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Na caixinha de ações globais entra WRLD11

Escrito por Alessandra Bellotto, Felipe Arrais, Rodrigo Xavier, Vinicius Kenjiro em AÇÕES

6 min de leitura

Hoje traremos a recomendação do ETF Investo FTSE Global Equities (WRLD11).

Se eu tivéssemos que escolher apenas um instrumento para investir em ações globais, certamente adotaríamos uma abordagem de alocação neutra, tomando exposição generalizada ao mercado global de ações. Uma alocação neutra responde às mudanças estruturais no mercado, te entregando uma maior exposição aos mercados e setores mais relevantes.

Temos algumas maneiras diferentes de tomar esse tipo de exposição, mas, hoje traremos a recomendação do WRLD11 que é listado no Brasil, sendo muito fácil acessá-lo. Vale dizer que o WRLD11 compra cotas do ETF VT no exterior e, portanto, o VT também é uma opção válida.

Vamos lá?

Investo FTSE Global Equities (WRLD11)

O ETF WRLD11 é um ETF de ETF. Isso porque é um ETF listado na Bolsa brasileira e que visa comprar a totalidade de seu patrimônio em cotas do ETF VT, listado no exterior.

Por isso se quiser entender no detalhe o que faz o ETF VT, fique à vontade para conferir no relatório de recomendação do ETF.

O que vamos comentar, portanto, são os aspectos operacionais e estrutura de custos que tornam o WRLD11 uma realidade.

Antes de começarmos a falar com mais detalhes do produto, vale comentar que temos gostado da abertura e transparência promovida pela Investo que, por meio de seu CEO Cauê Mançanares, tem costurado um ótimo relacionamento conosco da Spiti, não se escondendo de nossas perguntas provocativas e nos mostrando todos os detalhes que solicitamos.

Além disso, o fato de ser uma gestora pequena e focada em investimentos no exterior faz com que todos da empresa tenham visibilidade do processo todo e, principalmente, atenção aos detalhes e melhorias de eficiência.

Um detalhe que podemos citar é o fato de que, por padrão, o Credit Suisse, empresa contratada pela Investo para atuar como formadora de mercado (market maker), não costumava participar dos leilões de ajuste de preço após o fechamento de mercado (after market). Ao perceber que isso causava uma ineficiência no processo, a Investo renegociou o valor pago ao Credit Suisse para que eles atuassem de maneira mais cirúrgica, inclusive no after market.

Vale mencionar que todos os custos operacionais envolvidos no processo saem da taxa de administração que a Investo cobra, não gerando custos além desta. Ou seja, a Investo cobra 0,30% ao ano e usa essa taxa para pagar custos de auditoria, pagar o Credit Suisse (o custodiante), as taxas de manutenção das contas no exterior usadas pelo ETF para comprar o VT etc.

A estrutura de custos

Como explicamos, o WRLD11 cobra 0,30% e investe no ETF VT, que, por sua vez, custa 0,07% ao ano, totalizando uma taxa agregada de 0,37%.

Temos mapeado a rentabilidade diária do WRLD11 e comparando com a do ativo que ele compra, o VT. Em um mundo ideal, em que não existe negociação entre mercados de dois países diferentes, câmbios distintos e fricções operacionais, esperaríamos que o WRLD11 rendesse, ao ano, 0,30% a menos que o VT, ou seja, apenas o custo de sua taxa de administração.

Acontece que sempre haverá diferenciação do valor analisado. Como já discutimos hoje, o VT é um ativo de renda variável e possui certa volatilidade em seu preço, minuto a minuto. Agora, quando se adiciona o câmbio em cima, temos ainda mais volatilidade e, apenas ao pararmos para analisar o preço do ativo, já podemos estar trazendo bases diferentes na comparação.

Mesmo que usemos como base os preços de fechamento do ativo, existem divergências de números que podem jogar a favor ou contra o ETF listado no Brasil a depender do dia que tomamos como referência para a análise.

Se pegarmos uma análise da variação diária de preços dos ativos em reais, ou seja, convertendo todos os dias o preço do VT para reais e acrescentando aos retornos diários do WRLD11 o equivalente diário da taxa anual de 0,30%, é como se estivéssemos retirando o efeito da taxa de administração para ver só a diferença causada por essas diferenças de mercados, moedas e eficiências operacionais.

Notamos que as distorções acontecem de maneira semelhante tanto para cima quanto para baixo, e, fazendo a média entre os spreads diários observados, temos algo muito próximo de zero – 0,0039%, para ser mais preciso.

Isso indica que, por mais que a fotografia distorça nossa percepção de quem está na frente a cada período de tempo, um dia melhor tende a ser compensado com um pior e, no longo prazo, o ETF cumpre bem a missão de acompanhar a cotação do ativo listado no exterior.

Distribuição geográfica

O mercado de ações é volátil e se altera a todo momento. Dessa forma, exibiremos a visão atualizada da distribuição geográfica do VT, que se alterou ligeiramente desde quando fizemos a recomendação do ETF listado no exterior.

O WRLD11 possui apenas cotas do ETF VT em seu patrimônio e eventualmente pode ter um resíduo de caixa devido a integralizações de novas cotas que podem ser lançadas pelos formadores de mercado, assim como fluxos de dividendos pagos pelo VT.

De qualquer maneira, a visualização das exposições geográfica, setorial e por estilo de empresa será virtualmente a mesma e, portanto, exibiremos os dados do VT, pois temos um maior fluxo de atualização ao pegar os dados diretamente com a gestora Vanguard.

Fonte: Investo

Distribuição setorial

Agora vejamos como fica a composição setorial dos dois ETFs:

Fonte: Investo

Apenas a título de curiosidade, é interessante comentar que hoje em dia o setor de tecnologia da informação já é o mais representativo no mundo em tamanho de mercado, algo que há poucas décadas poderia ser inimaginável.

Distribuição de tamanho de empresas

Para finalizar, vamos ao ponto que é a maior diferenciação qualitativa entre os dois produtos: a exposição a empresas menores.

Veja como o VT distribui o investimento nos diferentes espectros de tamanhos de empresa:

Por mais que o VT tome exposição a empresas de menor tamanho, ainda temos a maior parte da alocação em empresas de grande porte, o que mostra que não há uma adição exagerada de risco ao se optar pelo VT em vez do ACWI. 

Maiores posições em carteira

Veja abaixo as maiores posições em carteira de ambos os ETFs:

Top 10 Empresas em carteira%
Apple Inc.3,76%
Microsoft Corp.2,78%
Alphabet Inc.1,73%
Amazon.com Inc.1,46%
Tesla Inc.0,93%
UnitedHealth Group Inc.0,83%
Exxon Mobil Corp.0,74%
Johnson & Johnson0,73%
Berkshire Hathaway Inc.0,70%
Total13,66%

Fontes: Vanguard. Adaptação: Spiti

O top 10 é semelhante tanto em relação a nomes presentes quanto ao peso atribuído a cada um. Mas é preciso mencionar que o VT é um ETF muito diversificado, possuindo mais de 9.548 ações em carteira.

Informações técnicas

O ETF pode ser comprado por investidores em geral e de qualquer corretora no Brasil através do ticker WRLD11.

NomeInvesto Ftse Global Equities Etf Fundo De Investimento De Indice Investimento Exterior
TickerWRLD11
ClasseAções
Índice de referênciaFTSE Global All Cap Net TR US RIC
Exposição geográficaAções globais
Maior exposição geográficaEstados Unidos
Número de ações em carteira9.548
Exposição setorialDiversificado
Taxa de administração ao ano0,37% (0,30% ETF WRLD11 + 0,07% do ETF VT)
Preço do fechamento da cota em 18/11/2022 R$ 82,50

Conclusão

Trocas de recomendações, como a feita hoje, poderão ser muito comuns no futuro. O próprio WRLD11, que acaba de chegar, pode se tornar menos eficiente se outras iniciativas se concretizarem no Brasil ao longo dos próximos meses e anos.

Sempre dissemos que a demanda faz com que a oferta de investimentos se altere, mas, além disso, a demanda aumenta a competitividade do mercado e os custos envolvidos tendem a cair.

Da nossa parte, gostamos de trazer à tona todas as minúcias envolvidas em instrumentos de investimento global, pois, quanto mais você souber, menos as gestoras vão poder tirar vantagem e, no fim das contas, isso pode favorecer que cada vez mais tenhamos instrumentos baratos e eficientes chegando ao mercado.  

Apesar de ser uma maneira interessante de investir em ações globais, o ACWI11, em nossa opinião, agrega um acúmulo de custos e poderia ser melhor, principalmente por já partir de uma base cara, que é o custo do próprio ACWI no exterior.

Por isso, estamos satisfeitos com a substituição mesmo que ela não seja um sinônimo de que o ACWI11 não presta. Não tem a ver com isso, mas, sim, com nosso objetivo de buscar sempre a melhor opção, mesmo que seja apenas ligeiramente melhor.

Antes de nos despedir, gostaríamos de te convidar a avaliar o relatório clicando nas estrelinhas acima. É muito importante para nós.

Um grande abraço,

Felipe Arrais e Lysandro Martin

Sobre os analistas

Alessandra Bellotto

É gerente executiva de análise de fundos de investimentos na Spiti. Jornalista com pós-graduação em informações econômicas e mercados de capitais, traz na bagagem a experiência e o relacionamento de mercado de quem passou mais de duas décadas nas redações da Gazeta Mercantil e do Valor Econômico, de onde saiu após 13 anos para se juntar ao time da Spiti. Sempre atuou com foco na cobertura e edição de finanças e investimentos para pessoas físicas, em especial fundos. Foi premiada por duas vezes pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), por seu trabalho de educação ao investidor, e uma vez pela BM&FBolvespa, atual B3.

Felipe Arrais

Sócio

Analista CNPI, especialista em investimentos globais da Finclass. Engenheiro de gestão e bacharel em Ciência e Tecnologia pela Universidade Federal do ABC, Arrais também é engenheiro mecatrônico pela Middlesex University London. Iniciou sua trajetória no mercado financeiro ainda em 2015, atuando como consultor financeiro autônomo, quando se apaixonou pelo trabalho direcionado à pessoa física, mantendo total independência em suas recomendações. Especializou-se em análise de fundos de investimento trabalhando com recomendações voltadas a pessoa física atuando em casas de análise independentes e expandiu sua experiência com fundos de investimento e alocação para além da fronteira brasileira ao se tornar um dos principais nomes do país no tema investimentos no exterior.

Rodrigo Xavier

Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.

Vinicius Kenjiro

Fund Research Analyst

É especialista de fundos da Spiti. Bacharel em Administração pela USP, com passagem pela Erasmus University Rotterdam, Vinícius atuou na análise financeira e social de um fundo de impacto social, nas áreas de agricultura e inclusão financeira. Fascinado pelo mercado financeiro, traz na bagagem a experiência de ter estado do outro lado da indústria e a vontade de impactar a vida das pessoas por meio da educação financeira e dos investimentos.