Já pensou em passar o dia inteirinho utilizando somente produtos de marcas das quais você é sócio ou sócia?
Imagino que multimilionários que gostam de investir em ações não tenham dificuldade em fazer isso, uma vez que podem ser dar ao luxo de investir em ativos de uma infinidade de empresas, não é mesmo?
Essa possibilidade me lembrou do meme do dinheiro infinito que corria pela internet, e confesso que já me apoiei na “ideia” para comprar alguma coisa que queria sem me sentir culpada.
Para quem não conhece o meme, ele dizia mais ou menos assim: se você comprar ações da Renner, por exemplo, pode ir até uma das lojas e gastar todo o seu dinheiro lá, já que, tecnicamente, ele voltará para você. Afinal, as ações vão se valorizar, e você, como sócio ou sócia, não perde dinheiro com seus gastos na empresa.
Claro que isso é apenas uma brincadeira, e não quero de forma alguma instigar ninguém a gastar desnecessariamente – apesar de que não deixa de ser uma boa desculpa para umas comprinhas extras, né?
Mas, na recomendação de hoje, eu vou te mostrar como você não precisa ter milhões em conta para passar o dia inteiro utilizando as marcas das quais você pode vir a ser sócio ou sócia.
A recomendação de hoje é a estratégia Global Brands da gestora Morgan Stanley Investment Management, que investe apenas em grandes empresas de países desenvolvidos.
Direto ao assunto
Eis os motivos pelos quais escolhi o fundo de ações Morgan Stanley Global Brands – além das marcas incríveis que fazem parte da carteira a estratégia que já tem 26 anos de histórico é capaz de entregar muito mais.
Gestão ativa bem elaborada:
- Carteira concentrada, de 20 a 40 papéis;
- Altos níveis de convicção (Top 10 > 50% da carteira);
- Não fazem gestão de caixa, pois os recursos são totalmente investidos (fully invested);
- Agnóstico ao índice de referência;
- Mais de 80% do alpha (retorno acima do índice de referência) histórico advém de stock specific risks, ou seja, fatores como setor, moeda, país etc. são mínimos na representatividade do retorno;
- Visão de longo prazo, com rotação da carteira entre 20% e 25% ao ano, ou seja, de 4 a 5 anos de média em papel;
- ESG (critérios relacionados a meio ambiente, social e governança) é parte integral do processo, uma filosofia de qualidade desde o lançamento do fundo/estratégia, em 1996.
A gestão com foco em qualidade permite acessar empresas com alto fluxo de caixa, receitas recorrentes, pricing power, altas margens e alto retorno sobre capital.
O que é investir com qualidade?
O fator qualidade é um dos responsáveis por entregar retornos superiores ao longo do tempo. Caso você não esteja familiarizado com o conceito, talvez valha a pena ler este relatório feito inteiramente sobre o tema.
Aos olhos da equipe de gestão da Morgan Stanley, capitaneada por William Lock, significa que os gestores buscam empresas que apresentem, ao mesmo tempo, as seguintes características:
- Altos retornos não alavancados sobre o capital operacional empregado;
- Margens brutas altas (poder de preços);
- Modelos de negócios com baixa intensidade de capital impulsionando à geração de fluxo de caixa livre;
- Balanço forte e níveis baixos de endividamento;
- Capacidade de permanecer relevante através de poderosos ativos intangíveis, incluindo marcas e redes que sustentam altas barreiras de entrada;
- Retornos sustentáveis contra ameaças ou aprimoráveis através de oportunidades, incluindo fatores ambientais ou sociais;
- Participação de mercado dominante ajudando a proteger contra novos entrantes;
- Vendas estáveis: modelo de negócios escaláveis que geram receitas recorrentes;
- Crescimento orgânico constante e diversificação geográfica;
- Foco no retorno sobre o capital em vez de vendas ou crescimento do lucro por ação;
- Disciplina de capital: reinvestir com altos retornos ou devolver o capital excedente aos acionistas.
Como funciona a qualidade sustentável, o motor dos retornos compostos
Aqui, vou utilizar a analogia feita pelo Victor Arakaki, head de vendas da Morgan Stanley no Brasil, em uma das nossas inúmeras conversas: “retornos compostos são a oitava maravilha do mundo”. E, para obtê-los, o fundo investe em empresas de qualidade sustentáveis, como as mencionadas anteriormente.
Com juros compostos você recebe os rendimentos também sobre os juros já recebidos, enquanto com juros simples você recebe juros somente sobre o investimento inicial. Isso quer dizer que seu dinheiro vira uma “bola de neve” que vai aumentado cada vez mais.
A gestora responsável por tudo isso
A Morgan Stanley Investment Management, assim como as marcas mencionadas acima, dispensa apresentações. É o braço gestor de um dos maiores bancos do mundo, o que também coloca a própria gestora na lista de marcas de qualidade.
Isso sem falar nos critérios de sustentabilidade e engajamento, que são grandes diferenciais da gestora. Todo ativismo junto às empresas investidas é conduzido pela equipe de investimentos e pela equipe interna focada em critérios ESG.
A Morgan Stanley sempre ressalta que não depende de fontes externas para filtrar ou ranquear empresas, pois, com uma equipe interna especializada, consegue construir um panorama mais completo do perfil ESG de uma empresa, e, em paralelo, pode identificar quais delas ficaram para trás quando comparadas com seus pares ou competidores.
O processo de investimento foca na sustentabilidade e no direcionamento futuro dos retornos elevados sobre o capital operacional (ROOCE). Os gestores acreditam que tais empresas devem superar os retornos do mercado no longo prazo. Na visão deles, as oportunidades e riscos relacionados aos critérios ESG são mais importantes do que nunca para os retornos futuros das companhias. Portanto, esses pontos são parte integral da análise da sustentabilidade dos retornos.
É importante pontuar que a gestora se engaja diretamente com as empresas investidas sobre temas de sustentabilidade e governança, e vem fazendo esse trabalho ao longo de mais de 20 anos.
Abaixo, trago alguns estudos de casos reais de ativismo da Morgan Stanley em empresas investidas:
I. Empresa líder mundial de aplicações de software empresarial com mais de 440 mil clientes
A Morgan Stanley fomentou uma discussão relacionada à contribuição da empresa citada na redução da emissão de carbono, uma vez que os clientes da companhia em questão estão cada vez mais interessados na gama de soluções que ajudam a reduzir a pegada de carbono no processo de otimização da cadeia produtiva, algo que deve se tornar um importante catalizador de crescimento ao longo do tempo.
Através do processo de digitalização do modelo de negócios, a indústria de tecnologia de informação, como um todo, pode potencialmente ajudar a reduzir substancialmente emissões de gases causadores do efeito estufa (GHG, na sigla em inglês), o que representa por volta de 14% do total mundial, em indústrias com emissão intensa de carbono. Como exemplos, temos os setores elétrico, de saneamento básico, transporte e agricultura.
II. Empresa multinacional de produtos farmacêuticos e de cuidados com a saúde, com mais de 130 anos de história, 106 mil funcionários empregados e presença em mais de 160 países.
A Morgan Stanley fomentou a discussão relacionada à remuneração do corpo diretivo, trazendo à tona pontos de insatisfação como: pouca transparência quanto às metas, uso de opções em vez de desempenhos das ações listadas e elevado montante de remuneração. A gestora votou contra a proposta de remuneração na assembleia geral por entender que a empresa não apresentou motivos relevantes para manutenção desta prática.
Critérios ESG são levados a sério na Morgan Stanley
A gestora acredita que a compreensão dos critérios ESG é necessária para a apreciação bem-sucedida de longo prazo das empresas. Para isso, leva em consideração os pontos listados abaixo, fundamentais nas análises:
- A melhor maneira de multiplicar a riqueza dos acionistas no longo prazo é investindo em empresas de alta qualidade com retornos elevados sobre o capital operacional e de forma sustentável;
- Riscos sociais e ambientais para a sustentabilidade desses retornos são mais importantes do que nunca, dadas as constantes mudanças políticas e tecnológicas;
- Liderar tais discussões pode ser uma força positiva para o sucesso corporativo, desde que se aumentem o engajamento de consumidores e/ou de colaboradores;
- Quanto maior a qualidade de uma empresa, maior a necessidade de governança, uma vez que o corpo diretivo tem mais liberdade para impactar o modelo de negócios.
Um processo complexo, mas necessário
Como a Morgan Stanley faz para encontrar de 20 a 40 empresas de alta qualidade e de relevância global para investir? Veja os critérios adotados:
Identificação de alto retorno. Após a exclusão baseada nos critérios listados abaixo, sobram em torno de 300 a 2 mil empresas como opções para a gestora:
- Altos retornos não alavancados sobre o capital operacional empregado (ROOCE);
- Margens brutas altas (poder de preços);
- Modelos de negócios com baixa intensidade de capital que impulsionam a geração de fluxo de caixa livre;
- Balanço forte e níveis baixos de endividamento;
- Distribuição aos acionistas;
- Confiança em retornos verdadeiramente sustentáveis.
Após a exclusão baseada nos critérios listados abaixo, a gestora tem cerca de 125 a 300 empresas para escolha:
- Capacidade de permanecer relevante através de poderosos ativos intangíveis, incluindo marcas e redes, que sustentam altas barreiras de entrada;
- Retornos sustentáveis contra ameaças ou aprimoráveis através de oportunidades, incluindo fatores ambientais ou sociais;
- Participação de mercado dominante a fim de ajudar a proteger contra novos entrantes;
- Vendas estáveis – modelo de negócios escaláveis que geram receitas recorrentes;
- Crescimento orgânico constante e diversificação geográfica.
- Confirmação do compromisso de gestão em manter retornos elevados:
- Foco no retorno sobre o capital em vez de vendas ou crescimento do lucro por ação;
- Disciplina de capital (reinvestir com altos retornos ou devolver o capital excedente aos acionistas);
- Compromisso com inovação e investimento em franquias;
- Revisão da remuneração do corpo diretivo;
- Estrutura de governança sólida;
- Engajamento em questões materiais ou oportunidades, incluindo fatores ESG.
- Valuation
- Foco no fluxo de caixa livre, não em números contábeis;
- Rendimento do fluxo de caixa livre.
Outros pontos interessantes e importantes sobre o fundo:
- Não tem exposição a países emergentes na listagem das empresas, somente através das receitas das empresas;
- Não tem investimentos no setor bancário ou de commodities;
- Está com peso maior em três setores principais: saúde, tecnologia da informação e consumo básico. Eles são vistos pela equipe de gestão como “motores de retorno composto”. No entanto, são agnósticos a setores e regiões, sendo que a gestão é feita por verdadeiros stock pickers globais.
- O cenário macroeconômico não é tão relevante para o fundo, pois o foco da tese de investimento é de longo prazo – pelo menos, de dois a cinco anos;
- Tem baixa correlação com o índice MSCI;
- Não olham market cap, é uma estimativa do valor de mercado dessa empresa de acordo com as expectativas acerca de condições econômicas e monetárias futuras, pois as empresas investidas já são muito grandes, portanto, olham apenas market share;
- Seu foco é em retornos compostos.
Performance histórica do fundo:
Desde seu início a estratégia apresentou performances marcantes e com forte geração de alfa, especialmente em momentos de crise. Veja alguns deles:
- No período, o mercado (MSCI World) apresentou sete anos com retornos-negativos, enquanto a estratégia superou o índice de referência em sete anos. Em apenas dois anos, a estratégia apresentou retornos-calendário negativos;
- Em 2020, o fundo teve queda menor do que o mercado, tanto que voltou para patamares positivos no dia 4 de junho – o mercado voltou a esse nível dois meses depois. Isso significa que caiu menos e se recuperou mais rapidamente;
- Na crise do subprime, entre o final de 2007 e início de 2009, o fundo teve seu pior momento desde o lançamento, com queda de 39%. No entanto, na mesma época, o índice de referência (MSCI World) caiu 54%. Além disso, o Global Brands recuperou 39% em 19 meses, enquanto o mercado demorou 53 meses para alcançar a mesma porcentagem;
- Entre os anos de 2000 e 2002, com o estouro da bolha da tecnologia, o MSCI World teve três anos seguidos de retornos negativos; já o fundo subiu em cada um deles.
- Após o aumento generalizado de taxas de juros ao redor do mundo, o fundo tem ficado em linha com o retorno de mercado enquanto a indústria de gestão ativa, em média, cai muito mais.
Retorno acumulado
O primeiro passo é olhar o retorno do fundo contra seu benchmark, neste caso, o MSCI World, que representa o mercado de ações globais de países desenvolvidos.
A análise de retorno acumulado é necessária, porém não suficiente, já que o mínimo esperado era que um fundo renda mais que seu benchmark ao longo do tempo.
O custo da estrutura local criada pela XP é de 1%, que se soma à taxa de 0,75% da classe institucional do fundo no exterior. Como o fundo criado no Brasil não tem histórico suficiente, partimos do retorno da classe institucional do fundo e fazemos uma conta para adicionar a taxa extra da casca nacional.
Dessa forma temos uma noção se essa taxa teria potencial de desqualificar o retorno de longo prazo, como já vimos acontecer diversas vezes.
Por isso, você sempre verá a palavra "simulação" antes do nome do fundo.
Primeira etapa aprovada!
O fundo tem sucesso em exceder o retorno acumulado em comparação ao índice, e a taxa adicional está longe de invalidar esse excesso de retorno.
Consistência
Vamos à análise de janelas móveis, que gosto de chamar de jornada dos investidores.
Entendo que, para alguns, pode soar repetitivo, mas tenho recebido e-mails de assinantes que tiveram dificuldade com a leitura do gráfico. Dessa forma, para não me estender demais e, ao mesmo tempo, não deixar algumas dúvidas em aberto, deixarei um áudio abaixo que auxiliará o entendimento.
Quem tiver dúvidas sobre como ler o gráfico abaixo, é só dar o play:
Gostaria de destacar dois pontos no gráfico acima. O primeiro é como o fundo parece ser um pouco mais “linear” do que o índice, ficando a maior parte do tempo entre a faixa de 5% a 15% de retorno anualizado.
Outro ponto é que visualmente já é possível perceber que a linha azul fica mais tempo acima da cinza. Para ser um pouco mais preciso, o fundo fica acima do benchmark em cerca de 70% das janelas analisadas.
Agora, para um investimento em ações, o qual recomendamos, no mínimo 5 anos de horizonte, precisamos olhar o estudo de janelas móveis de cinco anos.
A consistência do fundo cai para o patamar de 65%, mas ainda é bastante elevada historicamente. Vale mencionar que o curto prazo tem sido extremamente desafiador para a indústria de gestão ativa global, em que muitos setores não compreendidos na carteira de gestores (mas, sim, nos índices de referência) tem se valorizado. Um bom exemplo é o setor de banco e commodities energéticas, que o fundo não opera e que se valorizaram bastante nos últimos 3 anos.
Drawdown
O estudo de queda máxima acumulada, conhecido como drawdown ou linha d’água, mostra o quanto o fundo cai após ter atingido seu último pico e quanto tempo demora para se recuperar. É um estudo importante para analisarmos se o processo de gestão de risco do fundo pode fazer com que este caia menos do que mercado em momentos de estresse ou, ainda, que se recupere mais rápido que o mercado após uma crise.
Começamos a ver aqui que o pitch de venda parece fazer sentido. Note como vemos a área cinza se sobressaindo à azul.
O resultado da análise nos mostra que, em média, o benchmark caiu mais e demorou mais para se recuperar.
Risco x retorno
Agora, vamos à nossa análise de risco vs retorno, em que eu troco a modalidade padrão utilizada para quantificar risco – a volatilidade – pela volatilidade dos retornos negativos (downside risk).
Fazemos isso para isolar apenas os movimentos para baixo e não punirmos o fundo nos casos dos movimentos voláteis para cima, que significam maior rentabilidade.
Lembre-se, no gráfico abaixo, quanto mais para cima, maior o retorno anualizado e, quanto mais para a esquerda, menor o risco de queda.
O fundo consegue entregar um retorno anualizado superior ao índice (7,9% contra 6,1%), ao passo que correu menos risco (11,2% contra 12,8%).
Conclusão
Através do fundo Morgan Stanley Global Brands, você tem a oportunidade de se tornar sócio ou sócia de renomadas empresas globais sem precisar ter milhões em conta para isso.
Além disso, essa estratégia agrega muito valor à carteira de fundos de ações brasileiras. Com base em dados históricos, o Global Brands traz maior retorno, menor risco (volatilidade), menor perda (drawdown), recuperação mais rápida, melhor sharpe, menor correlação com Ibovespa, correlação negativa com alguns fundos de ações brasileiros.
E, caso ainda tenha dúvidas se deve ou não investir no fundo, vou deixar uma frase de ninguém menos que Warren Buffett, bastante alinhada com a gestão do fundo:
“O modelo de negócio ideal é o que alcança taxas muito elevadas de retorno sobre o capital e consegue investir grande quantidade de capital com tais taxas de retorno. Ele se torna uma máquina de juros compostos.”
Para finalizar, quero mencionar que a equipe de gestão da Morgan Stanley usou o termo “máquina de retorno ou juros compostos” inúmeras vezes para se referir ao fundo.
Diante disso, fica o questionamento: quem não quer fazer parte de tudo isso?
Abraços,
Felipe Arrais, Alessandra Bellotto, Rodrigo Xavier e Vinicius Yoshida