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Nova integrante das carteiras recomendadas: Wiz Co. (WIZC3)

Escrito por Evandro Medeiros em AÇÕES

15 min de leitura

Neste relatório, você encontrará:

  • A nova composição das carteiras Finclass, adicionando WIZC3 ao preço máximo de R$ 10,11 por ação, retirando BBDC4 e ajustando os pesos recomendados;

  • As evidências e perspectivas que nos fizeram recomendar WIZC3 nas carteiras de Renda e Valorização;

  • Tese e valuation de WIZC3.

Em nome da Equipe Finclass, tenho o prazer de trazer a mais nova recomendação de nossas carteiras de ações, a Wiz Co. (WIZC3).

O ativo integrará tanto a carteira de Renda como de Valorização pois se trata de uma empresa versátil, que deverá entregar apreciação justamente enquanto passar a distribuir mais proventos e seu valor se tornar mais claro ao mercado.

Sem mais delongas, espero que você desfrute desse relatório e aproveite esta grande oportunidade que muitas vezes passa despercebida por se tratar de uma small cap, pagar dividendos ainda modestos e operar um modelo de negócios absolutamente entediante, exatamente do tipo que costumo apreciar, pois atrai menos olhares dos investidores e analistas.

Alocação das carteiras

De agora em diante, operaremos com pesos distintos entre os ativos, permitindo uma alocação mais tática que prioriza assimetrias favoráveis. Teses com maior potencial, mas também com risco mais elevado, passam a ocupar proporções menores na carteira.

Recomendamos a venda de BBDC4. Para os ativos que tiveram seus pesos reduzidos, não consideramos necessário realizar vendas parciais apenas para adequação às novas proporções, pois isso pode gerar ganho de capital e, consequentemente, incidência de impostos.

Uma alternativa mais eficiente é ajustar a carteira gradualmente por meio de novos aportes e do reinvestimento de dividendos e juros, até que as alocações recomendadas sejam alcançadas.

Carteira de Valorização

Aos assinantes que seguem essa carteira e possuem patrimônio de até R$ 50 mil, a nova alocação envolve a substituição de BBDC4 por WIZC3, que passa a ocupar a maior posição do portfólio, além de pequenos ajustes nos pesos de BBAS3 e SAPR11, que passam de 5,0% para 4,5%.

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WIZC3 passa a integrar o portfólio e assume o maior peso, de 3,5%. Para viabilizar essa inclusão, BBDC4 é vendido, liberando 2,5 pontos percentuais, além de uma redução de 0,5 ponto percentual em AZZA3 e LJQQ3.

A redução nos dois últimos ativos decorre do fato de ambos pertencerem ao setor de varejo, que tende a operar com margens mais baixas e maior sensibilidade ao ciclo de consumo. Já BBDC4, aos preços atuais, negocia com prêmio em relação ao seu valor patrimonial e deve oferecer retornos mais modestos quando comparado à WIZC3.

Para as demais faixas de patrimônio, a lógica é semelhante, com priorização de WIZC3 em relação às outras posições.

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Carteira de Renda

Para a carteira de renda, elevamos a exposição em BBSE3, incluímos WIZC3 e ajustamos os pesos, priorizando ambas as recomendações de compra recentes, e que entendemos serem grandes oportunidades:

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Introdução

A Wiz Co. é uma holding de participações que atua na distribuição de seguros, consórcios e originação de crédito. Seu modelo é baseado em parcerias com instituições financeiras e grandes redes de distribuição, como Banco Inter, bmg e BRB, auxiliando-as na estruturação e operação de suas corretoras de seguros.

Além das participações em corretoras que operam via canais bancários, a companhia também está presente na concessão de crédito e venda de consórcios por meio da Promotiva e Banriponto, redes de correspondentes bancários que concedem crédito em nome do Banco do Brasil e do Banrisul, respectivamente.

Como antiga corretora exclusiva da Caixa Econômica Federal, cujo contrato se encerrou em 2021, a empresa ainda recebe cerca de R$ 200 milhões por ano em receitas provenientes de seguros vendidos no passado e que permanecem vigentes.

Quase todas as empresas do grupo foram adicionadas ao seu portfólio via aquisições, pagando um determinado montante para ter participação nas corretoras de seguros dos bancos parceiros por períodos que variam entre 10 e 50 anos, além de um contrato curto da Promotiva com o Banco do Brasil que expira em cerca de dois anos:

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Fonte: Wiz Co. Elaboração: Finclass.

Observe que a Wiz até 2069 tem 40% de todo resultado gerado pela corretora de seguros do Inter, a Inter Seguros, e 49% da bmg Corretora até 2040, contratos extensos e que trazem segurança ao investidor de WIZC3.

A Wiz Co. é um dos poucos negócios listados na bolsa brasileira que tem capacidade de distribuir a maior parte dos seus lucros sem comprometer crescimento. Por ora, os dividendos são modestos dada a estratégia de desalavancagem, mas devem crescer consideravelmente ao longo dos próximos anos, como abordaremos neste relatório.

História

A Wiz teve origem em 1973, na cidade do Rio de Janeiro. Fundada por associações de funcionários da Caixa Econômica Federal (CEF), foi constituída como uma corretora de seguros e administradora de bens ligados ao banco.

No ano de 2003 mudou sua sede para Brasília, onde permanece até hoje. Sete anos depois, mudou seu nome para Par Corretora, visando intensificar sua atuação como corretora de seguros.

Em 2015 a empresa assinou um contrato com a CEF que assegurava exclusividade na venda de seguros nos balcões do banco até fevereiro de 2021.

No ano de 2017 a Caixa informou que não renovaria o acordo que se encerrou em fevereiro de 2021. No mesmo ano, a empresa mudou novamente seu nome, passando a se chamar Wiz Soluções e Corretagem de Seguros.

Com o encerramento do seu principal contrato, a Wiz precisou se reinventar. Nos anos subsequentes comprou participações na Inter Seguros (40%), bmg Corretora (40% e posteriormente mais 9%), BRB Seguros (50,1%), Polishop Seguros (50%) e na Promotiva (61%).

Dos negócios relevantes adquiridos, o único que destruiu valor foi a parceria com a Polishop, dado que a varejista entrou em recuperação judicial.

Em 2024, a CNP vendeu toda sua posição na Wiz de 25% para a Integra, o veículo de investimento FENAE, que passou a deter o controle indisputado da companhia. Já em 2025 a Wiz fechou uma parceria com o Banrisul visando originar crédito para o banco por meio de correspondentes bancários, além de vender a Wiz Concept para sua própria controladora pelo preço de R$ 17 milhões a ser pago em parcelas até 2028.

Acionistas, controle e governança

O controlador da Wiz Co. é a Integra, um veículo pertencente à FENAE, entidade que representa a Federação Nacional das Associações de Pessoal da Caixa Econômica Federal.

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Fonte: Wiz Co. RI, “Estrutura acionária”. Elaboração Finclass, coletado em dez/25.

A FENAE não é, em princípio, o controlador ideal sob a ótica de alinhamento total com os acionistas minoritários, já que sua missão institucional não é maximizar retorno financeiro, mas representar os interesses associativos dos funcionários da Caixa. Ainda assim, por ser uma entidade que depende de receitas para sustentar sua sede na Asa Sul, em Brasília, e as subsedes nos demais estados, tem forte incentivo para preservar o valor econômico de suas participações e garantir um fluxo estável de dividendos.

Modelo de negócios

A Wiz Co. é uma holding, ou seja, uma empresa que detém participações em outros negócios. As áreas de atuação das empresas do grupo podem ser divididas em dois principais segmentos: corretagem de seguros e crédito & consórcios.

O segmento que vende seguros em canais bancários é chamado de “Bancassurance”, uma mescla das palavras “banco + seguros” em inglês (bank + insurance), como é o caso da Inter Seguros, bmg Corretora e BRB Seguros.

Também há a Wiz Corporate, que atua em “mar aberto”, isto é, oferecendo seguros corporativos sem depender de um canal proprietário, utilizando corretores parceiros e estruturas especializadas em seguros empresariais e habitacionais. Já a Promotiva e a Banriponto são remuneradas por originar crédito para seus bancos parceiros.

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Fonte: Wiz Co., apresentação institucional 3T25.

A maior parte das investidas da Wiz são corretoras de seguros, e não seguradoras. Isso significa que não estão expostas ao risco de subscrição, que é o risco assumido pelas seguradoras ao indenizar sinistros, como uma batida de carro ou um dano ao imóvel.

Por outro lado, como não são seguradoras, as empresas do grupo não têm acesso ao ‘float’, que é o montante pago pelos segurados e que permanece temporariamente em caixa. Nas seguradoras, esse dinheiro pode ser aplicado em investimentos de curto prazo, gerando receita financeira adicional. Nas corretoras, essa vantagem simplesmente não existe. Ainda assim, a ausência dessa vantagem é compensada pelo menor risco frente às seguradoras, margens elevadas e forte conversão de lucro em caixa, tornando o modelo atrativo no saldo final.

Operacionalmente, as corretoras do grupo vêm entregando resultados sólidos, com os prêmios crescendo muito acima da inflação. Se anualizarmos o volume dos nove primeiros meses de 2025 (9M25), as investidas da Wiz emitiriam cerca de R$ 3,6 bilhões no ano, mesmo sem considerar a sazonalidade favorável do quarto trimestre, que tradicionalmente é o período mais forte para a emissão de prêmios:

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Fonte: Wiz. Elaboração: Finclass.

Inter Seguros

A participação detida de 40% na Inter Seguros é a joia da coroa da Wiz. Seu contrato se estende até 2069 e é onde reside a maior parte do valor econômico da empresa.

O salto do número de clientes do Banco Inter de 2,3 milhões no fim de 2019 para quase 24 milhões em setembro de 2025 ampliou em cerca de dez vezes o universo potencial de consumidores que a corretora pode acessar.

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Fonte: Inter. Elaboração: Finclass.

Os números operacionais da coligada são impressionantes. Os prêmios emitidos nos nove primeiros meses de 2025 já superaram os do ano cheio de 2024. Entre janeiro e setembro de 2025, a corretora de seguros do Inter já vendeu 8,5 milhões de seguros e encerrou o período próximo de 11 milhões de contratos ativos.

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Fonte: Wiz Co. Elaboração: Finclass.

BRB Seguros

Essa unidade opera pelo balcão de um banco estatal que passou por controvérsias recentes, como a tentativa do Banco Regional de Brasília de adquirir o Banco Master, que acabou liquidado. Mesmo nesse contexto, a corretora do BRB tem apresentado resultados consistentes e desfruta de vantagens competitivas relevantes justamente por seu caráter estatal, pois acessa clientes servidores federais de altíssima renda.

O principal motor da operação é o crédito consignado, modalidade em que as parcelas do empréstimo são descontadas diretamente da folha de pagamento ou do benefício do INSS. Esse mecanismo reduz a inadimplência e permite taxas mais baixas, o que torna o consignado muito procurado por aposentados, servidores e trabalhadores com renda estável.

Nesse tipo de crédito, a penetração do seguro prestamista é elevada. O prestamista é o seguro que quita total ou parcialmente a dívida do cliente em caso de morte, invalidez ou perda involuntária de renda. Como o BRB tem ampliado a originação de consignado, a emissão de prêmios da sua corretora de seguros acompanha esse movimento e mantém um ritmo forte de crescimento, representando 68% do seu faturamento.

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Fonte: Wiz Co. Elaboração: Finclass.

bmg Corretora

O bmg é um banco com quase 100 anos de história e tem no consignado seu principal produto. Por isso, assim como na BRB Seguros, o prestamista responde pela maior parte do faturamento da corretora. O restante vem principalmente de seguros de vida e, em menor escala, de seguros corporativos.

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Fonte: Wiz Co. Elaboração: Finclass.

Os prêmios emitidos pela bmg Corretora vêm crescendo ao longo dos anos e, em 2025, devem superar a marca de R$ 1 bilhão. O contrato da parceria ainda tem 14 anos de vigência.

Run-off

Apesar de o contrato com a Caixa ter expirado em 2021, os seguros ainda vigentes que foram vendidos antes do encerramento da parceria seguem trazendo receitas para a Wiz e são chamados de “run-off”.

Seguros habitacionais e de vida, que têm longa duração, são a principal fonte de run-off para a empresa:

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Fonte: Wiz Co. Elaboração: Finclass.

As receitas desse estoque têm mostrado queda lenta e bastante resiliência. Com os juros elevados, há pouco incentivo para clientes refinanciarem seus financiamentos habitacionais, o que reduz a substituição de apólices e sustenta essa linha. Abaixo temos o histórico e nossas projeções de declínio empregadas na precificação do ativo:

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Fonte: Wiz Co. Elaboração e projeções: Finclass.

Além de trazer impulso para o faturamento do grupo, essas receitas vêm com pouquíssimo custo associado: em 2024 a margem EBITDA do run-off foi de 94% e a Wiz sequer pagou Imposto de Renda sobre esse resultado, pois utilizou créditos tributários.

Promotiva

É uma rede de correspondentes bancários que tem um contrato de exclusividade não mútuo com o Banco do Brasil. A Promotiva concede empréstimos em nome do banco estatal, especialmente no crédito voltado à pessoa física.

O contrato expira em dezembro de 2027 e agrega incertezas a respeito da sustentabilidade da operação. Nos nove primeiros meses de 2025, a Promotiva já produziu R$ 4,1 bilhões em crédito para o BB e vendeu R$ 1,8 bilhão em consórcios.

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Fonte: Wiz Co. Elaboração e projeções: Finclass.

Demais negócios

A Wiz detém corretoras de seguros de menor porte que as três grandes citadas acima, sendo a maior delas, a Wiz Corporate, que vende seguros para empresas. A companhia também detém participação na Omni1 e na Paraná Seguros, corretora do Paraná Banco e na Wiz Conseg, corretora especializada em seguros automotivos.

Mais recentemente, a parceria firmada com o Banrisul (Banriponto) ampliou sua participação no mercado de correspondentes bancários, mas a operação é pequena frente ao restante dos negócios.

Resultados

A Wiz Co. precisa ser analisada pelos resultados da sua controladora, dado que detém participações minoritárias e o resultado consolidado não reflete o valor gerado para os acionistas de WIZC3.

Na Demonstração do Resultado do Exercício da controladora, a receita bruta é majoritariamente composta pelas receitas de run-off. Já o resultado nas investidas é registrado em “equivalência patrimonial”.

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Fonte: Wiz Co. Elaboração: Finclass.

O resultado vem crescendo, especialmente por conta da linha de equivalência patrimonial, denotando o crescimento orgânico das operações.

Com o fim do contrato com a Caixa em 2021, a Wiz precisou acelerar aquisições para reconstruir sua base de receitas, o que levou a um aumento da alavancagem. À medida que essas investidas foram amadurecendo, a controladora passou a receber dividendos crescentes das investidas, que vêm sendo utilizados para amortizar a dívida. Esse movimento permitiu que o endividamento caísse de R$ 670 milhões para R$ 302 milhões em setembro de 2025.

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Fonte: Wiz Co. Elaboração e projeções: Finclass.

Vale destacar que a dívida líquida apresentada considera proporcionalmente a dívida bruta e o caixa das empresas investidas, ajustes que julgamos adequados. Além da velocidade da redução do endividamento, outro ponto que denota sua forte geração de caixa pode ser encontrado na sua Demonstração dos Fluxos de Caixa, que são os dividendos recebidos das suas investidas.

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Fonte: Wiz Co, ITR 3T25.

Somente nos nove primeiros meses do ano, a Wiz recebeu quase R$ 137 milhões de suas coligadas/controladas, contra pouco menos de R$ 89 milhões no mesmo período em 2024.

A Wiz é uma forte geradora de caixa por ter um modelo que não é intensivo em capital, isto é, após feitas as aquisições, há pouquíssima necessidade de investimento para manter e expandir suas operações.

Com o foco em aquisições e, posteriormente, em desalavancar a empresa, a proporção do lucro devolvido ao acionista, o payout, saiu do patamar de mais de 80% até 2019 até cair para 24% em 2024. Entendemos que a decisão foi correta dado que as aquisições geraram um enorme valor e o foco em reduzir o grau de endividamento também.

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Fonte: Wiz Co. Elaboração: Finclass.

Competição e market share

Pela classificação exibida pela própria Wiz em seu formulário de referência, a soma das investidas detém 1,57% do mercado de seguros brasileiros, excluindo os seguros de saúde, previdências e consórcios.

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Fonte: Wiz Co., Formulário de Referência 2025 v1.

Trata-se de uma participação considerável, mas ainda modesta frente ao seu potencial. Entendemos que a Inter Seguros deve continuar abocanhando fatias cada vez maiores, ampliando a participação indireta da Wiz.

O modelo de corretagem de seguros tem baixa barreira de entrada, afinal, é preciso pouco capital e há um baixo nível de regulação, especialmente quando comparado às seguradoras. Contudo, a Wiz está defendida pelos seus contratos, que garantem exclusividade nos canais bancários onde opera.

Riscos

A precificação atual da Wiz, somada a um modelo de negócios defendido por contratos de longa duração, reduz de forma relevante o risco da tese. Ainda assim, qualquer ativo de renda variável está sujeito a diversos fatores de risco, alguns dos quais podem não estar listados a seguir.

Leia esta seção com atenção, pois é uma das mais importantes do relatório.

(1)    Estratégia de aquisições: a maior parte das aquisições realizadas se provou acertada, com a exceção da Polishop Seguros. Caso a forte geração de caixa seja direcionada para aquisições, e não para dividendos, há o risco de destruição de valor ao acionista.

(2)    Dependência dos parceiros: o modelo de valuation apresentado adota premissas conservadoras, mas parte do pressuposto de que Inter, BRB e bmg permanecerão operando até o fim de seus respectivos contratos. Se qualquer um desses balcões deixasse de existir antes do término das exclusividades, especialmente o Inter, uma parcela relevante do valor da tese seria comprometida. No curto e médio prazo esse cenário é improvável, já que essas instituições mantêm sólidos índices de Basileia, métrica de alavancagem específica do setor bancário.

(3)    Fim dos contratos: é bastante provável que os contratos estabelecidos não sejam renovados pois os bancos dispõem de tempo para adquirir a expertise para operar corretoras de seguros sozinhos.

Ainda que seja fundamental monitorar os riscos associados a cada tese, o preço atual de WIZC3 mais do que compensa as eventuais incertezas envolvidas, como se tornará claro na seção seguinte.

Valuation

Para precificar os negócios da Wiz, empregamos um modelo real que ajusta os efeitos da inflação. Vale ressaltar que o cenário aqui traçado é conservador, e os resultados futuros possivelmente ultrapassarão os aqui projetados.

Para incorrer nos riscos da renda variável, exigimos uma taxa superior à paga pelos títulos públicos. Como custo de oportunidade temos as NTN-Bs longas que atualmente pagam um pouco menos de IPCA + 7%.

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Fonte: Tesouro Direto, “Rendimento dos títulos”.

Portanto, empregamos uma taxa de desconto real de 10%, que precifica tanto os fluxos positivos (dividendos de subsidiárias e run-off) quanto negativos (e.g. despesas da empresa-mãe).

Cada negócio foi projetado individualmente, com as seguintes premissas:

Inter Seguros: dez anos de crescimento, refletindo o imenso potencial do banco e de sua corretora. A partir de 2035 permanece estável em termos reais.

• BRB Seguros: declínio por dois anos, a começar em 2026, como resultado das dúvidas a respeito da qualidade da gestão que buscou adquirir o controverso Banco Master e, posteriormente, três anos de crescimento para atingir sua maturidade e permanecer estável a partir disso;

• bmg Corretora: crescimento por 5 anos e estabilidade após isso;

Run-off: o único estoque de receitas projetado foi o que resta da operação da Caixa. Assumimos um declínio linear de R$ 27 milhões ao ano, tratando-se de um decréscimo consideravelmente mais acelerado do que vem de fato ocorrendo;

Demais negócios: crescimento modesto por cinco anos, refletindo as novas iniciativas como a Banriponto e zero expansão após. Para a Promotiva, que está incluída nessa linha, projetamos no modelo uma queda de 50% a partir de 2028 dado o término do contrato com o Banco do Brasil.

Com isto, temos o seguinte resultado das participações:

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Projeções e elaboração: Finclass.

O método de valuation utilizado foi o Modelo de Dividendos Descontados, que traz a valor presente o fluxo de proventos pago pelas subsidiárias.

O negócio de corretagem de seguros não é intensivo em capital e, portanto, consegue distribuir a maior parte do resultado gerado sem sacrificar crescimento. Enquanto há crescimento, os negócios distribuem 85% do lucro e, quando assumem uma estabilidade, devolvem 100% do capital.

Além do valor das participações, é necessário considerar a dívida líquida, que atualmente é de R$ 302 milhões, e as despesas administrativas da holding, que consomem parte do caixa gerado pelas coligadas e controladas.

O valor presente (negativo) das despesas segue uma fórmula simples, assumindo que crescerão até a perpetuidade 1% acima da inflação.

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Com isso, as despesas futuras têm um valor presente negativo de R$ 867 milhões. Não incluímos o ‘escudo tributário’ (tax shield) de tais despesas, visando agregar margem de segurança.

Dadas as premissas adotadas, temos a seguinte precificação:

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Com isso, em nossas estimativas, a Wiz Co. tem um valor de mercado justo de R$ 1,84 bilhão, o equivalente a R$ 11,97 por ação.

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Na cotação atual, de R$ 8,22 por ação, estimamos um retorno acima da inflação de 12,4% (ou IPCA +12,4%), consideravelmente acima do que um título público indexado à inflação vem pagando.

A seguir, temos a Taxa Interna de Retorno (TIR) real estimada frente ao preço de tela:

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Conclusão e recomendação

A companhia vem sendo subestimada pela complexidade de sua trajetória, marcada por mudanças societárias, reviravoltas estratégicas, aquisições sucessivas e um ciclo de alavancagem que obscurece a força de seus ativos atuais.

Quanto vale o contrato que concede 40% da Inter Seguros por mais 43 anos? Em nossa avaliação, mais de R$ 1 bilhão. Vale notar que as ações do Inter têm se valorizado substancialmente nos últimos meses, acumulando alta superior a 100% em dólares no ano.

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Fonte: Google.

Curiosamente, a companhia detém participação em uma das frentes mais rentáveis do Inter, além de outros negócios altamente rentáveis, fatores que, em nossa visão, não se refletem em seu valor de mercado atual de apenas R$ 1,3 bilhão.

A Wiz Co. (WIZC3) é uma empresa pouco visada pelo mercado, mas que tem ativos valiosos, estoques de receitas e baixo grau de endividamento. Nos preços atuais, enxergamos essa small cap como uma das melhores assimetrias da bolsa brasileira. Desta forma, recomendamos a compra de WIZC3 ao preço máximo de R$ 10,11.

Com isto, desejo a vocês bons negócios e que invistam com sabedoria.

Um grande abraço,

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O analista declara ter posição em WIZC3 e que foram respeitadas as normas de conduta estabelecidas pela APIMEC.

Sobre os analistas

Evandro Medeiros

Especialista em Ações

Analista CNPI, economista e especialista em mercado acionário da Finclass. Iniciou sua trajetória em análise de ações em 2019, cobrindo inicialmente o mercado brasileiro e, posteriormente, ampliando seu escopo para os mercados globais, com foco especial em ativos dos Estados Unidos e da Argentina, países onde também teve a oportunidade de residir. É um apaixonado declarado pela filosofia do Value Investing e um entusiasta das empresas “pouco empolgantes”, que muitas vezes oferecem uma precificação mais atrativa do que os grandes nomes conhecidos.