, desde 2012 como sócio. Na instituição, além de ter atuado como analista de ações de varejo e alimentos, trabalhou na área de crédito proprietário do Banco UBS Pactual até assumir, em 2008, como chefe da área de crédito da BTG Pactual Asset Management.

Hoje, a equipe de crédito conta com 13 pessoas, incluindo Albano e David di Paolo (que cuida da parte da alocação internacional em países desenvolvidos). No time local, Jean Anagnostopoulos e Fernando Tinoco ficam na gestão e mais três analistas formam o time de pesquisa da área. Jean é responsável por acompanhar mais a América Latina e Tinoco capitaneia a gestão do portfólio local.

Diferenças entre SPX Seahawk, Seahawk Prev e Seahawk Global

O fundo SPX Seahawk tem como objetivo superar o CDI no longo prazo, por meio de uma gestão ativa e com preservação de capital. Para isso, adota como estratégia investir apenas em títulos de dívida financeira e de empresas de capital aberto, emitidos no mercado local e que tenham o selo de “High Grade”, ou seja, classificados com a mais alta nota de qualidade ou baixo risco de crédito.

Na escala, o rating mínimo é “BBB”, mas há uma concentração em emissores com nota “AA” para cima. Entre os tipos de ativos estão desde debêntures, fundos de recebíveis, notas promissórias, letras financeiras até certificados de depósito bancário (CDBs).

O fundo não pode alavancar, ou seja, ter uma exposição ao mercado acima do seu patrimônio, assim como não pode operar “vendido”, montando operação para apostar na desvalorização do ativo. É um fundo “long only”, que só opera comprado em papéis de crédito.

A grande diferença entre o SPX Seahawk e o Seahawk Global é a capacidade do segundo investir em títulos de dívida de empresas no exterior. O fundo sempre conta com hedge cambial e mistura as estratégias local e offshore da casa. Por conta da sua exposição no exterior, outro diferencial, que não é comumente observado, é o fato de ser um “Long Bias” de crédito e conseguir fazer operações vendidas via índices fora do Brasil.

Na fatia offshore, os gestores dividem o risco entre estratégias de crédito de emergentes e desenvolvidos. Dessa forma, o fundo consegue aproveitar tanto oportunidades de emissões de empresas brasileiras no exterior como outras companhias estrangeiras e até mesmo títulos soberanos,  emitidos por países.

Em geral, a exposição da carteira no exterior é dividida 50% crédito América Latina e 50% crédito dos Estados Unidos.

Pela regulamentação, no caso do Seahawk Global, há o limite de 40% dos seus recursos no exterior e, por isso, o produto é destinado a investidores qualificados. Já a versão previdenciária pode ter até 20% dos seus recursos no exterior.

Importante dizer que, por conta da alavancagem offshore, o produto consegue ter uma exposição maior que seu patrimônio. Portanto, no caso do fundo fora da previdência, temos 40% sem alavancagem mais 60% com alavancagem no exterior.

Para fins de controle de risco, a gestora impôs um limite de 150% de exposição líquida, que é a parcela comprada menos a vendida. Já o limite da exposição bruta, ou seja, a fatia comprada mais fatia vendida, é de 200%.

Sobre a versão previdenciária, ela fica no meio do caminho entre o Seahawk e o Seahawk Global, podendo investir no exterior, mas com uma exposição menor. Na versão previdenciária, a proporção ficaria com 80% de investimento local, 20% offshore com 60% de alavancagem, de forma que o percentual de exposição líquida seja os mesmos 150%.

Fonte: Finclass e Quantum | Data ref: 03/05/24

Fonte: Finclass e Quantum | Data ref: 03/05/24

Fonte: Finclass e Quantum | Data ref: 03/05/24

Vale um comentário sobre a consistência das estratégias que possuem exposição internacional: os fundos tiveram seu início antes do início do movimento de alta de juros nos Estados Unidos. Títulos prefixados são marcados no mercado com intensidade em movimentos, como o que observamos em 2022, que foi o pior ano para a renda fixa internacional desde 1929. 

Esse início, em um momento ruim, prejudicou muito a consistência do fundo já que as janelas de análise ainda são muito curtas. Vale ainda dizer que, desde as recomendações, reafirmamos que o Seahawk Global é uma pimenta que deve ser usada com moderação. 

Mantemos nossa convicção no time de gestão liderado por Albano Franco e te manteremos atualizado sobre a estratégia. 

Os FoFs de FIDCs

Os últimos dois fundos que precisamos discutir são de uma categoria diferente, que exige alguns cuidados adicionais. São fundos de FIDCs e não de crédito “tradicional” como as debêntures, por exemplo, mais frequentemente investidas nos fundos discutidos até aqui. 

FIDCs são fundos de direitos creditórios, ou seja, compram direitos de receber recursos de empresas ou pessoas que precisem de algum tipo de antecipação de capital. 

Para maior entendimento, vamos a um exemplo simples. 

Imagine que uma empresa “X” preste serviços de construção e tenha sido contratada para tocar uma obra para a empresa contratante “Y”. O valor acordado foi de R$ 100 milhões, que deverão ser pagos em 24 parcelas. 

Acontece que a empresa “X”, mesmo antes de receber os recursos na íntegra, tem muitos custos para tocar a operação. Ela precisará contratar mão de obra, comprar matéria-prima, etc; no entanto, ela está passando por dificuldades financeiras e precisa de capital para conseguir continuar suas operações. 

Ela pode vender o direito de receber R$ 100 milhões da empresa “Y” para o FIDC, em troca de uma antecipação de capital. Por exemplo, vendendo por R$ 80 milhões o direito de receber R$ 100 milhões. Neste caso, a empresa “X” tem uma boa antecipação de recursos para continuar suas operações e o FIDC, que cedeu o capital, terá uma rentabilidade de 25% encomendada por comprar por R$ 80 milhões uma dívida que vale R$ 100 milhões. Para essa rentabilidade se confirmar, é claro, é preciso que a empresa “Y” continue solvente e pagando o valor devido conforme o combinado. 

Nessa classe, frequentemente falamos de dívidas de empresas pequenas e médias ou até mesmo dívidas diretas com a pessoa física. Isso significa que estamos falando de um risco de crédito (calote) muito maior, fazendo com que, normalmente, um FIDC seja extremamente pulverizado. Dessa maneira, um caso de atraso ou falta de pagamento da dívida tenderia a ter um impacto comedido na performance do mesmo. 

Avaliar um FIDC diretamente é uma tarefa hercúlea e exige uma estrutura que quase se assemelha a de um banco (ficará mais claro adiante, quando falarmos sobre nossos recomendados da classe). É uma competência muito diferente do que nós, aqui do time de análise, temos e, justamente,por isso, não recomendamos nenhum FIDC por aqui. 

Mas, nós temos capacidade de avaliar pessoas e processos de investimentos e gestão. Por isso, deixamos a análise dos FIDCs nas mãos de profissionais capacitados e nos preocupamos em selecionar muito bem esses profissionais. 

Nós recomendamos, portanto, FoFs de FIDCs. Temos duas opções entre nossas recomendações e não temos pretensão de aumentar essa lista, já que essa classe oferece riscos mais elevados e, justamente por isso, ocupa um espaço muito pequeno das carteiras de maior valor (os fundos ainda são restritos a investidores qualificados). 

Uma dúvida que pode surgir ao longo da leitura deste relatório é se esses fundos podem se tornar acessíveis ao investidor em geral, uma vez que a nova instrução da CVM (ICVM 175) proporcionou certa flexibilidade no acesso deste tipo de instrumento via fundos. 

Apesar da recente flexibilização, ainda existe uma série de restrições, entre elas a permissão para comprar cotas sênior (aquelas de menor risco na hierarquia de cotas de um FIDC) ou cotas mais arriscadas, apenas se o FIDC for listado em Bolsa e possuir formador de mercado. 

Por isso, as estratégias Solis Antares e Valora Guardian não conseguiriam se tornar disponíveis para investidores em geral do jeito que são concebidas hoje. O caminho provável é que as gestoras criem um fundo muito parecido com o original, mas que seja aderente às mudanças propostas na legislação. 

Perfil de risco e retorno do investimento em FIDCs

Antes de prosseguirmos, vale destacar uma questão importante quanto ao comportamento dos FIDCs

Instrumentos de crédito mais tradicionais, como debêntures, possuem um mercado de negociação mais desenvolvido. As debêntures possuem referência de preço diariamente, e um mercado secundário que permite a compra e venda dos ativos com certa facilidade. 

Agora, os FIDCs não possuem essa mesma flexibilidade de negociação e a precificação dos ativos de maneira diária é algo quase impossível. Por isso, para os FIDCs, os ativos não são marcados no mercado e sim, na curva. 

A marcação na curva consiste em considerar a rentabilidade dos empréstimos em carteira sem considerar mudanças de preço, conforme as condições de mercado. Portanto, se um FIDC investe em dívidas que paguem 15% ao ano, por exemplo, essa rentabilidade seria considerada na hora de calcular a cota do fundo. 

Justamente por isso, fundos de FIDCs possuem gráficos de rentabilidade suaves, quase que em linhas retilíneas, a não ser quando ocorre algum evento de inadimplência. 

Solis

A Solis Investimentos foi fundada em 2015 por profissionais que já atuavam juntos com fundos de crédito estruturados no Grupo Petra, vencedor  do primeiro mandato para administração de um FIDC em 2005.

Voltado para atender à demanda de empresas de factoring, que viram no instrumento uma oportunidade de economizar impostos, o fundo tinha como foco comprar recebíveis originados de operações de desconto de duplicatas de múltiplos cedentes e múltiplos devedores, conhecidos como “multicedentes/multisacados”.

Além de fazer a administração dos FIDCs, cinco anos depois, o grupo viu a necessidade de atuar também como custodiante desse tipo de fundo, uma vez que os grandes bancos optaram por deixar esse mercado. Como essa atividade só podia ser feita por uma instituição financeira com autorização do Banco Central, naquele momento, nasceu o Banco Petra.

Por que isso é importante? Porque foi no grupo que a maior parte do time, que hoje está na Solis, desenvolveu a experiência para atuar com FIDC, tanto na estruturação do produto e originação dos ativos de crédito, com o olhar de quem empresta dinheiro, quanto na análise e monitoramento das operações e dos recebíveis em carteira, atendendo aos interesses de quem investe.

Os FIDCs contam com estruturas complexas e são afetados por fatores que vão além dos riscos de crédito, associados à inadimplência, liquidez (dificuldade de se desfazer do ativo) e mercado (flutuações de preços).

Os riscos operacionais, ligados a potenciais falhas de controles internos,  podem afetar, por exemplo, os níveis de proteção das carteiras e até deixar passar fraudes. Além dos jurídicos, que envolvem a validação da cessão de carteiras e garantias, e são até mais importantes para o sucesso da aplicação.

Foi no Petra que nasceu o fundo com foco em FIDCs que recomendamos, o Antares – um dos primeiros do mercado, com histórico desde 2012. A ideia surgiu após o grupo ganhar o mandato exclusivo da Funcef, fundo de pensão dos funcionários da Caixa, para montar um fundo de R$ 100 milhões para comprar cotas de FIDCs. Com o sucesso da iniciativa, a casa decidiu criar um produto similar para atender à demanda de seus clientes.

Em 2015, o grupo decidiu focar a atuação na prestação de serviços fiduciários por meio do banco, que passou a se chamar Finaxis. Nesse período, o time de administração e gestão de fundos de crédito estruturado saiu para montar a Solis.

Entre os sócios da Solis que passaram pelo Grupo Petra estão Delano Macêdo, responsável na gestora pela área de análise de crédito, originação e estruturação, e Rafael Burquim, líder da equipe de risco de mercado com foco na gestão de crédito líquido.

Delano, que era sócio de uma das maiores factorings do Nordeste, chegou ao Petra para liderar a diretoria de crédito do banco, quando este foi criado. Também tinha como responsabilidade contribuir para o desenvolvimento da metodologia de análise e monitoramento adotada na Solis, e que apresentaremos mais adiante.

Outro sócio relevante da Solis foi Ricardo Binelli, responsável pela gestão de crédito estruturado. Fundou o Grupo Petra no início dos anos 2000, participando do desenvolvimento da indústria de FIDCs. Ele só se juntou à gestora em 2019, após o fim do período de “não competição”.

A estrutura da gestora

Com quase R$ 16 bilhões em ativos sob gestão, 30 profissionais e dois escritórios (um em São Paulo e outro em Fortaleza), um dos grandes diferenciais competitivos da gestora hoje, além da vasta experiência da equipe, é, sem dúvidas, o seu modelo proprietário de “business intelligence” (conhecido também como BI) para análise e monitoramento em tempo real dos ativos que compõem as carteiras – você conferirá na próxima seção.

Isso é importante porque, como já falamos, o fato de a aplicação apresentar volatilidade relativamente mais baixa do que os fundos de crédito tradicional não significa que ela tem menos risco. Pelo contrário, no FIDC, o ativo em si pode ser até mais arriscado por ter origem em transações comerciais e de empréstimos de companhias e instituições financeiras de menor porte a empresas pequenas, microempreendedores e pessoas físicas.

Outra vantagem da Solis é que ela participa da estruturação dos fundos de recebíveis, aumentando as chances de originar ativos de qualidade, alinhados aos interesses de quem investe e com alto grau de proteção e governança.

Mais um ponto que nos deixa bastante confortáveis em recomendar a Solis é que, seus fundos também passaram no crivo de grandes investidores institucionais, como assets, fundações e gestores de fortunas.

No segmento de crédito estruturado, a Solis atua basicamente em duas frentes: uma de fundos com foco em FIDCs e outra de FIDCs dedicados, como os produtos em parcerias com as fintechs.

Vale mencionar ainda que, conforme o mercado evoluiu, a Solis passou a diversificar as fontes de ativos. Até 2018, segundo explicou Binelli em uma das várias conversas que tivemos com a casa antes de partir para a recomendação, a gestora acabava concentrando os investimentos nos FIDCs “multicedentes/multisacados”.

Isso não só porque o mercado era restrito em opções, mas porque esse, na visão de Binelli, era o único segmento que oferecia retornos considerados atrativos – ou eram esses, ou eram os fundos de grandes empresas, que não tinham prêmio.

Ele lembra que, em 2018, ano que marcou a entrada do fundo de FIDCs da Solis nas plataformas, a gestora chegou a ter que fechá-lo para captação, porque havia mais dinheiro do que ativos para comprar.

O cenário só começou a mudar com o desenvolvimento do mercado e a implementação de uma nova agenda pelo Banco Central para fomentar a “desbancarização” do crédito e aumentar a oferta. A consequência foi a atração de novos participantes, como as fintechs, dando mais segurança ao mercado, com a regulamentação da duplicata escritural e a criação das registradoras de recebíveis, por exemplo.

Diferenças entre o Solis Antares e Solis Antares Prev

O Solis Antares possui um histórico longo que atesta a qualidade da gestão, especialmente, considerando o perfil mais arriscado do crédito que compõe a estratégia. Estamos falando de ativos com lastro em duplicatas, empréstimos para empresas de menor porte, microempreendedores e pessoas físicas, que geralmente estão fora do mercado tradicional de crédito.

Entretanto, como já contamos aqui, a Solis influencia a originação e estruturação dos fundos que vão entrar no Antares, definindo os níveis de proteção em cotas subordinadas, o spread excedente, os limites de concentração, os pré-requisitos para um ativo fazer parte da carteira, a governança... Ou seja, ela molda o produto de acordo com o que considera justo e interessante para o investimento.

O fundo de fundos, por exemplo, só investe em cotas do tipo sênior e mezanino que têm prioridade no pagamento da remuneração, e exige um nível médio de cotas subordinadas - as primeiras absorverem perdas em casa de inadimplência entre 35% e 40%, em relação ao patrimônio.

Hoje, são cerca de 70 FIDCs em carteira, com limite de 4% de exposição a um único ativo. O ticket médio dos recebíveis também é baixo, na casa dos R$ 5 mil, o que diminui o risco de não pagamento da dívida.

Até pela expertise dos profissionais da casa no segmento e pelo retorno relativamente mais atrativo, o Antares ainda é muito concentrado em fundos de recebíveis “multicedentes/multisacados”, os FIDCs de empresas de factoring. 

Apesar do risco relativamente maior desse tipo de ativo, esses FIDCs já têm uma diversificação natural por contarem com recebíveis de vários cedentes e devedores, e exposição a diferentes segmentos da economia. Além disso, o prazo dos títulos tende a ser mais curto, de 60 dias em média, o que permite ajustes rápidos no perfil da carteira, buscando, por exemplo, setores mais defensivos em momentos de crise e ativos com prêmios maiores.

Vale ressaltar ainda que, por conta do prazo de resgate de 60 dias, o fundo direciona uma parcela do patrimônio para FIDCs abertos, assim como mantém sempre uma posição de caixa de forma que, somada ao fluxo de amortização dos fundos fechados, garanta uma boa liquidez para eventuais resgates.

A política do Antares é sempre manter um caixa de, pelo menos, 25% do fundo. O nível atual maior deve-se à forte captação dos últimos meses. No entanto, a gestora já está fazendo a alocação desse capital e tem um "pipeline" grande de operações. 

Sobre a versão previdência, a diferença se dá na restrição que fundos de previdência têm para investir em FIDCs (até 25%), precisando “rechear” os outros 80% com alocações mais tradicionais em crédito,como feito pela maior parte de nossos outros gestores recomendados. 

Segundo nos contou Binelli, a gestora começou a trabalhar na montagem do fundo previdenciário há cerca de quatro anos, mas, com a chegada da pandemia, o projeto ficou parado ao longo de 2020 e boa parte do ano seguinte. Foi só no fim de 2021 que o Solis Antares Previdência saiu do papel.

Voltado para o investidor qualificado, com mais de R$ 1 milhão em aplicações financeiras, o fundo combina o investimento em cotas de FIDCs até o limite de 25% do patrimônio permitido pela norma, com uma fatia de 50% em debêntures e papéis de bancos de altíssima qualidade, conhecidos como high grade, no jargão financeiro. 

O caixa, aplicado em títulos públicos pós-fixados e operações compromissadas, representa outros 25% da carteira – nível considerado adequado diante do prazo de cotização e liquidação do fundo de previdência de 22 dias úteis e da parcela pequena (25%) de ativos estruturados, que têm baixa liquidez.

A fatia de estruturados é uma espécie de réplica do Antares original, sem cotas do tipo mezanino, que têm risco intermediário entre a subordinada (a primeira a absorver perda) e a sênior (a última). Também não possui FIDCs Não Padronizados (NP), que investem em recebíveis mais arriscados, de créditos a performar, ou seja, tem origem em contratos em que a entrega ou prestação de serviço ainda não aconteceu, a créditos já vencidos ou com pagamentos pendentes, precatórios, entre outros.

Mas todas as cotas do tipo sênior aprovadas na estratégia principal entram na carteira do fundo de previdência, na mesma proporção do patrimônio.

Já a parcela de ativos líquidos, que representa a maior fatia da carteira de previdência, é uma extensão de outro produto da casa, o Solis Vega. Este nasceu ainda no grupo Petra, em 2010, como um fundo de caixa e, com o tempo, foi se ajustando para contemplar os conhecimentos em crédito privado do time, liderado por Rafael Burquim.

Todas as debêntures e títulos de bancos que estão no Vega entram também no fundo de previdência. A diferença entre os produtos é o quanto de risco o gestor pode correr, por conta dos prazos distintos de resgate.

Fonte: Finclass e Quantum | Data ref: 03/05/24

Fonte: Finclass e Quantum | Data ref: 03/05/24

Valora Guardian

A Valora foi fundada em 2002, mas iniciou as atividades de gestão em 2005 como um "family office". Em 2008, nasceu a gestora de recursos de terceiros, a Valora Gestão de Investimentos (VGI) e o trabalho com FIDCs.

A casa reúne várias características que valorizamos em nossas análises qualitativas. Além de um histórico longo consistente, a gestora é reconhecida por alocadores e outras gestoras como uma grande referência na gestão de FIDCs.

Apesar da expansão para outras áreas de negócio, como a imobiliária e o agronegócio, em 2016 e 2019, respectivamente, o foco deles sempre foi a gestão de fundos de crédito privado e renda fixa estruturada.A Valora está focada em oferecer, por meio dos FIDCs, soluções de captação e gestão financeira para as empresas.

Com uma atuação de quase 17 anos nesse mercado, a gestora de recursos de terceiros tem mais de R$ 15 bilhões em ativos e um time de 52 pessoas, sendo que 11 delas atuam diretamente nas áreas de renda fixa e crédito privado, frente responsável pela gestão dos fundos de fundos (FoF) de FIDCs.

Daniel Pegorini, um dos sócios fundadores e também diretor-presidente da casa, é o gestor do Valora Guardian, nossa recomendação de hoje, desde o início do fundo, em 2010.

Com passagens por grandes instituições financeiras, como o Banco Garantia e o Credit Suisse First Boston, na área de estruturação de operações de dívida (DCM, sigla em inglês para debt capital markets), o gestor traz seu conhecimento de mais de sete anos em operações de reestruturação e recuperação de empresas para dentro da gestão dos fundos.

Essa união entre um gestor experiente e uma casa bem estruturada, com um time especializado e um histórico longo no mercado, foi essencial para receber o sinal verde na nossa avaliação qualitativa, ainda mais se tratando de um mercado complexo como os dos FIDCs.  

Sobre a estratégia recomendada, Valora Guardian trata-se de um fundo de cotas de FIDCs que foi estruturado em 2010 como um multimercado de crédito privado para ter mais flexibilidade durante a alocação, como já explicamos anteriormente.

Ele é voltado para investidores qualificados (aqueles que declaram ter mais de R$ 1 milhão de investimentos financeiros), mas tem aplicação inicial relativamente baixa, de R$ 500 na XP e R$ 1 mil nas demais corretoras onde é distribuído.

O produto passou pelas nossas análises quantitativas e apresenta ótimos retornos no longo prazo. Rentabilidade passada não é garantia de retorno no futuro, mas é importante avaliar como um fundo se comportou em ciclos distintos da economia e como controlou os seus riscos, principalmente durante as crises.

No mercado de crédito estruturado, o histórico longo e bem-sucedido é um ponto a favor para a seleção do fundo, pois mostra que ele foi testado algumas vezes no tempo, tornando a nossa escolha mais confortável.

Mais do que a seleção dos ativos, a preocupação da gestora com o acompanhamento dos ativos em carteira nos chamou bastante atenção, especialmente tendo em conta casos de fraude nesse segmento acontecidos no passado, como explicamos acima. “FIDCs são o tipo de instrumento que emite sinais de fumaça com meses de antecedência”, ressaltou Daniel Pegorini.

Enquanto o monitoramento de uma empresa é trimestral, quanto à divulgação de balanço, no FIDC, ele tem de ser mensal, dada a diversidade de riscos da estrutura.

Segundo contou Rodrigo, a casa mapeia o regulamento de todos os fundos em que investe e exige transparência das carteiras dos FIDCs para investir, com aberturas mensais, entre outros dados, dos 10 maiores cedentes e 10 maiores sacados.

A Valora faz o acompanhamento de mais de 50 indicadores, confrontando informações de diferentes fontes, do próprio gestor, administrador, órgão regulador. Especialmente no caso dos FIDCs multicedentes/multisacados, a gestora monitora o nível de pulverização dos créditos em carteira, pré-pagamentos e recompras.

Esse último indicador é muito importante para a equipe da Valora. Ao mesmo tempo em que as recompras “limpam” a inadimplência da carteira, se muito frequentes, podem ser um indício de deterioração da qualidade dos recebíveis originados e até fraude.

A gestora também monitora o comportamento do fluxo de pagamento dos recebíveis, a fim de identificar se a inadimplência histórica das carteiras está coberta pelas proteções da própria estrutura, como o nível de subordinação dos fundos em relação à cota sênior.

Nesse universo do crédito estruturado, e especificamente nos FIDCs, é preciso ter um acompanhamento não só dos números, mas também do lastro dos direitos creditórios que os FIDCs têm em suas carteiras.

No mundo dos multicedentes/multisacados, por exemplo, checar quem faz e quem toma um empréstimo, ou os dois lados de uma operação de compra e venda, é muito importante para evitar fraude. Não é incomum empresas simularem uma transação, emitindo uma “duplicata fria”, sem lastro, para descontá-la com uma factoring ou um FIDC.

Daniel comentou que a equipe da Valora já identificou tentativa de fraude somente checando o domicílio de pagamento dos boletos. Quando um boleto é pago no mesmo endereço da empresa que fez a venda, isso é um indício de fraude – quem emite o boleto também o paga.

E, para você ter ideia de quão no detalhe a equipe vai, o gestor nos contou que eles já chegaram a ir para frente de um imóvel e checar o hidrômetro, para verificar se a empresa existia mesmo.

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Fonte: Finclass e Quantum | Data ref: 03/05/24

Volatilidade

Talvez você já tenha ouvido a frase “volatilidade não é risco”. Esse debate é antigo e, apesar de permanecer vivo, é importante que a gente discuta o tema. Volatilidade é o desvio padrão dos retornos de algum ativo. 

Na prática, ele mede os desvios de preço, para cima e para baixo, que algum ativo apresenta ao longo do tempo. 

Dito isso, temos dois problemas. 

O primeiro é que, quando falamos de investimentos, “sustos” positivos são desejáveis, portanto se julgarmos um ativo apenas por ser mais volátil podemos estar punindo um resultado positivo. 

O segundo problema é que a movimentação de preços, não necessariamente representa um risco real de perda financeira. Em outras palavras, existem outros riscos que precisam ser avaliados. 

Um exemplo é justamente a classe que acabamos de discutir, os FIDCs, que por serem marcados na curva, sempre apresentam volatilidade baixíssima. Porém, de maneira alguma, podemos assumir que são menos arriscados por serem menos voláteis, já que possuem um grande risco de crédito, como explicado anteriormente.

Mesmo que a volatilidade não seja uma medida definitiva para você pautar as suas decisões de investimento, é legal ter uma noção do nível de volatilidade de cada estratégia recomendada. 

Para fundos de crédito, esperamos, em geral, uma volatilidade baixa, mas essa medida poderá ser mais interessante quando fizermos relatórios das outras classes de ativos, como, por exemplo, fundos multimercado. 

Escala de volatilidade

Abaixo, você visualiza uma escala de cores indicando a volatilidade dos fundos de crédito pós-fixados recomendados. O cálculo foi feito de acordo com a data de início de cada fundo até o dia 3 de maio de 2024. 

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Fonte: Finclass e Quantum

Vale a pena ressaltar que, a decisão pelo fundo a ser investido não tem que partir única e exclusivamente do nível de volatilidade. É necessário unir aspectos qualitativos ao processo de decisão. Ainda assim, é legal ter uma noção do nível de “chocalho” que os fundos escolhidos podem oferecer. 

Se você investe em um fundo como o SPX Seahawk Global, por exemplo, terá uma volatilidade similar a um multimercado de baixa volatilidade, uma vez que este indicador destoa dos outros fundos da categoria. Isso não o torna melhor ou pior, apenas diferente. 

Ficamos por aqui...

Conhecer os fundos de investimento que escolhemos para nossa carteira é extremamente importante, dado que ficar trocando as peças constantemente pode levar a perdas de patrimônio e pagamentos de imposto desnecessários. 

Somos muito exigentes em nossas análises quantitativas e qualitativas, pois, na medida em que um fundo é recomendado, temos a ideia de que ele permanecerá em nossa lista por muitos e muitos anos. 

Um gestor profissional, por melhor e mais brilhante que seja, pode passar por períodos prolongados de perda. É o ônus da gestão ativa!

Não temos a expectativa de que nossos gestores acertem sempre, mas que acertem mais do que errem, e que sejam capazes de entregar retornos consistentes em prazos longos. Por isso, para permanecermos investidos em um fundo em um momento de perdas e mantermos a calma, é necessário ter convicção das escolhas que fazemos. 

Se você investiu em um fundo sem qualquer informação sobre o mesmo, ele pode apresentar um comportamento distinto da sua expectativa e te levar a querer sair do investimento. 

Este relatório visa aliviar essa dor da escolha, uma vez que traz um “resumão” das peças recomendadas e alguns indicadores que podem apoiar a sua escolha. Faremos outras edições como essa para as outras classes de ativos em nossa alocação estrutural.  Por isso, fique de olho!

Por agora, é só. 

Um grande abraço,

Felipe Arrais, Ana Farias e Rodrigo Xavier. 

Sobre os analistas

Felipe Arrais

Sócio

Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.