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Novo Comparador de Rendimentos de Renda Fixa

Escrito por Eduardo Perez em RENDA FIXA

9 min de leitura

Cenário de renda fixa em junho

Em junho, o Copom cortou a Selic de novo, de 14,50% para 14,25% ao ano. Foi o terceiro corte seguido, mas o Banco Central deixou claro que não tem pressa para os próximos passos.

O motivo é a inflação, que ainda não cedeu como o mercado esperava. O IPCA de maio veio em 0,58%, e o acumulado em 12 meses subiu para 4,72%, acima do teto da meta (4,5%).

A prévia de junho (IPCA-15) trouxe um alívio parcial: subiu só 0,41% no mês, mas o acumulado em 12 meses foi a 4,80%, ainda mais alto que antes.

Já o IGP-M, em que pesa mais forte os preços de commodities e da indústria, teve queda de 0,50% em junho, puxado por combustíveis mais baratos, e fechou acumulando 3,16% em 12 meses.

Ou seja: o preço que chega no bolso do consumidor (IPCA) ainda está pressionado, enquanto os preços de produção (IGP-M) já dão sinal de alívio. Essa diferença é um dos motivos que mantêm o Banco Central cauteloso com os próximos cortes.

Mas as expectativas para o IPCA no relatório Focus, que contém a mediana das expectativas de mercado, começaram a desacelerar no começo de julho por conta do petróleo em patamares abaixo de US$ 85 consistentemente.

Com esse cenário, alguns analistas ficaram neutros entre prefixado e pós-fixado em julho: travar uma taxa fixa agora é mais arriscado enquanto a inflação não dá um sinal mais claro de queda. A próxima decisão do Copom sai em 5 de agosto.

Na prática: pós-fixado segue sendo uma escolha segura enquanto a Selic estiver alta para quem prefere rentabilidade alta com risco baixo, e quem for olhar prefixado deve conferir se a taxa oferecida realmente compensa esse cenário de inflação e cortes de juros ainda incertos.

No caso dos indexados à inflação, é preciso ter em mente que a proteção contra a inflação só vem, efetivamente, no vencimento já que novas pressões de altas de juros e inflação podem jogar contra no curto prazo.

A versão atualizada do Comparador de Rendimentos

Lá em 2023 a equipe da então Spiti desenvolveu uma planilha para comparação de rendimentos de ativos de renda fixa, e muitos assinantes atualmente vêm pedindo uma versão dela atualizada pela Finclass.

A planilha original permitia comparar rentabilidade entre produtos de renda fixa como CDBs, LCIs/LCAs, Fundo DI com taxa zero, o ETF LFTS11 e o Tesouro Selic, mostrando o efeito da tributação de cada um sobre o resultado final e indicando qual valeria mais a pena de acordo com o prazo escolhido.

Pensando nisso, fizemos a atualização dela e adicionamos a aba de comparação de prefixados também.

A planilha foi criada para simplificar uma tarefa que, feita na mão, é cheia de armadilhas: comparar quanto cada produto de renda fixa realmente rende no bolso do investidor, depois de descontados impostos, taxas de custódia e outras particularidades de cada título.

Em vez de comparar taxas brutas, que escondem diferenças relevantes de tributação, a planilha entrega o valor líquido acumulado, ano a ano, para até 15 anos de investimento.

Ela está dividida em duas abas. A aba Posfixado reúne os produtos indexados ao CDI ou à Selic:

•      CDB;

•      LCI/LCA;

•      Fundo DI taxa zero;

•      o ETF LFTS11 (que replica títulos Tesouro Selic puros);

•      Tesouro Selic/Tesouro Reserva.

A aba Prefixado reúne os produtos com taxa contratada fixa:

•      CDB;

•      LCI/LCA;

•      Tesouro Prefixado.

A tributação varia bastante entre os produtos, e é justamente aí que está o valor dessa ferramenta.

Os CDBs, Fundos DI, Tesouro Selic e Tesouro Prefixado seguem a tabela regressiva de Imposto de Renda, que vai de 22,5% para prazos curtos até 15% para prazos acima de dois anos.

As LCIs e LCAs são isentas de IR para pessoa física, o que as torna interessantes mesmo com taxa bruta menor na maioria dos casos, mas não em todos.

O LFTS11, por ser um ETF cujo prazo médio de repactuação da carteira é de apenas 1 dia útil, paga uma alíquota fixa de 25% sobre o ganho, independentemente do tempo em que o investidor permanece com o ativo.

O Fundo DI ainda sofre com o come-cotas semestral, que antecipa parte do imposto a cada seis meses.

Cada uma dessas regras está automatizada na planilha, para que o assinante não precise fazer esse cálculo manualmente.

Um ponto importante de leitura: os resultados da aba “Posfixado” e os resultados da aba “Prefixado” não devem ser comparados diretamente entre si.

A aba Posfixado projeta o retorno assumindo que a Selic Meta informada permanece constante durante todo o período simulado, uma simplificação necessária, já que ninguém sabe com certeza qual será a trajetória futura dos juros. Já a aba Prefixado usa uma taxa travada desde o início, sem depender de nenhuma expectativa.

Como todos os pós-fixados seguem o rumo da Selic, variando apenas o percentual de rentabilidade sobre ela, enquanto os prefixados têm a taxa travada no momento da aplicação, colocar os dois lado a lado como se fossem parte da mesma simulação leva a conclusões equivocadas, especialmente em cenários de corte ou alta de juros. Reforçando: a planilha não diz qual produto com indexadores diferentes vai render mais com precisão, ela diz qual produto vai render mais do que os demais dentro do mesmo indexador.

Sobre a ferramenta

A planilha está organizada em duas abas de comparação:

•      Posfixado: CDB, LCI/LCA, Fundo DI taxa zero, o ETF LFTS11 e o Tesouro Selic, todos indexados ao CDI ou à Selic.

•      Prefixado: CDB prefixado, LCI/LCA prefixado e Tesouro Prefixado, com taxa contratada fixa.

Para fins práticos, o Tesouro Selic na planilha também pode ser considerado como Tesouro Reserva.

Em ambas as abas, a planilha já calcula automaticamente, sem que você precise se preocupar com a conta:

•      O Imposto de Renda regressivo (de 22,5% a 15%, conforme o prazo) em CDB, Fundo DI, Tesouro Selic e Tesouro Prefixado.

•      A isenção total de IR em LCI/LCA.

•      A alíquota de 25% do LFTS11, regra vigente desde 2024 para ETFs de Tesouro Selic puro (prazo médio da carteira de 1 dia, conforme parecer da Secretaria do Tesouro Nacional).

•      O come-cotas semestral do Fundo DI, com o ajuste final de imposto no resgate.

•      A taxa de custódia da B3, com isenção para o saldo em Tesouro Selic/Reserva até R$ 10.000 por CPF, e cobrança desde o primeiro real no Tesouro Prefixado, sem essa faixa de isenção.

Como funciona a taxa de custódia da B3

A B3 cobra 0,20% ao ano sobre o saldo em custódia no Tesouro Direto. Desde dezembro de 2024, essa taxa deixou de ser cobrada semestralmente e passou a incidir de forma proporcional (pro rata) apenas nos eventos de custódia: venda antecipada, vencimento do título ou pagamento de juros.

No Tesouro Selic (o mesmo título usado para o Tesouro Reserva), existe uma isenção específica: os primeiros R$ 10.000 de saldo por CPF não pagam custódia, e a taxa incide só sobre o que exceder esse valor.

Atenção a este ponto: a isenção é sobre o saldo atual (o estoque investido), não sobre o valor da aplicação inicial. Como o saldo cresce ano a ano com os juros, a fatia isenta de R$ 10.000 vai perdendo peso proporcional com o tempo, e mais dinheiro passa a pagar custódia a cada ano que passa.

A planilha recalcula essa proporção a cada ano, em vez de aplicar uma isenção fixa calculada só sobre o valor investido no início.

Já o Tesouro Prefixado (assim como o Tesouro IPCA+) não tem essa faixa de isenção: a taxa de 0,20% ao ano incide sobre o saldo total desde o primeiro real investido, do início ao fim do período.

Por que usamos apenas ETFs 100% Tesouro Selic (LFT pura)

A planilha modela o LFTS11 como representante dos ETFs de renda fixa que replicam exclusivamente títulos Tesouro Selic (LFT), sem a mistura de outros indexadores. Essa escolha importa porque a tributação desses ETFs não segue a tabela regressiva comum da renda fixa: ela depende do PMRC (Prazo Médio de Repactuação da Carteira).

Em fevereiro de 2024, a Secretaria do Tesouro Nacional emitiu parecer definindo que títulos pós-fixados como a LFT têm PMRC de 1 dia útil, já que sua remuneração é repactuada diariamente pela Selic. Isso classifica o ETF na faixa mais curta da tributação de fundos, resultando em alíquota fixa de 25% sobre o ganho, independentemente do prazo em que o cotista permanece investido.

Alguns gestores contornam essa regra combinando LFTs com uma pequena parcela de Tesouro IPCA+ longo na carteira, o que alonga o PMRC para acima de 720 dias e reduz a alíquota para 15%. É o caso do LFTB11, por exemplo. Como esse tipo de estrutura muda o perfil de risco do fundo (ele deixa de ser 100% pós-fixado), optamos por manter a planilha restrita a ETFs de LFT pura.

Como usar a planilha

•      Na aba Posfixado, preencha o valor a investir, a Selic Meta vigente e a taxa (percentual do CDI ou da Selic) oferecida por cada produto, seja o CDB ou LCA/LCI.

•      Na aba Prefixado, preencha o valor a investir e a taxa fixa contratada de cada produto.

•      A tabela de resultados mostra o valor líquido acumulado ano a ano, de 1 a 15 anos. A coluna “Melhor opção” e o destaque em verde indicam automaticamente o produto mais vantajoso em cada prazo.

•      O gráfico ao lado da tabela mostra a evolução visual de todos os produtos ao longo do tempo.

Leitura dos resultados: um exemplo prático

Com a Selic de 14,25% e um CDB pagando 100% do CDI (taxa efetiva de 14,15% a.a.) contra uma LCI/LCA pagando 90% do CDI , simulando R$ 50.000 aplicados:

Nos primeiros 7 anos, a LCI/LCA leva vantagem: como ela não paga Imposto de Renda, toda a sua rentabilidade é preservada.

O CDB, apesar de render mais bruto, perde parte do ganho para o IR, que no primeiro ano ainda está na faixa de 17,5%.

A partir do ano 2, a alíquota do CDB cai para o piso da tabela regressiva, 15%, e não desce mais. Como a taxa bruta do CDB é maior, essa vantagem de rentabilidade vai se acumulando ano após ano, enquanto o desconto de IR fica constante.

O resultado é uma inversão: entre o ano 7 e o ano 8, o CDB ultrapassa a LCI/LCA e nunca mais fica para trás.

É como se as LCAs e LCIs saíssem na frente nos primeiros anos na corrida dos rendimentos por terem a ajuda da isenção de IR, mas depois esse benefício se reduz e o CDB alcança e ultrapassa os isentos.

Mas claro, o caso você compare CDBs e LCI/LCA com taxas diferentes de 100% e 90% respectivamente, essa mudança de melhor opção vai variar dos 7 anos que vimos.

Esse é o tipo de leitura que a planilha faz automaticamente para qualquer combinação de taxas: o produto mais vantajoso muda dependendo do prazo, e a coluna “Melhor opção” evita que você precise fazer essa conta na mão.

O que esta ferramenta não faz

Posfixado e Prefixado não são comparáveis entre si

A aba “Posfixado” assume que a Selic Meta informada permanece constante durante todo o horizonte simulado (1 a 15 anos).

Isso é uma simplificação: na prática, a Selic muda a cada reunião do Copom, e ninguém sabe com certeza qual será sua trajetória nos próximos anos.

Já a aba Prefixado usa uma taxa contratada, fixa desde o início, sem depender de nenhuma premissa futura.

Por isso, os valores da aba “Posfixado” não devem ser comparados diretamente com os valores da aba Prefixado.

Cada aba responde a uma pergunta diferente: “se a Selic ficar parada neste patamar, qual pós-fixado rende mais?” e “qual prefixado rende mais, dado que a taxa já está travada?”.

Misturar os dois resultados como se fossem uma mesma simulação leva a conclusões erradas, especialmente em cenários de corte ou alta de juros.

Não fazemos análise de crédito, apenas de taxa e tributação

Em nenhuma das abas a planilha avalia a qualidade de crédito do emissor. Um CDB ou uma LCI de um banco pequeno pode aparecer com a mesma taxa, portanto o mesmo resultado líquido que o de um banco grande, mesmo tendo um risco de crédito completamente diferente.

A tabela apenas responde “qual rende mais, dado que as duas taxas informadas se confirmem”, nunca “qual é mais seguro”.

Antes de qualquer recomendação aos assinantes, o rating, o índice de Basileia e a saúde financeira do emissor devem ser avaliados separadamente, como já fazemos em outras análises.

A planilha pode ser baixada neste link.

Espero que gostem.

Bancos Aprovados 

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Bancos Reprovados

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Atualizações:

●       Entrada do PicPay após investigações

●       Saída do Banco Porto Seguro após melhora da Basileia no 1T26 para 11,60%

●       Saída do Banco Fibra após a melhora da Basileia no 1T26 para 11,49%

Sobre os analistas

Eduardo Perez

Especialista em Renda Fixa

Eduardo Perez é analista CNPI-P, com certificações CGA e CGE da Anbima, e especialista em renda fixa na Finclass. Formado em Economia e Gestão Financeira, construiu sua trajetória no mercado financeiro passando por diferentes áreas, desde o atendimento ao cliente na Easynvest até o research de renda fixa e análise macroeconômica no Nubank, onde também contribuiu com recomendações e conteúdos para o portal InvestNews. Posteriormente, atuou na mesa de operações de renda fixa, integrando a equipe de gestão do book proprietário. Acredita que o mercado de capitais brasileiro ainda tem um amplo espaço para crescimento e amadurecimento, especialmente do ponto de vista do investidor pessoa física, e vê a educação financeira como o principal caminho para transformar esse potencial em decisões de investimento mais conscientes e eficientes.