Relatórios

Medo e oportunidade, normalmente, andam de mãos dadas – Nova recomendação: FIXA11

Escrito por Guilherme Cadonhotto, Rodrigo Xavier em RENDA FIXA

17 min de leitura

Final da aula de filosofia; fecho meu único caderno, aquele mesmo com um surfista na capa. Encaixo a minha única caneta preta na espiral do caderno, que eliminava a necessidade de ter um estojo.

O professor havia iniciado uma discussão sobre ética e moral.

No auge dos meus 19 anos, a discussão pouco me interessava, o assunto não era o que poderíamos chamar de animador, e naquele momento eu não observava qualquer possível contribuição para o meu futuro profissional.

Lembro-me que saí da sala de aula e encontrei um ex-colega de faculdade, o Vitor.

Vitor iniciou o curso de economia na mesma turma que a minha, mas depois de um ano ele fez a migração para outra faculdade, uma mais conceituada e bem mais exigente em termos técnicos, e só estava lá para finalizar a papelada da transferência.

Em um papo rápido, enquanto todos saiam da sala, Vitor se mostrou empolgado com as perspectivas profissionais que a nova instituição havia lhe proporcionado. Muitas entrevistas e propostas de estágio.

Comparei a rápida mudança na perspectiva profissional do Victor com a minha. Até então, mesmo que ainda tivesse pouco tempo de experiência no mercado de trabalho, eu já percebia que as oportunidades que surgiam não eram das melhores, e o pior, as que eu conseguia entrevista não me fariam desenvolver como um economista ou investidor, o que, de fato, era o meu objetivo final.

Resolvi tentar seguir os passos do Vitor e fazer a transição da faculdade.

Durante uma visita à nova instituição, uma surpresa pouco agradável: os dois anos que eu havia completado no curso de economia não serviriam para “nada”, ou seja, eu precisaria voltar ao início do curso.

Em conversa com meus familiares, amigos e pessoas próximas, as opiniões foram negativas, afinal, na visão deles eu perderia dois anos da minha vida, sendo que, se continuasse na faculdade antiga, eu terminaria em mais dois anos apenas.

Resolvi conversar com meu chefe na mesa de operações, o Miguel. Para minha surpresa, ele havia realizado um movimento semelhante quando era mais novo.

Chegou a cursar pouco mais de dois anos de uma faculdade antes de ir trabalhar em algumas fábricas no Japão.

Ao voltar para o Brasil, buscou encontrar seus amigos de faculdade, que já estavam formados há algum tempo.

Para sua surpresa, a faculdade não foi um diferencial para quase nenhum. A situação financeira da grande maioria ainda era tão desafiadora quanto na época da faculdade.

Entre continuar e se formar na faculdade que havia trancado alguns anos atrás e voltar desde o início em uma instituição melhor, Miguel resolveu dar alguns passos para trás e voltar a fazer faculdade do zero.

Comentou comigo que o medo daquela decisão foi relevante, afinal, se essa escolha não alterasse sua trajetória profissional, seriam mais dois anos “perdidos”.

Para sua grata surpresa, a sua nova faculdade o ajudou muito. Mesmo tendo se formado depois dos 30 anos, Miguel conseguiu se tornar um gestor de fundos de investimento relativamente cedo - e um dos bons.

Portanto, sua orientação havia uma base histórica mais sólida. Ele sabia que eu estava com medo, mas me mostrou que essa poderia ser uma boa decisão, muito semelhante à sua.

Resolvi seguir o mesmo caminho e, para minha grata surpresa, foi uma excelente decisão.

Depois de alguns anos na nova faculdade, a minha bagagem técnica era muito maior, além do fato de que fui convidado a fazer uma parte da faculdade fora do país, dado o desempenho que vinha alcançando.

Apesar do medo de tudo dar errado, olhando em retrospectiva, na verdade, a troca da faculdade foi uma grande oportunidade.

Uma troca de emprego, uma troca de posição, uma troca de curso, uma mudança de cidade e às vezes de país.

Já parou para pensar que ao longo da nossa vida, grandes mudanças positivas, normalmente, vêm acompanhadas de incerteza?

Você não sabe se a troca de emprego vai ser benéfica. Você pode entender que o salário será mais alto, mas, em termos de perspectivas, será que é a decisão correta?

Aceitar a promoção trocando de setor pode ser uma boa? Você não sabe, e com certeza bate um frio na barriga.

Largar um curso na faculdade que já iniciou para fazer algo que você realmente deseja será uma boa?

Mudar de cidade e até de país para ir atrás dos seus sonhos será algo positivo?

Não há como saber, o fato é que mudanças muito positivas, normalmente, vêm acompanhadas desses períodos de incerteza, e no mercado financeiro não é diferente:

Boas oportunidades normalmente surgem em meio às incertezas, ao medo.

A melhor oportunidade de investir em ações nos últimos cinco anos foi em março de 2020, no auge das incertezas com relação à pandemia da Covid-19. As ações no Brasil caíram em média 50%.

Antes disso, uma oportunidade semelhante, com um nível de incerteza e medo semelhante, só havia sido observada em 2008, durante a crise econômica global conhecida como Subprime.

Eu destaco no gráfico do Ibovespa esses dois momentos abaixo:

Fonte: Broadcast

Se você houvesse investido no IBOVESPA nesses períodos, em um espaço de tempo relativamente curto, teria uma rentabilidade de aproximadamente 100%.

É importante que você entenda que essa relação entre medo e oportunidade também existe quando o assunto são ativos de renda fixa, especialmente quando falamos dos prefixados e indexados à inflação.

Lembre-se, esses dois tipos de investimento de renda fixa observam seu preço oscilar de maneira relevante durante períodos de estresse.

Só para ilustrar, títulos públicos indexados à inflação de longo prazo se desvalorizaram em um patamar semelhante ao Ibovespa no mês de março em 2020.

O ponto aqui é: momentos de incerteza e medo no mercado geralmente oferecem boas oportunidades de retorno a médio e longo prazo.

Pegamos, no exemplo anterior, momentos muito atípicos, porém poderíamos observar janelas de tempo mais curtas e quedas menores que, mesmo assim, apresentariam boas oportunidades de alocação, quando a visão é carregar os ativos para médio e longo prazo.

Você pode estar se perguntando: “Gui, mas eu nunca vou investir pensando em obter ganhos no curto prazo?”

Ganhos, em geral, são incertos. Você tem a visão de que eles são prováveis. Quanto maior o prazo para a sua análise, maior a sua convicção.

Por exemplo:

Você trabalha muito bem, se esforça, se dedica, faz cursos que o (a) tornam um (a) profissional mais capacitado (a). Qual a chance de progredir em sua carreira, receber uma promoção, assumir uma equipe ao manter esse esforço em um nível constante? Alta, certo?

Porém, se eu te perguntasse qual a sua chance de receber uma promoção no próximo mês, você teria convicção em afirmar que isso vai acontecer?

Investimentos e cenários funcionam de forma semelhante.

Identificamos comportamentos que historicamente foram acompanhados por um determinado movimento, seja de valorização ou desvalorização. Afirmar que isso vai acontecer na próxima semana ou no próximo mês é muito incerto, porém garantir que o cenário deve ocorrer em algum momento nos dá um conforto maior, afinal esse foi o comportamento padrão de ativos semelhantes e, em algumas vezes, do mesmo ativo.

O curto prazo pode ser traiçoeiro.

Ainda lembro da época em que o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, era candidato à presidência.

Não raramente o candidato tuitava, ou seja, postava mensagens em suas redes sociais sobre suas possíveis propostas.

Naquele dia, semana e até mês, os ativos oscilavam menos em função de seus fundamentos observados e mais por conta desses “tuítes”.

Se você por um acaso tentou obter ganhos de curto prazo nesse momento, pode ter sido impactado por fatores completamente fora do controle de qualquer pessoa, e sem fundamento algum.

Isso não acontece somente em época de eleição, mas pode ocorrer com diversos tipos de notícias sobre qualquer ativo ou economia.

Por isso, o nosso foco é no médio e longo prazo, período em que o efeito das notícias é dissipado e ficamos com o impacto majoritário dos fundamentos.

Dizer que mantendo a performance atual no trabalho, com todos os aspectos citados acima, você vai conseguir uma promoção e um aumento é bem mais certeiro do que dizer que isso ocorrerá até o dia 20 do próximo mês.

Mas se a oportunidade aparece com uma elevação do medo, podemos dizer o mesmo do movimento atual dos mercados?

Primeiro, é importante ressaltar de novo que uma boa oportunidade não necessariamente precisa ser uma grande oportunidade. Movimentos ruins podem abrir espaço para aumentar um pouco a eficiência da sua carteira de investimentos.

Vamos observar o que aconteceu no mês de abril quando o assunto eram ativos de risco nos EUA e no Brasil.

Muitas pessoas se perguntam o motivo pelo qual sempre falamos de EUA e Brasil juntos.

Os EUA são a maior economia do mundo, e são referência para juros em aspecto global. Quando os juros sobem por lá, é normal que observemos movimento semelhante ao redor do globo.

Observe o que aconteceu com os juros de 10 anos nos EUA em abril:

Fonte: Broadcast

Na imagem acima, podemos notar que o juro nos EUA continuou seu movimento de alta apresentado ao longo do ano e, dessa vez, de maneira ainda mais rápida. A consequência no juro de longo prazo no Brasil pode ser observada no gráfico abaixo:

Fonte: Broadcast

Veja, assim como o juro dos EUA, o juro de longo prazo no Brasil também subiu.

Ressaltamos aqui os juros de longo prazo, para deixar mais evidente a força do movimento, mas, na tabela abaixo, onde mostramos apenas a abertura dos juros de todos os prazos, tanto no Brasil quanto nos EUA, veja que a elevação de juros não teve seus preferidos e afetou todo mundo:

Fonte: Broadcast

Esse número de 0,44 no juro dos EUA de dois anos significa que os juros saíram de 4,60% ao ano e chegaram a 5,04% ao ano.

A interpretação é a mesma no Brasil.

Uma frase atribuída a Napoleão pode nos ajudar a tomar as melhores decisões de investimento:

“Um gênio militar é aquele que é capaz de tomar decisões medianas enquanto todos estão enlouquecendo.”

Isso faz sentido para os mercados. Eu apenas reformularia assim:

“Um bom investidor é aquele que faz conta enquanto todos estão enlouquecendo.”

O que isso significa?

Que em momentos de tensão, investidores não fazem contas e acabam se desfazendo de ativos, tanto de renda fixa quanto de renda variável, a preços muito atrativos para compra.

Seria uma decisão normal se as pessoas estivessem fazendo contas, mas como todos estão com medo, poucos param para fazer cálculos, e justamente nesses momentos é que as oportunidades aparecem.

Talvez você não saiba, mas os juros de curto no Brasil têm uma relação muito forte com a expectativa de nossa taxa Selic para os próximos meses. E, com algumas contas, conseguimos entender se esses ativos prefixados de curto prazo estão atrativos ou não.

Vamos ver qual o cenário precificado pelo mercado para os juros no Brasil hoje?

Nos níveis de taxa atual para os ativos prefixados se precifica que o Banco Central brasileiro cortará a Selic até o nível de 10% ao ano e, já no início de 2025, ele voltaria a subir os juros.

Quando me refiro a “precificado”, o que quero dizer?

Significa que um título prefixado te garante uma taxa com esse cenário, ou seja, considerando que os juros no Brasil caem apenas mais um pouco e que logo voltam a subir.

Mas vamos analisar a probabilidade para isso ocorrer, de fato?

Primeiro, precisamos separar esse movimento citado no parágrafo anterior em duas partes:

1 – A interrupção do ciclo de corte da taxa Selic com ela em 10% ao ano.

2 – A volta da alta da Selic no início de 2025.

Para começar, vamos nos debruçar no primeiro aspecto.

É possível que o Banco Central brasileiro pare de cortar a taxa Selic quando ela estiver em 10% ao ano?

Sim, é muito possível.

Com relação à última reunião do nosso Banco Central, que ocorreu em março, podemos notar o movimento de alguns indicadores importantes que apontam a interrupção do ciclo de alta de juros. São eles:

1 – Câmbio: Com relação à última reunião do Banco Central, o dólar subiu, o que teoricamente eleva a perspectiva de inflação.

2 – Expectativa de atividade: Olhando para a atividade é bom que as projeções de PIB cresçam, mas quando olhamos para a expectativa de juros, se a atividade vem acima das expectativas ou se ela está sendo revisada para cima, isso pode tirar o ímpeto de corte de juros por parte do nosso Banco Central.

3 – Taxa de desemprego em queda: A redução do desemprego indica uma atividade saudável, porém, em relação à expectativa de corte de juros, que é o foco aqui, ela atua de forma contrária. Quanto menor a taxa de desemprego, mais pressionada, teoricamente, é nossa inflação de serviços - a que mais preocupa o nosso Banco Central hoje. Esse desemprego mais baixo do que as expectativas podem trazer mais uma “pulga” atrás da orelha do Banco Central com relação até onde a Selic pode cair.

4 – Expectativa de inflação em alta: A expectativa de inflação para 2025 no boletim Focus aumentou ligeiramente. Embora não seja uma notícia muito negativa, tampouco é positiva para aqueles que esperam um estímulo maior do nosso Banco Central para cortar ainda mais os juros.

Observando esses fatores, não seria uma surpresa grande se o Banco Central indicasse uma interrupção do ciclo de corte de juros, pelo menos por enquanto.

Agora, vamos abordar o outro fator que tem influenciado as taxas de juros futuras no Brasil, tanto as de longo prazo, quanto as de curto; ele está relacionado à expectativa da Taxa Selic para os próximos meses.

É provável que a Selic volte a subir já no início de 2025?

Vamos analisar de forma racional. No final de 2024, o mandato do atual presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, se encerra. Isso significa que o próximo presidente da instituição será escolhido pelo atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que frequentemente e publicamente defende que a taxa de juros brasileira deveria ser mais baixa do que o patamar atual.

Eu te pergunto:

Qual a probabilidade de a pessoa conduzida à presidência da instituição optar por um aumento da taxa de juros no Brasil no início de seu mandato, enquanto a Selic estiver ainda próxima de 10% ao ano?

Eu acredito que esse cenário de aumento de juros já no início de 2025 é muito remoto.

Além disso, em 2025, provavelmente observaremos um ciclo de corte de juros nas economias desenvolvidas, como Europa e EUA.

Será que, de fato, precisaremos subir os juros nessas condições?

Na minha opinião, a probabilidade desse cenário se materializar é baixa. Pode acontecer? Sim, mas a probabilidade é baixa.

Lembre-se do gênio militar, que só é considerado um gênio porque toma decisões medianas enquanto todos estão desesperados.

Fazer cálculos enquanto muitos estão desesperados é uma forma de se tornar um bom (a) investidor (a).

Não consideramos a probabilidade de que a taxa de juros brasileira caia ainda mais do que os 10% ao ano, tanto neste ano quanto no próximo, cenário que permanece no campo das possibilidades, mas que, por ora, foi descartado diante do receio com os recentes indicadores de inflação nos EUA.

Isso, em voga, aumentaria a atratividade dos prefixados.

“Gui, quando você se refere à atratividade dos prefixados, quer dizer o quê?”

Eu quero dizer que sua rentabilidade esperada é atrativa em comparação com a rentabilidade esperada de uma aplicação no CDI.

Vamos analisar três cenários para a rentabilidade do CDI no período:

Cenário 1 (Cenário neutro) - Queda da Selic até 10% ao ano e ela não volta a subir nem a cair.

Nesse caso, a rentabilidade média esperada pelo CDI nos próximos dois anos será de aproximadamente 9,92% ao ano.

Cenário 2 (Cenário otimista) – Queda da Selic até 10% ao ano até o final de 2024 e futura queda até 8,50% em cortes de 0,25% iniciados em 2025.

Nesse cenário, o retorno médio do CDI seria de 9,15% ao ano.

Cenário 3 (Cenário pessimista) – Queda da Selic até 10% ao ano até o final de 2024 e futura alta da Selic até o patamar de 12,50%, com altas de 0,25% iniciadas no começo de 2025. 

Aqui, o retorno médio do CDI seria de 10,88% ao ano.

Veja, para entender se a aplicação em prefixados está interessante nesse cenário, vamos comparar a taxa de retorno dos prefixados hoje com as taxas esperadas pelo CDI nesses três cenários.

Hoje, o retorno médio de um prefixado de dois anos, que representa o vencimento médio dos títulos públicos prefixados, está em 10,62% ao ano.

Como interpretar esse número?

Precisamos comparar a taxa de retorno que podemos garantir atualmente, ou seja, a taxa do prefixado, frente às rentabilidades esperadas do CDI nos diversos cenários possíveis.

Vamos fazer isso na tabela abaixo:

Fonte: Finclass

A taxa prefixada será a mesma em qualquer cenário, certo? Afinal, se você investir no ativo prefixado e carregá-lo até o vencimento, será exatamente essa taxa de retorno que terá ao vencimento do ativo.

O CDI esperado se alterará devido à mudança de cenário para a Selic nos próximos meses e anos.

A coluna de diferença nos mostra qual a taxa prefixada menos a taxa do CDI esperado.

Como podemos interpretá-la?

Veja que, no cenário neutro e no cenário otimista, a diferença para a taxa prefixada é relevante, ou seja, você teria uma remuneração significativamente maior no prefixado do que no CDI caso esses cenários de Selic se concretizassem ao longo do tempo.

No cenário pessimista, a remuneração do CDI seria levemente maior do que a do prefixado, mas longe de ser uma diferença significativa.

Isso é o que chamamos de assimetria positiva para o investidor.

O que significa?

Um espaço maior para ganhar frente ao espaço que você tem para perder.

Esse cenário nos mostra que a aplicação em prefixados de curto prazo pode ser atrativa nesse momento, e é por isso que hoje vamos incluir 5% de nossa carteira em prefixado de curto prazo.

Quem abrirá espaço para essa alocação?

Os indexados à inflação de curto prazo.

Entenda: não significa que eles deixaram de ser atrativos, mas que, dada a análise do risco que ambos apresentam (os prefixados de curto prazo e os indexados à inflação de curto prazo), os prefixados passaram a apresentar uma atratividade compatível com a dos indexados à inflação de curto prazo.

PREFIXADO DE CURTO PRAZO EM NOSSA CARTEIRA – FIXA11

Você provavelmente nunca ouviu falar, mas ele não deixa de ser um excelente ativo por conta disso.

Esse novo ativo tem relação com o nosso relatório anterior, que abordava os índices de duração constante, ou seja, que mantinham o prazo médio de vencimento da carteira estável.

No relatório anterior, percebemos que esses índices apresentam histórico muito consistente em entregar retorno frente ao CDI, e, dada a nossa análise de atratividade dos prefixados de curto prazo no momento, este pode ser um excelente momento para incluí-los em nossa carteira de investimentos.

Entre os ativos prefixados, a alocação eficiente fica entre os prefixados de dois e de três anos. Em momentos mais propícios para o corte de juros, devemos optar pelo de três anos, e em momentos mais adversos, pelo que se aproxima mais do de dois anos.

Vamos seguir, neste momento, com a opção de três anos, dado o cenário atrativo para inclusão de prefixados.

A opção pelo prefixado de três anos pode ser preenchida pelo ETF FIXA11.

FIXA11 - ETF Renda Fixa Pré-Índice Futuro de Taxas de Juros S&P/B3 Fundo de Índice

Apesar do nome complexo, esse ETF gerido pela gestora do Banco do Brasil é muito simples, ele simplesmente vai buscar investir em um ativo prefixado de três anos.

Essa aplicação será feita por meio de um derivativo, mas esse derivativo tem o mesmo comportamento, inclusive a remuneração, de um título público prefixado de três anos.

“Gui, conforme o tempo passa o vencimento vai ficando mais curto, certo?”

Certo, é por isso que semestralmente o índice que o fundo replica reajusta sua carteira novamente e volta a ter um derivativo com vencimento em três anos.

Será que esse ETF possui uma correlação boa com o índice, ou seja, será que a gestão do time do Banco do Brasil consegue seguir bem a composição do mesmo em seu fundo?

Vamos olhar a rentabilidade de ambos em janelas móveis de um ano, ao longo do tempo:

Fonte: Quantum

A linha vermelha representa a rentabilidade do fundo e a cinza a do índice. Veja que, em vários momentos, principalmente nos últimos meses e anos, uma linha praticamente se sobrepõe a outra, o que indica que ambos, índice e fundo, apresentam praticamente a mesma rentabilidade, o que é uma notícia positiva.

Taxa de administração: 0,30% ao ano

A taxa de administração desse ETF é levemente superior à que normalmente o mercado pratica - entre 0,20% e 0,25%; porém, esse não chega a ser um ponto negativo, especialmente considerando a atratividade desse ativo hoje.

Liquidez não tão boa

Esse ativo tem uma liquidez ainda baixa, embora esse fator impacte menos os ETFS, já que o formador de mercado deve atuar para não deixar o valor da cota do ETF se distanciar muito do valor justo. Aqui, é importante ressaltar que você deve se atentar ao volume de ofertas de compra e venda na hora de investir nesse ETF.

A Equipe de gestão Banco do Brasil é confiável?

Quando falamos de grandes bancos, algumas pessoas se perguntam se, de fato, eles fazem um bom trabalho. Foi assim com os ETFs do Itaú e provavelmente o mesmo acontecerá com o ETF do Banco do Brasil.

Depois de uma conversa extensa com o time de gestão do Banco do Brasil e o envio de alguns documentos por parte deles, ficamos ainda mais confortáveis quanto a isso.

A gestora do Banco do Brasil é hoje a maior gestora de renda fixa do país, e conta com um time experiente e, melhor, que trabalha junto há bastante tempo.

A estrutura da gestora é muito parruda:

Fonte: BB Asset

Imagine que cada um desses quadros conta com uma equipe, ou seja, são centenas de pessoas trabalhando juntas. As sinergias e a capacidade técnica de um time dessa magnitude não podem ser menosprezadas.

O FIXA11 tem sua gestão realizada pelo time “Fundos RF Indexados”, destacado no organograma acima. Abaixo, podemos ver detalhadamente o nome das pessoas que formam a equipe responsável pela gestão desse fundo:

Fonte: BB Asset

Observação importante: FIXA11 era gerido pela Global X (Antiga Mirae). Talvez em algumas ferramentas de pesquisa, o nome do fundo ainda apareça como Mirae Renda Fixa, mas é importante entender que a gestão é realizada pelo time do Banco do Brasil.

Por que a Global X (Mirae) não quer mais o fundo?

Primeiro vou dar a minha opinião. Para um ETF de renda fixa ,ser financeiramente rentável, você precisa de um patrimônio de muitas centenas de milhões de reais sob gestão. Apesar de ser o primeiro ETF de renda fixa do Brasil, o FIXA11 tem um patrimônio Líquido de R$ 160 milhões, o que ainda não o torna financeiramente atrativo.

Em termos de receita, deve gerar aproximadamente R$ 480 mil para a gestora por mês. Se considerarmos os custos com administração, custódia e equipe, é muito provável que esse fundo tenha trazido (e traga) resultados negativos para sua gestora.

Quando questionamos a equipe do Banco do Brasil, eles responderam que, em uma reestruturação de portfólio, a Global X entendeu que o ETF de renda fixa não fazia mais sentido para sua estratégia. 

Por sua vez, a BB Asset enxergou muito valor em ter o primeiro ETF de renda fixa do Brasil, uma vez que são a maior Asset de renda fixa do país. 

Ou seja, a ideia de trazer o FIXA11 para a gestão Banco do Brasil é muito maior do que simplesmente financeira.

Então, após algumas conversas, o fundo foi transferido para a BB Asset.

Acreditamos que esse ETF deve crescer e é um excelente produto para incluirmos em nossa parcela de renda fixa dinâmica neste momento.

Como adquiri-lo?

Através do Home broker, ou seja, do lugar onde você adquire ações, fundos imobiliários e outros produtos de renda fixa listados em bolsa. Basta digitar FIXA11 e enviar sua ordem de compra.

Como ficam as carteiras por faixa de patrimônio?

Até R$ 5 mil

Você resgatará 5% do fundo BTG Pactual inflation FIC Renda Fixa e aplicará 5% no FIXA11.

De R$ 5 mil até R$ 1 milhão

Você resgatará 5% do fundo Western Asset IMA-B5 Ativo FI Renda Fixa e aplicará 5% no FIXA11.

*Observação: Em algumas carteiras, você fará o resgate total do valor aplicado hoje em Western Asset, isso porque a exposição no fundo para algumas fixas de patrimônio é de 5%, enquanto em outras é de 7,5%.

"Até que valor vale a pena comprar?

Por ser um ETF, ele tem formador de mercado que evita descolamento relevante entre o valor justo e cota de mercado. Ou seja, pode comprar com o preço que você ver no Home Broker.

Abraços,

Guilherme Cadonhotto

Sobre os analistas

Guilherme Cadonhotto

Sócio

Além de estrategista-chefe da Finclass, Guilherme Cadonhotto é reconhecido como uma das principais autoridades brasileiras em renda fixa, ensinando seus assinantes e seguidores como conseguir, investindo em renda fixa, rendimentos tão grandes (ou até maiores) que os das ações.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.