Atualização do cenário macro. As probabilidades de corte de juros nos Estados Unidos ficaram instáveis com a escalada da guerra no Irã e o fechamento do estreito de Ormuz. A expectativa de corte, que antes era para julho deste ano, passou para setembro de 2027. Agora, temos até mesmo chances significativas, na casa dos 20%, de aumento da taxa.
Novos ativos alternativos: NUCL11 e HTEK11
Escrito por Thales Inada, Rodrigo Xavier em ALTERNATIVOS
Neste relatório, você encontrará:
Visão do mercado cripto. O ciclo do BTC está sendo seguido à risca. Por isso, seguimos na expectativa predominante da continuidade da temporada de baixa durante esse ano, e retomada da alta somente em 2027. Vamos ter um longo período para acumularmos BTC.
Recomendação NUCL11. Precisamos quebrar o preconceito com a energia nuclear. Ela é tão segura quanto a energia eólica e solar. Este mercado está retomando o crescimento, puxado principalmente pela China. Deve ser beneficiado pelo aumento na demanda de energia com inteligência artificial, data centers e carros elétricos.
Recomendação HTEK11. Um ETF de Biotecnologia. O ativo abrange uma grande variedade de soluções dentro do mercado de saúde, mais especificamente, de tecnologia aplicada no setor. Robótica, inteligência artificial para detecção precoce de doenças, pesquisa de novas moléculas, descoberta de novas vacinas, longevidade, edição genética, e até mesmo órgãos artificiais.
Nova distribuição das carteiras. A carteira de até R$ 50mil foi mantida somente com BTC. Enquanto todas as outras faixas de carteiras, para valores a partir de R$ 50mil, deixam de ter altcoins (ETH, LINK, PENDLE e ONDO) e passam a ser compostas por 1% de BTC, 1% de NUCL11 e 1% de HTEK11.
Chegou o grande dia!
Hoje viramos a chave para novos ativos alternativos descorrelacionados ao mercado cripto.
Conforme comentamos no relatório anterior, algumas das principais características para a escolha desses ativos são:
- Facilidade de acesso. Um dos nossos critérios principais para a seleção dos ativos foi o meio de acesso, que, para atender o perfil de investidor da Finclass, precisava ser pelo mercado brasileiro.
- Liquidez. Com mais de 120 mil assinantes, precisamos garantir que esse investimento absorva um aumento momentâneo na sua demanda.
- Potencial de retorno. Para nós o foco principal é o forte potencial de retorno do ativo, sempre estando cientes do risco que estamos correndo.
- Ativos fora do radar. Também identificamos esses ativos como “fora do radar” da grande maioria dos investidores, pois quando muita gente já está ciente da oportunidade, ela já pode ter passado, assim como está acontecendo com a inteligência artificial atualmente.
- Timing de mercado. Não é tanto o nosso foco, mas como esperamos uma exposição a esses ativos por um curto espaço de tempo, aproximadamente um ano, foi um dos critérios que consideramos. Mas claro, isso não é tão simples assim, pois por serem narrativas menos populares, exigem um tempo de maturação maior.
No relatório de hoje, vamos comentar a minha expectativa para o mercado cripto para o próximo ano, depois passar por cada um dos novos ativos recomendados, em seguida como investir neles, e por fim, como ficam as novas carteiras.
Cenário macro
Mais uma vez, Trump causa uma instabilidade no sistema financeiro global.
Há quatro semanas, os Estados Unidos iniciaram os ataques ao Irã, o que provocou o fechamento do estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo mundial, tornando-o mais escasso.
Consequentemente, o barril de petróleo saiu da casa dos US$ 70 e se manteve na casa dos US$ 100 nas últimas semanas. O encarecimento da commodity por tempo prolongado certamente vai chegar às prateleiras em algum momento, o que volta a pressionar a inflação e, consequentemente, adiar o tão esperado corte de juros dos Estados Unidos.
Por isso, tivemos uma mudança brusca na expectativa de corte de juros em relação ao relatório anterior, que na época indicava um corte em julho deste ano, e agora, a expectativa é somente em setembro do ano que vem.
Expectativa dos cortes de juros nos EUA
Fonte: CME (25/03/2026)
No momento atual, temos até mesmo uma probabilidade significativa, por volta de 20%, de uma alta na taxa até o início do ano que vem. A expectativa inicial de Trump é que a guerra dure de quatro a cinco semanas, porém já estamos nesse prazo e por enquanto sem sinal do seu fim.
Nos últimos dias, o Irã começou a cobrar uma taxa de US$ 2 milhões por cada navio que passa pelo estreito, uma espécie de pedágio, que representa cerca de 2% do valor transportado. Certamente é uma solução que alivia um pouco o cenário, mas não o resolve.
Lembrando que a mais recente reunião do FOMC deste mês foi provavelmente a última com Jerome Powell, e que a partir da próxima, dia 29 de abril, deve assumir um presidente do Fed indicado por Trump e, por isso, podemos ter novamente uma mudança drástica nas probabilidades de corte.
Expectativa para o mercado cripto
Com base em todos os ciclos anteriores do BTC, a temporada de baixa dura aproximadamente um ano, considerando do topo do ciclo até a mínima. Como o topo do ciclo foi marcado em outubro de 2025, podemos estimar que o fundo ocorra algo entre setembro e outubro deste ano.
Por isso, prepare seu psicológico, trabalhe a paciência, pois este será um período prolongado para abstrairmos dos preços e só nos preocuparmos em acumular BTC.
No gráfico abaixo, destaquei os topos e fundos de cada ciclo com as linhas verticais. Os fundos foram marcados entre 542 e 512 dias antes do halving, enquanto os topos foram marcados entre 525 e 545 dias depois do halving.
Fonte: Bitbo Adaptação: Finclass
Perceba que, depois que o fundo é marcado, o mercado não se recupera imediatamente, como um fundo em “V”, e sim, temos um fundo com uma congestão prolongada, a qual indiquei pelo retângulo azul.
Nele eu destaco o movimento da última pernada da temporada de baixa até a primeira pernada da temporada de alta. Esse período durou dos 680 dias até 320 dias antes do halving. Ou seja, aproximadamente 360 dias, com uma pequena variação dependendo do ciclo.
Como a expectativa é de que o próximo halving aconteça por volta do final de março de 2028, 680 dias antes do halving de 2028 nos dá uma referência dos melhores momentos para compra no ciclo. Isso é o equivalente a meados de maio de 2026 e duraria até abril de 2027. Se considerarmos uma margem de erro de pelo menos um mês antes, chegamos a abril de 2026. Ou seja, estamos entrando no período ideal de acumulação por um ano.
Para facilitar a visão da minha expectativa deste ano e para o ano que vem, vamos tirar a referência do halving e analisar esse mesmo gráfico, mas agora, a partir dos fundos de cada ciclo. Nele, eu apontei com o retângulo laranja, ao final do gráfico, uma possível área de congestão do BTC para este ano (linha branca).
Fonte: Glassnode | Adaptação: Finclass
No início do gráfico, podemos ver o período lateral que pode durar até meados de abril do ano que vem, bem como o início da temporada de alta efetivamente, que pode durar todo o ano de 2027.
Lembrando que nada garante que iremos renovar o fundo atual ou que o ciclo irá se repetir fielmente (como vem acontecendo até o exato momento), porém eu diria que as probabilidades jogam a esse favor.
Pensando especificamente para o curtíssimo prazo, neste período atual, predominantemente lateral, que pode durar possivelmente 1 ano, vamos diminuir, estrategicamente a exposição ao mercado cripto e alocar em mercados descorrelacionados para criar a possibilidade de bater o BTC neste período. Perceba que é uma estratégia pontual, mais tática para a nossa carteira.
Já adianto que por volta de março do ano que vem devemos ter grandes chances de retornarmos com 100% de criptoativos, nos 3%, que eu, Thales, tenho disponíveis dentro da fatia de alternativos.
Novos ativos alternativos
Antes de entrarmos especificamente na análise dos novos mercados recomendados, gostaria de explicar brevemente o que são os ETFs.
A sigla ETF vem do inglês, Exchange Traded Fund, que conforme o próprio nome diz, é um fundo de investimento negociado em bolsa. Também possui um ticker, assim como uma ação ou Fundo Imobiliário.
Diferentemente dos fundos tradicionais, que podem exigir até 60 dias para você resgatar o seu dinheiro, o tempo de saída de um ETF é igual ao do mercado de ações, dois dias úteis, e por isso, é uma operação muito mais rápida e flexível. Por outro lado, pode ter um limitador de liquidez.
Esse tipo de ativo replica o desempenho e a estratégia de um índice de referência, e por isso, é de gestão passiva, sem um gestor tomando a decisão. Assim, oferece ao investidor uma cesta diversificada em apenas um único ativo.
O prazo de rebalanceamento dos ativos é predefinido nas características do ETF e não com base em timing de mercado.
Por meio desta ferramenta, foi possível criar diversas estratégias de investimentos, como as que vamos ver hoje.
● Energia nuclear
Começando a análise retomando alguns dados do relatório anterior. Vamos aproveitar para enfatizar os pontos mais importantes e aprofundar no tema, e em seguida, fazer uma análise do ativo recomendado para cada setor.
Primeiro, quero começar quebrando esse preconceito, de que a energia nuclear é um modelo de geração perigoso.
Concordo que acidentes nas usinas são uma catástrofe tanto para a humanidade quanto para o meio ambiente. Porém, mesmo considerando os casos mais extremos da história, como o de Chernobyl e de Fukushima, o risco humano é equivalente à energia solar e à energia eólica conforme a tabela abaixo.
Fonte: Poder360
Inclusive, a partir de 2019, a ONU passou a considerar a energia atômica como uma das soluções para a descarbonização do mundo, bem equivalente à energia eólica. Ela é até mesmo menos poluente do que a energia hidroelétrica, bastante utilizada no Brasil. E acredite se quiser, muito menos poluente do que a energia solar.
Fonte: Investo
Em relação ao espaço ocupado, a energia solar ocupa 30x mais terra, enquanto a energia eólica ocupa 170x mais espaço do que uma usina nuclear. Além disso, a mineração do urânio é muito menos impactante para o meio ambiente do que a mineração de ouro e cobre, por exemplo.
Mesmo com todas essas vantagens, ainda temos uma baixa adoção hoje em dia. Menos de 5% de toda energia do mundo vem da energia nuclear. Ainda temos muito o que evoluir no setor.
Fonte: Repsol
Porém esse cenário predominante de petróleo, gás e carvão está mudando. As fontes de energia sustentáveis estão ganhando força, como podemos ver no crescimento da energia eólica e solar abaixo.
Geração de energia por fonte
Fonte: Repsol
Enquanto isso, a energia nuclear está relativamente estagnada. Isso ocorreu pois, após a catástrofe de Chernobyl, houve uma desativação em massa das usinas. Depois, ainda tivemos o caso de Fukushima, e com isso, o setor estagnou.
Fonte: Poder360
Enquanto a Alemanha acabou com a geração nuclear no país em 2023, os Estados Unidos lideram esse mercado, seguido da China, conforme o gráfico em barras a seguir. Mas o que chama a atenção mesmo é o gráfico à direita, que mostra como a China está crescendo bastante no número de usinas desde 2009, conforme a faixa verde. Se seguir nesse ritmo, pode alcançar os Estados Unidos na próxima década.
Isso porque, conforme a faixa roxa do gráfico, os Estados Unidos praticamente pararam de construir novas usinas. O que será que a China sabe que o mundo não viu ainda?
Já está nítido que hoje em dia temos diversos mercados que devem aumentar em muito o consumo de energia, por exemplo, com o crescimento desenfreado da inteligência artificial, aumento da demanda por data centers, carros elétricos e até mesmo a mineração de criptoativos.
Na Europa, inclusive, já há escassez de energia em alguns países. Por causa disso, algumas big techs dos Estado Unidos já estão até mesmo fazendo parcerias para garantir o fornecimento de energia.
As usinas nucleares possuem uma boa flexibilidade de alocação, são capazes de produzir uma grande quantidade de energia em uma região relativamente pequena, e conforme vimos são uma das formas mais seguras de geração e até mesmo já existem “mini usinas nucleares” (Small modular reactors - SMRs), que podem ser transportadas até o local de necessidade.
Sobre os riscos do setor, são amplamente conhecidos:
- Acidentes nucleares
- Alvos em caso de guerras
- Catástrofes naturais
- Questões geopolíticas
Mas nada muito diferente do que pode acontecer com outros tipos de usinas de energia.
Temos duas principais opções para investir nesse mercado a partir do Brasil:
● BURA39
É um BDR baseado no ETF URA, da gestora Global X nos Estados Unidos.
O URA é bem diversificado e composto por empresas que cobrem toda a cadeia produtiva, ou seja, possui uma boa diversificação de aplicações e inclusive diversidade geográfica. Porém, ele é bem concentrado na maior mineradora do mundo, a Cameco (CCJ), do Canadá, atualmente com 22,8% do ETF.
Composição do URA BURA39
Fonte: Global X
Esse é um mercado de extremo risco para as mineradoras, devido ao custo operacional elevado, o que o torna um mercado restrito e com grande dificuldade de entrada de novas mineradoras.
Por isso, não seria uma má ideia ter uma posição grande na CCJ. Entretanto, podemos considerar uma estratégia predominantemente conservadora no setor, e por isso, com menor potencial de retorno, pois as empresas menores representam uma fatia relativamente pequena do ETF. Por isso, vamos analisar uma segunda opção.
● NUCL11
É o ETF de urânio e energia nuclear da gestora Investo e segue o índice MVIS Global Uranium & Nuclear Energy.
No ETF NUCL11 atualmente há menos do que a metade do peso na Cameco do que no URA, apenas 9,31%. Consequentemente, menor peso do Canadá e maior nos Estados Unidos. Com isso, há uma distribuição mais uniforme entre os ativos conforme a composição abaixo.
Composição do ETF NUCL11
Fonte: Investo
Ambos os modelos representam muito bem o mercado, com diversificação de aplicações, descentralização geográfica e fácil acesso. Porém, como aqui na fatia de alternativos precisamos focar em retorno dos nossos investimentos, o NUCL11 nos permite uma posição com mais potencial de retorno pois apresenta posição mais relevante em empresas menores. Por isso, é a nossa escolha.
Fonte: Investo
Nos últimos anos, a partir de 2023, este foi um mercado extremamente volátil, e por isso, podemos considerá-lo mais agressivo do que o mercado de ações, e mais sensível às incertezas do corte de juros. As amplitudes de movimento recente foram bem maiores do que no S&P por exemplo.
Fonte: Investo
● Biotecnologia
Como o próprio nome sugere, é a aplicação da tecnologia e engenharia na medicina.
Os Estados Unidos representaram cerca de 42% da receita global da Bioengenharia em 2025 e pesquisas apontam um crescimento de 18% ao ano de 2026 a 2035.
Dentro desse mercado podemos citar diversas subcategorias:
- Robótica e equipamentos
Além da possibilidade dos robôs começarem a realizar cirurgias de forma muito mais precisa e menos invasiva, o primeiro passo é a cirurgia à distância por braços robóticos que já está em ampla expansão. Aqui também podemos acrescentar diversas aplicações, como dispositivos implantáveis, como um marcapasso e até mesmo órgãos artificiais, além de implantes ortopédicos, próteses personalizadas, assim como os mais diversos equipamentos para exames em geral e até softwares.
- Inteligência artificial aplicada
A IA generativa juntamente com o aprendizado de máquina está revolucionando o mercado. Ela diminui o número de tentativas para obter sucesso, pois antes de iniciar o processo prático, ela já faz inúmeras simulações e descarta diversas possibilidades. Também é possível utilizá-la para diagnósticos precoces de doenças, o que aumenta em muito as chances de sucesso.
- Descobertas de novas drogas
Novas moléculas são descobertas muito mais rápido, o que diminui o custo da pesquisa, além da droga chegar muito mais rápido ao mercado. O segmento de farmacêuticos representou cerca de 40% do mercado de biotecnologia em 2025.
- DNA
Em 2025, o segmento representou uma fatia relevante, cerca de 25% da receita da Bioengenharia. O foco principal é o sequenciamento genômico, em que, por meio do DNA, é possível identificar doenças graves. Essa interpretação também pode ser acelerada e mais eficiente com a IA. Outra aplicação seria a edição genética para terapias extremamente personalizadas.
- Aplicações gerais
Também podemos abranger a descoberta de novas vacinas e citar questões de sustentabilidade, como a gestão de resíduos hospitalares e até mesmo produção de alimentos. Mas no final das contas, todos estão preocupados mesmo é com a longevidade, melhor qualidade de vida, maior eficiência da medicina com a implantação dessas novas tecnologias.
Uma molécula descoberta para uma nova droga, uma vacina ou um novo exame pode alavancar a valorização dos laboratórios e proporcionar um retorno exponencial de forma repentina.
Por outro lado, o tema envolve discussões profundas relacionadas à ética, religião e questões políticas. Além de diversas regulamentações rígidas e distintas ao redor do mundo.
O risco de se investir em uma só solução é muito elevado, pois se uma pesquisa falhar por algum desses motivos, pode acabar com um laboratório. Por isso, precisamos diversificar dentro do setor.
No relatório anterior comentamos sobre o BDR BGNO39, ETF da Global X Genomics & Biotechnology, composto por diversos laboratórios. Porém devido à falta de liquidez desse ativo, precisamos procurar outra alternativa.
● HTEK11
O HTEK11 é um ETF do Itaú que segue o índice Morningstar US Exponencial Technologies Healthcare. Por ser um ETF, possui um formador de mercado mais eficiente do que o BDR BGNO39 e, por isso, o HTEK11 atende aos nossos requisitos de liquidez.
Ele é inclusive mais abrangente, pois envolve toda a área médica e considera a área da saúde como um setor de tecnologia aplicada na área da saúde.
O ETF é composto apenas por empresas dos EUA e, conforme comentamos, o país domina o setor com uma participação de 42% no mercado global. É bastante favorecido pelo forte apoio regulatório no país.
O índice é rebalanceado anualmente e adota a metodologia de Equal-Weight (pesos iguais) entre as empresas. Isso é interessante para a nossa estratégia, pois a menor empresa do índice tem a mesma relevância na carteira que a maior empresa.
Isso dá espaço para que pequenas empresas de tecnologia médica multipliquem o seu valor se a sua solução conquistar uma grande fatia do mercado. Deste modo, o ativo não depende só de testes clínicos e aprovações de novos medicamentos, características de extremo risco. Pois ao mesmo tempo o risco total da carteira de ativos é menor, porque também contém empresas de robótica e de software hospitalar, as quais já têm receitas mais previsíveis do que laboratórios, que podem, por exemplo, estar testando uma vacina zero.
Comparativo da performance histórica do índice Morningstar US Exponencial Technologies Healthcare (amarelo) e do S&P 500 (azul)
Fonte: Finclass
Os dois índices andaram praticamente juntos de 2015 até o início de 2023, quando o S&P começou a ser puxado pelas ações de tecnologia da NASDAQ. Mas isso não é ruim, pelo contrário, mostra como o setor ficou para trás e pode ter começado sua alta só recentemente, a partir do meio do ano passado.
Esse é um setor que deve se favorecer bastante com a chegada da IA, pois irá acelerar a descoberta de moléculas que demorariam décadas para serem desenvolvidas. O ativo apresenta uma excelente assimetria ao risco pelo seu forte potencial de retorno.
Como comprar?
Conforme comentado inicialmente, o processo para se investir nesses ativos é bem semelhante ao de comprar uma ação ou FII.
● Acesse sua conta na corretora, seja XP, BTG, Rico, entre outras;
● Transfira os recursos que deseja investir;
● Acesse o Home Broker ou o aplicativo de negociação;
● Busque o ticker do ETF: NUCL11 para o ETF de energia nuclear ou HTEK11 para o ETF de biotecnologia;
● Muito importante analisar o book de ofertas antes de enviar a ordem, pois são ativos de menor liquidez;
● Escolha o tipo de ordem “Limitada”, que permite você definir o valor que quer pagar no ativo;
● Para maior agilidade na execução, você pode definir um preço intermediário entre a ordem de compra e de venda do book de ofertas;
● Defina a quantidade de cotas que quer comprar;
● Digite a senha e envie a ordem;
● Acompanhe a execução. Devido à menor liquidez do que no mercado de ações, pode demorar algum tempo para o formador de mercado atuar se necessário. Se for preciso, aguarde até o final do dia;
● Verifique no painel de ordens se o status mudou para "Executada";
● A liquidação ocorre em D+2 e as cotas aparecerão na sua custódia automaticamente.
O que é o formador de mercado (market maker)?
É uma instituição financeira contratada pela gestora do ETF para facilitar a negociação do ativo, principalmente naqueles que possuem um baixo volume, como é o caso do HTEK11.
Quanto mais desconhecido o ativo, menos investidores estão negociando, e por isso, há a necessidade de um formador de mercado. Sem ele, poderia demorar dias para executar uma ordem de compra ou venda em ativos de baixa liquidez.
Esse agente precisa tomar uma série de cuidados operacionais, como:
- Manter ordens de compra e venda no book
- Permanecer com ofertas em tela durante um percentual mínimo do pregão
- Garantir um spread máximo entre o Bid e Ask no book de ofertas
- Assegurar uma quantidade mínima de cotas disponíveis imediatamente
Por isso, mesmo que o book pareça vazio, o formador de mercado deve estar lá e atuará se for necessário. Basta aguardar. Como a liquidez é menor, o spread do book pode variar bastante, por isso, sempre use ordem limitada para não ter sua ordem executada em preços desfavoráveis.
Como ficam as carteiras?
A partir de agora, seguimos nossa exposição ao mercado cripto apenas com o BTC nas nossas carteiras. Para colocar esses novos ativos alternativos, vamos retirar todas as altcoins e distribuir seu percentual de 2% de forma igual, sendo 1% para o NUCL11 e 1% para o HTEK11, mantendo 1% no BTC.
Deste modo, para a fatia dos alternativos, temos:
- Carteira até R$ 50 mil: mantida somente com BTC.
- Carteira de R$ 50 mil a R$ 200 mil: saem ETH, LINK e PENDLE, para entrar 1% de NUCL11 e 1% de HTEK11.
- Carteiras acima de R$ 200mil: saem ETH, LINK, PENDLE e ONDO, para entrada de 1% de NUCL11, assim como 1% HTEK11.
Deste modo, retiramos os ativos que tendem a sofrer mais do que o BTC durante eventual continuidade de queda e criamos uma exposição a mercados completamente descorrelacionados, que podem se beneficiar de narrativas que estão em alta no momento e, consequentemente, bater o desempenho do BTC no período de aproximadamente um ano.
Conclusão
Devido a minha expectativa predominante de manutenção do ciclo do BTC, consequente continuidade da temporada de baixa, ou no melhor dos casos, uma lateralização prolongada, quem sabe até o início do ano que vem para o BTC, estamos fazendo essa alteração na carteira.
Esse movimento elimina o risco das altcoins no período fraco dos criptoativos, ao mesmo tempo que cria boas chances de algum ativo descorrelacionado ao mercado cripto bater o desempenho do BTC neste período.
A narrativa do urânio vem ganhando cada vez mais relevância e o movimento da China com o ritmo acelerado de construção de novas usinas chama a atenção. O ETF de Biotecnologia envolve aplicações inovadoras, que já estão sendo implantadas e trazendo resultados, podendo proporcionar um retorno repentino a qualquer momento.
Ambas as narrativas já deram seus primeiros sinais de alta no ano passado e podem se beneficiar bastante com narrativas atuais da inteligência artificial. Por serem indiretamente relacionados, ainda seguem fora do radar da grande massa dos investidores e ainda apresentam oportunidades.
Sobre os analistas
Thales Inada
Especialista em Criptoativos
Especialista em criptoativos e investimentos alternativos da Finclass. Engenheiro, com MBA em investimentos e Asset Allocation. Iniciou no mercado de criptoativos em 2017, com passagem por importantes exchanges como Binance (a maior do mundo), Mercado Bitcoin (a maior da América Latina) e XDEX, a antiga exchange da XP Inc. Agora, deixou as instituições para ficar do lado de investidoras e investidores, com missão de democratizar o universo dos criptoativos e investimentos alternativos por meio de uma linguagem simples e direta, a fim de tornar esse mercado visionário acessível a todas as pessoas.
Rodrigo Xavier
Analista CNPI, especialista em fundos de investimentos e alocação de ativos da Finclass. Bacharel em economia com pós-graduação em mercados financeiros, iniciou sua trajetória profissional no ano de 2006, em área de orçamento e custos na CDHU (maior agente promotor de moradia popular no Brasil). Passou 13 anos na Anbima, entidade que representa os principais bancos e gestoras de recursos, onde atuou na concepção e construção de bases de dados, elaboração de relatórios estatísticos, participação ativa em fóruns qualificados, entre outros ligados a fundos e distribuição. Desde o ano de 2021 faz parte do nosso time de análise e acredita que a educação financeira pode trazer um impacto extremamente positivo na vida das pessoas, por isso, decidiu dedicar-se ao propósito de auxiliá-las nessa jornada.