Relatórios

Nova Integrante na Carteira de Renda: Banco Bmg (BMGB4)

Escrito por Vanessa Naissinger, Varos Brasil em AÇÕES

5 min de leitura
BMGB4

Aviso Legal: O documento subsequente é uma produção da Varos, uma casa de análise devidamente habilitada junto à Associação dos Profissionais de Investimento no Mercado de Capitais (APIMEC).

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O Banco Bmg

A história do Bmg inicia-se em setembro de 1861, décadas antes do banco ser fundado. Nesta data nasceu, em uma cidadezinha do interior de Minas Gerais, Benjamin Ferreira Guimarães, mais conhecido por coronel Benjamin Guimarães. De origem humilde, aos 13 anos, Benjamin se mudou para a então capital do Brasil, o Rio de Janeiro, com o intuito de trabalhar no comércio Xavier e Gontijo.

Desde então, Benjamin construiu um verdadeiro império. Dentre os seus empreendimentos estão a criação da varejista Casa Popular de Bom Sucesso e a compra da tecelagem Ferreira Guimarães. Todo esse império culminou para que, em 1930, Benjamin fundasse, com um dos seus filhos, o médico Antônio Mourão Guimarães, o Banco de Crédito Predial em Belo Horizonte, que mais tarde viria a ser chamado de Banco de Minas Gerais e, posteriormente, Bmg.

A trajetória do banco é marcada por diversas aquisições, muitas delas recentes, como a tentativa de se tornar uma fintech a partir de 2017. Com tantos negócios novos entrando em jogo, o Bmg até conseguiu expandir sua base de clientes e sua carteira de crédito. Porém, faltou o principal, o lucro. Além das despesas operacionais crescentes, a estratégia do banco de fornecer crédito em mar aberto, principalmente em suas parcerias com varejistas, se mostrou um desastre. Com o aumento da taxa Selic entre 2021 e 2022, o Bmg viu o Índice de Inadimplência de sua carteira disparar, levando a despesas de PDD cada vez maiores.

A solução encontrada foi voltar às origens e focar no que fez o banco se manter de pé por quase 100 anos: o crédito consignado, principalmente voltado aos aposentados e pensionistas do INSS e aos servidores públicos. Para tal, em março de 2023 houve a troca de CEO.

Ao que parece, entre 2019 e 2022, o Bmg andou, suou e terminou exatamente no ponto de partida, certo? Nem tanto. Primeiro, uma bela lição foi aprendida. Faz muito mais sentido para um banco de nicho e consolidado como o Bmg focar no seu core, do que sair por aí tentando enfrentar gigantes em novas áreas. Depois, parte dos investimentos deram bons frutos, como o avanço no mercado de atacado e no mercado de seguros.

Desde a entrada do novo CEO, em março de 2023, o banco mudou completamente sua estratégia. A ordem da casa passou a ser reduzir gastos e aumentar o market share dos consignados, retomando um mercado que um dia já foi seu. Em outras palavras, o banco deixou de buscar crescimento para focar em rentabilidade e eficiência.

O Banco Bmg encerrou 2023 com 10,6 milhões de clientes, 22 agências bancárias e mais de R$ 4 bilhões de Patrimônio Líquido. Aos poucos, o Bmg vai retomando a originação de crédito e ampliando a sua carteira, que já conta com R$ 24,3 bilhões em crédito concedido. No varejo, o foco do banco segue sendo o crédito consignado. Como mencionado, o banco possui ainda operação no atacado e em seguros.

Tese de Investimentos

Nos últimos meses, notamos uma mudança operacional relevante no Banco Bmg (BMGB4). Como mencionamos, o Bmg é um banco com quase 100 anos de história, sendo a maior parte dela focada no crédito consignado aos aposentados e pensionistas do INSS.

As mudanças no banco tiveram início em 2016. No fim daquele ano, com a ascensão das fintechs, os controladores acharam que era hora de tentar surfar nessa nova onda. Assim, venderam a operação de consignado ao Itaú e saíram fazendo aquisições em tecnologia. Lançaram até um banco digital em 2017. O processo culminou com um IPO em 2019.

Para uma fintech, o crescimento é mais importante que o lucro, e nessa pegada de crescer a qualquer custo, o Bmg acabou elevando sua despesa operacional. Além disso, ele firmou parcerias com algumas varejistas, na qual fornecia crédito em mar aberto aos clientes. No começo tudo ia bem, mas aí veio a subida vertiginosa da taxa de juros.

Crédito de baixa qualidade e juros altos resultam em inadimplência. Esse aumento de inadimplência fez com que o Bmg se tornasse um banco deficitário, levando os analistas de mercado a abandonarem as ações. Porém, o jogo só termina quando o juiz apita.

Em 2023 iniciou-se um processo de turnaround do banco. A direção foi trocada e a política de crédito foi revista. O Bmg voltou às origens e tornou-se, novamente, um banco voltado ao consignado INSS. O lema passou de “crescimento” para “rentabilidade”.

Desde então temos percebido melhoras graduais e significativas em sua operação. O processo de turnaround ainda está longe do fim, mas já podemos perceber que o valor de mercado de suas ações não mais reflete os seus fundamentos. Essa conclusão fica ainda mais nítida quando olhamos para o nível atual de Dividendos do banco.

Porém, nem tudo são flores. Como todo processo de turnaround, o do Bmg também possui riscos. Além disso, o mercado de consignado INSS enfrenta uma queda de braços com o governo sobre o teto de juros cobrados nesses empréstimos, o que pode levar ao congelamento da liberação de novos empréstimos no curto prazo.

Fato é que juntando o valuation atrativo, o nível atual de Dividendos e o risco embutido em um turnaround e no setor como um todo, optamos por recomendar a COMPRA de BMGB4 com preço-alvo de R$ 5,00 e preço-teto de R$ 4,89. A TIR para a operação é de 21,4%.

Redução de alocação em Taurus (TASA4)

Em paralelo, optamos por reduzir a exposição à Taurus, por motivos que já mencionamos em relatórios anteriores. A principal causa é o desempenho do mercado norte-americano. Você deve lembrar dos nossos comentários a respeito do NICS, o indicador de intenção de compra de armas, que desde os anos 2000 vem aumentando em média 13,5% nos anos de eleição frente ao ano anterior. Em 2024, isso não aconteceu, quebrando um histórico de mais de duas décadas. No 3T24, o NICS aumentou 4,1%, mas no agregado do ano, está em -8%.

O principal fator para isso parece ser a inflação e taxas de juros maiores nos EUA. Isso vem mudando a cadeia de distribuição, que trabalhava historicamente com estoques de 3 meses, mas que agora vem reduzindo tal patamar para apenas 1 mês, com os distribuidores buscando aumentar o giro do estoque como forma de proteção do custo financeiro.

O gatilho de mais curto prazo era a possibilidade de vitória da candidata Kamala Harris nas eleições americanas. Como seu oponente, Donald Trump, é mais favorável ao uso de armas, a eleição de Kamala poderia fazer os americanos correrem para comprar antes de qualquer restrição surgir.

Como esse aumento significativo parece mais difícil de acontecer com a vitória de Trump, além dos números do terceiro trimestre não surpreenderem com esse aumento tímido do NICS, decidimos por reduzir sua participação na Carteira de Renda.

De toda forma, a empresa segue descontada e continua com gatilhos de maior prazo como a possível joint venture na Arábia Saudita, parceria com a Colt, megalicitação de fuzis, mercado civil e outras licitações na Índia, além do atendimento de novos mercados no segmento de MIM (Metal Injection Molding), que julgamos justificar sua permanência na carteira até o momento.

O preço-alvo de TASA4 é R$ 15,98, enquanto o preço-teto é de R$13,39.

E como ficam as ações recomendadas?

Com todas essas mudanças, a carteira está de cara nova!

Para facilitar, basta conferir como ficam as novas distribuições após a atualização na tabela abaixo:

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Abraços,

Time VAROS.

Sobre os analistas

Vanessa Naissinger

Analista de Investimentos

Formada em Administração pela Universidade Feevale, Vanessa iniciou sua carreira no time de experiência do cliente da XP Inc. e atualmente é analista de ações CNPI na VAROS Research, especializada em empresas dos setores de energia elétrica e saneamento básico.

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Varos é uma casa de análise credenciada pela APIMEC, e liderada pelo Leandro Siqueira, especialista em ações e Valuation.