Absolute Vertex
Absolute: multi com gosto por Bolsa
Foi um curto período de tempo decorrido desde quando a Absolute foi lançada até que o seu fundo, o Absolute Vertex, entrou para a nossa lista de multimercados preferidos. A gestão do sócio-fundador Fabiano Rios é famosa desde os fundos de Bolsa da Claritas.
É do perfil de Rios o gosto por Bolsa, depois de ter integrado por nove anos a mesa de ações da tesouraria do Banco Santander e, também, ter estado à frente dela. E é justamente esse um dos diferenciais entre os multimercados brasileiros, que em geral ficam mais concentrados em renda fixa.
Com uma abordagem macro, a gestora conta ainda com um time robusto de economistas, formado por 15 profissionais. Felipe Tâmega., que chegou em maio de 2021, chegou para liderar a área de pesquisa. Desde então, novos reforços foram contratados: os economistas Terence Pagano, para cobrir o cenário internacional, e Tiago Tristão, com foco mais em Brasil e uma bagagem mais quantitativa.
A equipe de economistas sempre foi um diferencial, fazendo com que a Absolute seja figura cativa entre as cinco melhores segundo o boletim semanal Focus do Banco Central. Essa posição reflete os nomes mais acertadores das projeções para importantes indicadores da macroeconomia, como a Selic e o IPCA.
Mais do que um prêmio, isso faz diferença no dia a dia, com ganhos expressivos em momentos em que a equipe nada contra a corrente com opiniões diferentes da maior parte do mercado sobre o próximo passo do Comitê de Política Monetária do Banco Central, que define o rumo para os juros básicos da economia.
A Absolute trabalha com oito “pools” de tomada de risco, cujos limites são revisados semestralmente com base na performance que cada gestor gera. Rios tem poder de veto, mas diz que nunca precisou usar.
O que mais chama atenção, entretanto, é que, apesar do viés de Bolsa de Rios, o fundo consegue extrair retorno de diferentes classes de ativos, numa demonstração de que o time de gestão é complementar e não depende de um único mercado para ganhar dinheiro.
Para se ter ideia, um levantamento da atribuição de resultados do Vertex desde o seu início mostra que, nos anos de 2013, 2014 e 2015, o segmento de moedas foi o que mais contribuiu para o retorno do fundo. Em 2016 e 2017, o destaque foi o mercado de juros. Em 2018 e 2019, vieram de Bolsa e, em seguida, juros as maiores contribuições.
Em 2020, ano da pandemia, o mercado de juros foi o que mais gerou retorno para o fundo e, em 2021, a Bolsa. Na primeira metade deste ano, o segmento de juros, especialmente no mercado norte-americano, era destaque novamente.
Outra área que vem ganhando bastante atenção internamente é a de ciência de dados. O projeto nasceu há dois anos, segundo Rios, para dar suporte tanto para o time de pesquisa quanto para a gestão, inicialmente com o cruzamento dos dados que gera com as informações da análise, mas de olho no potencial de geração de valor na montagem das posições, de fato.
A grande vantagem de ter uma área como essa, na visão da Absolute, é poder olhar mais coisas com menos gente, e de forma mais aprofundada.
Desde que começou a operar, em março de 2015, até outubro, o Absolute Vertex rendeu 169,28%, o equivalente a pouco mais de 200% do CDI.
Gávea Macro e Gávea Macro Plus
Gávea: de olho no exterior
A Gávea, fundada em 2003, é uma das gestoras mais desejadas. Quem não gostaria de ter Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central, no comando de seu fundo? Nada como poder delegar a gestão do seu patrimônio a quem conhece o banco dos bancos por dentro.
Não espere de Arminio, entretanto, foco no Brasil. A casa tem uma alocação historicamente elevada no mercado internacional, que gira em torno de 80%. E Arminio, muito antes da posição no Banco Central pela qual é conhecido por essas bandas, fez doutorado em Princeton, operou no banco de investimentos internacional Salomon Brothers e foi sócio de George Soros no Quantum Fund.
É essa diversificação fora que mantém os fundos da Gávea descorrelacionados de outros multimercados brasileiros, o que é bastante saudável para a composição do portfólio.
São dois os fundos recomendados, o Gávea Macro e o Gávea Macro Plus. Enquanto o primeiro tem volatilidade por volta de 5% a 6% ao ano, o segundo mira cerca de 1,5 vez o risco do fundo original, ou seja, ele usa as mesmas estratégias, só que em tamanho 1,5 vez maior. E ao mesmo custo.
O Gávea Macro Plus é uma ótima opção para quem é investidor qualificado, com mais de R$ 1 milhão em aplicações financeiras, por ser mais concentrado. E hoje já é possível encontrá-lo em mais de uma plataforma e com um tíquete de entrada menos proibitivo (a partir de R$ 10 mil).
Nos últimos três anos, o Macro rendeu o equivalente a 216,5% do CDI e o Macro Plus, 292% do referencial.
Ibiuna Hedge STH
Ibiuna: na cola dos bancos centrais
À frente da Ibiuna estão dois nomes de peso: Mário Torós e Rodrigo Azevedo, ambos ex-diretores do Banco Central, o que dispensa mais apresentações. Isso se alinha perfeitamente à proposta da gestora, que é ser especialista em política monetária no Brasil e no mundo.
No dia a dia da gestão, os sócios-fundadores são os responsáveis pela maior parte do orçamento de risco, que é compartilhado ainda com outros gestores.
Com toda a experiência adquirida na passagem pelo Banco Central trazida na bagagem, Torós, Azevedo e equipe estão sempre atentos às situações em que os juros podem parecer fora do lugar, marcando alta possibilidade de uma nova tendência na atuação da autoridade monetária, seja para cortes, seja para altas.
Ainda que o forte seja operar juros e câmbio, a estratégia de Bolsa não fica para trás. As estratégias direcionais e relativas de André Lion fazem as honras da casa. Elas ganham ao apostar no ajuste de distorções nas relações históricas de preços entre ativos.
O fundo multimercado da casa é tão discreto quanto seus gestores; não dá grandes saltos no que se refere a potencial de retorno, mas também não traz muitas surpresas negativas. Bastante consistente, é adequado para quem quer investir em um multimercado, mas não aguenta fortes emoções.
Caio Santos, sócio responsável pelo relacionamento com os investidores, tratou de prudentemente espalhar os fundos da Ibiuna pelas plataformas do varejo. Então, se você gostou da ideia de tê-lo em sua carteira, vai ser bem fácil encontrá-lo.
Hoje, nossa recomendação é o Ibiuna Hedge STH, o produto mais eficiente da casa pelo mesmo preço. Desde o início, em dezembro de 2012, o fundo rende o equivalente a 145% do CDI.
Kapitalo Kappa e Kapitalo Zeta
Kapitalo: um sincronizado mix de estratégias
A Kapitalo é uma gestora criada em setembro de 2009 por uma equipe egressa do banco carioca BBM, de onde vieram outros filhotes ilustres, como a SPX. João Pinho, Carlos Woelz e Hegler Horta, três sócios bastante relevantes para o negócio, trabalham juntos desde 1998.
Ou seja, são daqueles times em que um olha para o outro e nem precisa falar nada – já sabe que é para comprar pré ou vender dólar. Pinho coordena a frente institucional, Hegler cuida da alocação em Bolsa e Woelz é o principal tomador de risco do fundo.
A figura de Woelz se destaca: uma combinação rara de raciocínio rápido (e de fala também!), cenários assertivos, posições ganhadoras e preocupação com o investidor de varejo. A gestora não é casa de um homem só, entretanto.
A gestão é construída por diferentes mesas - hoje são 12 -, que funcionam como pequenos fundos independentes focados em um conjunto de ativos específicos, liderados, em geral, por um sócio-gestor e uma equipe de duas a quatro pessoas altamente especializadas.
O que chama atenção na Kapitalo é o fato de não se acomodar, mantendo a preocupação de adicionar sempre novas estratégias, para aumentar o potencial de gerar retorno sem ampliar o risco.
São dois os fundos da casa que recomendamos. Ambos têm a mesma estratégia, porém metas distintas de volatilidade. O Kapitalo Kappa é fundo voltado para o público geral, com objetivo de volatilidade de 7%.
O Kapitalo Zeta é o nosso preferido, por ser a versão mais concentrada, com meta de volatilidade de 12%. Mas ele é restrito a investidores qualificados, com mais de R$ 1 milhão em aplicações financeiras.
Nos últimos três anos, o Kappa rendeu o equivalente a 138,5% do CDI e o Zeta, 170% do benchmark.
Kinea Atlas
Kinea: um gestor discreto, cheio de ideias diferentes
A Kinea é uma gestora da qual o grupo Itaú Unibanco é sócio. Criada em 2007, fica em uma estrutura segregada do banco, com regras próprias. A gestão do multimercado é feita por uma equipe à parte, sob o comando do competente Marcio Verri.
Depois de sete anos como diretor de investimentos da gestora Franklin Templeton no Brasil, em 2015 Marco Freire, economista pela PUC-Rio, juntou-se à equipe. Com visões bastante lúcidas sobre oportunidades em diferentes mercados e um gosto peculiar pela Bolsa, pouco comum entre gestores de multimercados, ele levou esse diferencial para a Kinea.
O posicionamento permanente em Bolsa brasileira garantiu aos fundos da Kinea um ótimo desempenho nos últimos anos. Marco é discreto, porém, quando começa a falar de seu cenário e posições, impressiona, com várias ideias fora do consenso.
Sua equipe opera não só estratégias direcionais (aquelas que se beneficiam em momentos de alta da Bolsa), mas também negocia pares de ações, para lucrar com assimetrias de preços entre papéis do mesmo setor, por exemplo, o que permite ganhos mesmo quando o mercado acionário fraqueja.
Nossa recomendação da casa é o Kinea Atlas, o multimercado de mais alta volatilidade, por volta de 8%. Desde o início da versão recomendada, em abril de 2018, o fundo rende o equivalente a a 172% do CDI.
Legacy Capital
Legacy: tesoureiros em ação
Apesar de mais nova, a Legacy Capital logo virou recomendação. Afinal, a equipe veio prontinha do Santander, onde já trabalhava junta por mais de uma década e de onde saiu para montar a casa em 2018.
Entre os sócios-fundadores, destaque para Felipe Guerra, que comandava a tesouraria do banco e já tinha trabalhado no BBM e no Citi. Com ele vieram ainda o economista da tesouraria, Pedro Jobim, e o responsável pela mesa de renda fixa, Gustavo Pessoa. De Pedro Jobim vêm as ideias macroeconômicas que servem ao portfólio da casa. E seu currículo é nada trivial, com um doutorado pela Universidade de Chicago e passagem pelo ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica).
O estilo de gestão da Legacy é de fato muito parecido com o de casas como SPX e Kapitalo: várias mesas com gestores especialistas, responsáveis por diferentes ativos. Ou seja, cada um no seu quadrado – menos Guerra, que pode operar todos os mercados. Ele usa essa carta branca para alavancar posições de maior convicção da equipe.
O legal da Legacy é que ela quebrou um padrão comum entre tesoureiros, de começar sua história assustando o investidor. Acostumadas a gerir o dinheiro do próprio banco, o primeiro baque de ter pessoas físicas no passivo costuma ser intenso. No caso da Legacy, a casa começou ganhando dinheiro e sem dar grandes sustos no investidor. A troca de posições é ágil e tem sido vencedora.
A casa também chama a atenção pelo cuidado em não deixar o patrimônio crescer de forma desenfreada, a fim de manter a rentabilidade dos cotistas.
Com meta de volatilidade de 7%, desde julho de 2018, o Legacy Capital entrega 238,5% do CDI.
SPX Nimitz
SPX: a mãe das gestoras de tesoureiros
A SPX está entre as gestoras de multimercados mais bem-sucedidas do mercado brasileiro e fonte de inspiração para muitas casas. Foi fundada em 2010 por um grupo de egressos do BBM liderado pelo trio formado por Rogério Xavier, Bruno Pandolfi e Daniel Schneider. Conta com com cerca de R$ 80 bilhões em ativos sob gestão.
A estratégia dos multimercados da casa é parecida com a tesouraria de um banco, ao segmentar as atividades por juros, câmbio, ações, commodities e crédito. Uma preocupação forte da casa é em descentralizar as decisões dos fundos, ao atribuir limites para cada segmento.
Além de Rogério, responsável principalmente pela frente de juros, há outros nomes relevantes, como o de Bruno Pandolfi no segmento de moedas e Leonardo Linhares em Bolsa. Vale destacar ainda que a SPX reúne um time robusto macro e microeconômico de pesquisa para apoiar as decisões nas mesas.
A casa conta também com uma estrutura internacional forte, com escritórios em Londres, Nova York, Portugal, além de São Paulo e Rio, o que também é uma vantagem: a equipe se preocupa em ser um hedge fund global de fato.
O SPX Nimitz, nosso recomendado, está disponível somente para investidores qualificados, ou seja, com mais de R$ 1 milhão em aplicações financeiras. Desde o seu início, em agosto de 2013, rende o equivalente a 180% do CDI.
Aqui também há uma versão ainda mais concentrada: o Raptor, que, além de ser para investidores profissionais, passa boa parte do tempo fechado.
Para mais detalhes sobre os fundos e onde encontrá-los, acesse a área logada do Spiti One.
Um grande abraço,
Felipe Arrais, Alessandra Bellotto, Rodrigo Xavier e Vinícius Kenjiro