Com o fim das carteiras Small Caps e O Melhor da Bolsa, vamos fazer algumas mudanças nas ações que agora fazem parte da Carteira de Valorização para melhor absorver as oportunidades de mercado. Neste relatório, também explicamos a metodologia que utilizamos para selecionar nossas recomendadas.
O ano de 2023 foi muito positivo para as nossas carteiras Small Caps e O Melhor da Bolsa. Fazendo valuation por meio do FCFF (Free Cash Flow to the Firm), buscamos empresas com grande potencial de retorno e recomendamos as melhores que encontramos com base no perfil de risco de cada carteira.
Na Small Caps, recomendamos ações de empresas menores e mais voláteis. Essas companhias, em geral, estão em uma fase de crescimento mais acelerado e, consequentemente, têm maior potencial de valorização no curto prazo. Porém possuem um maior risco embutido.
Na O Melhor da Bolsa, recomendamos ações que já estão em uma fase mais madura. São empresas que possuem uma fatia maior do mercado e, portanto, têm menos espaço para crescer. Entretanto, chegar a esse patamar não é nada fácil e, assim como foi custoso chegar ao topo de seus respectivos segmentos, dificilmente essas companhias cairão. Em outras palavras, a estratégia aqui foi encontrar empresas com baixo risco sendo negociadas a preços atrativos.
Agora, na Carteira de Valorização, temos uma posição com um equilíbrio maior na relação risco-retorno. Selecionamos ações menos arriscadas, assim como foi feito na série O Melhor da Bolsa, mas vamos dar uma apimentada com ações small caps. O objetivo é garantir segurança para a rentabilidade sem deixar passar grandes oportunidades em small caps, como foi o caso de C&A (CEAB3) em 2023.
Já na Carteira de Renda, vamos buscar empresas que paguem bons dividendos e estejam com um bom desconto. O objetivo não é necessariamente encontrar companhias com grandes upsides. Queremos encontrar um equilíbrio entre preço e dividendo.
Dito isso, podemos seguir para o próximo tópico. Antes de começarmos a falar de alterações nas nossas alocações, vamos explicar a metodologia que usaremos para estruturar a carteira e para a precificação das ações.
Risco x retorno
Risco, para a maioria de nós, se refere à probabilidade de recebermos um resultado diferente do que esperávamos. Por exemplo, você pode dirigir mais rápido para chegar ao seu destino em menos tempo. O risco nessa ação é receber uma multa ou, no pior dos casos, sofrer um acidente.
Em finanças, a definição de risco é diferente e mais ampla. Aqui, o risco é visto como a probabilidade de receber um retorno diferente do esperado. Dessa forma, o risco inclui tanto retornos ruins (abaixo do esperado) quanto positivos (acima do esperado).
O espírito dessa definição é bem captado pelos kanjis para risco:
O primeiro significa “perigo”. O segundo, “oportunidade”. Em outras palavras, risco é uma mistura de perigo com oportunidades e reflete bem o trade-off com que todo investidor se depara ao longo de sua jornada: oportunidades com grandes retornos são acompanhadas de uma boa dose de risco de eles não se concretizarem.
Hoje, a metodologia da Carteira de Valorização consiste em uma divisão do seu dinheiro aplicado em ações de acordo com seu nível de renda.
Depois de alguns estudos, optamos por alterar essa metodologia para dividir esse dinheiro igualmente entre as ações recomendadas. Basicamente, se você tem R$ 1.000 para colocar em ações e são dez ações na carteira, você deverá colocar R$ 100 em cada uma. A partir de agora, a carteira deverá ficar da seguinte maneira:
A razão para tomarmos essa decisão é a eventual complexidade que seria gerada caso adotássemos pesos diferentes nos ativos recomendados. Deixando todo o matematiquês de lado, a razão pelas quais ativos diferentes possuem pesos diferentes dentro de uma alocação é a tentativa da otimização da relação entre risco e retorno. Existe toda uma ciência por trás.
E a área que busca encontrar metodologias de otimização de portfólios está em constante evolução. Não há muito consenso sobre qual o melhor método a ser adotado nem sobre qual a periodicidade ideal de balanceamento. Imagine você tendo que comprar e vender parte dos ativos da carteira toda semana só para buscar uma alocação ideal que, talvez, nem seja tão ideal assim.
Para agravar mais a complexidade, nós fazemos aportes em momentos distintos. Muito provavelmente os pesos ideais de alocação para alguém que recebeu seu salário no dia 1º será diferente para aquele que recebeu seu salário no dia 5. Nessa busca incessante, entraremos num cenário em que, todos os dias, os pesos das recomendações mudariam na plataforma. Mais uma vez, sem a certeza de a complexidade estar nos levando a retornos adicionais.
A solução mais simples é justamente manter os pesos iguais para todos os ativos. Além de ser uma solução mais simples, ela evita estarmos demasiadamente expostos a um único ativo, cumprindo o papel mais importante em qualquer carteira de investimentos: diminuir o risco diversificável.
O DCF (Discounted Cash Flow)
Há vários modos de descobrir o valor de uma empresa — o que costumamos chamar de “valuation”. Dentre esses modos, o mais completo é o Discounted Cash Flow.
O nome em inglês e até mesmo a tradução, “Fluxo de Caixa Descontado”, dão a aparência de algo sofisticado, difícil, que apenas os megainvestidores bilionários com PhD em Economia poderiam entender.
Isso tudo vai por água abaixo em alguns minutos, principalmente após uma boa explicação. A ideia por trás desse modelo é tão simples que qualquer um poderia chegar a ela sozinho.
Pense assim:
Nós queremos descobrir quanto vale uma empresa. O objetivo de toda empresa é maximizar seu lucro (os millennials se revoltam nessa parte). Portanto, o que faz a empresa ter algum valor é o lucro que ela gera. Pergunte a algum aluno do ensino fundamental por que certa empresa vale bilhões. Ele provavelmente vai chutar que é porque ela dá muito lucro (ou “ganha muito dinheiro”, no linguajar popular).
Esse lucro não é exatamente aquele famoso lucro líquido. Esquece isso! Você está entrando no mercado financeiro. Lucro líquido não significa muita coisa e é papo de comentarista de jornal e especialista de Facebook.
O investidor quer mesmo é saber quanto de dinheiro entrou no bolso dele. Por isso, a gente se preocupa com algo chamado “fluxo de caixa livre”.
O fluxo de caixa livre é o lucro líquido, menos o dinheiro que você vai ter que guardar para investir no crescimento da empresa e o dinheiro que você vai precisar a mais para tocar o dia a dia dela (pagar salários, adiantar os fornecedores e coisas do tipo). É o que vai pro caixa da empresa efetivamente.
Além disso, ninguém abre nem investe em uma empresa pensando que ela vai falir. Sim, eu sei que mais de 50% das empresas abertas no Brasil vão à falência. O ponto é que se você decidiu investir nela, é porque você acha que ela vai prosperar. Afinal, se você achasse que ela iria falir, era só procurar outra empresa para investir.
Beleza, nosso primeiro pressuposto acabou de surgir: a empresa não vai falir.
Todo pressuposto tem uma consequência. Se a empresa não vai falir, então ela vai gerar fluxo de caixa todos os anos... pra sempre! Claro, existem anos ruins em que a empresa vai dar prejuízo (fluxo de caixa negativo), mas isso também conta como “gerar fluxo de caixa”.
Recapitulando: o valor de uma empresa vem do caixa que ela gera. E o caixa, nesse caso, se chama “fluxo de caixa livre” (ou FCF). A empresa não vai falir, então ela vai gerar fluxos de caixa todo ano, por toda a perpetuidade.
Só com essa simples ideia a gente já praticamente chegou à fórmula.
A princípio pode parecer que não falta nada. Um leigo em finanças diria que a fórmula é essa aí mesmo. Porém não para por aí. É bem possível que você já tenha ouvido falar do famoso custo de oportunidade. Se não, vou explicar para você.
O dinheiro tem valor no tempo. Daqui a um ano, os mesmos R$ 100 vão valer menos que hoje. Por conta disso, você tem que exigir um retorno para emprestar ou investir seu dinheiro. Esse retorno vai ser igual a quanto você ganharia botando seu dinheiro em algo tão arriscado quanto.
Em resumo: todo investimento tem um custo de oportunidade. Se você emprestou para um amigo sem cobrar nenhum tipo de juro, você está perdendo o que esse dinheiro poderia render investindo em alguma coisa.
Por isso, a gente tem que descobrir quanto esses fluxos de caixa livre valeriam hoje. Claro, levando em conta o nosso custo de oportunidade. Fazendo isso… Boom! Chegamos à fórmula do Discounted Cash Flow (fluxo de caixa descontado).
Mas ainda não acabou. Como eu disse antes, a gente parte do princípio de que a empresa não vai falir. Em outras palavras, ela vai durar pra sempre. Mas é impossível projetar infinitos fluxos de caixa na fórmula acima.
Para nossa sorte, inventaram a fórmula da soma da progressão geométrica infinita. Por meio dela, conseguimos chegar ao valor da perpetuidade da empresa. Vou poupá-los da parte matemática chata, porém assumindo que a partir do terceiro ano projetado a empresa vai ser tornar madura e vai crescer em um ritmo constante ano a ano, e chegamos à seguinte fórmula:
O resumo da ópera:
Para chegar ao valor da empresa, projetamos os resultados de todos os anos (o que pode ser 5, 10, 15 ou “n” anos) até chegar à perpetuidade, que é o período em que a empresa terá se tornado madura. Depois disso, basta somar todos os fluxos de caixa por meio da fórmula que acabamos de te mostrar. Dividindo esse valor pela quantidade de ações, chegamos ao preço-justo de uma empresa.
Acreditamos que este método é o melhor de todos para fazer um valuation. Para conseguir projetar um fluxo de caixa futuro, você precisará conhecer muito bem a empresa. Tanto sua estrutura financeira quanto operacional, além de alguns drivers que podem chegar “de surpresa” e afetar os resultados da companhia.
Fazendo um valuation com múltiplo P/L, por exemplo, você não sabe nada da empresa além do preço, lucro e do ticker dela na bolsa. Fazer um valuation sem conhecer a empresa é perigoso pois você fica à mercê da sorte e, como todos sabemos, nosso dinheiro não aceita desaforo!
Agora que você já sabe qual a metodologia que usamos para chegar ao preço justo, vamos começar as mudanças. Começaremos com a Carteira de Valorização, mas já estamos estudando algumas alterações para a Carteira de Renda.
Carteira de Valorização
Sai Banco ABC, entra Bradesco
A primeira troca na Carteira de Valorização se deu por dois motivos principais: risco e gatilho. Gatilho nada mais é do que um potencial de valorização o qual, por ser incerto, deixamos de fora do nosso cenário base. Ou seja, é um potencial extra de valorização.
Ao compararmos as ações de ABC (ABCB4) e Bradesco (BBDC4), percebemos que, embora a primeira possua maior risco, a segunda é a que possui maior potencial de curto prazo. Isso se deve, principalmente, ao tamanho e ao estágio de maturidade das empresas. Enquanto o ABC Brasil é um banco com pouco mais de R$ 5,7 bilhões de patrimônio líquido, o Bradesco possui quase R$ 162 bilhões.
Além disso, o ABC Brasil passa por um processo relevante na mudança do perfil da carteira de crédito. Historicamente, o banco ficou conhecido por ter um carteira de crédito voltada aos clientes C&IB e Corporate, que nada mais são do que empresas de grande porte e alto faturamento. Alto faturamento significa que são companhias com maior capacidade de honrar com os empréstimos, ou seja, menos arriscadas.
Porém, nos últimos trimestres, o ABC iniciou um movimento de aumentar o percentual do crédito destinado a clientes Middle, empresas com faturamento anual entre R$ 30 milhões e R$ 300 milhões. Se por um lado esse movimento é fundamental para a melhora da rentabilidade do banco, por outro, o torna mais arriscado. Não significa que passamos a ver a tese como de má qualidade. Pelo contrário, o ABC Brasil segue como um bom banco. O ponto aqui é que, ao menos no curto prazo, a relação entre risco e retorno do Bradesco apresenta-se maior.
Na verdade, o Bradesco tem feito o caminho oposto ao do ABC. No início da pandemia de covid-19, a antiga gestão do banco havia achado uma boa ideia aumentar o crédito de risco inferior. A tese era de que o maior spread cobrado nesses empréstimos seria suficiente para compensar o risco adicional. O tempo passou e mostrou que a gestão estava errada.
Como resultado, o Bradesco viu uma disparada da inadimplência e das despesas de provisão. Na prática, isso derrubou o ROE do banco para 11%. Anteriormente, esse indicador ficava próximo a 20%. Nos últimos dois anos o Bradesco viveu o pior momento de sua história e tem, a duras penas, mudado o perfil da carteira de crédito, privilegiando os clientes de menor risco.
O fato é que a forte turbulência fez o mercado olhar as ações de BBDC com péssimos olhos. Não é loucura dizer que o caos está precificado. O atual nível de preços em que as ações são negociadas é como se o mercado não projetasse melhora alguma no desempenho operacional do Bradesco ad aeternum. Mas também não é loucura dizer que nos últimos dois trimestres o Bradesco deu sinais sólidos de que o pior ficou para trás. É questão de tempo para que o mercado enxergue que o futuro do BBDC será bem diferente do caos precificado.
E esse tempo pode ser menor do que a gente projeta. Acontece que parte do momento ruim que o Bradesco vive é devido ao banco ter montado boa parte das posições de sua carteira de títulos e valores mobiliários nos meses de mínima histórica da taxa Selic. Aí, quando a Selic subiu de maneira brusca, o banco reprecificou boa parte desses títulos, causando um grande prejuízo na margem com o mercado.
Desde então, o Bradesco vem tentando girar a carteira. Girar a carteira nada mais é do que vender os títulos antigos e comprar títulos novos, com rentabilidade mais parecida à taxa de juros atual. O processo de girar a carteira de títulos de um transatlântico como é o Bradesco dura em média 18 anos meses. Em outras palavras, nesses últimos 18 meses, o Bradesco comprou bastantes títulos.
O segundo semestre de 2023 foi o primeiro desde 2020 em que a taxa de juros do final é menor que a do início. Em outras palavras, é a primeira vez que a precificação dos títulos jogará a favor do Bradesco, tomando como base que boa parte dos títulos atuais foram comprados com a Selic acima de 12% ao ano. Se o banco resolver reprecificar esses títulos, o resultado do quarto trimestre pode vir com uma margem com o mercado bastante superior à esperada, destravando um enorme valor.
Através do nosso valuation no cenário base, onde não é levada em conta a possível melhor da margem com o mercado, encontramos o preço justo de R$ 23,53 para as ações de BBDC4. Em relação ao valor atual de mercado, o preço justo representa um potencial de valorização de 49,3%. A TIR da operação é 19,9%.
Portanto, recomendamos a COMPRA de BBDC4.
Aos menos familiarizados, o Bradesco é o segundo maior banco privado do país. Fundado na década de 40, ele passou por diversas transformações e fez mais de 40 aquisições ao longo de sua história. A maior delas foi a compra do HSBC em 2015 por R$ 17,6 bilhões.
Hoje, o Bradesco é um banco completo, ele possui forte atuação, além das atividades bancárias, nos mercados de planos de previdência, títulos de capitalização e seguros. Ao todo o banco possui 71 milhões de clientes, quase 90 mil funcionários e R$ 1,9 trilhão em ativos. São esses números que o consolidam como segundo maior banco privado do país, atrás apenas do Itaú (ITUB3/ITUB4). O Bradesco também é figurinha carimbada no ranking das dez empresas mais valiosas do país.
Porém, como já mencionamos, nem tudo o que reluz é ouro. Apesar de o banco ter lucrado R$ 20,7 bilhões em 2022 e mais de R$ 13 bilhões nos 9 primeiros meses de 2023, a instituição vem passando por sérias dificuldades. A forte concorrência e uma política de crédito demasiadamente arriscada fizeram com que o Bradesco enfrentasse seguidas quedas em seu resultado, atingindo em cheio a lucratividade do banco.
A nossa tese é a de que, com a nova gestão, o Bradesco irá conseguir retomar o caminho de sucesso, trazendo grande valorização para suas ações.
Sai Eletrobras, entra Transmissão Paulista
Cada trajetória de sucesso tem seu capítulo final, e após uma ascensão de 26%, é chegada a hora de nos despedirmos das ações da Eletrobras (ELET3). No entanto, é fundamental examinar os fatos que motivam essa transição.
Na metade de 2023, a Advocacia Geral da União (AGU) protocolou uma petição no Supremo Tribunal Federal (STF) com o intuito de revisar determinados dispositivos da Lei 14.182, que regula a privatização da Eletrobras. A referida legislação estabelece limites de 10% no poder de voto dos acionistas, um ponto crucial considerando que o governo detém aproximadamente 42% das ações da empresa.
No início de 2024, representantes da Eletrobras e do governo se encontraram pela primeira vez para debater a restrição do poder de voto do governo nas decisões da empresa. Essa medida levanta preocupações, uma vez que a história evidencia a ineficiência do governo como gestor empresarial. Existem registros de aumento injustificado no número de funcionários, celebração de contratos desfavoráveis e, mais preocupante ainda, decisões inadequadas nos investimentos da companhia.
Caso o presidente Lula seja bem-sucedido em ampliar o poder de voto do governo, é plausível que as ações da Eletrobras sofram uma reação negativa. Isso representaria uma mudança significativa, colocando novamente o governo como protagonista nas decisões da empresa, minando sua autonomia como uma entidade privada.
Embora tenhamos observado melhorias nos resultados e eficiência nos últimos trimestres após a privatização, a atual controvérsia está gerando considerável incerteza no mercado. Diante desse cenário, os investidores adotam uma postura cautelosa em relação à Eletrobras, dada a instabilidade política. Consequentemente, as ações enfrentam dificuldades para se valorizar, e, na nossa avaliação, o potencial de crescimento atual das ações da Eletrobras não justifica o risco político envolvido.
Diante desse contexto, optamos por substituir as ações da ELET3 por aquelas de uma empresa do setor energético que não esteja sob controle estatal. Nesse sentido, a escolha recai sobre a ISA CTEEP (TRPL4).
Antes de chegar na ISA CTEEP, a gente precisa voltar um pouquinho no tempo. Essa história começou mais especificamente em 1999. Nessa época, a estatal paulista Companhia Energética de São Paulo (CESP) estava passando pelo programa de privatização do Governo Estadual.
No processo de privatização foi criada uma nova empresa, que ficou responsável pelo segmento de transmissão de energia do estado de São Paulo, a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista (CTEEP). Foi aí que a CTEEP começou as suas atividades, como uma concessionária de serviço público de transmissão de energia elétrica, mas ainda como uma empresa estatal. Além disso, nesse mesmo ano a empresa fez IPO e começou a negociar suas ações na Bolsa de Valores.
Em 2006, finalmente, o governo do estado de São Paulo resolveu privatizar a companhia vendendo as suas ações. Foi nessa jogada que o Grupo Interconexión Eléctrica (ISA) abocanhou a CTEEP. Como o Grupo não é bobo nem nada, ele colocou a sua marca na companhia, que passou a ser conhecida como ISA CTEEP.
Foi a partir daí que a ISA CTEEP começou a realizar uma série de investimentos e aumentou a sua área de atuação. Em 2008 ela foi agressiva nos leilões e arrematou sete novos lotes de transmissão, que fizeram com que a empresa ganhasse novos territórios e desse início às suas operações na região Sul, além de consolidar sua atuação na região Sudeste.
O ano de 2009 foi a última investida, depois disso ela ficou um longo período sem adquirir novas linhas. Em 2016 a empresa voltou a participar dos leilões de transmissão e levou pra casa mais três lotes: um em Minas Gerais, um no Espírito Santo e outro na Bahia.
Seguindo a estratégia de expandir seus ativos em transmissão de energia, em 2018 a empresa comprou algumas linhas que já estavam em operação e mais dois lotes no leilão da Aneel, um em São Paulo e outro em Santa Catarina. Em 2019 mais uma vez ela voltou ao leilão e levou mais três lotes para a casa: em Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.
Você deve ter percebido que a companhia investiu forte nos últimos anos. Nesse período que vai de 2016 até 2020 a empresa conquistou 14 lotes nos leilões realizados. Isso demandou da ISA CTEEP um investimento de R$ 6 bilhões no sistema elétrico nacional, o que consolidou o ciclo de crescimento da empresa.
Com todos esses investimentos, atualmente a empresa conta com mais de 19 mil km de linhas em operação e 1,6 mil km em construção. Todas elas foram responsáveis em trazer para a ISA CTEEP em 2021 uma receita líquida de R$ 4,4 bilhões.
Desde a sua criação a ISA CTEEP é focada em uma única atividade: transmitir energia ao redor do Brasil.
A ISA CTEEP conta com 19.656 km de linhas de transmissão em operação e 127 subestações.
Pra te dar uma noção do alcance dessas linhas, essa extensão é capaz de ligar o Brasil até a Austrália, uma distância e tanto. Isso sem falar nos 1.663 km de linhas que a empresa está construindo, e que em breve vão entrar em operação.
Atualmente, a ISA CTEEP possui 32 concessões com um prazo médio de vencimento de aproximadamente 20 anos. Entre elas, 26 pertencem integralmente à companhia e nas 6 restantes ela possui uma participação. Nesse último caso, ela recebe uma receita anual permitida (RAP) proporcional a sua participação naquele empreendimento.
Ao todo, no ciclo 2022/2023, as concessões vão ser responsáveis por uma RAP de R$ 4,2 bilhões.
Algumas dessas linhas possuem mais destaque devido a sua grande extensão e, consequentemente, uma maior RAP. Entre elas podemos destacar o Contrato 059 e a Madeira.
Uma das maiores influências no modelo da companhia são os leilões de transmissão. Dadas as baixíssimas rentabilidades dos últimos leilões de transmissão de energia, se o jogo não virar, a realidade é que novos projetos vão adicionar pouquíssimo valor à empresa, se não acabarem por destruir valor para os acionistas.
Por conta dessa nossa escolha mais conservadora na hora de fazer o nosso modelo, a gente tem que ficar de olho nos próximos passos da companhia. Se o cenário dos leilões melhorar e a empresa conseguir adquirir novos projetos que sejam rentáveis, vamos ter que incluir o valor adicionado desses novos projetos ao modelo. E, sem sombra de dúvida, o valor da ISA CTEEP vai aumentar.
Através do nosso valuation no cenário base, onde não é levada em conta a aquisição de novas linhas, encontramos o preço justo de R$ 29,49 para as ações de TRPL4. Isso nos dá um TIR de 13%.
Portanto, recomendamos a COMPRA de TRPL4.
E como ficam as ações recomendadas?
O ajuste a ser feito se restringe às vendas de Banco ABC (ABCB4) e Eletrobras (ELET3) casadas com as compras de Bradesco (BBDC3) e de ISA CTEEP (TRPL4), sem qualquer tipo de alteração nos percentuais de nenhuma outra ação.
Essas mudanças afetam apenas as carteiras com patrimônio acima de R$ 50 mil na execução por ativos. Na tabela abaixo, podemos verificar como ficou a nova composição das carteiras após a atualização:
Porém, caso você venda um volume superior a R$ 20 mil, com lucro, nessas operações, ainda temos mais uma etapa.
Pagando a DARF
DARF significa Documento de Arrecadação de Receitas Federais. Ele é um formulário onde pessoas físicas declaram seus rendimentos no mercado financeiro.
Para as operações comuns, existe a isenção de imposto se o ganho de capital existir em vendas de um volume menor que R$ 20 mil dentro de um mesmo mês. Já no day trade, essa isenção não existe.
No caso dos fundos de investimento em ações, a alíquota do Imposto de Renda é fixa em 15% sobre os rendimentos, independentemente do prazo da aplicação. O imposto é cobrado somente na hora do resgate das cotas do fundo.
O prazo para pagamento do imposto sobre o ganho de capital em ações é até o último dia útil do mês seguinte ao da venda das ações.
Você deve emitir um DARF com o código 6015 e pagar no banco de sua preferência ou em casas lotéricas.
Mas tenha atenção, se você não fizer o pagamento no prazo, além dos juros, você pagará multa e tenho certeza que você não vai querer ter problemas com a Receita Federal.
Como emitir um DARF?
Agora que você já sabe o que é a tributação sobre o investimento em ações, aprendeu a calcular o ganho de capital e o imposto que precisa pagar (se tiver que pagar), chegou a hora de aprender a emitir um DARF.
Para emitir o DARF, você vai precisar entrar no site da Receita para entrar no Sicalc Web, que é o sistema de cálculos e pagamentos da Receita. E, pra facilitar a sua vida, deixamos o link aqui embaixo.
Site para emitir o Darf: Sicalc (economia.gov.br)
Na primeira página, será solicitado seu CPF e sua data de nascimento. Depois, é só clicar na caixinha de verificação de segurança, que o botão “Continuar” vai ser liberado.
Após isso, o sistema vai pedir o seu domicílio atual (normalmente essa opção já vem preenchida). Porém, caso isso não aconteça, você pode digitar o nome da sua cidade que vai aparecer na lista ao lado de um número de identificação.
Nessa mesma página, aparece o campo onde você digita o código do imposto, aquele que falamos lá em cima, o 6015.
Depois, novos campos vão aparecer, e agora é só preenchê-los com bastante atenção.
Em relação à data de consolidação, você pode deixar a que está no sistema. E o tipo de apuração já foi definido quando você indicou o código 6015.
O período de apuração é o mês referente ao seu lucro, ou seja, aquele em que você vendeu suas ações com lucro acima de R$ 20 mil.
Agora, você vai ver que a data de vencimento vai aparecer como sendo o último dia do mês seguinte, assim como mencionamos lá em cima.
Abaixo dela, você vai inserir o valor do imposto a pagar. Preste atenção, pois aqui não é pra inserir o valor do lucro.
Assim que preencher todos os dados, o botão “Calcular” vai ficar liberado. Clicando nele, você vai perceber que o imposto vai ser cadastrado na tabela.
Agora, é só clicar em “Emitir Darf” e realizar o pagamento até o vencimento em qualquer grande banco ou casa lotérica. Ele tem essa cara aqui:
E sobre as ações das carteiras O Melhor da Bolsa e Small Caps?
Fiquem tranquilos. Ainda faremos o acompanhamento das ações que estavam nas carteiras O Melhor da Bolsa e Small Caps para que de forma gradual você possa ajustar suas carteiras pessoais.
Vamos avisar o momento ideal de vender as ações que foram recomendadas nas carteiras extintas e, ao mesmo tempo, recomendaremos as ações da Carteira de Valorização e Renda. Assim, aos poucos você poderá alinhar suas carteiras.
Vamos começar com O Melhor da Bolsa.
O Melhor da Bolsa
Na carteira O Melhor da Bolsa, teremos poucos ajustes para adequar à Carteira de Valorização. Das 10 ações que tínhamos lá, 6 estão na de Valorização, sendo elas:
- Banco do Brasil
- C&A
- Vale
- Simpar
- Tegma
- Bradesco
- Transmissão Paulista (Isa Cteep)
Nesse primeiro momento recomendamos a RETIRADA de Eletrobras (ELET3), seguindo o movimento da Carteira de Valorização.
Quando chegar o momento de venda das outras ações, avisaremos em relatórios futuros.
Agora, podemos seguir para a Small Caps.
Small Caps
A carteira de Small Caps, diferente da O Melhor da Bolsa, vai precisar de algumas alterações a mais. Das 13 ações que tínhamos lá, apenas 5 já estão na Carteira de Valorização, sendo elas:
- C&A
- Tupy
- Simpar
- Ambipar
- Taurus
Aqui, em um primeiro momento, vamos fazer apenas uma alteração. Acompanhando o movimento da Carteira de Valorização, vamos RETIRAR Banco ABC para dar lugar ao Banco Bradesco. Futuramente, quando virmos janelas para outras trocas, seguiremos com as alterações.
Abraços,
Equipe Finclass