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A Rota da Seda foi uma antiga rede de rotas comerciais que conectava o Oriente e o Ocidente, abrangendo desde a China, passando pela Ásia Central, Oriente Médio, até a Europa. Essa rota foi estabelecida durante a Dinastia Han, por volta do século II a.C., e continuou a ser utilizada até o século XIV.
Durante a Dinastia Han (206 a.C. – 220 d.C.), a China emergiu como uma das maiores potências da Ásia, com uma influência significativa em termos políticos, econômicos, militares e culturais. Não à toa, se julgava o centro do mundo, daí o fato de se chamar de “Império do Meio” — pelo menos foi assim até descobrirem que outros povos viviam a oeste de suas fronteiras, inclusive um tal Império Romano.
E como todo “bom” império, a necessidade de expansão comercial foi preenchida com o estabelecimento da Rota da Seda. Isso fez com que a China, durante a Dinastia Han, se tornasse o centro de uma vasta rede de comércio que não só conectava a Ásia, mas também alcançava o mundo mediterrâneo. O comércio com o Império Romano e outros povos distantes trouxe riqueza e luxos para o país, além de espalhar a influência chinesa.
A China da Dinastia Han é frequentemente comparada ao Império Romano em termos de poder e influência. Na época, os Impérios coexistiam, à distância, travando apenas importantes relações comerciais. Até porque as expedições daquela época não contavam com os facilitadores de transporte de tempos mais modernos, o que não impediu que os romanos gastassem fortunas com a seda chinesa.
"Rota da Seda", porém, foi cunhado no século XIX pelo geógrafo alemão Ferdinand von Richthofen, embora a seda fosse apenas um dos muitos produtos comercializados. Além dela, a China também vendia chá, porcelana, papel, especiarias, ervas medicinais, objetos de arte, ferro e produtos de metal. Não dava para dizer que o país era, na época, a fábrica do mundo, até porque a Revolução Industrial ainda estava muito longe de acontecer, mas seus produtos chegaram em massa ao ocidente.
Como dito, a rota “durou” até o final do século XIV. Uma das principais razões para sua decadência foi a mudança nas rotas comerciais globais, impulsionada pelo desenvolvimento de rotas marítimas mais eficientes. Exploradores europeus, como Vasco da Gama, descobriram caminhos marítimos que conectavam a Europa diretamente à Ásia, especialmente às regiões produtoras de especiarias e seda. Essas rotas marítimas eram mais rápidas, menos arriscadas e permitiam o transporte de maiores volumes de mercadorias a custos mais baixos.
Por volta de 7 séculos depois de seu fim, mais especificamente do início do século XXI para cá, a China voltou a ter um papel de destaque no comércio mundial. A diferença é que dessa vez ela virou de fato a fábrica do mundo, além de um dos maiores, senão o maior, consumidor mundial de minério de ferro, petróleo, carvão, entre outras commodities. Afinal, para fornecer tanto produto manufaturado, é preciso comprar muita matéria-prima.
Se lá no início os produtos chineses eram conhecidos pela baixa qualidade e pela cópia descarada que faziam de produtos conhecidos no ocidente, atualmente isso mudou bastante. Antes de mais nada, é bem improvável que você, caro leitor, não tenha nada que não tenha sido produzido na China. E isso pode ir desde a camiseta que você esteja usando, passando pelo seu smartphone, seus fones de ouvido, seu computador e, agora, até seu carro tem uma boa chance de ser chinês. Porém, pode ser que alguns desses produtos sofram para chegar até você de agora em diante, como veremos daqui a pouco. Mas antes, precisamos entender o cenário.
Desde 2023, acreditamos que as exportações chinesas seriam um importante pilar da economia, o que, por sua vez, serviria como um importante driver de demanda do minério de ferro. Acontece que novos dados, desde o final do primeiro semestre de 2024, estão nos mostrando que a realidade pode ser outra.
Conforme publicado por David Llewellyn-Smith, analista australiano, até o primeiro semestre, no gráfico da direita, as exportações de aço na China estavam bem acima da média histórica.
No gráfico à esquerda, podemos ver que a produção do aço vinha alta até cair drasticamente por volta de julho. Por sua vez, nos gráficos abaixo, podemos ver que os preços do HRC (um dos produtos siderúrgicos mais amplamente utilizados no mundo) e do Rebar (vergalhão, muito usado na construção civil) vêm caindo desde 2022 até atingir o fundo em julho de 2024.
A principal consequência dessa queda e desse preço bem baixo em julho de 2024 é apertar as margens das siderúrgicas chinesas, que estão bem pressionadas no comparativo anual do gráfico abaixo.
Em outras palavras, a lucratividade das siderúrgicas chinesas está no menor patamar dos últimos 5 anos. Até mesmo a gestão da CSN Mineração (CMIN3) corrobora essa informação nos últimos resultados trimestrais. Inclusive, chegaram a falar na call de resultados que as margens dessas companhias estão profundamente negativas, em US$ 53 por tonelada, refletindo condições operacionais e de mercado extremamente desafiadoras. Além disso, eles falaram que a oferta e demanda na China estão apresentando sinais de desequilíbrio, com os estoques de minério de ferro nos portos em 150 milhões de toneladas, enquanto os estoques nas usinas estão suficientes para 21 dias de operação (ambos acima da média histórica). Dados, esses, que podem ser confirmados pelos dois gráficos abaixo:
No próprio Terminal da Bloomberg, podemos verificar que o inventário total da commodity na China está aumentando, chegando a níveis próximos dos estoques construídos durante a pandemia de COVID-19.
Fonte: Bloomberg
Lembra que começamos o relatório com um texto sobre o papel fundamental da China na Rota da Seda? Não foi por acaso, afinal, ela exerce esse mesmo papel — de grande importância comercial no mundo — atualmente. O problema é que está ficando cada vez mais difícil exercê-lo.
Desde 2023 até o fim do primeiro semestre de 2024, a China vem transferindo o consumo de minério de ferro perdido no setor imobiliário (em crise), para o setor de manufatura. Além disso, o governo mostrou algumas iniciativas de incentivo a obras de infraestrutura, juntamente com o consumo de bens duráveis. Essas iniciativas sustentaram a demanda pela commodity e, consequentemente, seus preços, até agora. Isso fez o país produzir tanto que as empresas estavam exportando o excedente que a demanda interna não estava dando conta de consumir.
Logo, a produção excedente, tanto de aço, quanto de produtos feitos dele, como carros elétricos, estava sendo exportada mundo afora. Acontece que isso parece estar mudando. A União Europeia, preocupada com os baixos preços do aço chinês em seu território, iniciou investigações antidumping para prevenir concorrência desleal. Os EUA, por sua vez, começaram a impor restrições no aço chinês que estava entrando no mercado via México.
Até no Brasil as coisas começaram a ficar mais difíceis para o produto asiático. Juntamente com outros países da América Latina, o Brasil começou a colocar em prática as imposições de tarifas sobre alguns tipos de aço chinês que estavam entrando no país a preços muito baixos. E sobrou até para os carros elétricos chineses.
A Europa começou a impor tarifas mais pesadas sobre esses produtos, como forma de proteger a indústria continental. Os EUA foram além e taxaram pesadamente os elétricos chineses (em 100%), mas também os semicondutores, células solares e baterias.
Todos esses fatores aconteceram ao final do primeiro semestre e não parecem, ainda, terem chegado ao fim. Tudo isso, deve contribuir para estabelecer um cenário mais difícil para as exportações chinesas no segundo semestre de 2024. Sem capacidade de vender internamente por baixa demanda, e sem capacidade de exportar o excedente pelo excesso de tarifas protetivas, um cenário deflacionário mais sério pode se instalar no país e a demanda por minério de ferro pode cair. Se isso acontecer, os preços podem sofrer no curto prazo. Sem clareza na força dos estímulos governamentais, que foram tímidos até agora, o preço pode ficar sem gatilho de retomada.
Enquanto isso, a ponta da oferta continua forte. No Brasil, Vale e CSN Mineração atingiram volumes muito altos de produção e vendas no 2T24, além de que prometeram entregar mais produção para o ano. A Vale tem um guidance por volta de 310 milhões de toneladas para 2024, podendo atingir até 360 milhões em 2026, e a CMIN3 pretende chegar a mais de 60 milhões em 2028. Comparativamente, não é sem motivo que os fretes de minério de ferro aumentaram em 2024, também puxados pelos envios australianos.
Entre as majors australianas, vale destacarmos o anúncio da Rio Tinto de previsão para início da produção de Simandou, na Nova Guiné, já em 2025, com um ramp-up para 60 milhões de toneladas até 2028.
Tudo isso fez o minério de ferro mergulhar. Começamos o ano de 2024 com o minério de 62% de teor de ferro negociado perto de US$ 140 a tonelada e no momento em que escrevemos esse relatório ele é negociado perto de US$ 98, na bolsa de Singapura. Os contratos futuros para dezembro de 2025 estão em US$ 94,13.
Fonte: Bloomberg
Sem contar que o preço médio das projeções de analistas na Bloomberg, para 2027, está em US$ 87,50.
Fonte: Bloomberg
Ou seja, existe bastante pessimismo acerca do preço da commodity, mas é um pessimismo baseado em fatos. Se você nos acompanha desde o início da nossa recomendação, viu que permanecemos firmes enquanto havia justificativas plausíveis para manutenção do preço do minério de ferro em patamares que nos dessem margem de segurança no modelo. Acontece, porém, que essa margem de segurança acabou.
Precisamos ressaltar que não estamos tentando prever o preço do minério de ferro. Nossa estratégia é fazer o Valuation da companhia com premissas conservadoras. Afinal, nosso jogo nunca foi tentar acertar cenários, mas sim investir em ações que mostrassem um bom retorno apesar do conservadorismo das premissas.
Desde o início essa foi nossa estratégia com a Vale. Acontece que, apesar de inicialmente conservadoras, a queda nos preços do minério de ferro fez com que nossas projeções passassem a um patamar levemente otimista. Por isso, para as premissas do modelo continuarem conservadoras, nós precisamos alterá-las de acordo com a realidade que se impôs.
Se antes considerávamos um preço spot para o minério de ferro de US$ 102, US$ 98 e US$ 96 para os anos de 2025 a 2027, agora passamos a considerar US$ 95, US$ 90 e US$ 85. Essas novas premissas garantem margem de segurança em relação ao novo patamar de preço da commodity, subsidiadas pelos fatos que elencamos acima, bem como pelas projeções da Bloomberg, acompanhando a tendência de queda mostrada nos contratos futuros do metal.
Com a queda no preço do minério spot, o preço realizado de venda pela Vale também caiu, levando consigo a Margem EBIT projetada da empresa. Depois de ajustarmos a Margem EBIT e os parâmetros do custo de capital, nosso preço justo para as ações de VALE3 caiu para R$ 61,39, o que dá uma TIR de 16,8%, considerando o preço de fechamento de 14/08/2024, que foi R$ 56.
Acreditamos que esse não seja um patamar razoável de retorno para mantermos Vale na nossa carteira. Por isso, caso você tenha ações da empresa, recomendamos a VENDA de VALE3. O valor que você tiver investido na empresa deve ser distribuído entre as demais ações recomendadas da carteira.
E como ficam as ações recomendadas?
Com essa mudança, as carteiras estão de cara nova!
Para facilitar, basta conferir como ficam as novas distribuições após a atualização nas tabelas abaixo:
Carteira de Valorização
Carteira de Renda
Pagando a DARF
DARF significa Documento de Arrecadação de Receitas Federais. Ele é um formulário onde pessoas físicas declaram seus rendimentos no mercado financeiro.
Para as operações comuns, existe a isenção de imposto se o ganho de capital existir em vendas de um volume menor que R$ 20 mil dentro de um mesmo mês. Já no day trade, essa isenção não existe.
No caso dos fundos de investimento em ações, a alíquota do Imposto de Renda é fixa em 15% sobre os rendimentos, independentemente do prazo da aplicação. O imposto é cobrado somente na hora do resgate das cotas do fundo.
O prazo para pagamento do imposto sobre o ganho de capital em ações é até o último dia útil do mês seguinte ao da venda das ações.
Você deve emitir um DARF com o código 6015 e pagar no banco de sua preferência ou em casas lotéricas.
Mas tenha atenção, se você não fizer o pagamento no prazo, além dos juros, você pagará multa e tenho certeza que você não vai querer ter problemas com a Receita Federal.
Como emitir um DARF?
Agora que você já sabe o que é a tributação sobre o investimento em ações, aprendeu a calcular o ganho de capital e o imposto que precisa pagar (se tiver que pagar), chegou a hora de aprender a emitir um DARF.
Para emitir o DARF, você vai precisar entrar no site da Receita para entrar no Sicalc Web, que é o sistema de cálculos e pagamentos da Receita. E, para facilitar a sua vida, deixamos o link aqui embaixo.
Site para emitir o Darf: Sicalc (economia.gov.br)
Na primeira página, será solicitado seu CPF e sua data de nascimento. Depois, é só clicar na caixinha de verificação de segurança que o botão “Continuar” vai ser liberado.
Fonte: Site da Receita Federal
Após isso, o sistema vai pedir o seu domicílio atual (normalmente essa opção já vem preenchida). Porém, caso isso não aconteça, você pode digitar o nome da sua cidade que vai aparecer na lista ao lado de um número de identificação.
Fonte: Site da Receita Federal
Nessa mesma página, aparece o campo onde você digita o código do imposto, aquele que falamos lá em cima, o 6015.
Fonte: Site da Receita Federal
Depois, novos campos vão aparecer, e agora é só preenchê-los com bastante atenção.
Em relação à data de consolidação, você pode deixar a que está no sistema. E o tipo de apuração já foi definido quando você indicou o código 6015.
O período de apuração é o mês referente ao seu lucro, ou seja, aquele em que você vendeu suas ações com lucro acima de R$ 20 mil.
Fonte: Site da Receita Federal
Agora, você vai ver que a data de vencimento vai aparecer como sendo o último dia do mês seguinte, assim como mencionamos lá em cima.
Abaixo dela, você vai inserir o valor do imposto a pagar. Preste atenção, pois aqui não é para inserir o valor do lucro.
Fonte: Site da Receita Federal
Assim que preencher todos os dados, o botão “Calcular” vai ficar liberado. Clicando nele, você vai perceber que o imposto vai ser cadastrado na tabela.
Fonte: Site da Receita Federal
Agora, é só clicar em “Emitir Darf” e realizar o pagamento até o vencimento em qualquer grande banco ou casa lotérica. Ele tem essa cara aqui:
Abraços,
Time VAROS.