Uma explicação de como funciona a nossa lista de fundos aprovados e por que recomendamos uma quantidade maior de fundos do que os que temos na carteira base;
Movimentações na lista de fundos aprovados
Escrito por Rodrigo Xavier, Ana Farias em FUNDOS
Neste relatório, você encontrará:
O embasamento das nossas recomendações de entrada dos fundos Solis Capital Antares Pioneiro, Legacy Capital V10 e Kapitalo Zeta Previdenciário;
Os motivos que nos levaram a retirar da lista de fundos aprovados os fundos Plural Crédito Corporativo, Navi Long Biased, Velt 90 e o ETF HASH11.
Fala, turma!
O relatório de hoje tem como missão cobrir uma série de questões importantes para nossos assinantes, sobre adições e saídas da nossa lista de fundos aprovados.
É importante ressaltar que nenhum fundo entrará ou sairá da nossa carteira base da Finclass, porém fizemos alguns ajustes na lista de fundos aprovados que também são convicções do nosso time, mas atualmente estão apenas como alternativas aos escolhidos para a carteira, seja por estarem fechados para novas captações ou por alguma falta de “encaixe” na combinação das peças escolhidas atualmente.
Isso não significa que estamos virando a série de cabeça para baixo. Muito pelo contrário: estamos apenas formalizando condições que, de alguma maneira, os assinantes mais antenados nas nossas lives e demais meios de comunicação já aguardavam. Contudo, por uma questão de diligência de quem trabalha sério, precisávamos ter as conversas e entender melhor as situações.
Agora, vamos ao relatório!
Antes de começar, vamos relembrar como funciona a lista de fundos aprovados da Finclass
A lista de fundos aprovados reúne todas as estratégias que passaram pela nossa criteriosa análise e que podem integrar nossa carteira base sempre que fizer sentido, independentemente de estarem ou não compondo a carteira base. Assim, o grupo de fundos recomendados é maior do que aquele presente nas carteiras recomendadas de valorização.
Como os fundos de investimento estão sujeitos a aberturas e fechamentos para novos aportes por questões de momento da gestora, situações estratégicas ou limitação de capacity (valor máximo que um fundo julga ter capacidade de gerir sem comprometer performance), se faz necessário ter um grupo maior de fundos aprovados, que nos dê flexibilidade para atuar com agilidade quando um fundo da carteira base fechar.
Essa estrutura permite substituir um fundo que fecha para novas captações por outro tão qualificado quanto, afinal, a carteira precisa ser implementável em todos os momentos. Além disso, essa dinâmica oferece ao investidor uma possibilidade de personalizar melhor sua carteira caso se identifique com alguma das estratégias adicionais à carteira base que trazemos.
Vale pontuar também que a saída de um fundo da carteira base não depende, necessariamente, de seu fechamento. Se um fundo de qualidade, que estava fechado, voltar a abrir, ele pode ser incluído na carteira base no lugar de outro que segue disponível caso isso faça sentido do ponto de vista de equilíbrio das carteiras ou potencial de retorno.
Importante mencionar que a nossa diligência funciona da mesma maneira para todos os fundos que recomendamos e vai muito além da análise inicial da recomendação: mantemos um relacionamento próximo com os gestores, acompanhando a evolução das estratégias, a execução, a dinâmica da equipe e a consistência do processo de gestão. Trata-se de uma curadoria ativa, contínua e profunda.
Esse acompanhamento constante nos leva, naturalmente, a revisar com frequência a lista de fundos aprovados. E é com esse olhar que trazemos os ajustes apresentados aqui.
Feita essa contextualização, passamos agora às movimentações que propomos neste relatório.
Boas-vindas: Solis Pioneiro, Legacy V10 e Kapitalo Zeta Prev
Os fundos que agora passam a integrar nossa lista de recomendados já são bastante familiares para nós. Na prática, eles são “adaptações” de estratégias que já recomendamos há bastante tempo — inclusive, recebemos perguntas sobre eles constantemente em nossas lives semanais.
Para a elaboração deste relatório, conduzimos conversas com os times de gestão e relação com investidores das gestoras, o que nos possibilitou entender o racional por trás da criação dos fundos, a execução prática das estratégias no dia a dia e suas aderências às propostas originais.
Somente após concluir essa diligência nos sentimos confortáveis para trazer os fundos com maior tranquilidade à nossa lista de recomendados.
Entrada do Solis Capital Antares Pioneiro
O Solis Antares Pioneiro é a versão adaptada aos investidores em geral de uma recomendação que temos há cerca de três anos, o Solis Antares, que é destinado apenas para investidores qualificados (aqueles com patrimônio acima de R$ 1 milhão para investimentos).
Estes fundos são o que chamamos de FoF de FIDC, portanto, suas carteiras são compostas por diversos FIDCs aprovados pelo time de gestão da Solis. Optamos por dar preferência aos FoFs neste setor e não ao investimento direto nos recebíveis, pois o segmento é muito traiçoeiro quando dá problema. Essa é uma forma de controlar melhor os riscos potenciais. Para entender mais sobre a estratégia e os cuidados operacionais da gestora, sugerimos a leitura do relatório de recomendação do Solis Antares (clique aqui).
Um dos avanços mais relevantes trazidos pela nova Instrução CVM 175 foi permitir que investidores em geral tivessem acesso a produtos antes restritos aos investidores qualificados, como os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). Essa restrição por parte do regulador visava proteger investidores desavisados de um possível problema, uma vez que FIDCs mal geridos podem gerar severas perdas patrimoniais.
De maneira resumida, FIDCs investem em recebíveis, ou seja, valores a receber de transações comerciais, financeiras, imobiliárias, entre outras. Exemplos comuns incluem boletos, duplicatas, parcelas de financiamento, empréstimos consignados e recebíveis de cartão de crédito.
Com a nova regulamentação, essa classe mais “sofisticada” passou a ser acessível ao público geral, desde que atendidos certos critérios. O principal deles é a exigência de que o fundo invista exclusivamente em cotas seniores, que têm prioridade no recebimento de juros e amortizações, são mais líquidas e oferecem menor risco do que as subordinadas.
A Solis aproveitou a mudança regulatória da CVM e lançou o Solis Antares Pioneiro em 2024, uma versão adaptada ao público geral que segue a mesma filosofia de gestão do tradicional Solis Antares. O Pioneiro nasce com o objetivo de democratizar o acesso à expertise da casa, que mantém a filosofia e rigor na gestão do fundo original.
Em conversa recente com a equipe da gestora, entendemos os detalhes de como a estrutura do novo produto foi adaptada para atender às exigências do público geral bem como validamos os processos executados ao ponto de nos sentimos confortáveis com a recomendação do Pioneiro. Além disso, por se tratar de um FIDC, o Solis Pioneiro conta com um benefício tributário importante: não está sujeito ao come-cotas, o imposto semestral que incide sobre fundos de renda fixa e multimercado.
O que também nos traz confiança é o fato de a Solis ter sido fundada em 2015 por profissionais com ampla experiência em crédito estruturado — muitos dos quais atuaram no Grupo Petra, responsável pela administração do primeiro FIDC do Brasil em 2005.
Abaixo compartilhamos o desempenho do fundo desde seu início. Por conta das restrições para ser cotado ao público geral, ele roda um pouco abaixo do Antares para investidores qualificados, mas ainda assim é muito competitivo com o mercado e performa no nível dos tops de linha da nossa curadoria da Renda Fixa Pós.
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Data ref: 13/08/2025
Elaboração: Finclass
Entrada do Legacy Capital V10
O Legacy V10, como a própria gestora descreve em seu site oficial, é uma espécie de “réplica” do fundo macro que recomendamos — o Legacy Capital — porém com o objetivo de operar com volatilidade próxima de 10%, enquanto a estratégia original trabalha em torno de 7%. Essa diferença tende a proporcionar retornos mais atrativos ao V10.
Aqui compartilho com vocês uma curiosidade que descobrimos em conversa recente com o time da Legacy: a ideia do nome V10 não tinha a ver com o objetivo de volatilidade do fundo de 10%, mas sim com o motor V10, que é muito potente e costuma ser utilizado em carros esportivos, supercarros e modelos de fórmula 1.
Essa diferença de volatilidade que citamos é obtida por meio de alavancagem das posições, que giram em cerca de 1,5 vez o tamanho da estratégia de referência. Esse mecanismo traz complexidade e risco adicionais para o dia a dia da gestão e também do investidor, razão pela qual o fundo é disponibilizado apenas para investidores qualificados.
Para executar esse tipo de estratégia, utilizam-se derivativos ou operações de margem, que aumentam a exposição financeira para além do patrimônio líquido. Nesse contexto, ganhos e perdas são amplificados. Apesar dos riscos operacionais envolvidos, reconhecemos a competência do time de gestão da Legacy, tanto na análise de mercado, quanto nessa execução operacional, que é apoiada por uma estrutura sólida como empresa, o que nos dá segurança para incluir a proposta mais arrojada em nossa lista de fundos aprovados.
A lógica de alavancar uma estratégia de referência já bem-sucedida é bastante comum na indústria de fundos. Temos outros exemplos entre nossos fundos recomendados, como no caso do SPX Nimitz — a principal estratégia macro da SPX — e do SPX Raptor, que segue a mesma abordagem com alavancagem de 2 vezes, resultando em volatilidade aproximadamente duas vezes maior.
Esse tipo de modelo é chamado por muitos de “estrutura matricial de gestão” e permite ao gestor ampliar seu leque de possibilidades, como:
- Reaproveitar uma estratégia base de forma flexível.
- Oferecer versões com diferentes níveis de risco por meio de alavancagem.
- Atender a perfis variados de investidores com eficiência operacional.
Não necessariamente a versão alavancada entregará retornos acima ou abaixo da estratégia de referência exatamente na mesma proporção do nível de alavancagem, pois existem fatores como a volatilidade dos ativos e os custos da alavancagem que impedem que isso seja uma regra absoluta. Ainda assim, quando utilizada com responsabilidade, a alavancagem pode amplificar os ganhos de algo que já é bom.
A equipe de gestão da Legacy é formada por especialistas em diversos mercados, que combinam análise fundamentalista e modelos proprietários para identificar e capturar oportunidades. Esse foco na diversificação e no controle de risco busca entregar resultados consistentes no longo prazo.
Compartilhamos o relatório de mapeamento dos multimercado recomendados, caso queira entender um pouco mais sobre a estratégia base da Legacy (clique aqui).
Assim como boa parte da indústria de Multimercados, o período recente tem sido desafiador e, por isso, a Legacy esteve um pouco abaixo do CDI, mas dada a diligência que tivemos nos sentimos confortáveis com relação ao futuro. Abaixo, veja o retorno da estratégia V10, que foi lançada em 2024.
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Data ref: 13/08/2025
Elaboração: Finclass
Entrada da Previdência do Kapitalo Zeta
Só para relembrar, a Kapitalo foi fundada em setembro de 2009 por uma equipe formada por ex-tesoureiros do banco carioca BBM, liderada por João Carlos Pinho, responsável pela área de Relações Institucionais da gestora, e por Carlos Woelz, principal gestor da casa. Atualmente, é uma das maiores e mais reconhecidas gestoras de fundos do Brasil, tendo o Kapitalo Zeta como seu flagship, ou seja, a estratégia de maior relevância.
No final de 2021, a Kapitalo lançou a versão previdenciária do Kappa, estratégia semelhante ao Zeta, mas com menor volatilidade — característica que, por vezes, limita o potencial de performance. Até então, a gestora nunca havia conseguido criar uma versão previdenciária do Zeta, principalmente por conta de restrições regulatórias da previdência, sendo a mais relevante a limitação de até 15% do patrimônio em margem requerida para operar com derivativos, o que inviabilizava a plena execução da estratégia original.
No rebote das flexibilizações trazidas pela Resolução 175, o mercado ficou mais permissivo, viabilizando a criação de uma versão previdenciária do Zeta muito próxima do fundo tradicional. Embora ainda haja pequenas restrições, segundo a própria equipe da Kapitalo, elas não comprometem de forma significativa a aderência ao portfólio original, desde que feitos alguns ajustes operacionais no dia a dia, os quais são feitos com muito cuidado.
Por falar em aderência, a Kapitalo, que historicamente se intitula como uma gestora extremamente processual, elabora relatórios diários para acompanhar a aderência entre a versão Prev e o Zeta tradicional. Nos últimos meses, a correlação e a similaridade entre as estratégias giraram entre 98% e 99%, o que equivale a uma espécie de empate técnico.
Ainda que seja possível notar algum viés emocional nessa afirmação, João Carlos Pinho, sócio-fundador da casa, nos disse com bastante convicção em conversa recente que o Kapitalo Zeta Prev é o melhor fundo de previdência multimercado do Brasil.
O fundo foi lançado no final do ano passado e, sabendo que replicar uma estratégia sofisticada no início pode ser desafiador, optamos por aguardar alguns meses até que o produto estivesse plenamente operacional.
Após entendermos os detalhes e acompanharmos os testes de aderência, inclusive na cota divulgada oficialmente, sentimos segurança para incluir o Kapitalo Zeta Prev em nossa lista de fundos aprovados.
No momento, o fundo ainda não está disponível em todas as plataformas, mas já pode ser encontrado nas principais, como XP e BTG, e em breve entrará no Santander também. Essa disponibilidade mais restrita, por ora, ocorre porque o fundo não paga rebate — remuneração oferecida às plataformas pela distribuição do produto —, o que reduz o incentivo para que outras corretoras o incluam em suas plataformas.
Fonte: Quantum Axis | Elaboração: Finclass | Data ref: 13/08/2025
Elaboração: Finclass
Saem da nossa seleção: Plural Crédito Corporativo, Navi Long Bias, Velt 90 e HASH11
A retirada de um fundo da nossa lista de aprovados não significa, necessariamente, que ele seja ruim, mas sim que, naquele momento, acreditamos mais em outros fundos para se ter na carteira — justamente os que estão sob nossa recomendação.
Para ser recomendado por nós, um fundo passa por critérios quantitativos (já entregou boa performance no passado e pode manter isso no futuro), qualitativos (processos de investimento e estruturas sólidas) e até mesmo de acesso, uma vez que os nossos assinantes deveriam conseguir comprar e entender os fundos recomendados com certa facilidade.
Em uma indústria que já conta com mais de 30 mil fundos ativos, é essencial filtrar bem o que merece um foco maior de análise. Por isso, quando um fundo é retirado da lista, nossa proximidade com a equipe de gestão naturalmente diminui. Continuamos acompanhando seu desempenho e mapeando dados relevantes, mas de forma mais distante.
Nada impede que um fundo que saiu da lista volte a ser recomendado no futuro. Eles permanecem incluídos em nossos peer groups para análises quantitativas, mas a avaliação qualitativa passa a ser mais superficial, visando otimizar nossos esforços.
Feito este importante preâmbulo, vamos aos pontos que nos fizeram retirar alguns fundos da lista de recomendados.
Saída do Plural Crédito Corporativo
A Plural (antiga Brasil Plural) é uma gestora que está prestes a completar 15 anos e, já a partir do seu segundo ano de operação, havia montado uma excelente estrutura para análise de crédito. Atualmente, o time é liderado por Rafael Zlot, com a cogestão de Alexandre Donini, além de um qualificado grupo de analistas responsáveis pelos detalhes do dia a dia.
O fundo Plural Crédito Corporativo foi iniciado em 2012 e, na maior parte de sua trajetória, apresentou retornos entre 105% e 110% do CDI, sempre com forte foco no estabelecimento de controles de risco e segurança na gestão do crédito.
Os processos de investimento da casa sempre nos agradaram. Eles passam por sete etapas de análise, que vão desde a prospecção de oportunidades no mercado, demarcação dos riscos dos papéis por meio de rating próprio e aprovação nos comitês internos, até a efetiva inclusão na carteira de investimentos.
Historicamente, a maior parte da carteira do fundo foi composta por ativos que, no mercado, chamamos de high grade — créditos de alta qualidade, com baixo risco de calote e altas chances de honrar seus compromissos como previamente acordado.
Essa combinação de processos de investimento bem definidos, equipe qualificada e busca por ativos de maior qualidade ajudou a gestora a “escapar” dos maiores eventos de crédito dos últimos anos, desde a crise de 2015/2016 até casos mais recentes, como Lojas Americanas, Light e Credz.
Apesar da gestão extremamente cuidadosa, a gestora enfrentou dificuldades maiores do que o esperado durante a crise da COVID-19 em 2020. Para lidar com os pedidos de resgate e evitar a transferência de riqueza entre cotistas, o time optou por vender as posições da carteira de forma proporcional ao invés de “priorizar os mais líquidos”. Apesar da boa intenção, essa estratégia se mostrou ineficiente, pois, com a rápida recuperação do mercado, a carteira acabou mais prejudicada do que precisava. O movimento, embora tenha mitigado a transferência de riqueza, resultou em uma performance inferior à dos pares.
O episódio de 2020 foi pontual e não define a qualidade da equipe de gestão nem a perspectiva de performance futura. Ainda assim, julgamos importante mencionar, pois seu impacto é nítido ao observar gráficos de histórico da performance. A casa seguiu sua trajetória normalmente e, recentemente, até recebeu elevação de nota da Fitch — passando de “forte” para “excelente” na avaliação da renomada agência de crédito.
Diante do exposto até aqui, você pode estar se perguntando: por que vamos retirar o fundo da lista de aprovados?
Nossa justificativa está ligada à performance. Ao monitorarmos a indústria, percebemos que o fundo tem ficado para trás em relação a outras recomendações e a opções que poderiam entrar em nossa seleção.
Mas por que isso acontece, mesmo com uma equipe qualificada e processos bem estruturados?
O motivo está justamente na composição da carteira: um grande peso em ativos de alta qualidade, que naturalmente oferecem remuneração menor, já que apresentam risco reduzido. Em outras palavras, a gestora abre mão de parte da rentabilidade para priorizar maior segurança.
Essa filosofia é legítima, mas, no contexto da Finclass, acreditamos que é possível recomendar estratégias capazes de equilibrar melhor uma performance mais competitiva com os controles de risco adequados ao que toleramos correr.
Para nós, performance não é tudo, mas importa bastante. É com esse objetivo que vamos retirar o Plural Crédito Corporativo da lista de aprovados.
Antes de encerrar o tópico, gostaríamos de reforçar que não consideramos o fundo ruim, longe disso — inclusive, ele pode atender a diversos propósitos e perfis de investidor —, mas, no contexto da Finclass, no qual estar próximo dos times de gestão exige muito esforço e foco, optamos por seguir com outros fundos.
Saída do Navi Long Biased
A Navi Capital nasceu em 2018, com Waldir Serafim e Felipe Campos (cogestores dos fundos). Apesar de ser uma gestora relativamente nova, as pessoas são antigas de mercado, isto porque ambos os sócios começaram a tocar as estratégias ainda na época da Kondor Invest.
Como filosofia de gestão a casa investe principalmente em grandes companhias com alto valor de mercado, geralmente líderes em seus setores. Historicamente costumam ter em torno de 20 empresas no portfólio, combinadas com pares long-short e investimentos em empresas correlacionadas aos principais ativos. Além disso, é comum incluir hedges (proteções) com índices, futuros e operações internacionais, graças à flexibilidade que os long bias proporcionam.
A gestora passou recentemente pelo que definiu como o pior ano de sua história, marcado por resgates expressivos, especialmente entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025, vindos de grandes alocadores institucionais e fundações. No total, foram cerca de R$ 5 bilhões retirados entre veículos offshore e locais. Com isso, atualmente a casa ainda administra cerca de R$ 5,5 bilhões, sendo R$ 1 bilhão em alternativos (FII e infraestrutura) e o restante nas estratégias tradicionais.
Em meio a este contexto, a Navi também se viu obrigada a lidar com saídas importantes como a do economista Rafael Ornelas e do analista Jorge, que era um dos mais experientes da casa. Porém, segundo a gestora, ambas as saídas ocorreram de modo leve, em transições consideradas tranquilas.
Para reter talentos, a gestora acelerou o processo de sociedade, contando hoje com 13 sócios ou associados entre 35 profissionais. O time de análise soma 14 integrantes e, segundo a liderança da empresa, está motivado após as reestruturações.
Apesar de ainda ter um patrimônio razoável, a queda no volume de PL afetou diretamente a receita da casa. Os sócios mais relevantes, entretanto, se “fecharam” para manter a maior parte da estrutura e estão preparados para atravessar esse ciclo, mesmo que para isso afetem suas remunerações pessoais.
No campo de gestão, a casa reconhece que tomou alguns caminhos errados nos tempos recentes, o que a colocou para baixo dos pares nos últimos tempos. Exposições com proteções muito baixas, um short em S&P que não se concretizou e posições vendidas em dólar que se mostraram prejudiciais pesaram no desempenho, mas consideram que o pior já passou e estão posicionados para uma virada de ciclo.
Pelo ponto de vista de acesso, o fundo é destinado apenas a investidores qualificados e permanece fechado, como fica em boa parte do tempo, fazendo aberturas muito pontuais voltadas majoritariamente para o investidor institucional, o que restringe seu acesso em plataformas digitais e dificulta a recomendação para uma base ampla de assinantes.
Diante dessa combinação de fatores — desempenho recente aquém do esperado, redução expressiva de receita, saídas de pessoas importantes e baixa possibilidade de entrada para o investidor pessoa física —, decidimos retirar o fundo da nossa lista de aprovados.
Reconhecemos os resultados históricos da gestora, o empenho atual para reposicionar a estratégia e a competência comprovada dos gestores principais, mas no nosso contexto de research é essencial priorizar produtos que conciliem qualidade de gestão com facilidade de acesso para o investidor.
Seguiremos monitorando de perto a evolução da performance, da estrutura e da distribuição, e poderemos reavaliar a recomendação no futuro caso esses pontos avancem de forma consistente.
Saída do Velt 90
A Velt Partners é uma gestora de investimentos fundada em 2007 por Mauricio Bittencourt, que atualmente atua como co-CEO e gestor de portfólio. A gestora tem como foco investir em empresas brasileiras, com maior ênfase naquelas denominadas compounders, ou seja, empresas capazes de gerar valor crescente e líderes de mercado.
Ao longo destes 18 anos, teve uma trajetória marcada por consistência de performance e fidelidade a uma filosofia de investimento: buscar os melhores negócios, por meio de ações, conduzidos por executivos excepcionais.
Os processos de investimento da gestora sempre foram muito analíticos (com BIs proprietários bem legais), documentados e diligentes, valorizando não apenas números, mas também a preservação da inteligência dedicada na análise. Essa disciplina foi um dos pilares que sustentaram o reconhecimento da casa no mercado por muitos anos.
No pós-pandemia, mais especificamente entre 2021 e 2023, a estratégia enfrentou um período desafiador, quando empresas que historicamente deveriam proteger valor em cenários adversos sofreram perdas significativas, impactadas por um ambiente de juros baixos, abundância de capital para tomar emprestado e aumento excessivo de apetite ao risco, o que se mostrou algo nocivo para as próprias empresas e consecutivamente para a Velt.
O time de gestão reconhece que demorou para ajustar o portfólio a esse novo contexto, resultando em baixa performance para o fundo. Segundo um dos cogestores, Felipe Nobre, a gestora absorveu os aprendizados do evento e vê que as empresas investidas atualmente já digeriram o período pós-pandemia. Muitas delas se desalavancaram e apresentam perspectivas de futuro mais sólidas, o que já começa a ser visto nos resultados corporativos consistentes e de qualidade, por isso se mantêm otimistas.
Apesar de sofrer uma perda de patrimônio importante por conta dos resgates nas suas posições destinadas a investidores locais, saindo de cerca de R$ 5 bilhões para R$ 1 bilhão, a gestora sustentou um patrimônio ainda razoável para se manter por conta dos seus investidores estrangeiros, que se continuaram investidos na Velt e permitiram que mantivesse uma estrutura parecida com o que sempre foi.
Em termos de estrutura, conta atualmente com cerca de 25 profissionais, sendo 5 sócios e 7 associados. Apesar de terem ocorrido algumas mudanças no time recentemente, a gestora afirma estar em um bom momento interno, com maior sinergia do time e otimismo com o mercado, o que de alguma maneira se reflete na cota, visto que no ano a performance vai muito bem.
Baseado no exposto acima, você deve estar se perguntando por que estamos sugerindo a retirada da Velt da nossa lista de fundos aprovados.
São dois os principais motivos: o primeiro é abrir espaço para incluir outras estratégias que estamos avaliando e que em breve compartilharemos com vocês; o segundo é a dificuldade de acesso ao fundo.
Atualmente, é complicado encontrá-lo nas plataformas digitais — por exemplo, na XP e no BTG ele sequer aparece para o investidor comum, sendo necessário entrar em contato com o assessor para solicitar a aplicação. Essa “limitação” prejudica nossa proposta de recomendá-lo para uma base de mais de 100 mil assinantes.
A distribuição restrita do fundo decorre de negociações comerciais mais complexas com as plataformas, que, ao que tudo indica, não devem mudar no curto prazo. Entendemos a visão da gestora, que opta por “priorizar” a liberação de capacity para um passivo considerado mais resiliente, como o de investidores estrangeiros, que tendem a manter posição mesmo em momentos de maior turbulência interna. No entanto, isso acaba nos limitando na hora de considerá-lo como recomendação da Finclass.
Diante dessa combinação de fatores — acesso restrito e alguns desafios estruturais já citados — decidimos retirar o Velt 90 da nossa lista de aprovados. Seguiremos acompanhando a evolução da estratégia e, caso as condições de acesso e a consistência dos resultados se melhorem, poderemos reavaliar sua inclusão no futuro.
Saída do HASH11
O HASH11 é um ETF que busca replicar o desempenho do Nasdaq Crypto Index (NCI), um índice desenvolvido pela Nasdaq em parceria com a Hashdex, gestora fundada em 2018 e especializada em criptoativos.
Esse índice foi criado para representar de forma ampla o mercado de criptoativos, considerando critérios como liquidez, relevância e segurança dos ativos. Sua composição é revisada periodicamente e inclui as principais criptomoedas do mercado, como Bitcoin e Ethereum, mas também pode incorporar outros criptoativos que atendam aos critérios técnicos do índice.
A ideia é oferecer ao investidor uma cesta diversificada que capture o comportamento geral do mercado cripto, e não apenas de um único ativo.
A saída do HASH11 da nossa lista de fundos aprovados não está relacionada a qualquer falta de confiança no ETF ou em sua gestão, mas sim a um ajuste na organização interna da Finclass. Por uma questão de eficiência de análise, definimos que a lista de fundos aprovados disponível na área logada deve incluir apenas aqueles que fazem parte da diligência recomendada pela equipe de fundos. No caso do HASH11, por sua característica mais voltada a “alternativos” ou “internacionais”, ele se enquadra melhor em outras áreas de análise.
Ainda assim, o HASH11 permanece na lista de ETFs aprovados pelo time de investimentos internacionais, lista essa que é destinada a investidores experientes que buscam uma exposição mais específica. Ele pode ser facilmente encontrado ao final dos relatórios produzidos por essa equipe.
O que faço se estou alocado em algum dos fundos retirados da lista de aprovados?
Se você investe em algum fundo que foi retirado da lista e deseja continuar contando com o apoio detalhado do nosso time, sugerimos que providencie a troca deste fundo por outro.
Como explicamos no transcorrer do relatório, os fundos retirados não são ruins nem apresentam riscos estruturais para o seu patrimônio neste momento, porém, não podemos garantir um refino de análise e proximidade com os times de gestão a partir de agora.
Você poderia simplesmente seguir a carteira base sugerida em nossa plataforma ou pesquisar algum outro fundo da lista de aprovados que julgue melhor para efetuar a troca. Uma boa maneira de pesquisar as características dos fundos que recomendamos é por meio da série de relatórios intitulada “Mapeamento”, publicada ao longo de 2024. Para acessar: entre na home page da Finclass, clique em Carteira (na parte superior), depois em “ver todos” na área de relatórios e pesquise pela palavra “Mapeamento”.
Ficamos por aqui...
O relatório de hoje teve como objetivo apresentar, de forma simples e objetiva, alguns ajustes que precisávamos realizar em nossa lista de fundos aprovados.
Como vocês já sabem, aqui o monitoramento das estratégias recomendadas é constante. Reunimos, em algumas páginas, o resultado de dezenas de horas de reuniões com as gestoras e de intensos debates internos sobre perspectivas futuras e diligência na alocação.
Esperamos que tenha gostado da abordagem e compreendido as movimentações apresentadas, cada qual com suas justificativas e contextos.
Caso surjam dúvidas, por favor, traga-as para nós por meio da comunidade ou nas lives semanais, será um prazer esclarecer todos os pontos levantados.
Um grande abraço e bons investimentos!
Rodrigo Xavier e Ana Farias
Sobre os analistas
Rodrigo Xavier
Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.
Ana Farias
Analista de Fundos
Analista CNPI, analista de fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Formada em Ciências Econômicas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) e técnica em Administração pela Escola Técnica Estadual (ETEC). Atuo desde o início da carreira no mercado financeiro, com experiência nas áreas de Inteligência de Mercado no Bradesco, Estratégia Comercial e Estratégia de Investimento no Banco Safra. Atualmente, sou analista de fundos e alocação de portfólio na Finclass, com foco em comunicar finanças de maneira clara e acessível para apoiar a tomada de decisões financeiras.