No último dia 10 de novembro, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez novos discursos que estressaram o mercado como um todo. Podemos notar isso no câmbio, que avançou 2,78%, no Ibovespa, principal índice da Bolsa, que caiu 3,35%, e nos juros futuros, que avançaram na maior proporção diária depois das variações causadas nos momentos mais delicados da pandemia.
Em nosso relatório de semana passada, trouxemos a avaliação de que a notícia sobre a definição das eleições tinha sido recebida pelos participantes do mercado de forma cautelosamente positiva. Isso porque, nos dias precedentes ao resultado, não houve alguma reação negativa de grande magnitude, cenário que se reverteu com as falas do presidente eleito na última quinta-feira.
Por conta desses acontecimentos, e com visão de otimizar a relação entre risco e retorno de nossa carteira, hoje vamos realizar uma mudança em nossa parcela de títulos públicos.
No caso, vamos vender nossa parcela de títulos públicos prefixados que pagam juros semestrais com vencimento em 2033 e aumentar nossa posição em títulos de inflação de longo prazo que pagam juros semestrais com vencimento em 2032. Ressaltamos que a mudança é válida tanto para a carteira original quanto para a alternativa.
Aqui é importante mencionar que já recomendamos ativos prefixados com vencimento em 2031 e 2033, e ambos os títulos podem ser considerados da mesma classe quando for realizar essa mudança.
Dessa forma, no relatório de hoje vamos endereçar o porquê dessa mudança de prefixados para indexados à inflação e mostrar o impacto da nossa parcela de dólar e sua importância para conter a volatilidade.
Impactos nos juros futuros e expectativas de inflação
Com os discursos inflamatórios sobre a retirada do Auxílio Brasil, que vinha até então dentro do teto de gastos, abriu-se no orçamento um espaço não contabilizado para novos gastos públicos que estariam “dentro do teto”. Além disso, não foram sinalizadas quais seriam as contrapartidas fiscais.
Não é preciso falar, mas a reação do mercado foi de medo.
No gráfico abaixo, mostramos a variação da taxa de juros futuros no dia da fala do presidente eleito, destacado com a seta amarela, e a região em amarelo claro o período depois do discurso.
Apesar de essa taxa ter aumentado nos últimos dois anos, é importante mencionar que essa foi a maior elevação diária se desconsiderarmos as expansões diárias causadas pela pandemia e o maior valor nominal que a taxa atingiu até o presente momento:
Taxas de juros futuras - 2031
Fonte: Broadcast
Lista das maiores elevações diárias da taxa de juros futuras (2031)