Relatórios

Montando uma carteira de renda fixa

Escrito por Guilherme Cadonhotto, Rodrigo Xavier em RENDA FIXA

19 min de leitura

Montando uma carteira de renda fixa

Ao longo da minha carreira profissional, acredito que sempre consegui deixar uma boa impressão onde tenha passado, tanto no aspecto profissional quanto no aspecto interpessoal da coisa.

Eu me lembrei disso quando nesta semana fui visitar a BRAM, a Bradesco Asset Management, ou simplesmente a gestora de investimentos do Bradesco.

Fui visitar a gestora a convite de um antigo chefe, o Philipe Biolchini.

Na época em que eu atuava na mesa de operações, área de uma gestora de investimentos onde se tomam as decisões de alocação, Philipe era diretor de investimentos da gestora da SulAmérica, aquela empresa que você conhece como “apenas” uma seguradora.

Philipe hoje é CIO da BRAM, ou seja, basicamente é responsável pelas estratégias de investimentos de um dos maiores volumes de dinheiro do país.

Fora o aspecto técnico, Philipe é um dos melhores gestores de pessoas com quem já tive o prazer de trabalhar.

Na minha visita tive outra grata surpresa: outros dois gestores com quem trabalhei, um focado em moedas e outro de renda fixa, estavam trabalhando na equipe do Biolchini.

Em algumas poucas horas voltei a me encontrar com 3 dos meus grandes mentores de carreira, conversar, me atualizar um pouco sobre suas vidas pessoais e, claro, sobre a vida profissional.

Hoje, os dois gestores, Gustavo e Fernando, estão atuando em fundos multimercados da gestora do Bradesco.

Quando saímos do papo das amenidades e entramos no aspecto profissional, perguntei:

“E aí, como estão as coisas nos produtos aqui?”

Em uma conversa rápida, demonstraram que as coisas para multimercados estavam difíceis.

“Hoje, multimercado virou radioativo!”

De fato, o mercado constrói suas narrativas de tempos em tempos, e a narrativa atual diz que fundos multimercados são produtos, em sua totalidade, ruins.

Você deve imaginar que não concordamos com esse pensamento, afinal, 12% de nossa alocação estrutural se destina basicamente a esses fundos.

Algumas pessoas imaginam que isso é uma péssima decisão, já que na média os fundos multimercados são ruins.

O ponto é que existe um grande problema com as médias:

Se eu como 2 frangos inteiros e você não come nada, na média comemos um frango cada. A verdade é que eu estarei empanturrado e você morrendo de fome.

Se a sua cabeça está no fogo e os seus pés no gelo, na média você estará com uma temperatura normal. O problema é que você estará morto.

Quando dizem que na média os fundos multimercado são ruins, tendo a discordar de maneira veemente.

Existem excelentes fundos multimercados, com histórico eficiente em superar o CDI, e você pode encontrá-los nas maiores plataformas de investimento do Brasil.

A performance dos fundos de gestão estava muito boa, mas mesmo assim mostraram a dificuldade de captação e o Gustavo comentou:

“Quando falamos dos fundos para alocadores, a primeira pergunta é: são isentos?”

A pergunta, engraçada no momento, reflete um comportamento típico do brasileiro, o de priorizar o investimento em renda fixa.

Isso não significa que o brasileiro médio está errado, afinal, se olharmos o resultado das classes de ativos nas últimas décadas, o destaque para a renda fixa é inegável.

Apesar das muitas histórias de sucesso com ações, a renda fixa gerou mais retorno para a média dos investidores nas últimas décadas do que os investimentos em ações.

Digo isso com uma simples olhada rápida para o desempenho acumulado dos principais benchmarks do Brasil nos últimos 20 anos, são eles: CDI, Ibovespa, IMA-B e IRF-M.

Fonte: Quantum

Veja, em primeiro lugar, disparado, está o IMA-B, o índice dos títulos públicos indexados à inflação. Em segundo lugar, o índice dos títulos públicos prefixados; em terceiro, o índice dos títulos pós-fixados e principal índice de referência do mercado brasileiro, o CDI.

Depois do pódio ser dominado pelos índices de renda fixa, nós temos o Ibovespa, nosso principal índice de ações. Por último, o dólar puro, sem estar em nenhum ativo externo.

Uma observação importante aqui: é por isso que não defendo a alocação em dólar puro na sua carteira, isso não faz sentido algum. Se você quer ter uma parte da sua carteira protegida e em moeda forte, aloque seu dinheiro em títulos públicos americanos de curto prazo. Assim você ganha a variação do dólar mais a taxa de juros americana acumulada no período.

Você deve estar se perguntando onde está o Ifix, o índice dos fundos imobiliários, certo?

A verdade é que ele começou anos depois dos índices que analisamos anteriormente, então prefiro deixar em uma análise separada, mas vamos dar uma olhada nessa comparação agora com o Ifix no jogo:

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Fonte: Quantum

Com o Ifix, a análise só é possível a partir de 2011.

Mesmo assim, os dois primeiros colocados são os índices de renda fixa, e, convenhamos, com uma vantagem razoável frente aos outros indicadores.

Em terceiro lugar temos o próprio Ifix, um índice de renda variável que vem acompanhado de perto pelo CDI e pelo dólar.

Por último, e muito atrás dos demais, temos o Ibovespa.

“Você quer dizer que investir em ações é ruim, Gui?”

Não, de maneira alguma.

O Ibovespa representa um média das maiores e mais negociadas empresas da bolsa brasileira, e a média nem sempre é o melhor indicador para entender se você pode encontrar bons ativos ou não.

Existem muitos analistas e gestores que conseguiram entregar resultado muito bom frente ao Ibovespa nos últimos anos.

Mas não quero entrar nessa discussão, quero simplesmente mostrar que é compreensível que as pessoas busquem investir a maior parte do seu dinheiro em renda fixa.

A maior taxa de retorno nas últimas décadas já seria suficiente para trazer um maior número de adeptos para o renda fixa, correto? Mas além disso, o investimento em renda fixa apresentou um risco muito menor do que os de renda variável, e estou falando aqui de risco de oscilação, ou seja, de balanço no preço dos ativos, medido pelo indicador chamado volatilidade.

Quando maior a volatilidade, maiores as oscilações de preços de um ativo. É normal que investidores que façam escolhas racionais deem preferência a investimentos que entreguem a maior taxa de retorno frente ao risco que estão correndo. Vamos olhar a volatilidade dos índices desde 2011, assim consideramos em nossa análise o Ifix:

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Fonte: Quantum - Elaboração: Finclass

Veja, com os índices ordenados por volatilidade fica ainda mais claro o quanto os índices de renda fixa foram mais eficientes nos últimos anos, ou seja, entregaram mais retorno com um menor risco.

Tudo isso para te dizer que é normal que as pessoas queiram começar a investir justamente pela renda fixa.

Só quem não tem experiência investe em renda fixa?

Não. Conheço muitos gestores extremamente experientes que investem quase todo o seu patrimônio em ativos de renda fixa, considerando indexados à inflação, prefixados e pós-fixados.

Sérgio Machado é um deles.

Em um episódio do podcast “Os Economistas”, no qual tenho a honra de ser um dos hosts, ao lado do Ricardo Figueiredo, nosso analista de fundos imobiliários, Sérgio comentou que hoje a maior parte de seu patrimônio está em renda fixa, e veja só, Sérgio tem nada mais nada menos do que 40 anos de experiência no mercado financeiro, passou por períodos de crises e de bonanças e hoje tem uma quantia considerável nessa classe de ativos.

O que estou querendo dizer é que a carteira de renda fixa que vou passar para você hoje, ou melhor, o método para você montar uma carteira de investimentos somente de renda fixa pode funcionar tanto para quem está começando a investir quanto para quem já investe e tem experiência no assunto, mas quer ter um percentual considerável dos seus investimentos nessa classe de ativo.

Vamos nessa?

Passo 1 - Pensar na alocação em renda fixa

Você já deve ter nos ouvidos falar sobre a importância de uma alocação estrutural. Isto é, como você divide a sua carteira entre as diferentes classes de ativos, renda fixa, ações, fundos imobiliários e aí por diante. Acontece que quando a maior parte da sua carteira está em renda fixa é interessante que você pense na alocação dessa carteira, mas ao invés de pensar nas classes de ativos que citamos anteriormente, você vai entrar nas classes de renda fixa, que dividimos da seguinte maneira:

- Pós-fixados

- Prefixados de curto prazo

- Prefixados de longo prazo

- Indexados à inflação de curto prazo

- Indexados à inflação de longo prazo

- Renda fixa internacional

A parte de renda fixa internacional, entendo que não funcione para todo mundo, afinal, os ativos aqui estarão, de maneira direta ou indireta, expostos ao dólar, o que vai trazer uma volatilidade a que a maioria das pessoas que dão preferência para a renda fixa não está acostumada.

É importante que você entenda que cada um desses ativos tende a se comportar de maneira diferente dado o cenário econômico que estejamos atravessando.

De maneira bem resumida, vou comentar quando cada um desses ativos tende a se beneficiar ou prejudicar.

Pós-fixados:

Os ativos pós-fixados são o porto seguro dos investimentos, ou seja, apresentam baixíssimo risco de oscilação. O índice que melhor os representa é o CDI e a Selic. Quanto maior essas taxas, maior a rentabilidade diária de ativos que têm sua remuneração atrelada a esses índices.

Isso significa que eles passarão a ser destaque da sua carteira de investimento conforme a Selic estiver em processo de elevação, e que a remuneração deles começará a subir pouco a pouco.

O inverso é verdadeiro, ou seja, quando a taxa Selic, e consequentemente o CDI, começa a cair, esse seu ativo vai apresentando uma rentabilidade diária, semanal e mensal cada vez menor.

Prefixados de curto prazo:

Os prefixados de curto prazo são impactados principalmente pela perspectiva de Selic nos próximos dois anos.

Quando a expectativa de juros, a da taxa Selic brasileira, começa a subir, esses ativos tendem a apresentar rentabilidades piores do que a do CDI. Como eles são de curto prazo, esse “prejuízo” não é tão considerável.

Do outro lado, quando as expectativas da taxa de juros para os próximos meses e anos estão em queda, esses ativos tendem a se beneficiar, apresentando uma rentabilidade significativa acima do CDI. De novo, por ser um ativo de curto prazo, não espere nenhuma mudança de patamar financeiro no curto prazo, aqui o lema é “devagar e sempre”.

Prefixados de longo prazo:

Os prefixados de longo prazo até podem ser impactados pela perspectiva de taxa Selic nos próximos meses e anos, mas nem de longe esse é o fator mais relevante no comportamento do seu preço.

O que impacta o preço desses ativos são os chamados juros de longo prazo do país. Esses juros de longo prazo são afetados por fatores como perspectiva fiscal, estabilidade política e cenário macroeconômico global.

Juntos, esses fatores impactam muito mais o preço dos ativos prefixados de longo prazo do que simplesmente a perspectiva da taxa Selic nos próximos meses e anos.

Conforme os cenários fiscal, político e internacional apresentam uma boa perspectiva, esse ativo também tende a apresentar bons desempenhos. Veja que interessante, esses fatores podem seguir caminhos diferentes ao longo do tempo.

Isso significa que o cenário fiscal brasileiro pode estar indo bem, porém o cenário internacional jogar contra o desempenho desses ativos. O resultado pode não ser tão positivo para os prefixados de longo prazo.

Você vai enxergar resultados muito positivos nesses ativos quando houver uma combinação positiva desses três fatores, o que não acontece sempre.

Do lado negativo, isso também é verdade. Quando os três fatores jogarem contra a performance dessa classe de ativos dentro da renda fixa, o retorno tende a ser muito ruim.

O que fazer? Calibrar bem sua exposição a essa classe de ativos. Mas vamos falar mais disso em breve.

Indexados à inflação de curto prazo:

Esses ativos apresentam uma composição que chamamos de híbrida, ou seja, possuem uma parte da sua remuneração atrelada a um índice pós-fixado, que é o IPCA, e uma parcela prefixada, que é a taxa que vem logo após o sinal de + quando olhamos para a promessa de rentabilidade desses ativos.

Os indexados à inflação de curto prazo são representados pelo IMA-B 5, o índice mais consistente do mercado brasileiro. Desde sua criação, nunca apresentou um ano de performance negativa e, de 19 anos desde sua criação, ficou abaixo do CDI em apenas 3 observações. Ele é literalmente o próximo passo depois do CDI para quem quer começar a investir de verdade.

Esse ativo é beneficiado em momentos em que as perspectivas de juros para os próximos meses e anos está caindo, mas também sofre impacto positivo quando a inflação de curto prazo surpreende as projeções para cima. Diferente do prefixado de curto prazo que se beneficia quando os juros estão caindo e quando a inflação surpreende as projeções para baixo.

Essa é a razão da sua consistência. O fato de ele ter um “amortecedor” contra surpresas inflacionárias fez com que esses ativos apresentassem performance excelente nos últimos anos, e o melhor, com risco muito baixo.

Para esse ativo sofrer um impacto negativo muito relevante em seu preço, uma combinação incomum de fatores precisa ocorrer: uma alta na expectativa de juros com uma inflação estável ou em queda. E esse é o motivo da sua resiliência, altas na expectativa de juros raramente ocorrem com uma inflação em queda.

Indexados à inflação de longo prazo:

Nos indexados à inflação de longo prazo, temos um comportamento semelhante aos prefixados de longo prazo, mas com uma característica importante de diferente.

Eles são afetados pelas perspectivas fiscais, políticas e econômicas do país e do exterior, com uma grande diferença do prefixado de longo prazo, que também é afetado por isso:

Quando a expectativa de inflação de longo prazo do Brasil sobe, eles têm um impacto positivo no seu preço.

O aumento da expectativa de inflação de longo prazo normalmente está associado a uma piora do cenário fiscal, o que joga contra o preço do ativo também, mas o que quero ressaltar é que o componente da inflação acaba atenuando o impacto negativo que seria causado pela parcela prefixada do ativo.

É por isso que no longo prazo os indexados à inflação de prazo maior também apresentaram eficiência mais elevada do que os prefixados de longo prazo.

Renda fixa internacional:

Quando falamos de renda fixa internacional estamos falando de uma categoria tão ampla quanto a nossa, porém em outro país.

Para simplificar, aqui damos preferência para os ativos de renda fixa lá fora onde temos um acesso facilitado, ou seja, que você consegue acessar de uma plataforma de investimentos brasileira, sem a necessidade de abrir conta em uma corretora internacional e até mesmo sem a necessidade de saber falar inglês.

É importante, principalmente em alguns momentos, ter uma exposição do seu dinheiro à ativos lastreados em moeda forte, como o dólar.

Vale lembrar que o dólar é a moeda de reserva do mundo todo.

Alocação dentro da renda fixa

Agora que você entendeu como funciona, de maneira extremamente resumida, cada uma das classes dentro da renda fixa, vamos entender qual a distribuição entre essas classes de ativos da sua carteira, ou seja, qual a sua alocação de renda fixa.

Preciso reforçar uma informação para você: essa carteira foi elaborada imaginando que você tenha apenas renda fixa na sua carteira de investimentos, ou que ela componha praticamente toda a sua carteira de investimentos.

Digo isso porque você vai notar que ela tem uma composição levemente diferente da parcela de renda fixa da nossa carteira completa de valorização. O motivo?

Simples, pensamos em uma carteira de investimentos como um todo, onde cada peça (ativo) tem sua função dentro do time.

Se pensarmos em um time de futebol, pense que cada jogador tem uma respectiva função: ataque, defesa e construir as jogadas necessárias para o ataque.

Na nossa carteira completa é normal que a renda fixa fique em maior parte na defesa e na construção de jogadas, porém, quando você quer formar um time completo, precisa selecionar dentro dela alguns ativos importantes que terão a função de ataque.

Dito isso, essa é a nossa distribuição recomendada atualmente para uma carteira de renda fixa:

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Fonte: Finclass

Talvez você acredite que ainda é cedo para investir em renda fixa internacional, e eu posso entender sua desconfiança, afinal é de fato uma categoria onde os preços oscilam mais.

Se por ventura você procurar montar uma carteira de renda fixa, mas sem a presença de renda fixa internacional, basta que você zere a exposição a ativos internacionais e aloque esses 5% em renda fixa de curto prazo, sua alocação então será esta aqui:

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Fonte: Finclass

Agora você deve estar pensando “Legal, Guilherme, agora como preencho essa minha carteira?”.

Bom, antes de te dar a opção de montar essa carteira através de ativos, vou te dar a opção de montá-la através dos famosos ETFs.

A sigla ETF significa "Exchange-Traded Fund", que em português é traduzido como "Fundo de Investimento Negociado em Bolsa".

O investimento em ETFs é extremamente simples, você consegue investir em cada uma das classes de ativos que citamos anteriormente com apenas um ativo, que é negociado em bolsa, ou seja, é encontrado em qualquer corretora de investimento.

Algumas das vantagens do investimento em ETF são:

- Possuem liquidez elevada. Para você comprar e vender seus ativos que estão em ETF leva poucos segundos. No caso da venda, o dinheiro fica disponível para você em dois dias, porém a venda em si é realizada rapidamente e sem grandes problemas ou dificuldades.

- Vantagem tributária. No caso dos ETFs a alíquota de Imposto de Renda padrão é de 15% para qualquer período. Vale lembrar que na renda fixa a alíquota máxima é de 22,5% sobre os lucros obtidos e depois vai caindo até que chegue na alíquota mínima de 15% depois de dois anos somente. No ETF você tem a alíquota de 15% para qualquer período de aplicação e a ausência de IOF, o imposto que “come” grande parte dos lucros que você obteve em até 30 dias em ativos tradicionais na renda fixa.

Sei que você não fica comprando e vendendo ativos de renda fixa a toda hora, mas isso nunca deixa de ser uma vantagem.

- Facilidade de controle. Quando você monta uma carteira de investimentos com muitos ativos, é normal que precise gastar mais tempo os equilibrando e rebalanceado, afinal, conforme o tempo vai passando, um pode ir tomando espaço do outro através de valorizações/desvalorizações em proporções diferentes. No caso dos ETFs, você precisa de 5 ou 6 ETFs para ter uma carteira completa de renda fixa.

Vamos aos ETFs para compor cada uma das classes da renda fixa.

Pós-fixados

Começando por uma classe que não possui um ETF eficiente, que ironia, não?

Acontece que a única classe que tem desvantagem de se investir através de ETF é a de pós-fixados, isso porque a alíquota de IR para esse produto é de 25%.

Então nessa parcela você pode seguir dois caminhos: Tesouro Selic direto ou Fundo DI taxa zero.

De maneira direta ou indireta você estará investindo em Tesouro Selic, seja através do ativo direto ou em um fundo DI taxa zero.

Os títulos do Tesouro Selic você adquire através da plataforma do Tesouro Direto e pode adquirir qualquer um, independentemente do vencimento. Eu dou uma leve preferência para o mais longo, afinal, quanto mais tempo o ativo permanecer na carteira, maior o tempo que você vai levar para pagar o IR devido e melhor pro seu bolso.

Os fundos DI taxa zero você encontra na nossa aba de carteira, eles estão listados na aba “Fundos Aprovados” na categoria “Para sua reserva de emergência”.

Prefixados de curto e longo prazo – IRFM11

Quando falamos de opções de prefixados de curto e longo prazo, não temos um índice que represente cada um de maneira diferente de modo significativo.

O IRF-M é o índice dos títulos públicos prefixados e é composto por todos eles, tanto os que vencem no curto quanto no longo prazo.

A Anbima até tem um índice de prefixados voltados para ativos mais longos, mas ele simplesmente exclui os títulos com prazo de vencimento menor do que 1 ano (IRF-M 1+). Essa diferença acaba sendo muito pequena. O prazo médio de vencimento do IRF-M hoje é de 2 anos, e o do IRF-M 1+ é de 2,5 anos.

A opção de ETF de prefixado é limitada, mas não é ruim. Hoje temos como melhor opção para refletir a cesta de títulos públicos prefixadas o IRFM11, um ETF do Itaú que visa replicar o índice IRF-M.

A liquidez desse ativo é extremamente elevada e sua taxa de administração é baixa, 0,20% ao ano.

Essa é uma excelente opção para se expor aos ativos prefixados de um modo simples.

Indexados à inflação de curto prazo – B5P211

Quando falamos do índice mais eficiente do mercado brasileiro (IMA-B 5), só temos um fundo que o replica bem, o B5P211, que também é um ETF da Asset do Itaú.

A taxa de administração é baixa, também de 0,20% ao ano, e a liquidez é extremamente elevada.

Se certifique de que não haja corretagem relevante na sua corretora de investimentos e faça o investimento em um dos ativos mais eficientes do país.

Indexados à inflação de longo prazo – IB5M11 e B5MB11

Os ativos indexados à inflação de longo prazo são representados pelo índice IMA-B 5+. Você tem duas opções de ETFs que seguem o índice:

B5MB11 – Gestão do Bradesco e taxa de administração de 0,20% ao ano.

IB5M11 – Gestão da Itaú Asset e taxa de administração de 0,25% ao ano.

Indexados à inflação no Geral – Bônus

Eu, Guilherme, particularmente gosto de separar a alocação em indexados à inflação de curto e de longo prazo, afinal essas classes possuem oscilações bem diferentes e apresentam desempenhos bem díspares ao longo dos ciclos econômicos.

Em alguns casos, posso aumentar a participação de indexados à inflação de curto prazo se julgar necessário e, em outros momentos, reduzi-la para dar espaço para os de longo prazo.

Mas há quem prefira fazer como nos prefixados, mas aqui não por necessidade e, sim, por conveniência, ou seja, juntar os de curto prazo e os de longo prazo em um único ETF que represente o IMA-B, o índice dos títulos públicos indexados à inflação de todos os vencimentos.

Aqui você tem duas opções:

IMBB11 – Gestão do Bradesco e taxa de administração de 0,20% ao ano.

IMAB11 - Gestão do Itaú e taxa de administração de 0,25% ao ano.

Renda Fixa Internacional – USDB11

Para investimento direto em renda fixa americana, hoje há uma boa opção listada na bolsa brasileira, o USDB11, um ETF da gestora Investo que compra cotas de um ETF nos EUA, o BND.

É, portanto, um ETF de títulos investment grade dos Estados Unidos tanto no âmbito corporativo quanto no público. É uma grande cesta de títulos de renda fixa de altíssima qualidade.

O ETF BND paga dividendos mensais que, no caso do ETF USDB11 (e em qualquer ETF listado no Brasil), serão reinvestidos automaticamente.

Esse ETF, que é um fundo passivo, tem quase 70% do seu patrimônio alocado em títulos públicos americanos e os outros 30% alocados em títulos corporativos de empresas de alta qualidade de crédito nos EUA.

Em termos de risco de crédito, ou seja, chance de um calote, ele é extremamente conservador, mas como o prazo de vencimento dos ativos que está lá dentro é relativamente alto, ele oscila de maneira significativa, então se não gosta de oscilação, lembre-se, a renda fixa americana pode te assustar um pouco.

Montando a carteira de renda fixa através de ativos

Para quem não dá prioridade para a comodidade, mas sim para uma possibilidade de obter ganhos maiores, mesmo que isso demande um controle e trabalho maior, a carteira de ativos é a ideal.

Para montá-la você precisará fazer uma mescla de ativos que envolve a participação de títulos públicos, fundos de investimento, ETFs e títulos privados.

Nos tópicos abaixo eu vou passar uma lista dos ativos que estão entre os meu recomendados de renda fixa, ou seja, que você pode ter na sua carteira de renda fixa.

Lembrando que o que vou te apresentar abaixo não é uma obrigatoriedade e, sim, uma possibilidade. Isso significa que dentro de cada uma dessas caixas você pode simplesmente escolher alguns deles para montar a sua carteira de renda fixa completa por ativos.

Quando houver a retirada de algum desses ativos, também o comunicaremos.

Pós-fixados:

Fonte: Finclass

Vale ressaltar dois pontos para essa classe de ativos:

1 – Os produtos de crédito privado não ficam disponíveis para todos os clientes da plataforma. Ou seja, dependendo do quanto de patrimônio você tenha investido nas plataformas de investimento, você pode não ter acesso a eles.

2 – A taxa desses ativos pode mudar sem aviso prévio assim como a sua disponibilidade.

Prefixados de curto prazo

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Fonte: Finclass

* A taxa de retorno dos CDBs deve ter um prêmio de no mínimo 0,50% ao ano acima de um título prefixado de mesmo prazo.

* A taxa de retorno das LCIs e LCAs citadas deve ter no mínimo a mesma taxa de retorno de um título público prefixado de mesmo prazo. Lembrando que esses ativos são isentos de IR, sendo assim essa já passa a ser uma boa taxa de retorno.

Os títulos prefixados do Banco Daycoval e do BTG estão recorrentemente em destaque em termos de rentabilidade nas plataformas de investimento e apresentam excelente risco de crédito.

Prefixados de longo prazo

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Fonte: Finclass

Na parte de prefixados de longo prazo, eu enxergo um problema:

Não há como colocar ativos de crédito privado, isso porque esses ativos apresentam baixíssima liquidez, e caso alguma instituição ou empresa apresentar um aumento no risco de crédito relevante, você fica sem saída, precisa “torcer” para que as coisas se resolvam.

Lembrando que a taxa se altera todos os dias, e que se esse ativo não for recomendado também o comunicaremos.

Indexados à inflação de curto prazo

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Fonte: Finclass

Veja, nessa categoria temos 3 fundos de investimento que estão disponíveis através do acesso via plataformas, um fundo de infraestrutura listado em bolsa, ou seja, que investe majoritariamente em debêntures de infraestrutura, e CDBs das instituições já citadas.

Vale ressaltar que em certos momentos é normal que os fundos apresentem performance inferior ao benchmark. Desde que sua eficiência em superar o benchmark e médio prazo não for prejudicada, nós o manteremos na carteira.

Destaco o JURO11, um fundo que vai trazer uma exposição da sua carteira em renda fixa em crédito privado de um modo onde o risco de crédito fica pulverizado em diferentes emissores e você mantém a liquidez do seu dinheiro, ou seja, o fácil acesso a ele. Além disso o JURO11 apresenta um histórico consistente em superar o seu respectivo benchmark.

* Para os CDBs, a regra do 0,50% a mais na taxa de um título indexado à inflação de curto prazo também se aplica.

Indexados à inflação de longo prazo

Fonte: Finclass

Se você quer correr risco de verdade na renda fixa, aqui é o lugar, e não posso deixar de mencionar o Tesouro IPCA+ 2045, o meu ativo favorito para ganhos de marcação a mercado. Esse ativo, em momentos positivos, tende a se valorizar de maneira relevante.

KDIF11 e IFRA11, apesar de terem como benchmark o IMA-B, têm uma volatilidade mais alta do que os ETFs do IMA-B 5+.

Isso se dá pela sua composição ser realizada por debêntures de infraestrutura e pelo fato de o fundo ser listado em bolsa, o que aumenta a oscilação da sua cota de mercado.

E os ETFs te ajudam a complementar sua fatia de indexados à inflação de longo prazo sem maiores preocupações, afinal, lá dentro só tem títulos públicos.

Com esse relatório em mãos, espero que você entenda como montar uma carteira de investimentos de renda fixa.

Lembre-se, caso você siga nossa carteira completa de valorização, nada muda, pode continuar com ela.

Pequenas mudanças na renda fixa na carteira de renda

Se você segue a carteira de renda e já tem sua carteira de investimentos montada nada muda para você, porém se você continua aportando recursos na sua carteira de renda ou se você pretende montá-la, vale entender essas pequenas alterações na carteira.

Na ausência da LCA do BTG com pagamento de juros mensal, o que vem se tornando de fato cada vez mais raro, pode optar pelo Tesouro prefixado 2035. É importante que você entenda que essa troca faz com que a volatilidade da carteira seja um pouco mais alta do que na opção anterior, afinal, estamos falando de um prefixado de longo prazo. Apesar de a exposição a esse ativo ser de 2,5%, ele oscila de maneira relevante.

Um outro ponto é que agora os juros não serão mensais, mas sim semestrais, mais especificamente nos dias 1º de janeiro e 1º de julho.

A outra troca é por um motivo mais simples. O Tesouro IPCA+ 2032 deixou de ser emitido pelo Tesouro Nacional, agora o ativo IPCA+ com juros semestrais mais curto passou a ser o Tesouro IPCA+ 2035.

Não há troca relevante de risco, apenas um único fator importante.

O Tesouro IPCA+ 2032 pagava juros em fevereiro e agosto e o Tesouro IPCA+ 2035 pagará juros nos meses de maio e novembro.

Abraço,

Guilherme Cadonhotto

Sobre os analistas

Guilherme Cadonhotto

Sócio

Além de Estrategista da Finclass, Guilherme Cadonhotto é reconhecido como um grande especialista em Renda Fixa. Bacharel em Economia pela FGV e pela Nova School of Business and Economics, além de ter mais de 10 anos na gestão de fundos de investimento de Renda Fixa, Crédito Privado e Multimercado, hoje ele ensina seus alunos e seguidores como conseguir, investindo em renda fixa, rendimentos tão grandes (ou até maiores) que os das ações.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.